"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

EX-PRESIDENTE DO STF ACABA COM A HISTERIA DO GOLPISMO QUE TOMOU CONTA DO PT



Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral Carlos Ayres Britto afirmou nesta segunda-feira, 6, não ver “perigo de golpe” contra a presidente Dilma Rousseff, caso as instituições de investigação atuem “nos marcos da Constituição”.

“Eu não vejo perigo de golpe se as instituições controladoras do poder, o Ministério Público, a própria cidadania, considerada como instituição extra pública estatal de investigação, os tribunais de contas, se todas atuarem nos limites, nos marcos da Constituição não há que se falar de golpe”, disse.

Em resposta a movimentos de opositores e de setores da sociedade que defendem a saída da presidente antes do fim do mandato, Dilma e aliados do governo voltaram a rechaçar a ofensiva e definiram-na como “golpismo”. “Ninguém está blindado contra a investigação”, afirmou Britto.

No começo da entrevista, ele também aproveitou para ironizar a presidente e disse que saúda a delação premiada “mais do que a mandioca” em referência ao discurso de Dilma na cerimônia dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas no mês passado em que ela, em tom descontraído, saudou a mandioca 

Ao ser questionado sobre a situação atual da presidente – que é alvo de um processo no TSE movido pelo PSDB contra sua campanha no ano passado e também corre o risco de ter as contas de 2014 rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) – Ayres Britto reconheceu o cenário difícil vivido por Dilma. “Pelo andar da carruagem, a situação não está boa em nenhuma das duas instâncias.”

O ex-ministro, contudo, evitou se manifestar pela condenação ou pela inocência de presidente em ambos os casos. “Não quero avançar em um juízo técnico de antecipação de resultado”, comentou.

08 de julho de 2015
in coroneLeaks

A ENTREVISTA DESESPERADA DE DILMA

Dilma: "não vou cair!". Suspeita de vários crimes, chama oposição de golpista, quando o seu problema é com TSE, TCU, PF, MPF, TRF4 e STF.


 (Folha) No auge da pior crise de seus quatro anos e meio de governo, a presidente Dilma Rousseff desafiou os que defendem sua saída prematura do Palácio do Planalto a tentar tirá-la da cadeira e a provar que ela algum dia "pegou um tostão" de dinheiro sujo. 

"Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso aí é moleza, é luta política", disse a presidente nesta segunda-feira (6), durante entrevista exclusiva à Folha, a primeira desde que adversários voltaram a defender abertamente seu afastamento do cargo. 

Apesar do cerco político que parece se fechar a cada dia, Dilma chamou os opositores para a briga. "Não tem base para eu cair, e venha tentar. Se tem uma coisa que não tenho medo é disso", afirmou a presidente, acusando setores da oposição de serem "um tanto golpistas". 

Com dedo indicador direito erguido, foi mais enfática: "Não me atemorizam". A presidente tirou o PMDB da lista de forças políticas que tentam derrubá-la. "O PMDB é ótimo", disse Dilma, esquivando-se de responder sobre o flerte de figuras do partido com a tese do impeachment. 

Dilma descartou a hipótese de renúncia e comentou o boato disseminado na internet, e prontamente desmentido por ela, de que havia tentado se matar. "Eu não quis me suicidar na hora que eles estavam querendo me matar lá [na cadeia, durante a ditadura militar], a troco de que eu quero me suicidar agora?".
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Folha - O ex-presidente Lula disse que ele e a sra. estavam no volume morto. Estão?
Dilma Rousseff - Respeito muito o presidente Lula. Ele tem todo o direito de dizer onde ele está e onde acha que eu estou. Mas não me sinto no volume morto não. Estou lutando incansavelmente para superar um momento bastante difícil na vida do país. 

Lula disse que ajuste fiscal é coisa de tucano, mas a sra. fez.
Querido, podem querer, mas não faço crítica ao Lula. Não preciso. Deixa ele falar. O presidente Lula tem direito de falar o que quiser. 

