"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 16 de novembro de 2013

UM POUCO DA HISTÓRIA DO GANGSTER PIZZOLATO, DO 'CAPO' LULA

Em 2004, Diogo denuncia Pizzolato; em 2005, explode o mensalão; em 2007, petista perde processo que moveu contra colunista; em 2013, ex-diretor do BB foge do país


Ai, ai… Antes de fugir do pais pela rota normalmente usada por traficantes, Henrique Pizzolato exibia gravatas borboletas muito vistosas e era um homem poderoso, um quadro do PT no Banco do Brasil. E costumava apelar à Justiça, na qual ele não acredita, para tentar calar os críticos. Muito típico.
Processou, por exemplo, Diogo Mainardi por causa de três colunas publicadas na VEJA. Sentiu-se difamado e pediu indenização. Perdeu em primeira instância. Recorreu. Perdeu de novo. O desembargador Renato Ricardo Barbosa foi muito eloquente. Transcrevo:


“E quando se fala em liberdade de informação, a imprensa tem-se revelado o meio de comunicação social mais bem equipado e eficaz na divulgação da notícia. Ao jornalismo sério incumbe, na maior escala, a atividade de informação. No repórter, no sentido genérico do termo, mais que em qualquer outro, recai o compromisso de bem informar, correspondendo ao dever contraposto de liberdade individual de acesso à informação.
De priscas eras, nascida antes mesmo da proteção à vida privada, a notícia encontra somente nesta última o seu limite; e assim mesmo, quando o fato não se revista de relevante interesse público. (…)
É nesse sentido, sistematicamente interpretado, que o artigo 49 § 1º da Lei 5.250/67 (Lei de Imprensa), prevê a exceptio veritatis, reputando-a inadmissível somente se a divulgação do fato imputado concerne à vida privada do indivíduo e assim mesmo se não foi motivada em razão de interesse público, excluindo a responsabilidade civil.”
 
Atenção, meus caros! O que vai acima aconteceu em meados de 2007. As colunas de Diogo que motivaram o processo são de 28 de julho de 2004, de 22 de junho de 2005 e de 6 de julho de 2005. A PRIMEIRA, PORTANTO, FOI PUBLICADA ANTES DE ROBERTO JEFFERSON BOTAR A BOCA NO TROMBONE E DENUNCIAR O MENSALÃO, O QUE SÓ ACONTECEU NO DIA 6 DE JUNHO DE 2005, em entrevista concedida à jornalista Renata Lo Prete, então na Folha.
Seguem as três colunas. Na segunda, vocês lerão, escrita duas semanas depois da entrevista de Jefferson, Diogo prevê um futuro não muito bom para a reeleição de Lula. Não aconteceu daquele modo. É que ninguém antevia que as oposições, então, fariam a mais estúpida de todas as opções… Como é mesmo? “Deixar Lula sangrar no poder…” Deu no que deu.


***

Coluna de 28 de julho de 2004 – Perde Brasil

O time de voleibol do Brasil acaba de conquistar a Liga Mundial. As finais foram em Roma. Os torcedores brasileiros ocupavam um setor inteiro das arquibancadas. Vestiam camiseta amarela, com a marca do Banco do Brasil. Usar dinheiro público para patrocinar o time de voleibol a gente engole. Usá-lo para patrocinar a torcida é demais. O departamento de marketing do Banco do Brasil irá gastar 9,5 milhões de reais para patrocinar a torcida brasileira nas Olimpíadas de Atenas. O mote da campanha é Brilha Brasil. O jeito é torcer contra nossos atletas. Perde, Brasil.
 
Além de patrocinar a torcida do time de voleibol, o Banco do Brasil está patrocinando a torcida pela reeleição de Lula. Dois dos maiores dirigentes do banco, Henrique Pizzolato e Ivan Guimarães, trabalharam na última campanha presidencial lulista, respectivamente como arrecadador de fundos e coordenador financeiro.
Pizzolato foi premiado com o cargo de diretor de marketing do banco e é responsável pela campanha Brilha Brasil. Guimarães tornou-se presidente do Banco Popular do Brasil e é acusado de ter defendido o patrocínio de 5 milhões de reais aos cabos eleitorais petistas Zezé di Camargo e Luciano.
 
O Banco do Brasil gastou 70.000 reais nos espetáculos em que a dupla sertaneja arrecadou fundos para a construção da nova sede do PT. Pizzolato e Guimarães são ligados à CUT, que tem contado com o patrocínio do Banco do Brasil em seus principais eventos, como a festa de vinte anos e o oitavo congresso nacional.
Lula é a grande atração da TV CUT, programa semanal feito pelos mesmos publicitários que administram a conta de propaganda do Banco do Brasil. Uma conta que vale 142 milhões de reais anuais.
 
Quem cuidou do dinheiro de Lula na campanha eleitoral agora cuida de nosso dinheiro no Banco do Brasil. Quem cuidou de sua segurança agora cuida de nossa segurança. Um dos guarda-costas de Lula, Francisco Baltazar da Silva, foi nomeado superintendente da Polícia Federal de São Paulo. Atualmente, está sendo investigado pela compra de 134 600 dólares através do doleiro Toninho da Barcelona.
Outro guarda-costas de Lula, Mauro Marcelo de Lima, ganhou a função de diretor-geral da Abin, nosso serviço de espionagem. Entre suas credenciais, há um curso de dublagem e uma ponta numa telenovela de 1982,
Elas por Elas. Agente secreto com pendores artísticos é sempre uma temeridade. Em seu discurso de posse, algumas semanas atrás, Mauro Marcelo admitiu estar na “torcida por um bis” presidencial de Lula. O serviço de espionagem dos Estados Unidos, no passado, também torceu pela reeleição de um presidente. O resultado foi Watergate.
 
As campanhas pelo time de voleibol e pelo bis de Lula só perdem para a campanha pelo desarmamento. O sofisma é o seguinte: o cidadão corre mais riscos com uma arma na mão do que sem ela. O que se pretende demonstrar é que a responsabilidade pelo crime é nossa, não do poder público.
Se os guarda-costas de Lula não sabem defender a população, então não podem impedi-la de tentar se defender por conta própria, mesmo que de maneira desastrada. Bem mais honesto do que desarmar o cidadão com falsos argumentos seria oferecer-lhe um curso de tiro e defesa pessoal. Todo mundo com uma arma no coldre e andando a cavalo. Perde, Brasil.
 
