"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CHINESES DESISTEM DE PLANTAR E AGORA FINANCIAM E EXPORTAM SOJA BRASILEIRA

Empresas chinesas tentaram repetir no Brasil a experiência que tiveram na África, de explorar as riquezas naturais, mas esbarraram nos limites para compras de terras e agora se especializam em financiar a produção, processar e vender soja para o exterior
 
 
Graves deficiências de infraestrutura e abundância de recursos naturais: a China se deparou no Brasil com a combinação que havia servido de base para a sua bem-sucedida inserção na África. Com sua exuberância de capital, experiência em logística e mão de obra treinada e barata, os chineses organizaram a produção e escoamento de minérios e alimentos na África na década passada de maneira a sustentar seu crescimento econômico, que já exauriu seus recursos naturais. Agora, estão tentando aplicar esse modelo no Brasil. 
Em sua penosa curva de aprendizagem, "os chineses estão entendendo que aqui não é a África", observa Marcelo Duarte Monteiro, diretor executivo da Aprosoja, que reúne os produtores de soja e milho do Mato Grosso. Ele esteve quatro vezes na China e perdeu a conta de quantas delegações chinesas recebeu em Cuiabá.
Inicialmente, eles chegaram com a mentalidade de comprar terras e plantar soja, de maneira a assegurar seu abastecimento. Visitaram o sul de Goiás e o Mato Grosso, mas resolveram fixar-se no Oeste da Bahia. O governo baiano abriu escritório em Pequim em 2011.
Recuo. A compra de cerca de 20 mil hectares pela Universo Verde, filial brasileira da Chongqing Grãos, suscitou advertência da Advocacia Geral da União, e uma portaria interministerial, em setembro de 2012, regulamentando a aquisição de terras por estrangeiros. Enquanto eram obrigados a recuar de seu plano de adquirir terras, os chineses perceberam que os produtores locais têm não só uma longa experiência com a adaptação da soja à região - muito diferente das altas latitudes chinesas, de onde o grão é originário -, mas também capacidade de atender um aumento de demanda.
Passaram então a firmar parcerias com agricultores da região de Barreiras, no Oeste da Bahia. Agora seu capital está sendo aplicado na compra de sementes, fertilizantes e implementos agrícolas, que entram como moeda na venda antecipada da produção.
Depois de ouvir a Associação de Irrigantes e Produtores da Bahia (Aiba), a Universo Verde decidiu investir em uma planta de esmagamento de soja em Barreiras. A terraplanagem da área onde ela será erguida já está feita. Arredios, os chineses preferem não falar do assunto.
A China tem excedente de capacidade de esmagamento. Comercialmente, faz mais sentido importar a soja em grão do que em óleo ou farelo. O projeto da planta de esmagamento indica o interesse de fornecer parte desses derivados para os mercados do Brasil e de outros países.
As americanas Bunge e Cargill já têm plantas de esmagamento na Bahia. A da Universo Verde criará mais concorrência para os produtores venderem sua soja, aumentará o valor agregado na economia local e gerará entre 500 e 800 empregos diretos, de acordo com Jairo Vaz, superintendente de Política de Agronegócios da Secretaria de Agricultura da Bahia. "Os chineses estão mapeando o Oeste da Bahia para instalar silos e armazéns para captação de grãos e suprimento da fábrica."
Logística. Hoje, a produção do Oeste da Bahia segue em caminhões para os portos de Santos e Paranaguá, o que encarece muito o seu custo. Mas a expectativa é que daqui a alguns anos ela possa seguir no sentido contrário, por meio das novas ferrovias que interligarão o oeste e o leste aos portos do norte e nordeste, mais próximos dos mercados dos EUA, da Europa e da China. A Universo Verde prevê a construção de um "porto seco", que receberá os caminhões com os grãos, o óleo e o farelo.
A curva de aprendizagem na logística tem sido acentuada. Os chineses chegaram com a experiência da África, onde suas construtoras firmam contratos com os governos, trazem navios com seus operários, constroem rodovias, ferrovias e portos, vinculam esses investimentos com o fornecimento de minério de ferro, petróleo e outros recursos naturais. E pronto. No Brasil, encontraram um ambiente bem mais complexo: grandes construtoras com vasta experiência internacional, mão de obra local, decisões políticas descentralizadas em Estados e municípios, licenças ambientais e agências reguladoras.
"É muito difícil no Brasil", suspira Li Tan, do grupo chinês Hopeful, que planeja investir R$ 400 milhões em um terminal no porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. "Muito longo, muito complicado para aprovar. É muito mais fácil fazer isso na China." O projeto começou em 2007. Está na fase da licença ambiental. Depois de muitas revisões no prazo, a empresa espera que esteja pronto em dois anos.
"É bom proteger o meio ambiente", diz. "A situação do meio ambiente na China é horrível. Pensar no meio ambiente no início é muito bom. Vocês devem fazer isso. Mas a papelada é muito difícil. Toma muito tempo para concluir o processo."
Li, que está baseado no Estado americano de Iowa, diz que "os Estados Unidos também têm essas regulações, mas o processo está se acelerando e é bem regulado".
Em contrapartida: "Às vezes o mercado brasileiro não é bem regulado, você não consegue acompanhá-lo. Você prepara um documento, e dizem: não é esse, é aquele outro. Você faz o outro e dizem que também não é esse, mas um outro. Algumas coisas não são claras."
O negócio do grupo é esmagar soja importada dos EUA, Brasil e Argentina. Do Brasil, importa hoje 1,5 milhão de toneladas por ano. Seu terminal terá capacidade de 8 milhões de toneladas por ano. "Os chineses buscam o Brasil não mais para abastecer a China, mas como mercado consumidor importante, e plataforma de exportação para a região", diz Sergio Amaral, ex-ministro do Desenvolvimento e presidente do Conselho Empresarial Brasil-China.
02 de janeiro de 2013
Lourival Sant'Anna - O Estado de S.Paulo

PRESIDENTE DO TJ-SP TOMA POSSE AFINADO COM BARBOSA

Corte tentará julgar maior número de ações de improbidade administrativa
 
José Renato Nalini prega saída negociada para resolver impasse da ocupação de salas pelo Ministério Público
 
O desembargador José Renato Nalini toma posse hoje na presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo com o intuito de fazer um levantamento dos processos de corrupção.
 
