"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 26 de junho de 2018

O QUE TEMER, AÉCIO E MAIA TRAMAM QUANDO ESTÃO REUNIDOS SIGILOSAMENTE?

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Maia e Aécio foram jantar quinta-feira com Temer
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), jantou com o presidente Michel Temer e com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) na noite desta quinta-feira. O encontro, que não constava nas agendas oficiais das autoridades, ocorreu na residência oficial da Presidência da Câmara. Segundo apurou o Valor, durante a reunião os três discutiram o cenário eleitoral e avaliaram as possibilidades de suas legendas, DEM, MDB e PSDB, se unirem em torno de uma candidatura única à Presidência da República.
Afastado dos holofotes e das negociações eleitorais do PSDB desde que foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS, com sua atuação de parlamentar se limitando aos bastidores, Aécio Neves teria destacado a importância de os partidos do chamado centro político estarem unidos em torno de um postulante ao comando do Palácio do Planalto para garantir uma vaga no segundo turno.
Como Maia e o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que são pré-candidatos do DEM e do MDB, respectivamente, não decolam nas pesquisas de intenção de voto, aumenta a expectativa de que as legendas abandonem suas pretensões eleitorais e apoiem um nome mais competitivo. O pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que oscila entre 8% e 10% nos levantamentos mais recentes, é uma das alternativas.
Sem consenso sobre o apoio do DEM à postulação de Alckmin, Maia e o presidente do partido, o prefeito de Salvador, ACM Neto, já se reuniu com o tucano, mas mantêm negociações paralelas com Ciro Gomes, do PDT, e Álvaro Dias, do Podemos. O caminho a ser seguido deve ser decidido apenas na segunda quinzena de julho.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
A notícia é estranha e surpreendente, porque juntar Aécio Neves e Michel Temer é uma espécie de “abraço de afogados”, com os dois submergindo juntos no Mar das Tormentas. A presença de Rodrigo Maia é mais surpreendente ainda, porque ele não está se afogando. Pelo contrário, tem aproveitado a crista da onda, já conseguiu fortalecer o DEM e está trazendo o pai Cesar Maia de volta à política nacional. Rodrigo Maia está cansado de dizer publicamente que não aceita alianças com o MDB de Temer e o PSDB de Aécio. A explicação que resta para esta reunião (e que pode ser verdadeira) é que os três estejam tramando contra a Lava Jato, ocupação que se tornou um dos esportes preferidos nos Três Poderes desta apodrecida República. (C.N.)


26 de junho de 2018
Marcelo Ribeiro
Valor

CIRO NOGUEIRA E EDUARDO DA FONTE AMEAÇARAM TESTEMUNHA, DIZ PROCURADORIA

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Federais fizeram busca e apreensão nos seus gabinetes
A Procuradoria Geral da República (PGR) apontou ameaça de morte a uma testemunha da Operação Lava Jato supostamente a mando do presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), e pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE). Ciro Nogueira e Eduardo da Fonte foram denunciados nesta semana por suposta obstrução de Justiça, segundo a PGR, por ordenar o ex-deputado Márcio Junqueira (ex-filiado ao PP) a pressionar um ex-assessor e motorista a desmentir depoimentos prestados à Polícia Federal.
Procurada, a assessoria do deputado enviou a seguinte nota: “Eduardo da Fonte reitera que a acusação é completamente mentirosa e absurda e que ele está à disposição da justiça para que os fatos sejam esclarecidos rapidamente”.
FANTASIA – Ao G1, o advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, disse que a acusação contra o parlamentar é “fantasiosa”, “criminosa” e de uma “irresponsabilidade enorme”.
“Não existe nada nos autos que leve – sequer ‘en passant’ – a qualquer hipótese de o senador Ciro estar envolvido nisso. Então, é muito grave. Tem quer ver os autos, tem que ler e distanciar profundamente quem são os investigados”, declarou o advogado.
Considerado um “arquivo vivo”, José Expedito trabalhou para Ciro e Eduardo da Fonte por mais de dez anos, sendo “pessoa próxima e de confiança” dos parlamentares, incumbido de transportar dinheiro para eles em diversas ocasiões, segundo a PGR.
CONFISSÃO – Em setembro de 2016, José Expedito confessou os crimes à PF e entregou o que diz serem provas. Segundo a PGR, em 2017, a mando de Ciro Nogueira e de Eduardo da Fonte, Márcio Junqueira passou a exigir de José Expedito uma “retratação” das revelações que fez nos depoimentos.
“A mando dos parlamentares, a partir de outubro de 2017, nos termos retratados nesta denúncia, Márcio Junqueira ameaçou José Expedito de morte, exigiu dele uma retratação em cartório do conteúdo dos depoimentos que prestou à PF em 2016 (declaração ideologicamente falsa), prometeu-lhe cargo público, casa, pagou-lhe despesas e fez entregas de dinheiro —, tudo para comprar seu silêncio e, assim, prejudicar investigações em curso”, diz a denúncia.

