"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

QUEM MANDA NO GOVERNO DILMA

 
Que time se arriscaria a perder o campeonato mantendo no banco de reservas o maior craque de todos os tempos? Exagero. Houve craques tão bons quanto Lula. Por exemplo: Getúlio Vargas, o pai de todos os pobres. E Juscelino Kubitschek, o pai de Brasília. Fernando Henrique, o carrasco da inflação, não pode ficar de fora dessa lista. Elegeu-se e se reelegeu direto no primeiro turno derrotando... Quem?

A MAIS RECENTE RODADA de pesquisas mostrou que Dilma se mantém com 40% a 43% das intenções de votos. Caso a eleição fosse hoje, se reelegeria folgadamente.
Daí que Lula continuará sentado no banco de reservas. Só levantará se Dilma estiver a perigo. Pois como justificar a troca de Dilma por Lula se Dilma segue liderando as pesquisas? 

CORRE A LENDA que Lula manda em Dilma. Pura lenda. "Ninguém governa governador", disse Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco nos anos 50 do século passado. Ninguém preside presidente. Quando Dilma e Lula não se entendem, Dilma faz o que quer. A escolha de Ademar Chioro para ministro da Saúde é um bom exemplo.

LULA E O PT tinham outros nomes para o lugar. Mas Dilma conhecera Chioro ao visitar São Bernardo em dezembro último e gostara de suas ideias. Chioro era secretário municipal de Saúde. Como Lula e o PT poderiam barrar a promoção dele a ministro? Até que poderiam. Não conseguiram.

PARA QUEM VÊ Dilma como uma boba, ela é esperta e aprende rápido. Havia sido esperta ao preencher a vaga de ministro do Supremo tribunal Federal (STF) hoje ocupada pelo jurista gaúcho Teori Zavascki.
Primeiro, sugeriu a Lula um nome ligado a ele e a ela - o do advogado Sigmaringa Seixas. Lula comentou que Sigmaringa recusaria o convite como recusara de outras vezes.

À FALTA DE acordo, Dilma sacou do bolso o nome de Teori. Assim como antes sacara o nome de Luiz Fux também para uma vaga no STF. Fux não inspirava confiança em Lula. Os mensaleiros eram contra sua nomeação. Achavam que Fux acabaria votando para condená-los. Foi o que aconteceu. A criatura costuma se rebelar contra o criador. Dilma não se rebelou.

Nem se limita a cumprir as ordens do criador.

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Para registro da História 
Aécio Neves (PSDB) já esteve mais próximo de se eleger presidente da República do que está. No final de 2005, o escândalo do mensalão ameaçava derrubar o governo. Foi quando Aécio, governador de Minas, meteu-se em negociações para garantir que Lula completasse o mandato.

Aos íntimos, Lula confessou que seu plano B seria montar uma coligação de partidos destinada a apoiar a candidatura de Aécio à sua vaga. Para isso, Aécio teria que trocar o PSDB pelo PMDB.

Não precisou. Afinal, Lula se recuperou. E se reelegeu com folga no ano seguinte.

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A pergunta do Papa 
Dilma contou o que pediu sexta-feira a Francisco, em visita oficial ao Vaticano, onde participou da cerimônia que oficializou como cardeal dom Orani Tempesta. Pediu que Francisco se mantivesse neutro quando os interesses da seleção argentina conflitassem com os interesses da seleção brasileira.

Ela não contou que seu pedido foi motivado por um comentário do Papa argentino ao receber de presente uma camisa da seleção autografada por Pelé. "Mas eu não tenho que torcer pelo Brasil, tenho?"

25 de fevereiro de 2015
Ricardo Noblat, O Globo

A CONSPIRAÇÃO DE LULA

A presidente Dilma Rousseff deve se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima quarta-feira. A relação entre os dois anda cada vez mais tensa. Lula concorda com a tese de que as intervenções excessivas do governo nas relações com o mercado deterioraram o ambiente econômico e afugentaram os investidores.
No ano passado, havia sugerido que Dilma mudasse a equipe econômica, substituindo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. A presidente da República ficou de pensar no assunto e depois disse não, preferiu manter o atual ministro da Fazenda no cargo.


A atual política econômica foi concebida por Dilma, Mantega e pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante; com Meirelles na Fazenda, novamente seria “blindada” pelo mercado, com o ex-presidente Lula de avalista. Desde o “não” de Dilma, porém, o ambiente econômico piorou e a conspiração entre grandes empresários a favor do “Volta, Lula!” não parou de crescer.

A adesão dos petistas à tese já é majoritária, com exceção dos que estão no governo. O ex-presidente da República, porém, na semana passada, resolver puxar o freio de mão e evitar novas reuniões com empresários. Dilma é refém de Lula. O ex-presidente se comprometeu a apoiá-la, mas, se houver risco de perder a eleição, tudo muda.

A propósito, as pesquisas de opinião do fim de semana deram certo fôlego a Dilma Rousseff: mantiveram seu favoritismo nas eleições deste ano. Entretanto, não garantem uma vitória no primeiro turno. As avaliações do governo e de seu desempenho estão estagnadas.

