"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 29 de abril de 2018

DESEMBARGADOR ATACA MORO E AGRAVA A CRISE NO PODER JUDICIÁRIO


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Desembargador Ney Bello ataca o juiz Moro
O juiz Sérgio Moro pediu em despacho nesta sexta-feira (27) que a liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para suspender a extradição do empresário Raul Schmidt seja revogada.  Schmidt é acusado pela força-tarefa da Operação Lava Jato de intermediar pagamento de propina a ex-diretores da Petrobras. Atualmente, ele está em Portugal e há mandado de prisão contra ele expedido por Moro.
“Espera-se, com todo o respeito, a revogação imediata da liminar, por incompetência absoluta e usurpação da competência deste Juízo e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região”, afirmou o juiz, que é responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância. Segundo o juiz, há um equipe pronta da Polícia Federal brasileira para trazer Schmidt de Portugal nos próximos dias.
O desembargador Ney Bello, presidente da 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) criticou neste sábado (28) a ordem do juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato no Paraná, para prosseguir com a extradição do empresário Raul Schmidt, que está em Portugal.
Neste sábado, Ney Bello disse que a disputa de competência sobre algum processo deve ser decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e considerou que a determinação de Moro de seguir com a extradição “atenta contra o próprio Poder Judiciário”.
O QUE MORO DISSE – “O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, apesar de todo o respeito que lhe cabe, não tem jurisdição sobre o assunto”, afirmou Moro.
Ao pedir a revogação da liminar, o juiz Sérgio Moro afirmou que cogita a possibilidade de que os advogados de Raul Schmidti Fellipe Júnior tenham ocultado fatos relevantes ao Relator do habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
No despacho, Moro determina que o relator seja comunicado sobre a invasão de competência com urgência. “Assim, deve o Ministério da Justiça, especificamente o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, prosseguir no cumprimento do pedido de extradição encaminhado por esta autoridade judiciária, uma vez que o procedimento está submetido à autoridade deste Juízo e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região”, acrescentou o juiz.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A briga é feia e faz parte do complô para esvaziar a Lava Jato, através do questionamento da competência do juiz Moro para julgar os processos que não tenham ligação direta com a corrupção da Petrobras, como no caso do sítio de Atibaia. Mas no tocante ao lobista Raul Schmidt, que vivia como milionário na Suíça, ele é alvo da Lava Jato e apontado como sócio de ex-diretores da Petrobrás e também como operador da corrupção. Ou seja, a competência é do juiz Moro, e ponto final. Quanto a Ney Bello, trata-se do desembargador que soltou Geddel Vieira Lima quando ele foi preso pela primeira vez, por obstrução à Justiça. (C.N.)

