"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

ALMIRANTE CORRUPTO CHEGOU A ADMINISTRAR UMA CONTA SECRETA



Quem imaginaria que o cientista militar iria se corromper?
Pouco depois de se reformar da Marinha, em 1994, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva foi surpreendido por uma pergunta da plateia ao concluir uma exposição sobre o programa nuclear brasileiro, em Viena, na Áustria.
Um americano disse que considerava duvidosas as informações disponíveis sobre os custos do programa e provocou: “Acho que o senhor está escondendo o que gastaram”. Othon fez um comentário irônico e desconversou.
Na semana passada, quando foi acusado de corrupção pelos procuradores da Operação Lava Jato e levado preso para um quartel militar em Curitiba, o almirante se viu obrigado a enfrentar perguntas embaraçosas novamente.
Os procuradores querem saber por que a firma de consultoria que Othon criou ao passar para a reserva ganhou R$ 4,8 milhões de empreiteiras que trabalham para a Eletronuclear, a estatal que ele presidiu nos últimos dez anos.
TUDO EM FAMÍLIA
Na sexta-feira (31), o almirante de 76 anos disse à Polícia Federal que se desligou da consultoria ao assumir o comando da Eletronuclear, e que o dinheiro pago pelas empreiteiras remunerou serviços prestados pela filha tradutora e pelo genro engenheiro.
Durante o interrogatório, Othon disse que “possui conhecimento que lhe permitiria ganhar muito mais do que os valores que lhe acusam de ter recebido”, mas não convenceu ninguém. O juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, prorrogou sua prisão até a próxima quinta (6), para que ele apresente provas do que alegou.
Nas décadas de 70 e 80, o almirante chefiou um programa secreto da Marinha que deu ao Brasil o domínio de uma das tecnologias mais cobiçadas do mundo, o processo que transforma o minério de urânio no combustível necessário para que uma usina nuclear produza eletricidade.
CENTRÍFUGAS
A parte mais sensível do programa, o desenvolvimento das centrífugas de enriquecimento de urânio que aumentam a concentração do material radioativo encontrado no minério, é tratada como segredo de Estado desde a ditadura militar (1964-1985), e poucos detalhes sobre ela vieram a público até hoje, mesmo décadas depois da redemocratização do país.
A Marinha investiu nessa tecnologia por considerá-la uma etapa indispensável para realizar seu projeto mais ambicioso, a construção de um submarino de propulsão nuclear, que os militares desenvolvem atualmente em parceria com a França e uma das empresas investigadas pela Lava Jato, a Odebrecht.

Engenheiro com especialização no MIT (Massachusetts Institute of Technology), Othon dirigiu o programa da Marinha de 1979 até a aposentadoria em 1994. Ele conhece todos os seus segredos, e guarda vários deles com zelo.
CAIXAS DE DOCUMENTOS
Como confidenciou a um conhecido uma década depois de deixar a Marinha, Othon guardou dezenas de caixas com documentos do período nos fundos da propriedade de um parente, no interior do Rio, tudo classificado com ajuda de um ex-funcionário. Othon também guarda cadernos pessoais desde a época em que estava no MIT.
Os documentos preservados pelo almirante incluem cópias de contratos com fornecedores e informações detalhadas sobre os gastos do programa, que nunca foram contabilizados de maneira transparente pelo governo. De acordo com uma planilha guardada por Othon, o programa consumiu US$ 668 milhões (R$ 2,3 bilhões em dinheiro de hoje) no período em que ele esteve à sua frente.
Quase um terço do dinheiro circulou por contas secretas, incluindo uma que Othon administrava pessoalmente. A existência dessas contas foi revelada pela Folha em 1986, mas o destino dos recursos nunca foi tornado público.
OTHON SABE TUDO
Especialistas estrangeiros sempre desconfiaram que boa parte desse dinheiro foi usada pela Marinha para comprar clandestinamente no exterior equipamentos e materiais para o desenvolvimento das centrífugas, mas poucas pessoas sabem ao certo o que foi feito. Othon sabe.
No auge do programa, havia mais de 900 pessoas sob o comando do almirante. Othon e outros oficiais trabalhavam com roupas civis, para que a farda não intimidasse ninguém. Cientistas da USP e de outras universidades participaram do projeto.
Othon deixou a Marinha frustrado com a redução dos recursos destinados ao programa e disposto a mudar de vida. Abriu a consultoria para trabalhar em projetos do setor privado e tentou ganhar dinheiro com o desenvolvimento de uma turbina para pequenas centrais hidrelétricas.
DE VOLTA AO PODER
A sorte do almirante mudou de novo em 2005, quando o governo decidiu retomar os investimentos na área nuclear e os petistas entregaram ao PMDB o controle do Ministério de Minas e Energia.
À frente da Eletronuclear, Othon retomou as obras da usina de Angra 3, renegociando os contratos das empresas envolvidas com o projeto e comprometendo-se a entregá-la até 2018. Parecia a pessoa certa para a missão, até cair na teia da Lava Jato.