Nada garante que a situação do país vá melhorar daqui até as eleições. Analistas avaliam que a projeção de 2% de crescimento do PIB para 2014 é considerada otimista e sujeita a chuvas e trovoadas, principalmente por causa da alta dos juros, da redução dos financiamentos do BNDES, dos cortes no Orçamento da União e da crise na Argentina. Além disso, o desgaste do governo por causa da Copa do Mundo é maior do que se imaginava. Virou mais uma incógnita do ponto de vista eleitoral.

É dura a vida de Dilma como candidata à reeleição. Mesmo tendo a vantagem estratégica — em relação aos adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) — de fazer pré-campanha no exercício do cargo de presidente, com a agenda de viagens aos estados turbinada e a própria imagem anabolizada por maciça propaganda oficial.

Uma reforma encruada


A reforma ministerial continua incruada. Até agora só avançou para os lados do PT, ou melhor, para os lados do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que foi guindado ao cargo e ainda controla os dois ministérios que ocupou anteriormente, Ciência e Tecnologia e Educação (para os quais indicou técnicos de sua confiança, os ministros Marco Antônio Raupp e José Henrique Paim, respectivamente).
A reforma ministerial empacou devido à resistência do PMDB, que deseja mais participação no governo e cobra apoio eleitoral do PT nos estados, principalmente no Rio de Janeiro e no Ceará, o que não deve acontecer.


O vice-presidente Michel Temer deve ter uma conversa com Mercadante e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, no Palácio do Jaburu, ainda hoje.
Aliado leal da presidente Dilma, está se enfraquecendo com os demais caciques do PMDB por causa da reforma. A conversa é preparatória do seu encontro com Dilma amanhã, para fechar o acordo de participação no governo. Os ministros Edison Lobão (MA), de Minas e Energia, e Garibaldi Alves (RN), da Previdência, ambos senadores, e Moreira Franco, da Secretaria de Aviação Civil, pretendem ficar onde estão.
Os problemas são Agricultura e Turismo, cujos titulares, os deputados Antônio Andrade (MG) e Gastão Vieira (MA), estão voltando para a Câmara. O Ministério da Integração Nacional foi pleiteado pela legenda para fortalecer suas posições no Nordeste.





A aposta de Dilma com o PMDB é alta. Acredita que convencerá o líder da legenda no Senado, Eunício de Oliveira (CE), a aceitar o cargo de ministro da Integração Nacional em troca da retirada de sua candidatura ao governo do Ceará.
Essa seria única forma de entregar a pasta ao PMDB e não ao governador Cid Gomes (Pros) e seu irmão Ciro (Pros), como foi prometido. Até agora, Eunício não deu sinais de que vai jogar a toalha. Caso volte atrás, será mais fácil resolver o problema da bancada do PMDB na Câmara, que articula um “blocão” independente com outros aliados descontentes para pressionar o Palácio do Planalto.
 
 
As pastas da Agricultura e do Turismo seriam suficientes para neutralizar a rebeldia do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), junto da maioria da bancada. A relação Palácio do Planalto com a bancada peemedebista do Rio de Janeiro, porém, já é leite derramado, por causa da consolidação da candidatura do senador Lindbergh Faria (PT-RJ) ao Palácio Guanabara, contra Luiz Fernando Pezão (PMDB), o candidato do governador Sérgio Cabral (PMDB).

A PRIORIDADE É A SEGURANÇA


 
25 de fevereiro de 2014
Carlos Ebner, Folha de SP

TRANSPARÊNCIA OPACA


 
Transparência. Todo mundo é a favor em público, mesmo os que roubam descaradamente. Transparência se tornou uma daquelas palavras-muleta, como foi 'cidadania' no começo do milênio. Nossa semântica engessada joga tanto peso sobre um substantivo que ele se arrasta moroso por um momento da cultura, obrigado a significar um bem universal.

Quem há de ser contra a transparência nas contas públicas, nas votações do Congresso, no contrato com a operadora de celular? Mas há um outro tipo de transparência que não é fruto do progresso cívico. É a que nos coloca vivendo num aquário por causa da tecnologia, da presença da mídia digital, e de hábitos na mídia social que fizeram um rombo no ozônio da privacidade.

Na última semana, a ex-braço direito do magnata Rupert Murdoch na Inglaterra, Rebekah Brooks, hoje ré do julgamento pelo grampo telefônico do defunto tabloide News of the World, mal conteve o choro ao prestar depoimento no tribunal. Qualificou sua vida pessoal de um acidente de automóvel. "De Lady Macbeth a Bridget Jones", bradou sarcástica a manchete de um jornal. A ex-poderosa editora que emprestava seus cavalos ao Primeiro-Ministro David Cameron explicava o conteúdo de seus e-mails, incluídos como peças da acusação, especialmente os que se referem ao seu caso com outro réu, o ex-porta-voz de Cameron, Andy Coulson. Se as lágrimas da Macbeth/Bridget eram de crocodilo, não sei e não há expectativa de transparência que possa ser satisfeita. Meu interesse é sobre o esforço que ela fez para preencher as lacunas deixadas pelos e-mails pessoais, escritos para ser lidos num contexto de intimidade. Embora despreze Rebekah Brooks e o que ela representa na promiscuidade do jornalismo com o poder, reservo meu ceticismo em doses iguais para seus inimigos com relação aos e-mails românticos e o que exatamente eles revelam. Apliquei o teste a mim mesma. Abri alguns escritos pessoais de outra era geológica e soltei um grito mental horrorizado com a ideia de que eles poderiam, em fragmentos, ser usados contra mim.

