"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 19 de outubro de 2013

MÍOPE OU EMPULHADOR? VOCÊ DECIDE.

           
          Artigos - Economia 
A população está endividada até a pleura, os grupos econômicos que se beneficiaram dos recursos liberados pelo BNDES estão falindo e as taxas de juros voltaram a aumentar, para combater a inflação que o próprio governo fomentou e todos agora estão sendo esfaqueados pelas costas pelo mesmo governo ao qual deram ouvidos.
 “Eles (os fantasmas) só vêem aquilo que querem ver”.O menino Cole Sear (Haley Joel Osment), ao fantasma do Dr. Malcom Crowe (Bruce Willis).
Nos últimos dias teve destaque na Folha de São Paulo um artigo da lavra de Marcos Gouvêa de Souza, intitulado “Miopia na Demonização do Consumo”.

Desconfio que o autor não mereça ser xingado de míope, haja vista ser administrador formado pela Fundação Getulio Vargas e bacharel em propaganda e marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), bem como também é conselheiro do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo). O que merece, sim, é ser acusado de enganador, pois parece nítido o seu intento de confundir os leitores.


Em todo o seu texto, de alma translucidamente keynesiana, vislumbram-se escapadelas aqui e ali, a louvar a política fascista que o PT tem implementado desde que chegou ao poder. Lembrando sempre, não uso o termo fascista aqui como o xingamento esvaziado de sentido que os próprios petistas e esquerdistas atiram aos seus inimigos por qualquer motivo (ou mesmo para nenhum), mas sim o uso em sentido próprio e estrito, para caracterizar um governo extremamente intervencionista e particularista, que transforma a atividade privada em mais um braço do seu poder.

Não é do meu gosto fazer comentários sobre cada parágrafo, tão conhecidos como “vermelho e azul”, mas para este caso não vejo uma alternativa melhor. Então vamos lá:
Grassa na mídia e em ambientes governamentais a ideia de que o estímulo ao consumo já cumpriu seu papel na recuperação econômica do país e que o foco deveria agora ser direcionado para investimentos em infraestrutura.
Como se essas frentes fossem incompatíveis entre si e os recursos para uma inviabilizassem apoio para a outra. Nada mais equivocado e pueril, não fosse incoerente.


Não sei de onde ele tirou tais conclusões. Não é que o estímulo ao consumo já fez a sua parte: na verdade, a política de estímulo ao consumo jamais foi virtuosa, e é isto o que está começando a se percebido pela mídia, que tem ecoado timidamente a crítica que os liberais austríacos fazem ao consumo artificialmente induzido pelo governo.

Ao incitar o consumo para as áreas que o próprio governo estimula, ele provoca distorções nas decisões individuais de todos os cidadãos, que em outra situação poderiam aplicar o seu dinheiro em outras áreas por eles consideradas mais urgentes e necessárias.

Como diz o filósofo Hans Hermann-Hoppe, a principal característica de sociedades sob forte dirigismo estatal é produzirem lápis em superabundância, enquanto falta papel, ou proporcionar uma profusão de molhos de tomate, enquanto falta macarrão.

Explicando, o que ocorre é que deixa de haver o balanço natural das necessidades que a população sente e que informa a demanda para o setor produtivo, acarretando desta forma uma má aplicação de recursos, cujos desperdícios trazem como conseqüência um empobrecimento que pode ser relativo (o país cresce menos do que poderia) ou até mesmo absoluto (o país começa a encolher).
Quantas pessoas deixaram de investir em si mesmas, por exemplo, por inscrever-se em um curso que futuramente poderia render-lhes melhores posições no mercado de trabalho, ou por realizar melhorias em seu estabelecimento comercial, para comprar automóveis, eletrodomésticos, computadores e tablets que o governo as estimulou a adquirir?

Quanto à falta de investimentos em infraestrutura, os austríacos defendem, a priori, que deveriam ser produzidos pela iniciativa privada em um ambiente isonômico, mediante regras claras e estáveis de mercado, com amplo respeito ao princípio da propriedade privada e livres da intervencionice estatal.

No entanto, considerando que o estado toma para si tal incumbência e não o faz, nós sentimos isto diretamente no bolso ao pagarmos pelas péssimas vias de escoamento da produção, bem como pela energia elétrica, gasolina e telefonia das mais caras e vagabundas do mundo.
Ora, deixar de investir em infraestrutura é sim, incoerente com o estímulo à compra de automóveis e geladeiras, se os investimentos nestes últimos bens emperram e encarecem a produção dos primeiros, ou não?

Em frente:

O que foi direcionado para o estímulo ao consumo nos últimos anos restringiu-se a alguma forma de desoneração do IPI para certas categorias e produtos e mais algum esforço dirigido para a desoneração da folha de pagamento de alguns segmentos empresariais, que transcendem ao âmbito do consumo.

Já comentei acima sobre os malefícios do particularismo tributário, ferindo a igualdade de oportunidades aos agentes de mercado e confundindo as decisões dos cidadãos. Todavia, ainda não toquei no lado mais perverso desta história, porque os malefícios não se restringiram aos erros de tomadas de decisão em consumo e produção.

No parágrafo acima transposto, o autor omitiu uma importante parte da política estatal petista de estímulo ao consumo, qual seja, a baixa forçada de juros e a expansão monetária turbinada pela distribuição de montantes colossais de recursos para empréstimos a pessoas físicas, para consumir, e para pessoas jurídicas, para produzir e vender aos consumidores que tomaram os respectivos empréstimos.

Atualmente, a população está endividada até a pleura, os grupos econômicos que se beneficiaram dos recursos liberados pelo BNDES estão falindo e as taxas de juros voltaram a aumentar, para combater a inflação que o próprio governo fomentou e todos agora estão sendo esfaqueados pelas costas pelo mesmo governo ao qual deram ouvidos.

Adiante:
De fato, o que conspirou a favor do aumento do consumo foi uma conjunção virtuosa do crescimento da renda real das famílias, com melhoria do nível de emprego formal, e do incremento da oferta de crédito e a elevação do nível de confiança do consumidor.

Esses elementos proporcionaram forte expansão das vendas do varejo em todo o país e criaram uma nova realidade social e econômica, sem que o governo fosse obrigado a fazer nenhum estímulo adicional.

No período de 2004 a 2012, vivemos uma profunda transformação estrutural do perfil de consumo. Perto de 40 milhões de brasileiros chegaram ao mercado, que se interiorizou e expandiu, gerando novas demandas por bens e serviços. Esse cenário permitiu o crescimento das vendas de varejo muito acima da evolução do PIB.


