"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

DESDE MARÇO, APROVAÇÃO DE DILMA CAIU DE 65% PARA 38%


 
O índice de aprovação da presidente Dilma Rousseff oscilou dois pontos para cima desde a pesquisa Datafolha de agosto e atinge 38%, mostra o levantamento da última sexta. Em relação à pesquisa de junho, feita logo após o auge da onda de protestos pelo país, a atual taxa de aprovação está oito pontos percentuais maior. Naquela ocasião, Dilma obteve 30% de aprovação, seu pior índice desde a posse, em janeiro de 2011.
 
A aprovação é a soma das avaliações "ótimo" e "bom" na pergunta sobre o desempenho do governo. Os dados mostram que a recuperação da imagem da presidente continua, mas perdeu força no período mais recente. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, não é possível dizer que a aprovação subiu em relação à pesquisa anterior.
 
O Datafolha também pede para os entrevistados atribuírem uma nota de zero a 10 para a presidente. Dilma conseguiu 6,2 na sexta, 0,1 ponto acima da nota de agosto. As pequenas variações dos indicadores são coerentes com as baixas oscilações das expectativas econômicas dos entrevistados. A expectativa de aumento da inflação oscilou de 53% para 54%. A ideia de futuro aumento do desemprego foi de 39% para 38%.
 
(Folha de São Paulo)
 
14 de outubro de 2013
in coroneLeaks
 

TONY BELLOTO: USE SUA DESILUSÃO

 
Acreditei que às vésperas de 2014 o Galeão seria um aeroporto moderno, e não um labirinto com canos e fios aparentes como o cenário de um filme de terror
 
O país do futuro
O Brasil é um país pródigo em desilusões. No entanto, nós, brasileiros, nunca somos vistos — nem por nós mesmos — como um povo desiludido. O que é uma pena. Temos a aprender com a desilusão.
 
Ilusão
Os Guns N’ Roses lançaram na década de 1990 dois discos de muito sucesso e inspiração chamados “Use your illusion I e II”. O título, “Use sua ilusão”, remete à ideia de que a ilusão — erro de percepção ou de entendimento; engano dos sentidos ou da mente; interpretação errônea — pode ser usada de forma criativa e construtiva, já que a percepção “errada” de um fato pode revelar novos e surpreendentes ângulos desse mesmo fato. Quando nos divertimos e nos emocionamos com filmes como “Toy story” ou com livros como “A metamorfose”, estamos usando nossa ilusão.
 
A semântica não mente
Paradoxalmente, a desilusão nunca é compreendida como o avesso da ilusão, ou seja, uma maneira correta de entendimento. Desilusão expressa sempre descrença e perda de esperança. E isso não é mera semântica. Resistimos a nos desiludir e, mesmo quando nos desiludimos, demoramos a admitir. Por que temos vergonha de aceitar que estamos desiludidos? Por que encaramos a desilusão como uma derrota?
 
Use sua desilusão
Em 1968 James Brown lançou uma música que fez muito sucesso no mundo todo. Sua estrofe principal, um grito de guerra que é também o refrão e o nome da canção, diz assim:
“Say it loud
I’m black and I’m proud”
(“Diga com um grito
Sou preto e me orgulho disso”, numa tradução livre e descuidada).
O funk exuberante do Rei do Soul exorta negros oprimidos à insubmissão e à valorização de seu orgulho próprio. Não à toa tornou-se uma espécie de hino informal do movimento Black Power. Inspirado por James Brown e Guns N’ Roses, orgulhoso de minha desilusão, lanço um outro grito de guerra, destinado aos desiludidos anônimos do Brasil: Use sua desilusão!
 
O caminho da ilusão leva ao palácio da desilusão
Faço uma breve lista de algumas de minhas recentes ilusões. Sou um daqueles ingênuos — se preferir chamar de otário fique à vontade — que acreditaram, entre outras coisas, que a realização da Copa do Mundo no Brasil e das Olimpíadas no Rio trariam investimentos para o país e para a cidade, e que eles seriam revertidos em melhorias nos transportes, aeroportos, hotéis e infraestrutura em geral.
 
1- Acreditei que às vésperas de 2014 o Galeão seria um aeroporto moderno, e não um labirinto com canos e fios aparentes como o cenário de um filme de terror de baixo orçamento.
 
2- Acreditei que em 2014 eu iria até São Paulo num trem-bala contemplando pela janela as comunidades pacificadas.
 
3- Acreditei que o Santos poderia até, quem sabe, empatar com o Barcelona.
 
4- Acreditei que o Supremo Tribunal Federal tinha mudado os paradigmas e dado uma lição de democracia ao condenar os mensaleiros e que no dia de hoje eles estariam lendo O GLOBO na cadeia e não comendo pizza na casa do… como é mesmo o nome dele?
 
5- Acreditei que os policiais das UPPs eram diferenciados e que o Amarildo não desapareceria.
 
6- Acreditei que as manifestações de junho tinham despertado o povo brasileiro e nos ejetado da letargia bovina em que chafurdamos há séculos.
 
7- Acreditei que os black blocs eram apenas um grupo de manifestantes mais exaltados e que, com a ajuda deles — que são muito mais eficientes em meter medo nos políticos do que os manifestantes pacíficos — caminharíamos juntos “hasta la victoria”.
 
8- Acreditei que depois da ditadura militar nunca mais eu veria policiais descendo o cacete em professores.
 
9- Acreditei, acreditei, acreditei.
 
Bananão
 
Ivan Lessa, o grande cronista desterrado, chamava o Brasil de Bananão. Embora seja possível denotar algum carinho na definição, o sarcasmo agudo do apelido é inegável.
Bananão, além de lembrar que nunca deixamos realmente de ser uma república das bananas em escala continental, alude também à acepção de “banana” como o sujeito covarde e sem iniciativa, o popular bundão.
Ivan Lessa foi um dos muitos brasileiros que optaram pelo autoexílio mesmo depois de restaurada a democracia no país.
 
Num de seus textos, revela um dos motivos que o levaram a deixar o Brasil: “Achava que, de uma maneira ou de outra, estava embromando ou sendo embromado por alguém.”
Não é assim que todos nos sentimos por aqui?
 
14 de outubro de 2013
O Globo

"DEMOCRACIA E JORNALISMO"

 
O prestígio de uma publicação não é fruto do acaso

A democracia reclama um jornalismo vigoroso e independente. A agenda pública é determinada pela imprensa tradicional. Não há um único assunto relevante que não tenha nascido numa pauta do jornalismo de qualidade. As redes sociais reverberam, multiplicam, agitam. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de conteúdo independentes. Sem elas a democracia não funciona. Por isso são tão fustigadas pelos que costuram projetos autoritários de poder.
 
Num momento de crise no modelo de negócio, evidente e desafiante, o que não podemos é perder o norte. E o foco é claro: produzir conteúdo de alta qualidade técnica e ética. Só isso atrairá consumidores, no papel, no tablet, no celular, em qualquer plataforma. E só isso garantirá a permanência da democracia. Por isso governos autoritários, apoiados em currais eleitoriais comprados com o preço da cruel perenização da ignorância e, consequentemente, da falta de senso crítico, investem contra a imprensa de qualidade e contra os formadores de opinião que não admitem barganha com a verdade.
 
A crise do jornalismo está relacionada com a perda de qualidade do conteúdo, com o perigoso abandono de sua vocação pública e com sua equivocada transformação em produto mais próprio para consumo privado. É preciso recuperar o entusiasmo do “velho ofício”. É urgente investir fortemente na formação e qualificação dos profissionais. Sem jornalismo público, independente e qualificado, o futuro da democracia é incerto e preocupante.
 
