"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

EDUARDO CUNHA NÃO É UM: É 267




O PT é um partido completamente perdido. Ao atacar de forma agressiva o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) atacou os 267 deputados que o elegeram em primeiro turno para o cargo. E a quem lidera. Os petistas tiveram a resposta que mereciam,  com ameaça de rompimento, fim da aliança e adeus governabilidade. Conhecendo-se Cunha, a vingança vira à galope, com mais pautas bomba para retaliar o governo decadente e incompetente de Dilma. Por linhas tortas, Cunha está fazendo um bem ao país.

Da Folha: Incomodado com ataques de setores do PT e movimentações de ministros para mudar a articulação política do governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que a aliança entre o PT e o PMDB pode ser rompida caso os desentendimentos entre os dois partidos se agravem. 

A fala é uma referência às indicações de que o núcleo mais próximo da presidente Dilma Rousseff estaria atuando para esvaziar as atribuições do vice-presidente, Michel Temer, na coordenação política do governo federal, como revelou a Folha. 

"No momento, temos compromisso com o país e a estabilidade, mas isso não quer dizer que vamos nos submeter a humilhação do PT", afirmou o presidente da Câmara no microblog Twitter. 
"O PMDB está cansado de ser agredido pelo PT constantemente e é por isso que essa aliança não se repetirá. Talvez tivesse sido melhor que eles aprovassem no congresso [do PT] o fim da aliança. Não sei se num congresso do PMDB terão a mesma sorte", acrescentou. 

As ameaças ao PT já tinham sido feitas pelo peemedebista em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" publicada neste domingo (14). 
Cunha disse que a aliança entre os dois partidos não se repetirá em 2018.

Ao fim do congresso do PT, no sábado (13), o partido rejeitou a revisão da política de alianças, que tem como principal aliado o PMDB. Apesar da decisão, dirigentes petistas gritaram "fora, Cunha" enquanto era discutida a proposta sobre o rompimento com o PMDB e demais partidos aliados.

15 de junho de 2015
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DOIS DISCURSOS E UMA COLISÃO...

Compare os discursos de Aécio Neves e de Geraldo Alckmin nas convenções estaduais do PSDB de Minas e São Paulo. E tire suas próprias conclusões.

Abaixo, declaração de Aécio Neves, em entrevista concedida na Convenção do PSDB em Minas Gerais:

Vejo que o Brasil não tem governo. Os ministros batem cabeça. O ex-presidente da República, ontem, no encontro no congresso do PT, conseguiu tentar dizer que a culpa pelo que acontece com o PT hoje, essa indignação que grande parte da sociedade tem em relação ao PT é culpa da mídia, culpa de vocês. A presidente da República diz que a crise econômica é fruto de uma crise internacional que já não existe em parte alguma do mundo.

Hoje, na verdade, o PT sofre as consequências da maldita herança, essa sim, maldita, que ela própria deixou para si. No momento em que o PT abandonou os interesses do país ao não fazer correções que precisariam ter sido feitas ao longo dos últimos anos para se preocupar única e exclusivamente em vencer as eleições, hoje transfere à população brasileira, aos trabalhadores brasileiros, às famílias brasileiras o preço mais duro, mais alto desta conta.

Lamentavelmente, para um partido que nasceu pregando a ética, hoje a marca do PT é de descompromisso absoluto com ela. Portanto, o que estamos assistindo hoje é um governo que cobra da sociedade brasileira, dos trabalhadores, um sacrifício que ele próprio não faz, e exatamente a sua irresponsabilidade aliada à sua incompetência dos últimos anos faz com que o Brasil se prepare para ser o país que menos vai crescer em toda América do Sul durante esse ano, com a inflação, a mais alta da última década pelo menos, os juros na estratosfera, e o que é mais grave, a emoldurar a crise econômica e a crise moral que tomou conta do país, uma crise de confiança extremamente grave. 

Não conseguiremos fazer o Brasil retomar um ritmo adequado de crescimento sem resgatar a confiança, a credibilidade, e a presidente Dilma não tem nem confiança e nem credibilidade mais para fazer o que precisa ser feito.

