"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

INVESTIGADOS PELA PF E PELO MPF, PT VAI PEDIR A DEMISSÃO DO EDINHO SILVA E DO MERCADANTE? OU SÓ VALE PRO CUNHA?



(Estado)O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de investigação contra o tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, Edinho Silva, atual ministro da Comunicação Social. A suspeita é que ele teria recebido R$ 7,5 milhões de propina da UTC Engenharia usados para eleger a petista em 2014, segundo depoimento do delator Ricardo Pessoa, dono da empreiteira. 

A apuração sobre eventual pagamento de propina via doação eleitoral para obtenção de contratos com a estatal está na mira da Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou ao STF investigação sobre irregularidades nas campanhas presidenciais de 2006, 2010 e 2014, que elegeram os petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A investigação atinge diretamente o núcleo político do governo da petista e traz a apuração sobre o esquema de corrupção na Petrobrás para dentro do Palácio do Planalto. Os pedidos de abertura de inquérito foram solicitados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base na delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC. O ministro Teori Zavasck também autorizou neste sábado, 5, abertura de investigação contra o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Na delação, segundo a revista Veja, Pessoa disse ter sido “persuadido” por Edinho Silva a “contribuir mais para o PT”, uma vez que a UTC tocava grandes contratos com a Petrobrás. “O Edinho me disse: ‘Você tem obras na Petrobrás e tem aditivos. Não pode só contribuir com isso. Tem que contribuir com mais. Estou precisando.” Os detalhes da propina teriam sido acertados pelo atual chefe de gabinete do ministro, Manoel de Araujo Sobrinho. Segundo a revista, o ministro teria afirmado: “O senhor tem obras no governo e na Petrobrás. O senhor que continuar tendo.” 

Na delação, Pessoa também citou o repasse de R$ 3,6 milhões, entre 2010 e 2014, para o tesoureiro da primeira campanha de Dilma, José de Filippi, e para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso pela Lava Jato. O empresário mencionou ainda doações à campanha de Lula em 2006.

Mercadante. Pessoa apresentou à PGR documento no qual lista suposto repasse no valor de R$ 250 mil a Mercadante. A informação consta de planilha entregue pelo empreiteiro durante os depoimentos prestados em regime de delação premiada, na qual estão listados repasses a integrantes do PT entre 2010 e 2014. Conforme a relação, o pagamento a Mercadante foi referente às eleições de 2010. Naquele ano, o petista concorreu, ao cargo de governador de São Paulo - o eleito foi Geraldo Alckmin (PSDB).

Na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mercadante informou ter recebido duas doações oficiais das empresas de Pessoa, por meio de transferências eletrônicas. Ambas foram de R$ 250 mil, mesmo valor descrito no documento entregue à PGR. O empresário sustenta, contudo, que as doações, oficiais ou não, eram pagamentos de propina para obtenção de contratos com a Petrobrás.

Na quarta-feira, Pessoa falou à Justiça Federal em Curitiba em processo sobre o envolvimento da Odebrecht. Em seu primeiro depoimento público, disse ter pago propina por contratos na Petrobrás. “Eu depositava oficialmente numa conta do Partido dos Trabalhadores.”

Na última semana, Janot foi criticado pela oposição e pelo ministro do STF e do Tribunal Superior Eleitoral Gilmar Mendes por ter arquivado um pedido de investigação por suspeitas de irregularidades na campanha à reeleição de Dilma. Esse processo é distinto do encaminhado ao STF. 
Os inquéritos relativos aos dois ministros já foram abertos por Zavascki. 

A partir de agora, portanto, a PGR e a Polícia Federal podem realizar diligências e colher provas sobre os fatos investigados. Tanto estes casos como os pedidos de investigação das demais campanhas que aguardam decisão do ministro do STF são mantidos “ocultos” no sistema do Tribunal, com extremo sigilo sobre os nomes de investigados, andamento processual e alegações feitas pelos procuradores.

