"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

CARVALHO, PETISTA QUE JÁ QUIS DISPUTAR DEUS COM EVANGÉLICOS, DESCERÁ A RAMPA COM O RABO ENTRE AS PERNAS


Em 2012, chefão petista estava tão certo da aniquilação da oposição e da neutralização do PMDB que já fazia planos para disputar a classe C com os evangélicos

Gilberto Carvalho, braço-direito de Lula e ministro do primeiro governo Dilma, voltou ao Palácio do Planalto nesta quarta para participar de um balanço das ações do Ministério do Desenvolvimento Social. 
Segundo homem mais poderoso do PT, hoje ele é presidente do Conselho Nacional do Sesi. Também vai perder a boquinha — no caso, bocona.

Como Dilma não estava presente, ele se encarregou de usar um prédio público que é sede do Poder Executivo para o proselitismo político contra as instituições. 
Essa gente, no devido tempo, terá de ser responsabilizada por tamanha afronta. Chamou, também ele, o cumprimento da Constituição de golpe e disse que estará presente, quando Dilma for afastada, para descer com ela a rampa.

O PT pretende armar uma pantomima para mobilizar a sua tropa. Talvez não fosse prudente fazê-lo. Suponho que os adversários saberão transformar o ato supostamente solene num momento patético. Petistas gostam, no entanto, de uma patuscada romântica. Que seja!

Carvalho fez de conta que o partido que vai ser apeado do poder não é aquele que chamou o então presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, em 2008, para avisar — isto está em sua delação — que a empreiteira tinha de pagar 1% de propina sobre todas as obras que tocava no governo federal desde… 2003.

Descendo a rampa com Dilma, é muito provável, estará Ricardo Berzoini, secretário de governo da presidente e, em 2008, presidente do PT. 
Segundo Marques de Azevedo, foi quem comandou a tal reunião. Também deve estar com Dilma Edinho Silva, que apresentou à mesma empreiteira, em 2014, um pleito de R$ 100 milhões. E deve compor a turma Jaques Wagner, igualmente incluído no inquérito-mãe da Lava Jato.

Nada disso! Segundo Carvalho, o que está em curso é um golpe, desfechado por aqueles que não estão conformados com as conquistas sociais proporcionadas pelo petismo. Ele não se referiu ao desemprego acima de 10%, claro!

Com a cara de pau que tão bem o caracteriza, disse: 
“Todo mundo sabe que nós estamos saindo por conta da escolha certa que nós fizemos do ponto de vista da luta de classes”. 
É verdade. Na luta de classes, os petistas escolheram os empreiteiros, que, por sua vez, escolheram os petistas. Carvalho emendou: 
“Dilma está tendo cassado o seu mandato e não pode ser acusada por um tostão”. 
É… Não se trata de tostão. O crime de responsabilidade remonta a muitos bilhões de reais.

Estou contando as horas para ver a companheirada descer a rampa com o seu ar altivo. Ao fazê-lo, além dos milhões de desempregados, deixam como herança um déficit brutal, a mais longa recessão da história, a Petrobras quebrada, o maior escândalo de corrupção que o mundo já viu e o exemplo acabado da privatização do estado a serviço de uma camarilha.

Compreendo a chateação de Gilberto Carvalho. Esse cara estava tão certo de que já havia aniquilado a oposição no país e que o PMDB já estava neutralizado que, no dia 27 de janeiro de 2012, num discurso no Fórum Social de Porto Alegre, deixou claro que a etapa seguinte do projeto totalitário petista era medir forças com os evangélicos. Sim, esse grande pensador queria um partido político disputando o mercado das ideias religiosas.

E não parou aí, não. Naquele discurso, ele também defendeu — e era ministro de estado! — que o governo investisse numa mídia estatal para a classe C.

Era o auge do delírio. Embora o país já estivesse no rumo do desastre, isso não aparecia. Mais de 70% consideravam o governo Dilma ótimo ou bom. A máquina corrupta operava a todo vapor. As porcentagens de propina eram pagas religiosamente, e não parecia haver força viva capaz de se opor ao petismo.

Quatro anos depois, Carvalho está planejando como vai descer a rampa com Dilma, com o rabo entre as pernas.

Engula essa, papudo!


05 de maio de 2016
reinaldo azevedo

LULA PERDEU, O BRASIL GANHOU



Não há qualquer dúvida de que Michel Temer é o novo presidente da República. O Senado vai receber o processo e aprovar o impeachment de Dilma Rousseff. 
A interinidade deve ser breve — inferior aos 180 dias constitucionais.

O projeto criminoso de poder e seus asseclas foram derrotados. A história — e não é a primeira vez — traçou um caminho surpreendente. Apesar do desastre do primeiro governo, Dilma conseguiu ser reeleita na eleição mais suja da República.

Imaginava-se 
que faria um governo cinzento. E que Lula deveria ter um papel mais ativo,preparando o caminho para retornar à Presidência em 2018, ser reeleito em 2022 e eleger um poste em 2026. 

A pouca combatividade da oposição, a inércia das entidades empresariais, as benesses obtidas pelo grande capital e o estabelecimento de relações nada republicanas com o Congresso Nacional e as Cortes superiores de Brasília davam ao petismo um protagonismo e uma força desproporcional à realidade.

Quando o pedido de impeachment deu entrada na Câmara — em outubro de 2015 —, poucos acreditavam que seria apreciado. Outros já tinham sido rejeitados. Pouco depois, o STF decidiu, equivocadamente, que caberia monocraticamente ao presidente da Câmara a decisão de receber o pedido.

Falou-se que seria rejeitado por Eduardo Cunha. Porém, a 2 de dezembro, acabou sendo recebido. Seis dias depois, foi eleita a Comissão Especial por 272 votos a 199, com uma composição independente do Palácio do Planalto.

Mais uma vez, o STF interferiu inconstitucionalmente, obrigando a Câmara a anular a votação e criar uma comissão “eleita” pelos líderes. Considerou-se uma vitória, pois os partidos da base governamental eram maioria.

