"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 11 de junho de 2017

BOECHAT DESAFIA MINISTRO DO STF AO VIVO: "VAI ME PROCESSAR?" E CRITICA O PROCESSO DA MONICA YOZZI

GILMAR MENDES ACABOU! PROVAS SUFICIENTES CONTRA ELE!

BOMBA! GILMAR MENDES ACABOU! PROVAS SUFICIENTES CONTRA ELE!


11 de junho de 2017
postado por m.americo

JBS FAZENDO FARRA COM O NOSSO DINHEIRO. DEVE R$ 2,4 BILHÕES AO INSS

BOMBA! CARMEN LÚCIA EXPLODE APÓS TEMER HUMILHAR O STF E PODE ATÉ ACIONAR AS FORÇAS ARMADAS

PLANALTO DE TEMER AGORA FICOU PARECIDO COM A FASE TERMINAL DE DILMA

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Charge do Clayton (O Povo/CE)
O Palácio do Planalto de Michel Temer ficou parecido com o da fase terminal de Dilma Rousseff. Em março de 2016, cercada por assessores que pretendiam blindá-la, a senhora decidiu trocar o ministro da Justiça. Desastre, pois o escolhido, Wellington Cesar de Lima e Silva, não conseguiu assumir. Temer resolveu deslocar o ministro Osmar Serraglio para outra cadeira e, assim, o queridinho Rocha Loures continuaria na Câmara dos Deputados, protegido pelo foro privilegiado. Novo desastre, Serraglio não topou o novo ministério, reassumiu sua cadeira e Rocha Loures, tosado, está na penitenciária da Papuda. Dias antes, o Planalto surtara diante de uma baderna mal explicada que se aproveitou de uma manifestação ordeira, convocada com enorme antecedência. Até hoje não foi possível identificar o cacique tabajara que teve a ideia de botar a tropa na rua.
O caótico bunker de Temer superou-se na trapalhada do jatinho que enfeitou suas férias em Comandatuba. Primeiro o Planalto mentiu negando que o doutor e sua família tenham voado no jatinho de Joesley Batista. No dia seguinte, desmentiu-se, reconheceu o mimo, mas contou que o doutor não sabia de quem era o avião. Outra patranha. Temer não entra em avião sem saber quem é o dono.
PONTOS EM COMUM – Os três desastres diferem entre si, mas têm dois pontos em comum: a arrogância de quem acha que faz o que quer e a leviandade de quem cria uma realidade paralela para se livrar do peso do erro cometido. Nenhuma das três crises teria ocorrido se alguém tivesse conversado direito com Serraglio, se a Esplanada dos Ministérios tivesse sido adequadamente protegida e se os áulicos tivessem reconhecido na primeira hora que Temer usou a Air JBS.

11 de junho de 2017
Elio Gaspari
Folha e O Globo

FUNARO PROMETE REVELAR CONTA SECRETA DE TEMER, MAS A PROCURADORIA NÃO ACREDITA

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Charge do Amorim (Charge Online)
Em conversas preliminares para sua delação, Lucio Funaro prometeu uma bomba aos procuradores: os registros de uma conta no exterior de Michel Temer. A Procuradoria-Geral da República suspeita, porém, de que as informações do doleiro podem ser falsas.
Antes de a equipe de Rodrigo Janot entrar no circuito, as negociações estavam com a Procuradoria da República em Brasília.
Lá, procuradores acenaram com uma pena branda para Funaro contar o que sabe: 3 anos de prisão domiciliar. O doleiro, que já desembolsou 250 000 reais com advogados, anda ansioso para assinar o acordo desde que a irmã dele foi presa, em maio. Embora ela já tenha deixado a cadeia, Funaro continua com pressa.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Funaro caiu na real e está desesperado para fazer delação. Ele é conhecido por ser organizado, fazer anotações  e guardar todos os recibos. Se a Procuradoria não está acreditando é porque não encontrou nada a respeito nas operações de busca e apreensão. Mas como já se sabe que Temer é corrupto desde os tempos das curvas da estrada de Santos, é quase certo que tenha conta no exterior. Vamos aguardar, porque a chapa está esquentando, como se diz nos dias de hoje(C.N.)