Como tenho explicado aos meus leitores, existe uma diferença profunda entre “gerar empregos” e “gastar empregos”. Afora alguma parte da economia brasileira ter se desenvolvido apesar do governo e não graças a ele, uma expressiva parcela de brasileiros têm conquistado o ingresso no mercado formal de trabalho por meio do concurso público ou nas milhares de ONG’s mata-tetas estatais ou mesmo em ramos da indústria privada beneficiada com a demanda artificial criada pelo governo. Ocorre que tais empregos foram gerados tais como um motor de arranque a girar um motor de um carro sem gasolina: quando acabar a bateria, o motor pára.

Isto entendido, compreende-se o quão temerosa e precária é a ufanização de um quadro estático de aquecimento da economia causado por cidadãos que estão sacrificando o futuro em prol do consumo presente, uma vez que as perspectivas de renda futuras estão seriamente comprometidas.

O investimento direto do governo para isso acontecer foi mínimo, e foi ele próprio o maior beneficiário. O aumento da arrecadação tributária advinda da formalização de negócios fez com que o crescimento da receita de impostos superasse, por larga margem, a expansão da economia.

Aí está uma afirmação passível de ampla discussão. Até quando a derrama estatal prosseguirá antes de asfixiar de vez o setor econômico? É certo que as receitas federais têm aumentado, porém em grande parte isto se deve a métodos de fiscalização e arrecadação mais eficientes. Ademais, mesmo os sucessivos recordes de arrecadação não têm sido capazes de aplacar a sanha consumista do maior gastador do país: o próprio estado. Vale aqui lembrar o então presidente Lula, a afirmar que seu conceito de desenvolvimento era gastar mais e aparelhar mais o estado com servidores concursados e nomeados em cargos de comissão.
Mas, nos últimos meses, tem havido forte pressão no sentido de que a prioridade do governo deveria ser redirecionada para investimentos em infraestrutura. Eles são absolutamente necessários levando-se em conta as carências contatadas no país, mas não deveriam pressupor a redução da atenção à ampliação e à melhoria do consumo.

Há espaço ainda para o aprofundamento do consumo, medido pela carência de produtos e serviços demandados pela população.

A penetração de alguns produtos nos domicílios brasileiros, segundo os dados da PNAD, do IBGE, mostra que, no período de 2001 a 2011, a presença de fogões cresceu de 97,8% para 98,6%. A de TV aumentou de 82,8% para 96,9%. As geladeiras avançaram de 84,4% para 95,8%. Em filtros de água, chegamos, em 2011, apenas a 53,2%, e em freezers a 16,4%. Se pensarmos em máquinas automáticas de lavar roupa, item relevante para a mulher que trabalha fora de casa, a penetração avançou de 32,9% para 50,9%.

E a obsolescência dos eletrodomésticos e dos produtos eletrônicos cria um mercado em constante renovação. O desejo de evolução e melhoria contínua é a essência do capitalismo e alimenta o desenvolvimento econômico, em especial num país como o Brasil, com uma população jovem, com idade média inferior a 30 anos.

Não devemos transigir na atenção que o consumo merece em um momento em que o aumento do emprego formal perde seu vigor, a expansão da renda real é menor, a oferta do crédito está mais limitada pela cautela do sistema financeiro privado e o nível de confiança do consumidor tem baixado desde o primeiro semestre de 2012, criando um indesejável cenário de tendência à contenção de gastos.

O país precisa de crescente atenção com sua debilitada infraestrutura, e qualquer pessoa de bom senso reconhece isso. Porém, fazê-lo à custa de uma redução de atenção e apoio à expansão do consumo é absoluta miopia.


Nos parágrafos acima, o Dr. Marcos Gouvêa de Souza repete um pouco do que já disse e termina erguendo uma prece ao santo do pau oco John Maynard Keynes para que se repitam os mesmos erros que têm causado a estagnação e a inflação que já estão grassando no país. Lastimável. Então, o sujeito é míope ou um empulhador?


19 de outubro de 2013
Klauber Cristofen Pires  

A HORA E A VEZ DA RUPTURA SISTÊMICA

           
          Artigos - Movimento Revolucionário 
Você pode dizer que eles nunca conseguirão dar um golpe de estado, mas é o que eles pregam, é o que sonham, e isso deveria levantar algumas questões sobre a adequação deste partido e de outros com as mesmas idéias no jogo democrático que eles claramente desprezam.
O moleque fedorendo e barbudo de ontem é o Caetano vestido de Black Bloc e o Chico Buarque defendendo a censura de hoje.

Como é impossível entender o que se passa no país dos Black Blocs através dos filtros da grande imprensa, é importante recorrer a fontes primárias como esse 
vídeo divulgado em 13 de junho pelo “Juntos”, o braço do PSOL que vai para as manifestações vestido de amarelo.
É muito importante que a opinião pública entenda quem são essas pessoas que tomaram conta das ruas do Brasil, essa gente produzida aos milhares pelas universidades sustentadas com seu dinheiro. Não espere que produzam um prêmio Nobel, elas têm mais o que fazer.
 