O recesso parlamentar deu ao governo aparente sobrevida. Ficou na aparência. O agravamento da crise econômica — o ano fechou com a queda do PIB em -3,8% —, as investigações da Lava-Jato e a participação da sociedade civil com as manifestações de rua — quatro em 2015 — e a fantástica mobilização das redes sociais foram paulatinamente deslocando a balança para os adversários do petismo, mesmo quando os partidos oposicionistas ainda patinavam no enfrentamento do projeto criminoso de poder.

O ano legislativo de 2016 começou sem que estivesse claro qual o rito que deveria ser seguido na Câmara, pois o STF tinha tomado uma decisão pouco clara e, pior, invadindo a esfera do Legislativo. Após os esclarecimentos, o caminho ficou aberto.

Mas o fato determinante do processo foram as grandes manifestações de 13 de março, especialmente a de São Paulo, a maior da história do Brasil. Nesse momento, as ruas, pela primeira vez, empurraram o Parlamento, deixando de ser coadjuvantes para serem protagonistas.

O PMDB foi se afastando do governo — a 12 de março declarou-se independente. A resposta do Planalto foi um suicídio político: a nomeação de Lula para chefia da Casa Civil. Uma demonstração de fraqueza travestida de uma grande jogada política.

Um golpe de Estado, dando a Presidência, de fato, a um procurado da Justiça. A suspensão da nomeação e a divulgação dos áudios foram fatais. Desnudaram as razões da nomeação e as conversas de ministros e dirigentes petistas.

Apresentaram um governo de cafajestes e celerados. Ficaram ainda mais isolados. E novamente as ruas deram resposta enérgica à manobra golpista.

A 17 de março foi constituída a Comissão Processante. Para evitar questionamentos jurídicos, foi seguido estritamente o rito determinado pelo STF. 
Diferentemente de 1992, desta vez houve amplo direito de defesa. A solidão do Planalto ficou maior quando o PMDB rompeu com o governo.

De nada adiantou a presença constante de Lula em Brasília e a transformação de um quarto de hotel em gabinete presidencial — triste momento que aproximou o Brasil de uma república bananeira.

A Comissão Processante teve seus trabalhos conduzidos com muita propriedade e equilíbrio pelo presidente Rogério Rosso, e o parecer do relator Jovair Arantes não deixou pedra sobre pedra — e a 11 de abril foi aprovado por ampla maioria. As respostas do governo na comissão, na Câmara e na sociedade foram desastrosas.

Chamar de golpe o que está previsto na Constituição foi um desastre. A defesa feita pela AGU foi patética. Os atos no Planalto com os “movimentos sociais” afastaram ainda mais o governo de parlamentares que estavam indecisos. 
E, para piorar, Dilma pediu a intervenção de organismos internacionais, caso de crime de lesa-pátria.

A votação de 17 de abril foi histórica. De nada adiantaram as transações criminosas de Lula tentando comprar parlamentares. O quorum constitucional foi suplantado. E a admissibilidade do processo, aprovada.

O PT — que funciona mais como uma organização criminosa do que como partido político, basta recordar as inúmeras condenações judiciais — tentou — e ainda tenta — desqualificar a decisão.


Criticou o “nível” dos deputados — como se a média dos parlamentares, desde 1826, quando o Parlamento foi aberto, fosse muito distinta; além do que teve sustentação congressual durante 13 anos —, ameaçou o país com guerra civil, incentivou a desmoralização das instituições e colocou em risco a paz pública.

Temer não deve esquecer que chegou à Presidência graças à mobilização das ruas. Vai ter de organizar um ministério competente, enfrentar os graves problemas econômicos, melhorar a qualidade do gasto público,não compactuar com a corrupção, despetizar o Estado e levar o país às eleições de 2018.

Não será fácil. Mas muito mais difícil foi o povo derrotar a quadrilha petista e seu chefe, Lula.


05 de maio de 2016
Marco Antonio Villa, historiador, em
O Globo

RENAN JOGA PÁ DE CAL NA TESE GOLPISTA DA NOVA ELEIÇÃO


“Qualquer cenário neste momento que signifique alterar a Constituição é muito difícil porque estamos vivendo um momento de crise, de conturbação política, econômica, e mudar a Constituição nesse momento é um consenso meio inatingível"

O fio de esperança do petismo destrambelhado e do marinismo oportunista já não existe. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, que esteve nesta quarta com Michel Temer (PMDB), vice-presidente, e com o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, se encarregou de jogar uma pá de cal na possibilidade de antecipar eleições.

Disse Renan:

“Qualquer cenário neste momento que signifique alterar a Constituição é muito difícil porque estamos vivendo um momento de crise, de conturbação política, econômica, e mudar a Constituição nesse momento é um consenso meio inatingível”.

Essa talvez seja a ideia mais esdrúxula surgida no Brasil nos últimos anos. Não só pelo seu arreganhado oportunismo, mas também por sua escancarada inconstitucionalidade. Chega a ser espantoso que esse debate tenha prosperado sem que seus autores tenham se dado conta de que a proposta fere cláusula pétrea da Constituição, especificamente o Inciso II do Parágrafo 4º do Artigo 60.

A Carta Magna veta Propostas de Emenda Constitucional que alterem a periodicidade das eleições. “Ah, então o Brasil nunca poderá mudar uma eleição, estabelecendo, por exemplo, mandatos executivos de cinco anos, não de quatro?” Pode, claro! No bojo de uma reforma política e eleitoral, não para cassar mandatos. Também o presidente da Comissão Nacional de Direito Eleitoral da OAB, Erick Pereira, tachou a proposta de inconstitucional.

Ainda nesta terça, Lula esteve com Renan, e ambos teriam conversado sobre a possibilidade de se recorrer a um plebiscito para antecipar eleições. Bem, o dito-cujo poderia ser proposto por um terço dos parlamentares de uma das Casas ou por Decreto Legislativo. Ocorre que não se pode propor plebiscito sobre qualquer assunto. Os temas possíveis são aqueles atinentes às funções do Congresso, especificados no Artigo 49 da Constituição.