11 de junho de 2017
Gabriel Mascarenhas
Veja

PARA JUÍZES FEDERAIS, INVESTIGAÇÃO DE FACHIN PELA ABIN REVELA DESESPERO DE TEMER

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Charge do Frank (A Notícia/SC)
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) comparou a suposta investigação realizada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, à ação de regimes totalitários e citou que a revelação indica “desespero”. Em nota, o presidente da entidade, Roberto Carvalho Veloso, cita que a “a estratégia de constranger magistrados com ataques à honra pessoal, colocando órgãos públicos a esse serviço, é típico de regimes totalitários”.
“Esse tipo de comportamento é inaceitável, demonstrando que as pessoas que intentam utilizá-lo não possuem meios adequados para proceder à sua defesa, e resolvem partir para o desespero, pondo em risco as instituições republicanas e democráticas”, afirma o presidente da entidade.
OBSTRUÇÃO DA JUSTIÇA – A nota cita a “absoluta repulsa a tentativas de obstrução da Justiça e de enfraquecimento do Poder Judiciário”. “Em um Estado Democrático de Direito é inadmissível que pessoas investigadas, por exercerem cargos públicos detentores de poder, se utilizem de agentes e recursos públicos para inviabilizar a apuração de fatos graves envolvendo desvio de dinheiro público”, afirma Veloso.
A nota da Associação dos Juízes Federais lembra ainda que esse tipo de ação faz agravar mais a crise “causada por aqueles que dilapidaram os bens públicos e não por quem é encarregado de investigar e julgar os portadores de foro especial”.
“A Ajufe defende que a operação Lava Jato, em todas as instâncias do Judiciário e em particular no Supremo Tribunal Federal, a cargo do ministro Edson Fachin, não pode ser estancada, a fim de que todos os responsáveis pela corrupção sejam identificados e levados a julgamento”, cita a nota.
DIZ O PLANALTO – O presidente Michel Temer jamais “acionou” a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para investigar a vida do Ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, como publicado hoje pelo site da revista Veja. “O governo não usa a máquina pública contra os cidadãos brasileiros, muito menos fará qualquer tipo de ação que não respeite aos estritos ditames da lei”, diz a nota, acrescentando:
“A Abin é órgão que cumpre suas funções seguindo os princípios do Estado de Direito, sem instrumentalização e nos limites da lei que regem seus serviços. Reitera-se que não há, nem houve, em momento algum a intenção do governo de combater a operação Lava Jato”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A OAB também se manifestou contra a arapongagem que o Planalto nega ter autorizado. Temer ligou para Cármen Lúcia e desmentiu a informação, mas a presidente do Supremo não acreditou no presidente e soltou uma dura nota oficial, ameaçando consequências graves, caso a notícia se confirme.  Resta saber quais seriam essas consequências e até que ponto iriam. (C.N.)

