"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 25 de agosto de 2013

POR AJUDA À OI, DEPUTADO DO PT OFERECE "HONORÁRIOS" A CONSELHEIRO DA ANATEL

Em troca de ajuda à telefônica Oi, deputado do PT oferece ‘honorários’ a conselheiro da Anatel


 
Marcelo Bechara é conselheiro da Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações. Chegou ao posto por indicação do PMDB. No dia 6 de agosto, recebeu um telefonema do deputado Vicente Cândido, do PT de São Paulo. Convidado, foi ao gabinete do parlamentar, na Câmara. Conversaram sobre um problema que envolve a Oi. Um problema bilionário: a empresa de telefonia acumula na Anatel multas de mais de R$ 10 bilhões.
 
Em reportagem veiculada por Veja, o repórter Rodrigo Rangel conta que o deputado disse ao conselheiro que Lula está muito preocupado com o futuro da Oi. Mencionou providências que a empresa considera adequadas para resolver a encrenca das multas. Lero vai, lero vem, Cândido empunhou a caneta e anotou numa folha de papel: “honorários?” Queria saber quanto Bechara gostaria de receber para dar uma mãozinha à Oi na Anatel. Em português das ruas: o deputado ofereceu propina ao conselheiro.
 
Preocupado, Bechara relatou o ocorrido a amigos. Disse ter refugado a oferta de Cândido. Até concordava com as ponderações e providências sugeridas. Mas não queria dinheiro. Procurado pelo repórter, o conselheiro da Anatel declarou: “Eu reagi com estranheza à abordagem do deputado. Preferi fingir que não entendi.” Curiosamente, Bechara voltaria a se reunir com o deputado na semana seguinte, no último dia 12 de agosto. De novo, no gabinete da Câmara.
 
Dessa vez, Cândido entregou a Bechara um envelope contendo documento redigido em papel timbrado da Jereissati Participações, acionista da Oi. O texto enumera as pretensões da telefônica junto à Anatel. Num dos itens, lê-se que a companhia gostaria de obter o “imediato cancelamento de 80% das multas” aplicadas pela agênca reguladora.
 
Noutro item, o documento repassado por Cândido a Bechara reivindica alteração “urgente” da norma que obriga as telefônicas a manter quatro telefones públicos para cada grupo de 1.000 pessoas nas regiões onde operam. Quer dizer: o conselheiro de uma agência cuja atribuição constitucional é zelar pelos interesses do usuário de telefones recebeu de um deputado do PT pedido para agir contra a clientela.
 
Em relação à multa, trava-se na Anatel um debate que pode resultar no atendimento das pretensões da Oi. Discute-se a conversão de parte das multas em investimentos na melhoria dos serviços prestados pelas empresas multadas. No caso da Oi, o passivo de R$ 10 bilhões pode minguar para R$ 3 bilhões. É nisso que estão interessados o deputado Cândido e seus amigos.
 
No mesmo dia 12 de agosto em entregou o envelope ao conselheiro Bechara, o parlamentar petista encontrou-se com Lula no setor de hangares do aeroporto de Brasília. Um dos controladores da Oi, o empresário Sérgio Andrade, é amigo de Lula. Porém, o deputado Cândido nega que tenha tratado das pendências da empresa na conversa com o ex-presidente da República.
 
E quanto à proposta de pagamento ao conselheiro Bechara? Cândido admitiu ter falado de dinheiro. “Eu queria saber se ele tinha honorários”, disse, candidamente. Por que guerreia pela Oi? O deputado alega que sócios da empresa são seus amigos. Jura que não há honorários na transação. Mas reconhece que recebe doações de campanha.
 
Por que diabos citou Lula no encontro com o conselheiro Bechara? “O que eu falei foi que o presidente Lula está preocupado com a empresa”, limitou-se a responder o deputado Cândido. Ele esteve também com o ministro Luís Inácio Adams, chefe da Advocacia-Geral da União –uma repartição que executa judicialmente uma dívida de R$ 2,5 bilhões da Oi. Cândido pediu que a União pare de exigir depósitos em dinheiro como garantia de que vai pagar a dívida após o julgamento do processo. O advogado da União disse que estudaria a pretensão.

25 de agosto de 2013
Josias de Souza - UOL

"A QUEDA DO REAL"

 
Não há uma corrida do real, mas um retorno ao dólar, com preservação do valor do euro e da moeda chinesa

Desde 3 de maio, há um processo de ajustamento na cotação de diversas moedas de economias emergentes ou fortemente dependentes da exportação de commodities. O câmbio ante o dólar americano de países tão diferentes como Austrália, Brasil, Índia e Turquia desvalorizou-se, respectivamente, entre 3 de maio e quarta-feira passada, em 13%, 22%, 19% e 10%.
 
Dado que as moedas da União Europeia, do Reino Unido e da China não se desvalorizaram ante a americana, há depreciação das moedas de pouco menos de metade da economia mundial em relação a EUA, Europa e China. Este último grupo representa, segundo o dado do FMI para 2011, 54% do produto mundial.
 
O fator que detonou e explica o movimento das diversas moedas foi a elevação da taxa de juros paga pelos títulos longos emitidos pelo Tesouro americano. Em 3 de maio, a taxa dos títulos de dez anos fechou 0,11% acima da cotação do dia anterior, que fora de 1,63% ao ano. Desde então, a partir dessa mínima no dia 2 de maio, a taxa subiu até 2,88% na quinta-feira passada.
 
A correlação simples entre a taxa de câmbio do real (ante o dólar) e a taxa de juros paga pelos títulos de dez anos do Tesouro americano foi, desde 3 de maio, de 97%. Historicamente, a correlação é de 34%. Ou seja, há nos últimos meses uma associação muito maior entre a cotação de nossa moeda e os juros de longo prazo nos EUA do que normalmente.
 
O fato que justifica a elevação da taxa de juros longa na maior economia é a aproximação do momento no qual a política monetária americana será normalizada. Desde a eclosão da crise das hipotecas americanas, em setembro de 2008, a taxa básica de juros fixada pelo banco central americano está em zero. Dado que a taxa longa é a composição das taxas curtas, a perspectiva da aproximação do momento de normalização da política monetária eleva a taxa longa imediatamente.
 
A normalização das condições monetárias passou a ser uma realidade em maio, quando tivemos duas ótimas notícias sobre a economia americana. Como já tive oportunidade de tratar neste espaço, os Estados Unidos estão atravessando bastante bem o "abismo fiscal", isto é, o conjunto de medidas que entraram em vigor em janeiro e em março e que elevou a receita pública, descontada do gasto, em aproximadamente dois pontos percentuais do PIB americano.
 