04 de agosto de 2015
Ricardo Balthazar
Folha

JÁ SE FESTEJA O FIM DA IMPUNIDADE - DIZ MINISTRO DO SUPREMO



Marco Aurélio elogia a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça













O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello afirmou que os desdobramentos das investigações do esquema de corrupção mostram que agora “o crime [age] no atacado, não mais no varejo” como no escândalo do mensalão. Mas ressaltou que a nova prisão de José Dirceu afasta a sensação de impunidade que existia no Brasil.
Marco Aurélio disse que, em um discurso de posse em 2006 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), classificou o mensalão de maior escândalo de corrupção e foi criticado, sendo que atualmente as implicações do caso da Petrobras se mostram maiores.
“Quando eu tomei posse em 2006 no TSE eu fiz um discurso que foi considerado muito ácido. Mas foi um discurso leve. Eu falei que era o maior escândalo da República. Hoje nós temos aí esse que envolve o crime no atacado, não mais no varejo”, afirmou.
O ministro disse que o alcance da Lava Jato é importante para mostrar a estabilidade das instituições.
“O importante é que as instituições estão funcionando. A Polícia Federal e o Ministério Público e o Judiciário. A quadra, ao meu ver, é alvissareira, porque não se esconde mais essas mazelas. Elas afloram a partir inclusive do que foi veiculado pela imprensa, há descoberta de fatos e ante esses fatos se tem os inquéritos e as ações penais. Vamos buscar novos rumos, melhores dias para o Brasil”, disse.

