"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A CARA DO SOCIALISMO MORENO-LATINO

MAIS UM ESCÂNDALO BOLIVARIANO: FILHA DO DEFUNTO CAUDILHO HUGO CHÁVEZ POSSUI CONTA BANCÁRIA NOS ESTADOS UNIDOS COM MAIS DE US$ 700 MILHÕES DE DÓLARES.

https://www.youtube.com/watch?v=XQc2l72za8U&feature=player_embedded

Neste vídeo a jornalista Maria Elvira Salazar revela em seu programa da emissora Mira TV, de Miami, que transmite em espanhol, mais um escândalo produzido pela ditadura bolivariana (leia-se comunista) da Venezuela, indicando que lá, como ocorre também no Brasil sob o governo de Lula, Dilma e seus sequazes, há uma roubalheira voraz e contínua. Deve-se salientar que Lula, Dilma e o sucessor de Chávez, o tiranete Nicolás Maduro, são unha e carne.
 
Afinal, todos eles fazem parte do Foro de São Paulo, a organização comunista fundada por Lula e Fidel Castro, que opera em todo o continente latino-americano e que dá as diretrizes políticas com o objetivo de transformar o continente num apêndice de Cuba. 
 
Desta feita, conforme a reportagem da jornalista Maria Elvira Salazar, acaba de ser descoberta nos Estados Unidos, que Maria Gabriela Chávez, a filha preferida do defunto caudilho Hugo Chávez, possui uma conta bancária fabulosa em banco norte-americano, conforme documento mostrado no vídeo: US$ 736.992.001 milhões de dólares. 
 
Entretanto, para se ter idéia da fabulosa pilhagem dos cofres estatais venezuelanos, a herança deixada pelo caudilho Hugo Chávez, é
 
Ao mesmo tempo, há outras informações ventiladas neste vídeo sobre as relações da ditadura venezuelana com o terror islâmico. Segundo consta, o apoio do tiranete Nicolás Maduro e seus asseclas à invasão do terror islâmico no Ocidente tem facilitado aos terroristas a obtenção de passaporte venezuelano, o que lhes dá condições de entrar nos Estados Unidos.
 
A vida nababesca da família do finado caudilho Hugo Chávez, já revelei aqui no blog. Todavia o site que vazou centenas de fotos flagrando as filhas de chávez e seus namorados em viagens internacionais, curtindo as delícias do capitalismo, parece que foi hackeado pelos comunistas bolivarianos e retirado do ar.
 
Lula, Dilma e Nicolás Maduro quando firmaram o pacto diabólico ante o olhar de seus asseclas.
Enquanto as filhas de Chávez vivem uma vida nababesca os venezuelanos continuam enfrentando violenta repressão e têm de se submeter à escassez de alimentos. As compras de quaisquer produtos, incluindo até medicamentos, são totalmente controladas pelo governo de Maduro.
 
Por isso mesmo, os protestos nesse país continuam sem parar e o principal líder oposicionista, o economista Leopoldo Lopez, continua preso num calabouço da polícia política pelo simples fato de fazer oposição.
 
Finalmente, conforme se pode notar na foto acima, em recente reunião na Venezuela, Lula e Dilma firmaram um pacto com Nicolás Maduro que implica o apoio recíproco e total entre os governo brasileiros e venezuelano.
Esse pacto diabólico foi firmando bem antes da campanha eleitoral presidencial no Brasil.
 
É que para o Foro de São Paulo, os cofres públicos dos dois países têm de se manter nas mãos desse projeto comunista.
O aparecimento de Marina Silva na corrida eleitoral no Brasil representa uma alternativa, caso Dilma não consiga se reeleger. Estes fatos, por si só, mostram que o único candidato realmente de oposição ao PT é Aécio Neves e os sucessivos fatos e escândalos só confirmam isso.

AÉCIO NA CABEÇA NA PESQUISA PELA INTERNET

AÉCIO NEVES CONTINUA LIDERANDO COM FOLGA PESQUISA ELEITORAL PELA INTERNET "VOTE HOJE!"


 
O site Vote Hoje, a pesquisa eleitoral online para presidente da República, já foi reformulada em decorrência da morte de Eduardo Campos, que aparecia na primeira fase da campanha. Nota-se que Aécio Neves continua na liderança por uma margem folgada com mais de 70% das preferências dos eleitores.

 clique Aqui para votar e ver o percentual de cada um dos candidatos.

O HOMEM-BOMBA DA PETROBRAS E SEUS COMPARSAS SE REFERIAM A LULA COMO "GERENTÃO"


Paulo Roberto Costa continua a indicar que possuia grande intimidade com Lula que o chama de 'Paulinho'
Além de entregar, um a um, os políticos que receberam dinheiro sujo do esquema de corrupção, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ofereceu aos investigadores, em seus depoimentos, indícios e até provas dos pagamentos de propina.
São anotações detalhadas de datas, locais, quantias e até números de contas bancárias no exterior, onde os destinatários preferiam receber a grana roubada da estatal.
 
Paulo Roberto Campos foi diretor de Abastecimento da Petrobras entre 2004 (governo Lula) e 2012 (governo Dilma), e agia com “autonomia”.
Chamado de “Paulinho” por Lula, Paulo Roberto Costa conta que ele e seus comparsas se referiam ao ex-presidente como “Gerentão”.
 
O ex-diretor temia virar um Marcos Valério, que estava longe de chefiar o mensalão, era só um “office boy de luxo”, mas pegou a maior pena.
 
 

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE


                                   Lula, o cínico repugnante!