26 de junho de 2018
Por Renan Ramalho
G1, Brasília

UMA CLARA DECLARAÇÃO DE CULPA...

ALIADOS DE ALCKMIN TEMEM DELAÇÃO DE EX-SECRETÁRIO DE SP PRESO

alckmin
Alckmin vive num inferno astral permanente
Dizendo-se surpreendidos pela operação que atingiu um ex-secretário do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), aliados do presidenciável temem uma delação premiada e lamentam a má notícia para a imagem do tucano no momento em que o pré-candidato tenta demonstrar força para fechar alianças e decolar nas pesquisas.
Laurence Lourenço, ex-secretário de Transportes e ex-presidente da Dersa, estatal paulista que administra rodovias, e outros 14 servidores foram presos na quinta (dia 21). Oito deles foram soltos nesta sexta (dia 22), medida que não incluiu Lourenço. A juíza Maria Isabel do Prado determinou a libertação após o Ministério Público Federal alegar que não havia mais interesse na prisão dos oito para as investigações.
ADITIVOS ILEGAIS – Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público, a Dersa assinou aditivos irregulares nas obras do Rodoanel que trouxeram prejuízo de mais de R$ 600 milhões.
Entre interlocutores de Alckmin, condenou-se a forma com que Lourenço foi abordado, considerada feroz para constrangê-lo a delatar ou envolver outras pessoas no esquema investigado.
Aliados do presidenciável disseram que à defesa de Lourenço foi dificultado o acesso ao processo mesmo depois da prisão, em suposto método de pressão dos investigadores.
CAIXA DOIS – O temor é que o desenrolar da Operação Pedra no Caminho aponte abastecimento de caixa dois de campanha a partir de um superfaturamento nas obras do Rodoanel.
Até entre alckmistas que rechaçam a hipótese de delação, lamenta-se que essa sombra volte a rondar o presidenciável. Há menos de um mês, outro dirigente da Dersa foi solto pela segunda vez sob a ameaça de que poderia delatar. Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, foi posto em liberdade no final de maio, por decisão de Gilmar Mendes, do Supremo.
Souza, suspeito de ser operador do PSDB, é investigado por irregularidades em desapropriações do Rodoanel Sul que teriam gerado prejuízos de R$ 7,7 milhões.
NA DEFESA – Diante do novo revés de Alckmin, que atinge somente 7% no Datafolha, aliados se apressaram em reforçar a defesa de que o tucano não tem qualquer envolvimento em eventuais esquemas irregulares.
Nas investigações sobre desvios do Rodoanel, a PF também identificou movimentações suspeitas nas contas do ex-diretor da Dersa Pedro da Silva, um dos que continuaram presos nesta sexta.
Duas empresas das quais ele foi sócio receberam três depósitos que somam R$ 571 mil do Grupo Paulista de Investimentos e Participações. O grupo, segundo a polícia, pertence a Law Kin Chong, que já foi considerado um dos maiores contrabandistas do Brasil e é dono de diversos imóveis em São Paulo. Chong foi preso em novembro de 2007.
“LARANJAS” – A PF também identificou depósitos de pessoas físicas em espécie, possíveis laranjas.
“A movimentação está a indicar o recebimento de vultosas quantias, tendo como depositantes indivíduos que, em tese, não têm condições econômico-financeiras. Trata-se de graves indícios do recebimento de valores com origem ilícita”, diz o relatório.
A defesa de Pedro da Silva nega que ele tenha cometido crimes.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Alckmin, identificado como “Santo” na famosa planilha da Odebrecht, precisa se benzer e comparecer a uma missa nos Barbadinhos. Seu horóscopo indica inferno astral permanente. (C.N.)