29 de abril de 2018
G1 PR, Curitiba

DELAÇÃO DE PALOCCI COMPROMETE LULA E DILMA EM CRIMES INVESTIGADOS


Palocci
Palocci fechou a delação om a Polícia Federal
O acordo de delação premiada assinado pelo ex-ministro Antonio Palocci com a Polícia Federal é uma reunião de fatos que envolvem, em grande parte, o esquema de arrecadação do PT com empreiteiras citadas na Lava Jato e a atuação dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff nos crimes apurados pela operação, segundo o jornal “O Globo”. Por se tratar de uma colaboração negociada na primeira instância, os temas abordados pelo ex-ministro dizem respeito a fatos investigados – ou passíveis de investigação – pela 13ª Vara Federal de Curitiba, comandada pelo juiz Sergio Moro, que terá o papel de homologar o acordo.
A reportagem apurou que boa parte das histórias abordadas por Palocci – que ainda poderão ser detalhadas no curso das investigações – reconstitui o esquema de corrupção na Petrobras, as relações das empreiteiras com políticos do PT e a forma como Lula e Dilma se envolveram nas tratativas que resultaram em um prejuízo de cerca de R$ 42 bilhões aos cofres da estatal, segundo estimativa da PF.
ANEXOS SUPLEMENTARES – Durante o processo de delação, Palocci também poderá apresentar anexos suplementares com novos casos considerados relevantes pelos investigadores.
Ao falar de Lula, Palocci detalhou ocasiões em que foi pessoalmente levar pacotes de dinheiro vivo ao ex-presidente e relacionou datas e valores entregues por um de seus principais assessores, Branislav Kontic, na sede do Instituto Lula. Segundo Palocci, os pagamentos a Lula, feitos nos últimos meses de 2010, quando ele se preparava para deixar o Planalto, chegavam a somar R$ 50 mil. Dinheiro que seria usado para bancar despesas pessoais.
Na ocasião das entregas, relata o ex-ministro, ele e Lula combinavam o local de encontro para o pagamento. Como Palocci não dirigia o próprio carro, costumava levar um auxiliar ao volante, cuja identidade é mantida em sigilo.
DATAS E HORÁRIOS – Palocci listou datas e horários das entregas de dinheiro a Lula como parte do conteúdo probatório. A partir dessas informações, investigadores teriam condições de atestar encontros, por meio de ligações telefônicas entre Lula e Palocci e pela posição dos aparelhos celulares no mapa de antenas.
Ele narrou pelo menos uma conversa com Lula no Planalto na qual teria tratado do esquema envolvendo a construção de sondas para exploração de petróleo em águas profundas. O objetivo da negociação, que teria sido feita na presença de Dilma, seria levantar dinheiro para bancar a eleição da ex-presidente, em 2010.
CONTA “AMIGO” – Ao falar da relação de Lula com empreiteiras, o ex-ministro confirmou que parte do dinheiro entregue nas mãos do ex-presidente e na sede do Instituto Lula teria saído diretamente da “conta Amigo”, a reserva de propina atribuída ao petista no Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.
Já ao citar Dilma, Palocci afirmou aos investigadores que ela teria atuado para atrapalhar as investigações da Lava Jato no episódio da nomeação de Lula para ministro da Casa Civil, em março de 2016.
Além de detalhar os casos de corrupção dos quais participou ou teve conhecimento, o ex-ministro terá de apresentar provas do que diz. Se mentir ou quebrar algumas das cláusulas firmadas, poderá perder os benefícios negociados.
CONTESTAÇÃO – O acordo de delação firmado entre o ex-ministro Antonio Palocci e a Polícia Federal ainda pode vir a ser contestado pela Procuradoria Geral da República (PGR). A informação foi dada nessa sexta-feira (27), em Paris, pela procuradora geral Raquel, que afirmou “desconhecer” os termos e a “extensão das cláusulas” do entendimento entre as duas partes.
Segundo Raquel Dodge, as negociações não foram realizadas na “jurisdição de Brasília”, o que obrigará a PGR a estudar em detalhes o acordo para decidir o que fará a respeito. “Não conheço o caso, não foi feito na jurisdição de Brasília e, oportunamente, o meu gabinete, ou a instância cabível, certamente examinará esse documento. Aí a manifestação será feita oportunamente”, disse.
“Eu não posso adiantar nenhum ponto de vista exatamente porque não examinei que documento é esse, como foi feito, qual a extensão das cláusulas. Tudo precisa ser avaliado com muito cuidado”, reiterou.
VIGÊNCIA –  Já o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, destacou nessa sexta-feira (27) ao Broadcast Político, serviço de notícias do Grupo Estado, que a lei que permite à Polícia Federal fechar acordos de delação premiada está em plena vigência. “Nós estamos julgando uma ação que ataca a lei, não houve implemento de liminar, então a conclusão é que a lei está em plena vigência, que contém expressamente a delação na polícia”, afirmou.
O ministro, que é relator do processo em trâmite no Supremo, votou favorável à autonomia das policias para firmarem acordos. A votação sobre essa questão está parada no STF. Em 13 de dezembro, a maioria dos ministros (6 a 0) seguiu o entendimento do relator. “O que está valendo é a lei”, também disse à reportagem o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.