A sra. passa uma imagem forte, mas enfrenta uma fase difícil.
Outro dia postaram que eu tinha tentado suicídio, que estava traumatizadíssima. Não aposta nisso, gente. Foi cem mil vezes pior ser presa e torturada. Vivemos numa democracia. Não dá para achar que isso aqui seja uma tortura. Não é. É uma luta para construir um país. Eu não quis me suicidar na hora em que eles estavam querendo me matar! A troco de quê vou querer me suicidar agora? É absolutamente desproporcional. Não é da minha vida. 

Renúncia também?
Também. Eu não sou culpada. Se tivesse culpa no cartório, me sentiria muito mal. Eu não tenho nenhuma. Nem do ponto de vista moral, nem do ponto de vista político. 

A sra. fala que não tem relação com o petrolão, mas está pagando a conta?
Falam coisas do arco da velha de mim. Óbvio que não [tenho nada a ver com o petrolão]. Mas não estou falando que paguei conta nenhuma também. O Brasil merece que a gente apure coisas irregulares. Não vejo isso como pagar conta. É outro approach. Muda o país para melhor. Ponto.
Agora excesso, não [aceito]. Comprometer o Estado democrático de direito, não. Foi muito difícil conquistar. Garantir direito de defesa para as pessoas, sim. Impedir que as pessoas sejam de alguma forma ou de outra julgadas sem nenhum processo, também não [é possível]. 

O que acha da prisão dos presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez?
Olha, não costumo analisar ação do Judiciário. Agora, acho estranho. Eu gostaria de maior fundamento para a prisão preventiva de pessoas conhecidas. Acho estranho só.
Não gostei daquela parte [da decisão do juiz Sergio Moro] que dizia que eles deveriam ser presos porque iriam participar no futuro do programa de investimento e logística e, portanto, iriam praticar crime continuado. Ora, o programa não tinha licitação. Não tinha nada. 

A oposição prevê que a sra. não termina seu mandato.
Isso do ponto de vista de uma certa oposição um tanto quanto golpista. Eu não vou terminar por quê? Para tirar um presidente da República, tem que explicar por que vai tirar. Confundiram seus desejos com a realidade, ou tem uma base real? Não acredito que tenha uma base real.
Não acho que toda a oposição que seja assim. Assim como tem diferenças na base do governo, tem dentro da oposição. Alguns podem até tentar, não tenho controle disso. Não é necessário apenas querer, é necessário provar. 

Delatores dizem que doações eleitorais tiveram como origem propina na Petrobras.
Meu querido, é uma coisa estranha. Porque, para mim, no mesmo dia em que eu recebo doação, em quase igual valor o candidato adversário recebe também. O meu é propina e o dele não? Não sei o que perguntam. Eu conheço interrogatórios. Sei do que se trata. Eu acreditava no que estava fazendo e vi muita gente falar coisa que não queria nem devia. Não gosto de delatores. 

Mesmo que seja para elucidar um caso de corrupção?
Não gosto desse tipo de prática. Não gosto. Acho que a pessoa, quando faz, faz fragilizadíssima. Eu vi gente muito fragilizada [falar]. Eu não sei qual é a reação de uma pessoa que fica presa, longe dos seus, e o que ela fala. E como ela fala. Todos nós temos limites. Nenhum de nós é super-homem ou supermulher. Mas acho ruim a instituição, entendeu? Transformar alguém em delator é fogo. 

Tem gente no PMDB querendo tirar a sra. do cargo.
Quem quer me tirar não é o PMDB. Nã-nã-nã-não! De jeito nenhum. Eu acho que o PMDB é ótimo. As derrotas que tivemos podem ser revertidas. Aqui tudo vira crise. 

Parece que está todo mundo querendo derrubar a sra.
O que você quer que eu faça? Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo. Não me aterrorizam. 