11 de junho de 2017
Fernando Nakagawa e Breno Pires
Estadão

PESQUISA DA FOLHA MOSTRA TUCANOS EM CIMA DO MURO SOBRE A SAÍDA DO GOVERNO


Charge sem autoria (arquivo Google)
Principal aliado do governo federal, PSDB chega rachado nesta segunda-feira (dia 12) a uma reunião em que pode decidir manter apoio a Michel Temer ou desembarcar da administração, o que representaria um baque político fatal para o peemedebista. A Folha procurou os 56 deputados federais e senadores da legenda. Dos 49 parlamentares que responderam, 19 declararam apoio ao movimento de rompimento com o Palácio do Planalto, 19 querem permanecer no governo – ao menos por enquanto – e 11 se declararam indecisos ou não quiseram opinar.
O PSDB deve reunir em Brasília, nesta segunda, toda a sua direção, congressistas, governadores, prefeitos de capitais e dirigentes regionais para bater o martelo sobre o apoio a Temer.
DESEMBARQUE – O presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), que evitava se posicionar sobre o tema, sinalizou pela primeira vez esta semana um movimento de desembarque, ao dizer que a sigla, que tem quatro ministérios, não precisa de cargos para apoiar as reformas econômicas apresentadas por Temer.
Enxergando uma tendência de rompimento, o Palácio do Planalto contra-atacou. Temer convocou os ministros tucanos para tentar enquadrar a cúpula da sigla e, ao longo da semana, recebeu pessoalmente 18 dos 46 deputados do PSDB.
O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), se reuniu com Tasso para levar o recado: “Se o PSDB deixar hoje a base, vai ficar muito difícil de o PMDB apoiá-los nas eleições deE 2018. Política é feita de reciprocidade”, disse, pouco antes do encontro.
MAIOR ALIADO – O PSDB é o segundo maior partido do Congresso e o maior aliado do PMDB de Temer, com 46 deputados federais e 10 senadores. Os votos tucanos são essenciais para barrar a provável denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer.
A divisão das bancadas do partido revela que os políticos mais antigos adotam um tom cauteloso e apresentam uma inclinação maior pela manutenção do apoio. A ala jovem é majoritariamente a favor do desembarque.
O grupo do presidente licenciado do partido, Aécio Neves (MG), está na linha de frente pela tentativa de evitar o rompimento. Na avaliação do partido – assim como de auxiliares do presidente da República –, se o PSDB abandonar o governo, o PMDB de Temer, que é o maior partido do Congresso, vai trabalhar pela cassação do tucano, denunciado por corrupção e obstrução de Justiça. Dos sete deputados do PSDB de Minas, só Eduardo Barbosa defende o desembarque.
RESPEITO A AÉCIO – Outras alas do partido, porém, descartam esse entendimento. “Todos têm muito respeito [por Aécio]. Você ser solidário com um amigo é uma coisa. Sacrificar o partido é outra. Seria incoerente continuar no governo”, afirmou o deputado João Gualberto (BA), um dos primeiros a apresentar o pedido de impeachment de Temer, assim que foram divulgadas as gravações da JBS.
Entre os que são contrários a um rompimento, estão os que entendem que o PSDB ficaria sozinho. “Seria um erro grave nesse momento, o partido se isolaria”, disse Marcus Pestana (MG), um dos mais próximos de Aécio.
Já os que querem a saída, apontam prejuízo à imagem do partido. “O PSDB foi atingido fortemente por essas questões recentes. Estamos em débito com a sociedade e profundamente envergonhados. O primeiro passo que devemos tomar é deixar o governo para sinalizar à sociedade que o nosso apoio às mudanças não está vinculada a cargos”, diz Eduardo Cury (SP).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Tasso Jereissati, que costuma ser comedido, anunciou na semana passada que o PSDB sairia do governo mesmo se o TSE inocentasse Temer. Agora, pode ser que isso não aconteça. De toda maneira o PSDB sairá perdendo. Não ganha nada apoiando Temer, nada ganha deixando de apoiá-lo. Como sempre, os tucanos estão em cima do muro. (C.N.)

11 de junho de 2017
Bruno Boghossian, Daniel Carvalho, Ranier Bragon e Talita Fernandes
Folha