29 de abril de 2018
Deu em O Tempo

DELATOR DENUNCIA QUE BELTRAME TAMBÉM GANHAVA MESADA DA CORRUPÇÃO


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Beltrame pagava aluguel de 15 mil em Ipanema
No anexo 40 de sua delação premiada, o economista Carlos Miranda acusa o ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame de ter se beneficiado do esquema de corrupção de Sérgio Cabral. De acordo com o delator, de 2007 a 2014, Beltrame, que é delegado da Polícia Federal, recebeu um valor mensal de R$ 30 mil, recursos que teriam sido entregues à mulher dele, a professora de Educação Física Rita Paes.
O ex-secretário e sua mulher negam as acusações. A delação de Miranda foi homologada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
NAS MÃOS DO JUIZ – O conteúdo da delação de Miranda já foi encaminhado ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal. Durante dez anos (oito no governo Cabral e dois no de Luiz Fernando Pezão), Beltrame liderou a guerra contra o crime no Estado do Rio e foi o responsável pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
Até o momento, o delegado tinha passado incólume pelas investigações da Operação Calicute, versão da Lava-Jato no Rio, responsável pela prisão de Cabral em novembro de 2016.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Estava demorando a chegar em Beltrame, que no governo Cabral era uma espécie de Santo do Pau Oco. A diferença é que o delegado federal conhece as leis e sabe como encobrir seus malfeitos, como diria Dilma Rousseff. O então secretário Beltrame frequentava com a família a “Turma de Mangaratiba”, morou durante anos num apartamento de luxo em Ipanema, que pertence ao empresário Paulo Fernando Magalhães Pinto, amigo, ex-assessor, laranja e cúmplice de Sérgio Cabral. Era Paulo Fernando que mantinha em seu nome bens caríssimos de Cabral, como o iate luxuoso que ficava em Portobello. O imóvel onde morava Beltrame, localizado em Ipanema, Zona Sul do Rio, tinha um alto custo: aluguel de cerca de R$ 15 mil, mas Beltrame tinha os recibos dos supostos pagamentos. Sabe-se que o secretário também se envolveu em “malfeitos” nas compras de viaturas da Polícia, a imprensa noticiou fartamente à época. Agora, pode ter chegado a vez dele, se houver provas materiais. (C.N.)