JIHADISTAS DO ESTADO ISLÂMICO ANUNCIAM A DECAPITAÇÃO DE UM HUMANISTA VOLUNTÁRIO BRITÂNICO

 


<br />
No vídeo, David Haines aparece ajoelhado momentos antes de ser executado pelo Estado Islâmico, segundo o próprio grupo<br />
Foto: Reprodução / Reprodução
CLIQUE PARA AUMENTAR

Jihadistas do Estado Islâmico divulgaram um vídeo que supostamente mostra a decapitação do britânico David Haines. Nas últimas semanas dois jornalistas americanos , James Foley e Steven Sotloff, foram decapitados pelos jihadistas. Haines, um escocês de 44 anos pai de dois filhos, foi sequestrado enquanto trabalhava para a agência francesa de ajuda ao desenvolvimento ACTED.

No vídeo, chamado de “Uma mensagem aos aliados da américa” os jihadistas mostram um outro refém e afirmam que ele também será morto caso o Reino Unido não desista de sua ofensiva contra o EI. No vídeo, o algoz diz ainda que David Cameron, o premier britânico, segue os mesmos passos de seu antecessor Tony Blair, aliado de George W. Bush na invasão do Iraque em 2003, por não ter coragem de “dizer não aos EUA”. Em uma mensagem no Twitter, Cameron lamentou a morte:
 “O assassinato de David Haines é um ato de pura maldade. Meu coração fica com sua família que mostrou coragem e firmeza extraordinárias”
As decapitações anteriores estimularam uma união ainda maior entre americanos, europeus, curdos, iranianos e iraquianos no combate ao EI.
 
Na semana passada, Barack Obama lançou uma estratégia para “degradar e destruir” o EI. Além de ataques aéreos, a eliminação do EI proposta pelos EUA deve precisar também de soldados para retomar os territórios. As tropas, porém, seriam de aliados da região.
Enquanto a coalização não se forma, os ataques aéreos iraquianos e americanos atingem a dias posições jihadistas no Norte do Iraque.
 
Mas ontem, horas antes da divulgação do vídeo, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, ordenou a paralisação dos ataques aéreos contra jihadistas no Norte do país afirmando ser necessário preservar vidas dos civis na área. A declaração do político xiita foi vista como uma medida para ganhar apoio dos sunitas do Iraque, que há alguns meses receberam sem muita resistência os militantes do Estado Islâmico, mas que agora sofrem com as batalhas travadas contra os extremistas.
 
Tribos sunitas haviam pedido uma suspensão dos ataques em áreas civis como uma das condições para se aliarem a Abadi na luta contra o EI. O premier foi apontado no mês passado com a missão de fazer um governo de coalizão no Iraque e pôr fim a escalada de violência sectária no país.

16 de setembro de 2014
Deu em O Globo

DISCUSSÃO SOBRE AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL ESQUENTA A CAMPANHA ELEITORAL

 
Alvo de tiroteio intenso entre as duas principais concorrentes ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), o debate em torno da autonomia do Banco Central ganhou dois capítulos. O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) divulgou uma nota defendendo as autonomias operacional, financeira e administrativa da instituição, contrariando o discurso da presidente Dilma Rousseff. Internamente, o atual presidente do BC, Alexandre Tombini, tem dito a interlocutores e amigos que, sem autonomia, ninguém da atual diretoria permaneceria um dia sequer no cargo.

Marina assumiu a bandeira da autonomia total do Banco Central. A ideia já havia sido levantada por Eduardo Campos durante a fase da pré-campanha. A socialista, no dia em que foi efetivada como candidata a presidente, lembrou que essa era uma discussão interna — sobre a qual ela tinha alguma resistência —, mas que, como o ex-governador de Pernambuco resolveu antecipar a proposta para acalmar os mercados, ela não teve como recuar da ideia.

DILMA ATACA

Diante dessa posição da adversária, Dilma Rousseff intensificou os ataques, sobretudo nas recentes propagandas eleitorais, afirmando que Marina quer entregar a condução da política monetária para os bancos e, que isso, significaria menos recursos para os programas sociais do governo. De quebra, aproveitou-se da proximidade de Marina com Neca Setúbal, uma das responsáveis pelo programa de governo do PSB, herdeira do grupo Itaú e grande colaboradora do instituto fundado pela candidata, para dizer que a socialista “é sustentada por banqueiros”. Defendeu apenas a autonomia operacional da instituição.

O presidente regional do Sindicato no Distrito Federal, Max Meira, acrescenta que, quando a presidente Dilma fala que um BC independente significaria entregar a política monetária aos banqueiros e tiraria a capacidade de controle sobre possíveis atos ilícitos na instituição, ela está desrespeitando um quadro técnico competente e que foi elogiado pela condução do seu trabalho durante a crise de 2008. “O Banco Central precisa ter autonomia para definir a política de juros do Copom. Pelo modelo atual, quando os juros sobem, é culpa dos bancos. Quando eles caem, é pressão dos políticos”, afirmou.

16 de setembro de 2014
Paulo de Tarso Lyra e Vicente Nunes
Correio Braziliense

O HUMOR DO ALPINO

 
16 de setembro de 2014

 

JIHADISTAS DO ESTADO ISLÂMICO FECHAM MESQUITAS E PRENDEM 40 RELIGIOSOS NO IRAQUE

 

 
Jihadistas do Estado Islâmico (EI) fecharam várias mesquitas na cidade de Mosul, norte do Iraque, e detiveram 40 religiosos sunitas que não seguiam suas interpretações radicais e não juraram fidelidade ao califa Abu Bakr Al Bagdadi.

De acordo com o xeque local, Mohamed Hashim, a recusa dos religiosos em cumprir as ordens dos extremistas é o motivo da perseguição.