Os diários têm conseguido preservar seu maior capital: a credibilidade. A confiança da população na qualidade ética dos seus jornais tem sido um inestimável apoio para o desenvolvimento de um verdadeiro jornalismo de buldogues. O combate à corrupção e o enquadramento de históricos caciques da política nacional só foram possíveis graças à força do binômio que sustenta a democracia: imprensa livre e opinião pública informada.
 
A revalorização da reportagem, pautas próprias e o revigoramento do jornalismo analítico devem estar entre as prioridades estratégicas. É preciso atiçar o leitor com matérias que rompam a monotonia do jornalismo de registro. Menos aspas e mais apuração. Menos Brasília e mais País real. O leitor quer menos show político e mais informação de qualidade. O prestígio de uma publicação não é fruto do acaso. É uma conquista diária. A credibilidade não se edifica com descargas de adrenalina.
 
Quem tem menos de 30 anos gosta de sensações, mensagens instantâneas. Para isso a internet é imbatível. Mas há quem queira, e necessite, entender o mundo. Para esse público deve existir leitura reflexiva, a grande reportagem. Antes os periódicos cumpriam muitas funções. Hoje não cumprem algumas delas. Não servem mais para contar o imediato. E as empresas jornalísticas precisam assimilar isso e se converter em marcas multiplataformas, com produtos adequados a cada uma delas.
 
Um bom texto, para um público que adquire a imprensa de qualidade, sempre vai ter interessados.

14 de outubro de 2013
O Globo
Carlos Alberto Di Franco

CONTRA MUDANÇA DE PRESOS, PCC COGITA ATAQUES E INFILTRAR CRIMINOSOS EM ATOS

Facção cogita novos ataques e infiltração de bandidos em protestos
 
 
Setores de inteligência das polícias de São Paulo descobriram que membros da facção criminosa PCC discutem uma série de ataques caso chefes da organização sejam transferidos para penitenciárias do Estado com regras mais rígidas.
 
Policiais e agentes penitenciários interceptaram "salves" (ordens) dados a integrantes da facção nos quais classificam as reações do crime organizado em ao menos três níveis. Em última instância poderiam até infiltrar bandidos em meio a manifestações populares em que houver vandalismo.
 
A ideia dos criminosos é aproveitar o quebra-quebra promovido por adeptos da tática de protesto "black bloc" para atacar policiais.
 
Antes de chegar a esse ponto, segundo a Folha apurou com seis investigadores que acompanham os passos de chefes da quadrilha, os detentos cogitam uma série de pequenos protestos dentro das penitenciárias, como impedir a entrada de novos presos em alas dos presídios.
 
A segunda etapa seria o ataque direto a prédios das polícias Civil e Militar, como ocorreu em maio de 2006. Na ocasião, cerca de 500 pessoas morreram em decorrência dos ataques.
 
A infiltração nos protestos seria só em caso de transferência dos 35 chefes do PCC para a penitenciária de Presidente Bernardes, onde os detentos ficam sob o RDD (regime disciplinar diferenciado).
 
Nesse sistema, o preso não recebe visita íntima, pode ficar só duas horas no banho de sol, não há aparelhos de rádio e TV e não pode ler jornais e revistas. As conversas com visitas ocorrem uma vez por semana em um parlatório, que é monitorado.
 
MAIOR OFENSIVA
 
As ameaças do PCC ocorrem em reação ao pedidos de prisão de 175 suspeitos de integrar a facção e de transferência de 35 chefes. As solicitações foram negadas pelo Judiciário, mas o Ministério Público recorreu.
 
O argumento dos promotores é que se não houver a transferência para o RDD esses criminosos continuarão comandando delitos de dentro da prisão. Essa é a maior ofensiva contra a facção desde sua criação, em 1993.
 
A investigação identificou que a organização criminosa tem cerca de 11.400 membros em 22 Estados, no Paraguai e na Bolívia.
 
Além disso, descobriu que ela movimenta R$ 120 milhões por ano e discutiu ataques a autoridades do governo do Estado.
 
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que não se manifestaria sobre informações de inteligência policial, mas que as polícias estão prontas para combater o crime organizado.
 
14 de outubro de 2013
AFONSO BENITES - Folha de São Paulo
 
 Editoria de arte/Folhapress 

E LÁ VAI O BRASIL ROLANDO A LADEIRA...

Romário admite possibilidade de ser candidato a governador do RJ
 
Romário: 'Tem muito político que merece porrada'

Presidente do PSB no Rio, Baixinho admite a possibilidade de ser candidato a governador ano que vem, embora sonho seja disputar a Prefeitura da cidade em 2016

                                                      
Romário tem 47 anos, "quase três“ de política, como ele mesmo diz, e está se profissionalizando na vida partidária. Presidente do PSB no Rio, partido que ele chegou a se desfiliar, agora admite a possibilidade de ser candidato a governador ano que vem, embora o sonho mesmo seja disputar a Prefeitura da Cidade Maravilhosa em 2016.
 
Pelo sim, pelo não, já vai distribuindo críticas ao prefeito Eduardo Paes e ao governador Sérgio Cabral, ambos do PMDB, para ir treinando. A marra é a de sempre, mas o Baixinho anda desenvolvendo a estranha mania de admitir que seu jeito “explosivo” o atrapalha. Romário agora tem fé que o Brasil pode ganhar a Copa e diz que Edmundo é um “cara do bem”.
 
O DIA : O sr. acaba de voltar para o PSB, depois de se desfiliar em agosto. Acha que tomou a decisão certa?
ROMÁRIO:  Estou bastante, muito feliz no PSB. Não vejo possibilidade de sair do PSB.
 
Mas por que o sr. saiu?
Porque aqui no estado eu estava engessado: eu só poderia ser sempre candidato a deputado federal. Mesmo com as pesquisas feitas ano passado — na eleição para a prefeitura —, quando eu apareci com 8% (das intenções de votos), em terceiro lugar, nem com isso eu consegui andar. Por exemplo, como foi combinado (agora), ano que vem eu poderia, dependendo das pesquisas, ser candidato a senador. Mas hoje, 80% (das chances) é de ser candidato a deputado federal.
 
Foto:  Maíra Coelho / Agência O Dia
Romário: "Tem político que merece tomar porrada"
Por que isso não acontecia antes?                        
A direção anterior (o ex-presidente regional do PSB no Rio, Alexandre Cardoso, afastado pela direção nacional do partido) já tinha combinado que o PSB apoiava o governo do estado, então a gente não podia andar. E em relação à nacional, houve a falta de contato com o (presidente nacional do PSB) Eduardo Campos. Em alguns momentos, eu queria conversar com ele, mas, pelos motivos dele lá, a gente acabou não se encontrando. Em algum momento eu falei: “Quer saber? Vou ver se consigo através de outra sigla um espaço maior do que eu estou tendo aqui.” Com a decisão de substituir o diretório regional, eu tenho agora liberdade, posso seguir meus planos políticos. Tenho vontade de, em 2016, também dependendo das pesquisas, me candidatar a prefeito. 
 
