"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

DIRCEU, DELÚBIO E JOÃO PAULO QUEREM RECEBER PERDÃO JUDICIAL



Dos quatro petistas, apenas Genoino já recebeu perdão jud











Após cumprirem cerca de dois anos da pena a que foram condenados no julgamento do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares trabalham para conseguir o perdão da sentença imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa dos três petistas espera que eles sejam beneficiados com o chamado indulto natalino, concedido pela Presidência da República ao final de cada ano, a exemplo do que ocorreu com o ex-deputado José Genoino (PT-SP).
Dirceu foi sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal a sete anos e 11 meses de prisão pelo crime de corrupção ativa. João Paulo cumpre pena de seis anos e quatro meses pelos crimes de peculato e corrupção passiva. Já Delúbio foi condenado a seis anos e oito meses pelo crime de corrupção ativa.
O indulto natalino permite o perdão da pena para presos que estão em regime aberto, ou prisão domiciliar, e para aqueles que já cumpriram um quarto da pena. Dirceu terá cumprido um quarto da pena em novembro. João Paulo e Delúbio chegarão a um quarto da pena em julho deste ano. Em tese, a partir daí, os três poderão requerer o benefício. Para ter direito ao indulto, os condenados não podem ser reincidentes em crimes nem ter problemas de comportamento.
REGRAS
Atualmente, os três cumprem prisão domiciliar e trabalham pelo dia. Pelas regras determinadas pela Justiça, eles têm de estar em casa das 22h às 5h. Eles também são proibidos de falar com os demais condenados no julgamento do mensalão, de portar armas, de ingerir bebidas alcoólicas e de frequentar locais de prostituição. Os petistas também estão obrigados a se apresentar bimestralmente à Vara de Execuções Penais (VEP) de Brasília para falar sobre o cumprimento do regime aberto. Regras que todos vêm cumprindo à risca, conforme pessoas próximas.
De olho no direito ao indulto, eles fazem planos como viagens com familiares, como é o caso de Delúbio Soares, por exemplo. Dos três, Dirceu é o que mais teme uma eventual perda do direito ao indulto natalino. Como apurou o Congresso em Foco, Dirceu tem receio de perder o benefício da extinção de sua pena por conta dos desdobramentos da Operação Lava Jato.
Extratos bancários obtidos junto a investigados da força-tarefa da Lava Jato revelaram que a JD Consultoria, empresa de Dirceu, faturou R$ 29,2 milhões com a prestação de serviços de prospecção de negócios fora do país, principalmente em países como Cuba e Peru, onde o governo mantém parcerias e grandes negócios. A PF já está em fase de conclusão do inquérito contra Dirceu. O ex-ministro da Casa Civil teme que um indiciamento ou mesmo uma condenação possa dirimir suas chances de obter um indulto.
JOÃO PAULO E DELÚBIO
Já João Paulo Cunha e Delúbio tentam ao máximo evitar problemas com a Justiça. Eles mantêm uma rotina rígida e relatam praticamente todos os seus passos à VEP. O ex-deputado e o ex-tesoureiro também evitam dar entrevistas ou mesmo conversar entre si. Hoje, João Paulo Cunha trabalha em um escritório de advocacia de Brasília e Delúbio é assessor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na capital federal.
Do chamado núcleo político do esquema, apontado pela Procuradoria-Geral da República, apenas o ex-presidente do PT José Genoino recebeu o perdão da pena no final do ano passado. Genoino, no entanto, ainda mantém distância dos demais condenados para que um eventual contato não seja utilizado como argumento contrário à concessão dos demais indultos. O perdão concedido por Dilma foi confirmado este ano pelo Supremo.

(matéria enviada pelo comentarista Virgilio Tamberlini)

26 de junho de 2015
Wilson Lima
Portal UOL

O HUMOR DO ALPINO...

image


26 de junho de 2015

CÂMARA DERROTA DILMA E TODOS APOSENTADOS TERÃO MESMO AUMENTO QUE OS QUE RECEBEM SALÁRIO MÍNIMO



( O Globo) O governo sofreu uma derrota na noite desta quarta-feira com a aprovação, pelo plenário da Câmara, de emenda que estende a aposentados e pensionistas do INSS a política de valorização do mínimo. Ou seja, a emenda também beneficia os aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário mínimo. A emenda aglutinativa — que possui outras emendas apresentadas pelos deputados — foi aprovada por 206 votos sim e 179 votos não, além de quatro abstenções. Os deputados ainda analisam outras alterações à MP, que depois também terá que ser votada pelo Senado.