Com isso, ele pretende melhorar o aproveitamento da corte paulista na meta estipulada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para combater este tipo de delito.
 
O TJ-SP atingiu apenas 54% da chamada meta 18, que determinava que todos os processos de improbidade administrativa e de crimes contra a administração pública que entraram na Justiça até dezembro de 2011 deviam ser julgados até 2013.
 
"[Os processos de improbidade e de crimes contra a administração pública] estão disseminados em primeiro e segundo grau, em 327 comarcas. Então primeiro a gente precisa ter um levantamento. Depois verificar se justificaria dar um tratamento diferenciado, já que é uma meta do CNJ. O enfrentamento é depois de ter uma noção exata de onde estão esses processos", disse o presidente.
 
O mandato de Nalini, que foi eleito no dia 4 de dezembro para comandar o Judiciário paulista pelos próximos dois anos, representa uma aproximação da corte de São Paulo com o CNJ, conforme destaca o próprio presidente.
 
"O nosso relacionamento com o CNJ, como corregedor-geral [cargo ocupado por Nalini em 2012 e 2013], foi excelente. Então eu acho que vai continuar assim com a presidência. Basta dizer que a primeira vez que o ministro Joaquim Barbosa veio ao Tribunal de Justiça de São Paulo foi depois da minha eleição. Isso é testemunho de que o conselho e nós vamos estar afinados", afirmou.
 
Nalini diverge de Ivan Sartori --ex-presidente do TJ-- em mais um ponto: a maneira como pretende resolver o impasse com o Ministério Público no que diz respeito à ocupação das salas por parte de promotores de Justiça em fóruns no interior.
 
Sartori levou a questão à Justiça e pediu a desocupação de centenas de salas. O caso foi parar no CNJ.
 
Já Nalini, que foi promotor de Justiça durante quatro anos, diz que não é preciso "despejar" os promotores e servidores do MPE e que fala diariamente com o procurador-geral, Márcio Elias Rosa.
 
"Não há nenhuma necessidade de expulsão, de retomada de espaço. Eu visitei todas as comarcas do Estado e vi que o convívio é muito saudável. Casos localizados têm que ser tratados topicamente. Não é assim de forma abrupta [que a situação será resolvida]", disse.
 
Nalini prometeu se empenhar para conseguir mais recursos para o Judiciário. "O orçamento, embora bilionário, é insuficiente. A estrutura é gigantesca, então precisaria fazer valer a autonomia financeira e administrativa do tribunal."
 
02 de janeiro de 2013
Folha de S. Paulo

FELIZ ANO NOVO!!!


 

 
 
E que em 2014 tenhamos muita saúde para continuar caindo de porrada pra cima dos vagabundos da estrela vermelha!!!

CACETE NA PUTADA!!!!
 
02 de janeiro de 2014
omascate

O POLÊMICO "JEITINHO" BRASILEIRO, OU O INCÔMODO COMODISMO DA ESPERA DA MUDANÇA

Custa mais aos brasileiros do que aos argentinos sair às ruas para protestar, por exemplo.
 
Os brasileiros possuem uma característica especial que poderia ser mal interpretada no exterior: parecem feitos de borracha.
Explico: por exemplo, é difícil ficar bravo com um brasileiro. Nós, espanhóis, ao contrário, ficamos com raiva na primeira oportunidade e soltamos logo um:
"E você pior ainda."
O espanhol vai direto ao ponto. O brasileiro prefere a curva.

Custa mais aos brasileiros do que aos argentinos sair às ruas para protestar, por exemplo. Falta de caráter, como dizem alguns, ou antes sabedoria?

O jeitinho brasileiro, essa fórmula mágica e criativa para resolver os problemas cotidianos daqueles que não têm acesso ao poder, sempre me pareceu mais próxima a uma criatividade ancestral do que a uma incapacidade de querer encarar as coisas legalmente.

Muito se denegriu esse jeitinho, que na verdade não é nada mais do que, como escreveu alguém, a "saída para uma situação sem saída" e, portanto, com grandes doses de engenho que, segundo Sérgio Buarque de Holanda, é o que cunhou o brasileiro como "o homem cordial", que procura sempre agradar e que não aceita o impossível.

Talvez quem melhor tenha defendido o tão vilipendiado jeitinho brasileiro tenha sido a filósofa Fernanda Carlos Borges em sua obra A Filosofia do Jeito. Segundo ela, esse modo característico de conduta sobretudo do brasileiro pobre, mas que também contaminou os ricos, "não é a consequência de um atraso", como sempre foi dito, mas algo que antes revela "um critério ético e uma axiologia sobre um modo de ser no mundo que aceita a participação do imprevisível, da fragilidade, da afetividade e da invenção dentro da organização".

De fato, apenas quem sofreu durante séculos a força da opressão colonial, a herança maldita de uma escravidão que foi a última a desaparecer do globo (em 1888), cujos escravos foram abandonados à sua sorte, ou o que sofreu sobre seus ombros o peso de uma desigualdade sangrenta que ainda hoje é das maiores do mundo, é capaz de inventar esse jeitinho que de alguma forma o alivia das angústias cotidianas.

Os que sofreram uma contenda sangrenta sabem muito bem o que significa fazer economia de guerra, conformar-se com o essencial, procurar saídas à necessidade e inclusive à fome que só os que já sofreram são capazes de explicar. E só esses podem sentir melhor a sensação de redenção quando a fome começa a desaparecer.

Eu me lembro que, já adulto, depois de ter sofrido como criança as garras da Guerra Civil espanhola, eu continuava sonhando com um forno do qual saia um pão quente, máximo objeto de desejo nunca totalmente satisfeito em meus dias e noites de fome.

Os brasileiros mais pobres, que foram sempre maioria, aos quais não restava outra tábua de salvação senão o jeitinho, não podem hoje ser acusados de resignados por não se rebelar quando o poder ainda continua lhes negando às vezes até mesmo o essencial, como o viver numa sociedade com igualdade de direitos, onde se lhes conceda a todos o que precisam para ser cidadãos com dignidade.

