A chamada cultura “woke” não é uma ideologia única e fechada, mas um conjunto de sensibilidades políticas, éticas e culturais que se consolidaram sobretudo a partir de movimentos sociais contemporâneos.
O termo vem do inglês to be woke (“estar desperto”), inicialmente usado em comunidades negras nos EUA para significar consciência sobre injustiças sociais.
Núcleo ideológico da cultura woke
Em linhas gerais, ela se organiza em torno de alguns eixos:
1. Centralidade das identidades
Raça, gênero, sexualidade e outras identidades passam a ser vistas como determinantes centrais da experiência social. A sociedade é interpretada como estruturada por relações de poder entre grupos.
2. Justiça social como prioridade moral
Há uma ênfase forte na correção de desigualdades históricas por meio de políticas de inclusão, reconhecimento e linguagem.
3. Linguagem como campo de poder
Palavras não são vistas como neutras, mas como instrumentos que podem oprimir ou libertar. Por isso, há defesa de linguagem inclusiva e vigilância sobre discursos considerados ofensivos.
4. Crítica às estruturas tradicionais
Instituições como família tradicional, cânones culturais, mérito individual, neutralidade científica e liberalismo clássico são frequentemente questionadas.
5. Influência acadêmica
Muitas ideias derivam de correntes como:
-
Pós-estruturalismo
-
Teoria crítica
-
Estudos decoloniais
-
Feminismo interseccional
-
Estudos de gênero
Não é uma ideologia formal
Diferente de liberalismo, socialismo ou conservadorismo, o “woke” é mais um clima cultural do que um sistema filosófico coerente. Ele aparece em:
-
Movimentos sociais
-
Universidades
-
Empresas
-
Mídia
-
Cultura pop
Críticas comuns à cultura woke
Vale registrar também as principais críticas filosóficas:
-
Moralismo punitivo (cultura do cancelamento)
-
Redução do indivíduo à identidade
-
Censura disfarçada de proteção
-
Intolerância ao dissenso
-
Fragilização da liberdade de expressão
-
Substituição do universalismo por tribalismo
Em síntese
A cultura woke propõe ampliar a consciência sobre injustiças e desigualdades, mas, levada ao extremo, pode transformar-se num novo dogmatismo moral, mais preocupado em policiar linguagem e símbolos do que em construir convivência plural.
19 de janeiro de 2026
prof. mario moura
Pesquisa
Nenhum comentário:
Postar um comentário