O sr. acha que tem chances reais de ser um candidato competitivo à Prefeitura do Rio?
Uma coisa que aprendi com meu pai foi: eu só disputo alguma coisa onde eu tiver no mínimo 50% de chances, em igual condição. Se for 49%, já não entraria. Por que eu tenho chance? Eu tenho apenas quase três anos de política, mas conheço um pouco dos problemas que a cidade tem. A cada dia me interesso mais por política, a experiência vem na prática. E eu sei que o Legislativo é 100% diferente do Executivo. Eu imagino o quanto difícil deve ser tocar uma administração de uma cidade como o Rio. Mas, a partir do momento em que você consegue formar um grupo de secretários que te ajudem e que você possa delegar determinados poderes, e essas pessoas, com competência cumprirem o que têm que fazer, eu acredito que você pode fazer uma boa administração. As pessoas que trabalham comigo me ajudam muito. Até 2016, a tendência é que esse grupo cresça, melhore, e até lá eu possa reunir pessoas capazes de me ajudar.
 
O assessor de imprensa do PSB nacional, Evaldo Costa, admitiu que a possibilidade de o sr. ser candidato a governador ano que vem “está na roda”. É possível?

Isso é uma possibilidade. Eu não posso descartar isso. Mas vou repetir: se eu me vir na condição de ter 50% de chances de disputar, vai acontecer. Se não, não me interessa.

 
Levando em conta o cenário hoje, com seis pré-candidatos a governador, o que o sr. consideraria chances reais de disputar?
Se eu ficar em sexto, sétimo lugar, não tem jeito. Se eu estiver nos três primeiros lugares, posso dizer que estou mais ou menos com 50% de chances.
 
Que qualidade o sr. trouxe do campo para a política?
Essa coragem de poder dizer o que tenho vontade de dizer.
 
E defeito?

Eu sou um cara um pouco explosivo em determinadas situações, e isso na política não é muito positivo. Estou tentando deixar essa parte um pouco de lado, mas, às vezes, é meio complicado. Eu estou aprendendo com o tempo, mas esse ranço ainda não saiu de mim nesses três anos. Daqui a pouco sai... 
 
Lindo, mas na prática...
Na prática, não é mole, não é bem assim, não, mas estou tentando... (risos)
Romário diz que aprendeu com o pai a só disputar alguma coisa se tiver 50% de ch
 
Na prática, o que tira o sr. do sério?                        

Por exemplo, o que está acontecendo no Rio com os professores. Não consigo entender como a Prefeitura do Rio não chega a um acordo, se não com o sindicato, que seja diretamente com os professores.
Os professores têm que ser bem remunerados. Se ele (prefeito Eduardo Paes, do PMDB) está lá, foram os professores que trabalharam muito para ele ser o que ele é. Professor tem que ser visto de uma forma diferenciada.
Não pode um professor ganhar R$ 1 mil, R$ 2 mil. Essa é uma coisa que me deixa chateado. Pô, resolve isso, cara! Tira de algum lugar, bota ali, mas tem que resolver. Não pode ficar aí, os caras fazendo passeata, e as crianças vão perder o ano letivo.
 
Como o sr. avalia o governo Cabral?
Você pode fazer duas avaliações. Primeiro, Cabral Pessoa Jurídica foi muito bom para o Rio até determinado momento. Pessoa Física: péssimo, um dos piores exemplos que nós temos na política.
 
Como assim?
(Exemplos) de conduta, de atitudes ruins, negativas. Pô, o cara todo dia andava de helicóptero, isso não pode passar impune. Isso é até uma falta de respeito com a população, principalmente com a população que anda de ônibus, de trem, de van, de Kombi.
 
O que o sr. acha dos black blocs?
O que eu acho, longe de fazer apologia à violência, é que tem muito político que merece porrada mesmo. Não estou dizendo que eles (os black blocs) têm que dar. O político merecer é uma coisa, os caras terem que dar é outra. Mas eu também vejo que uma manifestação pacífica tem saldo muito mais positivo do que acontece como o que a gente tem visto aí. Infelizmente eu não sei te afirmar, mas pelo que parece é um grupo direcionado para causar o caos onde não tem.
 
Um dos gritos de guerra ouvidos nos protestos é “não vai ter Copa”...
As manifestações começaram antes da Copa das Confederações. Eu ouvi isso com relação à Copa das Confederações, e acabou tendo. No que se refere ao futebol, foi um êxito. O Brasil foi campeão. O problema é que os gastos que aconteceram até agora foram feitos para que os estádios, principalmente, tivessem no Padrão Fifa Copa das Confederações. Agora, vem padrão Fifa Copa do Mundo. Não se pode esquecer isso. Algumas coisas vão ser modificadas, novas obras serão feitas, e nova reformas também. Então, um orçamento que era de R$ 28 bi ou R$ 29 bi já está em quase R$ 39 bi ou R$ 40 bi. Isso não pode ser uma coisa que vá dar bons frutos. O legado dessa Copa para a população seria o que estava no caderno de encargos da Fifa, que eram mobilidade urbana e acessibilidade. Essas duas coisas foram as que mais saíram do planejamento das obras. Ou seja: onde eu enxergo que seria a maior contribuição para um legado positivo não vai ter, infelizmente. Ninguém pode em sã consciência concordar que num Mané Garrincha se gastará R$ 2 bi, que no Maracanã também vai passar disso — desses R$ 2 bi, talvez 50% estejam no bolso dos outros. Isso é uma coisa absurda. Esses caras têm que ser presos.
 
Vamos ganhar a Copa?
Espero que sim. Se a pergunta fosse feita antes da Copa das Confederações, eu afirmaria que não, porque a seleção estava jogando muito mal. Mas, durante a Copa das Confederações, o Brasil se acertou, Felipão conseguiu colocar suas ideias em prática dentro do campo, os jogadores entenderam o que ele queria. Hoje eu vejo Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha como favoritos para campeão do mundo.
 
Quem joga mais, o sr. ou Neymar?
Pô, muito mais eu, né? Neymar joga bem, vai ser um dos grandes, mas está muito novo para fazer comparação comigo. Se ele continuar nessa batida, pode até ter a possibilidade de quando acabar a carreira falar que foi melhor que eu. Hoje ainda não.
Sou um cara um pouco explosivo em determinadas situações, e isso na política não é muito positivo Romário.
 
O que o sr. achou da forma como Mano Menezes saiu do Flamengo?
O estrago que ele fez na Seleção brasileira é o que ele fez no Flamengo e que ele provavelmente fará em alguns outros. Você tem que ser homem para assumir a sua posição, por mais que seja contrária à de todo mundo. Não estou dizendo que ele não foi. Mas eu agiria da forma mais correta possível. Ia chegar lá, entregar o cargo, falar com a diretoria: “Eu quero sair porque eu quero. Não tem motivo, mas eu quero sair.” Não deixa de ser um motivo.
 
Se o sr. tivesse que escolher um presidente para o Vasco entre Roberto Dinamite, Eurico Miranda ou Edmundo, quem seria?
O Dinamite é o pior presidente da história do futebol mundial. O cara conseguiu ser pior (presidente) do que (é) deputado estadual, bateu o recorde dele mesmo. Deu péssimo exemplo para nós, que somos ex-jogadores, para a possibilidade de a gente futuramente pensar em ser presidente de um clube. Todo mundo vai falar: “Não viu a cagada que o Roberto fez no Vasco?” Dos três, o Roberto é pior de todos. O Eurico é uma pessoa que eu sempre respeitei, vou respeitar. Se, por acaso, ele for presidente do Vasco, vou ter grande prazer em ajudar. Não só pelo Eurico, mas pela história que eu tenho no Vasco. O Edmundo é uma incógnita. Eu só espero que ele não tenha o Roberto como exemplo de nada.
 