O projeto tinha por objetivo estender a política de valorização do mínimo, já em vigor, até 2019. A política o reajuste do mínimo terá como base a correção inflacionária, medida pelo INPC do ano anterior, mais a variação do PIB de dois anos anteriores. A emenda estende a mesma política para todos os benefícios pagos pelo Regime Geral de Previdência Social de 2016 a 2019. A extensão foi aprovada com o voto dos partidos de oposição e com muita dissidência na base aliada.

Todos os líderes de partidos da base aliada — com exceção do PDT que encaminhou a favor e o PROS que liberou a bancada — encaminharam contra a aprovação da emenda. mas nas bancadas governistas, inclusive na bancada do PT, a emenda contou com votos favoráveis. No caso do PT, votaram com a extensão aos aposentados os deputados Luiziane Lins (CE) e Weligton Prado (MG), além do deputado Assis do Couto (PR), que se absteve.

26 de junho de 2015
in coroneLeaks

CAMPANHA DE PIMENTEL DO PT ACUMULA CRIMES E MAIS CRIMES ELEITORAIS


O empresário brasiliense Benedito Rodrigues Neto (à esquerda/terno escuro e gravata vermelha), acompanhado do pai, Romeu José de Oliveira

Investigações da Operação Lava Jato indicam que o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), enviou um emissário ao Rio de Janeiro, em 2013, para pedir recursos de campanha a uma das empreiteiras atualmente investigadas por cartel e desvio de recursos da Petrobrás. A contribuição foi solicitada a Gerson Almada, da Engevix, por um arrecadador que ele identificou à Polícia Federal como “Bené” (foto com o pai). 

O apelido é o mesmo do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, cuja família é dona da Gráfica Brasil, um dos fornecedores de Pimentel na disputa eleitoral de 2014 e investigado em outra operação da Polícia Federal – a Acrônimo – por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro.No mesmo inquérito também é alvo de investigação a primeira-dama de Minas, Carolina Oliveira. Bené chegou a ser preso no fim de maio, mas deixou a cadeia após pagamento de fiança.  

A Acrônimo começou depois que Bené e um outro colaborador de campanha do petista foram detidos em outubro de 2014 ao desembarcar de um avião em Brasília com R$ 113 mil em dinheiro. O voo partira de Belo Horizonte. Na semana passada, a PF pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de envolvimento de Pimentel no esquema. 

Ao Estado, um dos investigadores da Lava Jato informou que a PF fará averiguações para confirmar se o arrecadador enviado à reunião com o empresário da Engevix é Benedito de Oliveira. A referência a “Bené” aparece numa agenda que lista encontros de Almada no ano de 2013. Na página referente a 5 de dezembro, consta a anotação “Bene/Pimentel”. 

Questionado pela PF a respeito, Almada disse em depoimento prestado em abril deste ano que recebeu uma visita no escritório da Engevix, no Rio, “de uma pessoa que conhece pelo nome de Bené, tendo este solicitado apoio financeiro para a campanha de Fernando Pimentel, candidato do PT”. 

O advogado de Pimentel, Pierpaolo Bottini, disse que o governador desconhece qualquer fato relacionado ao caso. “Isso estranha muito ao governador, uma vez que a única pessoa que estava autorizada era o tesoureiro. Além disso, não consta doação dessa empresa para a campanha de Pimentel”, afirmou Bottini. 

Ministro. Na época em que Almada foi procurado, Pimentel comandava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, mas já era pré-candidato ao governo de Minas. Ele deixou o cargo em fevereiro de 2014 para se preparar para as eleições, nas quais foi eleito em primeiro turno.
No depoimento, o executivo da empreiteira não deu mais detalhes sobre o emissário que pediu a ajuda financeira. Aos investigadores, disse que não “forneceu o auxílio pretendido”. 

Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram, no entanto, que a Engevix doou R$ 190 mil em 2014 ao PT nacional que, por sua vez, fez repasses ao comitê do partido em Minas. Na prestação de contas da campanha de Pimentel não consta doação da Engevix. 

A reportagem entrou em contato com Celso Lemos, que respondia como advogado de defesa de Bené na Operação Acrônimo, mas foi informada que o advogado deixou ontem o caso. Por esse motivo, a reportagem não conseguiu contato com a defesa do empresário. O advogado de Almada, Antônio Sérgio Pitombo, disse que não falaria sobre o assunto.

26 de junho de 2015
in coroneLeaks

SÓ FALTOU DILMA BRINDA: VIVA A AYAHUASCA!



Ontem, em estado alterado de consciência, Dilma Rousseff, presidente da República, lançou os Jogos Mundiais Indígenas, um evento que só mesmo outros espíritos alterados poderiam conceber. O discurso de Dilma lembrou alguém que tivesse tomado o poderoso ayahuasca. Leiam abaixo em matéria da Folha.

Foram quase dez dos vinte minutos de seu discurso dedicados a cumprimentar as autoridades presentes na abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, nesta terça (23), em Brasília. Mas a presidente Dilma Rousseff surpreendeu mesmo ao fazer uma saudação especial à mandioca e ao criar uma nova categoria na evolução humana: as "mulheres sapiens". 

"Nenhuma civilização nasceu sem ter acesso a uma forma básica de alimentação. E aqui nós temos uma, como também os índios e os indígenas americanos têm a deles. Temos a mandioca. E aqui nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil", disse Dilma de um fôlego só. 

A plateia riu baixinho. E a presidente continuou dizendo que é de se orgulhar "ter no DNA do nosso país essa relação com a natureza". Dilma segurava uma bola cinza escura, que colocou debaixo do braço quando foi ao púlpito para, de improviso, discursar. Não quis passar a bola para um assessor que se aproximou para ajudá-la. "Não precisa", sussurrou. 

"Aqui tem uma bola, uma bola que eu acho que é um exemplo. Ela é extremamente leve, já testei aqui, testei embaixadinha, meia embaixadinha... Bom, mas a importância da bola é justamente essa, é símbolo da capacidade que nos distingue", disse. 

"Nós somos do gênero humano, da espécie sapiens, somos aqueles que têm a capacidade de jogar, de brincar, porque jogar é isso aqui. O importante não é ganhar e sim celebrar. [...] Então, para mim, essa bola é o símbolo da nossa evolução, quando nós criamos uma bola dessas, nos transformamos em Homo sapiens ou mulheres sapiens", concluiu, entre risos menos tímidos da plateia. 

Sentada na primeira fileira do auditório, ao lado do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), Dilma assistiu a apresentações de danças típicas indígenas, foi abençoada por um pajé e citou a civilização grega para dizer que, com ela, "aprendemos a transformar os jogos em um momento de confraternização."