Um dos psolentos do vídeo fala que é do “tribunal popular”, seja lá o que isso signifique, mas quem é minimamente alfabetizado e já estudou Revolução Francesa sabe que o termo não traz boas lembranças. Um outro está vestindo uma camisa com uma imagem de Lênin, o idealista que montou o regime responsável pela morte 30 milhões de pessoas do próprio povo e por 18 milhões enviados para campos de trabalho escravo.
O leninista diz que vivemos um “prelúdio de um novo tempo, o tempo de rua”. O dia 13 de junho, data em que o vídeo foi postado, é exatamente aquela quinta-feira em que o caldo entornou em São Paulo e a jornalista da Folha foi atingida no olho por uma bala de borracha.
Tribunal popular
Você acha, sinceramente, que vai sentar com uma pessoa dessas e ter uma conversa racional sobre política? Você acha que é uma batalha de argumentos, que é só segurar aumento de passagem de ônibus que eles vão trabalhar, estudar ou produzir alguma coisa para o país?
O discurso deles no vídeo segue uma cartilha, nada é gratuito ou por acaso, é tudo para, no limite, justificar o quebra-quebra e a “ruptura sistêmica”. Não acredita? Leia outra fonte primária: o programa oficial do PSOL, no próprio site do partido. Diz o texto: “a lógica egoísta e destrutiva da produção, condicionada exclusivamente ao lucro, ameaça a existência de qualquer forma de vida. Assim, a defesa do socialismo com liberdade e democracia (sic) deve ser encarada como uma perspectiva estratégica e de princípios. Não podemos prever as condições e circunstâncias que efetivarão uma ruptura sistêmica.”
Traduzindo:
- O capitalismo liberal para esses democratas ameaça a existência de qualquer forma de vida! Se você defende o sistema de livre mercado, você é um perigo para todas as espécies do planeta. Será essa a base da acusação no seu julgamento do tribunal popular? Se for, boa sorte para você.
- Eles não podem prever como se fará a derrubada do sistema atual, ou melhor, qualquer forma de ação revolucionária é aceitável para fazer a “ruptura sistêmica”. Isso não é uma teoria conspiratória, é o que defende o programa do partido do Jean Wyllys e do Marcelo Freixo. Nem o Hezbollah diria melhor.
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Você pode dizer que eles nunca conseguirão dar um golpe de estado, mas é o que eles pregam, é o que sonham, e isso deveria levantar algumas questões sobre a adequação deste partido e de outros com as mesmas idéias no jogo democrático que eles claramente desprezam.
O fato é que esse pessoal hoje sai das péssimas faculdades brasileiras e vai para Folha, para o Estadão ou para o UOL escrever as notícias que você lê, para ONGs e movimentos sociais que influenciam diretamente as políticas públicas, e enquanto esse ciclo vicioso não for quebrado só vai piorar. Há uma guerra ideológica que precisa ser enfrentada porque ameaça a democracia e se só um lado está jogando, o resultado final não pode ser surpresa. Acha exagero? Leia essa matéria do O GLOBO que mostra que o PSOL é o partido preferido dos jornalistas.
Jean-Wyllys-Quando eles passam dos 40 anos de idade, estes radicais vão dirigir as redações dos jornais, as áreas de humanas das universidades, os núcleos de conteúdo das TVs ou escrever roteiros de novelas, e são reverenciados e festejados pela cultura.
É o que vivemos hoje com a geração forjada nos anos 60/70 no Brasil. O moleque fedorendo e barbudo de ontem é o Caetano vestido de Black Bloc e o Chico Buarque defendendo a censura de hoje. O vídeo do PSOL não é caseiro, ele tem produção e edição profissional, custou dinheiro, tem alguém pagando isso e não é pouco. Esse pessoal não está para brincadeira, como você pode ver em qualquer manifestação. Eles querem ver o circo pegar fogo e estão contando com a conivência ou com a negligência dos palhaços e do respeitável público.
Se você der os ombros e esquecer o assunto, o assunto um dia vai lembrar de você. Como disse Churchill, “houve um momento em que um simples memorando teria impedido Hitler.” Os problemas não somem porque são ignorados, você descobre isso em algum momento da vida, de um jeito ou de outro.
Publicado na 
Reaçonaria.
19 de outubro de 2013
Alexandre Borges é diretor do Instituto Liberal.

JORNALISMO: UM OFÍCIO PERIGOSO NA AMÉRICA LATINA

                        
          Internacional - América Latina 
Os esforços de proteção não servirão de nada se não existe um dispositivo de luta contra a impunidade à altura da situação atual.
Ricardo Puentes Melo afirma que sua posição ideológica, as críticas ao presidente Santos e em particular a advertência de que as FARC atentariam contra o ex-presidente Álvaro Uribe, determinaram a retirada de sua proteção.

Investigar e informar não acarreta problemas a um jornalista em uma sociedade democrática, porém, quando ele precisa prealizar suas atividades sob um regime de forças ou em meio de grupos irregulares que dirimem suas diferenças por meio da violência extrema, o jornalismo torna-se um ofício particularmente perigoso. Sob essas circunstâncias, o exercício de informar está sujeito às limitações que impõem as diferentes fontes de poder que concorrem nessa sociedade, por isso quando os jornalistas transgridem os limites que os poderosos impõem, convertem-se para os depredadores no objetivo a destruir, sejam estes governos ou sicariatos.

Isto exemplifica as declarações do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP por sua sigla em espanhol), Jaime Mantilla, em Honduras, que manifestou que as ações do crime organizado, do narcotráfico, dos governos autoritários e da impunidade, são as maiores ameaças à liberdade de expressão na América Latina.


Mantilla acrescentou: “Agora mais do que nunca o narco-tráfico e o crime organizado atentam contra a liberdade de expressão, assassinando e ameaçando jornalistas”. 

Recentemente o diretor para as Américas de “Repórteres sem Fronteiras”, Benoit Hervieu, disse no Chile que a violência física contra os jornalistas e a elevada polarização política, são as principais ameaças para a liberdade de informação no hemisfério.

Segundo informes da Rede de Intercâmbio Internacional pela Liberdade de Expressão na América Latina e o Caribe, mais de 74 jornalistas foram assassinados no hemisfério entre 2010 e 2012; nesse período só em Honduras foram mortos 21 jornalistas, embora outras entidades afirmem que foram 35 as vítimas.


Repórteres sem Fronteiras destaca em um documento que no Brasil foram assassinados três jornalistas, na Guatemala outros dois, e no Haiti, México, Paraguai, Peru e Equador, foram registrados um assassinato por país só neste ano.


Situações extremas apresentaram-se no México. Desde o ano 2000 até o presente, foram assassinados 103 jornalistas. No Brasil, desde 1992 até os dias atuais, mataram, segundo o Comitê de Proteção aos Jornalistas, 27 comunicadores, onze dos quais foram mortos nos últimos três anos.


Na Colômbia, uma das mais sólidas democracias do continente mas agitada pelas narcoguerrilhas e outros grupos irregulares como os paramilitares, os jornalistas pagaram uma cota de sangue por defender seu direito de informar. Uma jornalista investigativa, Diana Calderón, reportou que entre 1993 e 2008, foram assassinados 1127 jornalistas, 57 dos quais estavam vinculados à prática profissional.


Outro informe do CPJ denunciou o assassinato de um vendedor de jornais de um diário colombiano e o crime de Edison Alberto Molina, um advogado e político que conduzia um programa no qual denunciava atos de corrupção governamental. Por sua parte, Repórteres sem Fronteiras solicitou ao governo colombiano proteção para Gonzalo Guillén, León Valencia e Ariel Ávila por planos de assassinatos contra eles, ao mesmo tempo em que demandava que se investigasse judicialmente a conspiração criminal da qual são vítimas os comunicadores.


Mais recentemente, o “Centro de Pensamento Primeiro Colômbia” avisou sobre o risco que poderia correr o diretor do portal Periodismo sin Fronteras, Ricardo Puentes Melo, após a decisão oficial de retirar-lhe o esquema de proteção designado pelo governo, uma vez que desde o ano de 2000 a Colômbia conta com um Programa de Proteção aos Jornalistas e Comunicadores Sociais.


De acordo como o Primeiro Colômbia, a organização que Pontes Melo dirige fez graves revelações da condução política do governo do presidente Juan Manuel Santos, e que por isso lhe retirou a proteção, situação que o diretor da Unidade Nacional de Proteção, Andrés Villamizar, nega, declarando que as medidas são retiradas quando os estudos de um comitê especializado assinalam que o risco desapareceu.


Entretanto, Puentes afirma que sua posição ideológica, as críticas ao presidente Santos e em particular a advertência de que as FARC atentariam contra o ex-presidente Álvaro Uribe, determinaram a retirada de sua proteção.