 
Aqui a declaração de Alckmin na Convenção do PSDB de São Paulo:

“A política é uma atividade essencialmente ética. O PT pode ser tudo, menos um partido político, porque um partido se faz com ética... Nós ficamos tristes de ver o nosso país, que crescia 10%,11%, 12% na década de 1970. Hoje o Brasil anda pra traz. Não é possível pagar com o futuro do Brasil a conta dos malfeitos da ultima década... SP foi que mais reduziu o índice de homicídios no país: nós chegamos 9,5 por 100 mil habitantes... Estamos com seis linhas de metrô em obras, simultaneamente. Mesmo com a crise do país, que faz um monte de obra ficar parada...Das 10 melhores autoestradas do Brasil, as 10 são aqui no Estado de São Paulo...E nenhum Estado investe como a gente: aqui são feitos 30% de investimentos em educação”

15 de junho de 2015
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TCU JULGA PEDALADAS CRIMINOSAS DA DILMA NA QUARTA



(O Globo) A dois dias da votação, o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) está dividido em relação às contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, segundo três fontes do tribunal ouvidas pelo GLOBO. A controvérsia, marcada pelas chamadas “pedaladas” fiscais, pode levar a um empate, com quatro votos a favor da aprovação e quatro pela reprovação. Nesse caso, a decisão é do presidente do TCU, Aroldo Cedraz, que só vota para desempatar. O julgamento será quarta-feira.

Estariam dispostos a votar pela aprovação das contas de Dilma os ministros Walton Alencar, Benjamin Zymler e José Múcio Monteiro. Os ministros Augusto Nardes, relator do processo no TCU, Bruno Dantas e Raimundo Carreiro estariam inclinados a opinar pela reprovação, enquanto Ana Arraes e Vital do Rego ainda não deram uma sinalização mais clara sobre seus votos. O presidente do TCU votará se houver um empate, e não sinalizou ainda qual é seu entendimento.

Um parecer pela rejeição das contas de um presidente seria inédito. A análise do TCU sobre contas presidenciais não é definitiva. De acordo com a Constituição, a atribuição final do julgamento é do Congresso.

Nos últimos dias, a linha de frente do governo Dilma — com o vice-presidente Michel Temer e os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e da Advocacia Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams — procurou o relator tentando convencê-lo a votar pela aprovação. Temer falou com Nardes por telefone e os dois ministros foram ao gabinete dele na semana passada para tentar reverter a tendência de voto pela rejeição. O governo intensificará a pressão na véspera da votação.

Em conversas reservadas, ministros do TCU têm dito que o teor do voto do relator será decisivo para baterem o martelo. Em relatório preliminar distribuído aos ministros no fim da semana passada, Nardes detalha a ocorrência das “pedaladas”, interpretadas como irregulares e uma infração à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A manobra fiscal é sinalizada como “alerta” no relatório.

As “pedaladas” foram um represamento de repasses do Tesouro Nacional aos bancos oficiais, que precisaram arcar com pagamentos de benefícios como seguro-desemprego e Bolsa Família. Em abril, os ministros do TCU decidiram que a manobra infringiu a LRF, por se configurar como empréstimo. O governo nega e diz que as “pedaladas” não podem ser usadas no julgamento das contas, por ainda não haver posicionamento definitivo do tribunal sobre o assunto.

15 de junho de 2015
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EM NOVA SEGUNDA-FEIRA VERMELHA, INFLAÇÃO DISPARA PRA 8,79%, TARIFAS PÚBLICAS SOB EM 14% E PIB DESABA 1,35 EM 2015



(Estadão) Economistas de instituições financeiras mantiveram a projeção para a taxa básica de juros da economia, a Selic, mas pioraram com força o cenário para a inflação ao final deste ano, após sinais de resistência da alta dos preços. Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, a estimativa para a taxa básica de juros no final de 2015 continua sendo de 14,0%.

Mas sobre a inflação, os especialistas consultados elevaram a perspectiva de alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no final deste ano a 8,79%, ante 8,46% na pesquisa anterior, na nona semana seguida de piora da projeção.

O IPCA de maio surpreendeu ao acelerar a alta a 0,74% na comparação mensal, chegando a 8,47% em 12 meses, maior taxa acumulada desde dezembro de 2003.

Na ata da última reunião do Copom, o BC reafirmou que os ajustes de preços relativos na economia fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015. O endurecimento do tom levou parte dos especialistas a acreditar que o atual ciclo de aperto monetário pode ser mais forte.

O Boletim Focus também teve mais uma rodada de alta das previsões para os preços administrados em 2015. A mediana das estimativas para esse conjunto de preços passou de 13,94% para 14%.

PIB. Segundo as novas projeções do Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 deve ter retração de 1,35%. Na semana passada, a estimativa era de uma queda de 1,30% e, há quatro semanas, de recuo de 1,20%. 

