"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

MOMENTO INTERESSANTE NA POLÍTICA MONETÁRIA GLOBAL

As autoridades monetárias globais começaram este ano intensificando políticas de estímulos em economias importantes ao redor do planeta, procurando evitar uma queda maior em suas atividades econômicas e, com isso, favorecer a retomada do crescimento econômico. Acontece que estão dando uma pausa na virada de 2019 para 2020. Portanto, poderemos passar um período sem maiores novidades no cenário macroeconômico e nas estratégias de política monetária dos bancos centrais mundiais.

Os principais riscos tendem a prevalecer no próximo ano, continuando atrelados, especialmente, à guerra comercial entre os EUA e China (trade war), ao Brexit e a importantes eleições presidenciais, como a dos EUA, levando os banqueiros centrais a serem mais prudentes. Pelo menos, as insistentes manifestações sociais que até o momento já alcançam em torno de 20 países ainda não chegam a preocupá-los. Parece não existir, entre elas, as mesmas razões e motivações, já que apenas enfrentam a desordem diante das reivindicações feitas.

Os mercados, caso venham a conservar a dinâmica que prevaleceu nos últimos meses e semanas, se continuarem a ignorar esses protestos, mas desde quando não apresentem indícios de estresse ou elevação no nível de tensão, certamente não deverão apresentar novidades em suas estratégias e talvez dispensem novas medidas.

Acentuada desaceleração na trajetória da atividade industrial, ponto fundamental para estabelecer projeções de crescimento econômico, é a principal justificativa dos banqueiros centrais pela falta de ações defensivas a fim de minimizar os riscos previstos para o próximo ano.

São importantes alguns comentários para um melhor entendimento da questão que envolve o tema central. Começando pela maior economia do mundo, o FED (Banco Central dos EUA) vem admitindo que não planeja realizar novos cortes na sua taxa básica de juros, mantendo-a, por enquanto, no intervalo de 1,5o% a 1,75% ao ano, interrompendo um ciclo de três reduções consecutivas.

O PBoC (Banco Central Chinês) pretende ficar o maior tempo possível assumindo uma política monetária cautelosa, evitando um ambiente de juro zero ou nulo adotado por algumas economias. No decorrer de 2018, em sete oportunidades, reduziu a taxa de compulsório como forma de se opor às pressões externas do “trade war” e na tentativa de estimular o consumo interno, fomentando os empréstimos bancários. Neste instante, apesar de possuir boas condições para uma maior flexibilização monetária, não quer desperdiçar munição.

O BoJ (Banco Central Japonês) já vem há algum tempo praticando uma política monetária extremamente “afrouxada”, entretanto está longe de atingir a meta de inflação prevista. A realidade é que, no curto prazo, os japoneses não vêm a necessidade para que o estímulo monetário continue se expandindo.

Sua grande prioridade no momento é resguardar seu poder de fogo para somente utilizá-lo caso a economia mundial venha a ser duramente castigada, diante das nuvens carregadas que ameaçam o horizonte de 2020. Outro ponto importante é que ainda dispõem de um espaço considerável para aplicarem novas medidas de afrouxamento monetário e têm demonstrado que não hesitarão em utilizá-las, caso julguem necessário. Ultimamente, eles vêm adotando uma postura estrategicamente conservadora, posicionando-se em “stand-by”.

Aqui no Brasil, o BC (Banco Central do Brasil) reduziu na semana passada a taxa Selic (taxa básica da economia) para 4,5% ao ano, com um corte de 0,5 ponto percentual, atingindo dessa forma uma nova mínima histórica. Não sinalizou nova queda para a próxima reunião a ser realizada nos dias 4 e 5 de fevereiro do próximo ano, porém sem fechar as portas para eventuais novos cortes na taxa básica de juros em 2020.

Como vimos, a política monetária tem sido relevante no apoio ao crescimento econômico. Com ausência de pressões inflacionárias e em face da evidente desaceleração sincronizada nas maiores economias, os principais bancos centrais acertaram em baixar os juros para reduzir os riscos de deterioração do crescimento e prevenir-se para uma eventual desancoragem das expectativas de inflação.


20 de dezembro de 2019
Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).

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