Ou seja, provavelmente a economia americana crescerá, em 2013, 1,5% em termos reais, simultaneamente a uma redução do deficit do setor público da ordem de 2,5 pontos percentuais do produto. Já se projeta para 2014 deficit de aproximadamente 4% do PIB.
 
A boa notícia é que o custo, em termos de crescimento, para obter o ajuste das contas públicas tem sido muito favorável para a economia americana, particularmente em comparação com a experiência recente dos países europeus.
 
Esse conjunto de boas notícias foi suficiente para o mercado antecipar (com relação ao que imaginava) o momento de elevação dos juros curtos americanos, o que teve impacto sobre os juros longos. Essa avaliação do mercado foi corroborada em 22 de maio, quando Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), em um pronunciamento ao Congresso, mencionou a possibilidade de iniciar o processo de redução das compras de ativos.
 
Do que vimos até agora podemos depreender algumas conclusões. Primeiro, a passagem no Brasil da desvalorização aos preços domésticos, e destes para a inflação, será menor que no episódio de 2002, quando houve forte corrida do real em razão do risco político percebido.
 
Hoje não há uma corrida do real, mas sim um retorno à moeda americana, com preservação do valor do euro e da moeda chinesa. Parte do ajustamento de preços será pela redução do preço de diversos bens quando expressos em dólares.
 
A segunda conclusão é que, se houver ao longo do segundo semestre uma frustração maior em relação ao desempenho da economia americana, que jogue para adiante o momento de elevação da taxa básica de juros nos EUA, o câmbio no Brasil deve voltar um pouco.
 
Resta entender melhor as especificidades locais do fenômeno. Por que motivo a desvalorização foi de 20% para nós e de 7% para a moeda peruana, por exemplo. Fica para uma futura coluna, se eu conseguir entender melhor o fenômeno.

25 de agosto de 2013

OBRA DO "MINHA CASA" DO GOVERNO FEDERAL TÊM ONDA DE INVASÃO DE SEM-TET

Em ao menos 7 Estados, programa do governo federal tem unidades invadidas.  Em alguns lugares traficantes dominaram as áreas; governo diz tomar providências para reintegração

 
Sempre que chove, a casa de Adriana Ferreira, 44, fica alagada. Moradora de uma área de risco em Fortaleza, ela diz ter perdido a conta dos escorpiões que viu e dos eletrodomésticos que perdeu nessas enchentes.
 
Em 2009, a dona de casa achou que seu problema seria resolvido, foi contemplada com uma unidade do conjunto habitacional em construção pelo programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.
 
Mas até hoje ela não pôde se mudar: o conjunto de 816 unidades foi invadido em outubro de 2012 --entre os invasores estão traficantes, segundo a polícia cearense.
 
A situação se repete em diferentes cidades: conjuntos habitacionais do governo federal têm sido invadidos antes de serem entregues.
 
São obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ou do Minha Casa Minha Vida, dois dos principais programas da gestão da presidente Dilma Rousseff.
 
Além do Ceará, a Folha identificou casos na Bahia, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo--onde um conjunto invadido na zona leste tem até síndicos e é cobrado R$50 de condomínio dos moradores.
 
As invasões, em geral, são articuladas por movimentos de sem-teto ou por líderes comunitários de bairros próximos. Em casos extremos, há participação de traficantes.
 
Guilherme Boulos, representante do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), diz que a maioria das invasões são de grupos sem organização de entidades nacionais e que o movimento só invade os conjuntos se houver irregularidades nas obras.
 
As invasões ocorrem com facilidade. Já a saída, não: Caixa Econômica Federal ou prefeituras esperam meses na Justiça a reintegração de posse.
 
Em Porto Velho, por exemplo, a prefeitura classifica a situação como uma "indústria de invasões". Na cidade, 1.064 famílias invadiram e estão há cerca de um ano em três condomínios do PAC que custaram R$ 30 milhões. Na parede de uma das casas, o recado: "Lotado, tem dono".
 
Em Teresina, o atraso nas obras de um conjunto com 4.300 unidades incentivou 116 famílias sem-teto a invadirem algumas das casas.
 
Em Maringá (PR) e em Natal, invasores foram expulsos por decisão judicial e voltaram pouco tempo depois, permanecendo até hoje.
 
Glaydson Andrade, 26, vive com a mulher e cinco filhos em uma dessas casas invadida em Natal. "Não tinha onde morar. Como vou viver com essas crianças se sair daqui?", disse o desempregado.

25 de agosto de 2013
AGUIRRE TALENTO - Folha de São Paulo

CONCESSÕES DE DILMA "TRAMBIQUE" VÃO CUSTAR R$ 70 BILHÕES AOS COFRES PÚBLICOS

Concessões terão custo de R$ 70 bilhões
 
 

Despesa é resultado de indenizações e subsídios que a União terá que bancar, se forem seguidos os modelos previstos. Valor, maior que todo o investimento público federal de 2012, deverá ser desembolsado nas próximas três décadas


Concessões de rodovias, ferrovias e portos e a reforma do setor de energia deixarão uma conta estimada em R$ 70 bilhões aos cofres públicos nas próximas três décadas, caso executadas como o governo federal planeja.
 
A despesa --maior que todo o investimento público federal de 2012-- é resultado de indenizações e subsídios que a União terá que bancar se forem seguidos os modelos de concessão ao setor privado (veja quadro ao lado).
 
Os programas visam ampliar investimentos em infraestrutura e garantir serviços melhores e mais baratos.
 
O governo defende que os custos, bancados pelos impostos e pelas taxas pagas por toda a sociedade, vão reduzir preços cobrados dos usuários desses sistemas.
 
Em alguns casos, como o setor de energia, o benefício seria universal. Em outros, será concentrado em grandes companhias usuárias.
 
Para Eduardo Sampaio, diretor da consultoria FTI Consulting Brasil, os administradores públicos têm ferramentas para calcular custos e benefícios de um investimento, mas que o atual governo tem um viés intervencionista que atrapalha a decisão.
 
Os novos subsídios já começaram a ser pagos pelo setor elétrico. As concessões de usinas e linhas de transmissão foram renovadas em troca de preços mais baixos de fornecimento, o que levou a desembolsos que podem chegar R$ 30 bilhões.
 
Isso ocorre porque as concessionárias fizeram ao longo dos anos investimentos não previstos. Um contrato de concessão prevê que tudo o que for gasto precisará ser ressarcido pela tarifa, o que não havia ocorrido.
 
Ao longo dos anos, os consumidores vinham pagando um pequeno percentual a mais nas contas de energia para bancar o ressarcimento. Mas esse dinheiro, também público, não será suficiente para indenizar as companhias, e o Tesouro bancará uma parte com outras fontes.