29 de abril de 2018
Chico Otavio / Daniel Biasetto
O Globo

ESQUEMA PARA TORNAR LULA CANDIDATO É BEM ARTICULADO E PODE DAR CERTO


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Charge do Iotti (Zero Hora)
O roteiro para sepultar a Lava Jato começou em maio do ano passado, com a aprovação, por unanimidade, pelo Senado, da emenda constitucional que põe fim ao foro privilegiado. A PEC agora está na Câmara, onde não deve encontrar dificuldades para ser aprovada. Tamanho consenso parece contrastar com tudo o que se sabe do interesse dos políticos em manter o foro.
O paradoxo é aparente: o fim do foro, associado ao fim da prisão em segunda instância, que continua sendo tramada no STF, consagraria de vez a impunidade.
QUATRO INSTÂNCIAS – Os processos dos políticos iriam à primeira instância com direito a tramitar nas outras três superiores – TRF, STJ e STF -, sem que nesse interstício nenhum dano ocorresse ao réu.
Aguardaria em total liberdade. Mediante a ação de bons advogados, e com o arsenal de recursos e embargos que a lei processual oferece, o processo poderia durar para além da prescrição da pena. Retrocesso puro.
Como a intervenção federal no Rio de Janeiro impede, por imperativo constitucional, que se vote, na sua vigência, qualquer proposta de emenda, o STF resolveu dar uma mãozinha.
QUARTA-FEIRA – A presidente da Corte, Carmem Lúcia, pautou para a sessão de 2 de maio o julgamento do processo que deve restringir o foro privilegiado. O STF começou a julgá-lo no ano passado.
Em novembro, quando já havia maioria para mudar a regra, o ministro Dias Toffoli pediu vista, adiando a conclusão do caso. Nesse ínterim, tentou-se, sem êxito, o fim da prisão em segundo grau, tema que será recolocado na mesma sessão do dia 2, segundo promete o ministro Marco Aurélio.
Para coroar o processo, trama-se o fim da lei da Ficha Limpa, que veta candidaturas dos condenados em segunda instância. Terá, nos mesmos termos da prisão em segundo grau, sua inconstitucionalidade arguida ao STF.
Disso resultará que, enquanto o processo do político infrator não chegar ao topo dessa pirâmide recursal – o trânsito em julgado -, sua ficha continuará, do ponto de vista legal, imaculada.
AINDA ESTE ANO – Essa ação articulada está prevista para ser consumada antes do prazo final de registro das candidaturas, 15 de agosto próximo. Se consumada, Lula não apenas estará solto, como terá a ficha limpa e sua candidatura registrada. E não apenas ele, mas todos os políticos já presos em segunda instância; entre outros, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Antonio Palocci, Sérgio Cabral.
O PT, segundo informou o deputado Wadih Damous, tem, para o êxito dessas manobras, um aliado no STF: Gilmar Mendes, secundado pelos ministros crias do partido – Ricardo Lewandowski e Antonio Dias Toffoli. Marco Aurélio tem sido aliado fiel do grupo.
Gilmar confirmou essa parceria ao afirmar que seu gabinete tornou-se um “pátio dos milagres” dos petistas. E haja milagres.
SEM FICHA LIMPA – Damous, em vídeo na internet, considerou a Lei da Ficha Limpa, gestada no próprio PT, um equívoco, já que, segundo ele, retira do povo o direito de julgar os maus políticos.
Segundo disso se depreende, os políticos criminosos devem, diferentemente dos demais cidadãos, ser julgados não pelo Código Penal, mas pelo Código Eleitoral.
Tudo muito simples, muito engenhoso, mas com um único senão: esqueceram-se de combinar com a opinião pública, atenta a tudo que se passa nessa esfera. Sobretudo, subestimam a rejeição militar a essas manobras, que, em nome da lei, a desprezam. Perigo à vista.
(artigo enviado por Celso Serra)

29 de abril de 2018
Ruy Fabiano
Blog do Noblat, Veja 

SESSENTA E SEIS MILHÕES DE EMPREGADOS ESTÃO FORA DO INSS E DO FGTS


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Charge do Arionauro (Arquivo Google)
Reportagem de Daiane Costa, edição de ontem de O Globo, com base em pesquisa realizada pelo IBGE, revela que em 2017 caiu sensivelmente o número de empregados com carteira assinada, no país, uma vez que o vínculo empregatício abrande apenas 1/3 da mão de obra efetiva do país. Portanto, verifica-se que em números redondos dos quase cem milhões que compõem a força de trabalho no Brasil apenas 33% estão vinculados ao INSS e ao FGTS. Acentua a reportagem que a renda permaneceu estagnada, o que se reflete no consumo e também no crescimento do Produto Interno Bruto.
Nesse cálculo, é claro, não estão incluídos os servidores públicos de modo geral. O que se verifica é que a renda média do emprego formal atingiu 2.074 reais, enquanto a renda média sem vínculo de emprego ficou em 1.291 reais.
PREVIDÊNCIA AMEAÇADA – O desemprego continua alto permanecendo na escala de 12,7 milhões de pessoas. Esses números refletem indireta e negativamente nas receitas do INSS e do FGTS. É verdade que muitos desempregados continuam recolhendo suas contribuições para a Previdência Social, mas a parte do empregador representa a maior lacuna.
É preciso considerar que a contribuição máxima do empregado é de 11% sobre 5.504 reais, teto do INSS. A diferença, contudo, é que o percentual da contribuição do empregador, que é de 20% sobre a folha de salário, não havendo vínculo de emprego, deixa de existir.
NÃO-EMPREGO – Assim, a maior causa do déficit previdenciário decorre da compressão que reduz o número de empregados formais. O panorama continua difícil, devendo-se acrescentar à taxa de desemprego também o índice menos aparente do não-emprego. Pois se o mercado apresenta desemprego alto é porque paralelamente não está empregando os jovens que atingem a idade de trabalhar e esperam por um lugar ao sol.
Como a população brasileira cresce à velocidade de 1% a cada 12 meses, chega-se a conclusão que anualmente 2 milhões de pessoas atingem uma escala entre 18 e 20 anos e lutam por ingressar no mercado de trabalho. Esta é uma face social do problema não focalizada com nitidez pela pesquisa do IBGE. Uma pesquisa difícil de fazer, é verdade, mas não impossível de realizar.
VÁRIOS FATORES – O fato é que, como todas as questões relativas à vida humana, a conclusão efetiva depende de vários fatores. O desemprego é um deles. O não emprego outro. A renda da informalidade, evidentemente é menor do que a renda do trabalho formal, como o próprio IBGE revela. Encontra-se aí também um dos fatores que refletem negativamente na arrecadação da Previdência Social do país. E não é só: como a procura de trabalho é maior do que a oferta, o resultado expõe a queda dos valores salariais.
Quanto menor for o salário, menores serão também as receitas do INSS e do FGTS. Maior, entretanto, é a ansiedade dos que precisam trabalhar.