26 de junho de 2018
Thais Bilenky
Folha

ADVERSÁRIOS CRITICAM BOLSONARO POR NÃO PARTICIPAR DOS DEBATES ELEITORAIS

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Charge do Thomate (Arquivo Google)
Líder nas pesquisas de intenções de voto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, avalia a hipótese de não ir aos debates com outros postulantes ao cargo ao longo da campanha eleitoral. Nos últimos meses, o deputado federal já faltou a eventos em que teria a companhia de adversários e estuda prolongar a estratégia até o fim da eleição.
No lugar do confronto direto, Bolsonaro tem privilegiado agendas em que está cercado por apoiadores e fora dos maiores centros urbanos do país.
MESMO RITUAL – Na quinta-feira, cumpriu um ritual que se tornou característico na pré-campanha: foi cercado por simpatizantes em um aeroporto — neste caso, o de Campina Grande, na Paraíba — e depois discursou em um carro de som. Vídeos mostrando a recepção na chegada à cidade foram publicados em suas contas nas redes sociais.
— Ainda estou definindo se vou (aos debates). Postura de combate, não decidi ainda. Estou aqui na Paraíba e tenho muitos compromissos — disse Bolsonaro ao GLOBO na sexta-feira, ironizando. — E se eu não for, não vai dar Ibope, né.
Em abril, o pré-candidato do PSL não foi ao Fórum da Liberdade, que reuniu presidenciáveis em Porto Alegre. No mês seguinte, não participou de um encontro organizado pela Frente Nacional dos Prefeitos, em Niterói, e de um evento da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, em Gramado (RS) — alegou problemas de agenda nesses dois casos.
ÀS VEZES, VAI – O parlamentar também faltou à sabatina promovida pelo jornal “Folha de S. Paulo” e pelo portal UOL, quando seria entrevistado por jornalistas. Integrantes da equipe do pré-candidato têm se incomodado com o que consideram uma postura excessivamente crítica da imprensa. Em outra ocasião, no entanto, participou da sabatina do jornal “Correio Braziliense”. Um parlamentar do PSL disse que Bolsonaro “vai escolher muito bem para onde vai” e para quem dará entrevistas.
A possível ausência nos debates gerou reações dos adversários. Interessado em polarizar com Bolsonaro para atrair parte do seu eleitorado, o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, fez uma provocação imediata nas redes sociais: divulgou um vídeo com uma montagem em que o rosto do deputado aparece no corpo de uma criança correndo de um lado para o outro com a mensagem “adivinha quem está fugindo dos debates”.
O tucano aposta num confronto direto e, neste contexto, os debates na televisão seriam importantes para a tática da “desconstrução”. — Sem dúvida, uma ausência dele prejudica o confronto que Geraldo quer fazer — afirmou um aliado do ex-governador de São Paulo.
SEM CONTEÚDO – Presidente do PDT, que vai lançar Ciro Gomes, Carlos Lupi afirmou que o pré-candidato do PSL “é um produto, mas não tem conteúdo”:
— É uma clara demonstração de que ele não tem projeto e não tem o quê dizer para a população. Ele é como um castelo de areia, frágil.
Já Marina Silva (Rede) afirmou que “não se pode pretender governar o Brasil sem debater propostas com a sociedade”. Henrique Meirelles (MDB) ironizou e afirmou que a estratégia é “compreensível”, porque Bolsonaro “não tem nada a dizer”. Já Rodrigo Maia (DEM) disse que vai participar de todos os debates, enquanto Álvaro Dias ressaltou que não comentaria a estratégia de adversários.
Para atenuar o efeito das ausências, Bolsonaro aposta nas redes sociais, onde têm um alcance expressivo — sua página oficial no Facebook tem 5,3 milhões de curtidas. As transmissões ao vivo, como a que aconteceu durante a semana, quando foi filmado enquanto cortava o cabelo, serão mais frequentes, como informou ontem o colunista Ancelmo Gois, do Globo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Vai ser estranho ocorrer debate dos presidenciáveis, sem a presença de Bolsonaro. Ele e Dilma Rousseff animam qualquer discussão. (C.N.)


