"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 27 de março de 2019

'PEC DO ORÇAMENTO NÃO É DERROTA PARA O GOVERNO '- DIZ EDUARDO BOLSONARO


Entre os 453 deputados que votaram a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) 2/15, apelidada de PEC do Orçamento, estava o nome de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (26), em dois turnos de votação, a PEC que determina a execução obrigatória de emendas parlamentares de bancada.

De autoria do deputado Hélio Leite (DEM-PA), o texto foi aprovado por ampla maioria (448 a 3 e 453 a 6 votos em 1º e 2º turno, respectivamente) e seguirá para o Senado.

Na prática, a proposta reduz o poder do Executivo sobre gastos públicos e tem sido retratada pelos maiores veículos de imprensa do Brasil como uma importante derrota para o governo do presidente Jair Bolsonaro na Câmara.

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, discorda desta narrativa.

Depois de votar sim, Eduardo lembrou que, durante o período em que fizeram oposição à Dilma Rousseff (PT), ele e o pai foram favoráveis ao projeto, mas que acabou ficando parado.

“De maneira nenhuma se trata de uma derrota do governo, mas, sim, de uma relação harmônica entre os poderes”, afirmou Eduardo, que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, segundo a ISTOÉ.

Como você viu na RENOVA, apenas seis deputados votaram contra a PEC: Joice Hasselmann (PSL-SP), Bia Kicis (PSL-DF), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), Paulo Ganine (Novo-RJ), Tiago Mitraud (Novo-MG) e Pedro Cunha Lima (PSDB-PB).


27 de março de 2019
renova mídia

PEQUENA AULA SOBRE IDEOLOGIA DE GÊNERO (PADRE PAULO RICARDO)

DE VOLTA À CAVERNA: ESQUERDA E SEU FETICHE ESCATOLÓGICO


Chocado com um vídeo gravado durante o carnaval em São Paulo, onde uma pessoa urina na cabeça de outra – praticando, com isto, o Golden Shower – o presidente Jair Bolsonaro compartilhou o vídeo em sua conta no Twitter. Foi o bastante para uma enxurrada de hipocrisia tomar conta da internet.

Não configura novidade alguma que o carnaval é a festa da carne. Tanto isto é verdade que a distribuição de preservativos nesta época é farta. Apesar de ser uma festa tradicional no país, o carnaval vem a cada edição sendo manchado pela falta de pudor de algumas pessoas, em especial progressistas ou aquelas afetadas pela cultura do tudo é permitido amplamente divulgado pela mídia e universidades. Universidades que, infelizmente, são o palco das maiores cenas de loucura coletiva do Brasil. Aos que tiverem paciência e estomago para fazer uma simples busca na internet, logo verão uma série de vídeos obscenos envolvendo estudantes onde “protestos” escatológicos são realizados no meio do Campus sem o menor pudor; à vista dos demais estudantes, que passam e olham inertes às cenas.

O fato de isso ser analisado como conduta corriqueira nos campus do país deve despertar preocupação aos demais cidadãos, pois, a loucura universitária já está em nossa volta e exemplos não faltam, a saber, por exemplo, a peça “Macaquinhos1”, onde um grupo de pessoas nuas mexe no ânus umas das outras. Ou a peça “Frieza2”, que consiste em pessoas enfiarem toda sorte de objetos no ânus e, em especial, cubos de gelo para (pasmem) “criticar as relações interpessoais e mostrar como as pessoas são frias umas com as outras”. Não nos esqueçamos do famoso “peladão do museu”, no intitulado “La Bête3”, onde um homem nu interage com crianças. A loucura não tem fim, na Itália, alguém pagou em um leilão 275 mil Euros por uma lata de fezes, do artista Piero Manzoni, falecido em 19634. Para finalizar não posso deixar de lembrar o absurdo ”Queermuseu5”, onde a fé cristã foi denegrida com direito a pitadas de zoofilia e outras bizarrices.

O meio universitário de um jeito ou de outro acabará sempre ditando, em menor ou maior grau, o comportamento artístico e político. E se os integrantes do campus não conseguem mais se expressar de tal modo a um homem civilizado, e dão vazão às manifestações mais primitivas que seus espíritos torpes conseguem produzir temos aqui um quadro crônico de distúrbio mental. Reduzir toda a arte já produzida para cenas de manipulação anal ou com dejetos humanos é um grave indício de que a saúde mental de parte dos universitários (a minoria) está gravemente comprometida.