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Coluna de 22 de junho de 2005 – Eu sabia. Todo mundo sabia

Está a maior farra aqui em casa. Chegou a hora de tripudiar. De contar vantagem. De esfregar na cara. De soltar rojão. De me cobrir de glória. O depoimento de Roberto Jefferson na Comissão de Ética foi melhor do que Copa do Mundo. Foi meu hexacampeonato particular.
 
Lula reagiu ao ataque de Roberto Jefferson afirmando que não aceitaria “vender a alma pela reeleição”. Foi mais uma tentativa de engabelar o eleitorado. Seu governo não foi acusado de vender a alma aos parlamentares. Pelo contrário: foi acusado de comprar.
 
Agora a reeleição morreu. Não é tão surpreendente assim. Em outubro de 2004, numa coluna intitulada “O partido do topa-tudo”, apostei que Lula não seria reeleito, com o argumento de que “os eleitores estão nauseados com o PT. Ele será sempre identificado como o partido que compra o apoio de outros partidos com malas cheias de dinheiro.
Que recebe doações de empresários acusados de corrupção. Que se alia desavergonhadamente a políticos que sempre combateu. Que dá carta branca a seu tesoureiro em reuniões ministeriais. Que protege os amigos do presidente”.
 
Eu não sou jornalista. Não tenho fonte no Congresso Nacional. Não conheço Roberto Jefferson. Não grampeio o telefone de José Dirceu. Só reuni a informação que estava escancarada na imprensa. Roberto Jefferson diz que todo mundo sabia do esquema de propina do PT. Ele tem razão. Eu sabia.
 
O leitor sabia. Todo mundo sabia. Antes de Roberto Jefferson, um ilustre deputado já tinha dito que “Waldomiro Diniz era um dos caixas do José Dirceu”. Antes de Roberto Jefferson, um nobre senador já tinha chamado Marcelo Sereno de “PC Farias do PT”. Claro que, cedo ou tarde, o esquema seria revelado.
 
O plano para a reeleição de Lula sempre foi muito suspeito. Quando ele nomeou seu guarda-costas, Mauro Marcelo de Lima, para a diretoria da Abin, eu comentei: “Mauro Marcelo admitiu estar na torcida por um bis de Lula.
O serviço de informação dos Estados Unidos, no passado, torceu pela reeleição de um presidente.
O resultado foi Watergate”. Quando Lula indicou o arrecadador de fundos de sua campanha eleitoral, Henrique Pizzolato, para a diretoria de marketing do Banco do Brasil, eu também estranhei.
Acusei Pizzolato de usar a verba de propaganda do Banco do Brasil para patrocinar a reeleição de Lula, através da TV CUT, da torcida do time de voleibol nas Olimpíadas e do curta-metragem ufanista de Jorge Furtado. Roberto Jefferson disse que a Abin e as agências de propaganda do Banco do Brasil estão envolvidas com o esquema de corrupção do PT. Sugiro que Lima e Pizzolato sejam ouvidos pela CPI.
 
Lula temia se transformar num Lech Walesa. Se a acusação de Roberto Jefferson for comprovada, é o que irá acontecer. Roberto Jefferson garantiu que Lula não sabia o que os petistas faziam por baixo do pano. Eu sabia. O leitor sabia. Todo mundo sabia. O único que não sabia era seu maior beneficiário: Lula.
 
 ***
 
Coluna de 6 de julho de 2005 – Um país detestável


Michel Houellebecq, em Partículas Elementares, definiu o Brasil como uma porcaria de país, “povoado de brutos fanáticos por futebol e por corridas de automóvel. A violência, a corrupção e a miséria estavam no apogeu. Se havia um país detestável, era justamente, e especificamente, o Brasil”. Partículas Elementares é de 1998.
Ou seja, foi publicado antes das comemorações do “Ano do Brasil na França”. Imagino que agora, tendo tido a oportunidade de conhecer melhor nossos músicos, cineastas, escritores, artistas plásticos e políticos, todos os franceses compartilhem a opinião de Houellebecq a respeito do país.
Se eu fosse o ministro das Relações Exteriores, ou o ministro da Cultura, ou o diretor da Cacex, evitaria exibir o Brasil lá fora. Nossa única chance é que o resto do mundo continue a nos ignorar. Quanto menos contato os estrangeiros tiverem conosco, melhor. Uma iniciativa como o “Ano do Brasil na França” produz danos irreparáveis à nossa imagem. Os franceses levarão meio século para esquecer o que viram.
 
A comunidade muçulmana na França processou Houellebecq porque ele declarou numa entrevista que o islamismo era “uma religião estúpida”.
Os brasileiros não podem fazer o mesmo. Houellebecq tem razão sobre o Brasil. A gente é uma porcaria.
A gente é fanático por esporte. A gente é corrupto. Um fato não exclui o outro. Pelo contrário: há uma relação direta entre fanatismo esportivo e corrupção. A investigação sobre a roubalheira petista já revelou que a propaganda estatal era usada para a lavagem de dinheiro. Agora falta descobrir se o patrocínio de eventos esportivos tinha a mesma finalidade.
Eu persigo o diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. Sou seu professor Moriarty.
Cheguei a recomendar sua convocação à CPI. Tenho certeza de que ele pode explicar direitinho como funciona o esquema de distribuição de verbas promocionais das empresas públicas. Pizzolato está por dentro de tudo.
Além de arrecadar fundos para as campanhas eleitorais de Lula, ele comanda o investimento em publicidade do Banco do Brasil e decide o patrocínio da estatal a eventos esportivos. É o nosso homem.
 