Poderiam sair às ruas, como em outros lugares, dispostos a derrubar o poder de turno; poderiam aliar-se massivamente à desobediência civil. Há quem preconize, de fato, com uma imagem dura, que toda essa massa de pobres que se amontoa nas favelas ou vive na marginalidade, com salários que para Europa seriam ainda de fome, poderiam sair um dia de suas tocas e, como um exército de ratos vindos dos esgotos, ocupar a cidade rica, a dos privilegiados, a daqueles que não precisam de jeitinho para sobreviver porque lhes sobram recursos e apoios políticos e judiciais.
Não o farão porque os brasileiros levam em seu DNA a sabedoria de que é melhor "um pássaro na mão do que muitos voando".

E é esse pássaro na mão o que lhes dá hoje a sensação de estar melhorando, embora ainda submersos na classe do andar de baixo. O salário mínimo, com o qual qualquer político morreria de fome, é pouco, mas hoje, com seus pequenos aumentos anuais, é suficiente para que os que nunca tiveram nada possam começar a sonhar.
Era o pedaço de pão duro que minha mãe me dava, que em espanhol tem um nome muito sonoro e depreciativo: mendrugo, aquele que se dava aos mendigos. Às vezes o mendrugo vinha acompanhado de um pedaço de toicinho, cujo colesterol hoje nos assusta mas que então era uma festa. Não sabíamos o que era o pernil que meu pai vendia quando matávamos o porco, para poder comprar remédios.

É possível que os brasileiros, pouco a pouco, como ocorreu nas manifestações de junho passado, comecem a tomar consciência, cada vez com mais força, de que melhor do que o jeitinho seria poder atuar como cidadãos com plenos direitos e deveres numa sociedade em que a lei funcione para todos.
Será, porém, um longo caminho.
Hoje, dentro da realidade atual, com uma classe média que transladada à Europa ou aos EUA seria qualificada ainda como pobre, as pesquisas revelam, entretanto, que 68% dos brasileiros acreditam que seus filhos viverão melhor do que eles.

Isso me lembra o que os meteorologistas dizem sobre a temperatura ambiente, quando distinguem entre a temperatura real e a sensação térmica de frio ou calor, que pode ser muito diferente.

O brasileiro pobre sofreu tantos desencantos, tantas opressões por parte do poder, lhe foram oferecidas tão poucas oportunidades de sair do túnel da pobreza real, que hoje ele se agarra com facilidade e até com alívio a essa "sensação" de que as coisas estão melhorando, mais do que à sua realidade concreta.

É o que noto cada vez que me encontro e converso com essas pessoas da classe baixa. Elas inclinam a cabeça quando são lembradas dos abusos, da corrupção, da falta de decoro e sensibilidade daqueles que os governam desde a prefeitura da cidade até o mais alto poder, com um presidente do Senado, por exemplo, viajando de avião oficial às custas dos contribuintes, para fazer um transplante de cabelo.
E explicam; "Nós sabemos muito bem disso, mas sempre foi assim". E perguntam: "E outros fariam diferente e melhor?", lembrando talvez que foram sempre enganados por todos. A história lhes ensinou de fato que os poderosos sempre usaram e abusaram de seu poder em proveito próprio.

Mas logo eles olham em volta e vêm estacionado na porta da sua casa o carrinho que sempre viram como um sonho proibido para eles, ou a sua mulher curtindo a novela numa televisão que puderam comprar a prazo e que é, inclusive, igual à do seu patrão, ou vêm com orgulho a filha frequentando uma faculdade online, embora continue trabalhando como faxineira.

Acham que isso lhes basta? Sabem muito bem que não; e à sua maneira continuarão lutando para que o forno de pão continue aceso e possam continuar comendo cada vez melhor, até iogurte, que era um sonho proibido como o pernil da minha infância.

E, por enquanto, na esperança de que essa corrente de melhorias que se inaugurou continue seu curso, põem em jogo a sabedoria de seus antepassados de que o melhor é não pedir ainda o impossível para não cair na armadilha de perder o possível. É um jeito de agir.

Os brasileiros não parecem inclinados a revoluções radicais e violentas talvez porque uma experiência de séculos e de povos vizinhos, lhes tenha ensinado que, no final, os poderosos saem sempre mais fortes delas e eles mais pobres e humilhados.

Não por acaso, apareceu numa sondagem nacional uma cifra quase cabalística que traz os políticos na cabeça: 66% dos cidadãos pede mudanças, mas ao mesmo tempo, a pessoa que está no poder dirigindo os destinos da nação, a presidenta Dilma Rousseff, aparece como favorita absoluta para as próximas eleições, enquanto que a oposição, que poderia hipoteticamente mudar a situação e fazer essas mudanças, não cresce nem é, de momento, objeto de grandes ilusões.

É como se dissessem: queremos mais, queremos melhor, mas preferimos que as coisas não se rompam totalmente, que continuem melhorando com segurança. Que haja mudanças, mas que sejam feitas pelos que já começaram a nos dar pão quente e algumas das outras coisas que sempre invejamos dos ricos.

Por isso, nem sequer nos inesperados protestos de junho, os brasileiros exigiram uma revolução, nem uma mudança de regime político, nem uma nova Constituição. Pediram apenas maior respeito por seus direitos e uma distribuição mais justa dessas riquezas que um país como o Brasil possui de modo privilegiado e que dariam para que todos pudessem viver numa casa digna de seres humanos, sem que as primeiras chuvas a arrastem como um papel de fumar; para poder se locomover em transportes públicos que não pareçam mais adequados para gado do que pessoas; ou que seus filhos possam estudar em escolas que não estejam classificadas entre as piores do mundo, ou poder se tratar em hospitais decentes sem meses de espera, o que hoje é privilégio de uns poucos.

De borracha? Incapazes de se indignar como eu mesmo cheguei a escrever neste jornal? Um dia a história nos revelará que os brasileiros, em sua aparente incapacidade para reagir diante da corrupção e da injustiça, o que mostram é uma grande capacidade de sabedoria e pragmatismo.

Uma sabedoria, entretanto, que os responsáveis políticos, os que hoje usam e abusam tantas vezes da paciência dos cidadãos, devem tratar com respeito, já que, do contrário, essa sabedoria poderia se revelar um vulcão que eles acreditavam definitivamente extinto, quando na verdade estava em erupção. E como alguém escreveu há séculos nada é mais perigoso e revolucionário do que "a ira dos mansos".