Os 40 religiosos foram presos e levados para local desconhecido, mas há casos ainda de prisões domiciliares. O incidente levou à interrupção de diversas cerimônias no país.
Hashim recordou que grande número de religiosos sunitas fugiu de Mosul desde que o EI passou a ter controle total sobre a cidade, em 10 de junho.

De acordo com o analista político Ahmed Ibrahim Al Ali, após o colapso do sistema de segurança e administrativo de Mosul, muitos civis tinham buscado refúgio nas mesquitas, acreditando que se manteriam salvos perto dos religiosos.

Depois de ocuparem várias zonas do Norte do Iraque, os jihadistas impuseram uma interpretação radical da lei islâmica e proclamaram a destruição dos locais sagrados dos xiitas. Mais recentemente, também começaram a fechar mesquitas sunitas.

O EI proclamou um califado nos territórios sob controle no Norte da Siria e do Iraque e tenta prosseguir com seus avanços para Erbil, capital da região autônoma do Curdistão, sob bombardeios dos aviões norte-americanos e iraquianos.

16 de setembro de 2014
Da Agência Lusa

O ESTADO ISLÂMICO E A NOSSA ERA





Não é prazeroso ficar a matutar sobre a ideia de que, enquanto o crepúsculo cai sobre o mundo, passa pela cabeça da coruja de Minerva a dura tarefa de assumir a interpretação da atual era da civilização humana, que hoje está se aproximando de seu inglório fim.

A era teve início há cerca de 10.000 anos no Crescente Fértil, alongando-se por terras do Tigre e do Eufrates, através de Fenícia na costa oriental do Mediterrâneo até ao Vale do Nilo, e de lá para a Grécia e além. O que acontece hodiernamente nessas regiões, nos dá uma dolorosa lição sobre as profundezas para a qual a espécie mergulha.

A terra do Tigre e do Eufrates é o palco onde ocorrem cenas, nos anos recentes, de horrores indescritíveis. A agressão promovida em 2003 por George W. Bush/Tony Blair que muitos iraquianos comparam com a invasão mongol no século XIII, foi mais um golpe letal. Destruiu muito do que havia sobrevivido no Iraque à política de sanções impostas pela ONU, manipulada por Bill Clinton, condenada como “genocida” pelos eminentes diplomatas Denis Halliday e Hans Von Sponeck, que a administraram antes de renunciarem em protesto. O relato devastador de Halliday e Von Sponeck recebeu o tratamento comum ministrado aos fatos indesejados quando vêm à luz.

MUDANÇA EM BAGDÁ

Uma das terríveis consequências da invasão patrocinada por EUA e Reino Unido é descrita no “guia visual da crise no Iraque e Síria” do The New York Times: a mudança radical que aconteceu em Bagdá, de uma vizinhança miscigenada e pacífica em 2003 para os enclaves sectários mergulhados em ódio amargo dos dias atuais.

Grande parte da área do Tigre/Eufrates hoje se encontra nas mãos do ISIS/ISIL e seu auto declarado Estado Islâmico, uma sinistra caricatura do Islã radical extremista que tem sua casa na Arábia Saudita. Patrick Cockburn, um correspondente do jornal inglês The Independent e um dos mais bem informados analistas sobre o ISIS/ISIL o descreve como (…) uma organização horrível, fascista de muitos modos, extremamente sectária, que assassina qualquer um que não acredite em sua particular e rigorosa maneira de culto ao Islã.

Cockburn também salienta a contradição que existe na reação do ocidente à emergência do ISIS/ISIL: Ao mesmo tempo em que tenta deter seu avanço, também se esforça para enfraquecer o seu maior oponente na Síria, o regime de Bashar al-Assad. Ao mesmo tempo, a maior barreira à difusão da praga ISIS/ISIL para o Líbano é o Hezbollah, odiado inimigo dos Estados Unidos e seu aliado Israel.

Para complicar ainda mais a situação, os Estados Unidos e o Irã agora dividem uma justificada preocupação com o crescimento do Estado Islâmico, assim como de outros naquela região altamente conflitada.

DIAS SOMBRIOS

O Egito se encontra mergulhado em dias sombrios, sufocado por uma ditadura militar que continua a receber apoio dos Estados Unidos. Não estava escrito nas estrelas o destino do Egito. Por séculos, sendas alternativas foram possíveis e não sem freqüência uma pesada mão imperial barrou estes caminhos.

Depois dos renovados horrores presenciados pelo mundo nas últimas semanas, torna-se desnecessário comentar o que vem de Israel, que na história remota foi considerado como uma reserva moral.
Há cerca de oitenta anos, Martin Heidegger saudava o surgimento da Alemanha Nazista como a esperança que o mundo proporcionava para resgatar os valores e a glória da civilização grega em contraposição aos bárbaros do ocidente e do oriente. Hoje, a Alemanha esmaga a Grécia sob o tacão da bota dos banqueiros e um regime econômico destinado a manter a sua riqueza e o poder.

MAIS PROVÁVEL

A previsão mais provável para efetivamente acontecer está contida em um relatório preliminar expedido pelo Comitê Intergovernamental para a Mudança Climática (Intergovernmental Panel on Climate Change) o monitor, geralmente conservador, do que está acontecendo com o mundo físico.
O relatório conclui que o risco cada vez mais crescente de emissão de gás de efeito estufa “terá impacto severo, generalizado e irreversível sobre pessoas e ecossistemas” nas próximas décadas.