Jaime Mantilla, em sua condição de presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa afirma que os Estados Unidos são os responsáveis por garantir a segurança e a liberdade de expressão, porém que muitos governos cumprem com suas atribuições constitucionais, enquanto Repórteres sem Fronteiras afirma que 
“os esforços de proteção não servirão de nada se não existe um dispositivo de luta contra a impunidade à altura da situação atual”, e lembra que “nos últimos tempos multiplicaram-se as ameaças, os ataques e os atentados contra os jornalistas, e também contra defensores dos direitos humanos, representantes sindicais e ativistas das comunidades”.
 
O que foi dito acima leva a uma conclusão: nossas liberdades e direitos estão em perigo até nas democracias. O que vamos fazer? 

19 de outubro de 2013

Pedro Corzo              
Tradução: Graça Salgueiro

INVASÃO DE PRIVACIDADE? ONDE?

Não passa dia sem que alguém se queixe da invasão de privacidade das ditas redes sociais e, particularmente, do Google. Escreve Joe Nocera, no New York Times:

“Graças a Edward Snowden, sabemos que a Agência Nacional de Segurança (NSA) tem capacidade para ler nossos e-mails e ouvir nossos telefonemas. Google nos exibe anúncios com base nas palavras que usamos e em nossas contas do Gmail. Na semana passada, o Facebook, que tem, no conceito orwelliano, um diretor executivo de privacidade - eliminou uma ferramenta de confidencialidade para que qualquer usuário da rede social possa buscar qualquer outro usuário. No dia seguinte, Google anunciou um plano que lhe permitirá utilizar palavras e imagens dos usuários em anúncios de produtos que eles apreciam - informações que Google conhece porque, bem, Google sabe tudo”.

Tais temores, a meu ver, são preocupações de quem quer posar de defensor da privacidade alheia. Se posto algo numa rede que é pública, é óbvio que quero que isto seja conhecido e divulgado. Por tais razões, posto estas crônicas no Facebook, e me sinto muito contente que elas possam ser acessadas pelo número máximo de pessoas. Se postamos fotos, é pela mesma razão. Claro que não vou postar fotos íntimas, aliás não tenho foto íntima alguma para postar. Jamais fotografei meus momentos de privacidade. Se alguém publica tais fotos nas redes públicas, é claro que deseja expô-las a todo mundo.

Nocera denuncia também o uso de imagens dos usuários em anúncios de produtos que eles apreciam.

Em maio do ano passado, as ações do Facebook estrearam na Nasdaq, bolsa de valores de empresas de tecnologia em Nova York, operando em alta. Minutos após a abertura dos negócios, os papéis, negociados com o símbolo FB, subiam 12%, a US$ 43 – o valor previsto inicialmente era de US$ 38. Houve um atraso de pouco mais de 30 minutos para o início das vendas dos papéis. Logo após a abertura, a companhia já era avaliada em US$ 117,82 bilhões.

Confesso que até hoje não entendi o fato de que o Facebook valha US$ 117,82 bilhões. Como pode valer tudo isso aquela pagininha onde posto estas crônicas e eventualmente converso com amigos? O valor do Facebook – me informam pessoas mais atiladas – está no volume imenso de informações que reúne sobre seus membros. Assim sendo, a publicidade pode ser dirigida a segmentos específicos, que tendem a interessar-se pelos produtos anunciados.

Que publicidade? – me pergunto. Nunca vi publicidade no Facebook. Perplexos, meus informantes sugeriram que eu dê uma olhadela na coluna à direita da página. Foi o que fiz. Para minha surpresa, lá estavam os anúncios.

Sou totalmente refratário ao mundo da publicidade. Abomino toda e qualquer propaganda. Tenho um olhar seletivo. Um jornal pode anunciar um produto qualquer em página inteira e eu não o enxergo. Aconteceu há alguns anos. Eu lia um jornal em um café e fui abordado por uma marqueteira. Queria saber se eu havia visto algum anúncio das casas Bahia. Respondi que não. Ela pegou o jornal e mostrou-me. Havia seis anúncios das tais de casas, de página inteira e de meia página. Eu não havia visto nenhum.

Se disser que jamais comprei algo em função da publicidade, acho que não estou afirmando uma inverdade. Tenho, obviamente, eletrodomésticos em casa. Mas porque necessários. Se alguém me perguntar qual a marca de qualquer apetrecho que tenho na cozinha, vou ter de ir lá e conferir.

Ao descobrir – ó milagre! – que havia propaganda no lado direito da página, passei a lê-la, questão de curiosidade. Pelo jeito, o Zuckerberg não reuniu suficientes informações a meu respeito. Nada do que me oferece me interessa. Me sugere viagens. Mas para mim não adianta sugerir viagens, sou eu que decido viajar, como viajar e para onde viajar. Me oferece gadgets eletrônicos. Merci de tout, o que tenho em casa já me basta. Até que ando vagamente tentado por um desses objetos de desejo, os smartphones, mas até agora não consegui descobrir para que me serviriam.

Carros? Não me interessam. Nenhum de meus ancestrais teve carro, e não pretendo romper com a tradição. Cursos? Não tenho mais idade para cursos e adoro o autodidatismo. Isso sem falar que estou sempre cursando alguma disciplina, entre minhas quatro paredes. Disfunção erétil? Quando chegar a hora, procuro um médico. Planos de saúde? Se nesta altura da vida não tivesse um, talvez não estivesse escrevendo aqui.

Jamais comprei algo em função da publicidade e não seria agora que compraria em função do Facebook. Nos bilhões que vale o Facebook na bolsa não há um centavo sequer de meu bolso. A fortuna de Zuckerberg, a meu ver, depende da humana indigência.

Outro dia, até que o Facebook ofereceu algo que poderia interessar-me, o Anti-Celso, de Orígenes. Mas assim também não vale. Eu havia divulgado o livro em meu blog.

Nunca falta, em tais denúncias, paralelos ao 1984, de Orwell. Não são pertinentes. Na distopia orwelliana, os cidadãos são controlados para a manutenção do poder de uma casta dirigente. No Facebook, se são utilizados, o intuito é publicitário. Se gosto de um produto e declaro isso publicamente, é porque o recomendo. É o que faço com livros, filmes e óperas que me fascinam. Publicidade é a essência do capitalismo. Ou alguém acha que vivemos em um sistema socialista?

Denunciar invasão de privacidade no Google ou Facebook é falta de assunto. Quem vai à chuva é para se molhar. Se você expõe publicamente seus dados, seus amigos, sua vida sexual, não pode queixar-se de que tais dados sejam vistos por qualquer um. Se a NSA, ou qualquer agência de informação, quiser ler meus e-mails ou ouvir meus telefonemas, que estejam a gosto. Desde que não mexam em minhas senhas bancárias, nada tenho a objetar.