25 de agosto de 2013
DIMMI AMORA - Folha de São Paulo

O DIA EM QUE LULA MUDOU UMA LEI SÓ PARA VIABILIZAR UM NEGÓCIO DOS SEUS AMIGOS



ESCÂNDALO BILIONÁRIO 2 – O PT, a guerra contra Daniel Dantas, a criação da Oi e o dia em que Lula mudou uma lei só para viabilizar um negócio dos seus amigos
 

No post anterior, vocês leem que um deputado do PT, Vicente Cândido (SP), perguntou a um conselheiro da Anatel quanto ele cobrava para atender a um pleito seu. E que reivindicação era essa? Queria que uma dívida de R$ 10 bilhões da Oi com o estado brasileiro — decorrente de multas em razão do não cumprimento do que vai em contrato — fosse reduzida, descobriu-se depois, em imodestos… 80%. O decoroso e moralista deixou claro que falava em nome de Lula. Muito bem! Cumpre aqui lembrar como e por que se formou a Oi, sob que desculpa e em que ambiente institucional.
 
Comecemos do começo. A briga de foice entre Daniel Dantas e setores do petismo estava ligada ao controle da Brasil Telecom. Sobraram golpes baixos de todos os lados, mas uma coisa é certa: a companheirada tramou para tentar tirar o empresário da companhia. Eram aqueles tempos que parte do atual JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) acusava qualquer pessoa que se atrevesse a criticar o PT e os petistas de “agente de Daniel Dantas”. Inventaram um demônio para poder demonizar os críticos.
 
Dantas finalmente cedeu e resolveu vender a sua participação na Brasil Telecom, que acabou sendo comprada pela… Telemar, o que resultou na gigante Oi. Lula, pessoalmente, sem intermediários, se encarregou de protagonizar um dos maiores escândalos do país: decidiu que o BNDES financiaria a operação. Para Dantas, foi um negocião: vendeu a sua parte por R$ 2 bilhões e saiu da mira do petismo. Aquilo a que se assistiu, a partir de então, foi um espetáculo grotesco. Transformou-se a criação da “Oi” numa manifestação de afirmação e resistência nacionalistas.
 
Segundo a versão oficial, ditada, então, por Franklin Martins e pressurosamente espalhada por áulicos, anões, mascates e jornalistas “dualéticos” (aqueles que têm duas éticas: uma para os petistas e outra para os demais), Lula, o Numinoso, queria criar uma grande empresa nacional para competir com as gigantes estrangeiras — caso contrário, as brasileiras seriam engolidas. Como se vê, o resultado é um espetáculo: a Oi está devendo R$ 10 bilhões só em multas e vale R$ 8 bilhões no mercado.
 
O Apedeuta mobilizou o governo para dar suporte à operação. Com um detalhe: nunca antes nestepaiz se havia feito um negócio bilionário que dependesse de uma mudança ad hoc da lei: se Lula não alterasse o decreto da Lei das Outorgas, a operação não poderia ser realizada. Mas ele prometeu mudar. Seu amigo Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, ficou feliz. Carlos Jereissati, da Telemar, sócia de Lulinha da Gamecorp, também. Atenção! LULA MANDOU O BNDES FINANCIAR A OPERAÇÃO DE COMPRA DA BRASIL TELECOM ANTES MESMO DE MUDAR A LEI. Ou por outra: quando decidiu que o banco oficial entraria na parada, estava praticando uma ilegalidade.
 
O Apedeuta deixou claro: o BNDES só financiaria a operação e ele só mudaria a lei se fosse para a Telemar comprar a Brasil Telecom. Se, por exemplo, a interessada fosse a então Telefonica, nada feito! E assim se fez.
 
O novo escândalo que agora vem à luz indica que a operação continua a depender do dinheiro público. Se a Anatel não livrar a empresa da multa bilionária, a Oi vai para o vinagre — e, como é sabido, um dos seus sócios é o BNDES. À época, defini assim a ação de Lula: nas democracias, os negócios são feitos segundo as leis; nas repúblicas bananeiras, as leis são feitas de acordo com os negócios.
 
LEIA MAIS
 
 
ESCÂNDALO BILIONÁRIO – Deputado do PT, amigo de Lula, pergunta a conselheiro da Anatel quanto ele cobra para resolver uma pendência da Oi com o estado que chega a R$ 10 bilhões. O nome disso? Propina!


O petista Vicente Cândido: ele atua como lobista da Oi e ainda pergunta a conselheiro da Anatel: “Honorários?”. Trata-se de um gigante moral!
 
Eles são quem são. E isso não tem cura. Reportagem de Rodrigo Rangel na VEJA desta semana traz à luz um escândalo de dimensões bilionárias. Há muito tempo, como se sabe, os petistas abandonaram o patamar dos milhões. Isso era para gente amadora; para corruptos que corriam o risco de ser pegos e ser enforcados pela opinião pública. Os companheiros são mais espertos. Praticam com maestria o que antes diziam condenar e ainda mandam enforcar. A síntese da história é a seguinte: Vicente Cândido, deputado federal (PT-SP), um figurão do partido, embora não seja muito conhecido, chamou a seu gabinete um conselheiro da Anatel de nome Marcelo Bechara. O deputado está interessado em livrar a cara da Oi, empresa que tem como sócios amigos do Luiz Inácio Apedeuta da Silva — o mais intimo é Sérgio Andrade. A empresa deve ao estado brasileiro nada menos de R$ 10 bilhões em multas — embora o valor de mercado da companhia seja de R$ 8 bilhões. O parlamentar quis saber como Bechara podia ajudar a Oi e sugeriu falar em nome de Lula. A conversa, a esta altura, já tinha ultrapassado o limite do aceitável. Mas ele foi mais longe. Num papelucho, escreveu a seguinte palavra, acompanhada de um ponto de interrogação, e exibiu ao conselheiro: “Honorários?”.
 
Isso mesmo. Vocês entenderam direito. Um deputado do PT, atuando a favor dos interesses de uma empresa privada que tem como sócios amigos pessoais de Lula, abordou um conselheiro da Anatel e indagou quanto ele cobrava para dar um jeitinho. Atenção! BECHARA CONFIRMA QUE ISSO ACONTECEU. Mas ainda é de menos. O PRÓPRIO VICENTE CÂNDIDO ADMITE TER ESCRITO A PALAVRINHA. Mas se sai com uma desculpa esfarrapada. “Eu queria saber se ele tinha honorários.” Sim, vocês entenderam direito: um deputado do PT ofereceu propina a um conselheiro da Anatel.
 