29 de abril de 2018
Pedro do Coutto

UM ELEFANTE BRANCO DE R$2 BILHÕES PODE LEVAR 12 RÉUS À PRISÃO


Estádio Mané Garrincha
Mané Garrincha é o legado mais caro da Copa
No fim de fevereiro, Brasiliense e Paracatu se enfrentaram pela nona rodada do Candangão. A peleja atraiu 392 testemunhas ao Estádio Nacional de Brasília. Foi outro fiasco de público na arena mais cara da Copa de 2014. A reforma do velho Mané Garrincha torrou R$ 1,98 bilhão em recursos públicos, segundo o Tribunal de Contas do DF. A obra custou o triplo do previsto. Resultou num monumento ao desperdício em concreto e aço, encravado no centro da capital.
Ontem a Justiça Federal mandou para o banco dos réus 12 personagens acusados de faturar com a reconstrução do estádio. Estão na lista dois ex-governadores, José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT), e um ex-vice, Tadeu Filipelli (PMDB).
DESDE 2008 – De acordo com o Ministério Público, as fraudes começaram a ser tramadas em 2008. Segundo a denúncia, Arruda reuniu empreiteiros na residência oficial e direcionou o estádio para um consórcio chefiado pela Andrade Gutierrez. Executivos da construtora contaram que ele cobrou pedágio de 1% sobre o valor da obra.
O governador caiu, mas o esquema continuou de pé. A dupla Agnelo-Filipelli assumiu o projeto e recebeu mais R$ 12 milhões em propina, diz a Procuradoria. O petista foi acusado de desviar até ingressos prometidos aos operários que trabalharam na construção.
LEGADO DA COPA – Das 12 estádios da Copa, dez já apareceram em investigações de corrupção. O ex-governador Sérgio Cabral e o ex-ministro Henrique Alves, ambos do PMDB, foram para a cadeia por fraudes no Maracanã e na Arena das Dunas. Arruda, Agnelo e Filipelli chegaram a ser presos, mas poderão se defender em liberdade. Os três negam participação na roubalheira.
Além de liderar o ranking do superfaturamento, o Mané Garrincha encabeça a lista de elefantes brancos do Mundial. Com capacidade para 72 mil pessoas, passa a maior parte do tempo às moscas. Em 2017, ficou quase nove meses sem receber uma partida oficial. O fracasso de público era previsível. Sem tradição no futebol, Brasília não tem nenhum time nas séries A, B e C do Brasileiro.
Em tempo: o duelo entre Brasiliense e Paracatu arrecadou míseros R$ 1.337. O valor não cobriu nem o aluguel da ambulância exigida pela federação. Para azar dos 392 torcedores, o jogo terminou em 0 a 0.