Todo o show de horror que comentei acima nunca foi questionado ou tratado como algo chocante pela grande mídia, ao contrário: sempre foi mostrado como algo moderno e descolado. De tal modo, o vídeo que Bolsonaro compartilhou já estava sendo antes compartilhado por outros milhares de internautas sem que ninguém da grande mídia se manifestasse.

Assim que a conta do presidente compartilhou o vídeo todos os órgãos de mídia nacionais e estrangeiros colocaram em dúvida o decoro presidencial e simplesmente nenhum meio de mídia foi capaz de analisar a cena escatológica em si. Nenhum jornalista de expressão questionou a conduta dos personagens principais da degradante cena. O PT se mostrou horrorizado e esquerdistas de todas as vertentes pediram o Impeachment de Bolsonaro. Em poucas horas os progressistas vestiram o manto conservador (coisa que repudiam veementemente, mas o fazem quando a causa é oportuna), e se diziam horrorizados com a conduta do presidente – e não com ato criminoso feito em público durante o carnaval. Perdida em meio à narrativa dissimulada que criou, a grande mídia começou a apresentar claros sinais de paralaxe cognitiva. Para defender os mijões dizia ser aquele um “ato sacrossanto político”, para atacar Bolsonaro dizia ser o vídeo pornográfico pervertido.

É fácil se esconder atrás de atos criminosos usando a prerrogativa de manifestação artística ou coisa semelhante. O vídeo mostrado pelo presidente retrata, num primeiro momento; crime cometido às claras e em público por pessoas desorientadas mentalmente; num segundo momento, a triste realidade das universidades públicas do país tomadas pelo marxismo, longe de servir ao seu nobre destino: civilizar o homem.


27 de março de 2019
Fábio Martins

POR QUE OS MUÇULMANOS ANDAM TÃO NERVOSOS? VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR!

CRISE? QUE CRISE?

LOBÃO

KIM KATAGUIRI JOGA ISCA PRO RODRIGO MAIA E ELE CAI IGUAL PATINHO

KIM KATAGUIRI JOGA NA CARA DE RODRIGO MAIA QUE O TOMA LÁ, DÁ CÁ ACABOU!

EXTRAS DATA LIMITE. O BRASIL NA NOVA ERA

O FIM DO "TOMA LÁ, DÁ CÁ"? (KIM KATAGUIRI)