Um dos eventos esportivos patrocinados por Pizzolato foi um torneio hípico realizado pelo publicitário Marcos Valério. O maior quinhão do Banco do Brasil, porém, é destinado ao vôlei e ao tênis.
O Banco do Brasil, quase sempre em sociedade com a Koch Tavares, financia praticamente sozinho todo o tênis nacional. Patrocina Gustavo Kuerten, o Brasil Open, o Ourocard Challenger, o circuito juvenil, o Masters e o Aberto de São Paulo, através de sua subsidiária Cobra Tecnologia. Nos dois primeiros anos do governo Lula, a Cobra foi comandada por Graciano Santos Neto. Ele é uma das figuras mais comentadas do petismo.
Era diretor da Gtech na época em que Waldomiro Diniz negociava em favor da empresa. Na Cobra, foi acusado de beneficiar empresas privadas com o repasse de contratos sem licitação. Graciano é tenista amador.
Em 2004, jogou uma partida preliminar da final do Aberto de São Paulo, torneio patrocinado pela própria Cobra.
Ao término da partida, concedeu-se inclusive um troféu. Como diria Houellebecq, é detestável que Graciano tenha se aproveitado do dinheiro público para se exibir num torneio de tênis. E é ainda mais detestável, “especificamente detestável”, que ninguém tenha pensado em expulsá-lo da quadra a raquetadas.
 
16 de novembro de 2013
Reinaldo Azevedo

LULA LAVA AS MÃOS E PREFERE ENTREGAR O ANEL DO QUE PERDER OUTRO DEDO.

DISSE AOS SEUS ANTIGOS AMIGOS APENAS: "ESTAMOS JUNTOS", NO QUE PARECEU EVIDENCIAR UM 'ATO FALHO'.

Essas fotos que que estão na internet podem dizer muito. Ou não. O fato é que o caso do mensalão está longe de terminar.
A matéria que se após este prólogo é site do jornal O Estado de S. Paulo, narrando o que motivou a inusitada e rápida decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de executar as sentenças dos condenados no processo do mensalão.

Lula, o chefão, decidiu que o processo teria que terminar agora para não atrapalhar a pretendida reeleição da Dilma. E mandou ver, seguindo o velho a lógica maquiavélica que preceitua: melhor entregar o anel do que perder os dedos. Afinal, Lula já perdeu um dedo. Teve sorte porque foi o dedo mínimo. 

Em partidos políticos comunistas isso já aconteceu milhares de vezes. Assim, o Partido - leia-se Lenin, Stalin, Lula, Chaveco et caterva - lava as mãos para salvar o que denominam de "projeto de poder."

Resta notar que as únicas palavras de Lula, e que podem corresponder muito bem ao conceito freudiano de "ato falho", foram: "Estamos juntos". 
E não precisa dizer mais nada. Leiam:
 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta sexta-feira, 15, para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e para o ex-presidente do PT José Genoino logo após saber da expedição dos mandados de prisão contra os dois ex-dirigentes do partido, ambos condenados no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. "Estamos juntos", disse Lula aos antigos companheiros.
 
Apesar de manifestar solidariedade aos petistas que tiveram ordem de prisão decretada, a estratégia acertada entre Lula e a presidente Dilma Rousseff para não prolongar o desgaste é a lei do silêncio sobre os desdobramentos do mensalão e a condenação e prisão dos ex-dirigentes petistas. "Nós temos um acordo de não falar sobre esse assunto", admitiu neste feriado o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.
 
Nos bastidores, Dilma e Lula avaliam que, como não há chances de reversão da sentença que condenou os petistas, o desfecho mais favorável para o governo foi mesmo a execução imediata das penas. Motivo: Dilma é candidata ao segundo mandato e tudo o que o PT não queria era a prisão dos condenados em 2014, um ano eleitoral.
 
Depois de prometer "desmontar a farsa do mensalão", Lula agiu internamente para enterrar o assunto e virar a página da crise que atingiu o primeiro mandato de seu governo.
 
No ano passado, a cúpula do PT e a CUT chegaram a planejar um desagravo público aos réus e até mesmo um manifesto com críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal, mas Lula e o governo desautorizaram a iniciativa. Venceu o argumento de que era melhor não amplificar o desgaste.
O máximo que o comando do PT fez foi aprovar um documento considerando o julgamento injusto e nitidamente político, termos repetidos em nota assinada pelo presidente do partido, deputado estadual Rui Falcão.
 
A falta de uma defesa contundente por parte da cúpula petista, em nome do pragmatismo eleitoral, contrariou não apenas Dirceu e Genoino, mas também o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o deputado João Paulo Cunha (SP), ex-presidente da Câmara.
 
Senha. Lula passou o feriado em sua chácara, no interior paulista, e foi de lá que ligou para Dirceu e Genoino. Na quinta-feira, o ex-presidente avisou que não compareceria ao 13.° Congresso do PC do B, em São Paulo, pois estaria ali representado por Dilma e por Falcão.
 
A partir de agora, Lula, Dilma e o PT farão de tudo para se descolar do escândalo do mensalão na campanha. Ao dizer "quem sou eu para fazer qualquer insinuação ou julgamento da Suprema Corte?", após sair de um almoço com a presidente, na quinta-feira, Lula deu a senha de que assunto está encerrado.
Embora tenha chorado mais de uma vez quando Genoino disse a ele estar "liquidado", o ex-presidente reza pela cartilha do pragmatismo e fará de tudo para reeleger sua sucessora.
 
 
16 de novembro de 2013
in aluizio amorim
A PRISÃO DOS MENSALEIROS E AS VIVANDEIRAS VERMELHAS QUE SE AGITAM POR TRÁS DAS BAMBINELAS DO PODER
 
Os portais da grande imprensa brasileira neste momento dão amplo destaque para a prisão dos mensaleiros. Os mandados de prisão, em sua maioria, já foram cumpridos pela polícia.

Por enquanto, o que aparece ante os olhos de quem vê essas matérias é que os mensaleiros tentam transformar o episódio que deveria ser constrangedor para quem vê e para quem é levado à prisão, num ato de propaganda partidária do PT. Dezenas de fotos de José Dirceu erguendo o braço com o punho fechado viajam céleres pela internet e neste sábado estamparão as páginas dos principais diários nacionais e provavelmente alguns internacionais.

No site de O Globo um destaque para Delúbio Soares, afirmando que o PT continuará sendo o "partido mais querido do Brasil", e vai por aí afora.

No Brasil a carnavalização de episódios graves se repetem agora com a prisão de um ex-ministro, de um ex-presidente e de um ex-tesoureiro de um partido que está há mais de uma década no poder. O processo de carnavalização serve para trivializar os fatos.

Como é do conhecimento de todos, ou pelos menos das pessoas mais bem informadas que leem e veem os fatos e análises não apenas pelos veículos da grande mídia, sabem que a esmagadora maioria dos jornalistas cumpre missão determinada pelo Foro de São Paulo. O que afirmo pode ser confirmado nos portais dos jornalões, nas televisões e nos diários impressos que circularão neste sábado. 

