"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 17 de outubro de 2015

CUNHA NÃO ACEITARÁ ACORDO, PORQUE DILMA NADA TEM A OFERECER




Os jornais, sites e blogs fazem as mais criativas especulações sobre a possibilidade de acordo entre a presidente Dilma Rousseff e seu maior inimigo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O assunto é revoltante, tenebroso e sinistro, mas não pode ser levado a sério. Uma coisa é a fantasia, o desejo, a pretensão, outra coisa muito diferente é a possibilidade, que somente se caracteriza quando existem condições plausíveis de concretização.
No caso do acordo entre os dois arqui-inimigos, não existe a menor possibilidade de se chegar a um denominador comum, como se dizia antigamente. O deputado Eduardo Cunha tem dois produtos a oferecer – o boicote ao impeachment e a aprovação do ajuste fiscal, incluindo CPMF, mas sem garantia total de entrega. E a presidente Dilma tem muito pouco para dar em troca, e sem a menor garantia de entrega.
TROCA-TROCA
Como compensação pelos serviços a serem prestados, Cunha exige diversas mercadorias: 1) a intervenção do governo na Conselho de Ética e no plenário da Câmara, para que ele não seja cassado nem perca a presidência da Mesa; 2) a suspensão da perseguição que o procurador-geral da República Rodrigo Janot move contra ele; 3) uma certa compreensão do Supremo Tribunal Federal, que garanta a eterna lentidão do julgamento dos processos contra ele; 4) a blindagem da mulher e da filha que têm contas abertas no exterior.
Sonhar ainda não é proibido, mas acontece que Dilma Rousseff não tem condições de atender essas demandas de Cunha.
DILMA SEM PODERES
Com a ajuda de Lula e do PT, Dilma pode até tentar pressionar o Conselho de Ética e o plenário, para evitar a cassação dele, mas é impossível mantê-lo na presidência da Câmara. Dilma também não tem como interferir junto ao procurador-geral Rodrigo Janot, que ontem mesmo entregou novas provas contra Cunha. Também não pode pressionar o Supremo. Se isso fosse possível, a desmoralização das instituições brasileiras teria chegaria a um tal ponto de ruptura que alguém teria de chamar o General Villas Bôas para botar ordem na casa, conforme reza a Constituição.
Por isso, não haverá acordo, a não ser que outras milionárias contas secretas sejam abertas no exterior, se é que vocês me entendem, como dizia o genial jornalista Maneco Muller, o Jacinto de Tormes.
###
PS – E se alguém me esculhambar dizendo que estou defendendo um golpe militar, vou logo esclarecendo: intervenção militar é prevista na Constituição e nada tem ver com ditadura militar. (C.N)