De minha parte, há muitas relações em minha vida que não torno públicas para não invadir a privacidade de terceiros. Se as exponho, é porque tenho permissão de expô-las. Em vez de temer o Facebook, sou muito grato, pois graças a esta rede reencontrei amigos de minha infância e até parentes extraviados pelo vasto mundo.

A denúncia de Nocera é denúncia vazia de um neoludita, que parece não ter entendido o mundo em que vive. Ou que julga que cada cidadão não tem capacidade de defender-se da publicidade. É imenso o número de pessoas que dela não consegue escapar. Mas isto não é culpa das redes sociais. Depende do bestunto de cada um.


19 de outubro de 2013
janer cristaldo
 

MONUMENTO ANTERIOR AOS VIKINGS É DESCOBERTO EM OBRA DE TREM NA SUÉCIA

 

Escavação encontra monumento anterior à era viking na Suécia

Os arqueólogos encontraram também ossos de cavalos, vacas, porcos e de outros filhotes nos buracos dos pilares,indicando que animais eram sacrificados ali Swedish National Heritage Board/AFP
 
Arqueólogos suecos anunciaram nesta sexta-feira (18) a descoberta do maior monumento da Idade do Ferro do país, na região do Velho Upsal, anterior à era viking.
 
Os pesquisadores se preparavam para escavar o solo para a construção de uma nova linha de trem, 70 km ao Norte de Estocolmo, quando se depararam com duas fileiras de pilares de madeira.
 
Lena Borenius-Joerpeland, arqueóloga do Conselho Nacional Sueco do Patrimônio, indicou que o monumento, perto de uma necrópole da Idade do Ferro escandinava, parece remontar ao século 5. 
 
A maior das duas fileiras tem um quilômetro de extensão e conta com 144 pilares. A outra tem a metade disso. "Os pilares eram altos, talvez medindo entre oito e dez metros", explicou Lena.
 
"Eram vistos a uma grande distância e, provavelmente, marcavam o acesso ao Velho Upsal", prosseguiu. "Poderia se tratar de uma demarcação territorial ou religiosa", acrescentou.
 
Hoje só se encontram conservados alguns restos de pilares, e os buracos nos quais eles estavam colocados. Na Idade do Ferro na Escandinávia, o Velho Upsal era um importante centro de comércio, religião, artesanato e administração judicial.
 
Os arqueólogos encontraram também ossos de cavalos, vacas e porcos nos buracos dos pilares: provas, segundo eles, de que ali eram sacrificados animais.
 
No entanto, quem ergueu o monumento e com que propósito permanece um mistério. "Poderia ser um marco territorial ou uma demarcação religiosa", disse.

19 de outubro de 2013
Em Estocolmo

CHICO ERRA DE NOVO. AGORA DEVE DESCULPAS À FAMÍLIA DE SAMUEL WAINER

 
Chico Buarque rendeu-se aos fatos e pediu desculpas a Paulo César Araújo por ter afirmado que nunca vira de perto o biógrafo com quem conversou durante quatro horas. Mas aproveitou a retratação para deixar claro que continua decidido a combater o mau combate. O pretexto para o recomeço dos socos na verdade e pontapés na sensatez foi a inclusão num dos livros de Araújo do trecho de uma entrevista concedida por Chico ao jornal Última Hora. Confiram a versão do grande compositor:
 
“Eu não falaria  com a Última Hora de 1970, que era um jornal policial supostamente ligado a esquadrões da morte. Eu não daria entrevista a um jornal desses, muito menos para criticar a postura política de Caetano e Gil, que estavam no exílio. Mas o biógrafo não hesitou em reproduzi-la em seu livro, sem se dar ao trabalho de conferi-la comigo. (…) Não, Paulo Cesar Araújo, eu não falava com repórteres da Última Hora em 1970. Para sua informação, a entrevista que dei ao Mario Prata em 1974 foi para a Última Hora de Samuel Wainer, então diretor de redação, que evidentemente nada tinha a ver com a Última Hora de 1970″.
 
Tinha tudo a ver, acaba de corrigir Lauro Jardim. Se tivesse lido (ou não tivesse lido e esquecido) Minha Razão de Viver, a autobiografia de Samuel Wainer que tive o privilégio de organizar e editar, Chico saberia que, em 1970, ainda pertencia a Wainer o jornal que fundou nos anos 50 e da empresa que venderia em abril de 1972. “Entre maio de 1973 e janeiro de 1975, numa comovente demonstração de humildade, ele foi redator-chefe da Última Hora paulista, então sob o controle do grupo Folhas”, informa a página 365. No artigo que assinou no Globo, Chico também fez questão de registrar que só topou ser entrevistado em 1974 porque Wainer era o redator-chefe. Quatro anos antes, era mais que isso: era o dono da empresa e da marca Última Hora.
 
É possível que Araújo tenha confundido 1970 com 1974. Se é que errou a data, precisa corrigir um equívoco que não prejudica a reputação nem invade a privacidade de ninguém. Chico Buarque fez pior: confundiu a Última Hora com a Folha da Tarde, cuja direção manteve no começo dos anos 70 ligações promíscuas com torturadores a serviço do regime militar. Ao errar de jornal, acabou transformando um perseguido pela ditadura em comparsa de esquadrões da morte.
 
Chico Buarque deve mais que uma correção. Deve outro pedido de desculpas, agora endereçado aos familiares de Samuel Wainer. Talvez deva também prometer que jamais escreverá biografias.

19 de outubro de 2013
Augusto Nunes - Veja

BRASIL PODE PERDER ATÉ R$ 331 BILHÕES COM LIBRA - DIZ ILDO SAUER

 País pode perder até R$ 331 bilhões com Libra, diz ex-diretor da Petrobrás.  Ildo Sauer protocolou na Justiça ação contra o regime de partilha usado no leilão; segundo ele, modelo ameaça a soberania nacional e favorece a China

O ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás Ildo Sauer disse que a ação protocolada por ele e pelo advogado Fábio Konder Comparato mostra que há ilegalidades técnicas e ameaça à soberania nacional na realização do leilão de Libra, marcado para segunda-feira, 21. De acordo com ele, o modelo de partilha pode levar o governo a deixar de ganhar de R$ 176,8 bilhões a R$ 331,3 bilhões. Os cálculos estão no processo que pede a suspensão da disputa e leva em conta diferentes cenários com o preço do barril de petróleo entre US$ 60 e US$ 160.
 
Sauer afirmou que o modelo de Libra atende ao interesse da China de baratear o preço do petróleo no mercado internacional ao aumentar suas fontes do produto. O país asiático está muito próximo de se tornar o maior importador mundial de petróleo.
 
 
Para Sauer, o Brasil deveria adotar um modelo em que a Petrobrás seja a única sócia da exploração do pré-sal e, com isso, possa controlar a produção com o objetivo de manter o preço em patamares desejados. "É uma defesa de cartel mesmo, mas cartel de interesse do povo brasileiro", disse Sauer, ao ser questionado se o seu modelo não se assemelha às ações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). "Não há nada de ilegítimo nisso, só não pode haver cartel dentro do País", completou.
 