Houve ainda um segundo encontro. Aí o buliçoso petista entregou a Bechara as pretensões da Oi, com o timbre da Jereissati Participações (de Carlos Jereissati), uma das acionistas da companhia. Lá está o que quer a empresa, de que o petista virou um negociador: redução de 80% daquela dívida de R$ 10 bilhões e mudança urgente na regra que obriga uma telefônica a manter 4 telefones públicos por mil habitantes na área em que opera. Antes de falar com Bechara, naquele mesmo dia, Vicente Cândido havia se encontrado com Lula. Leiam trecho da reportagem. Volto em seguida.

*
No fim de 2008, uma canetada do então presidente Lula permitiu a compra da Brasil Telecom pela Oi, uma das mais complexas e questionadas transações do mercado brasileiro nos últimos tempos. A assinatura aposta por Lula no decreto que abriu caminho para o negócio foi justificada com um argumento repleto de ufanismo: era preciso criar um gigante nacional no setor de telecomunicações para competir em condições de igualdade com as concorrentes internacionais. A operação bilionária foi cercada de polêmica por outras razões. Primeiro, porque a Oi fechou o negócio graças a um generoso financiamento público. Além disso, a empresa tinha e tem entre seus controladores o empresário Sérgio Andrade, amigo do peito de Lula desde os tempos em que o petista era um eterno candidato a presidente. E a mesma Oi, três anos antes, investira 5 milhões de reais na Gamecorp, uma empresa até então desconhecida pertencente a um dos filhos do presidente. À parte as polêmicas, a supertele nacional não decolou como planejado e o discurso nacionalista logo caiu por terra — e com a ajuda do próprio petista, que meses antes de deixar o Planalto criou as condições para que a Portugal Telecom comprasse uma parte da companhia.
 
Com o passar do tempo, porém, a Oi perdeu valor de mercado, viu aumentar suas dívidas em proporções cavalares e hoje enfrenta sérias dificuldades para investir, o que para uma empresa do ramo de telecomunicações é quase como uma sentença de morte. O destino da companhia é motivo de preocupação para o governo e para o ex-presidente Lula. Em especial, pela possibilidade de o insucesso da empresa causar danos políticos às portas de uma campanha presidencial em que o PT pretende estender sua permanência no poder. Como explicar a ruína de um megaprojeto liderado pela maior estrela do partido e bancado em grande medida com dinheiro dos cofres públicos? Uma tarefa difícil, certamente. É legítimo que haja um esforço para ajudar uma empresa nacional. É legítimo que esse esforço também envolva agentes políticos. O que não é legítimo é a solução do problema passar por lobbies obscuros, negociatas entre partidos e até uma criminosa proposta de pagamento de propina a um servidor público em troca de uma ajuda à empresa — episódio que aconteceu no início do mês nas dependências do Congresso Nacional, em Brasília, envolvendo o deputado federal Vicente Cândido, do PT de São Paulo, e o conselheiro Marcelo Bechara, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
 
Indicado para o cargo pelo PMDB, em 6 de agosto Marcelo Bechara foi ao gabinete do deputado depois de receber um telefonema do parlamentar convidando-o para uma visita. Entre uma conversa e outra, Cândido engrenou o assunto principal: a cobrança de multas bilionárias aplicadas à Oi pela agência. Advogado por formação, Bechara é conhecido por sua capacidade de formatar soluções jurídicas para questões aparentemente insolúveis. Ele fora o relator de uma proposta que pode dar um alívio e tanto ao combalido caixa da empresa e que será debatida em breve no conselho diretor da Anatel. A proposta regulamenta a cobrança de multas aplicadas às companhias telefônicas. As da Oi, atualmente, somam mais de 10 bilhões de reais — uma cifra astronômica em todos os aspectos, ainda mais se comparada ao valor de mercado da companhia, estimado em menos de 8 bilhões de reais.

(…)
 
Voltei

Leiam a íntegra da reportagem. Ela traz outras informações importantes sobre como funciona a República Petista em Brasília. Verão que o deputado já tratou do assunto com Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, e que a mão que balança o berço por trás dessa história toda pertence a… Erenice Guerra, amigona da presidente Dilma Rousseff. Ficarão sabendo ainda de uma festança em Brasília para comemorar o aniversário de João Rezende, presidente da Anatel. Ele diz nem saber quem pagou aquilo tudo. Uma coisa é certa: entre os convivas, havia diretores de empresas que cabe à sua agência investigar, inclusive Carlos Cidade, um dos chefões da Oi.
 
25 de agosto de 2013
Reinaldo Azevedo - Veja

DESTA VEZ AÉCIO NÃO SERÁ O BODE EXPIATÓRIO DAS DERROTAS DE SERRA

 
Em 17 de dezembro de 2009, Aécio Neves (PSDB-MG) desistiu das prévias, em que disputaria com José Serra (PSDB-SP) a indicação para concorrer à Presidência da República, em 2010. A carta deve ser lida no melhor lugar possível: aqui, no Blog do Reinaldo Azevedo. Quem está em dúvida sobre prévias deve ler esta carta. E a resposta elogiosa de José Serra, também aqui, no Blog do Reinaldo Azevedo.
 
A conclusão é óbvia: Aécio soube perder. Serra não soube ganhar. E, pelo que está se colocando hoje, quase quatro anos depois, tendo perdido uma eleição presidencial e uma eleição municipal, Serra, assim como não soube ganhar, também não sabe perder.
 
A desistência de Aécio Neves, em 2009, tinha motivos. José Serra liderava as pesquisas de opinião e venceria no primeiro turno. Sua posição de favorito do PSDB era inquestionável. No dia 20 de dezembro daquele ano, o Datafolha publicou uma pesquisa, com os seguintes números:
 
Serra (PSDB)
40%
Dilma (PT)
26%
Marina (PV)
11%
Branco/nulo
11%
Não sabe
11%
 
Na projeção para segundo turno, Serra venceria Dilma por 49% a 34%. Como Aécio desistiu da candidatura em meio ao "campo" da pesquisa, ainda foi medido :
 
Dilma
31%
Aécio
19%
Marina
16%
Branco/nulo
18%
Não sabe
16%
 
Não havia a mínima condição de Aécio sustentar a sua pretensão, diante dos números das pesquisas. Como tirar de Serra o direito de vencer a eleição até com certa facilidade? Aécio, assim, capitulou, sendo aplaudido por todo o tucanato.
 
Vamos dar um pulo no tempo. Serra, ungido candidato, líder nas pesquisas, deixou de ter concorrência e pode sair em campanha. Quando maio chegou, muito antes do início oficial da campanha, uma pesquisa Datafolha já mostrava Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB)  empatados na intenção de voto para presidente. Cada um tinha 37%.