26 de junho de 2018
Bruno Góes, Jeferson Ribeiro, Marco Grillo, Silvia Amorim e Thiago Prado
O Globo

MARCELO ODEBRECHT DIZ QUE SUA FAMÍLIA NÃO FOI CULPADA, MAS SIM, LESADA


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Marcelo insiste em disputar o troféu Piada do Anio
Num e-mail, Marcelo Odebrecht definiu como “discurso leviano e diversionista” uma entrevista de Olga Pontes, diretora de compliance da empreiteira. Ela afirmou recentemente ao site Jota que é preciso “baixar a cabeça e dizer que pecamos”. A mensagem foi encaminhada para o diretor-presidente do grupo, Luciano Guidolin, e para Sergio Foguel, membro do conselho da companhia, no mês passado.
Marcelo Odebrecht diz no texto que sua família “não foi culpada, e, sim, foi lesada” pelas práticas da empresa.
PARA TODOS - Segundo ele, é errado dizer que as orientações e a responsabilidade pelas práticas do passado cabem exclusivamente à família.
“A maioria dos conselheiros da Odebrecht S.A. eram não apenas acionistas sem vínculos com a família Odebrecht, como eram ex-executivos da organização”. Esses mesmos membros, segue Marcelo, “implantaram ou evoluíram estas práticas”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Mais uma candidatura à Piada do Ano. Dizer que a família Odebrecht não mandava na empresa que leva seu nome é uma forte concorrente ao cobiçado título. Marcelo Odebrecht está delirando. Seu problema parece ser um caso patológico. Enquanto não destruir a empresa, ele não vai sossegar. Está brigado com o pai, a irmã, o cunhado e até com a própria mãe. Nem Freud, auxiliado por Jung, Lacan e Pinel, explica um caso desses.(C.N.)


26 de junho de 2018
Mônica Bergamo
Folha

O HUMOR DO DUKE...