26 de junho de 2015
in coroneLeaks

BIPOLARIDADE UNIPOLAR



Doze anos de PT e sua tigrada no poder acabam ou nos submetendo, ou entorpecendo, ou embrutecendo. É tanto populismo rasteiro, tanta mentira, incompetência e roubalheira juntas que acabamos deixando de lado as sutilezas da boa retórica em nome do combate ao mal maior. Nesse processo, perdemos oportunidades de manter e reforçar o objetivo último pelo qual tantos de nós passam horas lendo, escrevendo e debatendo política: a busca pela verdade.
A verdade não é o fim da história, a soma de todas as partes ou um ponto fixo num mapa. É o resultado de um processo de afirmações e questionamentos entre pessoas de boa fé e idéias concebidas a partir do contato franco e destemido com a realidade. Quando o contexto é favorável, a verdade manifesta-se em toda sua complexidade e diversidade; entretanto, quando um grupo formado em torno de mentiras ocupa espaços sociais e chega ao poder, a verdade entricheira-se, simplifica-se em nome da clareza e da diferenciação contra a mentira que, por dominante, pretende-se passar por verdade.
O combate às mentiras, quando dominantes, não prima pela sutileza. É um embate duro, seco e, às vezes, maniqueísta. Como as frentes são muitas, os recursos e o tempo, escassos, não sobra muito tempo para o bom debate com pessoas de visões diferentes, mas imbuídas da mesma boa fé e intenção de falar e ouvir a verdade, ainda que ela não soe agradável.
Discussões assim precisam voltar a ocorrer no país, em nome de nossa sanidade mental e social. Um dia, o petismo será apeado do poder, e isso será apenas o início de um longo trabalho pela reconstrução da normalidade política, institucional e moral do país. Quanto antes as retomarmos, melhor preparados estaremos para esta árdua tarefa quando este momento chegar.
Esta longa introdução deve-se ao fato do autor do artigo objeto de minha análise ser um dos resistentes a combater o atual estado de coisas. Leandro Narloch e seus livros “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, “Guia Politicamente Incorreto da América Latina” e “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo” contribuíram muito para incluir outras pautas e repertórios no debate político, num momento em que a hegemonia petista parecia ser quase um fato da natureza.
Esta semana, porém, Narloch derrapou feio em seu artigo “Bipolaridade Intelectual”, onde ele elenca situações que considera contraditórias, misturando alhos com bugalhos em nome de um pretenso distanciamento crítico que, quando olhado com mais calma, mostra apenas que boa parte das mentiras contadas pela esquerda encontra espaço, por caminhos sinuosos, até mesmo nos argumentos de quem pretende ser-lhe contraponto, levando-o a dizer que a “bipolaridade intelectual” encontra-se à direita e à esquerda mas, quando os exemplos são analisados, vemos que menção à direita é puro pedágio ideológico.
Vamos ao texto.