O fim de semana tinha começado promissor. Acordei cedo e fui me entregar a dois prazeres: um conto de George Saunders e um cappuccino. Mas o café estava lotado e me vi colada à mesa de dois homens, um jovem, o outro de meia idade. Tudo bem, pensei, a linguagem deliciosa do estilista Saunders vai me transportar para o Norte do Estado de Nova York e abafar as vozes. Mas os fragmentos da conversa ao lado invadiram o conto. "I did a dirty swearing" (tomei posse em cerimônia informal); "deixa que eu falo com o Kennedy"; "Fulano (autor famoso, a omissão é minha) tem um pouco de mendácia nele."

A esta altura, apenas fingia que continuava a ler. Percebi, por reconhecer a voz do homem mais velho, que testemunhava a conversa de um novo subsecretário do gabinete de Barack Obama, uma figura conhecida, com um jovem que há de ser o filho de um empresário já morto, um dos inovadores mais importantes do último meio século. Há tempos, nutria antipatia pelo interlocutor mais velho. A conversa só aumentou a impressão de que o homem, cujo salário agora ajudo a pagar como contribuinte, ganhou um paraquedas de ouro para descer em Washington, já que sua encarnação profissional até 2013 estava seriamente ameaçada.

Se trabalhasse para a coluna de fofocas do New York Post, com os escrúpulos conhecidos do tabloide, teria emplacado meia página de revelações pessoais. E não teria contribuído em nada para futuras biografias, no festival de name-dropping (menção de nomes importantes) que tinha acabado de ouvir. Respeito a privacidade dos interlocutores que não me convidaram para sua conversa. As migalhas de fatos deixadas na mesa do café puderam, no máximo, satisfazer meu voyeurismo.

A transparência da vida no aquário não deve ser confundida com a verdade.

ESTE É O RACIOCÍNIO


NO MERCADO ELÉTRICO FALTA O SINAL DE PREÇO


 
25 de fevereiro de 2014
Adilson de Oliveira, Valor Econômico

O ILUSIONISMO DA PRESIDENTE

Quando a presidente Dilma Rousseff, impressionada - para não dizer assustada - com as grandes manifestações de junho do ano passado, cujo alvo principal eram as graves deficiências do transporte urbano, anunciou um ambicioso programa de obras para melhorar esse setor, qualquer observador atento pôde perceber que ela estava prometendo mais do que poderia realizar. Nesse programa, as considerações de ordem política e eleitoral primavam claramente sobre as de ordem técnica e administrativa.

Tudo isso está sendo confirmado por levantamento do estado em que se encontram os projetos, como mostra reportagem do jornal Valor. O resultado é decepcionante. Menos de 20% dos projetos de transporte urbano em cidades médias e grandes que contam com apoio financeiro do governo federal estão sendo executados ou foram concluídos. Em números absolutos, a situação aparece com maior nitidez: de 229 projetos, só 47, em 14 municípios, têm obras em andamento. Concluídos e com obras inauguradas, apenas 6. Os demais nem saíram do papel - estão em fase de licitação ou não passaram ainda pela de estudos de viabilidade técnica e econômica.

Ao tentar justificar o atraso das obras desse programa, comparando-o com o que está em execução na área de saneamento básico, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, acabou se complicando. Lembrou ela que em 2007, quando o governo federal se dispôs a destinar recursos para obras de abastecimento de água e tratamento de esgotos de Estados e municípios, um grande número destes não conseguiu realizar os estudos técnicos exigidos para tal.

No caso dos pequenos municípios e mesmo no de Estados mais pobres, isto era perfeitamente previsível, pois é notório que lhes faltam condições mínimas para isso. Mas o governo demorou a perceber que nesses casos a exigência de projetos de boa qualidade técnica era irrealista. Aos poucos ele está conseguindo suprir essa falha, com o oferecimento de assistência àqueles Estados e municípios.

De acordo com a ministra, hoje 60% dos projetos de saneamento básico candidatos a receber financiamento federal já se enquadram nas exigências do governo.

O mesmo deve ocorrer com o transporte urbano, segundo a ministra, pois também nesse caso o governo vai financiar a realização dos estudos necessários para a elaboração de projetos tecnicamente viáveis por parte de municípios e Estados que não se sentem em condições de cumprir sozinhos essa tarefa. Esta é uma das principais razões para o fraquíssimo desempenho do programa. Ora, se o governo sabia que essa era a realidade a ser enfrentada pelas obras de transporte urbano, com base na experiência recente do saneamento básico, só a vontade de cortejar a opinião pública, majoritariamente simpática às manifestações de junho, parece explicar o lançamento daquele programa com tanto estardalhaço.