17 de outubro de 2015
Carlos Newton

DILMA RECEBE SCIOLI: NÃO CHORES POR MIM ARGENTINA

Dilma e Cristina Kirchner, em final de carreira


A repórter Mariana Carneiro, Folha de São Paulo de quarta-feira, publicou matéria sobre a recepção da presidente Dilma Rousseff, na véspera, em Brasília, ao candidato à presidência da Argentina, Daniel Scioli, apoiado por Cristina Kirchner. Scioli lidera as pesquisas, principalmente do Instituto Ipsos para o dia 25, encontrando-se até próximo de vencer no primeiro turno. Na Argentina é assim: para entrar direto na Casa Rosada, primeiro turno, o mais votado tem que ultrapassar a casa dos 40% dos votos e livrar dez pontos sobre o segundo colocado.
Scioli está próximo de atingir a marca, Maurício Macri é o segundo, Sérgio Massa o terceiro. Os dois somados ultrapassam Scioli, mas é preciso que o segundo mantenha os 30% a que chegou e o candidato do governo não consiga completar os 40 degraus. Há diversos outros candidatos, porém com percentuais pequenos. Curioso é que todos os três primeiros se apresentam como peronistas e, de 1947 aos dias de hoje, o símbolo Juan Domingo Perón só perdeu uma disputa presidencial: a de 1982, quando Raul Alfonsin derrotou Ítalo Luder.
Trata-se da única corrente política que, sem razão ou com ela (com 60 anos de jornalismo, carrego comigo mais dúvidas do que certezas), resiste ao decorrer do tempo. Mas esta é outra questão.
FOI BOM OU RUIM?
O fato é que, nesta altura do campeonato, observando-se os resultados da pesquisa do Datafolha, entre os leitores da FSP, reportagem de David Frielanger, também na edição de 14, tenho dúvida se o encontro com Dilma Rousseff, no Planalto, somou apoios argentinos ou retirou votos de Scioli. O candidato da Cristina assumiu uma posição de vitorioso antes da hora. Estou vacinado contra posturas assim, desde a final Brasil e Uruguai, que assisti no Maracanã, em 50. Futebol se vence no campo, não na véspera. Eleição se ganha nas urnas, a última semana é sempre decisiva. Principalmente porque é a fase em que boa parte dos grupos sociais de menor renda decidem escolher seu candidato.
Com base nessa realidade, é possível que Scioli até amplie sua vantagem, da mesma forma que venha ocorrer um encurtamento de sua vantagem. Só as urnas do dia 25 vão revelar os números finais.
IMPOPULARIDADE
Mas falei na impopularidade de Dilma Rousseff, é um fato. Até que ponto tal constatação poderá influir no ânimo do eleitorado argentino, francamente não sei. Pode ser que não sensibilize nada, mas certamente não somará. Até porque o encontro, sem dúvida, representa de alguma forma uma interferência externa nos rumos do pleito.
E tem mais: Scioli (matéria de Gustavo Uribe na mesma edição) assinalou que ele fez votos para que as instituições brasileiras atuem com responsabilidade no que diz respeito ao mandato de Dilma Rousseff. Francamente, não sei como os principais jornais argentinos, Clarin e La Nación, focalizaram o encontro de Brasília. E também ignoro como as emissoras de televisão fizeram repercutir o fato.
CANTANDO UM TANGO
Tratando-se da terra de Gardel, o eterno tango, das canções eternas como a “Não Chores Por Mim, Argentina”, tive o impulso de transportar a música, muito bonita, para o título deste artigo. Aí está o texto relativo ao contexto político do momento. Como Macri e Massa vão explorar o episódio? E não é só isso: se explorarem o tema produzirá quais efeitos? As urnas vão responder.

17 de outubro de 2015
Pedro do Coutto

O REINO DA LICENCIOSIDADE E O IMPÉRIO DA IMPUNIDADE




Depois de confirmações e desmentidos ficou claro, esta semana, o conluio entre o governo e a Câmara, ou seja, entre Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, com o beneplácito do Lula. Seu objetivo é impedir o impeachment da presidente da República e forçar a decisão do Conselho de Ética da Câmara de não condenar o deputado.
Coisa de quadrilhas da velha Chicago, entre ameaças, agressões verbais, desfaçatez e muita falta de moral. Porque, se existem evidências de Dilma haver cometido crime de responsabilidade, teria que ser iniciado um processo. Da mesma forma, se o presidente da Câmara recebeu e escondeu na Suíça dinheiro podre da Petrobras, nada mais necessário do que submetê-lo à apreciação dos encarregados de zelar pela ética, na casa a que pertencem.
Apesar disso, e abrindo-se ainda a hipótese de o acordo ser desfeito, salta aos olhos estar avançada a lambança no Executivo e no Legislativo.
OUTROS PARTICIPANTES
Participam dela, além dos três personagens centrais, o vice Michel Temer, o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, e os principais líderes do governo e da oposição, do PT, do PMDB e do PSDB.
No fundo, desejam todos salvar-se pretendendo que tudo continue como está: nenhuma punição política e muito menos jurídica para os que sabiam e participaram da roubalheira, rasgaram a Constituição, descumpriram e lei e levaram o país ao desastre em que se encontra. Desde que salvem o pescoço, sacrificam a ética e a verdade. Uns poucos ainda reagem, mas a maioria entoa a Oração de São Francisco em sua versão mais cruel: é dando que se recebe. No caso, propinas, dinheiro podre, a falência das instituições e o descalabro que nos assola.
Tratar de superar a crise econômica, nem pensam. Indaga-se até quando o Brasil viverá no reino da licenciosidade, assistindo de braços cruzados desenvolver-se o império da impunidade. Pelo jeito, não há prazo para a indignação popular se levantar.
VIVA OS ESPECULADORES
Calcula o Banco Central que este ano o Brasil pagará 500 bilhões de reais de juros, tanto para os bancos quanto para os especuladores, que no fundo são a mesma coisa. E nem se cogita de reduzir a indecente taxa de 14,25% ao mês para o cidadão comum. Os juros do cheque especial e do cartão de crédito chegam a 600% ao ano. Esses números talvez expliquem a melancólica sessão do Congresso onde compareceu o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Nem o PT compareceu, como devia…