O que o sr. diria hoje sobre o Edmundo?
A gente teve alguns problemas, parou até um tempo de se falar. Como todos nós, ele tem seus defeitos. Mas eu vejo o Edmundo como um cara do bem, um cara que passou por alguns momentos difíceis na vida, mas superou. Na profissão atual, se saiu muito bem, é um cara que tem coragem, faz boas colocações em relação ao que acontece no jogo. Acredito que, se ele for levar isso para a política no Vasco ou na política partidária, pode fazer muita coisa boa por nosso país.
 
Se o sr. for eleito prefeito ou governador, quem vai ser a primeira dama?
Boa pergunta. Até lá eu tenho bastante tempo para escolher. Estou separado há um ano e meio. Primeiro tenho que arrumar uma namorada.

14 de outubro de 2013
Rozane Monteiro - O Dia

PT E PMDB TOMAM R$ 100 MI DO FUNDO PARTIDÁRIO

 

 
PT foi o recordista no recebimento de recursos (públicos) do fundo partidário, embolsando R$ 53 milhões durante o ano de 2012. O PMDB, segundo maior bancada na Câmara dos Deputados, saboreou a tunga de R$ 44,4 milhões dos cofres públicos.

Como é democrático o acesso ao fundo partidário, a oposição também garante seu butim: o PSDB levou R$ 37 milhões no ano passado e o DEM, R$ 22,3 milhões.
 
Somente no mês de setembro foram distribuídos R$ 24,5 milhões do inesgotável fundo partidário entre 29 dos 32 partidos.
 
O PT da presidenta Dilma ficou com a maior fatia do fundo no mês de setembro: R$ 3,9 milhões, seguido pelo PMDB, com R$ 3 milhões.
 
A oposição também recebe dinheiro público sem fazer campanha: em setembro o PSDB embolsou R$ 2,6 milhões e o DEM, R$ 1,2 milhão.
 
Mal foi criado, o Pros já garantiu R$ 2,9 milhões do fundo partidário, em 2013. Já o Solidariedade (SDD), cerca de R$ 5,6 milhões.

14 de outubro de 2013
Claudio Humberto

INFLAÇÃO NO BRASIL É DUAS VEZES MAIOR QUE MÉDIA DO G20

 
Taxa brasileira está em nível intermediário se comparada com outros países do G20
A inflação anual do Brasil até agosto foi o dobro da média dos países do G20, aponta relatório publicado nesta segunda-feira pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
 
A taxa brasileira foi de 6,09% (segundo o IPCA, Índice de Preços ao Consumidor-Amplo, índice oficial medido pelo IBGE), contra uma média de 3% do grupo dos 20 países mais ricos do mundo, calculada pelo Índice de Preços do Consumidor do G20.
Vale destacar que a inflação brasileira está em um nível intermediário em comparação a outros países do G20 - é a sétima taxa mais alta.
 
Outros emergentes apresentaram pressão de preços bem maior nos 12 meses até agosto: na Índia, a inflação foi calculada em 10,7%; na Argentina (onde foram usados índices oficiais, inferiores aos calculados pelo mercado), 10,5%; na Turquia e na Indonésia, o índice ronda os 8%.
 
O índice do G20 é calculado pela OCDE com base em variações de preços de uma cesta de produtos e serviços típicos, em 15 países membros do grupo e com base na média da inflação medida nos países da União Europeia.
 
Segundo o relatório, o índice evidencia "padrões divergentes (de inflação) entre as maiores economias do mundo".
 
"Índia, Argentina, Indonésia e Turquia tiveram as maiores taxas anuais de inflação - iguais ou superiores a 8% - em agosto, enquanto Japão, França, Canadá e Itália tiveram as taxas anuais mais baixas - entre 0,9% e 1,2%".

Juros

A inflação acumulada já sofreu leve redução em setembro em relação ao índice de 6,1% usado pela OCDE, de agosto.
 
O IPCA dos 12 meses até setembro foi de 5,86%, segundo o IBGE - e esta foi a primeira vez no ano que o índice ficou abaixo dos 6%.
 
O aumento dos preços, no entanto, continua a ser uma das principais dores de cabeça do governo. Na semana passada, o Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) de 9% para 9,5%, com a justificativa de que isso "contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano".
 
O aumento dos juros tem sido usado como a principal arma para controlar a inflação, pela lógica de coibir o consumo elevando os custos dos empréstimos.

14 de outubro de 2013
BBC

JOAQUIM ADMITE ENTRAR PARA A POLÍTICA E ATÉ CONCORRER À PRESIDÊNCIA

Joaquim Barbosa admite candidatura a presidente

   




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em palestra na manhã desta segunda-feira, 14, na Conferência Global de Jornalismo Investigativo, no Rio de Janeiro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, deu o pontapé para seu tão especulado ingresso na política.
 
Respondendo a perguntas de jornalistas, Barbosa acenou com a possibilidade de concorrer à presidência da República no futuro, no entanto descartou a possibilidade de se lançar já em 2014. " Nunca cogitei a política, sempre tive uma carreira técnica. O dia em que eu deixar o STF eu ainda terei tempo para refletir sobre isso. No momento, não tenho nenhuma intenção de me lançar candidato a presidente, mas pode ser que no futuro isso mude",  disse o ministro.
 
Dando outra dica que pretende ingressar na vida pública Barbosa ainda afirmou que acha difícil exercer a magistratura no STF até os 70 anos, quando os ministros da Corte são aposentados compulsoriamente. Ele tem 59 anos.
 
Questionado sobre uma possível preferencia a um dos presenciáveis, o ministro foi categórico.  "o quadro político atual não me agrada nem um pouco", afirmou o ministro.
 
Ainda na conferencia, o presidente do Supremo criticou a imprensa sobre o mensalão. " 
"Os repórteres são muito monotemáticos. A obsessão com o mensalão é impressionante", criticou Joaquim Barbosa.
 
O ministro também falou sobre os avanços e retrocessos judiciais do Brasil, direito autoral, inclusão dos negros na sociedade e falou sobre a necessidade de uma imprensa mais "plural". 
 
A Conferência Global de Jornalismo acontece até esta terça-feira, na Pontifica Universidade Católica (PUC), no Rio de Janeiro.
 
14 de outubro de 2013
Zero Hora

FIM DO VISTO DE TURISTA AUMENTARIA FUGA DE BRASILEIROS PARA OS EUA - DIZ AUTORA

Jose Luis Magana/Reuters - 15.jul.2013
Manifestantes marcham contra proposta de anistia a imigrantes ilegais, em Washington D.C, nos EUA
Manifestantes marcham contra proposta de anistia a imigrantes
 ilegais, em Washington D.C, nos EUA
 
O adiamento da visita oficial da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos por conta dos recentes escândalos sobre espionagem americana ao Brasil acabou também deixando para depois o debate a respeito dos vistos para turistas dos dois países.
 
O encontro entre Dilma e Barack Obama neste mês serviria para o anúncio oficial de um acordo sobre o "Global Entry", um sistema atualmente oferecido a visitantes "confiáveis", que permite a entrada em território americano sem passar pelas filas de imigração. A negociação está sendo vista como um primeiro passo rumo ao fim da exigência de visto prévio.

Se o visto deixar de ser exigido, como o Brasil tem defendido, entretanto, vai haver um aumento grande e repentino no número de imigrantes brasileiros vivendo ilegalmente nos Estados Unidos, segundo a professora americana Maxine Margolis.
 