Desta forma, combina-se o festim macabro em de São Borja durante a exumação dos restos de Jango, com a prisão dos condenados do mensalão. 

Evidencia-se uma montagem com todos os mínimos detalhes para anular meio século da história do Brasil. Sim, em 31 de março de 2014 completa-se 50 anos da revolução de março de 1964 que impediu a cubanização do Brasil. 

Pretende o PT com tal estratégia de marketing, que terá evidentes desdobramentos na campanha eleitoral do partido em 2014 (e não se sabe ainda o que mais acontecerá até lá...), tentar fazer crer que continua o que qualificam de "conspiração da direita", argumento completamente abstruso porque todos sabem que não existe um tico de reação organizada contra o governo. Objetivamente, zero!

Ao tentar apagar meio século de história o PT objetiva manter viva a crise que gerou a reação militar nos anos 60 do século passado! De quebra, tenta também anular o processo de redemocratização que culminou com a Assembléia Nacional Constituinte que gerou a Constituição de 1988. Eis aí a razão pela qual o PT não assinou Carta Magna, porquanto pretende escrever uma nova Constituição dentro dos parâmetros ditados pela cartilha comunista. O PT não é e nunca foi um partido democrático. Quando fala em democracia refere-se ao deletério 'centralismo democrático' e deplora a democracia parlamentar e a liberdade individual, pilares da verdadeira democracia consagrada na filosofia política que deu forma à civilização ocidental.

Pelo que tudo está a indicar é pouco provável que os condenados pelo maior escândalo político da história do Brasil sejam de fato punidos. Cresce junto à opinião pública mais consequente e bem informada (uma parcela pequena, diga-se de passagem, porém consciente e formadora da opinião pública em geral), a impressão de que não será desta vez que a Nação se libertará do jugo do passado e nem deste presente sombrio onde por trás das bambinelas do poder se agitam as vivandeiras vermelhas.

Oxalá eu esteja completamente errado nestas minhas assertivas, contudo os fatos se desenrolam de uma forma que tem pouco a ver com aquilo que se costuma conceituar como realidade objetiva, ou seja, a verdade dos fatos!
 

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

Sponholz: Zé Dirceu admoesta Delúbio no caminho da Papuda!
 
 
16 de novembro de 2013

REPORTAGEM-BOMBA DA REVISTA VEJA: UMA LIÇÃO AOS CORRUPTOS

SUPREMO DETERMINA PRISÃO DOS CONDENADOS NO MAIOR ESCÂNDALO DA HISTÓRIA DO BRASIL, O FAMIGERADO MENSALÃO!
 
Em mais em uma de suas capas magistrais, a revista Veja chega às bancas nesta sexta-feira tinindo e a reportagem-bomba, como não poderia deixar de ser, aborda a decisão - finalmente - do Supremo Tribunal Federal (STF) determinando a prisão, sem mais delongas, dos condenados no rumoroso processo do mensalão.

O desfecho demorou mais de oito anos, mas o famigerado mensalão não acabou como piada de salão, a tirada irônica do mensaleiro Delúbio Soares, nos tempos em que debochava, como todo comunista, das instituições democráticas. Não que eles, os comunistas, tenham parado de ser cínicos e debochados, já que essa é a sua marca principal.

É cedo para saber se o pronunciamento da mais alta Corte de Justiça do Brasil terá desdobramentos práticos, ou seja, se daqui para frente algo possa mudar livrando a Nação desse cipoal de corrupção que a sufoca e que impede que o país atinja a maioridade passando a régua no passado.

A dúvida que coloco tem amparo num detalhe: no mesmo momento em que o Supremo inciava a decisão final do mensalão, a máquina de propaganda comunista foi acionada no Palácio do Planalto. Emulando o tiranete Hugo Chávez, no caso de Bolívar, a bandalha comunista exumou os restos mortais de Jango Goulart, com direito a uma solenidade em que ao fundo resplandecia a Bandeira do Brasil gigantesca, postulando dar ao ato a anuência da Nação. Como Chávez suspeitava que Bolívar tinha sido envenenado pela maldade capitalística, da mesma forma o Foro de São Paulo levanta a suspeita de que Jango tenha sido vítima de assassinato. Há quem diga que o gaúcho poltrão teria morrido de cirrose hepática.

Seja como for, os dois fatos foram concomitantes, a mostrar que a Nação brasileira sob o governo do PT permanecerá sofrendo constante assédio do Foro de São Paulo, entidade comunista transnacional fundada por Lula e Fidel Castro em 1990, que se reuniu há pouco tempo em São Paulo, e que dá as diretrizes de ação política aos governos esquerdistas latino-americanos. Poucos são os brasileiros que sabem da existência do Foro de São Paulo, já que o assunto foi transformado em tabu pelos jornalistas que em sua maioria cumprem "missão" do próprio Foro nas redações dos principais veículos de comunicação brasileiros. 

Em que pese tudo isso, a punição dos mensaleiros é um fato importante no combate à corrupção porquanto contribui para desmanchar a crença arraigada na impunidade dos poderosos.

Entretanto, o fato mais importante e que transcende o aspecto da corrupção fomentada pelo mensalão, circunscreve-se ao território da política, ou seja, o mote, o objetivo do esquema.

É verdade que rios de dinheiro público foram desviados dos cofres públicos pelo esquema criminoso. Entretanto, o objetivo disso tudo tinha em mira algo mais grave que o aspecto pecuniário corruptor, ainda que este esteja, sim, cingido de extrema gravidade.

Todavia o objetivo do mensalão era um golpe comunista visando mais adiante transformar o Brasil numa república nos moldes do "socialismo do século XXI." O que na Venezuela, por exemplo, foi conseguido de modo truculento, no Brasil o comunismo do século XXI seria imposto de modo suave, ou seja, com os votos de boa parte do Congresso Nacional. Os deputados e senadores corruptos recebiam uma "mesada" mensal por trás dos panos - daí no neologismo "mensalão" criado pelo ex-deputado Roberto Jefferson - para votar favoravelmente a todos os projetos de interesse do governo petista.