 
Ele defende um modelo em que a Petrobrás seja a única sócia mas que possa adotar parceiros estrangeiros para exploração, a quem caberia o financiamento da operação. "Converter o petróleo em dinheiro agora significa risco de ver o preço do produto diminuir, além do risco financeiro ao converter o petróleo em moeda estrangeira", declarou. "Me sinto mais seguro com o petróleo embaixo do mar", finalizou.
 
 
O ex-diretor, professor titular de energia e atual diretor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), afirmou também que é ilegal a realização do leilão em um momento em que a Petrobrás está "fragilizada" pela política do governo para combustíveis e "presa" ao seu plano de investimentos. "A Petrobrás tem capacidade técnica e demonstrou interesse em extrair o petróleo do pré-sal."
 
 
Ele disse estar confiante de que a Justiça vá aceitar o seu pedido e o de outras ações semelhantes. Sauer contou que ações estão sendo protocoladas em várias partes do País, entre eles os Estados de Paraná, Distrito Federal, Amapá e Rio de Janeiro. Sauer protocolou a ação na quinta-feira, 17, e falou com a imprensa na tarde desta sexta, 18.
 
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FABIANO MAISONNAVE - Folha de São Paulo
 
Ontem à noite, o ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras no governo Lula Ildo Sauer e o advogado Fábio Konder Comparato protocolaram na Justiça Federal, em São Paulo, uma ação popular pedindo a suspensão do primeiro leilão do pré-sal brasileiro, do campo de Libra, previsto para a próxima segunda-feira, 21.
 
De acordo com Sauer, atualmente professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, o leilão tem "ilegalidades flagrantes", sobre as quais não quis especificar, e contraria os interesses nacionais ao "seguir a política energética dos EUA e da China", para quem o objetivo é "a produção rápida para reduzir o preço".
 
Editoria de Arte/Folhapress
"Para um país que pretende ser exportador, como é o caso do Brasil, interessa controlar o ritmo da produção e manter o preço elevado", diz a introdução da ação popular.
 
Sauer e Comparato defendem que o campo de Libra seja repassado à Petrobras.
 
SEGURANÇA
A pedido do governo do Rio presidente Dilma Rousseff convocou o Exército, para garantir a realização do leilão na segunda.
 
A partir de domingo, 24h antes do leilão, parte do bairro da Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade, onde ocorrerá o leilão terá a segurança controlada por militares.
 
Petroleiros da Petrobras, que iniciaram nesta quinta uma greve por tempo indeterminado contra o leilão, prometem levar "pelo menos mil" pessoas para a porta do hotel para tentar impedir a venda.
 
 
 
 
 
A mobilização contará com 1.100 homens do Exército, das polícias Federal, Rodoviária Federal, da Força Nacional, além de agentes das polícias Civil e Militar do Rio. O planejamento será definido hoje e o efetivo ainda pode aumentar.
 
18 de outubro de 2013
Wladimir D'Andrade e Gabriela Vieira - Agência Estado

MINISTROS TÊM NO TCU OS SUPERSALÁRIOS QUE MANDARAM CORTAR NO PARLAMENTO

Há dois meses, Tribunal de Contas da União determinou que Senado e Câmara não paguem a servidores vencimentos acima do teto de R$ 28 mil, mas 4 membros da corte descumprem a regra

Responsáveis pelo corte de supersalários no Congresso, ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) acumulam rendimentos que extrapolam o teto constitucional, hoje fixado em R$ 28.059,29, e recebem até R$ 47 mil por mês. Ao menos quatro titulares da corte de contas se apoiam numa resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), válida para integrantes do Judiciário, e somam ao contracheque do tribunal as aposentadorias obtidas como congressistas.
 
Em decisões aprovadas nos últimos dois meses, os integrantes do TCU mandaram a Câmara e o Senado corrigirem suas folhas de pagamento e limitarem ao teto constitucional os salários de 1,5 mil servidores - o valor corresponde à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No TCU, cada um dos ministros recebe R$ 26.656,32 brutos hoje.
 
Valores. Levantamento feito pelo Estado nos portais de transparência do Congresso mostra que o presidente da corte, Augusto Nardes, recebeu em setembro mais R$ 11,5 mil como aposentado da Câmara, alcançando R$ 38,1 mil brutos por mês. Nardes foi um dos principais articuladores da decisão que cortou os salários no Congresso. No mês passado, após o TCU determinar ajustes na folha do Senado, classificou de injustas e inaceitáveis as diferenças salariais.
 
"O Brasil precisava acabar com os supersalários. Não podemos continuar com salários diferenciados, com pessoas ganhando salários de marajás e pessoas ganhando salário mínimo. Acho que o Senado e a Câmara estão entendendo que é hora de dar um basta pelas necessidades que temos", afirmou na ocasião o presidente.
 
Entre os integrantes da corte de contas, o maior rendimento é de José Múcio Monteiro, que acrescenta ao salário de ministro R$ 20,6 mil da aposentadoria de deputado. Os dois contracheques dele somam R$ 47,3 mil. Em seguida, aparece José Jorge, também egresso da Câmara, com rendimentos totais de R$ 46,6 mil. Já o ministro Valmir Campelo, que se aposentou como senador, recebeu no mês passado R$ 9,5 mil além do salário de ministro, totalizando um vencimento de R$ 36,2 mil.
 
Explicações. O TCU alega que os ministros do tribunal se enquadram numa exceção à regra geral que impede acumulações desse tipo. Em nota, o tribunal explicou que a Resolução 13 do CNJ, que disciplina o teto para a magistratura, exclui do limite constitucional "benefícios percebidos de planos de previdência instituídos por entidades fechadas, ainda que extintas".
 
As aposentadorias de ex-deputados e ex-senadores eram pagas até 1997 pelo Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC), considerada uma entidade fechada. Naquele ano, a instituição foi extinta e a União assumiu todas as suas obrigações. Na prática, os pagamentos saem hoje do mesmo cofre que paga os benefícios de qualquer cidadão brasileiro.
 
Ministros do TCU não são integrantes do Judiciário, mas a Constituição dá a eles as mesmas prerrogativas e vantagens de integrantes do Superior Tribunal de Justiça. Por esse motivo, eles se vinculam, com frequência, a normas do CNJ que asseguram vantagens à magistratura.
 
"Os magistrados do TCU estão amparados pelas disposições da resolução do CNJ e, portanto, os proventos por eles recebidos como ex-parlamentares não devem ser computados para fins de incidência do teto remuneratório", sustenta a assessoria do TCU, em nota.
 
Para Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil, organização criada para combater a corrupção, os titulares do TCU se valem de um "macete" para escapar do teto constitucional.
 