17 de outubro de 2015
Carlos Chagas

O CLUBE DOS ARREPENDIDOS

47% DOS ELEITORES MUDARIAM VOTO PARA PRESIDENTE, DIZ PESQUISA
Caso as eleições fossem hoje, 47% dos eleitores brasileiros mudariam a escolha de candidato à presidência do Brasil. É o que diz a pesquisa da consultoria Hello Research dada com exclusividade a Exame.com.
De acordo com a consultoria, os efeitos da crise econômica, o desenrolar das denúncias de corrupção em várias esferas do governo e do Parlamento e a instabilidade ética do atual governo são alguns dos fatores que fariam os eleitores se arrependerem de seus votos. Não foi feita, no entanto, uma subdivisão entre primeiro e segundo turno.
“Em linhas gerais, notamos uma forte falta de representação entre os candidatos. A população não enxerga um político que a represente devidamente”, diz Davi Bertoncello, CEO da Hello Research. “Existem subgrupos mais insatisfeitos, mas ter um índice desse tamanho, um ano depois da votação, indica que essa é uma insatisfação geral, até epidêmica.”
VOCÊ VOTARIA?
Pensando agora nas eleições para presidente no ano passado, você votaria novamente no mesmo candidato que votou naquela ocasião?
Não – 46%; Sim – 34%; Não sabe – 19%
O índice de arrependimento é mais acentuado na região Norte, em que 59% dos eleitores trocaria de candidato. Logo atrás vem o Nordeste (52%), principal curral eleitoral da presidente Dilma Rousseff.
No Sudeste, onde Aécio Neves teve alto índice de votação, são 45% os arrependidos. Os mais convictos de suas escolhas são os eleitores do Centro-Oeste, em que 41% disseram que votariam no mesmo candidato.
ARREPENDIMENTO
Evidenciando o impacto da crise nas famílias e consequente insatisfação com o governo, os entrevistados de renda mais baixa têm índices de arrependimento mais altos.
Para a pesquisa, a Hello Research ouviu 2.002 pessoas em cerca de 70 cidades do país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

17 de outubro de 2015
Raphael Martins
Exame.com

A FAMÍLIA SILVA VAI BEM, OBRIGADO...