E se mexerem na sua biografia.
Ô, querida, e vão mexer como? Vão reescrever? Vão provar que algum dia peguei um tostão? Vão? Quero ver algum deles provar. Todo mundo neste país sabe que não. Quando eles corrompem, eles sabem quem é corrompido

08 de julho de 2015
in coroneLeaks

INDEPENDÊNCIA DA PF DEIXA DEPUTADOS DO PT À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS



(O Globo) Diante da baixa popularidade do governo, das acusações de corrupção na Operação Lava-Jato e dos prognósticos da oposição e de partidos da própria base aliada de que a presidente Dilma Rousseff não concluirá seu mandato, a bancada do PT na Câmara tem criticado reservadamente a falta de reação do Planalto.

“Nossa bancada é uma voz clamando no deserto às vésperas da crucificação. Não estou preparada para ver esse cortejo”, escreveu ontem a deputada Benedita da Silva (RJ), no grupo de WhatsApp da bancada, segundo deputados petistas.

O deputado Afonso Florence (BA) defendeu, no mesmo espaço, segundo relatos, a necessidade de o governo criar um gabinete de crise. Para a deputada Maria do Rosário (RS), a crise é “gravíssima”, ainda segundo os integrantes do grupo.

CARDOZO É COBRADO

Já o deputado Zé Carlos (MA) escreveu, segundo petistas, que o PT e o governo não podem continuar na defensiva, porque “quem abaixa demais o fundo aparece”. A gota d’água foi a entrevista do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, publicada anteontem em “O Estado de S.Paulo”. 

Na entrevista, Daiello afirmou que as investigações da Lava-Jato não vão parar nem se chegarem perto de Dilma, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de suas campanhas. Disse ainda que as investigações continuarão “com o ministro José Eduardo Cardozo na Justiça ou não, com o Daiello na PF ou não”.

Lula e seu grupo no PT têm atacado Cardozo em conversas reservadas. Eles reclamam que o ministro “não controla” a Polícia Federal e de supostos excessos na Lava-Jato, além de vazamentos “seletivos”.

A primeira mensagem com esse tom, no grupo de WhatsApp, foi postada pelo deputado Assis Carvalho (PI) anteontem, segundo colegas de bancada. Ele cobrou providências do Ministério da Justiça e do governo porque, segundo ele, o diretor da PF “extrapolou”.

CRÍTICA À AÇÃO DA PF

O deputado Leo de Brito (AC) foi na mesma linha, segundo integrantes do grupo: “Não tenho nada contra o ministro (da Justiça), mas o que está acontecendo com a Polícia Federal é inadmissível. A Polícia Federal virou instrumento político”.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) confirmou que a entrevista de Daiello não repercutiu bem na bancada:— Eu não gostei. Esse diretor da Polícia Federal acha que ali é um quarto poder, que não tem que se submeter a quem foi eleito, a quem tem voto. Até os ministros do Supremo (Tribuna Federal) são indicados pela presidente da República e referendados pelo Senado. 

Assis Carvalho recomendou, na troca de mensagens, que o líder do PT, Sibá Machado (AC), e o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (CE), procurem Lula para conversar. O deputado Paulo Pimenta (RS) ponderou, segundo petistas, que a bancada perdeu essa oportunidade na semana passada, ao se reunir com o ex-presidente.

08 de julho de 2015
in coroneLeaks

ENTENDA COMO SE DARÁ A INEVITÁVEL CASSAÇÃO DE DILMA



Adicionar legenda

Como dizia Machado de Assis, a confusão é geral. Todos sentem que a presidente Dilma Rousseff vai ser derrubada, é um consenso que está se formando e invade até mesmo as hostes governistas e petistas, onde ela conseguiu se detestada por sua arrogância, prepotência e soberba. 
O que poucos sabem e entendem é como isso se dará.

O principal obstáculo é compreender a situação, sob o ponto de vista jurídico. É por isso que há tanto comentarista político totalmente perdido, escrevendo análises exclusivamente com base no que diz a Constituição, sem consultar as leis complementares, as instruções do Tribunal Superior Eleitoral e a jurisprudência. O que tem saído de asneiras nos jornais não está no gibi, como se dizia antigamente.