APROVAÇÃO DO ORÇAMENTO IMPOSITIVO MOSTRA QUE A CÂMARA JÁ DESCOLOU DE BOLSONARO

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Major Vitor Hugo, que é líder do governo, também votou a favor
Em votação relâmpago, a Câmara aprovou em dois turnos a proposta de emenda constitucional que retira do governo poder sobre o Orçamento. O texto vai ao Senado para ser analisado. Aprovado com ampla maioria (448 votos em primeiro turno e 453 no segundo turno) representa uma derrota para o governo do presidente Jair Bolsonaro. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) torna o Orçamento mais engessado, pois classifica como obrigatório o pagamento de despesas que hoje podem ser adiadas, principalmente investimentos.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se comprometeu a votar a proposta “o mais rápido possível”. “Se pudesse todo o Orçamento do Brasil serem emendas impositivas para fazer as obras importantes de norte a sul deste país, teríamos um país com menos desigualdade”, afirmou.
UM RECADO – Apesar de articulação de líderes da Câmara ter o objetivo de mandar um recado para o Palácio do Planalto, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que participou desde o começo da tratativa, negou que os deputados tenham imposto uma derrota ao governo, com quem Maia travou um embate nos últimos dias.
“Essa PEC reafirma a independência da Câmara. É um gesto importante do governo querer sinalizar pelo fortalecimento do Parlamento. Acho que é um momento histórico”, disse.
Segundo técnicos da Câmara, se a proposta for promulgada, de um Orçamento total de R$ 1,4 trilhão, o Executivo teria margem de manobra em apenas R$ 45 bilhões das despesas. Os cálculos consideram números relativos a 2019.
GASTOS OBRIGATÓRIOS – Atualmente, cerca de 90% do Orçamento já é composto de gastos obrigatórios, como Previdência e salários. O restante –R$ 137 bilhões– é despesa discricionária, que pode ser cortada.
Mas, pela PEC, os programas destinados a prover bens e serviços para a população, como a área de infraestrutura e educação, passam a ser de execução obrigatória. Assim, segundo técnicos de Orçamento da Câmara, sobrariam apenas a parte de Orçamento para custeio da máquina pública —energia elétrica, terceirizados, etc. Isso soma, em valores de 2019, R$ 45 bilhões.
Essa foi a segunda derrota do governo na Câmara. Em fevereiro, os deputados derrubaram um decreto presidencial que mudava regras da LAI (Lei de Acesso a Informação).
FORA DE PAUTA – A PEC do Orçamento impositivo estava parada na Câmara desde 2015. O texto não estava nem previsto para a pauta do plenário da Casa até a manhã de terça-feira (26). A manobra pegou de surpresa até mesmo o relator da proposta, deputado Carlos Henrique Gaguim (DEM-TO).
A votação é um recado da Câmara ao Planalto em meio à crise de articulação entre o Executivo e o Legislativo. Todos os partidos orientaram pela aprovação da PEC, inclusive o PSL, partido do presidente.
A unanimidade virou até piada no plenário da Câmara, ao conseguir unir no painel de orientação partidos de todos os lados do espectro político para impor uma derrota ao governo. A equipe econômica pediu a parlamentares mais tempo para que o governo pudesse discutir o tema antes da votação na Câmara.
PSL A FAVOR – Para evitar que a votação fosse caracterizada como uma derrota acachapante e após perceber que perderia por ampla maioria, o próprio PSL de Jair Bolsonaro optou por orientar os seus deputados a votarem a favor da PEC.
O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), votou a favor da PEC. Já a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), foi contra.
“Mas isso vem ao encontro do que o Jair Bolsonaro vem falando, menos Brasília e mais Brasil”, afirmou Vitor Hugo. “Então eu vejo como uma vitória.”
Em 2015… – Jair Bolsonaro e o filho deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) assinaram, em 2015, a lista para que a PEC do Orçamento impositivo pudesse ser protocolada na Câmara pelo autor deputado Hélio Leite (DEM-PA).
Não é comum que propostas de emenda constitucional sejam votadas na mesma sessão. Com um acordo entre os líderes e Maia, porém, o texto foi votado em dois turnos em menos de uma hora.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É grave a crise. Apertem os cintos, o governo sumiu!  (C.N.)

27 de março de 2019
Thiago Resende e Angela BoldriniFolha

CONSELHO DA REPÚBLICA: UMA SOLUÇÃO DISPONÍVEL

Como é bom e agradável viverem irmãos juntos em harmonia
Salmo 133


A semana que passou foi agitada pela decisão do STF, que determinou a competência da Justiça Eleitoral para julgar os chamados “casos conexos”, a saber: todos os processos em que se identifique uma causa jurídica cujos efeitos foram, diretamente ou indiretamente, de natureza eleitoral.

A Justiça ainda precisa modular os efeitos dessa decisão, a saber, verificar o que esse entendimento interfere, na prática, em cada processo em que houver crime eleitoral como consequência de um ato anterior de corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos “não-eleitorais”.

Essa decisão causou grande comoção e contou com críticas pesadas na sociedade e nos meios que apoiam as iniciativas da Operação Lava Jato, pois, especulou-se que a decisão em tela do STF poderia interferir em muitas decisões já tomadas. O próprio Ministro relator, em entrevista dada, declarou que isso, ao seu ver, deverá ocorrer. Embora ele seja apenas um entre onze e tenha dito isso “fora dos autos”, esse caminho pode ser facilmente identificado por exercícios corriqueiros de dedução simples.

O desagrado geral, entretanto, não é de hoje, nem de ontem.

Já há tempos que o STF vem modificando o direito e isso, de certa forma, não vem contando com a simpatia de inúmeros setores da sociedade, que estão alijadas desse processo de modificação.

Antes de se criticar ou elogiar a linha que vem sendo adotada pelo STF (e não quero aqui cair na esparrela de debater o inquérito aberto pelo Presidente do STF na mesma sessão em que o caso ora mencionado foi julgado), cumpre aqui constatar um fato: há hoje uma crise institucional instalada no seio da República.