Autora do livro "Goodbye, Brazil - emigrantes brasileiros no mundo", que acaba de ser lançado simultaneamente em inglês e em português (pela ed. Contexto no Brasil), Margolis explicou, em entrevista ao UOL Notícias, que existe uma relação entre o aumento das viagens de turismo internacional de brasileiros e o aumento da emigração.
 
"A falta de visto de turista é o que está impedindo muitos brasileiros de se mudarem de vez para os Estados Unidos, já que a alternativa é vir ilegalmente pelo México, o que é caro e perigoso", explicou, fazendo referência à dificuldade que muitos possíveis imigrantes teriam para conseguir até mesmo entrar no território americano.
 
Segundo ela, é muito comum que o visto de turista seja usado como ferramenta para que os potenciais imigrantes consigam entrar nos Estados Unidos. Uma vez que estão no país, os brasileiros passam a viver de vez no país de forma permanente, ilegalmente.
 
"Se os dois governos concordarem que não é preciso ter visto, vai haver um 'boom' para o turismo nos EUA, mas também vai encorajar imigração" disse.
 

Imigrantes ilegais viram super-heróis em ensaio de fotógrafa nos EUA
 
Uma série fotográfica da artista mexicana Dulce Pinzón retrata imigrantes latino-americanos que vivem ilegalmente nos EUA - principalmente mexicanos - como super-heróis clássicos dos quadrinhos Dulce Pinzón/BBC Brasil

Diáspora brasileira

Professora emérita de Antropologia da Universidade da Flórida, Margolis pesquisa comunidades de brasileiros nos EUA há anos e é autora de várias obras sobre o tema, como os livros "Little Brazil: an Ethnography of Brazilian Immigrants in New York City" (Pequeno Brasil: uma etnografia dos imigrantes brasileiros em Nova York) e "An Invisible Minority: Brazilians in New York City" (Minoria invisível: Brasileiros em Nova York).
 
Em "Goodbye, Brazil", ela trata da recente onda de emigração de brasileiros para todo o mundo, que nunca tinha sido registrada na história do país até os anos 1980, e que agora registra mais de 3 milhões de expatriados. A pesquisadora traça um perfil desses brasileiros, das suas motivações e das suas comunidades no mundo.
 
"Historicamente, os brasileiros nunca deixavam o Brasil, como americanos nunca deixam os EUA. É um pais formado por imigrantes, nao de emigrantes", disse, ressaltando que os números de imigrantes até o final da década de 1970 eram muito pequenos.
 
A partir dos anos 1980, entretanto, a situação econômica do país começou a incentivar brasileiros a se mudarem para outros lugares do mundo.
 
"A partir de 1986, depois do fracasso do Plano Cruzado, as pessoas da classe média começaram a perder a esperança de que a economia brasileira melhoraria", disse Margolis.
 
As razões para a emigração de brasileiros são primordialmente econômicas, explicou. "Era difícil para os brasileiros de classe média manterem seu estilo de vida com os salários do Brasil, e eles perceberam que se saíssem e tivessem empregos básicos, poderiam juntar dinheiro para um pé-de-meia e voltar ao Brasil para investir numa vida melhor."
 
A pesquisadora explica que é muito comum, no início de processos migratórios, que as pessoas pensem em voltar ao país original depois de alguns anos, mas o que acontece é que as pessoas vão adiando e acabam se estabelecendo de forma mais fixa.
 

Retornos na crise

 
Por conta da crise internacional do final da última década e do aumento do desemprego especialmente na Europa, Margolis diz que é possível perceber um movimento modesto de retorno de brasileiros a sua terra natal, mas diz que "ninguém sabe exatamente quantos voltaram".
 
Segundo ela, entretanto, o movimento neste sentido aconteceu especialmente no auge da crise, em torno de 2008, quando o Brasil parecia estar em uma posição privilegiada na economia mundial. Atualmente, diz, o fluxo de migração continua sendo de saída de brasileiros, mesmo que em menor quantidade.
 
"Acredito que menos gente esteja saindo do Brasil, mas não tenho números. Hoje há menos pessoas chegando do Brasil para viver nos EUA, mas o processo não parou completamente. Suspeito que muitos brasileiros voltaram ao Brasil e descobriram que os salários não são tão bons quanto elas esperavam, e o custo de vida é muito mais alto até mesmo do que em Nova York".

'Brasfobia'

Em seu livro mais recente, Margolis fala sobre um comportamento típico das comunidades de brasileiros no exterior, o hábito de essas pessoas falarem mal uma das outras, que ela chama de "brasfobia". "São brasileiros que dizem 'somos desorganizados porque os brasileiros, quando vão para o exterior, mudam, se tornam egoístas, não têm espirito de comunidade'", explicou.
 
"Descobri que isso existia em Nova York, e várias outras pesquisas encontraram coisas parecidas em Boston, na Flórida e em outros lugares na Europa. Esse tipo de fofoca e de falar mal uns dos outros existe entre outras comunidades, e acho que acontece porque a imigração coloca muita pressão sobre as pessoas."
 
Segundo ela, entretanto é uma ideologia que não funciona muito na prática. "Brasileiros no exterior são amigos de brasileiros, eles se ajudam, mesmo que de forma desorganizada."

14 de outubro de 2013
Daniel Buarque - UOL
Em Londres

"DO MITO AO FETICHE"

 
O conceito de consciência política é tão científico quanto o conceito de mediunidade
 

Em mil anos, lembrarão de nossa época como um mundo preso ao mito da política como redenção. Os medievais esperavam a redenção do mundo pelas mãos de Deus, nós esperamos a redenção pelas mãos da política, do povo, dos black blocs.
 
Quase nada há de científico no tratamento da política no mundo contemporâneo, mesmo no conceito de "consciência política", que é tão científico quanto o conceito de mediunidade. Teremos que esperar mil anos para nos livrarmos dessa crendice.
 
A rigor, quase não existe ciência política entre nós (pensando ciência como um método de observação que induz a teorias sobre os eventos observados), apenas crenças em processos mágicos carregados pelas mãos sagradas do "povo".
 
O pensamento mágico em política se caracteriza, entre outras coisas, pela crença numa teoria a priori da história como processo, teoria esta por sua vez carregada de significado moral autoevidente (uma espécie de pureza moral). Já ouviu falar em algo parecido? Por exemplo, crer que quebrar coisas na rua seja um ato carregado de "justiça social" é como crer na providência divina do coquetel molotov.
 
Dias atrás, o editorial desta Folha falava do "fetiche da democracia" para discutir a eleição direta para reitor da USP. Eu mesmo, nesta coluna, outro dia, falava dos inúmeros fetiches que marcam o debate filosófico-político entre nós, além do fetiche da democracia, o do povo, o da revolução, o das redes sociais, entre outros.
 
Como antídoto a essa moléstia do pensamento, proponho a leitura do livro "Mito do Estado", uma pequena pérola do filósofo alemão Ernst Cassirer.
 
Obra tardia na vida de Cassirer (1946), esse livro é uma espécie de testamento pessimista deste grande neokantiano. Cassirer ficou conhecido como autor de duas grandes obras em vários volumes: "Filosofia das Formas Simbólicas" e "O Problema do Conhecimento" --não sei se existem traduções delas no Brasil.
 
Cassirer "saiu da moda" porque pecaria por ter pensado (devido ao componente hegeliano do neokantismo) a história nos moldes de uma evolução (um tanto hegeliana) na qual passamos do modo mítico ao modo lógico-científico de pensar.
 