É certo que a Constituição aborda bem explicitamente os casos de impeachment por crime de responsabilidade, com denúncia a ser aceita pela presidência da Câmara, afastamento do presidente e julgamento pelo Congresso Nacional.

Mas não se pode esquecer a Lei Eleitoral, que acrescenta a possibilidade de cassação por crime eleitoral, atingindo mandatos executivos (presidente, governador e prefeito) submetidos a processos no Tribunal Superior Eleitoral, em que a chapa inteira (candidato e vice) é cassada em caso de condenação.

SURGE A JURISPRUDÊNCIA

A situação de Dilma Rousseff é ainda mais difícil de ser entendida, em função da existência de um complicador jurídico – a possibilidade de reeleição para mandato executivo. Essa mudança ocorreu em junho de 1997, nove anos após a entrada em vigor da atual Constituição, mas os parlamentares jamais se preocuparam em promover a necessária adaptação dos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais.

Resultado: vários artigos ficaram anacrônicos, inclusive o que foi ardilosamente usado pelo procurador-geral Rodrigo Janot para impedir que a presidente Dilma Rousseff fosse investigada na primeira leva da Lava Jato.

Nesse tipo de situação jurídica, configura-se uma lacuna, e cabe aos tribunais superiores preenchê-la nos julgamentos dos processos que vão surgindo. Seus acórdãos (sentenças) firmam jurisprudência, que têm força de lei, embora possam ser alteradas na instância máxima, o Supremo Tribunal Federal.

ENTENDA A SITUAÇÃO ATUAL
No momento, em função do agravamento das denúncias e das novas provas surgidas na Lava Jato, existem três possibilidades de a presidente Dilma Rousseff ser afastada do cargo e sofrer cassação de mandato. Confira:

1) Crime Eleitoral – Se for condenada na Justiça Eleitoral, na qual desde março já tramita processo para anular sua eleição, Dilma perde o mandato e carrega o vice Michel Temer junto com ela. Nesta hipótese, a chapa que ficou em segundo lugar (Aécio Neves e Aluizio Nunes Ferreira) é imediatamente empossada.

2) Renúncia da presidente – Dilma Rousseff não aguenta a pressão e renuncia ao mandato, abrindo a vaga para posse do vice-presidente Michel Temer, que assume, porém mais adiante pode vir a ser cassado por crime eleitoral, dando a vaga à chapa Aécio/Aluizio.

3) Impeachment da presidente – O Tribunal de Contas da União rejeita as prestações do governo Dilma no dia 17, configurando ocorrência de crime de responsabilidade. Qualquer cidadão pode pedir a abertura do processo de impeachment. Se o presidente da Câmara indeferir, há recurso ao plenário. Com abertura do processo, a presidente é afastada por 120 dias, Temer assume, ela é cassada e ele fica no cargo, até o julgamento da ação eleitoral que já corre na Justiça Eleitoral e que pode também cassá-lo.

NOVAS ELEIÇÕES

A possibilidade de haver novas eleições é remotíssima. Só poderia acontecer na seguinte hipótese: Dilma Rousseff sofre impeachment ou renuncia, a Presidência é então ocupada por Michel Temer, que também sofre impeachment ou renuncia antes de completar dois anos de mandato. Assume o presidente da Câmara que convoca eleição direta em 90 dias. Se isso ocorrer nos dois últimos anos, é convocada eleição indireta pelo Congresso em 30 dias, para escolha do presidente em mandato-tampão.

Traduzindo: o mais provável é Dilma e Temer serem cassados por crime eleitoral, o que não é nenhuma novidade e aconteceu em 2009 com três governadores: Cássio Cunha Lima (Paraíba), Marcelo Miranda (Tocantins) e Roseana Sarney (Maranhão). E neste caso haverá a posse da chapa tucana Aécio/Aluizio. O resto é paisagem, como dizia Érico Veríssimo.

08 de julho de 2015
Carlos Newton

O HUMOR DO ALPINO...