Identificar essa crise não é crítica nem elogio – é constatar um fato óbvio que o próprio Ministro Barroso reconhece ao, ele mesmo, criticar a iniciativa da investigação dos descontentes e, em passado recente e remoto, ter afirmado que os desígnios da Corte não correspondem, muita vez, ao que pensa e deseja a maioria do povo brasileiro. O próprio Ministro Barroso sabe que vem mudando o direito brasileiro unilateralmente e que fazer isso sem enfrentar descontentes seria explicitar que essas modificações frequentam filas de motéis com o seu amante, o despotismo (a conclusão é do Ministro, embora a metáfora, confesso, seja minha, já que metáfora não é crítica).

Essa afirmação do Ministro Barroso, em uma das vezes, voltou-se ao problema do aborto – de acordo com a doutrina constitucional que ele defende, o STF não estaria adstrito a uma vontade popular majoritária contra a legalização do aborto, pois ao STF caberia fazer “justiça social”, sobretudo contra uma maioria, haja vista que essa “justiça social” (ou, como bem lembrou Sowell, essa “justiça cósmica”) é em si uma luta de uma certa minoria contra essa maioria, que a Justiça institucionalizada tem o dever de dar guarida. É, assim, uma justiça ativa (não apenas “ativista”) e que advoga (literalmente) por certas causas que, em si, estão nesse moinho de transformações ex catedra do direito brasileiro.

Não quero também entrar no mérito de suas teses nem debater legalização de aborto (assunto do qual minha posição é aberta e radicalmente contra essa barbárie humana) – a ideia é voltar a um arauto do pensamento jurídico, que começou conservador e terminou na esquerda: Goffredo Telles Junior.

Ao escrever que o direito justo é o direito legítimo, entendendo legítimo aquele direito que corresponde a uma aspiração natural na sociedade, Goffredo, nos idos dos anos 1950 e em sua fase mais conservadora e bergsoniana, afirmava que a falta de respaldo dessa maioria seria, de certa forma, um núcleo de conflito entre o direito natural de um povo e de uma nação contra o direito tecnocrático de minorias putativas. Mesmo em seu momento pseudoprogressista (como na Cartas aos Brasileiros em 1977), o tema da legitimidade foi central, mostrando que o velho mestre nunca abandonou o seu peculiar jusnaturalismo.

A questão da legitimidade é central para se identificar uma crise, portanto.

Sob o ponto de vista técnico, as falas do Ministro Barroso (e isso não é uma crítica, mas apenas a constatação de um fato) são o maior atestado de que o STF vem agindo de forma ilegítima.

E essa ilegitimidade, ergo, é o combustível de uma crise que já está instalada na República, conforme quisemos demonstrar.

Para solucionar essa crise republicana, é necessário reconduzir o exerício da Jurisdição, sobretudo no âmbito do STF e do CNJ (sim, ele exerce sim jurisdição, se você ainda não percebeu, leitor, leitora), ao eixo da legitimidade.

As decisões judiciais devem sim funcionar como um diapasão social, sob pena de aprofundar uma crise de legitimidade do direito (coisa que até Habermas falava, quando a legitimidade em questão lhe agradava debater ou simular).

A solução para essa crise instalada tem de necessariamente ser suprainstitucional.

Quando afirmo suprainstitucional, quero dizer que ela deve ser constitucional e ao mesmo tempo pairar acima das instituições; mas sempre abaixo e dentro dos limites da Constituição Federal.

E neste pormenor, eu lhes apresento, leitor, leitora, o CONSELHO DA REPÚBLICA.

Previsto na Constituição Federal em seus artigos 89 e 90, o CR tem como uma de suas atribuições, “pronunciar-se sobre (…) as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”.

E aqui volto a esse tema da crise institucional de legitimidade criada no seio da cúpula do Judiciário, cuja solução parte da minha premissa assentada no Salmo 133, que fala sobre harmonia, em combinação com o art. 90, II da Constituição Federal de 1988, que fala de estabilidade das instituições democráticas.

As palavras legitimidade, harmonia e estabilidade são a única solução viável para resolver esse imbróglio todo e, pasmem, estão na Constituição prontinhas para serem usadas, exatamente para momentos como este.

E cabe única e exclusivamente ao Presidente da República lançar mão desse mecanismo.

Deixe-me entrar aqui um pouco no detalhe dessa solução que está tão a mão – que coisa é essa de Conselho da República? O que significa? De onde vem? Como funciona? Onde vive? Como se alimenta?

Voltemos à Constituição, portanto.