É louvável que o governo tenha procurado compreender o recado das ruas, como disse a presidente, e dar-lhe uma resposta. É o que se esperava dele. Mas pelo visto, mais de olho na sua tentativa de se reeleger do que atenta à realidade, a presidente escolheu o caminho errado - o da promessa insensata, para produzir boa impressão e iludir a opinião pública. Prometeu o que não podia entregar.

Dilma Rousseff, que se pretende uma boa administradora - qualidade que seu padrinho, o ex-presidente Lula, sempre lhe atribuiu -, deveria saber que obras de infraestrutura, como as de transporte urbano, não se fazem da noite para o dia, a toque de caixa. Além de grandes investimentos e estudos técnicos - para os quais, como se viu, boa parte dos interessados não está preparada -, elas demandam tempo. Isto salta aos olhos.

O certo teria sido, então, expor com franqueza essa realidade para a população que sofre com a precariedade do transporte urbano, principalmente a das grandes cidades, e propor um programa com etapas bem definidas para sua melhoria. Em vez disso, ela preferiu o caminho fácil do ilusionismo. E o resultado já começa a aparecer - o pífio desempenho de seu tão decantado programa.

VIOLÊNCIA NA SARJETA

 

ELEVAR IMPOSTOS PREJUDICA PAÍS


DROGAS: IMPÕE-SE COMBATER A OFERTA


O Correio apresenta uma série de reportagens sobre mães de filhos dependentes de drogas. Embora pessoais, as tragédias narradas têm abrangência coletiva. A família, os vizinhos, os colegas de escola ou de trabalho e até desconhecidos participam direta ou indiretamente do enredo amedrontador. Ninguém duvida de que uma das causas da violência que se alastra país afora é o milionário negócio dos entorpecentes.
Chama a atenção nas matérias a facilidade do acesso a crack, maconha ou cocaína. Mães contam com naturalidade que saem de casa para comprar o produto que satisfaz o vício do filho. Em desespero, elas pensam evitar mal maior - seja a agressão física motivada pela abstinência, seja a fuga do adicto para as ruas, onde fica exposto a barbáries cujo resultado é de todos conhecido.

A desenvoltura com que os traficantes agem responde não só pelo abastecimento das mães desesperadas, mas pela formação da multidão de viciados. Antes restritos às metrópoles, os narcóticos chegaram às médias e pequenas cidades. Há oferta para todos os bolsos e gostos. Com poucos trocados é possível comprar uma pedra ou um baseado como se compra um refrigerante ou um sanduíche. Os pontos de venda são conhecidos. Alguns fazem as transações com cartão de crédito.

É importante, claro, socorrer drogados e familiares. Adultos e crianças ligados a viciados também adoecem. Mas concentrar-se no sintoma em vez de atacar a causa se assemelha a secar gelo. É como manter maçã estragada entre frutas em bom estado. Ao cabo de pouco tempo, todas deverão ser jogadas no lixo. Com o livre acesso, o exército de enfermos aumenta e contagia adolescentes, jovens e adultos. Cria-se círculo vicioso, que cria outro, outro e mais outro.

Há que combater - com inteligência e profissionais qualificados - a ponta da oferta. As autoridades conhecem a origem, o percurso e o ponto de chegada da droga. Conhecem os distribuidores e os usuários. Conhecem também o poder das somas bilionárias movimentadas pelos cartéis, que corrompem responsáveis pela repressão, compram consciências e disseminam a praga de norte a sul do país.

Este é ano eleitoral. A campanha, sem dúvida, abordará o tema. Promessas não faltarão. Nem projetos milagrosos capazes de curar os dependentes, socorrer as famílias e pôr ponto final no tráfico. No pleito passado, candidatos visitaram - e exibiram em rede nacional de rádio e tevê - grupos de parentes desesperados que buscam amparo mútuo para enfrentar o drama de todos. Passadas as eleições, ficou o dito pelo não dito. Enquanto isso, o tráfico se infiltra no poder e elege representantes. O mal, até o momento, vence a guerra. Passou da hora de virar o jogo - passar das palavras à ação.

25 de fevereiro de 2014
Editorial Correio Braziliense

A FALTA QUE FAZEM ITAMAR E HARGREAVES

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Acusações, tricas e futricas entre os poderosos dão-nos saudades do Presidente Itamar Franco e de seu Chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves.
 

Itamar chegou ao poder por acaso, com a queda de Collor. Era visto por muitos como insignificante e desastrado. Hargreaves era antigo funcionário da Câmara, famoso pelo conhecimento de leis fundamentais para o relacionamento do Executivo com o Congresso. Itamar levou-o para o Palácio.