Sobraria a possibilidade de um projeto de lei de iniciativa popular. Mas qualquer alteração da data de eleições teria de ser feita por Proposta de Emenda Constitucional, não por projeto de lei. De todo modo, reitere-se, o Supremo certamente declararia a inconstitucionalidade da mudança se a besteira não fosse abortada antes.

Espero que a imprensa pare de perder tempo, energia e tinta com essa besteira. Se e quando o Brasil tiver um regime parlamentarista, então criaremos regras para a queda de gabinete, antecipação de eleições gerais etc. Enquanto o regime foi presidencialista, não será assim.

E a Constituição prevê, no artigos 79, 80 e 81, a função do vice, em que circunstância ele substitui o titular definitivamente e em que hipótese se realizam eleições diretas ou indiretas caso ele também não possa mais exercer o cargo.

Renan afirmou que, no encontro que manteve com Michel Temer, defendeu a tese de que uma agenda para o país é mais importante que a distribuição de cargos. Ora, claro que sim! Mas me parece evidente que o agora vice tem de ter um governo definido tão logo Dilma seja afastada.

Renan afirmou também que não deve votar, em meados do mês que vem, quando vai presidir a sessão que apreciará o relatório da Comissão Especial do Impeachment. Por maioria simples — metade mais um dos presentes —, os senadores devem votar pela continuidade do processo, e Dilma deverá, então, ser afastada.



05 de maio de 2016
reinaldo azevedo

LÍDERES DE NOVE PARTIDOS SAEM EM DEFESA DE CUNHA


Segundo parlamentares, a decisão mostra "desequilíbrio institucional entre os poderes da República"


O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - 04/05/2016(Pedro Ladeira/Folhapress)


Líderes dos partidos PMDB, PP, PSD, PTB, PR, PSC e PHS, além dos presidentes do Solidariedade e do PTN, assinaram nota nesta quinta-feira com críticas à decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que afastou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do mandato parlamentar e da presidência da Casa.

Aliados de Cunha tentavam a adesão de partidos da oposição como DEM, PSDB e PPS para fazerem discursos na tribuna contrários à "intromissão do Supremo", mas eles sequer assinaram o comunicado. O texto afirma que os líderes "receberam com preocupação" a decisão monocrática de Zavascki tomada, para eles, "sem qualquer urgência aparente".

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"Tal preocupação ganha maiores contornos diante da violação do mandato eletivo, sem a devida guarida constitucional, por se tratar de atribuição exclusiva da própria Câmara dos Deputados", dizem os líderes.

Segundo os parlamentares, a decisão mostra "desequilíbrio institucional entre os poderes da República, cuja manutenção pode acarretar consequências danosas e imprevisíveis para a preservação da higidez da democracia no Brasil".


05 de maio de 2016
Felipe Frazão, de Brasília
Veja

A QUEDA DE CUNHA DESOBSTRUIU O CAMINHO QUE DILMA PERCORRE RUMO AO CADAFALSO


Só haverá esperança de salvação para quem conseguir afinar-se com a voz das ruas





Na madrugada desta quinta-feira, na abertura do programa que trataria do iminente despejo da inquilina do Planalto, Jô Soares fez de conta que o que lhe tirava o sono não é o que Dilma Rousseff faz há mais de cinco anos, mas o que poderia fazer Eduardo Cunha em dois ou três dias de interinidade caso o titular Michel Temer tivesse de viajar.

“Já imaginaram o Cunha presidente?”, alarmou-se o apresentador. 
A cara de patriota aflito avisou aos gritos que o programa fora gravado horas antes ─ e envelhecera irremediavelmente. Quando foi para o ar, o ministro Teori Zavascki já havia mandado para o espaço o motivo da insônia de Jô.

A decisão, que deverá ser aprovada nesta tarde pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, reafirma que maio será um mês especialmente generoso com o o país que presta. 
O fim do reinado de Eduardo Cunha é mais que uma ótima notícia para quem não tem bandidos de estimação.

É também uma chance oferecida à Câmara dos Deputados para ficar menos parecida com um clube de cafajestes, cujos sócios se absolvem mutuamente e, quando o camburão se aproxima, escapam pela trilha do foro privilegiado. 
Enfim, o STF arriou outra bandeira malandra dos milicianos do PT, dispensados desde hoje de saírem por aí berrando “Fora Cunha!”

Agora será mais fácil enxergar as coisas como as coisas são. Por exemplo: os crimes que colocaram Cunha na mira da Lava Jato foram praticados durante o governo Lula, que lhe entregou as chaves dos porões de Furnas. 
E o parlamentar do PMDB fluminense foi até outro dia um bom companheiro dos poderosos patifes que avançam rumo ao penhasco.

Se é improvável que outro parlamentar tocasse o processo de impedimento de Dilma com tanta celeridade e eficácia, também é certo que um presidente da Câmara com mais apreço pela lei teria endossado sem tanta demora a ação de despejo. Convém lembrar, enfim, que os brasileiros decentes jamais acreditaram na inocência de Cunha. Fez-se a vontade dos homens de bem.

O impeachment que será formalizado pelo Congresso, não custa lembrar, nasceu nas ruas, cresceu nas ruas e ganhou musculatura nas ruas. 
Já era uma imposição nacional quando foi encampado pelos partidos de oposição e, depois, pelos governistas que pressentiram o fim. 
A Câmara fez o que quis o povo, representado por milhões de manifestantes. E assim será no Senado.

Michel Temer chegará à Presidência por determinação constitucional. No próximo programa, Jô Soares talvez se assuste com a ideia de vê-lo no lugar de Dilma. 
Alguém precisa lembrar-lhe dois detalhes relevantes. Primeiro: Temer se elegeu vice, duas vezes, graças ao PT. Segundo: Temer só conseguirá governar se conseguir entender-se com a nação que acordou.

Não há chances de salvação para quem não estiver afinado com a voz das ruas.

05 de maio de 2016
Augusto Nunes



EDUARDO CUNHA: O LYNDON JOHNSON SEM IDÉIAS


Ambos financiaram campanhas parlamentares de colegas e amealharam poder - mas as semelhanças acabam aí

Não há, para meu gosto, político mais fascinante do que Lyndon Johnson, presidente dos Estados Unidos de 1963 a 1968. Li os quatro volumes da magistral biografia escrita por Robert A. Caro, que está finalizando o quinto livro. Valem por um curso de barganha legislativa.