"É evidente que se trata de um subterfúgio para acumular os dois rendimentos. É uma situação que, ela própria, já privilegia os magistrados. Os ministros entram por um macete, como é típico", critica. "Estão recebendo acima do teto pelos cofres públicos e é isso o que interessa. No fim das contas, a determinação do teto está sendo descumprida", acrescenta.
 
A situação cria distinções até mesmo no plenário do tribunal. Aposentado como servidor pelo Senado, com remuneração bruta de R$ 44 mil, o ministro Raimundo Carreiro não pode, segundo o TCU, acumular o benefício ao salário recebido no tribunal, pois a Constituição veda a acumulação no seu caso.

19 de outubro de 2013
Erich Decat Fábio Fabrini - O Estado de S. Paulo

DILMA MANDA EXÉRCITO FAZER BLOQUEIOS JÁ NO DOMINGO PARA GARANTIR PRIVATIZAÇÃO



Bloqueios de segurança para o leilão do pré-sal começam na madrugada de domingo.  Esquema se estenderá até as 24 horas de segunda-feira. Cerca de 1.100 homens farão segurança do leilão do pré-sal


O Comando Militar do Leste informou nesta sexta-feira que haverá contenção no tráfego na região próxima ao Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, na operação que será realizada para garantir a realização do leilão do Campo de Libra. Em nota, pede para que os motoristas evitem passar na região. A ação terá início à zero hora de domingo e se estenderá até as 24 horas de segunda-feira.
“Informamos aos moradores da região, e à população em geral, que poderão ser estabelecidos postos de controle que somente permitirão acesso à área de pessoas cadastradas e de moradores que comprovem esta condição mediante apresentação de comprovante de residência. Trechos da praia poderão ser interditados, inclusive aos banhistas, diz a nota divulgada pelo Exército.
 
A área de atuação está delimitada pela Avenida Lúcio Costa, Avenida Érico Veríssimo, Avenida Armando Lombardi, Canal de Marapendi e Avenida Afonso Arinos de Melo Franco (Alameda das Palmeiras).
 
A ação envolverá 1.100 pessoas, entre militares e policiais federais, militares estaduais, policiais civis, guardas municipais e funcionários públicos.
 
A quatro dias do leilão de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) elevou em 40% a expectativa de produção do megacampo de petróleo. Magda Chambriard, diretora geral da agência, disse que Libra deve produzir em seu auge 1,4 milhão de barris de petróleo por dia.
 
A marca seria alcançada quinze anos após a assinatura do contrato. Anteriormente, a projeção oficial era de um milhão de barris diários. Especialistas do setor, no entanto, criticaram a estimativa às vésperas do evento. O secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME), Marco Antônio Almeida, disse esperar a formação de pelo menos um consórcio no certame, podendo chegar a quatro.

19 de outubro de 2013
O Globo

PRIVATIZAÇÃO DO CAMPO DE LIBRA PODE TER PARTICIPAÇÃO DE SÓ UM CONSÓRCIO

 
Único consórcio garantido até agora deve ser formado por cinco empresas, entre elas a Petrobrás e as petroleiras chinesas CNPC e CNOOC
 
Um grande consórcio, envolvendo a Petrobrás e duas empresas chinesas, está sendo formado para participar do leilão de Libra, a primeira licitação do pré-sal, marcada para segunda-feira. Até a noite desta sexta-feira, não estava claro se seria formado outro grupo para disputar o leilão.
 
O consórcio em formação nesta sexta contava com cinco empresas. Elas terão de pagar um bônus de assinatura de R$ 15 bilhões do prospecto de Libra, que, sozinho, pode quase dobrar as reservas de petróleo provadas do País.
 
As chinesas, grandes favoritas para entrar com força no maior leilão de uma área de petróleo já realizado no País, devem ter participação minoritária na disputa, segundo uma fonte envolvida nas negociações. A Petrobrás entrará com parcela significativa dentro do consórcio, acima dos 30% exigidos pela Lei de Partilha que se aplica à região do pré-sal. Terá ao seu lado duas chinesas (CNPC e CNOOC), uma das duas grandes empresas petroleiras privadas inscritas (possivelmente, a Total) e uma quinta empresa.
 
A oferta não ficaria muito acima do mínimo estabelecido pelo governo: pelo menos 41,65% da produção precisarão ser divididos com a União. Estão fora do consórcio da Petrobrás a Repsol/Sinopec (de origem espanhola e chinesa), a malaia Petronas e a japonesa Mitsui, segundo a fonte envolvida nas negociações.
 
As seis empresas que não estão com a Petrobrás, em tese, poderiam formar um segundo consórcio de até cinco componentes.
 
Bônus. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) havia defendido até junho um bônus de R$ 10 bilhões de forma a aumentar a concorrência. Mas o governo cravou os R$ 15 bilhões, que precisarão ser pagos à vista e ajudarão nas metas das contas públicas. Todo o processo foi acelerado de forma a viabilizar o pagamento ainda neste ano.
 
Das 40 empresas com capacidade de disputar, apenas 11 se inscreveram em setembro, a maioria estatal, sendo seis asiáticas. Gigantes privadas como Exxon, Chevron e BP ficaram de fora.
 
As regras do leilão que contribuíram para que as empresas privadas desistissem da disputa também desagradaram chineses. Não foi criticado o modelo em si, mas o bônus alto demais, além de detalhes como falta de correção monetária para os custos que poderão ser descontados antes de o óleo ser partilhado com a União.
 
Segundo a fonte envolvida nas negociações, a Mitsui estaria mais interessada na 12.ª Rodada de Licitações, voltada para campos em terra com o objetivo de desenvolver as reservas de gás convencional e não convencional.

19 de outubro de 2013
MSN Estadão

SEM TER O QUE MOSTRAR DILMA "DESRESPEITA" E "MENTE" PARA OS MINEIROS - AFIRMA AÉCIO NEVES


 
Em mais uma reação do senador Aécio Neves contra as investidas da presidente Dilma Rousseff em Minas Gerais, o PSDB mineiro anunciou que vai ao Ministério Público Federal com uma representação contra as propagandas do governo federal no Estado, comandando há 11 anos pelos tucanos.
 
Aécio usa a tática do "bateu-levou" e não dará trégua à presidente no seu reduto eleitoral. Em Minas Gerais, ele espera ter uma votação ampla em 2014 para tentar chegar ao segundo turno da disputa presidencial possivelmente contra a própria Dilma.
A representação dos tucanos poderá ser por improbidade e abordará até os pronunciamentos feitos por Dilma em cadeia nacional de rádio e TV, que os tucanos afirmam ter também objetivo "político-eleitoral".
 
A estratégia de Aécio contra a presidente inclui ainda as contestações dos temas regionais tratados por Dilma em discursos e em entrevistas a rádios locais nas suas cada vez mais constantes viagens. Cada fala da presidente é avaliada e contestada. A contestação da vez é por causa da ofensiva do governo federal, que, desde o mês passado, começou a exibir propagandas regionais que mostram ações da gestão Dilma em cada Estado. Afirma o PSDB-MG que o governo "está se apropriando indevidamente" das obras no Estado.
 