04 de agosto de 2015

CONHEÇA O DELEGADO QUE DESCOBRIU A CORRUPÇÃO DA PETROBRAS



10 - 9- Marcio Anselmo 2
Delegado Marcio Anselmo puxou o fio da meada
Na sede regional da Polícia Federal em Curitiba, onde trabalham os agentes que deram início à Operação Lava Jato, o ambiente é de prudente satisfação. “Jamais imaginamos um caso tão grande… Nem em sonho”, admite Marcio Adriano Anselmo, o delegado que iniciou a maior investigação por corrupção na história brasileira. Anselmo tampouco imaginaria que uma modesta investigação contra três especialistas em lavagem de dinheiro, em Brasília e São Paulo, acabaria por conduzi-lo a Londrina (sua cidade natal, a 400 quilômetros de Curitiba), feudo do contrabandista Alberto Youssef, um velho conhecido da PF, cujas confissões acabariam detonando um escândalo de ressonância mundial.
Em julho de 2013, Anselmo havia voltado seu foco para Carlos Habib Chater, um doleiro que havia anos operava em Brasília. Chater havia sido recentemente vinculado a um polêmico ex-deputado de Londrina, José Janene (PP-PR), morto em 2010. Mantinha uma rede de lavagem de dinheiro criada por seu pai (preso, como ele, há dois meses), e a PF sabia que fazia contatos em São Paulo com outro doleiro, Raúl Henrique Srour, que havia sido condenado em 2005 na chamada Operação Banestado, mas já terminara de cumprir pena.
A partir de agosto, quando a Justiça autorizou escutas telefônicas, descobriu-se também que Chater trocava continuamente mensagens telefônicas sobre suas atividades com um desconhecido. “Era uma operação de pequena para média”, diz Anselmo. “Não tínhamos nem ideia do que iríamos encontrar.”
ERA YOUSSEF, DE NOVO
A equipe de Anselmo era formada por mais dois agentes. A investigação prosseguiu de forma discreta durante várias semanas. Depois de analisar milhares de operações bancárias, os três policiais vislumbraram um esquema com empresas fantasmas e transferências injustificadas. Avançaram lentamente, até que no começo de outubro o caso teve seu primeiro ponto de inflexão: a pessoa que tantas mensagens trocava com Charter via smartphone era Alberto Youssef, o mesmo especialista em lavagem de dinheiro que, num acordo de colaboração em 2004, havia se livrado de uma pena muito mais longa na Operação Banestado – por coincidência, o primeiro caso financeiro importante julgado pelo jovem juiz Sergio Moro, da 13ª. Vara Criminal Federal de Curitiba.
“Não podíamos acreditar que fosse Youssef”, conta Anselmo. “Foi um momento inesquecível.” Além de levar o caso para Curitiba, a descoberta significava que o doleiro e contrabandista havia violado seu acordo de delação premiada; estava novamente na ativa. Continuaria em operação o esquema supostamente desbaratado anos antes?
A palavra Petrobras, até então, não aparecia nem remotamente no caso. Mas o reaparecimento de Youssef aproximava os policiais de outro foco importante da investigação: a escorregadia figura de Nelma Kodama, “a Dama do Mercado”, influente doleira paulista que, além do mais, era amante de Youssef. Kodama havia se safado do caso Banestado porque “foi a única pessoa a quem Youssef não delatou”, segundo os policiais, “seja por amor ou para que continuasse o negócio”. “Ela sempre havia movimentado grandes quantias de dinheiro, somas muito elevadas vinculadas a grandes comerciantes do setor de importação e exportação. Mas até aquele momento havia conseguido se livrar. […] Era uma pessoa muito complicada, considerava-se inalcançável, mostrava muita confiança em si mesma.”
FALTAVAM AS PROVAS
“Continuávamos sendo uma equipe muito pequena, mas mesmo assim continuamos puxando o fio”, recorda outro agente. Mas faltavam as provas… “Era possível que se tornasse um caso maior do que o esperado, mas nem isso.” A palavra ‘Petrobras’ só apareceu pela primeira vez nos autos da Operação Lava-Jato em janeiro deste ano. Foi, como tantas vezes, por um descuido: especificamente um presente. Os agentes comprovaram que Youssef acabava de comprar um carro de luxo (300 mil reais) em nome de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da empresa petroleira de capital misto.
“Achamos isso muito estranho”, afirma um agente. “O salário de um diretor da Petrobras pode superar os 100 mil reais (40 mil dólares) mensais.” Com um meio-sorriso, Anselmo relembra que “foi aí que a temperatura começou a subir de verdade”. Os policiais se lembraram de que o falecido ex-deputado Janene, sócio de Chater, havia sido o responsável por colocar Paulo Roberto Costa à frente da Diretoria de Abastecimento da empresa, em 2004. E ampliaram o campo de atuação: “Começamos a investigar outras pessoas e, pela primeira vez, compreendemos que podia se tratar de um caso histórico”.
O carro dado por Youssef a Costa era justificado como sendo o pagamento por supostos “serviços de consultoria”. Havia milhares de notas fiscais por “serviços de consultoria”.
MÁQUINA DE LAVAR
Poucas semanas depois, veio à tona uma gigantesca máquina de lavagem de dinheiro. Os suspeitos transferiam somas elevadas ao estrangeiro, usando uma rede com mais de cem empresas de fachada e centenas de contas bancárias que remetiam milhões de dólares para a China e Hong Kong. As companhias, pura cosmética financeira, simulavam importações e exportações com o único propósito de receber e mandar dinheiro, sem comércio algum de produtos ou serviços reais.
As autoridades judiciais calculam que a quantia desviada chega a 10 bilhões de reais. O dinheiro provinha principalmente do tráfico de drogas, do contrabando de diamantes e do desvio de recursos públicos (nesse caso, como seria posteriormente revelado, em obras encomendadas pela Petrobras a grandes empreiteiras, com orçamentos de bilhões de reais, dos quais eram sistematicamente desviados pelo menos 3% em subornos). Posteriormente, e independentemente da origem do dinheiro lavado, os valores eram reintroduzidos no sistema mediante negócios de postos de gasolina, lavanderias e hotéis.
AÍ O CASO EXPLODIU
O chamado Petrolão veio a público em 17 de março de 2014, quando a Polícia Federal deteve 24 pessoas (entre eles os doleiros mencionados nesta reportagem) por evasão de divisas em seis Estados. A imprensa brasileira ainda não citava o nome da Petrobras no noticiário. Ele só apareceria três dias depois, quando Paulo Roberto Costa foi detido, após a comprovação de que estava destruindo documentos relativos à sua longa relação com Youssef. Ambos chegaram a um acordo de colaboração com a Justiça e se tornaram delatores em troca de uma redução da pena.
“Aí é que o caso explodiu”, admite Anselmo. Os três policiais passaram a ser quinze (cinco delegados e dez agentes). A investigação ganhou proporções gigantescas, com suspeitas crescentes sobre a implicação de altos executivos de empresas e políticos que eram citados nos depoimentos dos arrependidos.
Youssef, Costa e um diretor da empresa de engenharia Toyo-Setal, Julio Camargo, revelaram a existência de um clube de 13 empreiteiras que dividiam entre si os contratos com a Petrobras. As revelações indicavam que parte do dinheiro pago em subornos durante 10 ou 15 anos se destinava aos cofres de vários partidos políticos.
Um duro golpe no establishment empresarial, político (e possivelmente bancário) do Brasil: as construtoras investigadas são responsáveis por oito das dez maiores obras do país. O presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, afirmou com preocupação que o caso tem potencial para parar o Brasil, caso as nove maiores empresas sob suspeita sejam finalmente declaradas inidôneas para assinar contratos com o setor público.
(artigo enviado por Mário Assis e publicado originalmente em 13 de dezembro de 2014)