Após o mergulho das previsões para a produção industrial na semana passada, o mercado financeiro manteve a estimativa de queda de 3,20% para a produção de 2015. Quatro edições da pesquisa Focus atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 2,80%.

Câmbio. Para o mercado de câmbio, a pesquisa não trouxe alterações no cenário. A mediana das estimativas para o dólar no encerramento de 2015 continuou em R$ 3,20 pela sétima vez seguida.

15 de junho de 2015
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O REIZINHO DO BNDES



Meses depois da renúncia em agosto de 1961, Jânio Quadros voltou da Europa em 1962 e se candidatou a governador de São Paulo, com um slogan do saudoso deputado baiano, cassado em 1964, João Dória: -“A renúncia foi uma denúncia”.
Por sugestão de José Aparecido de Oliveira, Luís Lopes Coelho, presidente do “Barzinho do Museu”, em São Paulo, reuniu alguns jornalistas e intelectuais amigos, de São Paulo e do Rio, na casa dele, para uma conversa com Jânio: Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Mário Neme, Darwin Brandão, eu, outros. Jânio estava alegre, até que Darwin perguntou:
– Presidente, o senhor prometeu que, quando voltasse da Europa, denunciaria as “forças ocultas” que o levaram à renúncia. Quais foram?
Jânio ficou irritado: – Meu caro Darwin, não falei em “forças ocultas”, mas em “forças terríveis”! É o que disse. E mantenho. Forças muito poderosas!
Revirou os olhos e se calou. Pegou o uísque, levantou-se, chamou Paulo Mendes Campos a um canto da sala:
– Meu caro Paulinho, quero dizer-te uma coisa. Não é fácil renunciar a tanto poder. O Presidente, neste País, meu caro Paulinho, é um rei. Fui um reizinho! Um reizinho, Paulinho, tu sabes!
A reunião acabou. Sobre a renúncia, nada. Morreu sem explicar.
LULA
O Brasil está com um reizinho de coroa suja, agora enlameada na Operação Lava Jato. Lula saiu do governo e criou algumas arapucas para fabricar dinheiro fácil.  Ele diz que o Instituto Lula e o LILS (Palestras, Eventos e Publicidade) são para articularem suas “conferências”.
Mas que “conferências”? Quando, onde, sobre que assunto? Ele chama de “conferências” suas baboseiras nas reuniões do PT. Quem já assistiu a uma “conferência” de Lula? Ele não faz “conferencias”. Faz “transferências”. Só a Camargo Correia transferiu 3 milhões de dólares para o cofre do Instituto Lula e mais 1 milhão e meio para o cofre do LILS.
Apesar da conhecida esperteza do reizinho, o escândalo ia acabar nas manchetes dos jornais como Globo e capas de revistas como Época e Veja.
BNDES
Todo reizinho tem seu trono. O de Lula está instalado no BNDES. É lá que ele fatura seus lobes viajando pela America Latina e África nos jatinhos das empreiteiras, de preferência a serviço de um ditador corrupto.
1.-No primeiro trimestre deste ano, o BNDES tinha R$ 202 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador, 40% do total dos recursos do FAT. Com a transferência de dinheiro do Tesouro, o banco tinha uma carteira para investimentos de R$ 500 bilhões. O governo paga a taxa selic de 13,75%, ao ano, elevando a dívida pública, pela transferência de dinheiro caro para subsidiar os banqueiros “amigos”.
  1. – As dez maiores empresas brasileiras concentram 40% dos recursos destinados aos investimentos interno e externo. Juros baixos e prazos longuíssimos caracterizam esses empréstimos. A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje está em 6% ao ano, com prazos variáveis de 10 até 25 anos. Nos últimos anos, as empresas apelidadas de “campeões do desenvolvimento” concentraram a quase totalidade dos investimentos.
  2. – Obrigado pelo TCU e STF, o BNDES divulgou obras realizadas por empresas brasileiras de engenharia. Elas têm do banco, lá fora, crédito mais barato do que os praticados quando o investimento é realizado no Brasil. Aqui, na área de infraestrutura, o financiamento mais barato é o Programa de Investimento em Logística (7% ao ano).Em Honduras, em junho de 2013, em financiamento de US$ 145 milhões, o BNDES fixou juros em 2,83%. Em Angola, os juros foram de 2,79%.
MÃE DILMA
  1. – O BNDES investiu US$ 11,9 bilhões em projetos das empreiteiras lá fora. As maiores beneficiárias são Odebrecht (US$ 8,2 bilhões, 69% dos recursos), Andrade Gutierrez (US$ 2,81 bilhões), Queiroz Galvão (US$ 388 milhões); OAS (US$ 354 milhões); Camargo Correa (US$ 255 milhões).
  2. – O BNDES, com garantia do Tesouro, a taxas de juros “amigas”, opera em Angola com empréstimos de US$ 3.383 bilhões e juros de 5,32%; na Venezuela US$ 2.252 bilhões e juros de  4,29%; na República Dominicana US$ 2.204 bilhões e juros 4,85%, na Argentina US$ 1.872 bilhão e juros de 4,83%, em Cuba US$ 847 milhões e juros de 5,38%.
  3. – Em Moçambique US$ 444 milhões e juros de 4,89%, na Guatemala US$ 280 milhões e juros de 4,94%, no Equador US$ 228 milhões e juros de 3,75%; em Gana US$ 216 milhões e juros de 3,75%, em Honduras US$ 145 milhões e juros de 2,83%; e Costa Rica US$ 44,2 milhões e juros de 4,07%.
Aqui dentro é a “Mãe Dilma” do PT. Lá fora, a “Filha de Lula”.
15 de junho de 2015
Sebastião Nery