08 de julho de 2015

QUANDO A QUEDA PARECE A MELHOR SOLUÇÃO




Madame disse que não vai cair. Ótimo para ela, se à intenção corresponderem os fatos. O diabo é que em queda livre também está o trabalhador, sem a contrapartida do empresário. Enquanto o lucro dos bancos continua intocável, o especulador aplaude a elevação dos juros e as empreiteiras continuam faturando com contratos no exterior, o assalariado vê-se submetido a um massacre crescente.

O seguro-desemprego foi para o espaço, assim como o abono salarial. As viúvas perderam pensões. Haverá uma redução entre 30 e 15% no salário dos operários, acrescida do escárnio da mesma proporção na jornada de trabalho, sem que o governo explique o que fará o infeliz com duas horas por dia de braços cruzados, sem encontrar outra ocupação ou emprego para preencher o vazio.

Enquanto isso, aumentaram impostos, taxas e tarifas, sem falar na alta do custo de vida, dos gêneros de primeira necessidade, da gasolina e dos transportes. E dos remédios. Antes congelados, agora os salários são reduzidos, exceção de categorias especiais do serviço público e de dirigentes de empresas públicas e privadas.

DONOS DO PODER

Tudo por obra e graça de quem não quer cair e pertence ao Partido dos Trabalhadores, organização hoje posta a serviço das elites. Centrais sindicais e sindicatos obrigam-se a aceitar as imposições dos donos do poder, encontrando-se na situação de se ficarem, o bicho come, se correrem, o bicho pega. Desfaz-se o sonho dos companheiros de mudar o país, se é que algum dia sonharam acima e além de obter cargos e empregos. Mesmo assim, as indústrias multinacionais e nacionais continuam demitindo em massa.

Não se trata de a presidente Dilma levar ou não um tombo, mas de perceber a falência e o fracasso do modelo que um dia o Lula e ela prometeram substituir. 
Quanto mais insistem nas fórmulas canhestras de sacrificar os mais fracos, os companheiros mais despencam.
O governo já cortou fundo nos investimentos e na manutenção da saúde e da educação, da segurança e dos transportes. As obras públicas estão paralisadas e as aposentadorias, desgastadas. Não seria a queda a melhor solução?

08 de julho de 2015
Carlos Chagas

EFEITO DA CRISE

NOVAS CONTRATAÇÕES TÊM SALÁRIOS 10,7% MENORES


Assim como a lei do mercado, segundo a qual quanto maior a oferta menor é o preço, existe a lógica do emprego. Com o avanço da desocupação, aumentou a diferença entre as remunerações de profissionais desligados e de contratados.
Segundo levantamento da Catho Fipe, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged/MTE), em maio, as empresas admitiram profissionais com salários 10,7% mais baixos do que os pagos a ex-empregados.
Embora a diferença seja normal, a margem é bem superior a de anos anteriores. Como a de 2013, quando era de 6%. “Esse movimento de piora nos salários e na pressão salarial é consistente com o cenário mais adverso da economia e do mercado de trabalho. E a tendência é de piora no desemprego nos próximos meses”, afirma o economista da Catho Fipe Raone Costa, que prevê novo avanço da desocupação em junho, para 6,8%.
Em maio, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre) medida pela Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PME/IBGE) chegou aos 6,7% — a maior para o mês desde 2010 (-7,5%). O patamar também é bem superior ao observado em igual período do ano passado, quando o desemprego aumentara 4,9%.
Em números reais, a população desocupada cresceu 38,5% em 12 meses, ou mais 454 mil pessoas. Ao todo, em maio, 1.633 milhão de profissionais foram contados pelo IBGE como desempregados. Mais atualizado e com dados recolhidos apenas no mercado formal, o Caged mostrou, até maio, saldo negativo de 243 mil vagas no ano.
DIFERENÇA AMPLIADA
O economista da Catho Fipe salienta que o aumento da diferença entre os salários de admitidos e demitidos passou a crescer de maneira mais forte a partir de maio do ano passado, quando os recém-contratados recebiam 7,7% menos do que os desligados. “Indústria de transformação, construção civil e extrativa são as atividades em que a diferença salarial é maior. Já no comércio e nos serviços, as remunerações estão mais próximas”, observa Costa.
Na análise mensal, o salário médio de admissão registrou queda de 1,6% em maio, na comparação livre de efeitos inflacionários com maio do ano passado, segundo levantamento feito pela Catho Fipe. (matéria enviada pelo comentarista Guilherme Almeida)