04 de agosto de 2015
Pedro Cifuentes
El País

A PRISÃO DE DIRCEU ADVERTE: NO TERCEIRO DIA DO MÊS, O AGOSTO DE LULA E DILMA COMEÇOU


“E se for absolvido no Supremo, como é que fica?”, pergunta José Dirceu no vídeo de 5:52 que reproduz alguns trechos do Roda Viva transmitido pela TV Cultura em novembro de 2010. O entrevistado parecia convencido de que, se o processo do mensalão algum dia fosse julgado, seria inocentado por um tribunal majoritariamente composto de Lewandowskis e Toffoli. Ao longo do programa, sempre caprichando na pose de guerreiro do povo brasileiro, mentiu com a convicção dos que se acham condenados à perpétua impunidade.
As perguntas foram muito melhores que as respostas, comentei no último bloco. Os devotos da seita lulopetista, claro, viram outro programa. “O Dirceu acabou com você!”, berraram incontáveis milicianos entre insultos e risadas eletrônicas igualmente obscenas. “Vai pra casa, tucano!, ordenaram outros tantos cretinos fundamentais. Continuo onde estive nos últimos seis anos. Dirceu foi para a cadeia, conseguiu escapar da Papuda para cumprir o resto da pena no recesso do lar. Nesta segunda-feira, voltou a dormir numa cela.
De novo, ele terá de optar entre o silêncio e a confissão. No caso do Mensalão, a mudez de Dirceu manteve Lula longe do banco dos réus. Talvez recupere a fala agora que voltou ao centro do pântano a bordo do Petrolão. Ele sabe que o juiz Sérgio Moro é bem menos compassivo que a bancada governista do STF. Descobriu o que é envelhecer na gaiola. Vai escolher entre a submissão a Lula e a vida em liberdade.
A epidemia de insônia desencadeada no coração do poder pela segunda prisão de Dirceu adverte: no terceiro dia do mês, o agosto de Lula e Dilma começou.
04 de agosto de 2015
Augusto Nunes

DESTA VEZ, LULA NÃO TEM PARA ONDE CORRER.

Ou ainda: Acabou, Dilma! Ou ela liberta o país, ou o país dela se liberta. Na lei e da ordem!

Se não houver uma alteração de última hora, o programa político do PT vai ao ar depois de amanhã, dia 6, com a presidente Dilma e o partido estreitando-se, como na poesia, num abraço insano, em horário nobre. O país deve ouvir, então, o maior panelaço-apitaço da história, numa espécie de avant-première dos protestos do dia 16 de agosto. Se o governo achava que, com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contra as cordas, teria alguma folga, então é porque ignora a dinâmica da realidade.
A prisão de José Dirceu, agora pela atuação no escândalo do petrolão, faz a crise atingir um novo patamar e, mais uma vez, a exemplo do mensalão, bate à porta de Lula. Nem tanto porque os dois fossem íntimos — o que, a bem da verdade, nunca foram —, mas porque ambos sempre ocuparam posições de mando, formais ou informais, na organização que lhes garante o poder: o PT.
E há mais estragos à vista. Marlus Arns, o novo advogado constituído por Renato Duque, homem do partido na Petrobras, negocia os termos de sua delação premiada. Seus outros defensores, por discordarem do procedimento, abandonaram a causa. Tido habitualmente como homem de Dirceu na Petrobras, é evidente que todos reconhecem nessa qualificação de Duque só um modo de dizer. Dirceu não dispunha um exército privado na legenda. Os “seus homens” eram os “homens do PT”. Ainda que possa ter usado as posições de mando ou de influência para obter benefícios pessoais, todos reconheciam nele uma personagem a serviço de uma causa.
E essa “causa”, obviamente, tinha um chefe: Luiz Inácio Lula da Silva. Imaginar que ele passará incólume também por essa avalanche desafia o bom senso. A fala de Roberto Podval, defensor de Dirceu, segundo quem seu cliente é um “bode expiatório”, pode traduzir um sentido muito específico, intencional ou não: o ex-minstro não deixa de ser oferecido como uma espécie de elemento ritual que purga todas as culpas do PT, inclusive as que não são suas (do próprio Dirceu) — ou, vá lá, não são exclusivamente suas. O ex-ministro não era o dono de um partido dentro do partido. Quem acredita nisso?
Li em algum lugar que o juiz Sergio Moro estaria espantado com a abrangência do esquema criminoso. Quem conhece a forma com se organizou o PT e os seus valores não está, de modo nenhum, espantado. Já a ousadia e o desassombro, ancorados na certeza da impunidade, isso, sim, chama a atenção. Os dados da investigação que vêm à luz indicam que o processo do mensalão, embora ocupasse o noticiário com força avassaladora, não intimidou de nenhum modo a turma. Ao contrário: parece ter lhe excitado a imaginação para descobrir caminhos novos para a falcatrua.
É evidente que a coisa toda assume uma perspectiva que chega a ser apavorante. A promiscuidade entre políticos, empreiteiros, lobistas e toda sorte de intermediários passou por uma devassa na Petrobras e talvez seja esmiuçada na Eletrobras, mas cabe a pergunta óbvia: há alguma razão objetiva para que as coisas tenham se dado de maneira diversa nas demais áreas do governo? A resposta é, obviamente, negativa. Se as personagens eram as mesmas, se os mesmos eram os métodos, e se também não variava a forma de ocupação dos cargos públicos, por que haveria de ser diferente?
O PT constituiu um estado dentro do estado. O PT criou um governo dentro do governo. O PT governou um outro Brasil dentro do Brasil. O PT expropriou a população dos bens do seu país. O PT usou a democracia para tentar solapá-la.
Nada escapou do governo paralelo. Milton Pascowitch, por exemplo, que fez delação premiada, afirmou à Justiça ter entregado na sede do PT, em São Paulo, R$ 10,532 milhões de propina em dinheiro vivo. Desse total, R$ 10 milhões seriam relativos a um contrato da Engevix com a Petrobras para construir cascos de oito plataformas do pré-sal. Os outros R$ 532 mil seriam parte da propina em razão do contrato da empreiteira com o governo para as obras de Belo Monte.
Vejam que coisa: pré-sal, Belo Monte, refinarias da Petrobras… Eram os projetos nos quais se ancorava o discurso ufanista do lulo-petismo, que sempre teve, sabemos, uma gerentona, que acabou sendo vendida ao distinto púbico como a mãe dos brasileiros, a “Dilmãe”, não é assim?
Os que imaginam que Dilma pode ficar por aí — como Marina Silva, por exemplo — vão indagar onde está a digital da presidente ordenando esta ou aquela falcatruas ou, ao menos, condescendendo com elas. Se Dilma ocupasse só uma função técnica no governo, talvez a gente pudesse se contentar com o escopo apenas penal de sua atuação. Mas ela é uma liderança política. Ocupa a Presidência da República e é, queira ou não, produto dessa máquina corrupta que tomou conta do estado. Eleita e reeleita, foi sua beneficiária direta, uma vez que a estrutura criminosa financiava também o processo eleitoral.
Se Lula não tem para onde correr, Dilma tampouco tem onde se refugiar. Ocorre que, no momento, o país é, em parte, refém das prerrogativas que detém a mandatária. Por isso mesmo, ela tem de libertar o Brasil, ou o Brasil tem de se libertar dela.
Presidente, é preciso saber reconhecer o momento: acabou!