Caso o mensalão na tivesse abortado, há muito tempo o Brasil já seria uma República Socialista nos moldes venezuelanos. Com os votos comprados de parlamentares de vários partidos e unidos aos votos do PT e seus satélites, passaria qualquer projeto de lei, inclusive aquele que visaria uma reforma política contemplando a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.

Esta é a verdade dos fatos. Os bilhões de reais desviados pelo esquema do mensalão, portanto, tornam-se irrisórios perante o prejuízo institucional que adviria de seu eventual sucesso. A Constituinte para a reforma política do PT nada mais seria que a transformação do Brasil em uma nova República Comunista de forma a eternizar a camarilha petista no poder e seqüestrar as liberdades civis.

Por isto tudo, conclui-se que, se a corrupção em si é deplorável sob todos os aspectos, um golpe estado em câmera lenta para criar uma República Comunista supera qualquer cálculo monetário. Afinal, a democracia e a liberdade não têm preço! 

Encerrando, é importante destacar o extraordinário trabalho de cobertura jornalística levado à efeito pela revista Veja e seu site na internet desde a eclosão do funesto episódio do mensalão, passando pela apuração de todos os detalhes que cercaram o rumoroso processo. Em nenhum momento Veja se curvou ante às ameaça da patrulha comunista do PT.

Vale a pena correr às bancas para comprar Veja nesta sexta-feira. Tenham uma ótima leitura e um excelente feriadão com aquele gostinho de vitória vendo a Constituição de 1988 em pleno vigor e as instituições democráticas funcionando. Isto já é um alento.
 
16 de novembro de 2013
in aluizio amorim

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

                         Sponholz: Os mensaleiros e a lua quadrada!
 
16 de novembro de 2013

O VOTO EMBLEMITICO DE GILMAR MENDES


A sessão do Supremo Tribunal Federal na última quarta-feira contou com uma situação pra lá de emblemática. Nada a ver diretamente com o pedido do ministro Joaquim Barbosa para que se desse a prisão imediata para aqueles condenados não alcançados pelos embargos infringentes. No mesmo sentido, descarta-se como emblemáticos os bate-bocas entre os ministros Marco Aurélio, Lewandowski e Joaquim Barbosa.
 
A rigor, a novidade aqui ficou por obra de Marco Aurélio, cuja vaidade está ligada ao uso de gravatas da cor  – como dizer? – rosa chiclete. Beleza.
O estilo fashion do ministro, é bom que se assinale, briga com o seu sotaque brega, com aquele apelo anasalado quando verbaliza o “legal”, o “penal” e por aí afora.  
 
 
Marco Aurélio tem conhecimento jurídico, é estudioso e, o que tudo indica, homem honrado.
Muitas vezes seus votos pecam pela falta de clareza, mesmo para o iniciado nas lides jurídicas.
Marco Aurélio tem uma inteligência acima da média e dispõe de raciocínio rápido. Porém, é um exibido. Justamente nesse ponto é que, vez ou outra, põe tudo a perder.
 
Percebeu-se que o ministro Marco Aurélio discorda dos votos de Joaquim Barbosa não por motivos da boa técnica jurídica, mas simplesmente porque não o tolera.
Continua dando voltas e mais voltas pela cachola de Marco Aurélio a acusação que fez Joaquim Barbosa de que estava na cadeira de ministro por ser primo do ex-presidente Fernando Collor.
Foi Collor quem o colocou no STF. 
Mas justiça seja feita, ao contrário do que ocorreu agora com Dias Toffoli, Marco Aurélio se julgou suspeito quando do julgamento do impeachment do seu primo. Desde então, Marco Aurélio jamais o perdoou. 
 
Lewandowski é um caso a parte. Desde o seu primeiro voto de revisor do processo do mensalão, sabia-se das suas  boas intenções, principalmente quando estava em jogo as condenações de políticos estrelados.
O grau de bem intencionado chegou ao ponto de considerar, numa votação sobre vistas de um pleito ministerial, que 4 é maior do que 7. Há pessoas que engrandecem o cargo, outras o tornam pequeno e feio. 
 
Na verdade, o emblemático da última sessão coube ao pronunciamento exaltado, mas grávido de verdades, do ministro Gilmar Mendes. O ministro foi na jugular de dois de seus pares: ao novato rotulou-o de ousado pela inoportuna dissidência do seu voto, dizendo a que veio; a aquele tal, bem conhecido,  acusou-o de se utilizar de expedientes pouco republicanos para retardar o julgamento do processo e com isso provocar a aposentadoria, por limite de idade,  dos ministros Ayres Brito e Cezar Peluso, ambos sabidamente prós condenações dos protagonistas do mensalão. 
 
Claro que todos ali sabiam de quem Gilmar Mendes estava falando, mas, fazendo-se de mortos, mantiveram-se em silêncio comprometedor. Ao mesmo tempo, quase inaudível, Joaquim Barbosa prometeu contar em detalhes, quando deixar a Corte,  como se postergou o processo para alcançar as aposentadoria dos dois ministros e, por consequência, aliviar as penas de certos réus. Nada do que Gilmar Mendes disse era do desconhecimento dos demais ministros, apenas coube a ele se servir de coragem e tornar publicas as inúmeras chicanas processuais. Mendes não citou nomes. E precisava? 
 
16 de novembro de 2013
Nilson Borges Filho
(*)Nilson Borges Filho é mestre, doutor e pós-doutor em Direito, professor

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE


                                      Sponholz: Zé, um sujeito ilibado!

 
16 de novembro dc 2013

COISAS DESSE BRASIL PETRALHA: COM APENAS 6 ANOS, OGX TEM DIREITO A RECUPERAÇÃO? INVESTIMENTOS DE 52 MIL TRABALHADORES FORAM PERDIDOS


 
 
Criada em julho de 2007, a OGX, petrolífera de Eike Batista, nunca produziu uma gota sequer de petróleo, apesar do alarde de que seus campos, arrematados em leilão, teriam reservas de dar inveja aos árabes. 

A Lei 11.101, que estabelece as normas para recuperação judicial de empresas em dificuldades, determina que, para ter direito a esse benefício legal, a empresa tem que estar “exercendo suas atividades” há pelos menos dois anos. Embora tenha seis anos de existência, há dúvidas sobre o direito da OGX à recuperação judicial, pelo fato de nunca ter produzido petróleo. 