BAIANO PAGOU PROPINAS PARA UMA NORA DE LULA E EDUARDO CUNHA


A propina era para a mulher de Fábio Luís, o Lulinha
Delator da Lava Jato e atualmente preso, o lobista Fernando Soares disse ter feito um pagamento de R$ 2 milhões a um amigo do ex-presidente Lula, montante que seria destinado a uma nora do petista. Veiculada pelo “Jornal Nacional”, a informação foi confirmada pela Folha. O lobista, conhecido como Baiano, afirmou também que fez pagamentos em dinheiro vivo de ao menos R$ 1 milhão ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Baiano disse que o pagamento que beneficiaria a nora de Lula foi feito ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do petista, e se referia a uma negociação envolvendo a OSX, empresa de construção naval de Eike Batista, hoje em recuperação judicial.
O delator contou que trabalhava para que a OSX participasse de contratos da Sete Brasil, firma formada por sócios privados e pela Petrobras e que administra o aluguel de sondas para o pré-sal.
LULA NO NEGÓCIO
Segundo a reportagem, Baiano disse que pediu ajuda a Bumlai e que, adiante, o próprio Lula “participou de reuniões com o presidente da Sete Brasil para que a OSX fosse chamada para o negócio”.
A negociação não avançou, mas mesmo assim Bumlai cobrou comissão de R$ 3 milhões, disse Baiano. O dinheiro seria para uma nora de Lula, cujo nome não foi mencionado, pagar uma parcela de um imóvel. Baiano contou que repassou então R$ 2 milhões a Bumlai. Ele não soube dizer se o valor foi entregue a algum parente de Lula.
O Instituto Lula afirmou que o petista nunca autorizou Bumlai a pedir dinheiro em nome dele e negou que alguma nora tenha recebido favor de Baiano
AMIGO ÍNTIMO
Bumlai se aproximou de Lula na campanha de 2002. Foram apresentados pelo então governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT. Ganhou intimidade para viajar na cabine do avião presidencial.
Segundo a Folha apurou, Bumlai tornou-se um dos alvos preferenciais da Lava Jato. Um segundo delator, Luiz Carlos Martins, ex-diretor da empreiteira Camargo Corrêa, também relatou episódios o envolvendo com propinas.
Martins contou que as empreiteiras que fizeram a usina de Belo Monte pagaram 1% de propina a políticos e lobistas. O suborno chegou a R$ 145 milhões. O plano era que o PMDB o PT dividissem o valor.
Havia um problema, porém. As grandes empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo, que tinham conhecimento para fazer a obra complexa, haviam sido deixadas de lado pelo governo.
BUMLAI FOI CHAMADO
Como as menores não conseguiriam tocar o projeto, era necessário fazer uma composição com as grandes. Bumlai e um outro lobista foram chamados para aparar as arestas.
Com a entrada da dupla no projeto, mudou a divisão do suborno. PT e PMDB ficaram com 0,45% cada (R$ 65,2 milhões); Bumlai e o outro lobista dividiram o 0,1% restante (R$ 14,5 milhões para cada).
Baiano também disse no depoimento ter levado entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão a um escritório de Cunha em 2011. Disse que deixou a quantia com um certo Altair.
O pagamento, segundo o “Jornal Nacional”, era parte de uma propina de US$ 5 milhões prometida a Cunha pelo lobista Julio Camargo. Era referente à contratação de navios-sonda pela Petrobras.
Baiano disse que tinha um celular para falar sobre ilícitos com Cunha e que o deputado chegou a enviar um e-mail citando o pagamento. Cunha refuta.
TODOS NEGAM…
O Instituto Lula divulgou nota afirmando que o petista nunca autorizou o pecuarista José Carlos Bumlai a pedir dinheiro em nome dele.
Também negou que alguma nora do ex-presidente tenha recebido, direta ou indiretamente, qualquer pagamento ou favor de Fernando Baiano, delator da Lava Jato.
O instituto afirmou ainda que Lula “nunca atuou como intermediário de empresas em contratos, antes, durante ou depois de seu governo” e criticou a divulgação do depoimento de Baiano.
Por meio de sua assessoria de imprensa, Bumlai negou ter relação com o que chamou de “mentiras”.
João Carlos Ferraz, ex-presidente da Sete Brasil, não quis se manifestar.
Por meio de sua assessoria, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), refutou “com veemência” as declarações de Baiano e criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” de depoimentos de delatores.

17 de outubro de 2015
Mario Cesar Carvalho, Bela Megale, Graciliano Rocha e Felipe Bachtold
Folha

LULA DEFENDE A SAÍDA DE LEVY E O ACORDO COM EDUARDO CUNHA


Durante reunião com a bancada de deputados do PT nesta quinta (15), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a troca do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e pediu aos parlamentares uma política de não agressão ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Segundo a Folha apurou, Lula pediu que os deputados petistas adotem uma postura alinhada à do Palácio do Planalto e que não provoquem o peemedebista e parem de “fazer disputa política pelos jornais”.
Em um acordo negociado desde a semana passada, Planalto e PT garantiriam que o processo de cassação do mandato de Cunha, protocolado no Conselho de Ética por dois partidos, com a assinatura de metade da bancada do PT, não prosperaria. Em troca, Cunha não daria o pontapé inicial para abrir um processo de impeachment.
“INCOMPETÊNCIAS”
Para o ex-presidente, é mais importante neste momento o PT “cuidar de suas incompetências”, que incluem, na avaliação dele, a formação de maioria no Congresso para aprovar projetos do governo e tentar barrar qualquer tentativa de impedimento da presidente, e a mudança na política econômica.
Lula já vinha reclamando da atuação de Levy no Ministério da Fazenda por considerar que o ministro só faz acenos ao mercado, o que tem desagrado a militância do partido. Segundo presentes à reunião, os deputados disseram ao ex-presidente que vão passar a criticar Levy em público, e passar a defender mudanças na condução da economia, para que, de acordo com eles, o Brasil “saia da agenda do ajuste”.
O recado também foi dado pela bancada ao presidente do PT, Rui Falcão, e ao ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, em reunião na manhã de quinta-feira.
“VENDER ESPERANÇA”
Diante das reclamações, o ex-presidente afirmou que vai insistir com Dilma sobre a reorientação da política econômica. Para ele, é preciso “vender esperança” ao povo brasileiro para o ano que vem. Caso contrário, avalia, o país vai entrar num cenário ainda mais difícil.
Em nota divulgada minutos depois da reunião entre Lula e os deputados, que durou mais de duas horas, o Instituto Lula disse que o ex-presidente “não participa nem estimula qualquer articulação para supostamente ‘proteger’ o presidente da Câmara “.
O ex-presidente recebeu cerca de 15 deputados do PT no hotel em que estava hospedado em Brasília. Ao menos seis assinaram o pedido de cassação do mandato de Cunha. Oficialmente, o PT liberou a bancada e 34 dos 62 deputados endossaram o pedido.
Nos bastidores, porém, sabe-se que o partido vai orientar individualmente cada parlamentar sobre o tema.
Após a reunião com Lula, o líder do PT na Câmara, Sibá Machado, afirmou que “não há acordo” sobre Cunha e que os deputados petistas serão liberados para votar na Comissão de Ética.