Fugindo da perseguição nazista (ele era judeu), Cassirer morre desesperado com o que ele pensou ter visto: um regresso ao modo primitivo de pensar a política, a saber, a fé num Estado (o fascista) todo-poderoso do qual emanaria a redenção da vida. Cassirer acertou em cheio.
 
Ainda que o fascismo naqueles moldes tenha passado (quem sabe?), permaneceu em nós a relação mágica com a ideia da política como dimensão justificada em sua violência porque redentora da vida.
 
Se vivesse mais, ele veria que o mito do Estado evoluiria para o mito do "povo democrático" como soberano "sábio" e "justo", pelo simples fato de nele repousar a graça da justiça social e histórica (maldito Rousseau!). Resumo este mito como "o mito da política como redenção". Puro pensamento mágico.
 
Quando vemos black blocs quebrando bancos, carros e lojas, sob o efeito do mito da política, procuramos nesse simples ato de violência alguma teoria política que justifique a violência. Mas não existe.
 
Pensar que há é semelhante aos inquisidores que pensavam existir no ato de queimar pessoas vivas um passo necessário à salvação daquelas almas perdidas.
 
A "inquisição das ruas" hoje pensa que nossa sociedade está perdida e precisa ser salva por tais sacerdotes da pureza política. Mas o pior é que a classe intelectual é quase toda o alto clero dessa falácia. Rirão de nós em mil anos por crermos nessa mitologia da revolução.
 
Daqui a mil anos verão que a Revolução Francesa (mito fundante desta seita que dá em black blocs) foi um fato desnecessário para o fim do mundo medieval. Pessoas quebrando coisas na rua não implica em melhoria política. A Argentina "vive na rua" e sua política é risível. Os EUA nunca "vão pra rua" e são a melhor democracia do mundo.
 
Nosso mundo contemporâneo é superficial demais para sustentar mitos, por isso prefere o fetiche do porrete como pau duro na sua marcha redentora por "um mundo melhor".

14 de outubro de 2013
Luiz Felipe Pondé, Folha de São Paulo

MARINA SE TRASNFORMOU NA ESTRELA DA ALIANÇA. TURMA DE CAMPOS TENTA ESFRIAR ÂNIMO DOS "MARINEIROS"

Marina Silva e Eduardo Campos fizeram uma aliança, como se sabe. E, à diferença do que se noticiou inicialmente, não está definido que será ele o candidato à Presidência. Se ela continuar com o dobro das intenções de voto, permanecendo em segundo lugar na disputa, será a candidata do PSB.
 
Digamos que, por qualquer razão, a candidatura de Dilma Rousseff se esfarele ou que, no curso dos meses, simulações de segundo turno indiquem uma vitória de Marina. Não tenham dúvida: o candidato do PT será Lula, que, como ele mesmo disse, “está no jogo”.
E, nesse caso, Campos está definitivamente fora da disputa.
Assim, a possibilidade de Marina ser o nome do PSB em 2014 era um dado da equação desde o acordo. Só que há um porém: o combinado é que seria ele, não ela, a grande estrela da aliança. E isso não está acontecendo.
 
Marina, como de hábito, vai com muita sede ao pote. Sei que não parece, mas vai. Tem ainda o dom de atrair os holofotes. É evidente que Campos ficou a reboque. Chegou-se a saudar, por alguns instantes, a sua habilidade e coisa e tal, mas passou logo. Só se fala em Marina. Já no segundo dia, ela mandou pelos ares um aliado do governador em Goiás, o deputado Ronaldo Caiado (DEM). Há três dias, Walter Feldman, neomarineiro, demonstrava inconformismo com o fato de o PSB, em São Paulo, pretender se alinhar com Geraldo Alckmin — a legenda pertence à base de apoio ao governador.
Os marineiros, em suma, começaram a hostilizar os aliados de Campos.
Na entrevista (post anterior) concedida a Laryssa Borges, da VEJA.com, o ex-ministro Fernando Bezerra, que vai coordenar o programa de governo do PSB, tenta pôr as coisas no eixo, reiterando que o candidato do partido é, sim, Campos. Também garante que Marina não tem poder para vetar alianças. A entrevista se faz necessária em razão do estresse dessa primeira semana. Marina ser vista também como candidata incomoda Campos e aliados muito menos do que a sem-cerimônia com que ela e seus partidários começaram a entrar na economia interna do partido.
Isso não é novo. Marina fez o mesmo no PV. Passada a eleição, decidiu simplesmente apear toda a antiga direção da legenda em nome da “renovação” — e contou com o apoio entusiasmado de setores da imprensa. Daqui a pouco, ela e os seus migram para a “Rede”. Se Campos e os pessebistas não tomarem cuidado, restarão com um partido desconjuntado.
Os dois vão ter de voltar à prancheta para resgatar os termos iniciais da aliança: a) qualquer um pode ser o titular da chapa; b) tudo será feito para tornar viável o nome dele; c) ele, Campos, tem a condução do processo.
Depois, é só combinar com os russos.
 
14 de outubro de 2013
Reinaldo Azevedo - Veja

PETISTAS GARGALHAM ENQUANTO COMETEM CRIMES ELEITORAIS. SOB O COMANDO DELE.


Sem dizer o nome, pode chamar de criminoso eleitoral e chefe de quadrilha do partido que pratica crimes eleitorais, diariamente.
 
Sem mandato e sem pretensão de disputar as eleições de 2014, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem elevando o tom de suas declarações para promover a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e o ministro Alexandre Padilha, seu escolhido para disputar o governo de São Paulo pelo PT. O petista já disse que pretende substituir a presidente em comícios e, em São Paulo, trocou as afirmações sobre a importância de vencer pela primeira vez o PSDB no Estado por pedidos de votos.
 
Em dois discursos recentes em prol do ministro da Saúde, arrancou risos da militância ao declarar que não poderia falar sobre a candidatura porque estaria cansado de multas da Justiça Eleitoral. "Cada vez que faço um discurso falando de campanha, me multam em R$ 5.000. Portanto, Padilha, não vou falar em seu nome", disse Lula no último dia 29. Em seguida, arrematou: "Por isso, quero terminar dizendo a vocês, sem ter falado de eleição, que nós precisamos eleger o Padilha para ele ajudar a Dilma".
 
A propaganda eleitoral só será permitida a partir do dia 5 de julho do ano que vem, e a divulgação antecipada é punida com multas de R$ 5.000 a R$ 25 mil. Atualmente, tramitam no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) três representações de que Lula foi alvo, depois de deixar a Presidência, por promover aliados antes da hora. Em 2012, ele recebeu duas multas de R$ 5.000 cada uma por declarações ao lado de Fernando Haddad (PT), que disputaria a Prefeitura de São Paulo, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), que foi reeleito. Lula recorre das duas penas, ainda não executadas, no TSE.
 
O Ministério Público Eleitoral também pediu que ele fosse punido porque o PT teria usado inserções na TV, em abril e maio, para propaganda eleitoral antecipada de Dilma --Lula estrelava os filmes com a sucessora. O vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, considerou improcedente a representação, por entender que a divulgação é parte do discurso político.
 
AMBIENTE FECHADO
 
Quando "não falou de eleição" em eventos do PT ao lado de Padilha, Lula disse que já foi multado em R$ 20 mil. Seus discursos com o ministro ainda não foram alvo de questionamento na Justiça. Pela lei, não são considerados propaganda antecipada os encontros partidários realizados em ambiente fechado "para tratar da organização dos processos eleitorais, planos de governos ou alianças visando às eleições". A legislação, no entanto, não é clara sobre o que pode ou não ser dito nesses atos.
 