O mundo se aproxima cada vez mais da temperatura através da qual a perda do imenso manto de gelo que cobre a Groenlândia se tornará irreversível. Junto com o derretimento do gelo da Antártida, isso pode elevar o nível dos oceanos até a inundação de grandes cidades, bem como de planícies costeiras
.
A era da civilização coincide aproximadamente com a época geológica do Holoceno, que teve seu início há cerca de 11.000 anos. A época anterior, o Pleistoceno, durou por 2,5 milhões de anos. Atualmente, os cientistas sugerem que a nova época seja chamada de Antropoceno, começando 250 anos atrás, o que faria desta época a que marca o período em que a atividade humana tem um impacto dramático no mundo físico. É difícil ignorar o ritmo de mudança dessa época geológica.

EXTINÇÃO DAS ESPÉCIES

Um dos índices do impacto do surgimento dos seres humanos é a extinção das espécies, agora estimado como sendo do mesmo nível de 65 milhões de anos atrás, quando um asteróide colidiu com a Terra. Presume-se que seja esta a causa da extinção dos dinossauros, o que abriu a possibilidade para o progresso e proliferação dos mamíferos, que acabou resultando nos seres humanos. Hoje o asteroide são os humanos, que condenam a maior parte da vida à extinção.

O relatório do IPCC reafirma que a “grande maioria” das reservas conhecidas do combustível fóssil deveria ser deixada no subsolo por trazer riscos intoleráveis para as gerações futuras. Enquanto isso, as maiores corporações energéticas não fazem segredo de sua meta de explorar essas reservas e descobrir novos campos de exploração.

Apenas um dia antes da publicação do resumo das conclusões do IPCC, o jornal The New York Times relatou que muito do estoque de grãos do Centro Oeste dos EUA estava apodrecendo para que o óleo extraído no recente boom de petróleo de Dakota do Norte pudesse ser transportado por via férrea e enviado para a Europa e Ásia.

DERRETIMENTO

Uma das consequências mais temidas do perigo antropogênico global é a possibilidade de derretimento das regiões de pergelissolo (permafrost no original – NT). Um estudo da Science Magazine alerta que  (…) mesmo um pequeno aumento da temperatura (menor do que o que pode ocorrer [e já se antecipa] nos próximos anos) pode começar o derretimento do pergelissolo, o que por sua vez ameaça disparar o gatilho da liberação de grandes massas de gás de efeito estufa atualmente presos no gelo, com conseqüências possivelmente fatais para o clima global.
Arundhati Roy lembra que “a metáfora mais apropriada para ilustrar a insanidade em nossos dias” é o Glaciar Siachen, onde soldados hindus e paquistaneses mataram uns aos outros na luta que aconteceu no campo de batalha mais alto do mundo até hoje. Hodiernamente, o glaciar está se derretendo, revelando “milhares de cápsulas usadas de artilharia, tambores de combustível vazios, machados de gelo, velhas botas, barracas e outras coisas aos milhares, que humanos produzem quando em guerra uns contra os outros nos seus estúpidos conflitos”. Agora, com o derretimento do glaciar, Índia e Paquistão estão face a face com desastres indescritíveis.
Triste espécie. Pobre Coruja.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

16 de setembro de 2014
Noam Chomsky
Information Clearing House

REVISTA ÉPOCA REVELA LIGAÇÃO ENTRE OS ESCÂNDALOS DO MENSALÃO E DA PETROBRAS

 




Os dois períodos de Lula na Presidência foram marcados por crescimento econômico, disseminação de programas sociais – e também por dois grandes escândalos de corrupção. No primeiro mandato, reinou o mensalão. Ele acabou na prisão de seus principais operadores e articuladores, depois de julgados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No segundo mandato – soube-se nos últimos meses, por meio de investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) –, floresceu um esquema de pagamento de propina em troca de contratos bilionários com a Petrobras (leia detalhes na reportagem da página 36), esquema que continuou durante o governo de Dilma Rousseff.

Neste momento, as autoridades investigam a conexão entre os dois escândalos. Já se sabia que parte da estrutura financeira do mensalão fora usada no esquema da Petrobras. As últimas investigações vão além da questão financeira e se debruçam sobre os personagens comuns aos dois enredos. O ex-deputado federal José Janene (que morreu em 2010), o doleiro Alberto Youssef e o executivo Paulo Roberto Costa aparecem no mensalão e no esquema da Petrobras.

Um depoimento dado no dia 22 de julho deste ano – revelado por ÉPOCA em primeira mão e disponível em vídeo em epoca.com.br –, ajuda a detalhar o papel dos atores que participaram dos dois esquemas. O autor do depoimento é o empresário Hermes Freitas Magnus, de 43 anos. Ele reafirma a participação do mensaleiro José Janene – deputado do PP que, em troca de apoio político, embolsou R$ 4,1 milhões do mensalão petista – como figura central que liga os dois escândalos.

Magnus foi sócio de Janene – e, segundo diz no depoimento, frequentava sua casa e ouvia confidências dele. Segundo Magnus, o esquema da Petrobras “era a extensão do mensalão, um cala-boca para que (Janene) permanecesse quieto”. Janene sempre dizia, segundo o depoimento de Magnus, que poderia “derrubar Lula”, porque sabia do esquema do PT tanto quanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado por corrupção.

ACIMA DO DOLEIRO

Segundo Magnus, na hierarquia dos dois esquemas, Janene estava acima do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
De acordo com o depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado de Youssef – revelado com exclusividade na última terça-feira por epoca.com.br –, foi Janene quem apresentou Youssef a Paulo Roberto.
O trio operou junto em dois momentos. Youssef ajudou Janene a lavar o dinheiro do mensalão. Ainda no primeiro mandato de Lula, Janene indicou Paulo Roberto à Diretoria de Abastecimento da Petrobras. No segundo mandato de Lula, os três operaram juntos no esquema da Petrobras. Investigações da Operação Lava Jato revelam que Youssef intermediava pagamento de propina na estatal.