29 de abril de 2018
Bernardo Mello Franco
O Globo

JOSÉ DIRCEU PEDE QUE PETISTAS REAJAM AOS ATAQUES QUE SOFREREM EM CURITIBA


 duas pessoas teriam sido feridas por tiros disparados contra o acampamento Marisa Letícia, onde estão os apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba (PR)
Militante exibe uma blusa com sangue de ferido
Condenado a 30 anos, nove meses e 11 dias de prisão, o ex-ministro José Dirceu pregou autodefesa ao comentar, na manhã deste sábado (28), os ataques à bala ao acampamento de apoiadores do ex-presidente.  Em mensagens a petistas, o ex-ministro disse que os militantes devem se preparar para esta nova fase e, ao menos, se dedicar à autodefesa.
​“Vamos apanhar nas ruas de novo, nossa bandeira rasgada e nossos militantes agredidos? Vamos à luta, responder à altura. Sem violência, mas na luta e combate”, escreveu, a propósito do ataque, em que duas pessoas ficaram feridas após tiros contra o acampamento de apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Curitiba, na madrugada deste sábado (28).
TIRO DE RASPÃO – Um dos feridos é Jeferson Lima de Menezes, 38, que levou um tiro de raspão no pescoço e está internado no Hospital do Trabalhador. Segundo a Secretaria de Saúde do Paraná, ele está consciente. Ele faz parte do sindicato dos motoboys do ABC paulista e atuava como segurança do acampamento no momento do ataque. Os disparos acertaram também um banheiro químico, provocando estilhaços que feriram Márcia Koakoski, 42, sem gravidade. Ela recebeu atendimento médico e foi liberada.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, as primeiras informações são de que uma pessoa a pé efetuou os disparos. No local, foram recolhidas cápsulas de pistola 9 mm. Os acampados dizem que o ataque ocorreu por volta de 4h da madrugada. Em protesto nesta manhã, os militantes fecharam a av. Mascarenha de Morais, no bairro Santa Cândida, mas a via já foi liberada.
INVESTIGAÇÃO – Um inquérito foi aberto para investigar o caso. Ainda segundo a secretaria, peritos da Polícia Científica do Paraná, policiais militares e da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, estiveram no local.
Em reunião entre o presidente do PT do Paraná, Dr. Rosinha, e o diretor-geral da secretaria, o delegado responsável pelo DHPP e o delegado-geral da Polícia Civil, ficou acertado que o policiamento no acampamento será permanente.
Também foi acordado que a investigação sobre o caso será a mais rápida possível e que haverá segurança reforçada para o ato de Primeiro de Maio.
Nesta tarde, policiais começaram a ouvir testemunhas do ataque, incluindo Márcia Koakoski, a segunda vítima.
CÂMARAS DE SEGURANÇA – Segundo Dr. Rosinha, a polícia irá analisar câmeras de segurança do entorno do acampamento e investigará carros que ameaçam o local. “Tem carros que são os mesmos que passam e a mesma agressividade. É repetitivo. Dois, três dias seguidos, o mesmo carro”, disse.
Ele afirmou ainda que não há a possibilidade de mudar o acampamento ou desfazê-lo. “A possibilidade de acabar o acampamento é a liberdade do Lula. Lula livre, acaba o acampamento e a vigília.”
Segundo Regina Cruz, presidente da CUT no Paraná e coordenadora do acampamento, a segurança também será reforçada com câmeras.