VOLTO DANDO CHUTES EM TODAS AS DIREÇÕES, PORQUE ESTAMOS CONDENADOS AO NADA

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Charge do Acir Vidal (contraovento.com.br)
Minha intenção, de início, era permanecer uns três meses longe do Facebook. Nas últimas semanas, com baixa assiduidade, li diversas postagens de amigos – e algumas delas me fizeram estar aqui de volta. Duas postagens me impressionaram especialmente. Uma delas mostrava o Lula ressaltando as qualidades morais, éticas e políticas do Sérgio Cabral. Disse Lula: “O Sérgio fica com lágrimas nos olhos quando fala no povo do Rio de Janeiro”. Houve outras frases, tão inacreditáveis e cínicas como essa. Um ladrão falando de outro ladrão.
A diferença entre eles é uma só: Cabral está preso, Lula (ainda) está solto. No mais, são iguais – calhordas, larápios e estúpidos. Repito o que já disse aqui: não entendo – e jamais entenderei – como gente politizada e culta ainda segue o Lula como se este fosse um messias. Lula e Sérgio Cabral disputam a liderança do Livro de Recordes dos tungadores. Quem sairá vencedor?
FRASE ÉPICA – A segunda postagem foi tão espantosa quando a de cima. Benedita da Silva, num evento organizado pelo PT, disse simplesmente que a sua (dela) Bíblia afirmava que “não haveria mudança na sociedade sem derramamento de sangue!” A plateia – estudantes, professores, gente de classe média – aplaudiu de pé a frase épica de Benedita. Na mesa, ao lado da vibrante oradora, estava o senador Requião, outro sujeito destemperado e idiotizada pelo sentimento que nutre em relação a si mesmo. Supõe-se um super-herói quando é apenas um bronco.
Tudo isto consolida no Velhote do Penedo a sensação que, como nação, chegamos ao topo da nossa história. Jamais – repito: jamais! – recuperaremos e superaremos, por exemplo, o nosso déficit educacional. Chegamos ao ponto que chegamos por obra e graça de muitos: professores despreparados, alunos que não estudam, dirigentes imbecilizados, escolas de péssima qualidade, carentes de materiais didáticos. Pensem no atraso educacional do Brasil em face da dimensão do nosso país. Impossível resolver.
ESTAMOS CONDENADOS – Temos uma classe política, com as exceções de praxe, desprezível, um jornalismo desonesto e incompetente (inclusive na desonestidade), somos carentes de bons escritores (há um e outro de alta qualidade, como Raphael Montes, de quem já falei), de bons atores, de bons autores de teatro, o cinema brasileiro é uma porcaria (dizia o Paulo Francis: o cinema brasileiro é uma merda, mas os diretores são geniais!). A televisão é, como diz Stanislaw Ponte Preta, é uma máquina de fazer doido. Os grandes compositores brasileiros estão mortos.
Estamos condenados ao nada, meus amigos  (artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

11 de junho de 2017
Ronaldo Conde

TEMER VERSUS TEMER, NUMA DISPUTA CADA VEZ MAIS ACIRRADA

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)
Os advogados de Michel Temer querem convencer o país de que o presidente é vítima de uma conspiração. Ela envolveria um empresário espertalhão, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e ministros de tribunais superiores. Todos teriam se unido à culpada de sempre, a imprensa, num ardiloso complô para derrubar o governo. O primeiro alvo desse discurso foi o ministro Herman Benjamin, como relator do processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral.
No início, aliados de Temer propagaram que Benjamin estaria em busca de holofotes. Como a pressão não colou, passaram a atacar sua atuação na corte. O ministro teria praticado “ilicitudes” e “abuso de poder” para condenar o presidente.
FAZER DE CONTA – O objetivo desses argumentos era desqualificar o juiz e induzir o TSE a descartar dezenas de provas de fraude na campanha de 2014. Isso significaria fazer de conta que a Lava Jato inexiste e que os depoimentos de Marcelo Odebrecht, João Santana e outros delatores nunca ocorreram.
Com o agravamento da crise, o governo diversificou os alvos. A estratégia foi radicalizada depois da prisão de Rodrigo Rocha Loures, o deputado da mala. Agora vale tudo para atingir o procurador Rodrigo Janot, o ministro Edson Fachin, os delegados da PF e o empresário Joesley Batista.
TUDO MUDOU – O dono da JBS, que tinha acesso livre à casa do presidente, virou um “bandido” e um “fanfarrão”. A PF, que flagrou a entrega de propina a um assessor de Temer, armou uma “cilada”. O sereno ministro Fachin se tornou um implacável inquisidor.
No domingo passado, o advogado do presidente declarou que Janot estaria prestes a divulgar uma gravação explosiva para “constranger” o TSE. Foi um tiro ousado, porque permitiu concluir que há outros áudios comprometedores contra o cliente dele. Pelo visto, até a defesa de Temer embarcou na conspiração contra Temer.