 Que critérios podem caracterizar a atividade da empresa? 
 E o que essa atividade poderia ter como objetivo? 
 Seria justamente ter como alvo a recuperação judicial? 

A Justiça terá que levar em consideração ainda que aproximadamente 52 mil trabalhadores, cujos fundos de pensão investiram na OGX, tiveram perda total dessas aplicações.
 
 
 
A empresa usou dinheiro do povo e a recuperação deveria ter como objetivo ressarcir as perdas do povo e não dar um prêmio a quem causou tantos prejuízos a investidores que, em vários casos, tinham como única poupança justamente esses investimentos feitos na OGX. Investimentos que não serão recuperados. A recuperação da petrolífera deveria ser feita pelo BNDES que enterrou mais de R$ 10 bilhões de recursos públicos nas empresas de Eike; recursos que poderiam ter sido usados em prol da população, para o desenvolvimento do país.
 
 
 
A generosidade de Eike – com dinheiro do povo – fez com que ele distribuísse dinheiro pelo Rio para vários projetos, o que colaborou para uma falsa imagem de patrocinador de obras sociais e até mesmo de infraestrutura, como a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, para a qual ele “doou” R$ 8 milhões. 

 A benevolência de Eike com o dinheiro do povo resultou ainda numa “doação” de R$ 30 milhões para o Hospital Pró-criança Cardíaco, em Botafogo, no Rio, além de R$ 13 milhões com iniciativas esportivas, como um time de vôlei, visando as Olimpíadas de 2016.
Em seus sonhos delirantes, transformou o Hotel Glória, um ícone do Rio de Janeiro, num prédio fantasma, semidestruído. Um prédio que recebeu ilustres visitantes, chefes de estado, personalidades internacionais de destaque em vários setores, teve sua história implodida, ficando embaixo de escombros, da mesma forma como ele implodiu suas empresas.

Eike, que chegou a ter uma coleção de aviões particulares, se gabava de emprestar sua frota aérea para autoridades sem o menor pudor do que esse ato representava. Em sua coluna nos jornais Folha de S. Paulo e Globo, o jornalista Elio Gaspari reproduziu uma das frases do empresário sobre esses favores: “Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador. (...) Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas [e] trazer a Olimpíada para o Rio".


A OGX, uma empresa que teve apenas cerca de 300 empregados em seus quadros, se comparada com a Petrobras e outras do setor, com mais de cem mil contratados em todo o mundo, pode ser considerada uma gota no oceano. No entanto, apesar do diminuto tamanho que agora fica evidente, conseguiu fazer uma dívida de R$ 8 bilhões que gera ainda mais dúvidas. Onde foram parar esses recursos?
As doações de Eike, “o generoso”,
somaram alguns milhões,
 

A empresa usou recursos públicos, vindos do povo, para distribuição de bônus a seus diretores, contemplados com verdadeiros prêmios de loteria, embolsando fortunas num período curto de tempo. 

De acordo com informações apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), executivos da OGX e da OSX – construtora naval também de Eike Batista - teriam embolsado cerca de R$ 300 milhões referentes a salários, pagamentos por participação em comitês e remuneração atrelada a ações. 

Alguns desses diretores, inflados pelo dinheiro e, consequentemente, com súbita fama, tiveram a brilhante e acintosa ideia de ir para o Flamengo recuperar o Clube. 
Antes da bancarrota, no entanto, a petrolífera teve seus momentos de glória, com seu valor de mercado nas alturas, refletindo nessa época os delírios de seu dono, que possuía carros espetaculares estacionados em sua sala de jantar. 
Que presenteava os filhos com também carros espetaculares e que para satisfazer seus caprichos, comprou um restaurante num dos lugares mais valorizados do Rio de Janeiro, em que pobre não serve nem para ser garçom, que dirá passar na porta.
Enquanto as falcatruas se sucedem, as autoridades parecem mais preocupadas em atacar outras frentes, reprimir outro tipo de ação, ação que se revolta exatamente contra os maus governantes que priorizam seus interesses. 
A Polícia Federal concentra suas forças na investigação contra os black blocs, seus paus e pedras. E os maus empresários circulam livremente.

Na próxima semana, será proferida a decisão sobre o pedido de recuperação judicial da OGX que tramita na 4ª Vara Empresarial do Rio. 
Caberá ao juiz Gilberto Clovis Matos decidir se a empresa tem direito ou não ao que determina a Lei. A aceitação do pedido pela Justiça, no entanto, não vai significar o início imediato do processo de recuperação. 
 
 
A empresa terá que apresentar em 60 dias um plano de reestruturação, com prazos estipulados para pagamento das dívidas, que deverá ser aceito pelos credores. Caso esse plano seja rejeitado, a empresa poderá ter sua falência decretada.
Jornal do Brasil
16 de novembro de 2013

EM REPÚBLICA ASSENHOREADA POR VELHACOS: MÁ GESTÃO E CORRUPÇÃO



 
Incompetência e desídia são duas características da administração pública que emergem de declarações - serenas e de tom muito mais técnico do que político, ressalve-se - do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes. São muitas as falhas de gestão dos recursos públicos detectadas pelo TCU que revelam essas duas características.

Entre outras, Nardes apontou a má qualidade da gestão financeira, a falta de planejamento e o despreparo do pessoal técnico do setor público, deficiências que abrem o caminho para o sobrepreço das obras e das compras públicas e para a corrupção.

Uma dessas falhas, em particular, deixa nítidas algumas das piores características da administração pública brasileira. Trata-se da forma generosa como o governo federal concede benefícios tributários a diferentes setores e classes de contribuintes, que resultam anualmente em cifras bilionárias, sem que nunca tenham sido avaliados os efeitos práticos dessas medidas. 
São as chamadas renúncias fiscais. 
 Só em 2012, as renúncias somaram nada menos do que R$ 212 bilhões, como informou o presidente do TCU. Trata-se de um valor que vem crescendo rapidamente nos últimos anos, em razão das sucessivas isenções tributárias concedidas pelo governo Dilma para tentar estimular determinados setores da economia escolhidos pelo próprio governo, com resultados até agora pouco visíveis para o País.

O total de renúncias fiscais no ano passado foi 15,3% maior do que em 2011 (R$ 187,3 bilhões), que, por sua vez, fora 30,1% maior do que em 2010 (R$ 144 bilhões). São valores maiores do que a soma dos orçamentos das áreas de saúde, educação
e assistência social.