29 de abril de 2018
Deu na Folha

ALUGUEL DE AVIÃO DE SERRA DAVA PARA COMPRAR DOIS JATINHOS ZERO QUILÔMETRO


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Ronaldo cobrou o aluguel mais caro do mundo…
O empresário e ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (PSD-RJ) afirmou em depoimento à Polícia Federal em fevereiro deste ano que recebeu do PSDB 6,5 milhões de euros em uma conta na Suíça em 2009 e 2010. Segundo Coelho, o dinheiro era pagamento do partido pelo uso de um avião do empresário em atividades ligadas à campanha presidencial do PSDB em 2010, que teve como candidato o senador José Serra (PSDB-SP).
A informação foi publicada neste sábado (28) pelo jornal “O Estado de S.Paulo”. A TV Globo também teve acesso ao depoimento.
CONFIRMAÇÃO – Em janeiro do ano passado, Cezar Coelho já havia admitido o recebimento do dinheiro na Suíça. Agora, ele confirmou a informação no depoimento à PF.
Coelho afirmou no depoimento que tratou do uso da aeronave com o então presidente do partido, o ex-deputado federal Sérgio Guerra, morto em 2014. Ele disse à polícia que custeou por conta própria as viagens, mas recebeu de Guerra a garantia de que seria reembolsado.
Coelho relatou ter dito a Guerra que os pagamentos poderiam ser feitos para a empresa de táxi aéreo responsável pela manutenção do avião. No entanto, afirmou o empresário, Guerra disse que o pagamento teria que ser feito no exterior. “Que Sergio Guerra afirmou que iria obter os recursos, mas que somente poderia realizar os pagamentos diretamente ao declarante [Cezar Coelho] no exterior”, registrou a PF no depoimento do empresário.
CONTA NA SUÍÇA – Coelho disse ainda que não sabe o motivo pelo qual o pagamento teria que ser feito em outro país, mas aceitou a proposta e indicou uma conta que tinha na Suíça desde 1984. Ele afirmou ainda que, em 2016, aproveitando o programa do governo de repatriação de recursos, trouxe R$ 23,8 milhões que mantinha no exterior para o Brasil.
O empresário relatou à PF que não sabe a origem do dinheiro pago pelo PSDB e que nunca questionou ninguém do partido sobre o tema.
No acordo de delação premiada, o ex-diretor da Odebrecht Carlos Armando Paschoal, conhecido como Cap, disse ter pago ilegalmente R$ 23 milhões para a campanha de Serra em 2010. Ronaldo Cezar Coelho teria sido responsável pelo acerto de parte desse valor.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Parece Piada do Ano, porque são números e contas que não fecham. Com 6,5 milhões de euros dava para comprar dois jatinhos zero quilômetro, mas o PSDB pagou esta fábula de dinheiro para alugar o avião particular de Ronaldo Cesar Coelho durante apenas quatro meses, na campanha de Serra. Hoje em dia, a Embraer vende jatinho a US$ 4,5 milhões e estamos falando em preços de 2010, há oito anos atrás. Esta história está muito mal contada, até porque Ronaldo era o responsável por arrumar dinheiro para a campanha e agora põe a culpa em Sergio Guerra, que morreu em 2014 e não pode mais se defender… (C.N.)