04 de agosto de 2015
Reinaldo Azevedo

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

PeTelândia já sabe que Palocci e Santana podem ser próximos alvos da Lava Jato, antes de Lula



Ainda não se sabe qual nome esquisito terá a próxima operação da Lava Jato. Mas a cúpula do PT recebeu a informação de que os próximos alvos serão o consultor de empresas Antônio Palocci Filho. Ribeirão Preto, onde Palocci foi prefeito, é o terror da petelândia. Operava por lá o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que já sinalizou a aliados de negócios estar disposto a aderir a uma "colaboração premiada", caso sua prisão provisória acabe convertida em preventiva. Petistas também souberam que outro nome que pode entrar na dança das investigações é o do publicitário João Santana, marketeiro da Presidenta Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores.

A aguardada prisão preventiva de José Dirceu de Oliveira e Silva só confirmou uma "tese": o Mensalão nunca terminou e, mais grave ainda, se sofisticou, com os esquemas descobertos até agora na Petrobras - e que pode ter um espelho em outras grandes estatais de economia mista e na própria administração direta. Os "pixulecos" (milhões pagos em propinas) têm comprovação. Este fato plenamente dominado por provas judiciais e colaborações premiadas têm tudo para causar mais uma condenação a Dirceu, que já foi chamado de "capitão do time de Lula" e estava na confortável "prisão domiciliar", em Brasília, certamente dando suas "consultorias". Agora, a dúvida cruel: Dirceu vai calar ou falar?

O retorno de Dirceu à cadeia teve repercussão internacional, principalmente em Portugal. Manchetes de jornais portugueses desta terça-feira demonstram o quanto ficou politicamente complicada a situação do chefão-mor da PTlândia, Luiz Inácio Lula da Silva: "Lava Jato - Aperta-se o cerco a Lula da Silva" e "José Dirceu, braço direito de Lula, é preso na Lava Jato". Os lusitanos relacionam, abertamente, os esquemas do Mensalão e do Petrolão com o escândalo que envolve o poderoso grupo Espírito Santo. Se a Lava Jato firmar um acordo de cooperação com a justiça portuguesa, a exemplo do que ocorreu com a suíça, vamos ter muita gente da cúpula petista "pisando nas tamancas" - como se diz lá na Terrinha...

Lobistas de Brasília continuam sem certeza se Dirceu vai partir para alguma transação penal - conforme o Alerta Total já antecipou. José Dirceu de Oliveira e Silva, um dos ideólogos do Partido dos Trabalhadores e considerado da linha "stalinista" da agremiação chefiada simbolicamente pelo $talinácio, tem a chance histórica de promover sua tão sonhada revolução, se abrir o bico. No entanto, o irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que cumprirá prisão temporária de cinco dias, já tinha sinalizado a amigos que "entregaria tudo" se acontecesse algo de pior (como uma prisão).