A bipolaridade intelectual é o distúrbio que mais ataca jornalistas, colunistas, sociólogos e palpiteiros tanto da esquerda quanto da direita. Num dia o camarada diz morrer por um princípio, no dia seguinte rejeita a ideia e ainda despreza quem a defende. Sua avaliação sobre o que é correto ou moral é imprevisível, varia conforme a pessoa ou o partido que praticou a ação. Eis alguns exemplos atualizados da bipolaridade intelectual:
Narloch demonstra ter um propósito ousado: apontar contradições principiológicas à esquerda e à direita, para concluir que ideologias, no Brasil, nada mais são que cortinas de fumaça utilizadas por pessoas e partidos para defender seus interesses. Espera-se desse prenúncio a demonstração de contradições graves, relevantes, que ajudem a colocar em xeque posicionamentos de governantes e oposicionistas.
Infelizmente, não é o que ele entrega, pelo menos quando as contradições estão à direita.
Terceirização de funcionários: “grande ameaça às conquistas dos trabalhadores”.
Terceirização de médicos cubanos: “grande conquista da medicina brasileira”.
Logo no primeiro exemplo, Leandro Narloch se vale do eufemismo “terceirização” para tornar equivalente a discussão do PL 4330 (que regulamenta a terceirização de mão de obra no país) com a nebulosa contratação de médicos cubanos feita pelo governo federal. Uma negociação obscura através de organismo internacional e cheia de condicionantes autoritárias para os contratados, como obrigação de passar as férias no país de origem, retenção de mais da metade do salário em benefício do governo de Cuba, além das intimidações e ameaças amiúde relatadas na imprensa àqueles que ousam questionar as regras do contrato ou dão indícios de que podem abandonar o programa e pedir asilo nos EUA.
A esquerda agradece por tamanha imoralidade, de caráter quase escravocrata, ser caracterizada como “terceirização”.
A contradição da esquerda, aqui, é muito maior e mais grave do que a apontada.
Ajuste fiscal de FHC: “fora tucanos neoliberais!”.
Ajuste fiscal de Dilma: “é preciso ter maturidade e entender a importância do equilíbrio das contas públicas”.
Mais uma contradição da turma da esquerda. Sem ressalvas a esta parte do texto.
Imprensa descobre que Fernando Gouveia, dono de um blog contra o PT, tem uma empresa que presta serviços ao governo de SP no valor de R$ 70 mil mensais:
– Eis um claro exemplo de conflito ético!
Imprensa descobre que Leonardo Sakamoto, dono de um blog a favor do PT, tem uma ONG que presta serviços à Secretaria de Direitos Humanos no valor de R$ 546 mil por ano:
– Eis um exemplo de uma pessoa ética!
Um dos assuntos da semana, também envolvendo a Reaçonaria. Novamente o autor, ao apontar uma contradição da esquerda, confunde seus leitores ao igualar prestação de serviços e convênios. No caso da empresa do Fernando Gouveia (@gravz , para os tuiteiros), ali de fato há um contrato de prestação de serviços, com objeto e resultados bem definidos. O serviço prestado é ideologicamente neutro, ou seja, deveria ser prestado independente do governo de plantão
Já no caso da ONG de Sakamoto, os recursos foram recebidos através de convênio, que é bem diferente de um contrato de prestação de serviços. Enquanto no contrato há prestação e contraprestação, no convênio o que há é conjugação de esforços em torno de objetivo comum, conforme definição consagrada na doutrina jurídica.
A ONG de Sakamoto foi agraciada, sem licitação, por comungar das mesmas idéias e valores do governo de plantão. A empresa de Fernando foi contratada, através de licitação, para prestar serviços de interesse do governo, que deveriam ser executados independente das idéias e valores do governante..
O fato de Fernando ser anti petista não guarda relação com o objeto do seu contrato; Sakamoto ser um notório esquerdista foi determinante para que sua ONG fosse considerada apta a “conjugar esforços” com o governo petista.
Para Narloch, são situações absolutamente comparáveis. O petismo, novamente, agradece o favor involuntário, pois a contradição é de outra natureza.
Blogueiro conservador, sobre armas: “Contra o estado-babá! O cidadão deve assumir a responsabilidade por suas ações”.
Blogueiro conservador, sobre maconha: “A favor do estado-babá! As pessoas não sabem o que fazem”.
Aqui temos a primeira praça de cobrança do pedágio ideológico. Narloch escolhe pagar através da “falácia do espantalho”.
Já vi frases muito próximas à citada por Narloch em textos conservadores sobre armas. Já a frase sobre maconha é fruto exclusivo da imaginação do autor. Não conheço ninguém, seja defensor ou não da descriminalização da maconha, que tenha dito tamanha bobagem no debate sobre o tema.
O que há, sim, é uma defesa clara, veemente e sem subterfúgios, por parte dos conservadores, da manutenção da ilicitude da maconha, seja para consumo, seja para comércio, não porque são adoradores da regulação estatal ou do “estado-babá”, como jocosamente menciona o autor, e sim porque entendem que este é um limite comportamental que não deve ser transposto para a legalidade.
Pode-se questionar a validade moral ou pragmática deste posicionamento, mas situá-lo no campo da apologia à tutela estatal é desonestidade intelectual pura e simples. A contradição apontada é apenas um espantalho para incluir os conservadores no texto. A realidade mostra que não há a contradição apontada.
Feminista, sobre aborto: “As mulheres têm direito de decidir interromper a gravidez”.
Feminista, sobre cesáreas: “As mulheres não têm direito de optar pela cesárea”.
A comparação entre aborto e cesárea já é, por si, imoral. Utilizá-la para apontar qualquer contradição que seja só serve para dar ao aborto um caráter de normalidade que ele só tem na mente de psicopatas.
O que o autor pretende apontar como contradição, na verdade é complemento. As feministas que defendem a atrocidade de que o aborto é um direito são as mesmas que querem impor regras as mais severas às mulheres que, em busca de conforto físico ou minimização de riscos, para si ou para seus filhos, optam pela cesárea.
A apologia do aborto e a condenação das cesáreas são fruto da mesma origem: uma raiva difusa e inconfessa do amor à vida e à plena fruição da maternidade pelas mulheres.
Apontar contradições nestes dois comportamentos é um jeito torto de dizer que abortar é um direito.
Novamente, a verdadeira contradição da esquerda aqui é de outra natureza. Da forma como foi apontada, é apenas mais um favor à agenda esquerdista.
Jean Wyllys, sobre casamento gay: “O estado não deve se meter na vida privada dos cidadãos”.
Jean Wyllys, sobre economia: “O estado deve se meter na vida privada dos cidadãos”.
Jean Wyllys é auto-explicável e irrelevante. Sua menção no artigo só mostra a pobreza da matéria-prima que o compõe.
Adolescentes ricos ateiam fogo em índio em Brasília: “prisão perpétua para esses playboys!”.
Adolescentes pobres ateiam fogo em traficante rival: “redução da maioridade penal é fascismo”.
No caso do índio de Brasília, que ocorreu em 1997, apenas um dos jovens era menor de idade. Utilizar um caso antigo e factualmente inconsistente, além de mitigar a contradição do discurso da esquerda nesse tema, ainda dá uma piscadela para o discurso de luta de classes. Uma comparação mais atual e exata seria entre a posição da esquerda em relação à redução da maioridade penal “versus” a posição em relação à criminalização da homofobia.
Pobreza na África: “a culpa é do comércio internacional, principalmente com os Estados Unidos”.
Pobreza em Cuba: “a culpa é da proibição do comércio com os Estados Unidos”.
Mais uma contradição do discurso de esquerda conta a qual não há ressalvas.
Independência da Palestina: “é preciso respeitar o princípio da autodeterminação dos povos”.
Independência das Falklands: “As Malvinas sempre foram argentinas”.
Alguém discute a independência das Falklands? Por que esse tópico está aqui? Era para ser uma contradição da direita?
Mesmo num texto quase todo errado, esta última comparação soa estranha em demasia.
Vemos, portanto, que Leandro Narloch logra êxito em seus objetivos, ainda que parcialmente, quando as contradições apontadas são “de esquerda”. E por que a menção de contradições “tanto à esquerda quanto à direita”, logo no início do texto, se no campo da direita os exemplos e argumentos são tão inconsistentes? Não ouso especular as motivações, principalmente porque não considero o autor um picareta, ao contrário.
Apenas resolvi apontar esta modalidade sutil de isentismo para dizer (inclusive para mim mesmo) que este é um vício de pensamento que, de tanto ser-nos exposto como algo bom, pode ser cometido por qualquer um de nós.