Há tempos, o TCU, no exame das prestações anuais de contas do governo federal, vem cobrando do Executivo a apresentação de indicadores da eficácia da utilização dessa forma de benefício tributário, para que seja possível a avaliação de seu impacto sobre o crescimento da economia e sobre a qualidade de vida da população. 
"A informação que temos é de que não há acompanhamento dos impactos", disse Nardes. O governo não consegue avaliar o efeito das medidas. No caso dos incentivos para a área de tecnologia, o TCU conseguiu aferir que as medidas ajudam a sustentar o nível de emprego, mas não sabe se elas resultaram em melhoria da competitividade da economia, como era seu objetivo.

Há dois meses, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, retirou das Secretarias de Política Econômica e do Tesouro a competência para fazer esse trabalho, transferindo-a para a Secretaria da Receita Federal, que, como mostraram episódios recentes, está sob inteiro domínio do ministro.
 A falta de controle sobre as renúncias fiscais é apenas um dos males da administração pública - que são antigos e existem em todos os níveis, como fez questão de destacar o presidente do TCU. Há muitas outras, mas algumas dessas deficiências se tornaram agudas nos governos chefiados pelo PT. O fato de, só nos últimos cinco anos, as auditorias do TCU terem forçado a revisão de contratos que resultaram em economia de R$ 102 bilhões para os cofres públicos parece comprovar isso.

Projetos mal elaborados ou incompletos, mesmo em áreas críticas como rodovias, aeroportos e ferrovias, são outros exemplos conhecidos de falhas dé gestão que implicam perdas para o contribuinte ou atraso nos programas do governo. 
A incapacidade do governo Dilma de executar o que está no Orçamento da União é outro exemplo.
No ano passado, dos investimentos previstos para transportes, o governo aplicou apenas 33%, o que explica a persistência ou o agravamento das deficiências de infraestrutura do País. Em saneamento, os investimentos não passaram de 28% do valor orçado e, em urbanismo, de 9%.Entende-se por que não avançam as políticas de mobilidade urbana e por que continuam ruins as condições do saneamento básico. Também se entende por que o governo do PT acumula restos a pagar, despesas contratadas, mas não liquidadas no mesmo exercício.

 O Estado de S. Paulo
16 de novembro de 2013

PIB RECUA 0,12% NO 3o.TRIMESTRE, APONTA PRÉVIA DO BC



 
A prévia do Produto Interno Bruto (PIB), medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), caiu 0,12% no terceiro trimestre de 2013 em relação aos três meses anteriores, nos dados com ajuste sazonal.
 
 
A variação ficou abaixo da mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, de 0%, mas dentro do intervalo das estimativas (-0,20% a 0,10%). O índice passou de uma média mensal de 145,94 pontos para 145,77 pontos nessa comparação. 

Em relação ao terceiro trimestre de 2012, o IBC-Br teve alta de 2,66%, sem ajuste. O índice avançou de uma média mensal de 144,14 pontos para 147,98 pontos nessa comparação. 

O resultado do PIB do terceiro trimestre de 2013 será conhecido no início de dezembro, no dia 3. No segundo trimestre, houve alta de 1,50% na comparação com os primeiros três meses de 2013 e, na comparação com o mesmo período do ano passado, uma elevação de 3,30%.
 
 
use o mouse para explorar o gráfico

 

 
O indicador ficou praticamente estável em setembro ante agosto, registrando taxa de -0,01%, após ter leve alta de 0,09% em agosto ante o mês anterior (dado revisado), na série com ajuste sazonal. De acordo com dados divulgados há pouco pelo BC, o número passou de 145,82 pontos em agosto, na série dessazonalizada, para 145,80 pontos em setembro. 
O resultado do IBC-Br ficou abaixo da mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções (0,20%), mas dentro do intervalo das estimativas (-0,40% a 0,60%).

Nos 12 meses encerrados em setembro de 2013, o crescimento foi de 2,49% na série sem ajuste. No acumulado do ano até o mesmo mês, houve alta de 2,82% (sem ajuste). Na comparação entres os meses de setembro de 2013 e de 2012, houve expansão de 3,33% na série sem ajustes sazonais.
Outro componente importante do índice do BC são os números do varejo divulgados pelo IBGE, que mostraram avanço de 0,5% em setembro ante agosto.

Revisão


O Banco Central revisou alguns dados do IBC-Br, na série com ajuste. 
Para agosto de 2013, o dado passou de 0,08% para 0,09%. 
No caso de julho, houve estabilidade da taxa em -0,34%. 
Para junho, o IBC-Br foi revisto de 1,02% para 1%. 
Para maio, alterado de -1,49% para -1,48%. 
Já em abril o ajuste foi de 0,93% para 0,92% e, em março, de 1,07% para 1,08%. O BC refinou também o resultado para fevereiro, que passou de -0,39% para -0,41%, mas, para janeiro, foi mantido em 1,18%.

Célia Froufe, da Agência Estado
16 de novembro de 2013

CORRUPÇÃO S.A.



 
A corrupção é uma das piores e mais antigas mazelas brasileiras. Já em 1810, uma irônica cantiga era popular no Rio de Janeiro: "Quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é barão. E quem mais rouba e esconde passa de barão a visconde". Corrupção e impunidade andam lado a lado desde os tempos coloniais. Mas, se o lado corrupto dos administradores públicos brasileiros é bem conhecido, aos poucos vai sendo exposta a face do corruptor: a atuação de empresas que se valem de pagamentos de propinas para obter vantagens.

                                                                    Primeira da fila: 
a Brookfield foi a primeira construtora a revelar que pagou para ter benefícios no ISS

No caso mais recente e explosivo, de um lado, são investigados, pelo Ministério Público e pela Controladoria-Geral do Município, dez fiscais que trabalhavam na gestão do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD), que deixou o posto em 2012. Eles teriam oferecido descontos tamanho família nos pagamentos do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS ) para empresas do setor de construção. Segundo o fiscal Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, em depoimento à polícia sob o regime de delação premiada, os integrantes do esquema chegaram a definir regras: 50% do valor do ISS era descontado, 30% ia para os fiscais, 10% ficava com o despachante e apenas 10% era destinado às contas públicas.