Quando o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começou a ganhar evidência, no segundo semestre de 2014, como possível presidente da Câmara dos Deputados, pensei em Johnson. Com uma presidente fraquíssima, incapaz de gerenciar sua coalizão, Cunha estaria em uma posição semelhante à de um Speaker norte-americano. 
Teria espaço para propor suas ideias e avançar uma agenda legislativa diferente da presidencial.

Lyndon Johnson nunca foi presidente da Câmara nem do Senado. Foi líder da maioria democrata por seis anos de seus mandatos como senador (1949-1961). 
Assim como Cunha, Johnson ganhou muito poder influenciando a eleição de alguns colegas. 
Recebia dinheiro das empresas petroleiras de Texas – como a Gulf Oil do lobista Claude Wilde Jr. – e repassava para candidatos democratas de outros estados.

Um caso citado por Robert Caro é o do deputado federal Earle Clements, eleito senador em 1952 com ajuda de Johnson. 
Clements conseguiu o cargo e depois coordenou a campanha de Johnson à vaga de candidato à presidência pelo Partido Democrata em 1960. (O também senador John F. Kennedy contou para seu amigo Ben Bradlee que Johnson nunca aceitaria a vice-presidência – mas ele acabou topando.)

Se Johnson usou o dinheiro do petróleo texano para angariar amigos no Senado, Eduardo Cunha também se beneficiou de recursos naturais. 
De acordo com esta reportagem da Agência Pública, 70% da campanha de Cunha foi financiada por empresas mineradoras. 
Em Brasília, é comum ouvir falar que o deputado financiou campanhas de vários outros parlamentares por baixo dos panos – daí seu imenso apoio.

Mas, ao contrário de nosso deputado carioca, não faltavam ideias para Lyndon Johnson. 
Ainda senador, foi crucial para a aprovação da lei que garantiu aos negros o efetivo direito ao voto em 1957. (Antes disso, era fácil impedir que negros tirassem título de eleitor, como mostra John Hersey em uma reportagem de seu ótimo “Life Sketches”.)

A maior ideia de Cunha? Implementar o “distritão” no Brasil. Sistema eleitoral do Japão entre 1947 e 1993, o “distritão” manteria nossos dois principais problemas de competição eleitoral: briga entre candidatos da mesma legenda e excesso de partidos com representação. 
A proposta foi rejeitada com 267 votos contrários, 210 favoráveis e cinco abstenções em maio do ano passado.

Lyndon Johnson e Eduardo Cunha souberam usar financiamento ilegal de campanha a seu favor. Tornaram-se influentes ajudando a eleição de outros parlamentares. (No caso de LBJ, apenas democratas.)

Mas Johnson usou seu poder parlamentar para melhorar a vida dos norte-americanos. Cunha, por sua vez, tinha como ambição fazer indicações políticas para a Receita Federal e acumular dólares na Suíça.

Merece a cassação.



05 de maio de 2016
Sérgio Praça

MARINA SILVA TENTOU ANULAR O IMPEACHMENT DE DILMA. REDE ATUA COMO LINHA AUXILIAR DO PT


EU TAMBÉM SOU SILVA...


O partido Rede Sustentabilidade tentou anular o Impeachment de Dilma, atuando como linha auxiliar do PT. Por isso Zavascki se antecipou e afastou Eduardo Cunha, evitando uma crise institucional sem precedentes.

Lewandowski e Mello puseram em votação hoje à tarde a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), de autoria da Rede de Sustentabilidade, que, além de pedir o afastamento de Eduardo Cunha, determinava simultaneamente, segundo interpretação de outros ministros, a anulação de todos os seus atos no cargo – e, por conseguinte, o acatamento do pedido de impeachment de Dilma.

Zavascki se irritou e outros ministros estranharam que Mello tenha aceitado relatar a ADPF da Rede, quando o natural seria que a enviasse para ele, que relata o caso Cunha desde dezembro. E as suspeitas pioraram quando Mello acertou com o presidente Lewandowski para suspender toda a pauta de hoje no plenário para se concentrar nessa ação.

Ao perceberem a manobra – ou “golpe”, segundo um deles – , ministros do Supremo se mobilizaram para neutralizar a aprovação da ADPF hoje à tarde pelo plenário. Decidindo o afastamento de Cunha com base no processo aberto pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, Zavascki esvazia horas antes a ação da Rede, que deixa de ter um “objeto”. Se Cunha não é mais deputado, não há como julgá-lo como tal.

O fato é que, com a proximidade do impeachment de Dilma, os nervos estão à flor da pele e o próprio Supremo está em pé de guerra. A sessão de hoje à tarde deve ser num nível máximo de tensão. Marco Aurélio Mello disse que “é preciso analisar” se o seu relatório sobre a ação da Rede está ou não prejudicado e tentou até brincar, dizendo do que Zavaski “poupou metade do seu trabalho”.

Informações: Eliane Cantanhêde / Estadão


05 de maio de 2016
Brasil Em Pauta

BRASIL SEM JUÍZO

O Brasil legal está de cabeça pra baixo depois da decisão de um juiz do Supremo Tribunal Federal de afastar do exercício do cargo o presidente da Câmara dos Deputados. O Brasil perdeu o juízo, depois que parte dele perdera a noção do que é Direito.

Este rábula que ora escreve está a cavaleiro para sustentar a afirmação acima, pois estou de acordo com o juiz Teori Zavasck em que não podemos ter na presidência daquela Casa do Povo um deputado réu de inúmeros crimes. Foi o que afirmei no meu artigo "Brasil sem noção" de 19 de abril neste mesmo site. No texto, deplorava a posição daqueles que, na votação da licença para processar Dilma Rousseff, aplaudiam Eduardo Cunha e lançavam ao inferno os que condenavam o endeusamento do herói de barro.