Como dito, a Constituição estabelece para que serve esse Conselho: além dessa tarefa de pronunciar-se e possivelmente intervir para garantir a estabilidade das instituições democráticas, o Conselho trata ainda de intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio.

Quero apenas lembrar que o Brasil está muito próximo de ter que verificar se a situação na Venezuela já configura estado de defesa nacional.

Portanto, se o STF não é assunto suficiente para a instalação e pleno funcionamento do Conselho da República, o genocídio na Venezuela não deixa mais margens para dúvidas. Basta ler os arts. 136 e seguintes da Constituição Federal.

Voltando ao tema da harmonia, do equilíbrio e da estabilidade institucional, devolvendo-lhe a legitimidade, cuja origem é exclusivamente o STF, atentemos para o que diz o art. 89, que trata de sua composição: são quinze membros e o conselho é chefiado pelo Presidente da República.

Dentre os 15 membros temos: o vice-presidente (atualmente, o General Mourão), o presidente da Câmara dos Deputados (dep. Rodrigo Maia), o presidente do Senado Federal (o Sen. Davi Alcolumbre), o Ministro da Justiça (atualmente, o Min. Sérgio F. Moro), os líderes da maioria e da minoria na Câmara e no Senado e seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado e dois eleitos pela Câmara, com mandato de 3 anos, sendo vedada a reeleição ou recondução.

Os líderes no Senado hoje são, pela maioria, o Senador Eduardo Braga e pela Minoria o Senado Randolfe Rodrigues.

Na Câmara, a liderança da minoria está vaga e a liderança da minoria está a cargo da Deputada Jandira Feghali.

No dia 19 de fevereiro de 2018, o então presidente Michel Temer nomeou, para um mandato de 3 anos, os Srs. Jorge Luiz Macedo Bastos (ex-diretor da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres) e Carlos Mário da Silva Velloso (este, ex-Ministro do STF). A Câmara nomeou o Deputado José Carlos Aleluia e o ex-Ministro da Justiça Eugênio Aragão e o Senado não fez nomeações civis. Do que consta das informações oficiais disponíveis, não chegaram a tomar posse e o Conselho da República de Temer não chegou a ser instalado ou deliberar. As únicas vagas que ficaram em aberto foram as do Senado e, atualmente, a da liderança da maioria da Câmara. Estas nomeações ocorreram de afogadilho por conta da intervenção no Rio de Janeiro, quando resolveu-se lembrar a existência do Conselho da República e a obrigação constitucional de consulta prévia em caso de intervenção federal. As pessoas indicadas na forma do art. 89, VII da Constituição por conta da intervenção no Rio de Janeiro teriam mandato até fevereiro de 2021 se tivessem tomado posse e exercido o mandato em primeira reunião, que, ao que consta das informações oficiais, jamais chegou a ocorrer.

Em obediência ao que diz a Lei 8.041, que regula o tema, entendo que a falta de posse tenha levado tais nomeações a ter caducado. Novas nomeações deveriam ser feitas para atender o que dispõe a lei.

Perceba assim que veio a tona então no ano passado que a constituição tinha esse art. 90. Michel Temer, que se apresenta como professor de direito constitucional e até tem um livrinho divertido sobre o assunto, desconhecia por completo a questão. Continua sem entender para que serve o instituto.

E não é culpa dele. Nem como professor da matéria, nem como político, nem como ex-Presidente.

Nenhum professor de direito de constitucional conhece ou estudou sobre o tema.

O leitor e a leitora poderão trazer das estantes para a mesa todas as obras de direito constitucional escritas, incluindo o best-seller do Professor Pedro Lenza. Não há mais do que 2 parágrafos sobre o tema, isso quando resolvem tratar do assunto.

Obras de Gilmar Mendes, Alexandre de Morais, Luis Roberto Barroso não dedicam uma linha sequer ao tema.

Obras mais antigas como a de Manoel Gonçalves Ferreira Filho (o famoso “Manual do Manecão”) ou ainda o intrincado “curso” do Professor José Affonso da Silva oscilam entre o nada e dois parágrafos.