E junho volta a estar ali na esquina. E as ruas poderiam novamente se encher de descontentes. E, desta vez, se ocorresse, talvez já não víssemos o slogan que percorreu o mundo e que dizia: "Éramos infelizes felizes e não sabíamos". Hoje, os sábios e jeitosos brasileiros sabem que lhes falta muito ainda para serem verdadeiramente felizes e cidadãos de primeira categoria.
Por isso, não lhes bastará ganhar a Copa do Mundo.
Querem poder jogar e ganhar com outras bolas e em outros estádios. E querem fazê-lo de outro "jeito", exigindo aquilo que de verdade lhes pertence e que o poder lhes foi sistematicamente negando.

02 de janeiro de 2013
Juan Arias, El País

A MAIOR CONQUISTA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

Chinesekids         

    

Muito se fala sobre miséria, crise e pobreza mundo afora. A velocidade e os detalhes com que informações sobre situações de miséria extrema chegam até nós pode dar a impressão de que nunca houve tanta pobreza no mundo como hoje. Pergunte a seus pais ou avós sobre como era a pobreza no mundo há algumas décadas atrás e eles certamente lhe dirão que naquela época não havia tanta pobreza. Mas eles estarão errados. 

O fato é que os últimos 40 anos representaram uma queda brutal na proporção de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza (menos de 1 dólar por dia). Trata-se da maior conquista econômico-social da história da humanidade:


Essa redução marcante tanto em termos absolutos (centenas de milhões) quanto relativos (em mais de 80%) é fruto de decisões políticas de países que optaram por reformas liberalizantes, garantindo direitos de propriedade e acesso ao comércio mundial aos seus cidadãos (como notadamente são os casos de Índia e China), foram os maiores beneficiados por este processo.

Ambos, entretanto, acordaram para as oportunidades apresentadas por uma nova era onde custos de transação foram dramaticamente reduzidos. Na Índia do início da década de 1990, o Ministro de Finanças Manmohan Singh (atual primeiro-ministro) foi figura central no desmantelamento das amarras fiscais e burocráticas que impediam os indianos de melhorarem de vida por meio de seu trabalho.

A China encontrou em Deng Xiaoping, secretário-geral do Partido Comunista Chinês durante quase catorze anos (1978-1982), um líder corajoso, disposto a desafiar as alas mais conservadoras do Partido para promover reformas liberalizantes na economia chinesa. Sua mais notória frase dá o tom da disposição do pragmatismo envolvido na abertura da economia de seu país: “Não importa a cor do gato, o que importa é que ele pegue o rato”.

Singh e Xiaoping são figuras políticas. Sua capacidade de transformar uma sociedade está limitada à sua disposição em remover freios estatais que impeçam o exercício das liberdades individuais de seus cidadãos. Índia e China não são, de modo algum, paraísos da liberdade. Mas o fato é que a atuação pró-liberalização desses dois líderes e de tantos outros (como Saakashvili, na Geórgia, e Mart Laar, na Estônia) tornou possível que empreendedores mundo afora encontrassem, nos avanços nas comunicações possibilitados pela internet, uma maneira de se inserirem no mercado internacional, aproveitando-se de sua vantagem comparativa na produção de determinados bens e serviços.

Para deixar a pobreza, não há outro caminho.
Sobre esse grande avanço, afirma Arthur Brooks, presidente do think tank americano AEI (American Enterprise Institute):

"So what did that? What accounts for that? United Nations? US foreign aid? The International Monetary Fund? Central planning? No. It was globalization, free trade, the boom in international entrepreneurship. In short, it was the free enterprise system, American style, which is our gift to the world.

I will state, assert and defend the statement that if you love the poor, if you are a good Samaritan, you must stand for the free enterprise system, and you must defend it, not just for ourselves but for people around the world. It is the best anti-poverty measure ever invented."

Na mesma linha, Milton Friedman também afirmou que "os únicos casos registrados pela história em que as massas escaparam da extrema pobreza foram aqueles em que as massas tiveram capitalismo e livre comércio em larga escala".

Analisando os grandes exemplos de países que deixaram a pobreza (condição inicial de TODAS as civilizações, importante lembrar), não há como discordar de Friedman. Quanto mais liberdade para empreender e produzir, maior é a riqueza. Não há atalho nem fórmula mágica.

Nunca o mundo foi tão rico e com uma proporção tão pequena de pessoas vivendo em condição de miséria extrema. Há motivos para comemorarmos esta e tantas outras grandes conquistas da humanidade alcançadas por meio do capitalismo, mas ainda há muito o que fazer. Aprender com exemplos de erradicação da pobreza por meio da criação de riqueza já é um excelente começo!

P.S.: Diogo Costa também falou sobre esse assunto em suas palestras pelo Liberdade na Estrada 2013. Vale a pena assistir!

02 de janeiro de 2014
Fábio Ostermann

P.S.S.: Um feliz 2014 a todos!

O IMPASSE INSTITUCIONAL


          Artigos - Governo do PT 
O que foi o Mensalão que não a confissão de impotência do PT de construir no Congresso Nacional uma maioria orgânica para governar?

O senador Delcídio Amaral, do PT do Mato Grosso do Sul, declarou:


“Se 2013 foi o ano que não começou, não se espere que o Congresso vote algo importante em 2014: vamos apenas fritar bolinhos.”

O que pensar dessa declaração?

Eu vejo a impotência do Senado por dois ângulos. De um lado, temos que os chamados “avanços” da agenda revolucionária do PT encontraram seu limite dentro da ordem democrática institucionalizada.
O PT não tem como construir uma hegemonia dentro do Congresso Nacional para todos os temas. Seu grande aliado, o PMDB, só apoia as proposituras até certo ponto, repudiando a agenda mais radical.

Do outro lado, temos que o STF tem assumido crescentemente a função de legislador, ao prolatar decisões com força de lei.
Ele o tem feito nos temas que são repudiados pela opinião pública e que são o núcleo da agenda revolucionária, como aborto, casamento gay e outros equivalentes.
Dessa forma, o Congresso Nacional se tornou irrelevante diante da coalização de juízes do STF, francamente alinhados com a agenda revolucionária.