08 de julho de 2015
Aline SalgadoO Dia

O PASTOR EVANGÉLICO QUE ERA AMIGO DE FREUD


Em 1962, em Londres, Anna Freud, filha do criador da Psicanálise, afirmava sobre o pastor Pfister:
“No ambiente dos Freud, alheio a toda vida religiosa, Pfister, com seus trajes, aparência e atitude de pastor, era uma aparição de um mundo estranho. No seu modo de ser não havia nada da atitude científica quase apaixonada e impaciente, com a qual outros pioneiros da análise encaravam o tempo passado à mesa com a nossa família – como uma interrupção das suas discussões teóricas e clínicas.
“Pelo contrário, seu calor humano e entusiasmo, sua viva participação também nos fatos mínimos do cotidiano entusiasmavam as crianças da casa e faziam dele um hóspede bem-vindo em qualquer tempo. Para elas, Pfister era, segundo um dito de Freud, não um santo homem, mas um tipo de flautista de Hamelin que só precisava tocar seu instrumento para ter um bando inteiro obediente atrás de si”.
Os dois parágrafos acima estão no livro “Cartas entre Freud & Pfister – Um Diálogo entre a Psicanálise e a Fé Cristã”, publicado pela editora evangélica, Ultimato, Viçosa, MG, 200 páginas, 2009.
O pastor protestante Oskar Pfister, doutor em filosofia e teologia, nasceu em Zurique. E como educador foi pioneiro em interligar psicanálise e pedagogia.  Veja as palavras do próprio Freud ao amigo, em 04/10/1909: “Uma carta sua faz parte do mais belo que pode recepcionar a gente no regresso para casa”.
E, em 30/12/1923, Pfister escreveu: “Se me perguntassem sobre o lugar mais aprazível da terra, eu responderia: informem-se na casa do professor Freud !”.
Claro, nem sempre os dois se entendiam: Pfister, religioso; Freud ateu, mas nasceu daí uma grande amizade. E o livro cobre 30 anos de cartas, de 1909 a 1939.
Uma leitura saborosíssima.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Que lição de vida! Duas pessoas tão diferentes – um religioso e um ateu – podem ter uma amizade desse nível. É esta tolerância e esta compreensão que eu tento injetar no Blog, sem ter obtido sucesso. Mas sonhar ainda não é proibido, não é mesmo? (C.N.)

08 de julho de 2015
Antonio Rocha

RÚSSIA INADIMPLENTE NA ARGENTINA!


Ministro argentino De Vido (dir.) foi para Rússia, mas não viu o dinheiro prometido.
Ministro argentino De Vido (dir.) foi para Rússia, 
mas não viu o dinheiro prometido.


Vladimir Putin vem elogiando o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner como o seu melhor aliado na América Latina e assinou com ele dezenas de acordos, inclusive econômicos.

Mas eis que chegada a hora de sair da conversa e pôr o dinheiro prometido sobre a mesa, este não apareceu...

A Rússia não tem fama de cumprir acordos que não sejam de grande interesse para ela. Além do mais, sua economia vai se afundando aceleradamente após a invasão da Ucrânia, de um lado pelas respostas econômicas do Ocidente, e de outro, em grande medida, pela baixa cotação do barril de petróleo.

Assim, na hora combinada, o banco russo Vnesheconombank (Banco de Desenvolvimento e Assuntos Econômicos Exteriores, equivalente ao BNDES), que devia bancar com até 85% do custo da barragem de Chihuido, em Neuquén, Patagônia, não depositou os US$ 2,6 bilhões prometidos, segundo noticiou Clarín de Buenos Aires. 