Mas é com José Affonso que os dois parágrafos ficam interessantes. Ao longo de suas quases 1000 páginas, é na de número 671 em sua última edição que o “Curso do Zé Affonso” vai tratar do tema em literalmente dois parágrafos (dos quais 1 e meio são cópias do que dispõem os artigos da constituição). A única parte em que lhe coube algum comentário está assim desde a primeira edição até hoje: “revela-se, assim, como um conselho de consolidação democrática, mas só a experiência vai confirmar a sua utilidade. Foi inspirado no Conselho de Estado instituído nos arts. 144 a 149 da Constituição portuguesa, e surgiu no bojo da proposta parlamentarista que, tendo caído, o deixou de herança dentro do presidencialismo, com certeza para não merecer a menor atenção do Presidente da República, que, no personalismo do sistema, não costuma consultar senão os seus próprios botões (às vezes)” (os grifos são meus).

Não só para ele, mas para a totalidade dos “juristas” esse Conselho é “inútil”.

Essa inutilidade saída da opinião da casta dos “constitucionalista” não decorre dos fatos – decorre exclusivamente de uma preguiça reiterada de geração para geração, que vai repetindo, em ato claro de corrupção da inteligência jurídica, que o Conselho de nada serviria ou, como foi ad hoc inventado no tempo da intervenção no Rio de Janeiro, seria um “conselho meramente consultivo”, em interpretação absolutamente cafajeste do termo “pronunciar-se” (como se alguém fosse convocado para “pronunciar-se” sobre “estado de defesa” por mero dilentantismo ou diversão…).

Não quero aqui sugerir que o desinteresse dos juristas em face desse órgão decorre de sua natureza eminentemente política, já que não conta com a participação de membros do Poder Judiciário, nem mesmo de membros das FFAA: creio que o desinteresse decorre mesmo de uma absoluta ignorância sobre o instituto e não da impossibilidade de ter acesso a mais cargos (mesmo porque a lei determina que o exercício das funções no Conselho da República “é considerada atividade relevante e não remunerada” (grifei, para afastar abutres).

E a ignorância é tanta que os poucos manuais que citam o Conselho da República, quase nenhum chega a mencionar que o tema foi regulado por lei no tempo de Fernando Collor.

Trata-se da Lei nr. 8.041, de 5 de junho de 1990.

É uma lei bastante chinfrim, feita as pressas, sem cuidado; mas é o que temos para hoje.

Cumpre lembrar que desde a constituição de 1988 até essa lei de Collor, que preencheu o Conselho da República a época, os presidentes Sarney, Collor, FHC e Lula fizeram nomeações esporádicas para esse Conselho sem nunca, jamais tê-lo instalado ou usado. Essas nomeações todas caducaram por evidente ausência de instalação do órgão e de efetivo exercício com deliberações. A situação é tão caótica que nem sequer uma webpage em algum “.gov” esse Conselho dispõe.

A história de maus tratos a esse Conselho anda junto com a história da tal política de coalizão.

Foi no segundo mandato de Lula, governo que, hoje sabemos, foi anabolizado pelas práticas do Mensalão e do Petrolão, que o Conselho da República foi completamente jogado no ostracismo.

É absolutamente errôneo o que dizem esses poucos apaniguados do direito constitucional de que a função do Conselho da República era um paliativo para preencher um vácuo de poder caso o plebiscito de 1994 desaguasse em um sistema parlamentarista. É gente que sabe de parlamentarismo por apostila…

O Conselho da República é peça-chave nessa função de articulação política entre Poderes da República com vistas à nossa estabilidade institucional. Toda instituição conta com um conselho supraexecutivo e com funções essenciais de natureza estatutária. Não há exceção.

Note que nem a Constituição, nem Montesquieu, nem os federalistas ou founding fathers falam exclusivamente de independência dos poderes: a palavra vem associada à harmonia e aqui, voltamos ao Salmo 133 – a independência sem harmonia se transforma em tirania e a própria constituição estabelece que é ao Conselho da República que cabe recobrar essa independência de forma harmônica. Se você ainda não sabe o que é harmonia, pergunte a um músico – ele vai te explicar isso melhor do que o faria um jurista.

Nesse caso do choque entre a legitimidade das decisões do STF e do CNJ, a crise institucional instalada conta com uma única saída que a Constituição oferece: acelerar uma ampla reforma do Poder Judiciário via Conselho da República. Essa reforma poderia sim ocorrer em regime de urgência mas isso dependeria de uma articulação política uniforme entre os Poderes Executivo e Legislativo, cuja forma mais segura seria via Conselho da República.