Por meio de empresas de fachada, Youssef recebia dinheiro de empreiteiras interessadas em assinar contratos com a Petrobras. Usando um emaranhado de depósitos bancários feitos por laranjas, fazia o suborno chegar a Paulo Roberto, o homem que tinha a caneta para fazer as contratações – e, agora preso, começa a entregar os participantes do esquema. Enquanto isso, Janene, por ser guardião dos segredos do PT, ganhava espaço na Petrobras. Ele continuou como deputado apenas no início do segundo governo Lula. Por causa de uma doença no coração, Janene arrancou em 2007 uma aposentadoria por invalidez na Câmara dos Deputados, embora já respondesse à acusação de receber dinheiro do mensalão. Continuou ativo na política, agindo nos bastidores.

INFLUÊNCIA NA PETROBRAS

O relato que Magnus fez à Justiça Federal revela o grau de influência de Janene na Petrobras. “Lá, mando eu”, costumava dizer, conforme o relato de Magnus – embora houvesse outros partidos e esquemas na Petrobras. “Alguns deputados federais queriam falar com diretores da Petrobras sem a intervenção de José Janene, e não conseguiam. Então, entravam em contato com Janene pelo telefone”, afirmou Magnus. Ele disse ainda que presenciou uma performance debochada de Janene ao telefone. Ele ironizava um parlamentar que tentara contato sem sua ajuda. “E aí, a espera tá grande?”

Segundo Magnus, Janene tinha “acesso livre” e intermediava negócios entre a Petrobras e empresas de grande porte, como as construtoras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Ele não deu  detalhes que possam identificar que tipos de contrato seriam ou se houve algum tipo de ilegalidade. Procurada, a construtora Queiroz Galvão afirmou que não há “irregularidades nem ilegalidades” em seus contratos, que são negociados “dentro das regras estabelecidas pela legislação e sem a intermediação de terceiros”. A Camargo Corrêa disse que só presta serviços à Petrobras por meio de licitações públicas.

Janene está morto, não pode mais ameaçar nem delatar ninguém. Parentes seus são réus com Youssef na ação penal sobre a lavagem de dinheiro do mensalão. Um deles é Meheidin Jenani, primo de Janene. Magnus, o ex-sócio de Janene, afirma que Meheidin é especialista em assar carneiros e ia constantemente do Paraná a Brasília para preparar carneiros para a então ministra da Casa Civil, e hoje presidente Dilma Rousseff. Procurado por ÉPOCA, Meheidin desconversou. Procurada por ÉPOCA, a assessoria do Planalto disse que Dilma Rousseff não conhece Meheidin, muito menos era fã de carneiros preparados por ele.

16 de setembro de 2014
Hudson Correa e Raphael Gomide
Época

O DIREITO AO DELÍRIO

Não se trata de realismo mágico, mas sim de um delírio defensivo, maneira provisória de enfrentar o real

No passado tratei de vários temas polêmicos que hoje aparecem até nas campanhas presidenciais. Um deles, entretanto, jamais consegui defender com clareza: o direito ao delírio. Ninguém levou muito a sério, acabei desistindo. O delírio para mim não é alucinação. As visões ou vozes na alucinação não existem na realidade. Oliver Sachs descartou a tese corrente de que expressam loucura. Ele mostrou que algumas visões alucinatórias são uma reação do cérebro à falta de estímulo. Acontecem mais em cegos e pessoas perdendo a visão.

O delírio embaralha uma realidade, extrai conclusões fantásticas dos fatos que estão diante de nós. Ele nos liberta diante de um bloco de governo que nos assalta, sugando recursos de uma empresa nacional.

Não se trata de realismo mágico, gênero que os grandes romancistas recriaram em seus países. Mas sim de um delírio defensivo, maneira provisória de enfrentar o real. Nada me impede de ver uma onda gigante de óleo varrendo o Congresso, inundando os caracóis do cabelo de Renan Calheiros, tingindo de preto os do ministro Lobão. Uma onda varrendo gente abraçada na bandeira do Brasil, gritando “o petróleo é nosso”. Na realidade, o petróleo é deles, muito mais deles que nosso. Você pode escolher o caminho racional, dissertar sobre o respeito aos bens públicos, mas acredita mesmo que os argumentos os impressionam?

No meu delírio, vejo Dilma como uma replicante. Em “Blade Runner”, os replicantes se revelavam em pequenos gestos mecânicos, buscando o cigarro na boca com o isqueiro. Dilma se revela, no meu delírio, quando começa a falar. Quando diz “no que se refere” tenho a sensação nítida de que apertaram a tecla play.

No meu delírio vejo o general Horta Barbosa, por sinal sogro de um amigo da juventude, caminhando com seu bastão, diante de milhares de estudantes da época, gritando “o petróleo é nosso”, e a onda invadindo o Congresso e o Planalto. E vejo intelectuais ocupando tribunas e blogs para nos garantir que sempre foi assim, a corrupção é incontrolável.

E vejo o velho Pedro Simon gritando: “as empreiteiras, as empreiteiras, lembrem-se: os políticos não se corrompem sozinhos, alguém os paga”. Irmanados no mesmo escândalo, Renan e Henrique caminham sobre a onda de óleo que se estende pelo tapete do salão verde, cruzando todas as divisões do parlamento. Pastoso, escorregadio, o óleo se avoluma, Romero Jucá pegou um tubo e fotografa sua manobra com uma câmera GoPro.