Concentremo-nos em algumas atitudes da dupla, quando o Presidente do Senado encastela-se para defender-se de acusações que pipocam novas a cada semana e o presidente da República desafia uma subordinada a provar alguma coisa contra a Ministra Chefe da Casa Civil, como se a esta faltasse língua ou capacidade.

Autoridades, inclusive o Presidente da República, não satisfeitas com a dose, repetem o comportamento, com pequenas variações, no caso em que o Secretário Nacional de Justiça é suspeito de atividades que vão contra, precisamente, a justiça.

Ao assumir a presidência, Itamar pediu a renúncia de todos os ministros, direito seu. A versão anedótica (que não é verdadeira, mas conto-a para ilustrar o fato), foi que, ao incluir os três ministros militares (Exército, Marinha e Aeronáutica — ainda não havia Ministério da Defesa) na troca, teria sido procurado por um alarmado Fernando Henrique, perguntando-lhe se ia mesmo demitir os três ministros militares (coisa que Itamar fez). Itamar perguntou a Fernando Henrique: "Por que, Fernando, você está preocupado com eles?" Ao que este teria respondido: "Não, Itamar, estou preocupado com você!"

A cena não aconteceu. Conferi com as fontes. Mas a versão viveu na minha cabeça e ainda vive no imaginário de muitos observadores. Ela é significativa por expressar o susto do observadores com a "audácia" de Itamar: pedir a renúncia dos ministros militares. Isso nunca tinha acontecido. Não foi audácia, foi apenas simplicidade e retidão. O presidente é dono de todos os cargos de ministros, e pediu-os. Os ministros militares em nada diferiam de seus colegas, exceto por usarem farda.

Foi o ato mais importante para restabelecer a primazia do poder civil no Brasil pós-regime militar.
O outro episódio tem mais a ver com a situação de hoje. Hargreaves, Chefe da Casa Civil, foi acusado de algum ato ilícito e pediu para sair do cargo, para não embaraçar seu chefe, o presidente.

Com a mesma singeleza com que pediu e recebeu os cargos dos ministros militares, Itamar anunciou publicamente as acusações a Hargreaves e informou que ele seria afastado enquanto durassem as investigações. Concluidas as investigações, com a mesma singeleza, Itamar anunciou que, como nada havia sido encontrado de ilegal ou desabonador no comportamento de Hargreaves, ele voltava à Chefia da Casa Civil.

As lições que ficam:
  1. Negar repetidamente acusações que aparecem de todos os lados, numa democracia, não transforma mentiras em verdades de tanto repeti-las. Goebbels só conseguiu fazer isso porque o nazismo era uma ditadura.
  2. Na democracia, mais importante do que defender-se ou a amigos com retórica é usar a luz do sol como o melhor desinfetante. Nixon e Clinton foram penalizados porque mentiram. John Dean, advogado da Casa Branca no período de Nixon, conta em seu livro Blind Ambition como a teia de trapalhadas e mentiras vai ficando cada vez mais espessa. Acabou na cadeia junto com outros colegas de alto coturno. John Mitchell, Ministro da Justiça de Nixon, foi condenado, preso e algemado e assim saiu de seu escritório, rumo à prisão.
  3. Precisamos de alguma regra, a se estabelecer não sei se por costume ou por lei, que defina a Presidência da República e o Supremo Tribunal Federal como cargos terminais. Depois deles, voltar à política partidária ou à banca privada não pode ser aceitável. Evita-se o espetáculo de um ex-presidente da república batendo boca no Senado, ainda que em sua defesa.
  4. Presidentes não batem boca com subordinados, desafiando-os a provar isso ou aquilo, seja em defesa própria, seja em defesa dos aliados. Esta atitude não combina com a tal "liturgia do cargo," abusivamente citada. Quanto mais crescem as crises, menos "litúrgicas" ficam as atitudes de gregos, troianos, maranhenses, pernambucanos e paulistas.
  5. Ex-presidentes e ex-Ministros do STF precisam ter uma pensão decente para não terem desculpa para precisar voltar à política ou à banca.
Até hoje não sei se Itamar foi embaixador na Itália, OEA e em Portugal porque precisava do salário ou se porque Fernando Henrique o queria longe.
  1. Ex-presidentes não ficam falando mal de seus sucessores. Eduardo VII, filho da Rainha Vitória e Rei da Inglaterra por pouco tempo, recebeu um pedido de clemência para um regicida, ao que respondeu: "Não posso perdoar as pessoas que matam os membros da minha profissão." De ex-presidentes, espera-se bons exemplos e excelentes comportamentos.
Quando Hillary Clinton foi eleita senadora, um repórter perguntou ao ex-presidente Clinton se ele iria morar em Washington, ao que ele respondeu: "Depende de vocês [repórteres]. Se vocês ficarem me fazendo perguntas a toda hora sobre o atual governo, vou embora daqui." (Não precisou esclarecer que não faz parte do comportamento de ex-presidentes ficar criticando os membros de sua profissão, nem dividindo as sociedades e politéias.)
 