A premissa básica dessa reforma deveria ter em testa que a Operação Lavajato não é apenas um patrimônio histórico do Brasil, mas sim de toda a humanidade. Demos um landmark ao mundo no combate à corrupção e na forma justa, legítima, legal e até garantista de se colocar na cadeia um número elevado de corruptos e de criminosos perigosos envolvidos em organizações que realizaram atos de lavagem de dinheiro, em troca de uma fraude absoluta ao princípio representativo.

Preservar a Operação Lavajato significa manter íntegro o princípio representativo, assegurando ao cidadão que o deputado e senador que vota em Brasília pelo resto do país, o faz seguindo as regras representativas e não porque foi beneficiado pessoalmente a votar de uma forma ou de outra. Isso é vital para a sobrevida da nossa democracia, interrompida nos tempos de Lula/Dilma.

No paralelo, se a Operação Lavajato estiver ameaçada no curso da modulação da decisão da semana passada, sinalizando-se o risco de voltarmos a modelos da velha política, o Conselho da República tem o dever de intervir.

Entendo que o Conselho da República tem atribuições muito mais amplas do que pensa a vã filosofia do oligopólio editorial dos consititucionalistas – estão todos errados em suas superficiais análises e desafio qualquer um a debater sobre o tema comigo, a qualquer tempo.

Dentro desse entendimento, quando a constituição fala que o Conselho deve pronunciar-se, entendo que a forma correta de pronunciar-se é por meio de resoluções normativas.

Há certas situações que cabe ao Conselho da República dirimir.

Aqui a oportunidade para que o Conselho da República interfira e reforme o Judiciário em caráter de urgência, para impor-lhe limites institucionais que dêem à República a sua tão querida estabilidade, é algo que não pode mais demorar uma semana sequer.

A dúvida final, eu sei, diz respeito a esse histórico obscuro dessa instituição que foi sorrateiramente deixada à inanição por Lula e cruelmente sepultada por Dilma – note-se ainda que há uma PEC para reformar esses artigos e incluir como membros natos desse Conselho da República… ex-presidentes eleitos, o que colocaria de volta em um órgão suprainstitucional não apenas a mulher sapiens Dilma Rousseff, mas também e sobretudo o meliante de Atibaia.

Note ainda que o embalsamamento do Conselho da República anda pari passu com o sucesso do Petrolão e a explosão da corrupção representativa no Brasil: uma está intimamente ligada a outra.

O Presidente da República precisa urgentemente organizar e usar, de forma institucional esse verdadeiro Poder Moderador da República Brasileira, pois o seu mandato está em risco se as coisas seguirem do jeito que estão.

Se você ainda não entendeu porque a morte do Conselho da República e o renascimento da corrupção estão lado a lado, acompanhe a partir daqui meu raciocínio.

Tempos atrás a funcionalidade desse Conselho foi substituída, como dissemos, pelo esquema inventado por FHC e ACM denominado política de coalizão, cuja vertente econômica chama-se, na feliz expressão do Professor Sérgio Lazzarinni, capitalismo de laços.

FHC e ACM notaram que as funções políticas de um Conselho da República poderia ocorrer nos bastidores, em união de partidos com mídia amiga, para que temas de interesse do establishment ganhassem a aprovação sem que um processo institucional desse conta de sua publicidade e satisfações à sociedade. Sim, ao meu ver a ditadura do Mensalão implementada por Lula e Zé Dirceu teve início em um golpe político que FHC e ACM deram nas intituições brasileiras, em especial na letra constitucional do Conselho da República.

Com Lula, a política de coalizão se sofisticou e encontrou em políticas econômicas típicas do capitalismo de laços (leia-se, economia fascista) uma forte barreira de participação do povo, consolidando uma ditadura que era administrada, no âmbito de suas articulações, a partir da Casa Civil da Presidência da República.

FHC e ACM implementaram uma política de coalizão em que Presidente da República e Presidente do Congresso Nacional administravam diretamente essa coalizão.

Lula inovou e adaptou a política de coalizão a um sistema soviético, em que o Secretário Geral da República iria controlar tais articulações. Esse secretário geral da república era o então Ministro da Casa Civil e não por coincidência, foi escalado Zé Dirceu para essa função.

A partir daí a função do Ministro da Casa Civil cresceu exponencialmente, deixando à Presidência da República funções de articulação global junto ao Foro de São Paulo.