PARECER TÉCNICO DO TCU DÁ JUSTIFICATIVA A IMPEACHMENT DE DILMA












Técnicos do Tribunal de Contas da União que examinaram os números do governo federal concluíram que a gestão da presidente Dilma Rousseff acumulou dívidas muito superiores às reconhecidas na contabilidade oficial. De acordo com os cálculos dos técnicos, até o final de 2014 as dívidas superaram em R$ 140 bilhões o valor do patrimônio do governo, que inclui seus bens e os créditos que ele tinha a receber no fim do ano passado.
A constatação fará parte de um relatório que será apreciado pelos ministros do TCU na próxima quarta-feira (17), quando o tribunal julgará as contas do ano em que a presidente concluiu seu primeiro mandato e se reelegeu.
Se a decisão for desfavorável ao governo, o julgamento abrirá caminho para a rejeição das contas de Dilma no Congresso e oferecerá novos argumentos para os líderes da oposição que defendem o impeachment da presidente.
Além disso, o retrato apresentado pelo TCU poderá prejudicar a imagem externa do Brasil, aumentando a desconfiança que os investidores e as agências internacionais de classificação de risco têm dos números do governo federal.
FORA DO PADRÃO
Em 2013, o governo apresentou um patrimônio positivo de R$ 1,18 trilhão. Mas o TCU discordou da maneira como as dívidas foram contabilizadas, em desacordo com padrões aceitos internacionalmente, segundo os técnicos.
Ao apresentar o balanço de 2014, o governo atendeu em parte às recomendações do TCU e incluiu na conta compromissos da Previdência Social, o que reduziu o saldo patrimonial a R$ 118 bilhões.
Mas os auditores do TCU concluíram que ainda faltou reconhecer outros R$ 256 bilhões em dívidas de curto prazo, incluindo faturas penduradas com fornecedores e pagamentos devidos a bancos públicos que executam programas sociais do governo. Só esses atrasos, que ficaram conhecidos como pedaladas fiscais, somam cerca de R$ 40 bilhões.
No julgamento das contas de Dilma, o TCU discutirá também o efeito dessas manobras contábeis feitas pelo governo para adiar esses pagamentos e conter despesas.
Foi depois de recalcular as dívidas que os técnicos do TCU acharam o deficit de R$ 140 bilhões apontado em seu relatório. O valor equivale a cinco vezes o gasto com o Bolsa Família no ano passado.
PRESSÃO SOBRE O RELATOR
Os reparos dos técnicos não obrigam o TCU a reprovar as contas de Dilma. A análise serve para orientar o ministro relator do processo, Augusto Nardes, no preparo de seu voto, que será submetido ao plenário do tribunal. Ele tem indicado que as irregularidades nas contas de 2014 impedem a sua aprovação.
A única vez em que um ministro do TCU pediu a rejeição das contas de um presidente até hoje foi em 1937, quando as contas de Getúlio Vargas foram rejeitadas pelo ministro Thompson Flores. Seu parecer foi rejeitado pelos colegas e ele foi afastado em seguida.
Na semana passada, ministros de Dilma procuraram Nardes para tentar convencê-lo a não rejeitar as contas da presidente, apontando os riscos de instabilidade econômica que a decisão alimentaria.
Os apelos levaram os ministros do TCU a discutir alternativas. Uma ideia seria suspender a análise das pedaladas fiscais até a conclusão de outro processo em andamento no tribunal, que trata apenas dessas manobras.
Depois que a corte julgar as contas de Dilma, o Congresso dará a palavra final. Se as contas do governo forem reprovadas, qualquer pessoa poderá apresentar à Câmara um pedido de impeachment contra a presidente.
15 de junho de 2015
Dimmi Amora e Natuza Nery
Folha