17 de outubro de 2015
Marina Dias, Gustavo Uribe, Débora Álvares e Ranier Bragon
Folha

PERIGOSA IRRESPONSABILIDADE DO GOVERNO DIANTE DA CRISE


Estamos no décimo mês do ano. Até agora o imobilismo no qual se instalou o Brasil gerou inflação, alta do dólar, desemprego, desajuste fiscal, como frutos do desestímulo à economia e à produção. O medo afasta oportunidades, congela investimentos e faz aflorar a especulação, a agiotagem dos bancos, a sanha arrecadatória do Estado.
Desde que se instalou na Justiça Federal a operação Lava Jato, também se paralisaram as grandes obras, tradicionalmente tocadas pelo feudo das empreiteiras cujos dirigentes amargam há meses na cadeia à espera da conclusão de seus processos, até que sejam expedidas suas sentenças. Na verdade, todos já se acham sentenciados e condenados, pelo menos pela opinião pública e pela mídia, seja em Manga, no Catolé do Rocha e no resto do Brasil. Até no exterior, a avaliação feita do nosso país pelas mídias locais nos instala na liderança do ranking de subdesenvolvimento e de corrupção.
MENOS TOLERÂNCIA
O povo está mais rigoroso nos seus julgamentos, há menos tolerância com os políticos, independentemente de que partido forem ou que história tenham. As dificuldades, a escassez de verbas para manutenção de cargos, privilégios e favores, o arrocho geral dos orçamentos públicos, realidades aliadas aos poderes fiscalizador das mídias e institucional da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal, são fatores que também contribuem para tornar os políticos menos generosos e mais cuidadosos no rateio de facilidades. Esse é o lado bom da história política de nossos tempos. Estamos mais atentos e vigilantes.
Mas, como se acha, estamos em outubro e às portas de mais um ano perdido. É preciso que o país volte a trabalhar, a produzir, a ter segurança e esperança. O país não suporta mais perder tempo com a discussão do impeachment, da permanência ou não de Eduardo Cunha à frente da presidência da Câmara e de Renan Calheiros na presidência do Senado, se vão ambos, junto com seus apoiadores, para a cadeia de qual cidade ou bairro. Se o dinheiro que tem nos bancos da Suíça, a mulher de Cunha ganhou fazendo unha, vendendo Avon ou costurando para fora. Se Dilma pedalou ou rosetou. Se Lula ganhou propina da indústria automobilística para editar MPs, se seu filho, o Lulinha é ladrão, ou foi favorecido com dinheiro da corrupção ou nada disso: é um santo.
A VIDA PAROU
Certo é que a vida parou, as pessoas estão com fome, desempregadas, desassistidas, há greves na educação, na segurança pública, na saúde, no Judiciário, no INSS, nos bancos. Daqui a uns dias, nas igrejas, nas boates, nos estádios de futebol, no jogo do bicho, nos shoppings populares.
Tudo parou, menos a pontualidade e eficiência de nossos credores. E ainda assim, não se ouvem propostas de mudanças. Estamos mergulhados na maior crise de imaginação e criatividade de nossos tempos. E na maior irresponsabilidade daqueles que têm nas mãos os instrumentos da mudança.