Nossa Constituição expressa claramente que os Poderes da República são independentes. Nem precisa ser rábula como este jornalista para entender o significado da letra da lei. A Justiça não pode fazer do Legislativo uma extensão de seus domínios. Os próprios ministros do Supremo vêm se queixando da enxurrada de justicialização de procedimentos tomados pelo Legislativo.

Ora, o Supremo Tribunal Federal dispõe de outros meios para atingir a meta que a maioria do povo civilizado do Brasil almejava: o afastamento do deputado Eduardo Cunha. Mas, não desse jeito! Interferindo abruptamente no poder decisório da Câmara dos Deputados. O STF poderia amparar a agilização do julgamento do acusado pela Comissão de Ética da Câmara e o envio imediato para votação em plenário.

Os "sem noção" vão rebater: mas Eduardo Cunha, que manobra tudo na Câmara, iria manobrar o plenário para absolvê-lo. Paciência. Engoliríamos mais esta do herói de barro, e aguardaríamos o julgamento dos processos dele pelo Supremo Tribunal, sua provável condenação, e, aí sim, a cassação de seu mandato.

Este é o caminho democrático. O único.
As alternativas não são da boa regra, diria o Padre Vieira.


05 de maio de 2016
Pedro Rogério Moreira

O OCASO DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA


O termo pode ser considerado forte à primeira vista, mas é precisamente disso que se trata: segundo o Ministério Público, uma “organização criminosa” atuou no centro do governo federal com o intuito de delinquir e obter vantagens políticas em nome de um projeto de poder. A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), contra a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva por suspeita de obstrução da Justiça é o mais evidente indicativo de que o cerco se fechou e, ao que tudo indica, a Operação Lava Jato está perto de alcançar a cadeia de comando do petrolão.

No pedido encaminhado à Suprema Corte, a Procuradoria-Geral solicita abertura de inquérito para investigação de Dilma, Lula e de José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e que hoje transformou a Advocacia-Geral da União em um mero órgão de defesa da presidente da República no processo de impeachment em tramitação no Congresso Nacional. De acordo com Janot, a indicação de Lula para ocupar a chefia da Casa Civil teve o claro objetivo de lhe garantir o foro privilegiado e afastá-lo da alçada do juiz Sérgio Moro, da Vara Federal de Curitiba, responsável pelas investigações da Lava Jato.

Os indícios de envolvimento direto de Lula no esquema são tão significativos que, além desta primeira solicitação, a PGR pediu ao Supremo que o nome do ex-presidente seja incluído no chamado inquérito-mãe do petrolão, batizado de “quadrilhão”, ao lado de figuras carimbadas do lulopetismo como Jaques Wagner, Ricardo Berzoini e Edinho Silva, atuais ministros de Dilma, além de José Sérgio Gabrielli, que comandou a Petrobras.

E não é só: Janot ofereceu denúncia contra Lula também no inquérito que apura a compra do silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, com base no depoimento do senador Delcídio do Amaral, que afirmou ter atuado sob a delegação do chefe do PT. Ao fim e ao cabo, o que se tem, em suma, são uma denúncia e dois inquéritos contra o ex-presidente, ao menos um inquérito contra Dilma e a possível inclusão dos nomes de Wagner, Berzoini e Edinho na investigação-chave do petrolão.

Um dos trechos mais emblemáticos da petição apresentada pelo procurador-geral da República, que tem a contundência própria de um diligente promotor, aponta que “essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse”. Janot vai além: “Os diálogos interceptados com autorização judicial não deixam dúvidas de que, embora afastado formalmente do governo, o ex-presidente Lula mantém o controle das decisões mais relevantes, inclusive no que concerne às articulações espúrias para influenciar o andamento da Operação Lava Jato”.

A gravidade das denúncias apresentadas pela PGR escancara o grau de degradação a que chegou o Poder Executivo sob o comando do aparelho lulopetista. É necessário aguardar o desfecho das investigações, mas Dilma e Lula já estão indelevelmente marcados como participantes ou beneficiários do maior esquema de corrupção da história da República brasileira.

Mais do que nunca, o Brasil exige um novo rumo, um novo tempo, um novo governo que não se enxovalhe com a corrupção desenfreada e a sucessão de escândalos que o país acompanhou nos últimos 13 anos. É fundamental que, na próxima semana, o Senado vote pela admissibilidade do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, o que resultará no afastamento imediato da presidente da República e no encerramento de um triste período de nossa história.

O desmantelamento da organização criminosa incrustada no Palácio do Planalto é o primeiro passo para que o país supere a crise econômica e social gerada pela irresponsabilidade do PT, retome o crescimento, dê alento aos seus mais de 11 milhões de desempregados e comece a construir um futuro mais próspero. O ocaso da quadrilha que se apoderou do Estado representa o renascimento da nossa esperança em uma nação mais digna.



05 de maio de 2016
Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

TEMER É FICHA-SUJA E ESTÁ INELEGÍVEL, DIZ PROCURADORIA ELEITORAL

DOAÇÕES ILEGAIS
VICE FOI CONDENADO A MULTA DE R$ 80 MIL POR DOAÇÕES ILEGAIS EM 2014


SEGUNDO A PROCURADORIA, O ENQUADRAMENTO NA LEI DA FICHA LIMPA NÃO TEM IMPACTO SOBRE MANDATOS ATUAIS E, PORTANTO, NÃO IMPEDE QUE TEMER ASSUMA A PRESIDÊNCIA EM CASO DE IMPEACHMENT DE DILMA (FOTO: MARCELO CAMARGO/ABR)


Condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por doações de campanha acima do limite legal, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), está inelegível pelos próximos oito anos, contados a partir da última terça-feira, 3. Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP), condenações iguais à do vice podem ser enquadradas na Lei Ficha Limpa, que prevê a inelegibilidade de políticos condenados por órgãos colegiados, como é o caso do TRE-SP.

“A Lei da Ficha Limpa estabelece, no seu artigo 1º, I, alínea p, a inelegibilidade de candidatos como consequência da condenação em ação de doação acima do limite proferida por órgão colegiado ou transitada em julgado”, diz nota emitida pela PRE-SP no início da noite desta quarta-feira.