O óleo avança no Planalto, e no que se refere a Dilma, ela não sabia de nada, jamais soube, e o óleo escorre pelos gabinetes. País oleoso, o nosso.

Esta semana me veio à cabeça o livro de Marie Cardinal que em francês se chamou “Les mots pour le dire” (Palavras para dizer). Mas o livro de Marie Cardinal sugeria na minha memória algo mais denso do que apenas um desabafo. O livro conta a historia de Cardinal, que perdia muito sangue, como se estivesse continuamente menstruada. Livres dos médicos que a queriam operar, ela resolveu narrar sua infância, seus traumas, e só assim superou a doença.

Pensei, delirantemente, que a receita de Marie Cardinal talvez se aplicasse ao país: conter a sangria através das palavras claras. Para começar, quando falarmos de governo, Congresso e empreiteiras compreendermos que estamos diante de um grande sistema de assalto. O governo governa, as empreiteiras constroem. Mas não estava combinado que 3% dos contratos seriam pagos a um grupo político. Se isso for encarado como algo tolerável e rotineiro, o delírio talvez seja a única forma de sobreviver, porque o país mesmo teria enlouquecido mansamente.

Minhas retinas fatigadas não vão esquecer a onda de óleo. Usando faixas, oferecendo coquetéis, abraçando bebês, presidindo sessões solenes, em todos os rituais do governo, verei o óleo enegrecendo os colarinhos brancos, transbordando as taças de champanhe, afogando os camarões da salada. Delirando pelo menos estarei com a minha realidade, respeitando o delírio dos outros, que acham que isso é um governo e isso é um Congresso. No fundo, sei o que são. Só os chamarei de governo e Congresso para estabelecer uma linguagem comum.

As investigações não servem apenas para punir, mas para refazer nossa relação com o Brasil. Que país é esse? Como viver essa farsa política? Como resistir a um governo cínico e impermeável às regras republicanas? Li um pouco sobre a relação do povo com os governos no Leste Europeu e bastante sobre a saga dos intelectuais em Cuba. São condições muito diferentes da nossa, mas sua experiência ensina a viver, quando não se tem ilusões sobre a natureza do governo. Eles têm algo a ensinar. Mas só voltarei ao manual de sobrevivência se toda essa onda de óleo se tornar uma gigantesca pizza de alcatrão.

 
16 de setembro de 2014
Fernando Gabeira, O Globo

O GALÃO D'ÁGUA

Reproduzo o relato que minha filha recebeu pelo whatsapp de uma garota brasileira que mora no Japão: Ontem veio um homem aqui e deixou um galão dágua na frente da minha porta. Disse que durante a madrugada eles fariam uma vistoria nos encanamentos de água do bairro e por isso estavam passando para avisar, deixar o galão e pedir desculpas por terem que desligar o registro de água por algumas horas.

Eu disse para ele que não precisava deixar a água, afinal, estaríamos dormindo nesse horário, mas ele respondeu: Você paga suas contas todos os meses e nós temos obrigação de não deixar você sem água nem por um minuto. E ainda disse: Se precisar de mais, pode pedir. E assim seguiu a distribuir nas outras casas. Durante a madrugada, olhei pela janela e havia um grupo trabalhando nas ruas em silêncio. Hoje vieram novamente, casa por casa, só para agradecer.

Pois é. Não é assim que deveria ser tudo na vida? Decência, responsabilidade e educação: por que é tão raro, tão complicado? A simplicidade da cena: um galão d’água deixado de porta em porta para o caso de os moradores terem alguma eventual necessidade às duas horas da manhã, às três horas da manhã.

Não é caridade, e sim direito do cidadão que paga taxas e impostos. Eu não deveria me comover com isso, mas me comovo, porque a gente cumpre com os compromissos como qualquer japonês, qualquer sueco, qualquer canadense, mas onde está a contrapartida?

Acho que isso explica nossa desesperança de que uma eleição mude alguma coisa. Já não acreditamos que um candidato consiga não se deixar corromper pelo poder, que possa governar sem dever favores para outros partidos, que solucione as mazelas do povo em detrimento das negociatas de gabinete. Política passou a ter um sentido desvirtuado.

Ninguém obriga um homem ou uma mulher a se candidatar a um cargo público. Se ele se oferece para a missão de governar, deveria fazer isso unicamente por seu espírito altruísta. Mas soa como piada. Altruísmo na política brasileira? Tem graça.

Um galão d’água na porta. Um serviço de atendimento ao consumidor que funcione de forma fácil. Um policial em cada esquina. Nota fiscal entregue em todas as transações comerciais. Lixeiras por toda parte. Ruas bem sinalizadas. Transporte farto, barato e que cumpra horários. Hospitais com vagas dia e noite. Escolas eficientes. Confiança em vez de burocracia. Sinceridade em vez de enrolação. Agilidade em vez de empurrar com a barriga. Se todo mundo concorda que é assim que tem que ser, por que não acontece, quem emperra?

Não é só culpa de quem governa, mas dos governados também. Viciados em retórica, seduzidos por vantagens exclusivas e não coletivas, sempre nos perguntando “como posso faturar com essa situação?”, não permitimos que o Brasil se moralize e avance.

Galão d’água na porta de casa? Só com um troquinho por fora, meu irmão.

 
16 de setembro de 2014
Martha Medeiros, Zero Hora

ANTES DA BOMBA

Tanto Dilma quanto Aécio terão de encontrar um meio de desmanchar a aura quase mística que envolve Marina

Como cidadão que sou, preocupado com o rumo que tomará o Brasil, tenho procurado acompanhar a campanha eleitoral para a Presidência da República. Indiscutivelmente, é nos debates com os principais candidatos, promovidos pela televisão, que melhor se pode conhecê-los, sacar quem na verdade são, o que dizem pensar e o que fariam à frente do governo.