Em relação à pesquisa feita em abril, a petista tinha crescido sete pontos percentuais e o tucano perdido cinco pontos. Marina Silva (PV) manteve-se com 12%. Serra já estava perdendo a eleição antes da campanha eleitoral, que todos sabemos a catástrofe que foi. E não havia a lenda tucana de que Aécio Neves não estava colaborando com a campanha, que estaria fazendo corpo mole. Era Serra que estava perdendo terreno, sem a interferência de ninguém.

Após o primeiro programa eleitoral, o Datafolha já mostrava Dilma com 47% e Serra com 30%. A dupla Serra-Gonzales, a cada novo programa, enterrava as chances da oposição. E este número ficou mesmo neste patamar durante toda a campanha. A petista acabou o primeiro turno com 47% e o tucano com pouco mais de 32%. Culpa do mineiro que, mesmo antes da campanha iniciar, Serra já tivesse desabado nas pesquisas?

E o que isso tem a ver com os dias de hoje, quando Serra tenta por todas as formas impor prévias, tendo praticamente os mesmos números de Aécio nas pesquisas, sabendo que o mineiro tem o apoio de quase 100% dos diretórios regionais? Tem a ver com postura e até com caráter. Deveria José Serra ler a carta que Aécio publicou ao desistir das prévias de 2009. E a sua própria carta saudando a decisão de Aécio. Demonstraria grandeza. Demonstraria espírito público. Demonstraria sabedoria politica. E paro por aqui, porque a História conta - e contará - melhor tudo o que ocorreu.

O post de Reinaldo Azevedo, ontem publicado, é desolador sob o ponto-de-vista de buscar a união das oposições, cuja falta ele tanto critica. O único ser estranho que está causando divisão no PSDB é José Serra, pois pela primeira vez o partido está unido. O Tio Rei também deveria reler a carta de Aécio, publicada no seu Blog. E a carta de Serra em resposta à Aécio. É óbvio que o que se espera é que Serra saiba perder, recolher-se à sua atual significância, ficar no PSDB, assim como Aécio fez em 2009. E paro por aqui, pois não tenho a intenção de discutir, mas de expor os fatos e a minha opinião. Aécio Neves vem sendo usado por José Serra como o bode expiatório para as suas derrotas. Será que a mesquinhez de Serra usará Aécio - de novo! - para justificar a sua saída do PSDB, quando o partido lhe diz não, pela primeira vez?  

Atualizando 12:59

Em 2010, Minas Gerais teve 10,6 milhões de votos válidos. Serra fez 4,4 milhões e Dilma atingiu 6,2 milhões. No final, Serra foi derrotado por uma diferença final de 12 milhões de votos. Se Serra fizesse a votação de Dilma em Minas, ainda perderia por mais de 8 milhões de votos. Sabem onde faltou voto para Serra? Em São Paulo!
 
25 de agosto de 2013
in coroneLeaks

PSDB ACORDA PARA UMA TRAGÉDIA CHAMADA MARINA


Liderança ameaçada - Dirigentes do PSDB debruçaram-se sobre uma pesquisa encomendada ao Instituto Ideia e ficaram preocupados com a subida constante de Marina Silva, que aparece na frente de Dilma Rousseff na simulação de segundo turno: 35,6% e 34.3%.
 
No primeiro turno, Dilma tem 29,8,%, contra 25,1% de Marina, 16,6% de Aécio Neves e 5,3% de Eduardo Campos.
O levantamento, com 3.000 entrevistas, mostra que o desempenho da ex-senadora é semelhante em todas as regiões. Os tucanos que viram a pesquisa Aécio - Tasso Jereissati e Cássio Cunha Lima vão se reunir nesta semana para definir uma estratégia para conter esse crescimento.
 
(Coluna Holofote - VEJA)
 
24 de agosto de 2013
in coroneLeaks

DONA MARTA QUEBRA TODOS OS PARADIGMAS DA CORRUPÇÃO


Cultura é palavra abrangente, de difícil definição. Em seu sentido mais lato, eu diria que cultura é tudo o que o homem faz. Assim, tanto um anzol como a bomba atômica, um ábaco ou um computador, uma ópera ou um show de rock, um tacape ou a pedra de Rosetta constituem cultura. Já num sentido restrito, para efeitos pessoais delimito a cultura àquela área das grandes produções do espírito. Neste sentido, fazem parte da cultura tanto a lei da gravidade como a da termodinâmica, a Bíblia ou o Quixote, tanto Mozart como Shakespeare, Platão ou Dante, Schliemann ou Champollion. Mas jamais Rowling ou Paulo Coelho, Madonna ou Lady Gaga, Roberto Carlos ou Chico Buarque, Beatles ou U2. Aí estamos o mundo do comércio, do show business.

Moda é cultura? Naquele sentido lato, claro que sim. Pode um desfile de moda ser patrocinado por uma lei de incentivo à cultura? Neste momento, se ficamos com o sentido lato, a lei Rouanet pode financiar tudo o que o homem faz, desde turismo até mesmo guerra. Não é este no entanto – ou não era – o sentido da lei Rouanet. A lei teria o sentido original de incentivar as produções do mundo das artes. Diz o artigo 18 da lei nº 8.313, de 23.12.1991:

§, 2º. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir o valor da doação ou do patrocínio referido no parágrafo anterior como despesa operacional.
§ 3º. As doações e os patrocínios na produção cultural, a que se refere o § 1º, atenderão exclusivamente aos seguintes segmentos:
a) artes cênicas;
b) livros de valor artístico, literário ou humanístico;
c) música erudita ou instrumental;
d) exposições de artes visuais;
e) doações de acervos para bibliotecas públicas, museus, arquivos públicos e cinematecas, bem como treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para a manutenção desses acervos;
f) produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual; e
g) preservação do patrimônio cultural material e imaterial.
h) construção e manutenção de salas de cinema e teatro, que poderão funcionar também como centros culturais comunitários, em municípios com menos de 100.000 (cem mil) habitantes.

A data da lei é emblemática, vésperas de Natal. Augúrios de presentes a amigos e conhecidos. A lei não diz, mas pela lógica seria de supor-se que o financiamento seria a obras de difícil comercialização, já que não tem sentido algum financiar obras que vendem bem e dão lucro. Se assim fosse, teríamos o Estado bancando a iniciativa privada. Ocorre que estamos no Brasil. Mesmo no espírito original da lei, a porta já estava aberta para a corrupção. Com a política de clientelismo que impera no país, óbvio que o governo só vai autorizar o financiamento dos amigos.

Assim, já nos 90, sob as asas da abençoada lei, Rubem Fonseca, Patrícia Mello, João Gilberto Noll e Chico Buarque desembarcavam em Londres, onde fizeram leituras públicas de suas obras e lançaram livros não só na capital britânica, como também na Escócia e no País de Gales.