O procurador Eugênio Aragão diz que não é permitido pedir votos ou apresentar alguém como candidato, mas não quis opinar sobre as manifestações do ex-presidente nos eventos pró-Padilha. Ele reconhece que a lei é pouco precisa e quer definir parâmetros para a atuação do Ministério Público em casos de propaganda antecipada. Pessoalmente, é contra "reprimir qualquer manifestação que cheire a campanha".
 
14 de outubro de 2013
in coroneLeaks

O TERRITÓRIO JÁ ESTÁ DIVIDIDO

(CRÔNICA ANTIGA)*

 A idéia de independência dos Estados do sul brasileiro é vista como um sonho separatista de gaúchos saudosos da República do Piratini. O Ministério do Exército afirma que separatismo é barbárie, anomalia cívica, ruptura da unidade nacional. A finada URSS se parte em cacos, a antiga Iugoslávia também, a própria Rússia tem sua unidade questionada: Estônia, Letônia e Lituânia se independentizaram praticamente sem sangue. A Tchecoslováquia cindiu-se em paz, o Canadá quer divorciar-se de si mesmo, a Itália também. Mas esse nosso dinossauro informe, cujo cérebro verde-amarelo nunca conseguiu comandar os próprios membros em nome de uma identidade nacional que jamais foi definida, deve permanecer um só. É o que dizem os que militam pela preservação dos fósseis. Esta tarefa típica de ecologistas está sendo assumida agora por militares, que começam a ranger os dentes ante a uma pacífica iniciativa dos gaúchos. Que também já foi projeto de paulistas, diga-se de passagem.

O que ninguém manifesta – ou prefere não manifestar – é que o Brasil já deixou de constituir uma unidade territorial. Por um punhado de linhas na imprensa internacional, Collor de Mello entregou a dez mil aborígenes que, existindo há milênios, não conseguiram emergir de uma cultura ágrafa, um território equivalente a três Bélgicas, uma para cada três mil índios. Uma recente edição da revista Geografia já tem um chamado de capa sobre “o país dos ianomâmis”. Que ninguém se iluda: os latifúndios entregues de mão beijada àqueles autóctones que sequer chegaram aos preâmbulos de uma gramática, não pertencem mais ao Brasil. Os ianomâmis, que vivem do ócio e da devastação da floresta amazônica, podem ter um país para uso próprio. Gaúcho, catarinense, paulista, gente que trabalha e produz, não pode sequer pensar no assunto. É crime contra a segurança nacional.

Estupro também é crime, exceto quando cometido por índios. Paulinho Paiakan, o cacique caiapó, saudado pela imprensa americana como “o homem que pode salvar a humanidade” estuprou uma menina com a cumplicidade de sua mulher e permanece livre como um passarinho em seu feudo. O processo se arrasta há quase um ano e Paulinho – são simpáticos os diminutivos! – avisou: se for condenado, não sai de sua reserva. Ameaçou inclusive fazer rolar o sangue dos brancos, em caso de condenação. E pensávamos que limpeza étnica é estratégia de sérvios.

A “nação” caiapó, que já faturou US$ 10 milhões nos últimos dez anos exportando madeira de mogno para a Europa, não só não aceita o sistema judiciário nacional, como ainda alberga e protege o estuprador. Se bem me recordo de minhas aulas de Direito, albergar criminoso também constitui crime. Exceto no país caiapó, onde as leis são outras e estupro não é crime. O grave em tudo isto não é propriamente o estupro, crime comum capitulado no Código Penal. Temos agora um cidadão brasileiro, com carisma de salvador da humanidade, que diz com todas as letras que não aceita a lei do país onde vive. Jamais ouvi pronunciamento de autoridade nenhuma condenando esta rebelião civil. Não tenho notícias de que o Ministério do Exército tenha se preocupado com estes senhores que, com todas as letras, negam os sistemas legislativo e judiciário nacionais.

Mal surge a idéia do separatismo, que está longe de ser nova no Rio Grande do Sul, não falta quem fale em racismo e preconceito. Por alusão, evidentemente, aos nordestinos e nortistas, indesejados na nova comunidade. Aliás, depois das exéquias da finada luta de classes, racista é o novo insulto que substitui burguês. O que, no caso brasileiro, é duplo equívoco. Em primeiro lugar, nordestino jamais constituiu raça diferente da branca. Segundo, se constituísse, a ninguém se pode obrigar a dela gostar. O mínimo – e também o máximo – eticamente exigível é respeitá-la. Gostar ou não de alguém é questão de foro íntimo. Respeito é obrigação de todo ser humano em relação ao outro, ou voltamos à lei da selva. O bíblico “amai-vos uns aos outros” pode ser uma ordem para os cristãos. Ocorre que vivemos em país que não deve obediência nenhuma a Roma. Curiosamente, ninguém acusa de racismo tchecos ou eslovacos, lituanos, letônios ou estônios.

Quanto a preconceito, é mais uma dessas palavras manipuladas pela mídia sem respeito nenhum a seu significado. Se, sem jamais ter visto ou ouvido falar de nordestinos, em relação a eles tenho uma atitude adversa, trata-se evidentemente de um “pré-conceito”. (Exemplo cabal de preconceito é o nutrido em relação ao Iéti. Jamais foi visto de perto e já recebeu a pecha de “abominável homem das neves”). Mas depois de um Collor de Mello, P.C. Farias ou de um Inocêncio Poços de Oliveira Artesiano, temos um pós-conceito. Ao ser acusado de escavar poços em suas terras utilizando serviços de uma instituição pública, o presidente do Congresso, eventual presidente da República, declarou que isto é normal e que muitos outros deputados fazem o mesmo. Sulistas, nada temos contra o Nordeste que trabalha. Nosso rechaço é contra o Nordeste dos aguatenentes, estes gordos carrapatos que sugam o magro dorso do país.

Em bom português: quando autoridades civis e militares se dizem preocupadas com a unidade do território nacional, este há muito já está dividido. Um país para cada tribo indígena é bom, digno e justo. Um projeto de país para os sulistas é um atentado à Constituição. A chancelaria brasileira endossou a fragmentação da União Soviética, Iugoslávia e Tchecoslováquia. Mas Brasil não pode.

Militares não são pagos para mandar, mas para servir. As Forças Armadas devem atender aos desejos nacionais. Quando militares se opõem às aspirações civis, temos ditadura, e da última ninguém tem saudades. Em país civilizado, militar não manda. Obedece. Se o país quer cindir-se, faça-se um plebiscito. A menos que alguém prefira o método iugoslavo.

14 de outubro de 2013
janer cristaldo
* Publicado em 26/06/93, em Zero Hora, Porto Alegre

MARINA, MALUCA, UM RISCO PARA O BRASIL



A ex-senadora e ex-ministra Marina Silva deu uma longa entrevista para o Valor Econômico. Em tese, ela respondeu o que pensa sobre economia. E o que ela pensa sobre economia mostra que ela é um risco para o país. Não só um risco. É um risco maluco!

Leiam abaixo as principais perguntas e respostas.
 
Valor Econômico: Há alguma contradição entre sustentabilidade e o ideário econômico que a senhora defende?
 