Doações. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que a UTC não fez doações diretas a campanhas presidenciais em 2006 - nem à de Lula nem à do tucano Geraldo Alckmin. O sistema online, porém, não informa se houve ou não doações a PT ou PSDB. Em 2010, a empreiteira repassou R$ 5 milhões à campanha da estreante Dilma, mais R$ 1 milhão ao PT. O então candidato tucano José Serra recebeu R$ 750 mil. Em relação ao ano passado, quando o TSE pôs fim às doações ocultas, o sistema registra contribuições da UTC de R$ 7,5 milhões a Dilma e R$ 4,5 milhões a Aécio Neves (PSDB).

O ministro da Casa Civil disse que só vai se manifestar quando for comunicado oficialmente.Em nota enviada ao Estado na noite deste sábado, 5, o ministro da Comunicação Social Edinho Silva disse apoiar as investigações sobre seu suposto envolvimento no esquema da Lava Jato. “Sou favorável que se apure todos os fatos, para que todas as dúvidas sejam esclarecidas.” Ele ressaltou que as contas da campanha da presidente Dilma em 2014 foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Tenho a tranquilidade de quem agiu como coordenador financeiro da campanha presidencial de 2014.” As contas foram aprovadas pelo TSE. O ministro não comentou as acusações de Ricardo Pessoa, dono da UTC.

7 de setembro de 2015
in coroneLeaks

JANOT QUER INVESTIGAR "BRINDES" RECEBIDOS DAS EMPREITEIRAS POR LULA. TEORI ZAVAZCKI QUER SABER EM QUE CATEGORIA DE CRIME ENQUADRAR OS PIXULECOS DO EX-PRESIDENTE



O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de inquérito, a pedido do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, contra o atual ministro da Comunicação Social Edinho Silva para investigar a denúncia do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, de que financiou a campanha a presidente de Dilma Rousseff em 2014 com dinheiro desviado da Petrobras.

Edinho foi o tesoureiro da campanha eleitoral do ano passado, e segundo a delação premiada de Pessoa, ele ameaçou sua empreiteira de perder obras da Petrobras se não desse dinheiro para a campanha. Segundo o empreiteiro, Edinho foi “bastante incisivo” na pedida, perguntando explicitamente: “O senhor quer continuar tendo obras na Petrobras?”.

Com relação ao ex-presidente Lula, por enquanto existe somente um pedido de abertura de inquérito por parte do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot para apurar os brindes que Lula ganharia das empreiteiras, denunciados na delação de Ricardo Pessoa.

O ministro Teori Zavascki retornou o pedido a Janot pedindo que ele especifique que tipo de crime ele vê nesses brindes. O empreiteiro Ricardo Pessoa, no entanto, na mesma delação premiada disse que deu dinheiro também desviado da Petrobras para as campanhas de Lula em 2006, sob achaque do tesoureiroJose de Filipi, do PT, e da presidente Dilma em 2010, através do tesoureiro João Vaccari.

A questão das denúncias sobre financiamentos ilegais da campanha de 2010 está sendo investigada em inquérito para apurar um dinheiro que o então coordenador da campanha Antonio Palocci teria recebido do doleiro Alberto Yousseff, e os dados poderão ser anexados ao inquérito já aberto.
Também foram abertos inquéritos com base na delação premiada de Ricardo Pessoa para investigar financiamentos de campanha de Aloisio Mercadante para o Governo de São Paulo em 2010 e do senador Aloysio Nunes Ferreira do PSDB.

A investigação sobre o financiamento ilegal para a campanha eleitoral do ano passado continuará sendo feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas fatos objetivos como os que envolvem o tesoureiro da campanha Edinho Silva, hoje no ministério de Dilma, devem ser investigados pelo Ministério Público.

Como se referem ao atual mandato da presidente Dilma, essa investigação não tem nenhum óbice constitucional e a presidente poderá ser responsabilizada caso se comprove que foi eleita com financiamento ilegal.