O lamento do senador Delcídio Amaral seria algo a se comemorar se não houvesse essa atuação exorbitante do STF. Este tomou nas mãos a licença para realizar o que não podem conseguir pela via congressual.

Esse impasse revelado mostra que a estratégia de ocultação e “avanço” sub-reptício da esquerda chegou ao seu limite. As ações esdrúxulas do STF correm o risco de aumentar o divórcio entre a população,
tradicionalmente conservadora, e os dirigentes revolucionários.
Essa contradição é insuperável e está prenhe de violência.
 
As eleições de 2014 poderão ser afetadas por esse impasse. Quanto mais claro fica ao eleitorado as más intenções dos petistas e seus aliados revolucionários, menos o PT tem condições de se impor pela via legislativa.  
O que foi o Mensalão que não a confissão de impotência do PT de construir no Congresso Nacional uma maioria orgânica para governar? O fato é que a esquerda, amojada de revolução, pode não querer esperar mais.

Tempos de grandes perigos.

02 de janeiro de 2014
Nivaldo Cordeiro

ONDE ESTÁ ROSEMARY?



A segunda-dama da República, madame Rosemary Noronha, tomou um chá de sumiço. Depois do escândalo que derrubou a toda poderosa chefe de gabinete da presidência, com sede em São Paulo, pouco ou quase nada se sabe sobre o seu paradeiro.
 
Diz-se que ainda reside na capital paulista, na mesma rua e no mesmo apartamento que ocupava antes do imbróglio.
Certeza mesmo é de que Rosemary conta com um batalhão de advogados, formado por pesos pesados das lides jurídicas nacionais.
 
Os ilustres causídicos estão distribuídos por áreas de interesses, conforme os possíveis ilícitos cometidos pela madame. Fala-se em 40 advogados à disposição de Rosemary.
 
Não é pouca coisa, mesmo para alguém que costumava dividir a cabine do avião presidencial com Lula e hospedar-se no mesmo andar onde ficava o apartamento destinado ao presidente.
 
Nunca foi surpresa para os jornalistas que cobriam à presidência da República a intimidade de Rosemary com o principal mandatário da Nação.
Por ser um caso privado, os jornalistas entendiam que era o tipo de coisa que só interessaria ao casal de pombinhos e a mais ninguém. Porém, resta um pequeno detalhe: a partir do momento em que a aeronave presidencial e as hospedagens eram pagas com o dinheiro do contribuinte, o assunto saltava da esfera privada para o interesse público.
 
O ex-presidente Lula tinha todo o direito de dividir os lençóis com quem desejasse, desde que limitasse os custos de seus desejos carnais ao próprio soldo e não aos cofres públicos. O dito popular aqui se comprova: o povo brasileiro tem memória curta. Não se fala mais no assunto e o principal interessado em provar que toda essa história não passa de intriga da oposição e da mídia conservadora, se fecha em um silêncio de convento de freiras  carmelitas.
 
O falastrão, o palanqueiro que a tudo se achava com autoridade para dar seus palpites, agora não dá um pio sobre o que fazia a madame Rosemary Noronha nas aeronaves oficiais e em viagens pelo mundo afora acompanhando a comitiva presidencial, às custas do dinheiro público.
 
Para o Brasil que presta, o caso Rosemary encontra-se na rubrica da ética e da moralidade pública como restos a pagar. Fôssemos um país com mínimo de dignidade e com resquícios de amor próprio, Lula já teria vindo a público para se explicar – e muito bem explicado -  sobre o papel que representava Rosemary Noronha nas coisas da República.
 
O pior ainda esteve para acontecer, quando um candidato ao STF frequentou o escritório da madame pedindo apoio para que fosse nomeado para uma das vagas de ministro da Suprema Corte. Ainda bem que Lula desconsiderou, nessa nomeação, a análise abalizada da companheira sobre o currículo do candidato que pleiteava o cargo. Mas, afinal, aproveitando a virada do ano,  por onde anda Rosemary Noronha?
 
02 de janeiro de 2013
Nilson Borges Filho

GLOBO RECEBEU MAIS DE 495 MILHÕES DE DILMA



02 de janeiro de 2013
in graça no país das maravilhas

CRIATIVIDADE CONTÁBIL E CRISE DERRUBAM BALANÇA

Desempenho, que será anunciado nesta quinta-feira deve ser o pior dos últimos 13 anos e pode até fechar no negativo pela 1ª vez desde 2001

        
BRASÍLIA - A crise financeira e a criatividade contábil do governo Dilma Rousseff derrubaram no ano passado o saldo do comércio exterior brasileiro, depois de mais de uma década de superávits acima dos US$ 10 bilhões. O resultado oficial, que será anunciado nesta quinta-feira, tende a ficar no menor patamar dos últimos 13 anos, ou mesmo fechar no negativo pela primeira vez desde 2001.
Importações realizadas em 2012 mas somente registradas em 2013 e exportações de plataformas de petróleo que sequer saíram do Brasil embaralharam a missão de entender o comércio exterior brasileiro, criando uma contabilidade criativa na chamada "conta petróleo", apontam especialistas consultados pelo Estado.

Até a segunda semana de dezembro, o Brasil tinha exportado US$ 1 bilhão a mais do que importado no ano de 2013, resultado que não deve ser alterado pelos dados das duas últimas semanas do mês passado, segundo projeções do setor privado e do próprio governo.

A reversão de 2012 a 2013 foi violenta: o saldo comercial despencou mais de 90%. A queda não teria sido tão grande caso um volume estimado em cerca de US$ 5 bilhões em importações de petróleo e derivados não tivessem sido registradas pelo governo em 2013. As compras do combustível no exterior ocorreram em 2012, mas a área técnica do governo prorrogou a inscrição deste dado para a balança comercial de 2013. Por isso, o ano começou com grandes rombos externos.

No entanto, esse sinal vermelho das contas foi "consertado" por outra operação envolvendo o setor de petróleo. Até a terceira semana de dezembro, as exportações de plataformas de petróleo somaram US$ 7,73 bilhões, resultado 351% superior a igual período de 2012. Mas com um detalhe importante: essas plataformas nunca deixaram o País. Contabilizadas como exportações, auxiliaram a conta do comércio exterior nacional.