Marina: Não há contradição. Sustentabilidade e o desenvolvimento econômico devem estar integrados. Estas coisas caminharam separadas durante séculos, como se a nossa ação para prover os meios materiais para a nossa existência tivesse uma fonte infinita de provimento. Depois veio o discurso de tentar compatibilizar. E agora a crise ambiental global se agrava a tal ponto que já não se trata mais de negar a realidade desse esgotamento dos recursos naturais, mas também já não se trata mais de pensar em como compatibilizar, como se uma coisa fosse em oposição à outra. Agora é como integrar. Nosso desafio, nesse início de século, é integrar economia e ecologia em uma mesma equação.
 
Valor: O que significa isso?
 
Marina: Ao fazer essa integração, a gente sai da lógica de uso dos recursos de milhares de anos, tendo o lucro de apenas algumas décadas, para a ideia de como esses recursos possam perdurar de forma sustentável ao longo do processo civilizatório.
 
Valor: Como se faz isso?
 
Marina: Para encarar esse desafio, da integração, é fundamental termos na ciência, na tecnologia e na inovação uma base de suporte para estas mudanças. É preciso termos, nas prioridades dos investimentos, os meios para alavancar novas formas de produção, de produtos e de materiais. E também como isso se realiza do ponto de vista da sustentabilidade política, porque tudo isso se constitui em políticas de médio e longo prazo. Vamos ter que "ressignificar" a experiência econômica, social e cultural que temos, a partir delas mesmas. É uma espécie de mutação.
 
Valor: Mutação?
 
Marina: Não há como fazer uma transição demorada ou uma ruptura abrupta. É o próprio tecido econômico-social que vai se transformando à luz dessa necessidade que está colocada. Isso é válido para todos os setores, para a indústria, a agricultura, o consumo, a ciência, até para a nossa maneira de ser. Sustentabilidade é uma visão de mundo, um ideal de vida. Esse ideal vai se realizar na forma de novos projetos identificatórios. Quais são eles, nesse começo de século? Com certeza não são aqueles do passado, carvão-petróleo- gás. Isso ainda não temos como substituir de forma abrupta, mas temos que transitar para o uso de fontes renováveis. Como vamos dar conta de alimentar 9 bilhões de pessoas? Não é aumentando a pressão sobre as florestas, sobre os recursos hídricos, sobre as áreas agricultáveis. É aumentando a produção por ganho de produtividade. São novas lógicas que vão se estabelecendo a partir do ideal de uma cultura de sustentabilidade.
 
Valor: Qual a proposta de governabilidade? Alianças mais estreitas? Como se governa assim?
 
Marina: Não dá para governar com bases nestas alianças que estão aí. Não dá para continuar. Não consigo imaginar como se pode dar um cheque em branco para mais quatro anos de governabilidade, em cima de distribuição de pedaços de Estado. Isso está completamente frágil. Mesmo com essa distribuição de cargos, esta base é completamente flácida, não dá sustentação para aquilo que é essencial e quando o governo mais precisa. Não tem como continuar essa governabilidade com base no pragmatismo que não é feito a partir do compromisso com um programa. Se você parte do princípio de que é apenas uma aliança eleitoral - ganha a eleição e depois decide o que vai fazer - aí, para compor a base para este presidencialismo de coalizão, é preciso ficar distribuindo pedaços do Estado e viver a chantagem de mais espaço. Mas se você está aberto dentro de um programa, discutindo com as forças políticas o que é importante nessa agenda, e faz uma composição programática, é outra qualidade de base de sustentação. É este círculo virtuoso que tem que surgir, e este círculo vicioso tem que ser interrompido. A sociedade não tem mais como aguentar a ameaça de ver as conquistas serem perdidas por esse atraso na política. Não tem como suportar ver o futuro ameaçado porque só conseguem perceber o resultado da próxima eleição sem ter visão de futuro.
 
Valor: Quais são estes desafios?
 
Marina: Educação, inovação, ciência, tecnologia, infraestrutura para o desenvolvimento sustentável com geração de energia renovável, segura e diversificada. Com uma infraestrutura que dialogue com as dinâmicas de desenvolvimento que vão se colocando, à luz das novas realidades econômica que estão surgindo no mundo e no Brasil.
 
Valor: Voltando à questão das alianças, quem deve ser vetado?
 
Marina: A velha política, a continuidade desta forma que temos e que está nos levando à estagnação. O veto não é a essa ou àquela sigla. É a essa visão de política, de Estado, de composição. Nenhum partido terá maioria para governar sozinho, mas nenhum partido fará diferença se a forma de buscar apoio para o programa de quem ganhou for com base, pura e simplesmente, na distribuição de cargos e em vantagens para que os políticos se formem cada vez mais em um grupo de interesse de si mesmos.
 
Valor: Vocês falam em renovação da política. O que isso quer dizer?
 
Marina: Uma coisa que eu e Eduardo estamos fazendo é ter uma atitude de muita tranquilidade. Começamos este processo há uma semana. Não podemos ter a ansiedade de apresentarmos uma lista de projetos contemplando as questões da sustentabilidade como se fosse uma peça literária. É algo que tem que ser pactuado com os diferentes setores da sociedade. Queremos fazer isso com a sociedade e quebrando a lógica da polarização.
 
Valor: Como assim?
 
Marina: Há três grandes conquistas que reconhecemos a autoria: a democracia, conquistada e estabilizada por todos os partidos de tradição democrática e todos os movimentos. A estabilidade econômica referenciada no governo do PSDB, a inclusão social referenciada no governo do presidente Lula. E, a partir desses ganhos, como a gente pode transitar para uma agenda que não mude porque mudou o governo.
 
Valor: O que a senhora quer dizer com "disruptura"?
 
Marina: Uma coisa importante é a necessidade desse realinhamento histórico. Essa polarização criou uma cristalização PT e PSDB que acaba fazendo um mal muito grande para o pais. Cada um exclusivo em relação ao outro, ainda que para manter essa sua exclusividade tenha que ser tutelado pelas forças mais atrasadas da política brasileira. E como eu e Eduardo reconhecemos tanto as coisas boas do governo do PT e do PSDB, talvez sejamos a esperança de provocar uma "disruptura". Só uma outra concepção política não baseada na oposição pela oposição, mas que sabe reconhecer os ganhos e se dispõe ao diálogo, seria capaz de ajudar a promover este realinhamento. Em lugar de cada um querer ser exclusivo na lógica de política de curto prazo para aumentar o seu prazo na política, a gente precisa ter agenda estratégica de longo prazo em nossos curtos prazos. Isso só é possível dentro de uma lógica de projeto de país e não de projeto de poder.
 
O discurso de Marina Silva é completamente doido quando confrontado com as suas ações. Vejam a sua opinião sobre como alimentar 9 bilhões. Ela não admite mexer nas florestas. Ela não admite mexer na água. Ela não admite ampliar a área de agricultura. Qual a tese de Marina Silva? Ganhos de produtividade. O que é produtividade? É gerar mais riqueza com os mesmos recursos materiais e de trabalho. Como isso pode ser feito na agropecuária? Usando sementes geneticamente modificadas. Marina é contra. Irrigando áreas, usando o imenso potencial hídrico do Brasil. Marina é contra. Usando herbicidas modernos que acabem com pragas. Marina Silva é contra. Torço para que apareça um jornalista, um único jornalista, para perguntar diretamente para Marina como aumentar produtividade na agropecuária sem usar transgênico, agroquímico e irrigação. Quais são estas "novas lógicas" que ela sugere? Aí verão o quão vazio é o discurso desta maluca que, se eleita, vai acabar com a economia brasileira. Ou pelo menos tentar, porque será impichada antes de completar seis meses de governo.
14 de outubro de 2013
in coroneLeaks