A estimativa é de um rombo de R$ 500 milhões na arrecadação, que as empresas sonegadoras precisarão repor aos cofres públicos. Do outro lado, estão as empresas. Segundo declaração do prefeito Fernando Haddad, do PT, que patrocinou a apuração do desvio, 15 empresas serão ouvidas, num primeiro momento, e outras dez estão na fila. O objetivo da prefeitura é fazer um pente-fino de todos os grandes empreendimentos aprovados na cidade nos últimos cinco anos, o que envolverá praticamente todas as maiores empresas do setor. Pelo menos 652 prédios de luxo estão na lista. O primeiro nome a aparecer na investigação foi o da Brookfield, companhia de capital aberto e com faturamento anual de R$ 3,3 bilhões.

Até a quinta-feira 7, ela havia sido a única a admitir o crime. Outras citadas pelo fiscal delator foram a Trisul, também com ações cotadas na Bovespa, e as construtoras e incorporadoras de capital fechado BKO, Tarjab e Alimonti. Por meio de comunicado, a Trisul e a BKO afirmaram não terem recebido intimações para prestar esclarecimentos e que só se pronunciarão se isso ocorrer. A Tarjab e a Alimonti não responderam à reportagem. Um sexto nome levantado nas investigações foi o do gigante conglomerado Odebrecht, dono de uma empresa de construção imobiliária e de uma empreiteira.

                                                                              Lentidão: 
                                 ação contra Aref, chefe do setor de liberação de obras,
                                         só chegou à Justiça um ano após as denúncias

O grupo baiano, que faturou R$ 76 bilhões em 2012, também negou ter sido chamado a depor. "A Odebrecht nega qualquer participação nas denúncias apuradas", afirmou em nota enviada à DINHEIRO. "A empresa repudia o envolvimento de seu nome nas investigações." Mas como o caso pode prejudicar o setor de construção, e cada uma das empresas que acabarão envolvidas no processo? A Brookfield, pelo menos num primeiro momento, é a mais afetada. Suas ações caíram 17% em uma semana, a partir da sexta-feira 4, quando reconheceu ter desembolsado R$ 4,1 milhões em propinas relativas a 20 empreendimentos entre 2009 e 2012.

Não ajuda o fato de também ter sido uma protagonista de outro escândalo: o chamado caso Aref, que estourou em 2012, ainda na gestão do ex-prefeito Kassab. Segundo esse processo, a empresa teria pago R$ 1,6 milhão para ter os seus shopping centers Pátio Higienópolis e Pátio Paulista liberados para operação. Quatro diretores da incorporadora foram indiciados como réus, assim como Hussain Aref Saab, ex-diretor do setor de Aprovação de Edificações, na gestão Kassab. "Infelizmente, no Brasil, essas práticas são disseminadas e não pegam o mercado de surpresa, a ponto de afetar muito o preço das ações do setor", afirma um analista de investimentos.

"Existe uma cultura de impunidade às empresas." A Prefeitura de São Paulo tem dado indícios de que vai combater a impunidade, mesmo que precise apelar para leis estrangeiras. Ela anunciou que vai denunciar ao governo dos EUA as empresas com ADR, certificados de ações emitidos por bancos americanos, como é o caso da Brookfield. Dessa forma, as infratoras podem ser multadas por terem praticado corrupção no Exterior, conforme prevê a lei americana. "Os impactos desse caso ainda serão sentidos", diz Sérgio Freire, presidente da Brasil Brokers, empresa de consultoria e intermediação imobiliária.

                                                           Tempo de limpeza: 
                                           o shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, 
foi liberado para operar mediante propina

"Podemos ter mais demora na análise de aprovações e revisão de projetos." Fato que pioraria uma situação já ruim. O longo tempo levado pela Prefeitura para liberar as obras, que podem chegar a um ano em projetos grandes, é um dos grandes entraves do setor e um campo propício para os achaques dos malfeitores travestidos de agentes públicos, que, diante das dificuldades, vendem facilidades. A alegação da Brookfield, no caso, é de ter sido forçada a participar da corrupção. "Comparecemos (ao depoimento) espontaneamente, fomos ouvidos como testemunhas e nos consideramos vítimas de extorsão", informou a empresa por meio de nota.
Segundo uma fonte ligada a uma das construtoras citadas, o Sindicato da Habitação de São Paulo propôs às suas associadas que fizessem uma delação em conjunto, em 2012. Mas um grupo delas negou o acordo, com o argumento de não terem aceitado pagar os fiscais. Estes se defendem negando a extorsão. Em um de seus depoimentos, por exemplo, o delator Magalhães afirmou que não havia obrigação para que as empresas participassem do esquema. Segundo o fiscal, o processo era de "conhecimento de todos no mercado de construção civil da capital." Vítimas ou corruptoras, as representantes do setor de construção sairão mais uma vez manchadas de um caso de corrupção. E, dentro ou fora da bolsa de valores, deverão amargar perdas com os impactos do escândalo.

Maluf condenado

O ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf foi condenado pelo superfaturamento na construção de um túnel na década de 1990. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, na segunda-feira 4, mantém, em segunda instância, a decisão de 2009, de improbidade administrativa no projeto do Túnel Ayrton Senna, na região sul de São Paulo. Isso pode significar o fim da carreira política do veterano personagem, atual deputado federal pelo PP, aos 82 anos de idade. Segundo a sentença, Maluf está impedido de fazer negócios com o poder público e terá os seus direitos políticos cassados por cinco anos. Ele também precisará devolver aos cofres do município de São Paulo o valor superfaturado, além de pagar uma multa.

 
Mas, se a semana começou ruim para Maluf, piorou no dia seguinte. Na terça-feira 5, o folclórico político viu o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitar a suspensão de um inquérito que está investigando o uso de caixa 2 em sua campanha de 2010. Os advogados do parlamentar alegavam que o processo deveria ser suspenso no STF, por já estar sendo julgado pelo Tribunal Superior Federal (TSF). No entanto, Fux considerou que as instâncias penal e eleitoral são independentes e podem avaliar o mesmo caso. Maluf pode ser também incluído na categoria de ficha-suja e ficar impedido de disputar eleições por oito anos. Ele continua negando as acusações de corrupção.
 
Carlos Eduardo VALIM/Isto é Dinheiro
16 de novembro de 2013