Menos força. Na visão de técnicos do governo, a contabilidade criativa nas contas da balança comercial não "mascararam" o quadro inevitável para 2013: diante da piora no cenário global, as exportações como um todo perderam força, uma vez que há menos mercados com recursos para absorver nossos produtos. Ao mesmo tempo, a penetração dos importados no consumo doméstico brasileiro tem sido crescente, apesar da desaceleração da economia.

De acordo com Welber Barral, diretor da Barral M Jorge Consultores Associados e ex-secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, o quadro deve melhorar em 2014, mas o País não deve voltar a conviver tão cedo com saldos comerciais na casa dos dois dígitos. "Nos últimos anos, concentramos as exportações em produtos primários, e as importações em bens mais sofisticados. Também convivemos com uma valorização excessiva do real, o que dificulta as exportações da indústria", diz Barral. "Nesse cenário, nosso saldo despenca sempre que o preço dos bens primários cai no mercado internacional."

Câmbio. De acordo com a economista Gabriela Fernandes, especialista em comércio exterior do Departamento Econômico do Itaú Unibanco, o saldo da balança deve se aproximar de US$ 7 bilhões neste ano, constituindo uma "leve melhora" sobre o quadro verificado em 2013. "Mas essa melhora será resultado mais da desaceleração das importações, devido à desvalorização cambial, do que uma melhora das exportações."
Entre janeiro e a segunda semana de dezembro, a balança comercial registrou exportações de US$ 236,9 bilhões e importações de US$ 235,9 bilhões.

02 de janeiro de 2013
João Villaverde

A SOLUÇÃO É TUNGAR O CIDADÃO

Não há concentração de renda maior do que aquela promovida por um aparelho estatal que fica com 40% de tudo que a nação produz.
 

Esta manhã do dia 1º de janeiro de 2014 nos traz a notícia de que o Brasil fechou o ano com o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo marcando R$ 1,7 trilhões pagos pelos brasileiros, em impostos, ao longo de 2013. Neste momento, transcorridas poucas horas do novo calendário, ele já está contabilizando uma arrecadação de R$ 3,6 bilhões. Só isso já seria uma péssima notícia. No entanto, sabemos todos: por mais que se pague imposto, sempre falta dinheiro às prefeituras, aos estados e à União. E a solução é tungar o cidadão.

Nos últimos dias, repetiu-se a fórmula desonesta, tramposa, velhaca pela qual a receita do imposto sobre a renda e o salário de quem trabalha pode ser permanentemente aumentada sem necessidade de mexer nas alíquotas.
O governo federal anunciou a correção da tabela de incidência do IR em percentual inferior ao da inflação confessada pelos medidores oficiais. Na mesma batida, a autoridade fiscal federal anunciou um aumento de seis pontos percentuais na alíquota do IOF aplicado sobre saques em moeda estrangeira no exterior.
A troco de quê? Para equalizar com o valor já vigente para as compras com cartão de crédito, ora essa. Em vez de pagarmos 0,38% passaremos a pagar 6,38%.
Fica-se com a impressão de que o governo "fez justiça" - porque era injusto que uma operação pagasse menos imposto do que a outra. No entanto, como bom punguista, o governo apenas arrumou um outro bolso para enfiar a mão.

O resultado é que, ano após ano, sob os olhos do Poder Judiciário e do Congresso Nacional, sem ninguém que nos defenda, estamos pagando mais tributo sobre a mesma renda e mais tributo sobre os mesmos bens e serviços. É a infeliz lei da nossa vida: os fatores determinantes da carga tributária nacional - gastança, privilégios, corrupção e incompetência - exigem que o poder público se dedique a tungar os cidadãos.

Nossos tímpanos calejaram de escutar que o país vive sob um sistema econômico iníquo, que gera aberrantes desníveis de renda e concentração de riqueza. Tão repetida cantilena tem sido música ambiental para a troca de afeto e carícias entre o populismo e o esquerdismo, e não faltam devotos do Estado para apadrinharem esse casamento que promete gerar igualdade, justiça e prosperidade.
De nada vale os fatos berrarem pela janela que isso é loucura. Se ouvissem a voz dos fatos compreenderiam que estão pretendendo resolver um problema através da reprodução de suas causas.

O efeito da repetição é tão eficiente que quem escreve o que acabei de escrever passa a ser malvisto. De nada vale dizer que o problema do Brasil está no sistema político e não no sistema econômico.
De nada vale afirmar que não há concentração de renda maior do que aquela promovida por um aparelho estatal que fica com 40% de tudo que a nação produz! De nada vale informar que tão brutal, perversa e inútil captação de recursos para custear a rapina aos cofres do Estado só faz travar o desenvolvimento do país.

Mais ganancioso e perverso, só traficante. Mas a repetição dos chavões contra o setor privado produz a cegueira política sem a qual ninguém se deixaria conduzir pelo nariz para o abismo, crente de que, graças ao Estado, os pobres estão, mesmo, comendo filé mignon.
 
02 de janeiro de 2013
Percival Puggina

MENTIRAS, O ALIMENTO DO PT



02 de janeiro de 2013
in mario fortes

CORRUPÇÃO LULOPETISTA?


AFRICANODUTO E CUBANODUTO DO PT.
Governo classifica US$ 6 bilhões em créditos como ‘secretos’.
Após o escândalo do Mensalão — que estarreceu todo o Brasil e pôs a nu a manobra do governo petista para aparelhar o Estado e eternizar-se no poder —, toda atitude obscura do governo passou a ser vista com desconfiança.
 
Uma delas diz respeito aos empréstimos bilionários concedidos a duas ditaduras comunistas, para serem mantidos sob absoluto sigilo até 2027, segundo o previsto.
Por oportuno, transcrevo aqui o artigo “Segredos bilionários”, que sobre este tema escreveu o jornalista José Casado (“O Globo”, 15-10-13):
 
“Os brasileiros estão obrigados a esperar mais 14 anos, ou seja, até 2027 para ter o direito de saber como seu dinheiro foi usado em negócios bilionários e sigilosos com Angola e Cuba.
“Pelas estimativas mais conservadoras, o Brasil já deu US$ 6 bilhões em créditos públicos aos governos de Luanda e Havana. Deveriam ser operações comerciais normais, como as realizadas com outros 90 países da África e da América Latina por um agente do Tesouro, o BNDES, que é o principal financiador das exportações brasileiras. No entanto, esses contratos acabaram virando segredo de Estado.
 