11 de junho de 2017
Bernardo Mello Franco
Folha

PROCURADORIA CONTRA-ATACA E FUNARO FORNECE MAIS PROVAS PARA INCRIMINAR TEMER

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Charge do Mário Rasec (Carta Potiguar)
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar denúncia contra o presidente Michel Temer e o ex-assessor Rocha Loures até a segunda-feira da próxima semana. O texto ainda está sendo alinhavado, mas a tendência é que o procurador-geral mantenha as acusações de corrupção, organização criminosa e obstrução à Justiça, que já pesam contra Temer. A denúncia deve aumentar a pressão sobre o governo que tem o presidente e dois terços dos ministros investigados por corrupção.
Os crimes atribuídos a Temer já foram descritos no pedido que deu origem a abertura de inquérito contra ele e Loures no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, deverão ser reforçados pelo resultado do material apreendido no início da fase pública da Operação Patmos e pelo depoimento de Lúcio Bolonha Funaro, entre outras provas obtidas ao longo dos últimos dias. A denúncia deverá conter ainda o resultado da perícia sobre a gravação da conversa entre Temer e Joesley Batista, um dos donos da JBS, na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu.
ASSÉDIO DE GEDDEL – Neste contexto, ganham peso as declarações de Funaro sobre o assédio do ex-ministro Geddel Vieira Lima que, até deixar o governo, era um dos dois mais próximos de Temer. No depoimento à PF na semana passada, Funaro disse que o ex-ministro teria ligado algumas vezes para a mulher dele recentemente. Geddel queria saber se Funaro iria mesmo fazer delação. Para investigadores, a confissão de Funaro confirma um dos principais trechos da comprometedora conversa de Temer com Joesley, no porão do Jaburu.
Na conversa, Temer indicou Loures para substituir Geddel com liberdade para tratar de “tudo” com um dos donos da JBS. O presidente fez a indicação depois de ouvir do empresário que, com o ex-ministro fora de circulação, precisava de um novo interlocutor para tratar dos interesses dele no governo. Dias depois, o roteiro traçado na conversa com Temer é cumprido à risca. Loures sai a campo para negociar cargos e decisões estratégicas com Batista. As conversas foram devidamente gravadas.
HOMEM DA MALA – Depois dos acertos iniciais com Batista, Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, executivo da JBS e um dos operadores da propina da empresa. O dinheiro seria a primeira parcela de um suborno que, ao longo de 25 anos, superaria R$ 600 milhões pelas contas da Polícia Federal. Os pagamentos estariam condicionados ao atendimento de interesses da JBS e ao sucesso dos negócios escusos da empresa com o governo.
Em relação à gravação da conversa de Joesley e Temer, os peritos disseram inicialmente que a análise se arrastaria por mais de um mês. Mas, logo depois, informaram aos investigadores que o trabalho poderia ser concluído antes do prazo. Com isso, Janot estaria livre para incluir o laudo na denúncia. O trabalho do Instituto Nacional de Criminalística está sendo mantido em sigilo. Mas investigadores já emitiram sinais de que a perícia reafirmará que não houve adulteração do conteúdo da conversa. O próprio presidente já confirmou os trechos centrais da conversa.
TEMER CONFIRMOU – Para o procurador-geral, ao tratar do diálogo publicamente, Temer acabou ratificando, de forma extrajudicial, a conversa com o empresário. Para investigadores, as provas recolhidas até o momento são fortes e isso explicaria a reação do presidente, que não quis responder a nenhuma das 82 perguntas encaminhadas a ele pela Polícia Federal. Para eles, foi inacreditável que Temer tenha deixado todas as questões em aberto. Pela lei, o investigado não é obrigado falar. Mas o silêncio indica ausência de argumentos para dirimir dúvidas e afastar suspeitas.
Para investigadores, o caso Temer é um dos mais bem documentados da Lava-Jato. Os supostos crimes estariam registrados em cada uma de suas etapas: a gravação da conversa de Temer com Batista, a indicação de Loures como interlocutor, as negociações do ex-assessor com o empresário, o recebimento da primeira parcela da propina e, depois, a confirmação pública do conteúdo dos diálogos.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente reportagem de Jailton de Carvalho, que coloca ordem na bagunça e mostra que as aparências enganam. Temer pode comemorar à vontade a “absolvição” no TSE de Gilmar Pilatos Mendes, mas é ilusão à toa, diria Johnny Alf. A situação de Temer está se complicando na Procuradoria. O processo de limpeza da política, desencadeado pela Polícia Federal, Receita, Ministério Público e Justiça Federal (primeira instância) é irreversível, irreprimível e invencível. Este país está mudando, e quem quiser que se engane, como alertou, em outras palavras, o ministro Herman Benjamin. (C.N.)