No despacho em que decretou a prisão preventiva de Dirceu, por corrupção e lavagem de dinheiro, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, afirmou o petista demonstrou "acentuada conduta de desprezo não só à lei e à coisa pública, mas igualmente à Justiça criminal e a Suprema Corte". Moro indicou ter “fundada suspeita” de que as propinas recebidas por José Dirceu na Petrobras tenham se iniciado ainda na época na qual ele exercia o cargo de ministro chefe da Casa Civil e ainda durante o exercício do mandato de parlamentar federal.

Moro ressaltou que as provas de recebimento de propina durante o julgamento da Ação Penal 470 no STF (o famoso Mensalão) “reforça os indícios de profissionalismo e habitualidade na prática do crime”. As investigações da operação Pixuleco revelaram que Dirceu recebeu pagamentos através de falsos contratos de prestação de sua empresa, a JD Consultoria. A grana vinha em dinheiro vivo ou na forma de ressarcimento de despesas pessoais - como pagamentos de viagens com táxi aéreo e reformas de imóveis em São Paulo e Vinhedo (onde morava antes da prisão domiciliar forçada, em Brasília).

As delações premiadas revelam que Dirceu recebeu um total de R$ 8,597 milhões pagos por empresas como Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, UTC, Egesa e Engevix, pagos de 2009 até outubro de 2014. Pelo menos duas delas, a OAS e a UTC, fizeram pagamentos até 2014, depois que Dirceu já havia sido condenado. Dirceu também recebeu R$ 8,446 milhões do laboratório EMS e R$ 1,379 da empresa Monte Cristalina em parcelas mensais, que continuaram a ser pagas mesmo depois que ele foi recolhido à prisão.

Dirceu foi condenado pelo STF em dezembro de 2012. Foi preso em 15 de novembro de 2013. Permaneceu na prisão até 28 de outubro de 2014. O juiz Sérgio Moro, no despacho do pedido de prisão, chamou a atenção para o estranho pagamento ao "consultor" Dirceu: "Afinal, não é crível que José Dirceu, condenado por corrupção pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, fosse procurado para prestar serviços de consultoria e intermediação de negócios após 17 de dezembro de 2012 e, inclusive, após sua prisão. Em realidade, parece pouco crível que fosse procurado até mesmo antes, pelo menos a partir do início da ação penal 470 pelo plenário do STF em meados de 2012".  

Os "colaboradores premiados" Milton Pascowitch e Júlio Camargo ferraram com Dirceu. Pascowitch descreveu como três fornecedoras da Petrobras garantiam a "maior parte da renda para o grupo de Dirceu": a Hope (fornecedora de mão de obra técnica terceirizada), a Personal Services (que prestava serviço idêntico) e a Apolo (fornecedora de tubos). Pascovitch contou que o dinheiro em espécie era entregue a Dirceu no escritório da JD Consultoria, próximo ao Parque do Ibirapuera (SP). Só quando Dirceu não precisava de recursos, segundo Pascowitch, o saldo era entregue a João Vaccari, tesoureiro do PT.

Milton Pascowitch revelou que a Hope pagava 3% do valor líquido do contrato, com valores que variavam de R$ 500 mil a R$ 800 mil por mês. Segundo o delator, Dirceu ficava com 30% deste bolo. O restante era dividido entre Renato Duque (40%) e Pascowitch (30%). O lobista Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura tinha uma mesada fixa de R$ 180 mil nesta operação. Pascovitch também denunciou que fez um contrato falso com a JD Consultoria,  também em nome de sua empresa, a Jamp Engenheiros, para "cobrir o caixa da JD em qualquer eventualidade". Na versão do delator, tal mesada variava de R$ 80 mil a R$ 90 mil. 

Pascovitch registrou dois pagamentos extras - de R$ 300 mil e R$ 400 mil. O último chamou atenção porque seria destinado a pagar um escritório de advocacia. Pascovitch delatou ter recebido pedidos de socorro do assessor Roberto Marques e do irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, pedindo adiantamentos para futura compensação, a fim de fecharem a folha de pagamento mensal da JD. Pascowitch confirmou a compra de um imóvel para a Filha de Dirceu, Camila Ramos de Oliveira e Silva, no valor de R$ 500 mil, “tendo o valor sido decorrente de propinas acertadas em contratos da Petrobras”.   

Milton Pascowitch confirmou que Dirceu efetivamente prestou um serviço de consultoria à empreiteira Engevi, levando representantes da empresa para negociar contratos no Peru, no setor de águas, energia e petróleo. O delator premiado só ressalvou que o resto do pagamento feito a Dirceu foi resultante da propina pela obra de Cacimbas 2, uma unidade de tratamento de gás da Petrobras. Pascowitch frisou que, além de ganhar o negócio sem licitação, o contrato de R$ 1,3 bilhão teve o valor aditivado pelo menos três vezes.    