A nota é genérica, não cita especificamente o caso de Temer, mas foi feita em resposta a questionamentos sobre as consequências da decisão tomada na véspera pelo TRE-SP.

Temer foi condenado na terça por unanimidade no plenário do TRE-SPa pagar multa de R$ 80 mil por ter feito doações acima do limite imposto pela legislação eleitoral na campanha de 2014, na qual o peemdebista concorreu na chapa da então candidata Dilma Rousseff.

Segundo a representação ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral, Temer doou ao todo R$ 100 mil para dois candidatos do PMDB do Rio Grande do Sul a deputado federal, Alceu Moreira e Darcísio Perondi, que receberam R$ 50 mil, cada um.

O valor é 11,9% do rendimento declarado pelo vice em 2013. Naquele ano, Temer declarou ter tido rendimentos de R$ 839.924,46. O peemedebista não poderia, portanto, doar quantia superior a R$ 83.992,44. A lei eleitoral impõe teto de 10% do rendimento declarado pelo doador no ano anterior.

A assessoria do vice-presidente afirmou que ele pretende pagar a multa com recursos próprios e que isso, por si só, já o livraria de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa e extinguiria a inelegibilidade.

O argumento, no entanto é questionado pelo advogado e ex-juiz eleitoral Marlón Reis, um dos redatores da Lei da Ficha Limpa, para quem o pagamento da multa não livra o vice-presidente de ficar inelegível por oito anos.

Segundo Reis, Temer só poderá concorrer em eleições se o TSE revogar a decisão ou se forem transcorridos os oito anos estabelecidos pela lei da Ficha Limpa. “A lei é clara em estabelecer que a inelegibilidade decorre da condenação e nada tem a ver com o pagamento da multa”, disse.

Segundo a procuradoria, o enquadramento na Lei da Ficha Limpa não tem impacto sobre mandatos atuais e, portanto, não impede que Temer assuma o governo caso o Senado aprove a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas proíbe futuras candidaturas pelo prazo de oito anos.

“O prazo da inelegibilidade é de 8 anos, contados da decisão proferida pelo órgão colegiado ou transitada em julgado, incidindo somente sobre as futuras candidaturas – não há, assim, impacto imediato dese tipo de inelegibilidade sobre os atuais mandatos”, diz a nota.

Segundo a PRE-SP, se não for revertida em instâncias superiores da Justiça Eleitoral, a informação sobre a condenação de Temer será disponibilizada a juízes e procuradores eleitorais para possíveis impugnações nas eleições de 2016 e 2018.

“A discussão sobre a potencial inelegibilidade de doador pessoa física ou de dirigentes de pessoas jurídicas condenados nessas ações de doação acima do limite somente será realizada em eventual ação de impugnação de registro de candidatura. A informação sobre essas condenações estará disponível aos Juízes Eleitorais e Promotores Eleitorais para avaliação no momento do registro de candidatura nas eleições de 2016 e ao Procurador Geral Eleitoral, aos Procuradores Regionais Eleitorais, aos Tribunal Superior Eleitoral e aos Tribunais Regionais Eleitorais nas eleições gerais de 2018”, diz a PRE-SP. (AE)



05 de maio de 2016
diário do poder

IMPRENSA ESTRANGEIRA DIZ QUE AFASTAMENTO DE CUNHA E 'HISTÓRICO' E 'DRAMÁTICO'

"TARDE DEMAIS"
AFASTAMENTO DE EDUARDO CUNHA FOI DESTAQUE EM DIVERSOS PAÍSES


O 'NYT' AFIRMA QUE O AFASTAMENTO DE EDUARDO CUNHA NÃO AJUDA A PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF (FOTO: REPRODUÇÃO/NYT)


A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki de afastar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi classificada como "histórica" pelo jornal Financial Times. Para a emissora britânica BBC, a medida foi "dramática", mas veio "tarde demais para salvar Dilma Rousseff". O americano The New York Times afirma que o afastamento não vai ajudar a presidente, mas reflete o potencial para mais turbulência política no País. As atenções, diz o NYT, se voltam agora para deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que assumiu a presidência da Câmara e também é investigado pela Operação Lava Jato.

Na internet, o britânico FT diz que o político fluminense foi o "arquiteto do movimento de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff". O Financial Times cita ainda que "analistas consideram a decisão importante para o Brasil representando uma intervenção de um Poder, o Judiciário, em outro, o Legislativo".

A reportagem lembra que a decisão não alterará o andamento do processo de impeachment, mas o texto diz que a decisão de Teori Zavascki pode servir "como argumento contra o processo". "Apoiadores da presidente já alegavam que, ao impedir a presidente, o poder será entregue a um cartel de corruptos em um Congresso liderado por Cunha", cita o texto.

Na BBC, o correspondente do canal no Brasil, Wyre Davies, diz que "a dramática suspensão de Eduardo Cunha pode ter vindo tarde demais para salvar Dilma Rousseff". "Mas, sem dúvida, ele teve um papel crítico no processo que agora pode suspender a primeira presidente mulher do Brasil", cita o jornalista em análise publicada no site da BBC.

Davies afirma que Cunha é um "talentoso e bem conectado operador político", mas é mais impopular que a presidente da República após a divulgação de detalhes das contas bancárias do político na Suíça.

O jornal espanhol El País dá destaque à decisão e ao fato de que o político é "sempre polêmico e extremamente poderoso". A publicação lembra que Cunha é acusado de participar do esquema de corrupção da Petrobrás e ter recebido milhões de dólares, inclusive com contas na Suíça. O processo de investigação sobre isso, porém, está praticamente parado, nota o El País.

"Cunha, um sobrevivente político nato, conseguiu atrasar ao máximo o processo para seguir à frente do Parlamento e liderar o processo de destituição de Dilma Rousseff, sua inimiga declarada", diz o jornal espanhol.

O afastamento de Cunha também repercute na imprensa dos Estados Unidos, incluindo nas redes de televisão ABC e Fox News e nos dois principais jornais do país, o The Wall Street Journal e o The New York Times. Este último, afirma que a saída do deputado veio depois de muito do estrago para Dilma Rousseff já ter sido feito por Cunha, mas a decisão da Suprema Corte mostra o potencial para mais turbulência política no país.