Finalmente, cinco e meia da manhã, inverno em Washington, um dia qualquer, muito frio, saída de passageiros internacionais do Aeroporto Dulles, na Virginia, vi, acompanhado de uma ou duas de suas filhas, de roupa esporte, o ex-presidente Itamar Franco, em pé, perdido entre as pessoas comuns que esperam amigos que chegam. Hargreaves estava no vôo. Tive o impulso de dizer a Itamar: "Bom dia, Presidente, o doutor Hargreaves está na alfândega, mas deve sair já." Mas minha timidez me impediu.
 
Então digo hoje: Bom dia, presidente. O senhor, o doutor Hargreaves e seus exemplos deixaram saudades.

Publicado originalmente em 10/05/2010.
25 de fevereiro de 2014
Alexandre Barros
in ordem livre

OS CÃES DE PAVLOV

http://www.youtube.com/watch?v=C40cXKi4c3Y&feature=player_embedded

Se já não é mole para ninguém, mesmo com todo o equipamento de leitura da realidade exterior em ordem, entender o mundo globalizado e lidar com a necessidade de regorganizar política e socialmente uma humanidade que sequer fala a mesma língua para enfrentar um desafio que doravante só tem solução pelo todo, para os brasileiros, que vivem por traz de uma lente de distorção da realidade implantada em cada cabeça desde antes dela ter consciência da sua própria existência que determina quase que organicamente a formação dos circuitos de processamento do que os seus olhos haverão de enxergar lá fora é praticamente impossível.
Porque, para além da carga que se nos despeja do nascimento até à idade em que o cérebro humano ganha autonomia, vemos essa distorção ser reforçada a cada passo pelo vasto aparato de controle do que hoje se chama brandamente de “correção política” montado para reconfirmá-la e preservar o sistema de poder que nele se apoia.

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Um sistema de poder que, se já não imola fisicamente os dissidentes em fogueiras acesas em praça pública, lincha-os moralmente, confisca-lhes o direito ao trabalho e à sobrevivência econômica (se for um político ou um operário intelectual) e se os degreda da mídia, o que equivale a uma espécie de condenação à não existência.

O “retrato” tirado do país nas manifestações de junho de 2013 – em que a multidão gritava 500 “nãos” mas não era capaz de esboçar um único “sim” neste país onde ha 32 partidos políticos, todos “de esquerda”, refletindo fielmente a “demanda” pautada pela tal lente distorsiva – é um exemplo eloquente da força desse mecanismo repressor do pensamento e da completa inadequação entre o repertório conceitual que nos é incutido e a realidade que tentamos inutilmente decifrar com ele.

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Se para os filhos de outras culturas mais dóceis à evidência dos fatos, lidar com esse desafio é um longo aprendizado para o qual parte-se do zero, para nós, os filhos do dogma e do pressuposto, o aprendizado da realidade existente só pode começar para os que forem, antes, capazes de revogar a realidade suposta que lhes foi incutida a vida inteira como a única verdadeira.

São dois trabalhos. Logo, se a verdade sem adjetivos maiores que a consciência da precariedade de qualquer verdade  está em 100, há quem possa partir para a busca dela do zero e ha quem tenha de partir de menos 100. Considerando-se que no primeiro terço dessa trajetória a inteligência humana não está pronta para um vôo autônomo, é fácil entender porque tão poucos logram conseguí-lo: a vida normalmente não dura o suficiente para percurso tão longo nos dois terços restantes.

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Não estamos sozinhos nessa arapuca. É nesse mesmo labirinto que anda perdida toda a latinidade, aí incluída, pelas razões expostas acima, a maior parte da parcela alfabetizada dela.
Sendo, aliás, a escola e a universidade os principais centros de reforço e elaboração dessa construção distorcida, é mais comum, entre nós, encontrar quem enxergue as coisas como elas são entre os que continuam virgens dessas duas experiências do que entre os letrados e, sobretudo, entre os semi-letrados que constituem a grande força de sustentação do “Sistema”.

Vem de muito longe essa bifurcação dos caminhos da humanidade. O momento decisivo se dá no século 12 quando a primeira universidade da Europa – a de Bolonha – passa do controle dos sábios para o controle dos príncipes (com os sábios incluídos no pacote) num momento de vácuo de poder com o esvaziamento do da Igreja que mantinha todo o Continente até certo ponto “amarradinho”.

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Ali ressuscita-se e põe-se para caminhar sobre a Terra a versão frankenstein de um “direito romano” torcido para parir e sustentar o absolutismo monárquico pelo expediente da constante fabricação de leis de ocasião sob a égide do lema Princeps legibus solutus est (“o príncipe” – que as baixava – “está desobrigado de todas as leis“).

É o regime sob o qual você, brasileiro, vive até hoje, 9 séculos depois, e que o ministro Joaquim Barbosa tenta solitariamente abalar nesses últimos meses.

A Inglaterra mantem o sistema da Lei Comum (Common Law) baseada na tradição, patrimônio comum a toda a humanidade até uma certa altura, portugueses incluídos com o seu “direito foraleiro” e, no mesmo século 12, faz do costume instituição, aparelha-o de um método de processo com a sistematização dos precedentes e sacramenta o juri como garantia da prevalência da procura da verdade pela interrogação dos fatos sobre o arbítrio do juiz ou as verdades reveladas.