Por tal "consultoria", segundo Pascowitch, Dirceu foi pago indiretamente com a reforma de um apartamento em São Paulo e de uma casa em Vinhedo. A residência, vizinha a do ex-ministro e que ele utilizaria como escritório, estava em nome de uma empresa, a TGS Consultoria, pertencente a Júlio César dos Santos, que foi sócio de Dirceu até o fim de 2013. Os pagamentos à arquiteta da obra foram feitos por meio de uma doação de R$ 1,3 milhão. Já no apartamento em São Paulo, localizado na rua Estado de Israel, que estava em nome do irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, a Jamp de Pascowitch pagou na reforma R$ 1 milhão à construtora Halembeck Engenharia. No total, Pascowitch estima que gastou uns R$ 4,5 milhão só com Dirceu.

Se Dirceu partir para uma "delação premiada", certamente, vai ferrar o esquema petista. A não ser que alegue, agora, uma tese sem consistência, contrária à pregada no Mensalão ou no começo do Petrolão, segundo a qual o esquema de corrupção era para beneficiar um esquema político-partidário, e não sua cúpula de dirigentes. Pelas "colaborações" da Lava Jato, ficou claro que as propinas cumpriam a dupla função de irrigar o partido e o bolso de seus controladores.

Por causa das delações e provas, tudo indica que a casa de Dirceu caiu. Nem vai adiantar que Dirceu tente apelar para seu estado de saúde supostamente problemático, para tentar se livrar da cadeia. Diabetes é um problema fartamente sofrido por presos no medieval sistema carcerário tupiniquim. O fato concreto é que Dirceu sabe muito sobre muita gente poderosa. Situação idêntica a de Antonio Palocci, João Santana e do poderoso Luiz Inácio Lula da Silva...

Dilma fazendo escola?


Claro que não... Trata-se de uma daquelas montagens-piadas da internet capazes até de tirar do sério o Homem de Gelo Sérgio Moro...    

Negando tudo


Mania de perseguição

O deputado federal Sibá Machado, que a oposição chama de "o deputado trapalhão", líder do PT na Câmara, soltou ontem o comentário previsível sobre a prisão do sub-chefe Zé Dirceu:

"É uma perseguição declarada ao PT. O juiz Sérgio Moro trabalha com suposições, vai à imprensa, faz show. E a Polícia Federal acompanhando esse show. Isso está virando uma aberração ao estado de direito. Está caminhando para um golpe político da caneta. Moro trabalha para institucionalizar um golpe e para prejudicar o PT. Existe um olhar diferente para os mesmos fatos. O Dirceu já estava em prisão domiciliar. Não tinha motivo. É uma orquestra para colocar povo na rua. O juiz Moro faz show calculado, pensado, para que isso se desenrole dessa maneira".

Lava Jato do Planalto


Dilma Rousseff pode até ter dado risada com a prisão de seu inimigo íntimo José Dirceu, mas também está preocupada com a turma da força tarefa do MPF.

O grande medo é com investigações da Lava Jato sobre o consórcio construtor da Usina Hidrelétrica de Belo Monte - liderado pela Andrade Gutierrez em parceria com Odebrecht, Camargo Correa, Queiroz Galvão e OAS, as mesmas do clube do bilhão, além de outras cinco empreiteiras menores - onde já delata o pagamento de R$ 532 mil, em espécie, apenas para o PT.

Dilma teme que as delações premiadas atinjam o poderoso diretor da Eletronorte, Adhemar Palocci, irmão do ex-ministro Antonio Palocci, que já é investigado em outro procedimento da Lava Lato e foi um dos coordenadores da campanha de Dilma em 2010 – além de ministro da Casa Civil.

O governo já foi avisado que as investigações ameaçam personagens muito próximos da presidente, como o ministro Aloizio Mercadante, a antiga auxiliar Erenice Guerra e o diretor da Eletrobras, Valter Cardeal.

Viajando


Retorno do Maluf

Pode até ser coincidência, coisa que não existe, mas sempre que a coisa fica preta para a cúpula da petelândia, surgem, do nada, notícias ruins contra um velho vilão do noticiário sobre corrupção.

Em decisão definitiva, Justiça britânica determinou que Paulo Maluf devolva aos cofres públicos R$ 23 milhões desviados de obras públicas durante a gestão dele na prefeitura de São Paulo.

O problema vai ser como o Privy Council vai realizar a execução desta sentença contra as empresas Durant Internacional e Kildare - que os britânicos afirmam serem ligadas a Maluf, cujos advogados negam tal versão...

Maluf continua soltinho da silva, tirando onda como deputado federal, e só não se arrisca a viajar ao exterior, porque não se deve brincar com a Interpol...

