"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 27 de junho de 2017

MINISTRO ALEGA QUE A MÍDIA "INVENTOU´" A SAÍDA DO DIRETOR DA POLÍCIA FEDERAL


Torquato e Daiello deram entrevista sem perguntas
Em meio às especulações sobre a possível troca de comando na Polícia Federal (PF), o diretor-geral do órgão, Leandro Daiello, e o ministro da Justiça, Torquato Jardim, chamaram a imprensa neste sábado para dizer que os dois trabalham em harmonia e num clima de camaradagem. Mas ambos se recusaram a responder a qualquer pergunta, inclusive se Daiello continua garantido no cargo. Nos últimos dias, cresceram as informações de que o governo estaria discutindo a troca no comando da instituição, que atua na Operação Lava-Jato.
“O noticiário que está aí é, para usar o termo moderno, a pós-verdade, não corresponde à realidade” – afirmou Torquato, acrescentando: “O doutor Daiello e eu temos trabalhado desde que aqui cheguei na mais absoluta harmonia e camaradagem, ambos igualmente comprometidos com a instituição Polícia Federal”.
DESDE 2011 – Daiellio foi nomeado para o cargo de diretor-geral em 2011, durante a gestão da presidente Dilma Rousseff. Desde que Temer chegou ao Planalto, toda troca de ministro da Justiça veio acompanhada de especulações sobre a continuidade ou não do diretor-geral da PF. Torquato assumiu o cargo em 31 de maio deste ano. O Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, concluiu em perícia que o áudio da gravação entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer não sofreu edição. A informação veio a público ontem.
A possível manipulação do áudio era uma das teses centrais da defesa do presidente Michel Temer. Torquato falou por menos de três minutos, se levantou e deixou a sala onde foi feito o pronunciamento. Sozinho, Daiello fez então seu pronunciamento, que durou menos de dois minutos.
Tanto Torquato quanto Daiello preferiram destacar o que vêm como prioridades para a PF, como a necessidade de avançar na internacionalização e no uso de recursos tecnológicos.
DISSE DAIELLO – “Na primeira semana da posse do ministro, nós o convidamos para visitar a Polícia Federal onde foi feita uma reunião com a diretoria. A Polícia Federal apresentou sua estrutura e seus projetos. Dentre esses projetos, o ministro demonstrou aqui a firmeza de que precisamos avançar em tecnologia, capacidade de inteligência e investigação. É o que temos feito. E percebemos a necessidade de uma inserção maior na área internacional. Ele confirmou que vamos ampliar a capacidade da Polícia Federal de ter uma inserção internacional para combater os crimes transnacionais e também como estratégia de proteção das fronteiras” – afirmou Daiello, sem responder a perguntas dos repórteres.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Em tradução simultânea, o ministro disse que a imprensa inventou a notícia de que iria afastar o diretor da PF. Ou seja, tentou desmentir a informação que ele próprio deu, ao receber sindicalistas em seu gabinete. É pena que nenhum deles gravou a fala de Torquato Jardim. Ou será que gravou? Na verdade, não deu certo a nomeação do ministro. Seu esforço para defender Temer chega a ser constrangedor. Ao assumir, disse o seguinte: “Temer não foi acusado. Há uma suposição da oposição”. Torquato quer concorrer à Piada do Ano, mas não leva jeito. 
(C.N.)

27 de julho de 2017
André de Souza
O Globo

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