17 de outubro de 2015
Luiz Tito
O Tempo

CUNHA USOU O MESMO OPERADOR QUE CERVERÓ PARA ABRIR CONTA



Cunha e Cerveró, tudo a ver…
A principal conta atribuída pela Suíça ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi aberta com ajuda do mesmo operador usado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para movimentar seu dinheiro no exterior. De acordo com informações enviadas pela Suíça à Procuradoria-Geral da República, a conta foi aberta em setembro de 2008 por uma empresa de fachada batizada como Netherton Investments, com sede em Cingapura.
Documentos obtidos pela Folha em Cingapura revelam que essa empresa foi criada pouco antes, em julho de 2008, por outra registrada na Nova Zelândia, a PVCI New Zealand Trust.
Quem assina como diretor da PVCI é um homem chamado Luis Maria Pineyrua Pittaluga, que trabalha para um escritório de advocacia do Uruguai e na mesma época ajudou Cerveró a abrir uma conta na Suíça.
De acordo com documentos enviados pela Suíça ao Brasil, a conta de Cerveró foi aberta por Pittaluga em nome da Forbal Investments, uma empresa sediada em Belize, paraíso fiscal no Caribe, em julho de 2008.
SALDO: US$ 2,4 MILHÕES                          
A conta atribuída a Eduardo Cunha tinha saldo equivalente a US$ 2,4 milhões (R$ 9,1 milhões) em abril deste ano, quando ele virou alvo de suspeitas na Suíça e os recursos foram bloqueados pelas autoridades.
Segundo as informações enviadas ao Brasil, o presidente da Câmara e sua mulher, Cláudia Cruz, mantiveram outras três contas na Suíça. Duas foram fechadas no ano passado, pouco depois das primeiras prisões da Operação Lava Jato.
A Procuradoria-Geral da República acusa Cunha e Cerveró de envolvimento com o esquema de corrupção descoberto na Petrobras. Segundo os procuradores, eles receberam propina dos fornecedores de navios-sonda alugados à Petrobras entre 2006 e 2007.
CERVERÓ JÁ CONDENADO
Cunha foi denunciado pelos procuradores ao Supremo Tribunal Federal, que ainda não decidiu se aceita a denúncia e dá início ao processo em que ele será julgado. Cerveró, preso em Curitiba desde janeiro, foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 12 anos e três meses de prisão por causa do episódio.
O envolvimento de um mesmo operador na abertura das contas associadas a Cunha e Cerveró pode reforçar as suspeitas de que o deputado abriu as contas para movimentar recursos desviados dos cofres da Petrobras.
Os lobistas Júlio Camargo e Fernando Baiano, que participaram das negociações do contrato das sondas e hoje colaboram com as investigações da Operação Lava Jato, dizem que Eduardo Cunha recebeu US$ 5 milhões em propina dos fornecedores dos navios.
Os navios foram fabricados pela Samsung Heavy Industries, da Coreia do Sul. O contrato, que foi negociado na época em que Cerveró era o diretor da área internacional da Petrobras, custou US$ 1,2 bilhão à empresa estatal.
NO INQUÉRITO
Os documentos da Suíça que mencionam o operador de Cerveró foram anexados pela Procuradoria-Geral da República ao inquérito que deu origem à denúncia apresentada contra Eduardo Cunha ao Supremo, em agosto.
As informações sobre as contas atribuídas a Cunha chegaram ao Brasil na semana passada. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu ontem outro inquérito para investigar as contas do presidente da Câmara.
Nos papeis da PVCI New Zealand, Pittaluga aparece como representante do escritório Posadas & Vecino Consultores, que tem sede no Uruguai e também atua na Suíça.
O mesmo escritório também trabalhou para uma empresa chamada Hayley, que foi usada para movimentar recursos no exterior para o lobista Fernando Baiano e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, que também está preso em Curitiba.

17 de outubro de 2015
Leandro Colon
Folha

MOMENTO LÚDICO: QUAL O SEU ÍNDICE DE QI

teste de Q.I.


Para que lado a mulher está se movendo? Se você vê ela se movendo em sentido horário, você está usando o lado direito do seu cérebro; se você a vê se movendo em sentido ati-horário, você está usando o lado esquerdo do cérebro. Algumas pessoas podem vê-la se movendo para os dois lados, mas a maioria não consegue.

Tente vê-la se movendo nas duas direções. Se você conseguir fazer isso, já é uma vitória (não há números para o Brasil, mas estima-se que apenas 14% da população norte-americana consegue vê-la se movendo para os dois lados). E se conseguir fazer isso SEM TIRAR os olhos dela ou piscar (e voluntariamente), seu QI é acima de 160, segundo um teste da Universidade de Yale (que desenvolveu essa figura).

17 de outubro de 2015
in libertatum