De fato, dos onze, só três --Dilma, Marina e Aécio-- oferecem alguma consistência no que afirmam e prometem. Os outros, se algo representam, é uma parcela insignificante da opinião pública e a representam mal, ou porque mal sabem o que dizem ou porque apenas repetem atitudes políticas e ideológicas ultrapassadas.

Devem ter alguma razão especial para se candidatarem, pois sabem muito bem que pouquíssimos votos lhes serão dados pelos eleitores. É certo que só aparecer perante o país como candidato à Presidência da República, já é, por si só, uma distinção especial (ainda que, para muita gente, seja motivo de gozação).

Os outros três candidatos, pelo contrário, representam, de uma maneira ou de outra, parte considerável do eleitorado, conforme indicam as pesquisas de opinião.

Certamente, cada um deles ganhou significação e força eleitoral por razões diversas, relacionadas com suas respectivas atuações no plano político, suas ideias e atuações que, de modo ou outro, as distinguem no contexto social.

Durante os debates, as qualidades e defeitos se revelam, muito embora os três busquem mostrar-se à altura da função governamental a que aspiram.

Até onde consigo perceber, Aécio Neves é o candidato mais consistente no que afirma e no modo como o faz. Vale-se de um discurso bem articulado e da experiência administrativa de governador, que foi, do Estado de Minas Gerais.

Por outro lado, Dilma Rousseff não se expressa bem, chegando mesmo a gaguejar quando se aventura a improvisar em vez de ler o que trouxe escrito. Não obstante, argumenta consistentemente quando cita obras realizadas por Lula e por ela.

Já quando tenta responder às críticas a seu governo, afirma qualquer coisa, mesmo que contradiga a realidade: afirmou que a inflação está próxima de zero, que o país está crescendo, muito embora os próprios dados oficiais digam o contrário. Por isso mesmo, os adversários acusam-na de inventar um Brasil em tecnicolor, que só ela conhece. Apesar disso, deu sinal de recuperação nas últimas pesquisas.

Quanto a Marina Silva, pode-se dizer que é a própria figura de brasileira que comeu mal na infância, não ganhou carnes nem força nem voz. É uma sobrevivente. Não obstante, fala fluentemente, pensa claro e parece saber o que pretende fazer para mudar o Brasil.

Sua imagem é a de uma visionária que promete um milagre. Essa imagem ganhou maior expressão com a morte trágica (e absolutamente imprevisível) de Eduardo Campos, de quem ela se tornou a herdeira política.

Tudo isso emprestou à sua candidatura tal força que a emparelhou, inicialmente, com Aécio Neves, e a colocou à frente de Dilma Rousseff no segundo turno. Penso que nem ela, Marina, imaginava que isso fosse acontecer tão cedo. E isso se mantém até o momento em que escrevo esta crônica.

Mas muita água ainda vai rolar até o dia 5 de outubro.

Sem qualquer dúvida, tanto Dilma quanto Aécio terão de encontrar um meio de desmanchar essa aura quase mística que envolve a figura de Marina e a torna uma candidata acima da realidade objetiva, ou seja, para além das condições que normalmente regem a disputa eleitoral.

Era, portanto, inevitável que Dilma e Aécio tentassem desfazer essa aura, apontando as carências de Marina. Um dos argumentos, usados por ambos, é que não será possível a ela governar o país sem um partido político importante e sem uma base parlamentar.

E que ninguém nos ouça, mas o risco seria constituir uma base semelhante à montada por Lula e herdada por Dilma, às custas de inventar ministérios para cedê-los aos aliados. Tudo o que ela promete --dizem os oponentes-- não irá além de palavras.

Não acho possível e, fora isso, não deixaria de ser uma experiência fascinante ter no governo uma mulher visionária disposta a mudar o país. Mas ninguém sabe o que vai acontecer, depois da bomba da delação premiada, cujo pavio foi aceso.


16 de setembro de 2014
Ferreira Gullar, Folha de SP

ILUSÕES ELEITORAIS

Lula e dona Marisa enviaram carinhosa mensagem de condolências à família do banqueiro espanhol Emilio Botín, dono do Santander, pela passagem de sua morte, na quarta-feira. Se a mensagem tivesse partido de Marina Silva ou de Aécio Neves, eles não escapariam de ser apresentados como representantes do capital financeiro internacional no programa eleitoral da candidata do PT. É triste, mas é este o nível desta campanha eleitoral.
 
16 de setembro de 2014
Suely Caldas, O Estadão

A INDEPENDÊNCIA DO BC

A politização do tema, no entanto, serve para mostrar que o debate eleitoral nem sempre engrandece seus participantes

Os conselheiros de agências reguladoras possuem um mandato fixo. Isso significa que, se o presidente da República quiser substituir alguma dessas pessoas (que ele mesmo escolheu) antes do fim de seu termo, teria que submeter seu desejo a uma votação no Senado. Assim como conduz sabatinas e, ao fim, autoriza a nomeação dos indicados, o Senado também deve ser consultado no caso de demissão antes do encerramento do mandato.

A única “agência reguladora” onde os dirigentes não têm mandato fixo é o Banco Central do Brasil.

Em todos os outros casos, os mandatos servem para proteger os diretores da influência política de seus regulados, geralmente monopólios e invariavelmente potentados econômicos, e assegurar a integridade técnica de decisões que devem transcender os interesses de um governo e alinhar-se com os interesses maiores e difusos na população afetada pelo serviço.