Dos cinco Estados escolhidos para a estreia das propagandas, três são governados pela oposição: Minas Gerais e Paraná, pelo PSDB, e Pernambuco, do agora opositor Eduardo Campos (PSB). Desses três, contudo, somente Minas decidiu contestar as propagandas.
 
O presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana, listou todas as obras propagandeadas pelo governo e disse que somente no caso do metrô o recurso é federal. Nos demais casos, disse ele, são empréstimos tomados pela Prefeitura de Belo Horizonte e pelo governo mineiro, que terão de ser pagos por eles. As obras contestadas são vias urbanas, terminais metropolitanos e os BRTs (transporte rápido por ônibus).
 
"Isso tudo é disfarçado, e o governo federal fala que está realizando, através do PAC. Exceto o metrô, não há um níquel, um real furado do governo federal", disse. Pestana disse que o caso envolve pode envolver "improbidade administrativa, uso dos recursos públicos para disputa política e abuso do poder político da Presidência da República".
 
Segundo ele, as propagandas estão "levando inverdades ao conhecimento da opinião pública e induzindo a leituras equivocadas e erradas, com o objetivo claramente político-eleitoral".
 
Nesta semana, Aécio já havia contestado o discurso de Dilma em Itajubá, no sul de Minas, dizendo que ela "abandonou Minas". Foi assim também em outras recentes viagens presidenciais ao Estado, quando Aécio disse que Dilma, sem ter o que mostrar, relança programas, "desrespeita" e "mente" para os mineiros.
 
in Blog do Coronel
 
19 de outubro de 2013
in aluizio amorim

AGITADORES COMUNISTAS INVADEM AGÊNCIA CONSULAR DOS EUA EM PORTO ALEGRE


 
       PICHAÇÕES E RASGAM A BANDEIRA AMERICANA.
Fotogramas da reportagem da RBS/TV via site G1 da Rede Globo mostrando a fachada da Agência Consular dos Estados Unidos e a prisão dos agitadores que realizaram pichações e rasgaram a bandeira americana.

Vídeo com a reportagem pode ser visto aqui
A agência consular dos Estados Unidos, localizada no shopping Boulevard, nas proximidades da Baltazar de Oliveira Garcia com a Assis Brasil, foi invadida por volta das 12h30 desta sexta-feira por oito integrantes da organização socialista A. Marighella. Após receber chamada pelo 190, a Brigada Militar foi ao local e prendeu o grupo. Havia dois menores.
 
Identificado com a causa socialista, o grupo realizou pichações com tintas verde e amarela, colou adesivos em vidros e paredes e rasgou a bandeira dos Estados Unidos. Havia uma funcionária no local. O grupo foi encaminhado para a 3ª DPPA.
 
Em sua página no Facebook, a entidade publicou uma Carta Aberta ao Povo Brasileiro, na qual se apresenta como organização patriota e revolucionária que desaprova a espionagem imperialista norte-americana, e é contra o leilão de Libra (pré-sal).
 
De acordo com um integrante do grupo que não participou do ato, a intenção era  protestar "contra a interferência dos Estados Unidos na economia do país".
Contatada pela reportagem, a agência consular americana em Porto Alegre não quis se manifestar.
 
 
18 de outubro de 2013
in aluizio amorim

SUPERFATURADA NOS CUSTOS E NAS MENTIRAS, TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO PROMETIDA POR LULA PARA 2012 AVANÇA SÓ 1% COM DILMA

             Sabe Deus quando ficará pronta!!!
 
 
 
O primeiro canal da transposição do rio São Francisco, que inicialmente seria inaugurado pelo ex-presidente Lula em 2010, avançou apenas 1% no último ano e não ficará pronto até o fim do governo Dilma Rousseff. O chamado eixo leste da transposição, iniciado por Lula em 2007 e que corta Pernambuco e Paraíba, somente deverá ficar pronto em dezembro de 2015, segundo a previsão oficial do governo.
 
Assim, se as obras de fato avançarem, caberá ao próximo presidente eleito cortar a fita dos dois canais que o governo promete levar água a 12 milhões de habitantes de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Além do eixo leste, há o eixo norte, que cruza Pernambuco, Ceará e Paraíba, cuja entrega também está prevista para o final de 2015.
 
Um dos carros-chefes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), vitrine de Dilma na campanha presidencial de 2010, a transposição do São Francisco deve ser um dos temas da disputa eleitoral do ano que vem.
 
PSB
 
Além de centralizar o discurso do Planalto nos investimentos no combate aos efeitos da seca nordestina, a maior em cinco décadas, a obra é de responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, comandado até o início do mês pelo PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato à Presidência em 2014. Com a decisão de entregar os cargos no governo federal, o ex-ministro da Integração Fernando Bezerra (PSB) saiu da pasta para se dedicar à candidatura de Campos ao Planalto. O próprio Bezerra, por sua vez, quer disputar o governo de Pernambuco.
 
Outro presidenciável, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), já colocou a obra na disputa pelo Planalto. Em setembro, o tucano foi à região do São Francisco, caminhou em trechos paralisados da obra e abordou o atraso em gravações do programa de seu partido. Disse, na ocasião, que Dilma deixará um "cemitério de obras inacabadas" como legado. Procurado ontem, o Ministério da Integração Nacional atribui a lentidão ao tempo usado para licitar novamente as obras e liberar recursos (leia texto nesta página).
 
CRONOGRAMA
 
Até novembro de 2012, o governo federal prometia os 217 km do eixo leste da transposição para dezembro de 2014, com percentual de execução à época em 51%. No entanto, balanços do PAC divulgados ao longo deste ano mostram que o percentual não saiu da marca de 52% desde fevereiro. Apesar da estagnação, o Ministério do Planejamento, responsável pelos balanços, avaliou que o ritmo das obras passou do estágio de "atenção" para "adequado".
 
Entre fevereiro e outubro, o outro braço da transposição, o eixo norte, saiu de 34% para 43% de execução. Quando a obra foi lançada, há seis anos, após uma série de embates de políticos e entidades contrárias à transposição, o então presidente Lula prometia o primeiro trecho (o leste) para 2010. Toda a transposição ficaria pronta em 2012 por R$ 4,6 bilhões.
 
Alguns trechos foram licitados de novo. Agora, pelo atual cronograma, a obra só deverá ficar pronta em 31 de dezembro de 2015, num custo total de R$ 8,2 bilhões. Até o final do ano eleitoral de 2014, o governo terá gasto R$ 7,7 bilhões desde o início das obras. Depois de 2014, ainda há previsão de gastar outros R$ 561 milhões.
 
(Folha de São Paulo)