DILMA ARROCHA ECONOMIA, MAS AUMENTA GASTOS DA PRESIDÊNCIA














Em época de tesourada no Orçamento, aumento de impostos e corte de investimentos públicos, o Palácio do Planalto não dá o exemplo quando o assunto é reduzir os próprios gastos. Levantamento feito pelo Estado de Minas no Portal da Transparência e no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal sobre os gastos da Presidência da República nos primeiros quatro meses de 2015 mostra que o governo não seguiu sua própria determinação de apertar os cintos durante a crise econômica. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a Presidência aumentou os gastos em 36% – percentual quase quatro vezes e meia acima da inflação acumulada até abril, de 8,17%.
Outros órgãos pesquisados, como a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) também custam mais aos cofres públicos em 2015.
Segundos os dados oficiais do próprio governo federal, o Planalto gastou, entre janeiro e abril de 2014, R$ 1,6 bilhão com as despesas da administração geral e órgãos e secretarias vinculadas à Presidência. No mesmo período deste ano, os valores chegaram a R$ 2,2 bilhões. Apesar da redução com alguns gastos, como uso de combustível para o transporte de autoridades e material de expediente, houve aumento em outros itens, como material gráfico, que passou de R$ 7,2 milhões no início do ano passado para R$ 31,3 milhões agora – aumento de 334,72%.
GASTANDO MAIS
Segundo o Portal da Transparência, a Secretaria de Administração da Presidência da República gastou até o início de maio R$ 165,8 milhões, sendo a maior parte – R$ 35,1 milhões – destinada a despesas com pessoal e encargos especiais, esta última rubrica não é detalhada. Logo em seguida estão os gastos com vencimentos e vantagens fixas, em que são contabilizados salários e gratificações para servidores permanentes e de cargos de confiança, com um custo de R$ 24,8 milhões. Para as despesas com passagens aéreas e locomoção de servidores ligados à Presidência, foram desembolsados R$ 8,6 milhões.
COZINHA CARA…
Alguns gastos curiosos da Presidência neste início de ano foram divulgados pela ONG Contas Abertas, também com levantamentos feitos no Siafi, como a compra de um afiador de facas elétrico por R$ 9,3 mil e de 10 baldes térmicos de gelo para a cozinha do Palácio do Planalto, no valor total de R$ 9,1 mil. Cada balde com capacidade para 2,5 litros saiu a R$ 914,50.
A ONG ressalta que não existe nenhuma ilegalidade nesse tipo de gasto, mas a intenção de divulgar despesas incomuns e tornar públicas tais aquisições é discutir os gastos e aumentar a transparência na administração pública. Procurada para comentar os gastos dos primeiros meses deste ano, a assessoria de imprensa da Presidência não respondeu aos e-mails da reportagem.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 A matéria enviada pelo comentarista Wilson Baptista Jr. diz tudo. Certamente, é o amolador de facas mais caro do mundo, assim como são os baldes de gelo mais caros do mundo. Governo rico é isso aí, comprou para Dilma uma bicicleta importada de R$ 3 mil, enquanto a similar nacional Caloi custa apenas R$ 600. (C.N.)
15 de junho de 2015
Marcelo da FonsecaEstado de Minas

DE @IBRAHIM SUED PARA @ZÓZIMO

Querido Zózimo Barrozo do Amaral, como vão as coisas aí nessa tua vida de estátua na ponta do Leblon? Muitas cocadinhas? Muitas panteras? Muitas bonecas e deslumbradas passando ao caminho do mar? Saudades do amigo. Eu soube da tua correspondência com o Tom Jobim, coitado, o grande compositor que agora serve de selfie para turistas lá no Arpoador, e resolvi te escrever, embora os inimigos digam que eu não seja bom nisso. 
Não me importa. Os cães ladram e a caravana passa.
Com este email, eu quero manifestar minha solidariedade a você, a vida inteira um homem fino, e agora obrigado a sentir o mau cheiro dessa elevatória de esgoto aí atrás. Que dureza essa nossa vida de estátua, hein?