Charge Super FC 22/06/2018

26 DE JUNHO DE 2018

RENDA DE CIDADANIA, UMA PROPOSTA A SE CONSIDERAR NESTA CAMPANHA ELEITORAL


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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)
Apesar da briga com o senso comum contrário à ideia de “distribuição de dinheiro sem contrapartida de trabalho” e dos riscos de exploração populista de suas promessas e resultados, as experiências de renda de cidadania se multiplicam no mundo e o debate se amplia. 
O tema esteve presente em campanhas eleitorais recentes e alguns dos gigantes da nova economia, como Mark Zuckerberg e Elon Musk, se juntaram a economistas e políticos atentos a ele há mais tempo.
Isso acontece no rastro das grandes mudanças que ocorrem na produção e na natureza do trabalho na economia pós-industrial, quando se produz cada vez mais com menos trabalho e menos capital. 
Uma das questões-chave na chamada sociedade do conhecimento é se continua valendo a ideia de que a tecnologia cria sempre mais empregos do que aqueles que destrói.
DESEMPREGO – O fato é que a insuficiente geração de empregos se tornou crônica e dramática em muitos países. E parece que empresários, estrategistas de negócios e especialistas em desenvolvimento passaram a admitir dúvidas sobre a sustentabilidade da demanda de produtos e serviços diante de cenários de aumento da pobreza, descontentamento social e ameaças de convulsões políticas.
Embora argumentos de igualdade e eliminação da miséria estejam quase sempre presentes nas propostas de renda da cidadania, existe uma ampla variedade conceitual conforme as motivações e intenções de quem propõe, que podem ser identificadas na sua diversidade léxica: renda básica ou mínima, suficiente ou insuficiente, incondicional ou condicionada, universal ou seletiva.
Na prática, a maior parte das experiências realizadas até agora tem sido de pagamento de pequenos valores a pessoas mais pobres, quase sempre sob condições estabelecidas por governos e gestores, entre elas as de procurar e aceitar trabalho, manter os filhos na escola, entre outras.
NA EUROPA – O tema esteve em evidência nas eleições francesas no ano passado, como proposta do socialista Benoit Hamon, embora a própria França e alguns outros países europeus, como Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Irlanda e Inglaterra, disponham de programas semelhantes há alguns anos.
A renda de cidadania está na ordem do dia na Itália, incorporado ao contrato do novo governo, constituído há algumas semanas. Fez parte da plataforma eleitoral do Movimento 5 Estrelas, o mais votado nas eleições deste ano, que formou o governo com a Liga, de direita.
Nos EUA existe a mais antiga experiência contínua de renda de cidadania universal e incondicional, no estado do Alaska, desde 1986, bancada por royalties do petróleo. O valor atual é de cerca de US$ 1.600 anuais por pessoa.
E NOS EUA… –  Pode ser por enquanto apenas uma curiosidade política, mas também nos EUA, Andrew Yang se lançou candidato a presidente na eleição de 2020 com a plataforma focada na renda de cidadania. Ele é um jovem empreendedor das áreas de tecnologia e educação.
Neste ano, a cidade de Stockton, na Califórnia, anunciou que vai iniciar um teste de renda de cidadania de US$ 500 mensais por família, com um grupo de cem beneficiários. 
A cidade sofre até hoje os efeitos da crise das hipotecas de 2008, com queda nos negócios, desemprego, moradores de rua e violência, apesar do sistema de proteção social em vigor, com auxílio desemprego e vale alimentação. Os objetivos seriam reduzir a pobreza e ajudar a tirar a cidade da crise. É uma iniciativa pequena, mas foi notícia no NYT.
SEM NOVIDADE – A renda de cidadania não é novidade, portanto. O conceito original é o pagamento periódico de uma quantia sem vinculação ao trabalho e qualquer exigência de contrapartidas, correspondendo ao direito de cada pessoa ter meios de viver com dignidade.
Diversas experiências têm sido realizadas em países e regiões há alguns anos. Além do Alaska, existe um programa de renda incondicional no Irã (desde 2011), atualmente em revisão. Praticamente todos os países da Europa têm programas de renda mínima condicional. 
Segundo o portal BIEN (Basic Income Earth Network) existem atualmente programas pilotos ou em projeto na Índia, Canadá, Finlândia, Escócia, Holanda entre outros, com aplicação mais ou menos ampla em termos de alcance social, com abrangência regional ou nacional. 
Na Suíça, um referendo não aprovou uma proposta de renda de cidadania em 2016.
LEI SUPLICY – No Brasil existem programas de distribuição condicional de renda, com destaque para o Bolsa Família. E temos a Lei da Renda Básica de Cidadania, proposta por Eduardo Suplicy, aprovada pelo Congresso e sancionada por Lula, que não saiu do papel.
Recentemente, até mesmo o candidato a presidente Jair Bolsonaro, antigo adversário do programa Bolsa Família, mudou o seu discurso, passando a defender a sua continuação. Pode ser que até os mais conservadores aqui no Brasil comessem a admitir benefícios em programas de renda de cidadania.
No âmbito do debate da reforma da previdência e da reorganização do sistema de proteção social do país, a renda de cidadania poderia ser considerada como alternativa para integrar, simplificar, corrigir, desburocratizar, baratear e despolitizar o conjunto de instrumentos existentes, entre os quais o próprio Bolsa Família.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Trata-se de um importante ensaio sobre a renda mínima, escrito pelo excelente jornalista Altamir Tojal e enviado à TI por Mário Assis Causanilhas. Como o texto era muito extenso, fizemos um resumo para adaptá-lo ao esquema do blog. (C.N.)


26 de junho de 2018
Altamir Tojal