No The Wall Street Journal, a reportagem descreve que o afastamento de Cunha ajuda a aumentar a incerteza no já tumultuado cenário político brasileiro. A decisão de Teori ocorre em meio a uma crise política que se aprofunda no Brasil, destaca o jornal, citando que o Senado vota na semana que vem o processo de impeachment de Dilma.

Além disso, a reportagem ressalta que líderes políticos, acadêmicos e analistas mostraram preocupação no Brasil nos últimos dias de que na linha sucessória para ocupar a Presidência do país, mesmo que de forma temporária, pudesse ter um deputado envolvido em vários escândalos de corrupção. (AE)



05 de maio de 2016
diário do poder

PF CUMPRE MANDADOS NO ÂMBITO DA OPERAÇÃO ACRÔNIMO

A 5ª FASE DA ACRÔNIMO DECORRE DAS DELAÇÕES DE BENÉ E DANIELLE

CAROLINA OLIVEIRA E O MARIDO, FERNANDO PIMENTEL, SÃO INVESTIGADOS NA OPERAÇÃO ACRÔNIMO.


A Polícia Federal cumpre mandados do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Acrônimo, que investiga um esquema de corrupção envolvendo, entre outros, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

São três mandados, dois dos quais de busca e apreensão de mídias e documentos. Um dos mandados foi cuprimento no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que foi chefiado por Pimentel no primeiro governo Dilma.

Esta 5ª fase da Acrônimo, segundo fontes do meio, está baseada em revelações e denúncias da empresária Danielle Fontelles, proprietária da agência digital Pepper Interativa, Benedito Rodrigues de Oliveira, o Bené, dono da Gráfica Brasil, que fecharam acordo de delação premiada com os investigadores.

Rumores sobre a iminente prisão de Carolina de Oliveira, primeira-dama de Minas, levaram seu marido a nomeá-la secretária do Trabalho, a fim de conceder-lhe o foro privilegiado, no âmbito do STJ, livrando-a do alcance de juízo de primeira instância.

A fase em andamento da Operação Acrônimo está sendo realizada em Brasília e Belo Horizonte, segundo as primeiras informações.




05 de maio de 2016
diário do poder

DILMA E TEMER NA BERLINDA

TSE REJEITA RECURSOS QUE TENTAVAM AFASTAR LAVA JATO DE AÇÕES DE CASSAÇÃO
MINISTROS CRITICARAM QUANTIDADE DE APELAÇÕES DE DILMA E TEMER


NA SESSÃO, MINISTROS CRITICARAM A QUANTIDADE DE APELAÇÕES APRESENTADAS TANTO PELAS DEFESAS DA PETISTA E DO PEEMEDEBISTA QUANTO PELA ACUSAÇÃO (FOTO: LULA MARQUES/AG. PT)


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta-feira, 5, não analisar recursos apresentados pela defesa da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente, Michel Temer, que tentavam evitar a inclusão de informações da Operação Lava Jato nas ações que pedem a cassação da chapa que os elegeu. Na sessão, os ministros criticaram a quantidade de recursos apresentados tanto pelas defesas da petista e do peemedebista quanto pela acusação, o PSDB, por prejudicarem o andamento do processo.

"Não cabem esses agravos, e é o caso de não conhecimento. Se nós formos julgar agravo de cada decisão, não há julgamento definitivo do mérito", afirmou o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. 
A relatora do caso, ministra Maria Thereza de Assis Moura, lembrou já haver dito em decisão anterior que a delimitação da produção de provas será devidamente analisada no julgamento final da ação. "Não posso descartar desde já a produção da prova que vai ser analisada posteriormente em seu conjunto."

Para o ministro Henrique Neves, a quantidade de recursos acaba tumultuando o processo. "Tanto de autor como réu ficam tumultuando o processo. Se pra cada decisão em relação a esses pedidos ainda for cabível um recurso, que implica em confecção de acórdão, a ação simplesmente não chegará ao fim. Ambas as partes fazem esses pedidos", criticou.

Tanto Dilma quanto Temer tentavam restringir a produção de provas nas ações com base no pedido original do PSDB feito ao tribunal. 
A manobra buscava evitar que informações referentes à Operação Lava Jato fossem incluídas no processo. A decisão da Corte Eleitoral, contrária à análise desses recursos, foi unânime.

Nesta semana, as defesas de Dilma e Temer voltaram a acionar o TSE questionando a fase inicial da produção de provas nas ações contra eles em trâmite na Corte. Os procedimentos chegam ao tribunal cerca de dez dias depois do despacho da ministra Maria Thereza que deu início à fase probatória autorizando, entre outras diligências, a coleta de depoimentos de testemunhas investigadas na Lava Jato.

Sessão apressada. A sessão plenária desta quinta começou com cerca de 20 minutos de atraso, logo após a divulgação de uma decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), para afastar do cargo e do mandato o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 
A sessão no TSE durou menos de uma hora, o que é atípico para o tribunal. Três dos sete ministros que compõem o TSE, Toffoli, Gilmar Mendes e Luiz Fux, participarão do julgamento na tarde desta quinta no STF para referendar a decisão de Teori sobre Cunha, dada sem nenhum sobreaviso.

Desde quarta-feira, já estava marcada para a tarde desta quinta a análise pela Suprema Corte sobre a possibilidade de afastar Cunha do cargo de presidente da Câmara com base no argumento de que, uma vez réu, ele não pode fazer parte da linha sucessória da Presidência da República. 
A ação tem como relator o ministro Marco Aurélio Mello. Por isso, não havia nenhuma expectativa de que Teori tomasse qualquer decisão sobre o caso antes do julgamento desta tarde. (AE)


05 de maio de 2016
diário do poder

"MINHA VINGANÇA SERÁ MALIGNA..."