29 de abril de 2018

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Por G1, Brasília

FILMAGEM DA ENTREGA DE DINHEIRO COMPLICA SENADOR E DEPUTADO DO PP


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Ciro Nogueira acusado de corrupção e obstrução
A Operação Lava Jato acompanhou e registrou em vídeo, em fevereiro, duas entregas de dinheiro a José Expedito Rodrigues Almeida, ex-assessor do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas. A gravação foi uma “ação controlada” da Polícia Federal, isto é, uma operação planejada com o auxílio do próprio Almeida, que procurou a PF para denunciar um esquema de captação de propina de políticos do PP, entre os quais Nogueira e o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE)
O advogado de Ciro Nogueira, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que não há “qualquer indício de envolvimento do senador com qualquer ilícito”. Em nota, o deputado Eduardo da Fonte disse que está “à disposição da Justiça para que os fatos sejam esclarecidos rapidamente”.
AS FILMAGENS – As informações sobre as filmagens e gravações estão detalhadas no material da investigação, ao qual a TV Globo teve acesso. Segundo Expedito Almeida, o dinheiro – R$ 5 mil na primeira entrega, em 26 de fevereiro, e R$ 1 mil na segunda, em 28 de fevereiro – destinava-se à compra do silêncio dele.
O ex-assessor disse à PF que as entregas foram feitas pelo ex-deputado Márcio Junqueira, ex-PP, atualmente no PROS, com o objetivo de que ele, Almeida, ficasse calado ou mudasse o teor de depoimentos dados anteriormente – desfavoráveis a Ciro Nogueira e Eduardo da Fonte (PP-PE).
Nos autos da investigação, Almeida afirma que os pagamentos foram feitos “com a ingerência direta desses dois”.
NA PRISÃO – Junqueira foi preso na última terça-feira (24), mesmo dia em que a Polícia Federal cumpriu mandados de busca nos gabinetes e nos apartamentos funcionais do senador e do deputado.
Roberto Bertholdo, advogado do ex-deputado, disse que teve acesso aos autos e que só depois de ler todos os documentos é que entrará com algum tipo de medida junto ao STF. “São 500 páginas. Estou me dedicando à leitura cuidadosamente porque tem muito diálogo, muitos detalhes. Eu acho que advogado bom só fala nos autos. Mas posso dizer que a defesa respeita a decisão do ministro [Edson] Fachin e tem muito trabalho pela frente para que eu possa estabelecer um conhecimento maior do que eu vou fazer daqui para frente. Espero que até quarta-feira, possa colocar algum tipo de medida ou pedido ao ministro Fachin”, disse Bertholdo.
OBSTRUIR A JUSTIÇA – Após a ação controlada, Ciro Nogueira, Eduardo da Fonte e Marcio Junqueira passaram a ser investigados por suspeita de obstrução de justiça.
A investigação apontou que, na primeira entrega, “houve nítidos diálogos captados na escuta com referência a Eduardo da Fonte”. Na segunda, em um shopping em Brasília, a Procuradoria Geral da República reproduziu imagens mostrando que, no mesmo dia da entrega, o ex-deputado primeiro esteve na casa de Eduardo da Fonte e, depois, foi repassar o dinheiro a José Expedito.
O dinheiro recebido por Almeida foi apreendido pela PF. O ponto de partida dessa ação controlada foram quatro depoimentos prestados por ele em setembro de 2016, relatando que estava sendo ameaçado.
CONFIRMAÇÃO – José Expedito Almeida prestou depoimentos anteriores a esses, que geraram a operação de terça-feira da PF. Nesses depoimentos, disse que repassava dinheiro a mando de Ciro Nogueira. Essas revelações anteriores fazem parte do inquérito em que Ciro Nogueira e outros políticos do PP são investigados.
Em um dos depoimentos nesse inquérito, Almeida apontou um quarto de hotel em São Paulo usado para guardar dinheiro. Segundo afirmou, era um quarto no Grand Plaza Hotel, na capital. “Eduardo da Fonte , Ciro Nogueira, Marcos Meira e Daividson Tolentino residiram no local por determinado período, sendo o mesmo utilizado para estocagem de dinheiro”, declarou.
Ele contou sobre relações do deputado e do senador com o advogado Marcos Meira e com Daividson Tolentino. Disse que Meira é amigo íntimo de Eduardo da Fonte.
DINHEIRO VIVO – Almeida disse ter arrecadado dinheiro para o deputado e repassado R$ 1,25 milhão para Meira. O ex-assessor afirmou que transportou o dinheiro em espécie: R$ 900 mil teriam sido entregues no escritório de advocacia de Marcos Meira e outros 350 mil diretamente na casa dele, no Recife.
Sobre Daivison Tolentino, a testemunha diz que pegava dinheiro com ele a mando de Eduardo da Fonte e também de Ciro Nogueira. Relatou que entre 2013 e 2014 foi ao Rio buscar R$ 50 mil a pedido dos dois parlamentares. Ele também contou que Daividson trabalhou no Ministério da Saúde por indicação política de Ciro Nogueira.

29 de abril de 2018
Camila Bomfim
TV Globo, Brasília