Em um primeiro momento, poderíamos pensar: que maravilha, o Reino Unido se interessa por nossa literatura. Nada disso. Era o Ministério da Cultura brasileiro que promovia tais turismos e financiava as traduções dos autores brasileiros. A famigerada lei serviu para entronizar a vaidade de um ex-presidente. De ilhapa, sobrou dinheiro até para empresas fantasmas.

Conta-nos o Estadão que em 2005 a Fundação José Sarney , para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República,- desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobrás repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel.

Segundo o jornal, do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício. A verba foi transferida em ato solene com a participação de Sarney e do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. A Petrobrás repassou o dinheiro à Fundação Sarney pela Lei Rouanet.

Se o financiamento da fundação se enquadrava no que chamo de corrupção perfeitamente legal, o mesmo não se pode dizer para do desvio para empresas fantasmas da família do senador. Alguma punição, pelo menos para a corrupção ilegal? Pelo que sei, nenhuma.

Uma vez amigo do Rei, para sempre amigo do Rei. Em maio de 2012, Chico Buarque voltou a beber na generosa fonte. Recebeu financiamento da Biblioteca Nacional para a tradução de seu livro Leite Derramado para o coreano. Mais uma ajuda financeira indireta do Ministério da Cultura, comandado pela mana Ana. Chico quer empurrar sua “obra” ao mercado asiático. Quem a paga a tradução da obra do vate na Coréia? Você, leitor, que é coagido a pagar e cinicamente chamado de contribuinte.

Sobrou até para autores insólitos no mundo das Letras, que fizeram carreira abrindo as pernas para quem pagasse. Bruna Surfistinha teve uma renúncia fiscal de dois milhões de reais aprovada pelo Ministério da Cultura para a produção da peça de teatro Doce Veneno, inspirada em sua vida exemplar de prostituta. Como a dita vida fácil andava muito difícil, Bruna Surfistinha preferiu optar por ofício similar e mais confortável, a literatura. Acabou estreando no teatro, graças às mordomias da Lei Rouanet.

Os favorecimentos a amigos do Rei foram se sucedendo, mas sempre dentro de áreas que, a rigor, se enquadravam no disposto na lei. Em 2007, os amigos foram mais ousados. O governo federal autorizou a organização da Oktoberfest, festa do chope no Rio Grande do Sul, a captar R$ 1,182 milhão, via Lei Rouanet. Justificativa: o projeto "mantém e potencializa a cultura local, essencialmente germânica, contemplando a música instrumental". Chope também é cultura. Pergunta ao contribuinte que gosta de chope: se você já financiou a festa, por que terá pagar de novo pelo chope?

Esta farra com o bolso alheio teve seu ápice quando o Cirque du Soleil, companhia circense do Canadá, apresentou-se em São Paulo subsidiado pela famigerada lei. E deu-se ainda ao luxo de cobrar ingressos caríssimos dos contribuintes que financiavam seu espetáculo. Os canadenses devem ter ficado perplexos com a generosidade tupiniquim. Eram pagos para ganhar dinheiro.

Nesta semana, a escalada foi mais longe. Com a aprovação de dona Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy, psicóloga, sexóloga e hoje ministra da Cultura, três estilistas brasileiros estão autorizados a captar, por meio da generosa lei, cerca de R$ 7, 6 milhões para a realização de desfiles de moda. Pedro Lourenço irá receber R$ 2, 8 milhões para desfilar na Semana de Moda de Paris; Ronaldo Fraga será contemplado com R$ 2 milhões para realizar suas duas próximas coleções e desfiles na São Paulo Fashion Week. Alexandre Herchcovitch vai poder captar R$ 2, 6 milhões, para criar sua próxima coleção, que irá desfilar em Nova York e na SPFW.

"No meu desfile, as pessoas terão acesso à cultura brasileira por meio de uma moda surpreendente, trazendo ainda a arquitetura jovem do país para criar um espaço diferente e vão conhecer o que há de mais inovador nestes setores", disse Pedro Lourenço.

“Quebra de paradigmas” – leio no Estadão de hoje. “Assim vem sendo vista pelo mundo da moda e pela ministra da Cultura Marta Suplicy a aprovação do projeto”.

De fato, foi uma quebra de paradigmas. "Il nous faut de l'audace, et encore de l'audace, et toujours de l'audace" - dizia Danton. Dona Marta escancarou de vez a porta para os corruptos. Orgulhe-se, meu caro contribuinte. Sua “contribuição” de 7,6 milhões de reais está financiando desfiles nas mais prestigiosas capitais do Ocidente.

Daqui pra frente, tudo será diferente. Não mais serão financiados apenas escritores, teatrólogos e cineastas corruptos. A hora e a vez é dos estilistas.


25 de agosto de 2013
janer cristaldo

INTENSAS VIDAS VAZIAS

 

Uma das marcas do tempo presente é a pressa de viver. As horas, os minutos e os segundos parecem escoar freneticamente pelo impiedoso ralo da existência, levando consigo momentos e oportunidades que se vão para nunca mais voltar. Diante do medo de não viver situações ou possibilidades únicas, somos tragados para o centro de um redemoinho social que nos cobra tudo, a todo momento.

As exigências não param: temos que ter sucesso, fama e riqueza, sermos belos, jovens, inteligentes e ainda dar satisfação para uma sociedade tantas vezes hipócrita e cada vez mais invasiva na privacidade de cada um. Ah, se não quiseres fazer parte dessa patota, terás que conviver com olhos de reprovação daqueles que se julgam superiores, embora talvez nunca tenham tido a coragem de olhar criticamente para si e constatar uma pueril superioridade pessoal.

Sim, viver em liberdade não é fácil e exige um constante esforço individual. Aliás, viver é lutar com afinco pela própria sobrevivência e, se possível, ainda ser feliz.

O narcisismo coletivo que impera nos dias atuais faz pensar que nascemos sorrindo, quando, na verdade, choramos ao nascer. O choro do bebê contrasta, paradoxalmente, com alegria dos pais e familiares. E o que isso quer dizer? Ora, quer dizer que a vida é ambígua e contraditória, mas são justamente nas ambiguidades e contradições humanas que temos que construir nosso próprio caminho, nossas próprias escolhas, nossas opções de vida.

Portanto, ser livre é assumir definitivamente nossa individualidade única, respeitar o outro e pouco ligar para a opinião alheia quando a decisão for nossa. Isso, todavia, não é fácil. Não é fácil porque não somos uma simples coisa que vive bem e feliz em qualquer canto ou ilha perdida.