O presidente russo tinha marcado uma conferência internacional para anunciar o histórico empréstimo como parte de sua promoção propagandística no continente. Mas não havia dinheiro...

A inesperada inadimplência também gerou problemas na Argentina, onde o governo da Província (equivalente a um estado brasileiro) protestou diante do governo nacional, responsável pelo acordo.


Muitos papéis assinados e muitas promessas feitas, mas a Rússia ficou inadimplente
Muitos papéis assinados e muitas promessas feitas, 
mas a Rússia ficou inadimplente

O fiasco russo foi envolvido numa cortina de fumaça burocrática, tendo o ministro do Planejamento, Julio De Vido, modificado o plano assinado. O fato caiu mal para as partes engajadas, estabelecendo-se uma confusão atribuída ao não cumprimento.

Porém, o governo de Neuquén acredita que isso não passa de manobra para esconder o fracasso do banco estatal russo.

O ministro De Vido foi a Moscou para falar com as autoridades desse banco e assinar uma porção de papéis para mostrar à imprensa. Mas, dinheiro mesmo, nada!

O banco russo também complicou o processo argüindo inesperados problemas de controle burocrático na construção da barragem.

Só faltou o Vnesheconombank mendigar dinheiro à Argentina...

08 de julho de 2015
in flagelo russo

CHINA DECLARA "CIBERGUERRA" PARA DESARTICULAR A MENTE DOS INTERNAUTAS

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A ciberguerra deixou de ser ficção e invadiu a vida diária.
A ciberguerra deixou de ser ficção e invadiu a vida diária.


O Exército Popular de Libertação da China comunista tornou público que entraria na “guerra digital”, registrou a revista Atlantico.

O pretexto alegado foi que “forças hostis do Ocidente e uma minoria de traidores ideológicos” apontados com o dedo são “inimigos” que usam a Internet para atacar o Partido Comunista Chinês.

Para tentar compreender esta “declaração de guerra” com argumentos tão confusos, a revista entrevistou o Prof. Emmanuel Lincot, do Institut Catholique de Paris, especialista em história política e cultural da China contemporânea.

Na verdade, a projetada guerra do Exército chinês através dos canais da Internet é bem conhecida. Sua fabulosa “Muralha de Fogo” virtual já censura, hostiliza e sabota as informações na rede mundial, com especial foco nas comunicações chinesas.

A publicação militar veio apenas reconhecer o fato. Mas, por que fazê-lo agora?

Segundo o especialista Emmanuel Lincot, o uso da ciberguerra é pregado abertamente pelos estrategistas maoístas desde a Guerra do Golfo. Especialmente no livro A guerra fora dos limites, de Qiao Liang e Wang Xiangsui (La guerre hors limites, Paris, Rivages, 2003).

O objetivo sempre foi desmantelar a vantagem dos EUA nesses meios de comunicação e implantar a hegemonia ideológica maoísta.

Do outro lado na aparência há mais um usuário. Na realidade há um militar visando conquistar a mente da vítima.
Do outro lado na aparência há mais um usuário.
Na realidade há um militar visando conquistar a mente da vítima.

A iniciativa chinesa transforma um terreno cultural de livre troca de informações e ideias num campo de guerra “híbrida”, onde recorre à sedução psicológica e ao assédio subreptício e deletério dos usuários.

A China entende que a rede planetária permite que um participante se transforme em beligerante e então emprega sorrateiramente meios de sugestão nunca antes imaginados.

Para a China, a ciberguerra tem objetivos muito concretos: controlar as informações, sobretudo as que podem acessar seus súditos, confundir os adversários, e garantir interesses vitais de domínio mental e controle policial dos dissidentes nas áreas controladas pelo regime.

A China e os EUA tiveram encontros periódicos para controlar a cibersegurança. Mas nada disso interessa à China.

Está na natureza profunda de um regime autoritário julgar-se eximido de qualquer limitação para consolidar sua ditadura.