É por essa razão que essa política de coalizão, também conhecida como política do toma-lá-dá-cá (TLDC), criada por FHC e ACM e sofisticada como máquina de poderpor Lula e Zé Dirceu, tem por obrigação matar o Conselho da República.

Desta forma, o Presidente Jair Bolsonaro, ao nomear Onyx Lonrenzoni para que exerça a função de principal articulador via Casa Civil, usa de um mecanismo soviético sem saber que o faz!

Será impossível vencer o TLDC se o Presidente seguir usando um mecanismo que serve exatamente para azeitar e louvar esse TLDC que ele diz querer destruir mas não vem sabendo como fazê-lo.

O Presidente deveria abandonar imediatamente as funções de articulação que hoje recaem sobre a Casa Civil e retransformá-la em um Ministério de funções meramente secretariais e burocráticas (uma espécie de back office presidencial com funções de organização das informações para o Diário Oficial – só, apenas e nada mais).

Urge retirar as funções políticas da Casa Civil e exercê-las, com urgência, direta e imediatamente dentro do Conselho da República, que precisa ser reformado e remodelado, com a indicação de novos nomes, ante à caducidade das anteriores nomeações ad hoc dos tempos de Temer.

Via Conselho da República o Presidente deverá exercer a sua liderança como Comandante da nação a fim de não só dirimir a crise institucional decorrente de decisões ilegítimas do STF e do CNJ.

De quebra, poderá exercer a tão sonhada articulação política de forma direta e sem intermediários, evitando assim o TLDC e a volta da política de coalizão e o capitalismo de laços, comandando com inteligência e estratégia outros dois pontos de fundamental retomada do equilíbrio institucional do Brasil: a crise de fronteira na Venezuela, a reforma da previdência e o pacote do Ministro Moro (membro nato do Conselho da República).

Presidente Jair Bolsonaro – instale agora o Conselho da República e mãos a obra! O Brasil não pode esperar mais!

Não é apenas seu mandato que começa a entrar em jogo – é a estabilidade democrática do Brasil.


Bem aventurado o homem que que não segue os conselhos dos ímpios e não trilha o caminho dos pecadores e nem participa da reunião de insolentes
Salmo 1


27 de março de 2019
Evando F. Pontes

https://lorotaspoliticaseverdades.blogspot.com/2019/03/conselho-da-republica-uma-solucao_27.html

A PETISTA ERIKA KOKAY VIROU RÉ POR PECULATO


Acusada de desviar salário de assessora, a parlamentar do Partido dos Trabalhadores (PT), Erika Kokay, vira ré.

A 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) acatou a denúncia por peculato contra a deputada federal Erika Kokay (PT) e o ex-chefe de gabinete da parlamentar Alair José Martins Vargas.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o caso, que envolve a ex-servidora Vânia Gomes, teria ocorrido entre dezembro de 2006 e outubro de 2007.

Em depoimento, Vânia afirmou que o chefe de gabinete da deputada, na época quando Erika ainda era distrital, a convidou para ocupar nova função, com acréscimo salarial.

A ressalva era que Vânia deveria “devolver” parte do salário que excedesse o recebido.

À época, a quebra do sigilo bancário teria confirmado repasses de ao menos R$ 13 mil da assessora para a conta de Erika Kokay, informa o Metrópoles.


27 de março de 2019
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GUAIDÓ DENUNCIA PRESENÇA DE MILITARES RUSSOS NA VENEZUELA


O líder opositor afirma que presença de militares russos na Venezuela viola Constituição do país sul-americano.

O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou nesta terça-feira (26) que a chegada de militares da Rússia ao país viola a Constituição.

“Parece que [no regime Maduro] eles não confiam em seus militares […] Eles violam a Constituição novamente”, declarou Guaidó.

Em discurso ante o Parlamento de maioria oposicionista, segundo o Correio Braziliense, Guaidó acrescentou:

“Disseram tantas vezes que a ajuda humanitária era para a entrada de forças armadas transnacionais, mas agora são eles que colocam soldados estrangeiros na Venezuela.”

No último sábado, dois aviões russos pousaram no aeroporto internacional de Maiquetía, que serve a Caracas, transportando pessoal militar e equipamentos, registrou a RENOVA.

“Eles não trouxeram plantas [elétricas] naqueles aviões, não trouxeram técnicos […] Não. Trouxeram soldados estrangeiros para o solo nacional”, disse Guaidó.


27 de março de 2019
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