Sabe-se lá porque, na linha de evolução da humanidade adquirimos, com o desenvolvimento da linguagem, a capacidade de nos relacionarmos uns com os outros, criando laços de afinidade. E assim, ao contrário dos bichos que agem e se relacionam por instinto, o surgir da intimidade humana e o nascer de vínculos afetivos interpessoais criaram significados especiais para nossa pulsante existência racional.

Ocorre que, em uma sociedade marcada pela celebração do sucesso efêmero, passamos a preferir a aparência de sorrisos rasos à dificuldade de construir uma autêntica vida plena. Plenitude que não significa perfeição, mas simplesmente assumir nossa limitada condição humana e, com a ajuda do poder da razão, agir concretamente em um mundo opaco que requer cores vivas, e não brilhos superficiais.

Atualmente, confundimos velocidade de sensações com intensidade de sentimentos e, na angústia de não deixar o tempo passar, acabamos por esvaziar profundos sabores vivenciais que precisam exatamente do tempo para serem realmente sentidos em sua inteira potencialidade. O problema é que o tempo passa, a intensidade vai e o vazio chega.
E você, por onde anda no turbilhão do mundo?

25 de agosto de 2013
Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr

"O RISCO DA DEMOCRACIA É QUE ELA SE SUICIDE".

 

DaMatta e1377189276244 “O risco da democracia é que <BR> ela se suicide”
Roberto DaMatta

A ocupação do plenário da Câmara dos Deputados na última terça-feira, 20 de agosto, e a tentativa de invasão do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no dia 13 de agosto, têm um ponto em comum.
Os dois episódios reforçaram o questionamento sobre os limites das manifestações.

Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Roberto DaMatta aprova que a população se mobilize para garantir o cumprimento de seus direitos. No entanto, argumenta que é preciso reconhecer os limites para a ação dos manifestantes. DaMatta estabelece um paralelo: ser contra a Igreja não justifica a depredação de templos e imagens católicas.

Segundo o professor e especialista do Instituto Millenium, o que está em jogo não é o direito à crítica, e sim a forma de criticar. “É legítimo protestar contra o parlamento e denunciá-lo, mas invadi-lo e destruí-lo é inadmissível”, pondera.

A falta de questionamento desses atos pela sociedade é preocupante, na concepção de DaMatta. A máxima de que os fins justificam os meios não deve se aplicar a esses casos. “O risco da democracia, como disse Alexis de Tocqueville [historiador e escritor francês], é que ela se suicide”, opina.

O antropólogo diz ainda que a greve não é a melhor opção de protesto para determinadas categorias profissionais, como os professores e os médicos, cuja paralisação prejudica uma parcela da sociedade que já sofre com a má qualidade desses serviços. “Sou professor e não concordo com a greve. Protestaria por uma série de razões, como os salários baixos e as condições de trabalho, mas jamais faria greve”, afirma DaMatta.

A crise de autoridade

As manifestações populares evidenciam a falta de credibilidade dos políticos, que DaMatta define como os atores escalados para desempenhar o papel de autoridade na política nacional. “A ausência de uma maior responsabilidade relativa aos cargos públicos e às suas obrigações para com a sociedade é uma das principais causas da insatisfação dos manifestantes”, enfatiza.
O antropólogo observa que as novas tecnologias contribuem para que a sociedade passe a exigir maior transparência por parte do governo. “Atualmente, é muito difícil manter essa falta de transparência  instaurada no Brasil e tentar protelar decisões no julgamento do mensalão e as intervenções na economia. Não se pode governar pensando exclusivamente na manutenção do poder”, conclui.

25 de agosto de 2013
Comunicação Millenium

COMMODITIES CUBANAS

 

Acabam de desembarcar no Brasil os primeiros médicos estrangeiros do polêmico Mais Médicos, carro-chefe da campanha eleitoral do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo do Estado de São Paulo, que nem se preocupa em esconder isso. Até foi ao aeroporto receber quatro deles, sendo dois brasileiros formados lá fora, que apostam na chance de exercer a profissão na terra natal sem o Revalida, teste que no ano passado aprovou apenas 7,5% dos brasileiros com diploma estrangeiro.

Mais do que ninguém, Padilha sabe que a precariedade do atendimento à saúde não reside no médico e que pouco adiantará multiplicar jalecos brancos sem infraestrutura. Mas como luta contra o tempo para dar cara à sua gestão, tenta, a cada dia, costurar um discurso novo para remendar os furos de um programa parido às pressas para lhe garantir palanque.

Em menos de dois meses, criou a extensão do curso de medicina para oito anos, os dois últimos no SUS, e recuou; anunciou que contrataria seis mil médicos cubanos, desistiu e desistiu da desistência. Para tal, assinou o mais rápido acordo bilateral de que se tem notícia na história, permitindo que 400 médicos cubanos cheguem já nesta semana, quatro mil no total.

 
Médico cubano Rodolfo Garcia (esq.) e colegas desembarcam no aeroporto de Brasília.
Foto: Alan Sampaio / iG Brasília


Exportar médicos é um negócio extremamente lucrativo para Cuba. Dados da BBC mostram que os médicos-commodities rendem algo em torno de U$ 5 bilhões ao ano à ilha. Hoje, há contratos de exportação para mais de 60 países. O maior e mais lucrativo deles, com a Venezuela, rende 100 mil barris de petróleo/dia.

Por aqui, o Ministério da Saúde informa que repassará R$ 511 milhões à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) até fevereiro de 2014, e que caberá à entidade pagar ao governo cubano. Ou seja, aplica-se o modelo bolivariano: o contrato é com o governo Raúl Castro e não com os profissionais, tratados como mercadoria.

É no acordo via Opas que o governo sustenta a legalidade de os médicos não receberem diretamente suas remunerações. Só não alardeiam que o representante da Opas no Brasil é Joaquin Molina, odontólogo cubano. Talvez isso explique a celeridade do acordo.

Há outras janelas. De 2006 para cá, mais de 500 estudantes brasileiros foram admitidos nas faculdades de medicina de Cuba a partir de seleção que teria como critério militância em movimentos sociais ou indicação partidária. Resta saber se trazê-los de volta fez parte do veloz acordo.

Quanto aos cubanos, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, já avisou que o Brasil não concederá asilo a importado algum. Não reconhece que Cuba obriga a exportação, com represálias aos que a ela se negam.

Para o governo Dilma Rousseff, Cuba é aqui.

25 de agosto de 2013
Mary Zaidan é jornalista.

ONDE HÁ PT, HÁ CRIME, HÁ CORRUPÇÃO...