“Todos os documentos sobre essas transações (atas, protocolos, pareceres, notas técnicas, memorandos e correspondências) permanecem classificados como “secretos” há 15 meses, por decisão do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, virtual candidato do PT ao governo de Minas Gerais.
 
“É insólito, inédito desde o regime militar, e por isso proliferam dúvidas tanto em instituições empresariais quanto no Congresso — a quem a Constituição atribui o poder de fiscalizar os atos do governo em operações financeiras, e manda ‘sustar’ resoluções que ‘exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa’.
 
“Questionado em recente audiência no Senado, o presidente do banco, Luciano Coutinho, esboçou uma defesa hierárquica: ‘O BNDES não trata essas operações (de exportação) sigilosamente, salvo em casos como esses dois.
 
Por quê? Por observância à legislação do país de destino do financiamento.’
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) interveio:
 
‘Então, deve o Brasil emprestar dinheiro nessas condições, atendendo às legislações dos países que tomam emprestado, à margem de nossa legislação de transparência absoluta na atividade pública?’
O silêncio ecoou no plenário.
“Dos US$ 6 bilhões em créditos classificados como ‘secretos’, supõe-se que a maior fatia (US$ 5 bilhões) esteja destinada ao financiamento de vendas de bens e serviços para Angola, onde três dezenas de empresas brasileiras mantêm operações. Isso deixaria o governo angolano na posição de maior beneficiário do fundo para exportações do BNDES. O restante (US$ 1 bilhão) iria para Cuba, dividido entre exportações (US$ 600 milhões) e ajuda alimentar emergencial (US$ 400 milhões).
 
“O governo Dilma Rousseff avança entre segredos e embaraços nas relações com tiranos como José Eduardo Santos (Angola), os irmãos Castro (Cuba), Robert Mugabe (Zimbabwe), Teodoro Obiang (Guiné Equatorial), Denis Sassou Nguesso (Congo-Brazzaville), Ali Bongo Odimba (Gabão) e Omar al Bashir (Sudão) — este, condenado por genocídio e com prisão pedida à Interpol pelo Tribunal Penal Internacional.
 
“A diferença entre assuntos secretos e embaraçosos, ensinou Winston Churchill, é que uns são perigosos para o país e outros significam desconforto para o governo. Principalmente, durante as temporadas eleitorais.”
 
* * *
Comentando o tema com um amigo, à saída de uma Missa no rito tridentino, em Belo Horizonte, este me respondeu com a argúcia própria das Alterosas: “Onde tem fumaça, tem fogo. Você não se dá conta de que isso pode perfeitamente ser uma espécie de africanoduto com vistas a canalizar uma parcela de toda essa dinheirama para o PT usar nas eleições a fim de eternizar-se no poder?”.
 
Mais segredos do governo
 
Um governo que exige transparência dos outros, entretanto dá-se bem com segredos.
Depois de ter contratado pesquisas de opinião pública por R$ 6,4 milhões, com vários institutos especializados, para avaliar a receptividade de suas políticas públicas, o Planalto mantém sob segredo os resultados já obtidos.
 
As pesquisas foram encomendadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e os contratos asseguram peremptoriamente que os institutos de pesquisa deverão manter “irrestrito e total sigilo” sobre os “assuntos de interesse” do governo.
 
Em editorial de 22 de outubro último, o jornal “O Estado de S. Paulo” informa que solicitou o conteúdo desses levantamentos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), mas a Secom rejeitou o pedido. Comenta o editorial: “não há justificativa aceitável e lógica para manter fechados a sete chaves alguns resultados desses levantamentos de opinião, que serão feitos até as vésperas da disputa eleitoral”.
 
A Controladoria-Geral da União (CGU), órgão federal responsável pela transparência dos atos públicos, reconheceu que o segredo imposto contraria o princípio do acesso à informação. Também o procurador do Ministério Público junto ao TCU, Marinus Marsico, condenou a decisão da Secom de manter o sigilo das pesquisas e acrescentou: “Todos têm de entender que isso envolve dinheiro público”.
 
O jornalista Cláudio Abramo levantou a suspeita de que as informações obtidas possam ser usadas com exclusividade pelos estrategistas da campanha de Dilma pela reeleição.
Depois do Mensalão, os segredos. Estranho, muito estranho!
 
 
02 de janeiro de 2014
in a direita brasileira em ação

CRIATIVIDADE CONTÁBIL E CRISE FINANCEIRA DERRUBAM BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA

Desempenho, que será anunciado nesta quinta-feira deve ser o pior dos últimos 13 anos e pode até fechar no negativo pela 1ª vez desde 2001
 
 A crise financeira e a criatividade contábil do governo Dilma Rousseff derrubaram no ano passado o saldo do comércio exterior brasileiro, depois de mais de uma década de superávits acima dos US$ 10 bilhões. O resultado oficial, que será anunciado nesta quinta-feira, tende a ficar no menor patamar dos últimos 13 anos, ou mesmo fechar no negativo pela primeira vez desde 2001.

Até a segunda semana de dezembro, o Brasil tinha exportado US$ 1 bilhão a mais do que importado no ano de 2013, resultado que não deve ser alterado pelos dados das duas últimas semanas do mês passado, segundo projeções do setor privado e do próprio governo. Importações realizadas em 2012 mas somente registradas em 2013 e exportações de plataformas de petróleo que sequer saíram do Brasil embaralharam a missão de entender o comércio exterior brasileiro, criando uma contabilidade criativa na chamada "conta petróleo", apontam especialistas consultados pelo Estado.