 A oposição ficará agora com a possibilidade de pedir impeachment da presidente Dilma com base nesse fato isolado, se quiser preservar o vice Michel Temer. Se o Tribunal Superior Eleitoral terminar sua investigação com a impugnação da chapa por abuso do poder econômico, o vice também será atingido.

Mas se a Câmara se antecipar e usar o fato de que o PT utilizou dinheiro desviado da Petrobras para eleger Dilma, o processo de impeachment pode ser deflagrado antes da decisão do TSE, por crime de responsabilidade. Seria a saída “menos onerosa”, comentou um ministro do TSE.

Há indicações em diversas investigações que estão em curso de que a campanha utilizou diversos mecanismos de financiamentos ilegais, desde dinheiro da corrupção da Petrobras sendo lavado através de doações registradas no TSE até o uso de empresas fantasmas, como gráficas, para legalizar o dinheiro desviado.

7 de setembro de 2015
Merval Pereira, O Globo

TROTSKY - DOCUMENTÁRIO

O TOTALITARISMO ISLÂMICO

A NOVA ORDEM MUNDIAL

OLAVO DE CARVALHO

PARA NÃO SER UM IDIOTA...

EMBURRECIMENTO PLANEJADO

GNT - DOCUMENTÁRIO

DOCUMENTÁRIO "LÍDERES POLÊMICOS" - LÊNIN

GRAMSCI E O POLITICAMENTE CORRETO

VLADIMIR LENIN

LENIN

História vs. Vladimir Lenin [ Dublado - HD ] - YouTube

www.youtube.com/watch?v=NAD42YW1GNA




7 DE SETEMBRO DE 2015
m.americo

NÓ DE MARINHEIRO

Deram um nó de marinheiro na política e na economia brasileiras e, ao que parece, ninguém se mostra capaz de desatá-lo. 
Quem se tem arriscado na empresa, longe de afrouxar o aperto excruciante que ele exerce, logo é obrigado a reconhecer a vanidade dos seus esforços, ao constatar que, malgrado seu empenho, ele o deixou ainda mais ajustado. 
O vice-presidente da República, Michel Temer, é o caso mais recente, e pelo andar da carruagem, não será o ultimo.

Amarrada por esse nó que compromete as esperanças de dias melhores que vinha acalentando desde a democratização do País, a sociedade, em movimentos contraditórios, recorre às ruas em manifestações de protesto, quando clama pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff – solução que depende da ação de um Parlamento a que quase todos dão as costas –, sem que faltem atos de massa em defesa do mandato presidencial, que, por sua vez, são críticos das políticas governamentais.

Há de tudo nessa barafunda em que fomos envolvidos por nossos atuais governantes. 
Persiste entre eles a influência da social-democracia, embora ninguém a defenda abertamente, assim como a do neoliberalismo – o programa Bolsa Família tem aí sua inspiração – e a do nacional-desenvolvimentismo do regime militar com seu capitalismo politicamente orientado, em certas versões sob maquiagem chinesa.

Nas ruas, quando ocupadas por movimentos sociais externos ao mundo do trabalho, designados pelo prefixo sem – sem-terra, sem-teto –, medra em surdina um pasticho do nacional-popular no estilo dos anos finais do regime de 1946, cujo cerne, como notório, foi ocupado pelo sindicalismo operário – hoje, a uma boa distância dele. 
Suas vozes são acolhidas nos palácios apenas pelo motivo de que provêm de um alegado exército de reserva, mesmo que dissonantes do discurso e das práticas dos dirigentes do partido hegemônico no governo, como se faz exemplar nas políticas oficiais reinantes no agronegócio e na construção civil, joias da coroa de suas administrações. Embora marginais, seu ruído ainda mais extrema a barafunda.