O anúncio da ciberguerra chinesa aconteceu num momento em que o regime dá extraordinários sinais de debilidade, empreende expurgos maciços nas fileiras do Partido e acentua as perseguições contra os cristãos identificados como dissidentes.

O próprio Exército Popular corre o risco de ser expurgado internamente, de onde a denúncia de “traidores ideológicos” que estariam minando o regime.

Segundo Lincot, uma cortina de ferro numérica já desceu sobre a China. Baidu e Huawei são dois grandes grupos informáticos dependentes de Pequim que baniram o Google e outros gigantes ocidentais.

A conquista das mentes pela ideologia niveladora e iguálitaria.
A conquista das mentes pela ideologia niveladora e iguálitaria.

Os efeitos políticos foram imediatos. A censura fez da Revolução dos pára-sóis no Taiwan e dos guarda-chuvas em Hong Kong, duas desconhecidas no continente vermelho.

Um gigantesco dispositivo de peneiragem da informação funciona de uma ponta a outra da China. O Estado-Partido vive obcecado por fantasmas após a queda da URSS.

O enrijecimento chinês na esfera virtual pode ter consequências nefastas na economia mundial. Hoje há 2 bilhões de internautas, 5 bilhões de celulares e 5 trilhões de dólares em propriedade intelectual. Se isso passar a ser alvo de uma sabotagem com intenções ideológicas, o estrago será incontável.

Roger Faligot calculou que o Exército vermelho formou 40.000 especialistas na manipulação das ciberarmas. Os ataques podem partir de simples computadores com programas especiais, enlouquecer mercados, empresas, exércitos, redes sociais, sabotando ou divulgando informações desestabilizadoras.

Em outubro 2014, segundo a empresa de segurança Novetta, corroborada pela FBI, o programa chinês Axiom havia atingido 43.000 computadores em seis anos.

Nessa fase, o programa visou o furto de informações para conseguir cumprir o plano quinquenal em matéria de meio-ambiente, energia e defesa. O programa continua sob Xi Jinping, que pensa em reforçá-lo no campo cultural.

A China visa prioritariamente instalar “desinformações úteis” à sua imagem em Universidades, mídia, indústrias da imagem e da música.

Esse estratagema pode revelar-se mais insidioso do que a própria ameaça terrorista brutal e primitiva. A Europa deveria tomar medidas rápidas e eficazes, sobretudo em matéria de inteligência econômica, diz Lincot.

Precisamos proteger absoluta e urgentemente nossas universidades, nossa indústria cultural, porém não fazemos isso, deplora o especialista.

Mais de 40.000 homens trabalham para modelar a Internet segundo Pequim.
Mais de 40.000 homens trabalham para modelar a Internet segundo Pequim.

A China não visa  restringir a Internet para os seus cidadãos. Pelo contrário, trabalha para difundi-la até nas mais remotas províncias. O que ela quer é manipular as informações que essa rede passa, a fim de modelar e controlar as mentes e para isso é necessário que todos tenham conexão e depositem seus dados na rede.

Os dirigentes do Partido Comunista Chinês chamam isso de “garantir a coesão nacional”: que todos pensem como o Big Brother de Pequim quer que pense.

O socialismo chinês aspiraria obter assim o que Mao não conseguiu chacinando cem milhões de intelectuais e proprietários: que desapareçam as desigualdades naturais pela extinção dos pensamentos desiguais.

Para o comunismo maoísta igualitário isso é uma “guerra” decisiva, que corresponde à lógica e ao vocabulário marxista-leninista, mas que não deve ficar clara para suas vítimas atuais ou potenciais.

E isso não é um objetivo só para atingir o interior da China; é para o mundo inteiro.

No Ocidente eles aguardam muito da pregação contra as desigualdades e contra a pobreza.

Especialmente quando esse trabalho ideológico não é feito em nome do comunismo explícito, mas da religião, da teologia ou dos direitos humanos.

08 de julho de 2015
in pesadelo chinês