Todos perdidos




Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

04 de agosto de 2015
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

POLÍCIA INVESTIGA SE "ATENTADO" AO INSTITUTO LULA FOI ARMAÇÃO


POLÍCIA NÃO DESCARTA ARMAÇÃO NO ‘ATENTADO’ AO INSTITUTO LULA

CÂMERA DE SEGURANÇA CAPTURA O MOMENTO DA EXPLOSÃO. FOTO: INST.LULA

Policiais paulistas custam a acreditar que houve mesmo um “atentado a bomba” à sede do Instituto Lula, dias atrás, e apuram inclusive se tudo não passou de “armação” de petistas para desviar a atenção da Lava Jato e das manifestações marcadas para o próximo dia 16, em todo o País, contra o governo Dilma. “Não podemos descartar nenhuma hipótese”, adverte um dos delegados envolvidos na investigação.

Policiais desconfiam da bomba, caseira; do local, na calçada; e do horário do suposto atentado: nessa hora já não há ninguém no Instituto.

Em março, véspera de outra mobilização nacional contra o governo Dilma, houve “atentado” semelhante à sede do PT em Jundiaí (SP).

Policiais civis investigam “armação” no suposto atentado, mas também não descartam que um grupo de extrema direita tenha atirado a bomba.

O suposto atentado coincidiu com a negociação de delações premiadas de Renato Duque (ex-Petrobras) e João Vaccari (ex-tesoureiro do PT).



04 de agosto de 2015
diário do poder

GOVERNO TEME QUE PRISÃO DE JOSÉ DIRCEU DÊ FORÇA AO IMPEACHMENT


PRISÃO DE EX-MINISTRO DE LULA É UM DESASTRE PARA GOVERNO DILMA



O governo avalia que a prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu acirra mais os ânimos contra o PT e a presidente Dilma Rousseff e aumenta o clima de beligerância no País num momento crucial, em que ela precisa de apoio para enfrentar a pressão dos que querem o impeachment. Auxiliares de Dilma temem que a investigação atinja o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "mesmo sem provas concretas".

O assunto foi tratado em conversas reservadas entre ministros, na segunda-feira, 3, antes da reunião de coordenação política. A ordem no Planalto é proteger Dilma do novo escândalo, que tem potencial para dar munição aos protestos marcados para o dia 16, em todo o País, contra o governo e a corrupção.

A prisão de Dirceu na 17.ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Pixuleco, também provocou preocupação na cúpula do PT. Dirigentes da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil, de Lula e Dirceu, discutiram os desdobramentos da crise na segunda-feira, em Brasília, e nesta terça-feira, 4, haverá reunião da Executiva Nacional. Petistas receberam informações de que integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público estariam dizendo aos presos: "Se você entregar o Lula, sairá rapidinho."

Em nota, o presidente do PT, Rui Falcão, refutou as acusações de que o partido teria realizado operações financeiras ilegais ou participado do esquema de corrupção na Petrobras, conforme relato no acordo de delação premiada feito pelo lobista Milton Pascowitch. A nota não cita Dirceu. Pascowitch acusou o ex-ministro de comandar o desvio de recursos na estatal e disse ter entregue R$ 10,5 milhões na sede do PT, em São Paulo.

Berlinda

A investigação da PF joga novamente os holofotes sobre o PT, dez anos depois do escândalo do mensalão. Agora, o receio do Planalto e do partido é de que novas delações compliquem mais o cenário político. Dirceu foi homem forte do PT e do governo Lula e ainda tem influência sobre a legenda. "A Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro não deixam a gente entrar na agenda positiva", disse um ministro ao Estado.

Na semana passada, o governo achava que o reinício dos trabalhos do Congresso seria difícil, principalmente por causa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), que rompeu com Dilma e tem o nome envolvido na Lava Jato. Assessores da presidente acreditavam, porém, que a denúncia contra Cunha - acusado pelo lobista Júlio Camargo de cobrar propina de US$ 5 milhões - poderia desviar o foco da pressão sobre Dilma.

Agora, o diagnóstico é de que tudo vai piorar. Amigos de Dirceu disseram ao jornal "O Estado de S. Paulo" que ele esperava a prisão e, por isso, está "tranquilo". Apesar de magoado com Dilma e com Lula, sob alegação de que não o teriam defendido, o ex-ministro não pretende apontar o dedo para ninguém.

O ministro da Defesa, Jaques Wagner, disse que o esforço do governo é evitar que os problemas na política contaminem a economia. "A gente dorme e acorda com uma notícia dessas. Do ponto de vista do ambiente de negócios, essa é a preocupação, porque precisamos ter estabilidade. As investigações seguem e o País também segue, com suas empresas e a economia funcionando."

Irritado com acusações da oposição, que tentaram associar Dirceu a Lula e Dilma, o senador Jorge Viana (PT-AC) partiu para o ataque. "A oposição está num papel muito apequenado e não aguenta nem meia Lava Jato", reagiu. "Por que se apura a ação de algumas figuras e de alguns partidos e não se apura de outros? É um jogo de cartas marcadas?"



04 de agosto de 2015
diário do poder

O HUMOR DO ALPINO...

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04 de agosto de 2015