Não sei se você sabe, mas me botaram aqui em frente do Copacabana Palace, como se eu fosse um capitão de portaria e, pior, escondido embaixo de umas árvores. Quando eu vi as tuas mal traçadas com o Tom eu fiquei pensando qual a situação pior: passar a eternidade dos tempos aí embaixo do sol, como você, servindo de anteparo para corredor chumbrega se alongar, ou a minha, aqui nessa sibéria, onde ninguém me vê? O Tom reclama do assédio, mas eu responderia com aquela música dele: “Triste é viver na solidão”. É como estou aqui. Sozinho. Ninguém passa perto, ninguém chega junto para dar aquela de louco, tão comum no relato de outras estátuas, e conversar, desabafar os problemas.

Virei um parvenu, como a gente gostava de dizer na coluna, arrotando um francês de leve, como era moda na época. Um Zé Ninguém total. Eu andava nos palácios, peguei a Ava Gardner, e agora vivo essa maldição das estátuas, esses cracudos de bronze espetados no meio das calçadas do Rio. Virei um mirante para pombos. Eles fazem o diabo comigo, querido Zózimo, sem que apareça vivalma para abanar o cretino e dizer sai daí, pombo desgraçado, respeita o terno De Cicco do colunista.

Em 2010 roubaram o jornal que eu segurava, um detalhe que ajudava a compor de dignidade intelectual a minha imagem de estátua de jornalista. Ficou por isso mesmo. Ao contrário do Drummond, de quem roubavam os óculos e logo um prefeito colocava um novo, comigo ninguém se mexeu. Até hoje eu estou sem o jornal. As mãos ficaram soltas no ar, num gestual ridículo, coisa até meio pornográfica e que assusta ainda mais as moças que poderiam estar se aproximando para saber, afinal, o que a Ava Gardner viu aqui no turco.

É duro, Barrozinho, e por isso peço que você, sempre perto dos bacanas passeando aí pelo Leblon, dê um toque neles e fale do meu abandono. Qualquer dia um mendigo desses aqui do calçadão me leva as calças e completa o grotesco da cena. Vida de estátua é uma pedreira. Deviam deixar o pobre coitado do morto viver o seu sobrenatural em paz, sem essa falsa materialidade do bronze, do granizo, ou do granito, sei lá como se falam essas coisas, com que insistem em homenagear o infeliz já vitimado.

Soube que agora vão colocar a Clarice Lispector sentada num banco da praia do Leme. Ninguém merece. Era uma senhora discreta, às voltas lá com os seus tormentos, os seus incêndios, e a necessidade de ganhar a vida trancada dentro de casa escrevendo. Detestaria ficar embaixo do sol, abraçada por desconhecidos cheios de intimidades e ignorantes de sua obra.

Às vezes eu fico pensando se isso que aconteceu comigo, meu bom Zózimo, passar de jornalista famoso a um vulto desconhecido jogado entre as árvores, não é maldição da Dama de Preto. Lembra dela? Foi uma personagem que eu inventei para falar de dondoca antipática, de nariz em pé antes de o Pitanguy fazer isso por ela, que circulava nas altas rodas. 
Diziam que me inspirei na Beki Klabin, mas eu não confirmo nem morto. Eu não dava o nome da indigitada porque senão me desconvidavam dos jantares onde eu pegava as notas da coluna. A Dama de Preto era uma senhora assim, muito rempli de soi meme. Pedante. 
Só pode ser ela por trás desse meu infortúnio. A mulher deve estar enciumada porque, deslumbrada que é, gostaria de ter uma estátua do meu lado para ver o entra-e-sai do Copa.

Pois é isso, meu caro Zózimo. Apenas um email para me solidarizar com o seu drama de estátua, essa vida paradona com que fomos homenageados em lugares que não têm nada a ver com a gente. Você é mais Lagoa do que Leblon, e o Tom, mais Jardim Botânico. No meu lugar deviam ter posto o Jacinto de Thormes – e ele ia ver só em quantos minutos aqui na Atlântica desapareceriam, pivete por todo lado, com aquele cachimbo dele.

O pior de tudo é que estamos obrigados a testemunhar para sempre uma cidade que já não é a nossa, com a qual já não concordamos, desprovida de qualquer sinal do glamour com que costumávamos apresentá-la nas colunas. Eu frequentei o Vogue, você, o Hippopotamus, noites de nome e sobrenome, não essa multidão anônima e deselegante berrando desimportâncias no celular. 