26 de junho de 2015
in penso estranho

IMBECILIDADE


Señor Cabello, um dos bambambãs da hierarquia política venezuelana, esteve de visita ao Brasil dez dias atrás. Foi acolhido pelo Lula – chegaram a posar juntos, sorridentes, em fotos que saíram em todos os jornais. Embora a visita não tivesse caráter oficial, o estrangeiro foi assim mesmo recebido pela presidente da República. Dona Dilma abriu um espaço na agenda para honrar o ilustre braço direito do bondoso companheiro Maduro.
Agência Xinhua, China
Agência Xinhua, China
Oito senadores de nossa República embarcaram em avião da Força Aérea Brasileira para visitar presos políticos na Venezuela. Foram recebidos a pedradas por milicianos, convenientemente vestidos de vermelho, a soldo do governo do país hermano. A visita teve de ser interrompida.
Quando incapazes assumem funções de governo, tudo pode acontecer. É o que se tem verificado no Brasil e, em grau mais elevado, na sofrida Venezuela. Temendo que a visita de parlamentares estrangeiros pudesse servir de amplificador para o drama dos presos políticos, os brutamontes aboletados no Palacio Miraflores, de Caracas, raciocinaram de modo primitivo: sabotaram a visita.
Venezuela 2O tiro saiu pela culatra. Deu tudo errado. Tivessem os senadores visitado os presos, a notícia sairia na segunda página de jornais brasileiros. E mais nada. A ação de brucutu das autoridades venezuelanas fez o efeito exatamente oposto.
Jornais, rádios, tevês, portais, blogues do mundo inteiro repercutiram a notícia. Se alguém não sabia que houvesse presos políticos naquele país, agora sabe. Mais ainda: meteram dona Dilma numa saia justa ainda mais apertada do que a que ela anda vestindo. Um desastre.
É nisso que dá confiar responsabilidade a imbecis. Aqui está um florilégio do eco planetário suscitado pelas mazelas de um país atrasado.
The San Diego Union Tribune (EUA)
«Brazilian senators fail to meet with Venezuela opposition»
Agência Reuters (internacional)
«Venezuela gives landing permission for Brazil senators»
26 de junho de 2015
José Horta Manzano