A reversão de 2012 a 2013 foi violenta: o saldo comercial despencou mais de 90%. A queda não teria sido tão grande caso um volume estimado em cerca de US$ 5 bilhões em importações de petróleo e derivados não tivessem sido registradas pelo governo em 2013. As compras do combustível no exterior ocorreram em 2012, mas a área técnica do governo prorrogou a inscrição deste dado para a balança comercial de 2013. Por isso, o ano começou com grandes rombos externos.
No entanto, esse sinal vermelho das contas foi "consertado" por outra operação envolvendo o setor de petróleo. Até a terceira semana de dezembro, as exportações de plataformas de petróleo somaram US$ 7,73 bilhões, resultado 351% superior a igual período de 2012. Mas com um detalhe importante: essas plataformas nunca deixaram o País. Contabilizadas como exportações, auxiliaram a conta do comércio exterior nacional.
Menos força. Na visão de técnicos do governo, a contabilidade criativa nas contas da balança comercial não "mascararam" o quadro inevitável para 2013: diante da piora no cenário global, as exportações como um todo perderam força, uma vez que há menos mercados com recursos para absorver nossos produtos. Ao mesmo tempo, a penetração dos importados no consumo doméstico brasileiro tem sido crescente, apesar da desaceleração da economia.
De acordo com Welber Barral, diretor da Barral M Jorge Consultores Associados e ex-secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, o quadro deve melhorar em 2014, mas o País não deve voltar a conviver tão cedo com saldos comerciais na casa dos dois dígitos. "Nos últimos anos, concentramos as exportações em produtos primários, e as importações em bens mais sofisticados. Também convivemos com uma valorização excessiva do real, o que dificulta as exportações da indústria", diz Barral. "Nesse cenário, nosso saldo despenca sempre que o preço dos bens primários cai no mercado internacional."
Câmbio. De acordo com a economista Gabriela Fernandes, especialista em comércio exterior do Departamento Econômico do Itaú Unibanco, o saldo da balança deve se aproximar de US$ 7 bilhões neste ano, constituindo uma "leve melhora" sobre o quadro verificado em 2013. "Mas essa melhora será resultado mais da desaceleração das importações, devido à desvalorização cambial, do que uma melhora das exportações."
Entre janeiro e a segunda semana de dezembro, a balança comercial registrou exportações de US$ 236,9 bilhões e importações de US$ 235,9 bilhões.
02 de janeiro de 2013
João Villaverde - O Estado de S.Paulo

DESGRAÇA E MAIS DESGRAÇA NA PETROBRAS

Venda de ativos impede que valor da estatal caia mais que 27% em 2013.
Graça Foster e Dilma Rousseff: duas empulhações como gestoras.
 
O primeiro prejuízo registrado em treze anos pela Petrobras, no segundo trimestre de 2012, foi bem aceito pelo mercado, que viu os números como um reflexo mais próximo da realidade da estatal. Mas, um ano depois, o olhar dos investidores passou a ser novamente de desconfiança. No segundo trimestre de 2013, o resultado foi salvo por uma estratégia de "hedge cambial" (proteção contra a variação cambial) e venda de ativos na África.
 
No terceiro trimestre, sem conseguir fechar a venda de mais ativos para reduzir o mau desempenho (queda de 39% do lucro), uma nova fórmula automática para equiparar o preços dos combustíveis com o mercado internacional foi prometida, o que evitou a queda das ações. Adiada por várias vezes e depois anunciada como não sendo mais automática, a fórmula não teve seus parâmetros divulgados e caiu em descrédito. Em apenas uma dia, o valor de mercado da estatal caiu R$ 24 bilhões.
 
Desde que Graça Foster assumiu a companhia, em fevereiro de 2012, o valor das ações da Petrobras caiu 27%. Segundo analistas, o quarto trimestre deve ter sido ser "salvo" pela venda de US$ 2,6 bilhões em ativos no Peru.
 
Por outro lado, será nesse trimestre que a empresa vai contabilizar o cheque de R$ 6,5 bilhões pela compra de 40% do campo de Libra, no primeiro leilão do pré-sal, além das compras que fez na 12ª rodada de licitações de blocos da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e o expressivo aumento de importações de diesel e gasolina.
 
(Folha de São Paulo)

QUANTO MAIS FALA, MAIS O COMUNISTA QUE COMANDA A EMBRATUR AFUNDA


Veja a versão digital da Folha
 
 
Hoje a Folha de São Paulo abriu a primeira manchete do ano mostrando o tremendo déficit da conta turismo no Brasil. Leia o post que fizemos hoje no final da manhã, logo abaixo. Agora ao final da tarde a Agência Brasil correu em socorro de Flávio Dino, o presidente comunista da Embratur, cujo maior interesse é usar o cargo para ser governador do Maranhão. Os números que ele libera são ainda mais terríveis.
 
Dino informa que o ano deve fechar entre U$ 6,1 bilhões e U$ 7,7 bilhões de faturamento com turismo estrangeiro. Vejam que o presidente da Embratur coloca uma margem de quase 26% para projetar o faturamento de um mês, já que o número de U$ 6,1 bilhões foi atingido em novembro. Como é que um incompetente destes continua no cargo?
 
Na verdade, não sejamos tão maus. Dino está falseando os dados, pois está numa saia justa. Se dezembro crescer na média, gerará mais U$ 550 milhões, fechando o ano em U$ 6,65 bilhões. O que pode significar crescimento zero no ano, já que em 2012 a conta turismo gerou U$ 6,64 bilhões. Deu para entender? Com Copa das Confederações e Jornada Mundial da Juventude, o turismo estrangeiro deverá fechar 2013 com crescimento próximo de zero!
 
Vamos ao segundo número. Dino garante que, com a Copa do Mundo, o faturamento com turismo estrangeiro deverá crescer, atingindo U$ 9,2 bilhões. Dá para acreditar? Isso seria um crescimento de 37% em função de um único evento! Sabendo que a grande maioria dos turistas que visitam o Brasil são latino-americanos, com predominância de argentinos e uruguaios, dá para pensar em uma injeção a maior de U$ 2,65 bilhões em 30 dias de Copa? Aliás, o plano de negócios da Copa previa um incremento de U$ 3 bilhões, que já está sendo reduzido pela Embratur.
 
Em meio a tantas mentiras, uma verdade: na Copa das Confederações, cada turista gastou o equivalente a U$ 1,7 mil. Se vierem os 600 mil turistas projetados, eles terão que gastar três vezes mais para chegar aos U$ 3 bilhões projetados. Não é impossível. Mas é improvável.
 
02 de janeiro de 2013
in coroneLeaks