Delcídio entregou documentos que incriminam Lula, diz Janot

Delcídio Amaral ameaça se transformar no homem-bomba da política brasileira width=
Charge do Nilton, reprodução do Fato Online



















Na denúncia ao Supremo, em que acusa ex-presidente de tramar contra a Lava Jato por meio da ‘compra do silêncio’ de Nestor Cerveró, procurador-geral aponta documentos cedidos por senador. O senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) entregou à Procuradoria-Geral da República uma série de documentos que, segundo ele, comprovam seu encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tramar contra a Operação Lava Jato. Lula foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) por obstrução à Justiça.
O procurador também pediu a inclusão do petista no inquérito mãe que investiga dezenas de políticos por suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobrás.
COMPRAR O SILÊNCIO
Delcídio relatou ao Ministério Público Federal que foi chamado por Lula, em meados de maio de 2015, em São Paulo, para ‘tratar da necessidade de se evitar que Nestor Cerveró fizesse acordo de colaboração premiada’.
Segundo o senador, Lula o teria incumbido de ‘viabilizar a compra do silêncio de Nestor’ para proteger o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.
“OUTROS ELEMENTOS”
Janot anotou em manifestação ao STF. “A respeito desse fato, há diversos outros elementos, tais como e-mail com comprovante de agendamento da reunião entre Lula e Delcídio no Instituto Lula, no dia 8 de maio de 2015; comprovantes de deslocamento efetivo do senador para São Paulo compatível com esta data; outros documentos que atestam diversas outras reuniões entre Lula e Delcídio no período coincidente às negociatas envolvendo o silêncio de Nestor Cerveró, além de registros de diversas conversas telefônicas mantidas entre Lula e (o pecuarista) José Carlos Bumlai e entre este e Delcídio”, afirma o procurador-geral da República.
“Todos esses elementos estão encartados no aditamento de denúncia dos autos 4170.”
PAGARAM 250 MIL
Delcídio afirmou que o filho de Bumlai, Mauricio Bumlai, pagou R$ 250 mil à família de Cerveró, ‘por interferência de Lula’. De acordo com o senador, Lula ‘pediu expressamente’ a Delcídio que ajudasse Bumlai, amigo do petista.
O ex-líder do governo contou em delação premiada. “O Lula tinha especial preocupação com a situação de José Carlos Bumlai porque eles ficaram muito próximos durante a primeira campanha de Lula à Presidência da Republica e depois disso, Bumlai se tornou o grande conselheiro de Lula, com forte influência em diversos negócios do governo, além de ter sido avalista de um empréstimo milionário obtido pelo PT junto ao Banco Schahin e de ter ajudado a construir, estruturar e organizar o Instituto Lula, entre outros.
GRAVAÇÕES
O procurador-geral da República ainda levou em consideração, no pedido de aditamento à denúncia contra Delcídio, as gravações captadas por Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró. Em novembro de 2015, foi entregue por Bernardo Cerveró à Procuradoria-Geral da Republica um áudio ‘revelador da grande trama criminosa envolvendo a obstrução da presente investigação, por meio da compra do silêncio de Nestor Cerveró’.
“A partir daí as investigações ganharam novos contornos e se constatou que Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai e Mauricio Bumlai atuaram na compra do silêncio de Nestor Cerveró para proteger outros interesses, além daqueles inerentes a Delcídio e a André Esteves, dando ensejo ao aditamento da denúncia anteriormente oferecida nos Autos 4170/STF”, afirma Janot.
FATOS ILÍCITOS
“Os depoimentos de Nestor Cerveró deixam evidente que a intenção dos articuladores do silêncio de Nestor era esconder fatos ilícitos envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai, André Esteves, Delcídio Amaral, além de outras pessoas que possivelmente também integram a organização criminosa objeto deste inquérito.”
O Instituto Lula defende o ex-presidente, dizendo que “a peça apresentada pelo Procurador-Geral da República indica apenas suposições e hipóteses sem qualquer valor de prova. Trata-se de uma antecipação de juízo, ofensiva e inaceitável, com base unicamente na palavra de um criminoso”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Muito importante a reportagem enviada pelo comentarista Virgilio Tamberlini. Mostra por que recordar é viver. Até pouco tempo atrás, o “criminoso” a que se refere o Instituto Lula era simplesmente líder do governo no Senado da República. Ou seja, representava o governo federal e fala em nome dele, criminosamente. (C.N.)

05 de maio de 2016
Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo
Estadão

DE MAL-ACABADO AO FIGURINO ELEGANTE... A NOVA CARA DO PT

NOVO RETRATO DO PT
PESQUISA MOSTRA HADDAD EM SITUAÇÃO CRÍTICA PARA AS ELEIÇÕES

DESAPROVAÇÃO É DE 71,8% E 35,4% NÃO VOTARIAM NELE DE JEITO NENHUM


DESAPROVAÇÃO É DE 71,8% E 35,4% NÃO VOTARIAM NELE DE JEITO NENHUM. FOTO: GUSTAVO BEZERRA/PT



Pesquisa realizada pelo Instituto Paraná na capital paulista mostra que as chances do prefeito Fernando Haddad (PT) ser reeleito estão cada vez menores. De acordo com o levantamento, a desaprovação do prefeito é de 71,8% e 35,4% responderam que não votariam no petista "de jeito nenhum". É a maior rejeição entre todos os 14 nomes citados.

O deputado federal Celso Russomanno (PRB) aparece como o favorito com 32,6% das intenções de voto e, se as eleições fossem hoje, disputaria o segundo turno com a senadora Marta Suplicy (PMDB), que tem 12, 9% do eleitorado. Haddad aparece em terceiro com 11,1%, seguido pela deputada federal Luiza Erundina (Psol) com 6,6% e o empresário João Dória Jr. (PSDB) com 4%. Andrea Matarazzo (PSD) é o quarto com 3,7% e o deputado pastor Marco Feliciano (PSC), com 3,1%, é o quinto. Os demais candidatos não atingiram 3% das intenções de voto.

Com relação à principal demanda dos paulistanos, Saúde aparece como maior prioridade com 38,9%, seguida por Educação (22,7%), geração de emprego (11,7%), combate à corrupção (7,2%), Segurança Pública (5,5%) e combate às drogas (4,7%). As demais áreas foram apontadas por menos de 3% dos entrevistados.



05 de maio de 2016
diário do poder