Ex Deputada Federal Lucia Helena do PT é indiciada por fraude de R$ 300 milhões

A Polícia Federal pediu à Justiça e ao Ministério Público o afastamento da chefe da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), a ex-deputada Lucia Helena de Carvalho (PT-DF). Ela é acusada de “patrocinar interesses privados” e de assinar “documentos que balizaram a demarcação comprovadamente fraudulenta” de um terreno da União. Lucia Helena foi indiciada na semana passado ao lado de outros funcionários do SPU e de órgãos públicos por fraude, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

Segundo a Polícia Federal, o grupo fraudou laudo técnico, em 2008, para repassar área extra de 344 hectares para posseiros. Os laudos que justificavam a venda do terreno, avaliado em R$ 300 milhões, eram irregulares e continham erros na medição feita por técnicos privados. Também teriam sido usados documentos fraudados com timbres oficiais do governo.
 
25 de agosto de 2013
 

GRITA, XINGA, ESCANCARA, JOAQUIM!


O Brasil perde a graça a cada dia que passa. Só nos faz sorrir em tons de amarelo, amarelo de vergonha, de constrangimento. O voto vai para as pessoas erradas, assim como o dinheiro escoa corrompido para pessoas erradas. O dinheiro da educação não gera educação, assim como o dinheiro da segurança não gera segurança. O país sofre com sorriso ocre, podre. Podre de vergonha. Mas não adianta nada. Na próxima eleição, o voto vai de novo para as pessoas erradas, assim como o dinheiro público desaguará, novamente, nos estuários da bandidagem.
 
No entanto, o Brasil ficou mais elegante. Ao invés de corrupção, temos novos termos como alopramento ou recursos não contabilizados. Vossa Excelência não mente mais. Apenas falta com a verdade. Juízes do Supremo Tribunal Federal a cada dia são mais versáteis. Alguns, além de julgar, agora também servem como advogados de defesa de réus do partido que lhes rendeu indicação para o cargo.
Assim mesmo, escancaradamente. Ao longo de muito tempo assistindo o julgamento da Ação Penal 470 – neologismo elegante para Mensalão – ficou sempre aquela sensação de que, de um lado, estavam os defensores da Constituição e do Direito e de outro, os defensores do PT e do que não é direito.
Pergunte a qualquer brasileiro se ele entende que Celso de Mello e Dias Tóffoli estão do mesmo lado, da defesa da Constituição – que é a atribuição do STF. Pesquisem, façam enquetes, discutam em bares ou nas salas de espera de dentistas ou pediatras.
 
Agora, a discussão é a respeito do “descontrole” do Presidente Joaquim Barbosa, da falta de educação com seus pares, do despreparo para gerir o Tribunal. Pois Joaquim Barbosa, ao contrário do que pensam os brasileiros que votam errado e que não se preocupam mais para onde estão indo os recursos de seus impostos, é perfeito para o Brasil. Barbosa não trata ímpares como pares.
Não há mais como segurar a ira, que é merecida por parte de pessoas como o Ministro Lewandowski, que parece não sem importar, há muito tempo, com sua imagem, sua carreira e os destinos da vida moral e jurídica brasileira.
Não há como tratar com respeito, a esta altura do campeonato, pessoas que desejam corromper o decidido no Acórdão da Ação Penal mensaleira. Isto sim é corrupção!
 
Livrar a cara de ladrões de dinheiro público, de impatriotas, de salafrários não é chicana, não. Chicana é elogio para o que fazem os destinatários da ira de Barbosão. O que está em curso é a CORRUPÇÃO de uma esperança inteira. E a “equipe” encarregada de detonar os resultados do julgamento, ao que parece, aumentou bastante de tamanho.
 
Pois berra, esperneia, sapateia, Ministro Joaquim Barbosa. E tomara que teus pares (estes sim) não te deixem sozinho. O Brasil não te deixará sozinho. Tu, sim, nos representa. José Dirceu, Genoíno, Delúbio e os outros 36 não nos representam. Joaquim Barbosa nos representa. Pois então eleva tua voz, aponta o dedo, seja rápido e encerra de vez esta merda, que já fede há muito tempo e que nos toma tempo e nos aborrece a impunidade.
 
Roda a baiana, Joaquim! Não deixa que nos ceguem com falsas liturgias, não permita que nos enrolem com a “falta da verdade”. Coloca, o quanto antes, os pingos nos “ii” e um ponto final neste crime hediondo que foi o Mensalão.
 
25 de agosto de 2013
Glauco Fonseca
in  Blog do Prévidi

RELEMBRANDO: BARROSO, O NOVO MINISTRO DO STF, ESCOLHIDO E INDICADO POR DILMA



MÉDICOS CUBANOS: ESBIRROS DE LULA É O ADVOGADO-GERAL DE FIDEL CASTRO

Nem sempre concordo com o que escreve o Elio Gaspari, mas desta vez acertou. Todavia, o que deixa transparecer o texto de Gaspari, como os demais da maioria dos jornalistas da grande mídia brasileira é tratar o PT e seus sequazes como se fizessem parte de um partido democrático.
Ora, o PT é um partido comunista e o seu objetivo é transformar o Brasil numa república comunista.
 
A vinda dos médicos é mais um passo nesse sentido. Entretanto, essa verdade é escamoteada. Tanto é que a palavra "comunista" foi banida da grande imprensa, como se o comunismo tivesse acabado para sempre, quando na verdade está mais vivo do que nunca.
 
A nota da coluna de Gaspari que transcrevo é a prova disso, quando esse esbirro de serviçal do Lula, o Luiz Inácio Adms, faz picadinho do Direito, embora ostente títulos acadêmicos.
 
Leiam:
Adams, o serviçal do Lula.
O doutor Luís Inácio Adams informou que os médicos cubanos que vêm para o Brasil não terão direito a asilo político caso queiram se desvincular da ilha comunista.
Nas suas palavras:
“Me parece que não têm direito a essa pretensão. Provavelmente seriam devolvidos.”
 
Num país que teve um presidente asilado (João Goulart) e centenas de cidadãos protegidos pelo instituto do asilo, Adams nega-o, preventivamente, a cubanos.
Isso numa época em que o russo Vladimir Putin concedeu asilo a um cidadão acusado pelo governo americano de ter praticado crimes, e a doutora Dilma tem um asilado na embaixada brasileira em La Paz. Noves fora a proteção dada a Cesare Battisti, acusado de terrorismo pelo governo italiano.
 
A tradição petista vai na direção desse absurdo. A Polícia Federal já deportou dois boxeadores cubanos durante a gestão do comissário Tarso Genro no Ministério da Justiça. (Eles foram recambiados e fugiram de novo.)
 
O próprio governo cubano já permitiu a saída de cidadãos para a Espanha. A vigorar a Doutrina Adams, o Brasil transforma-se numa dependência do aparelho de segurança cubano.
 
 
25 de agosto de 2013
in aluizio amorim