Havia mais grana e bons modos. A gente botava no jornal um jantar black-tie dos Mayrink Veiga, dos Colagrossi, dos Garavaglia, e sentia que de alguma maneira aquilo educava as pessoas. Pois saiba você, meu caro, que no último réveillon tinha um sujeito dançando de bermudas no Golden Room aqui do Copa. Pode? Os chumbregas venceram, Barrozinho. Te cuida, e passa bloqueador 90. Ademã, que eu vou em frente.

15 de junho de 2015
Joaquim Ferreira dos Santos


O FOTÓGRAFO QUE DEU VIDA À MORTE

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Alemão nascido em Berlim, Horst Faas alterou como poucos o curso da guerra travada pelos Estados Unidos no Vietnã

"Quando um governo fala a verdade, o repórter desempenha um papel de relevância menor. É quando um governo mente que o poder maior do jornalismo se revela”, ensinava David Halberstam, um dos grandes nomes do jornalismo americano da era Vietnã a exercer o ofício com convicção.

Halberstam tinha 28 anos de idade no início da década de 60 quando fez parte do primeiríssimo pelotão de repórteres a desembarcar em Saigon. Na época, a sociedade americana ainda vivia na ilusão de que o conflito no Sudeste da Ásia, que parecia incipiente e se transformaria na pantanosa Guerra do Vietnã, não lhe dizia respeito. “Fui catapultado para um momento e um lugar da história em que ser jornalista fez diferença”, declarou em 1964, ao receber o prêmio Pulitzer.
Junto com Halberstam, quatro outros jornalistas foram se embrenhar no Vietnã para apurar o que havia por trás dos letárgicos comunicados das Forças Armadas dos Estados Unidos. Neil Sheehan e Malcolm Browne eram americanos. O ebuliente Peter Arnett era neozelandês. E Horst Faas era alemão, como denunciava o forte sotaque do qual nunca se desvencilhou. Como editor de fotografia da agência noticiosa Associated Press em Saigon, Faas é considerado até hoje o mais completo fotojornalista de guerra.
Cada integrante desse celebrado núcleo duro recebeu pelo menos um prêmio Pulitzer nos anos que se seguiram. Individualmente, porém, o trabalho do berlinense Faas foi o mais decisivo. Foi ele, sobretudo, quem encurtou a distância entre a sala de jantar do cidadão americano e a crueza da guerra do outro lado do mundo.
Até então o povo vietnamita era uma abstração de olhos puxados. Faas lhe deu humanidade individual. Com suas três câmeras Leica sempre penduradas no pescoço, conseguiu captar silêncios, nuances de medo, pavor, dor e resignação. Traduziu temperaturas, cheiros, texturas. Tudo sem vestígio de retórica fotográfica. Simplesmente aproximou a nação americana da vivência da guerra travada em seu nome.

orst Faas morreu no dia 10 do mês passado em Munique, aos 79 anos. Estava paraplégico desde 2005, consequência de um coágulo na coluna vertebral detectado em Hanói, durante um dos concorridos seminários de fotojornalismo de que participava mundo afora. Continuou a promover simpósios e a escrever livros sobre o métier até o fim da vida. Halberstam, que morreu num acidente de carro em 2007 e era pouco dado a efusões verbais, definiu assim seu antigo companheiro de alojamento em Saigon: “Não consigo me lembrar de ninguém que permaneceu mais tempo, correu mais riscos e demonstrou maior devoção ao trabalho e aos colegas do que ele. Eu o definiria como nada menos do que um gênio.”
O talento de Horst Faas com uma câmera na mão é fácil de atestar: basta olhar para as fotos de sua autoria. Mais difícil é dimensionar corretamente o papel que desempenhou debruçado sobre uma mesa de luz, como editor de fotografia da AP. Esta talvez tenha sido sua obra mais decisiva para o registro da história.
Coberturas de guerra, assim como de acidentes, chacinas e tragédias em geral, podem dar fama imediata ao fotógrafo que captar um instantâneo de impacto. Nas mesmas circunstâncias, o trabalho do editor, por ser anônimo, tende a ser particularmente ingrato. Além de operar à sombra da produção alheia, o titular do cargo com poder de decisão sobre quais fotos publicar e quais descartar raras vezes é contemplado com o apreço de seus subordinados.
A atuação do alemão Faas na redação da AP em Saigon, instalada no 4º andar de um prédio da ruePasteur, foi tão singular quanto sua safra de fotos próprias. Ao longo de mais de dez anos, ele arregimentou, treinou e comandou uma eclética plêiade de retratistas da guerra. Gostava de garimpar talentos novos junto à população civil local. Munia-os com rolos de filmes e câmeras e ensinava-os a olhar e ver, antes de despachá-los para a rua. Repassou os rudimentos de fotografia com os repórteres mais consagrados do staff da AP e determinou que todos deveriam ter uma máquina à mão. Sempre.
Essa norma violava a lei trabalhista americana que proibia jornalistas de executar tarefas de fotógrafos, mas acabou prevalecendo como exceção no Vietnã. E foi graças a ela que o correspondente Malcolm Browne sacou sua câmera numa manhã de junho de 1963 e conseguiu registrar a primeira autoimolação de um monge budista em protesto contra o regime sul-vietnamita apoiado pelos Estados Unidos.
A cena do monge na posição Flor de Lótus, queimando impassível até a morte, no meio da rua, sem proferir um único som, durou segundos. Para Browne, uma eternidade. Até hoje ele se debate com o fato de ter apenas fotografado a cena, sem impedir seu desfecho. Mas foi essa foto, em parte, que levou a Casa Branca de John F. Kennedy a repensar seu apoio público ao ditador Ngô Ðình Diệm.