Daí por diante nunca mais houve remédio para quem enveredou pelo desvio de Bolonha. Uma olhada neste mapa é quanto basta para confirma-lo.

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Os marcos seguintes do percurso são mistos de intenção e oportunidade.
No século 16 a libido de Henrique VIII leva ao rompimento final com a Igreja Católica e à abertura da Inglaterra a todos os perseguidos do mundo, o que proporciona a uma humanidade até então sempre obrigada, debaixo de bota, a afirmar a fé do soberano, a primeira experiência de livre convivência com a diferença de crenças, de um lado, o que suscita dos reis católicos do Continente a reação pelo Terror contra a novidade que ameaçava suas prerrogativas, do outro.

A França tenta embarcar na abertura (com a revolução da Fronda) mas perde. E é lá, na Universidade de Paris, que um rico estudante basco, exigindo de cada um dos seus seguidores o juramento solene de que “Eu sustentarei até à morte que é negro o branco que meus olhos vêm se assim determinar sua santidade o papa”, funda a Companhia de Jesus, os padres soldados da Contra Reforma que, até bem perto de nós, teriam o monopólio da educação, entre outros menos longevos, nos reinos de Portugal e Espanha.

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O resto são decorrências.
Porque a utopia inglesa é a da liberdade enquanto a francesa é a da igualdade de que não existe um único exemplo na Natureza?

Viver a diversidade de crenças levou os pensadores ingleses, para segurar o terreno conquistado, a erigir a tolerância em fundamento inegociável de todas as relações humanas; a tirar o pressuposto da frente do fato e o dogma da frente da experimentação.
Alguém se perguntou se não haveria algo mais a fazer as maçãs despencarem do galho que a vontade de deus, a Terra saiu do centro do Universo e o homem saiu do centro da Terra.
Nasceu a ciência moderna e nasceu a de
mocracia, cujo fundamento último é, justamente, a ausência de certezas.

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E os filhos da Contra Reforma, em que estavam pensando nessa hora?
Não existe igualdade na Natureza? Sem problemas. Tratamos de imaginar uma Natureza “anterior” a esta que se vê onde a igualdade “estava presente” e, ao lado dela, um demônio que, por pura maldade, desorganiza essa santa paz. O nome desse demônio varia segundo a conveniência do momento: a “propriedade privada”, a “sociedade” … “os americanos”; essas desconcertantes manifestações concretas da própria desigualdade, enfim.
Conclusão:

Quem já nasceu sabendo; quem teve o privilégio de conversar com deus ou trocar segredinhos sobre o futuro com “a História” e vive atormentado pela renitente rebeldia dos fatos contra a ordem em que deveriam se conformar em ter permanecido, trata de “disciplina-los” punindo quem os vê como são e assim contribui para impedir a igualdade “perdida” de retomar o seu devido lugar na ordem das coisas.

Já quem se pergunta humildemente porque diabos as coisas são como são, logo aprende que as respostas têm estado muito mais frequentemente erradas do que certas e que há grande chance de haver erro nas suas próprias convicções do momento e verdade nas alheias, e que portanto, a liberdade – de pensar, de dizer e de agir para lá e para cá ao sabor dos acontecimentos – tem de ser inegociável, ou não haverá segurança possível para ninguém.

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SÃO PAULO EM 1943

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 25 de fevereiro de 2014
Filme indicado por Lourenço Meirelles Reis

FHC, OS 20 ANOS DO PLANO REAL E A TROPA DE CHOQUE PETRALHA

FHC fala sobre os 20 anos do Plano Real, mas tropa de choque do PT reage e tenta pegar carona

fhc_16Tropa de choque – Como era de se esperar, o PT arrumou um jeito de faturar politicamente no vácuo da solenidade realizada no Senado Federal em comemoração aos 20 anos do Plano Real, que conseguiu livrar o Brasil da herança maldita deixada por José Sarney, cujo sucessor, Fernando Collor, não conseguiu debelar – a inflação galopante.

Senador pelo PT do Acre, Aníbal Diniz subiu à tribuna do Senado, após o evento, e afirmou que o Plano Real foi uma conquista do povo brasileiro, como se os petistas não tivessem criticado duramente a ação do governo da época para derrotar a inflação e a indexação da economia.

O senador acreano destacou que a fala de Fernando Henrique Cardoso foi importante, pois o ex-presidente afirmou que o Brasil de hoje é muito melhor do que aquele que ele deixou.

Sobre o tema, FHC, ao comentar artigo do ex-presidente Lula publicado nesta terça-feira (25) no jornal “Valor Econômico”, o tucano concordou com o petista no que diz respeito à melhoria do Brasil.
Contudo, FHC disse que “o presidente Lula sempre faz uma comparação como se a história começasse com ele”. “Ele (Lula) disse que a inflação em 2002 era de 12% e agora é de 6%. Só que, em 2002, a inflação era dele. Nós derrubamos de quando era 40% ao mês”.