É claro que o mesmo vale para o BC, ou deveria valer, pois é de interesse da população manter os responsáveis pela condução da moeda protegidos tanto das pressões dos bancos quanto dos conflitos de interesse com o Tesouro.

Este conflito reside no simples fato que o BC dispõe de uma máquina de pintar papel que pode ser usada para o mal, pelo próprio controlador da instituição, interessado em pagar suas contas com papel pintado, pensando fazer o bem, mas produzindo inflação, ou seja, tributando a população menos favorecida sem passar pelo rito legislativo próprio para o aumento de impostos.

O mesmo vale quando o controlador resolve quebrar um banco público a fim de assegurar uma eleição, como num caso célebre ocorrido em um estado da federação, e uma tentação permanente.

É dever do BC evitar esses incidentes, e para isso o dirigente pode ser forçado a contrariar o seu acionista controlador, em nome de um bem maior, quando se configurar o abuso de poder de controle. A legitimidade conferida pelas urnas não faz do presidente uma encarnação do interesse público, mas apenas um custodiante deste, e por tempo determinado e dentro de limites, como em qualquer democracia.

Temos aqui um problema clássico de governança. O BC não tem minoritários, mas possui cerca de 180 milhões de “preferencialistas”, que são os “acionistas” sem direito a voto que carregam papéis ao portador, emitidos em pequenas denominações pelo BC, de aceitação obrigatória fixada em lei, cujo valor é fixado livremente no comércio. Quem zela pelo preferencialista?

O mandato ajuda a resolver o conflito de interesse, mas não é tudo. É importante, por exemplo, a exclusão do Tesouro do comitê que decide sobre juros, e de ministros gastadores do Conselho Monetário Nacional.

Pois bem, é disso que se trata a independência do BC, mandatos fixos, junto com impedimentos (restrições para recrutar no sistema bancário) e quarentena (vedação temporária a trabalhar no sistema financeiro depois de exercer cargo de direção no BC).

O Senado nunca teve maiores restrições ao tema, pelo contrário: sempre houve contrariedade com o fato de que é chamado a sabatinar e aprovar, mas não é consultado na hora de demitir. Talvez o assunto já pudesse ter sido fixado em lei há tempos. Só não foi porque é matéria de lei complementar, debaixo do artigo 192 da Constituição, e até a Emenda Constitucional 40, de 2003, não era possível fazer uma lei complementar para o tópico específico dos mandatos sem regulamentar todos os outros assuntos mencionados no artigo 192.

Desde então, o caminho está aberto, alguns projetos já andaram, mas não houve interesse no tema, e a principal explicação para isso é que ninguém acredita que alguma transformação espetacular vá se operar por conta dos mandatos, pois, na prática, é mais ou menos o que já vem ocorrendo.

A politização do tema, no entanto, serve para mostrar que o debate eleitoral nem sempre engrandece seus participantes. A propaganda governamental afirmando que a independência equivale a entregar o BC aos banqueiros e a tirar comida da mesa do trabalhador, sem dúvida, é um dos momentos mais lamentáveis de todas as campanhas dos últimos tempos.

Foram anos para o Banco Central do Brasil construir sua credibilidade ao vencer a hiperinflação, devolver ao Brasil uma moeda digna e manter a inflação sob controle, graças ao fato de ter se comportado de forma independente, conforme determinado pelos presidentes Fernando Henrique e Lula.

Esse acervo pode ser destruído rapidamente quando o próprio governo afirma em rede nacional de TV, em inserções repetidas, que a independência significa a captura pelos bancos e prejuízo ao trabalhador. Não se poderia imaginar maior desserviço à construção institucional da moeda.

É de se presumir que, em um governo que pensa assim, a presidente é quem manda na política monetária, de modo que fica ainda mais deslocada a queixa-crime proposta pela procuradoria do BC contra um economista, ex-diretor da casa, que acusou a instituição de “subserviente” e de trabalhar mal. A propaganda e as declarações da presidente servem como confissão para a primeira acusação. A segunda, como o episódio ajudou a aclarar, é matéria de opinião e não de direito penal.

De forma não menos equivocada, também aparece o argumento segundo o qual os mandatos aos dirigentes do Banco Central subtrairiam poder das autoridades eleitas, do presidente e do Congresso, a favor de burocratas, o que é uma falácia muito comum nesse debate.

Para começar, os ditos burocratas são escolhidos pelo presidente (como ministros e secretários) e aprovados pelo Congresso, um rito comum para o exercício de diversas funções de estado. Não se concebe que haja eleições para a Anatel ou para o BC, bem como para promotor ou para a magistratura. Tampouco que esses cargos tenham que ser exercidos por parlamentares, e por indicados pelos partidos políticos, ou que tenham seus titulares escolhidos em assembleias de conselhos populares ou de representantes da sociedade civil.

O fato é que há uma prática internacional solidamente estabelecida e consagrada sobre independência do BC. Por isso, e também pela percepção de que o Brasil estaria apenas formalizando o que já praticava há vários anos, a independência do BC vinha se tornando um tema banal, que ia acabar formalizado por gravidade.

Quem ouvia o presidente Lula falar do assunto tinha a sensação de que era um assunto pacificado, mais simbólico que prático, e de certa relevância apenas para um público especializado, de modo que ficava guardado como uma espécie de “carta aos brasileiros”, versão 2.0, em caso de necessidade. Foi mais ou menos assim que o assunto reapareceu, pela manifestação de Marina Silva, mas ninguém poderia imaginar a catastrófica resposta da campanha oficial. Em duas semanas, a evolução das instituições monetárias brasileiras regrediu uma década ou mais.

 
16 de setembro de 2014
Gustavo Franco, O Globo