aas tinha sido ferido nas pernas por uma granada em 1967, durante uma incursão à região sul do Vietnã, e por isso ainda convalescia quando a maciça Ofensiva do Tet lançada pelos guerrilheiros comunistas em 1968 chegou a Saigon. Até então era preciso sair a campo para retratar a guerra. Com o ataque do Tet, a guerra chegou à soleira da porta da AP e Faas dirigiu toda a cobertura trabalhando de muletas.
Foi no meio do segundo dia de confrontos em Saigon, 1º de fevereiro de 1968, que o veterano Eddie Adams, um ex-fuzileiro da Guerra da Coreia, adentrou a agência e esvaziou sua safra de rolos de filme. O último negativo, uma vez revelado no banheiro da redação transformado em câmara escura, entrou para a história da fotografia de guerra com o título de Execução em Saigon. Mostrava o chefe de polícia de Saigon, general Nguyễn Ngọc Loan, uniformizado e de braço estendido, disparando à queima-roupa contra a têmpora de um sul-vietnamita de camisa xadrez, que tinha as mãos amarradas nas costas. A foto capta o instante em que a bala entra na cabeça do prisioneiro vietcongue.
Naqueles tempos, a transmissão de uma única imagem levava em média vinte minutos e era feita por meio de um circuito de radiotelefonia via Paris – isso, quando não caía a linha e era preciso retomar do zero a transmissão.
 Ao ver a foto, o repórter Peter Arnett parou de datilografar uma matéria na sua máquina de escrever e começou a entrevistar o autor da imagem que mudaria o curso da guerra. Eddie Adams, falecido sete anos atrás, posteriormente sustentou que o instantâneo demonizou injustamente o militar sul-vietnamita, por ser um falso retrato do bem contra o mal, já que as circunstâncias por trás daquela cena eram muito mais complexas (o vietcongue teria decapitado vários civis sul-vietnamitas).

m 1972, quando a percepção do atoleiro vietnamita como cemitério de vidas já parecia inteiramente assimilada pela opinião pública americana, HorstFaas conseguiu sacudi-la uma vez mais.
Entre os mais de setenta jornalistas que morreram cobrindo a guerra do Vietnã estava Huỳnh Thành Mỹ, um ator a quem Faas tudo ensinou e transformou em fotógrafo. Seu irmão caçula, Huỳnh Công Út – mas apelidado por Eddie Adams deNick Út e é com esse nome que entraria para a galeria dos grandes –, decidiu então juntar-se à tropa de Faas. É de sua autoria a imagem mais do que célebre de uma menina nua numa estrada de terra. Ela corre com os braços abertos e a pele em frangalhos pela ação das bombas de napalm made in usa.
Foi graças ao pulso de Faas que o mundo viu a foto – o editor alemão decidiu atravessar a hierarquia de comando da AP e assumiu a responsabilidade de transmitir a fotografia, considerada polêmica demais pela chefia da agência.
Nascido nos anos de ascensão de Hitler e membro adolescente da Juventude do Führer, Horst Faas sabia, como Halberstam, que o poder do jornalismo acaba sendo maior do que o de um governo que mente. 
15 de junho de 2015
 DORRIT HARAZIM

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