Só mesmo um oportunista, como é o caso de Aníbal Diniz, pode afirmar, depois de uma década de lambanças, que a economia e o País estão melhores.
O PT conseguiu, ao longo de pouco mais de treze anos, destruir o que os brasileiros construíram a duras penas.
A economia nacional só resistiu a esse período de irresponsabilidades porque os fundamentos do Plano Real continuam sólidos, apesar da necessidade de ajustes e mudanças, como afirmou FHC em seu discurso.
Os economistas que participaram da elaboração do Plano Real participaram do evento no Senado, exceto o ex-ministro e ex-governador José Serra.
É preciso mudar
Ao discursar, Fernando Henrique avaliou o momento atual da economia brasileira e ponderou que o Brasil precisa de mudanças. “A partir de certo momento, tem fadiga de material. Eu sofri essa fadiga quando estava no governo. Agora, tem fadiga de material: ‘De novo o mesmo, meu Deus?’. O Brasil é um país novo, precisa de sentir ventos novos”, disse o tucano.

Candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, o senador Aécio Neves adotou um discurso mais ácido, típico de campanha, e não poupou o governo petista de críticas.

“Os doze anos de governo do PT levaram o Brasil a estar hoje mergulhado em ambiente de desesperança e descrença do futuro”. “De tijolo sólido, viramos hoje frágil economia. (…) Quem suceder ao atual governo, governará em tempos difíceis até o país recuperar o entusiasmo num futuro melhor.”

Sobre o plano Real, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discorreu sobre as resistências que sofreu por ocasião da implantação do Plano Real. “Cheguei até a pedir demissão no dia 27, na véspera, porque havia tanta resistência de ministros que não entendiam o processo, mas o presidente Itamar [Franco] foi firme, aliás, o presidente Itamar foi sempre firme”, declarou.

Sobre o futuro, Fernando Henrique mostrou-se otimista e esperançoso ao afirmar que o Brasil tem condições de virar o jogo na seara da competitividade, mas que no momento a situação é de desvantagem. “A tributação é muito elevada, as estradas ruins, os portos, ruins, encarece a produção. Isso tudo tem que ser enfrentado. Dá para enfrentar? Dá. Vamos enfrentar”, finalizou.

Aladim de camelô
O espetáculo pífio da missa encomendada pelo Palácio do Planalto ficou por conta da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que continua devendo explicações sobre o pedófilo que a assessorou na Casa Civil.
Gleisi ocupou a tribuna do Senado para defender o seu partido e reforçar a tese boquirrota da herança maldita.

A economia brasileira está arruinada, mas a senadora petista insistiu em salientar o atual volume de reservas.
O que mostra que Gleisi nada entende de economia e por isso não pode governar o Paraná, um dos mais importantes estados brasileiros.
Só faltou a senadora petista dizer que Lula, além de ser Deus, é a reencarnação de Pedro Álvares Cabral, pois coube a ele, o ex-metalúrgico, descobrir o Brasil.

25 de fevereiro de 2014
ucho.info

A HOMEOPATIA DE RASPUTIN


Já que o Argento e o Milton mencionaram a homeopatia em comentários, eu também vou dar meu pitaco.

A proposta inicial da homeopatia tradicional, de Hahnemann, é uma apologia, senão a uma panaceia, a uma “uniceia”, que é o tratamento através da ingestão de uma substância única - mas que varia de indivíduo para indivíduo - capaz de curar desde unhas encravadas até tumores cerebrais no dito cujo. Até que me provem o contrário, isso não passa de uma grande enganação, embora, contando com a sorte, alguma coisa pode até funcionar no caso específico das alergias. Achar que uma só substância tenha as propriedades de equilibrar a tal “energia vital” de cada um, como prega a homeopatia unicista não passa de brincadeira.

Já o princípio não místico da homeopatia, ou seja, a linha organicista, até que faz algum sentido em algumas doenças crônicas, quando há tempo para tratá-las. No organicismo, o médico pergunta ao paciente quais são suas queixas imediatas e receita o medicamento com o objetivo de curar os órgãos doentes, exatamente como na alopatia, só que usando as substâncias como provocadoras dos anticorpos. O problema, além do tempo, é que fica difícil confiar em um negócio que é diluído zilhões de vezes. Há até quem defenda que o simples vestígio de uma molécula em uma solução tem poderes curativos. E desde quando moléculas deixam vestígios?

Aliás, dizem que Rasputin era um adepto de um método parecido. Já que ele era o responsável pela integridade física dos Romanov até como provador de comidas, costumava ingerir doses cavalares, mas não letais, de arsênico, cianuteto e outros venenos, para “acostumar” seu metabolismo a ponto de detectar envenenamentos em alimentos destinados à família, pouco ou nada sofrendo.

Na homeopatia de Rasputin eu acredito, na de Hahnemann, acho que só a sorte pode ajudar.
 
25 de fevereiro de 2014