O pragmatismo sem princípios, característico da era Lula em seus momentos de fastígio, que flertou com todos esses sistemas de orientação, encontrou seu limite neste começo do segundo mandato da presidente Dilma. 
Sem as escoras dessa referência, antes considerada como obra de talento do seu fundador, e na ausência de qualquer outra, o espírito tateia entre as trevas. 
Em meio a ruínas do nosso sistema político, devastado pela Operação Lava Jato, ainda em curso, vive-se um cotidiano de sobressaltos à sombra de uma guilhotina que ameaça as chefias dos nossos Poderes republicanos, sem que se possa prever como nascerá o dia de amanhã.

Antes que se diga que mais vale um fim com terror do que um terror sem fim, com as esperanças ao chão, uma economia em recessão e que nos alcance a ameaça de uma crise com a gravidade da grega, em nome da defesa da democracia política, que tanto nos custou, a política e os políticos não podem mais retardar uma intervenção saneadora que somente pode vir deles. 
Não é à toa que em lugares obscuros da nossa sociedade, à direita e à esquerda, já se fale a linguagem das armas e no recurso a exércitos.

Não caminhamos até aqui, que foi muito, para morrer na praia. O sistema judiciário, em particular nas suas bases, mais do que investigar e punir crimes contra a administração pública tem exercido, ao longo destes meses, uma ação pedagógica no sentido de valorizar a República e suas instituições, cujos resultados já são tangíveis e sem retorno. Mas estaremos perdidos se acreditarmos que juízes são portadores de uma missão messiânica de salvação dos nossos males nacionais e não procurarmos na política os remédios que permitam que a sociedade se anime a buscar novos rumos.

Inclusive porque, como advertia o bardo, a vida não para, os indicadores econômicos disparam estridentes sinais de alarme e, no próximo ano, estão agendadas eleições municipais, terreno fértil para os cavaleiros da fortuna que ambicionem se aproveitar desse deserto de ideias e de homens de valia a que se tem reduzido nossa vida política. 

O nó que nos ata, na emergência em que nos encontramos, desaconselha a atitude daqueles lavradores que, sem amanhar a terra, mantêm o olhar fito no céu esperando pelas chuvas, como temos ficado com as notícias que nos vêm dos tribunais. 
O obituário desse presidencialismo de coalizão bastardo que temos praticado não pode mais demorar a ser lavrado, e com ele essa parafernália de partidos políticos sem vida própria, cartórios, a maior parte deles, de interesses particularistas.

Sem uma prévia remoção do entulho que trava o processo de formação de uma vontade democrática, em vez de cortar o nó que nos imobiliza, pode-se livrar o caminho para que velhos e mal resolvidos antagonismos, equilibrados secularmente por elites políticas treinadas, mesmo sem o saber, como Monsieur Jordan fazia prosa, nas artes conservadoras de uma clássica revolução passiva – o ex-presidente Lula incluído –, entrem em desequilíbrio. Foi-se o tempo, de infausta memória, de “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Para o relógio da política democrática a hora é a da Carta de 88, pois é a partir dela e do aperfeiçoamento de suas instituições que se pode divisar uma saída para a gravidade da crise atual, não apenas política, mas também econômica, ético-moral e de rumos para o País. 

Fernando Gabeira, em recente e brilhante artigo neste jornal, utilizou-se da metáfora do ciclista que, para não cair, precisa manter seu veículo em movimento. Sem movimento não se escapa desse nó que nos constrange, e o mais seguro é o que ganhar impulso no campo da política. 
Pedalar é preciso, mas pedaladas em falso podem desequilibrar não apenas o ciclista, como também o País.


7 de setembro de 2015
Luiz Werneck Vianna

O GOVERNO NÃO CABE NO PIB


“Ao governo, cabe abandonar o mantra obsessivo de mais e piores impostos e operar uma reforma profunda do Estado, reduzindo Ministérios, cargos comissionados, e revendo contratos. Agora é a hora da verdade. O governo não cabe mais no PIB brasileiro e precisa reavaliar todos os seus programas e conferir prioridade aos que devem ser mantidos.” 
Estas palavras, surpreendentemente saídas da boca do senador Renan Calheiros, são irretocáveis. 
Se estivesse disposta a cumpri-las, Dilma Rousseff realmente daria um primeiro passo decisivo para superar o impasse orçamentário, implementar um verdadeiro reajuste fiscal e abrir, finalmente, a perspectiva de uma ação governamental comprometida com a criação de condições para a retomada do crescimento econômico. 