11 de junho de 2017
Jailton de Carvalho
O Globo

ERA SÓ O QUE FALTAVA. TRIBUNAIS NÃO SABEM MAIS O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM!

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Gilmar  faz política, ao invés de fazer justiça
Interessante, não é mesmo? Em relação à cassação da chapa Dilma-Temer pode-se formular duas indagações com respostas possivelmente contraditórias, a saber: 1) a chapa deveria ter sido cassada? 2) convinha ao momento político e econômico brasileiro a cassação da chapa?
Eu responderia à primeira pergunta, com a imensa maioria do povo brasileiro, de modo afirmativo. O assalto aos cofres públicos promovido pelo PT e pelo PMDB contaminou a dupla presidencial e, de cambulhada, os mandatos de parcela expressiva do Congresso Nacional. Estivesse sendo julgado o mandato de um prefeito, de um parlamentar e mesmo de um governador, com muito menos evidências do que as disponíveis neste caso, o tribunal teria resolvido o assunto numa sentada sem blá-blá-blá.
ESTABILIDADE – Já à segunda pergunta eu daria resposta negativa. Estabilidade política é condição indispensável ao desenvolvimento das atividades econômicas, à míngua das quais entra-se em “depressão” social, com queda do nível de emprego e precarização das condições de vida. A cassação da chapa e o afastamento do presidente criariam um novo sobressalto institucional. Prolongado sobressalto, diga-se de passagem, porque caberia recurso ao STF, com direito a todas as juntadas, embargos e pedidos de vista.
Confirmada a decisão, haveria a posse de um governo provisório, através do presidente da Câmara (Rodrigo Maia), seguido da articulação política e legislativa para definir as regras da eleição indireta de um novo presidente pelo Congresso Nacional. Este novo mandatário, então, cumpriria um período de poucos meses, suficientes para fins de direito, mas insuficientes para nossas urgências sócio-econômicas.
DESPREZO ÀS PROVAS – Parece evidente que este confronto entre a óbvia presença das condições para a cassação da chapa e a conveniência do ato compareceu às sessões de deliberação do TSE e agitou seus bastidores. Gilmar Mendes, empanturrado de autoestima, na completa saciedade de si mesmo, deixou isso muito claro ao longo de suas manifestações, sempre desprezando as provas para assumir um discurso nitidamente político. E note-se, atropelando a coerência ao afirmar: “Não devemos brincar de aprendizes de feiticeiro. Não tentem usar o tribunal para resolver crise política. O tribunal não é instrumento. Resolvam seus problemas”. Não foi isso que ele fez?
O tribunal foi instrumentalizado, sim. Quatro ministros serviram votos às conveniências da atividade política. Agiram na esteira das circunstâncias e jamais repetirão as mesmas frases em decisões subsequentes.
CRISE INSTITUCIONAL – Creio que fica, assim, caracterizado um gravíssimo problema institucional. Ele se havia manifestado, recentemente, quando o STF mudou de opinião sobre o afastamento das presidências da Câmara e Senado quando na condição de réus perante a corte. Se Renan Calheiros saísse, seu vice, o petista Jorge Viana, se encarregaria de acabar com a governabilidade do país. Então, coube a Celso de Mello dar jeito de coisa séria àquela patacoada.
Nossos tribunais superiores não sabem mais o que são. Não sabem se atuam no campo do Direito, no topo do poder político como poder moderador da República, ou as duas coisas. Na segunda função, têm servido ao que Gilmar diz não se prestar, precisamente enquanto se prestam a aprendizes de feiticeiro para resolver crise política.

11 de junho de 2017
Percival Puggina