Infelizmente, as convicções estatistas de Dilma e do PT apontam na direção oposta. O País pode se preparar, portanto, para uma dose pesada de aumentos “de emergência” na carga tributária, provavelmente “compensados” por cortes de despesas tão inócuos quanto possível.

O comportamento do governo na questão do orçamento para 2016 é bem do estilo do gênio político que Lula colocou na Presidência da República. 
Dilma Rousseff sempre foi mais estatista do que o próprio PT – que, na verdade, é muito mais “poderista” do que qualquer outra coisa –, mas para o segundo mandato ela cedeu à sugestão de seu mestre de colocar no comando da equipe econômica um “liberal” que pelo menos não fizesse o mercado perder o sono. 

Nomeou para a Fazenda um nome indicado pelo presidente do Bradesco. Mas jamais teve a intenção de levar a sério o caráter austero da proposta de reajuste fiscal que se poderia esperar de Joaquim Levy. E, para garantir que não precisaria ela própria ficar regulando cada passo do estranho no ninho, tratou de colocar no Planejamento um genuíno adepto da “nova matriz econômica”, Nelson Barbosa.
A tragicomédia do Orçamento comprova que o apito que toca na área econômica é, inquestionavelmente, o de Dilma e de seu escudeiro que responde pelo Planejamento. 

Nelson Barbosa tem desempenhado em relação a Joaquim Levy – a quem só os ingênuos podem ter acreditado que Dilma “delegou” o comando da área econômica – o mesmo papel que Aloizio Mercadante, da Casa Civil, sempre desempenhou em relação a Michel Temer – a quem só os ingênuos podem ter acreditado que Dilma “delegou” o comando das articulações políticas do governo. 

A presidente da República não gosta de política, mas gosta de mandar, por isso erra sempre.

Dilma frita Joaquim Levy nos bastidores e prestigia-o em cena aberta. Com isso consegue não agradar a ninguém, nem mesmo seu próprio partido. 
E as entidades e organizações sociais filopetistas, que por natureza são pouco chegadas às sutilezas da política, botam para quebrar com um ostensivo “Fora Levy” que significa exatamente o seguinte: o governo pode tudo, só não faz o que não quer, portanto pode gastar e tem que continuar gastando e mandando a conta para “as elites”. 

Simples assim. E quando pensam em elite colocam na lista as centenas de milhares de brasileiros, predominantemente de classe média, que se tem manifestado contra o governo nas ruas e nos panelaços. 

Dessa perspectiva, resulta inevitável a conclusão de que o lulopetismo tem contribuído substancialmente para fortalecer as elites.
Está coberto de razão o ilustre Renan Calheiros, portanto, quando sentencia que o governo do PT “não cabe mais no PIB brasileiro” e está obcecado pelo mantra de “mais e piores impostos”. 

É claro que seria muito melhor se o próprio Calheiros acreditasse no que afirma ou pelo menos se importasse sinceramente com as mazelas do lulopetismo no poder, das quais sempre fez o possível para se beneficiar. 
Ele certamente imagina que estar bem com o poder central pode ser útil quando a Operação Lava Jato chegar mais perto e que sua Alagoas precisa da boa vontade do Planalto, mas sabe também que muita proximidade com um governo cuja popularidade está ao rés do chão pode ser contraproducente para sua carreira política. 
Daí o movimento pendular que o leva de herói da Agenda Brasil a crítico severo da política de Dilma. 
Como ele próprio diria, a política é a arte da sobrevivência.


7 de setembro de 2015
Estadão