"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 31 de maio de 2014

PMDB: DILMA DESEJA SORTE A FILHOS DE OLIGARCAS (SÓ OLIGARCAS?!?)


Que discurso meigo! “Tenho um grande respeito pelo Jáder Barbalho”, disse Dilma em discurso. “Acredito que o Jáder tem muita sorte. Tem um filho que pode continuar a caminhada dele.

 
                  Dilma revela em jantar com o PMDB como chama o ministro de Minas e Energia: 'Lobãozinho'

 
Alguns dos principais oligarcas do PMDB compareceram ao jantar oferecido pelo vice Michel Temer a Dilma Rousseff na noite passada com seus herdeiros políticos a tiracolo.
Candidatos aos governos de seus respectivos Estados, Renan Filho (Alagoas), Helder Barbalho (Pará), Lobão Filho (Maranhão) e Rodrigo Jucá (Roraima) ouviram da presidente votos de “boa sorte”.
“Tenho um grande respeito pelo Jáder Barbalho”, disse Dilma em discurso. “Acredito que o Jáder tem muita sorte. Tem um filho que pode continuar a caminhada dele. Eu tenho conversado com muitas pessoas. E algumas me dizem que o Helder será uma liderança emergente do Brasil. Então, boa sorte, Helder.”
Mais adiante, Dilma emendou: “Quero também falar do nosso Renan Filho, do nosso Lobão Filho.” Voltando-se para o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), a presidente fez uma inusitada confidência: “Agora, Lobão, você está deixando de ser o Lobão. O Lobão vai sere le. E você vai ser, como eu te chamo, o Lobãozinho. Desejo sorte também pro Rodrigo Jucá.”
Relator da CPI da Petrobras, o senador paraibano Vital do Rêgo também levou um parente para receber as bênçãos de Dilma: o irmão Veneziano Vital. Ex-prefeito de Campina Grande, ele representará a família na disputa pelo governo da Paraíba.
- Leia mais sobre o tema aquiaqui e aqui.
31 de maio de 2014
Por Josias de Souza - Uol Notícias
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O REPTO ELEITORAL DE UM MILITAR BRASILEIRO


Por Jair Bolsonaro, deputado federal (PP-RJ), capitão da reserva do Exército.
            Biografia sumáriaJair Messias Bolsonaro (nascido em Campinas, SP, em 21 de março de 1955) é um militar da reserva e político brasileiro de orientação política conservadora, antimarxista, e antissocialista, que cumpre seu sexto mandato legislativo com Deputado Federal do Brasil, eleito pelo Partido Progressista, apesar de não se enquadrar no que o termo “progressista” quer dizer hoje em dia, ou seja, adepto do capitalismo de estado e do socialismo.
            É titular da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e da de Segurança Pública. Combate ao Crime Organizado, tanto na esfera pública quanto na privada e é suplente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados em Brasília. Já foi filiado ao PDC (Partido Democrata Cristão), ao PPR (Partido Progressista Renovador), ao PPB (Partido Progressista Brasileiro), ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), ao PFL (Partido da Frente Liberal) e atualmente faz parte do PP (Partido Progressista).
            Ganhou notoriedade nacional após dar declarações sobre questões polêmicas, comohomofobia,  preconceito racialsexismocotas raciais nas universidades e defesa do regime militar no Brasil, sendo classificado por alguns jornalistas e órgãos de imprensa como representante da “extrema direita” brasileira, seja lá o que isso queira dizer (Fonte: Wikipedia).
            Escreve o autor:
            Em 2005, embora sem pretensões de ser eleito, me lancei candidato à Presidência da Câmara dos Deputados com a intenção de evitar a eleição do candidato do Governo, o então deputado Luiz Eduardo Greenhalg (PT-SP), o chamado “advogado das sombras”, que fez fortuna defendendo bandidos da esquerda que foram rechaçados pela contrarrevolução militar de 1964.
            A imprensa não quis me atribuir os louros da vitória, mas me considerei o grande vencedor.
            Nos 10 minutos em que tive direito a usar da palavra no plenário da Câmara, mostrei a real face do candidato do governo petista, escalado no passado para impedir o esclarecimento do sequestro, tortura e execução do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel.
            Após minha intervenção, foi evidente a mudança de votos de muitos deputados, evitando um mal maior. Severino Cavalcanti foi o eleito no 2º turno.
            Hoje, a minha visão sobre política é bem definida. Segundo ela, caso este governo consiga mais um mandato, o que de "melhor" nos poderá acontecer será, ainda em 2015, nos transformarmos numa Venezuela e o de pior, numa Cuba de dimensões continentais.
            Entretanto, entendo que os desvios bilionários dos "companheiros", nos malfeitos na PETROBRAS e na ELETROBRAS, além de verdadeiros assaltos  aos Fundos de Pensões, só não são piores do que o roubo da nossa liberdade que se avizinha e se assoma no horizonte político do país.       
     
Minha preocupação é fundamentada em fatos históricos, pois não há notícia de qualquer país que, sob um regime socialista/comunista, se observe seu povo tendo razoável nível de desenvolvimento em educação, saúde e renda, ou gozem de qualquer autonomia ou liberdade individual.   
         
Os livros escolares, impostos pelo MEC às escolas públicas, com frases e gravuras que pregam o “marxismo cultural” que diz ser o capitalismo o inferno e o socialismo o paraíso, estão "envenenando" 30 milhões de crianças do ensino fundamental estatal. Abominam a propriedade privada, o lucro, o livre comércio e a meritocracia.      
      
Meu nome, sem qualquer dúvida, encarna o sentimento daqueles que não suportam mais tal ação subversiva aos nossos princípios culturais e civilizacionais judaico-cristãos do PT e demais partidos de esquerda, que consiste em;
     > desvalorizar e sucatear as Forças Armadas;
     > impor o chamado "politicamente correto" da dialética do marxismo cultural;
     > a manter e elevar a altíssima carga tributária, sem o correspondente retorno à população de serviços públicos fundamentais pelo menos decentes;
     > a manter uma política externa aliada a ditaduras e a regimes autoritários;
     > a defender a falácia da falsa “democracia direta” com o intuito de desmoralizar e fechar o Congresso para impor a ditadura civil do Partido Único;
     > a promover o ativismo homossexual nas escolas;
     > a agir no sentido de desmoralizar a família com célula básica do tecido social brasileiro;
     > a promover o desarmamento dos cidadãos de bem capazes de ter, portar e usar armas de defesa pessoal;
     > a pautar pela falta de uma política de planejamento familiar, que não seja pelo aborto e o desrespeito à vida;
     > a incentivar, coordenar e financiar, com dinheiro dos impostos, as invasões do MST e “movimentos sociais” congêneres;
     > a promover a "indústria" das demarcações de “terras indígenas”;
     > a não permitir a redução da maioridade penal;
     > a não reconhecer a vital importância dos ruralistas e do agronegócio para o desenvolvimento do País;
     > a manter e ampliar políticas de destruição de valores morais e familiares nas escolas pela lavagem cerebral marxista da juventude;
     > a ser contra a pena de morte, a prisão perpétua e o cumprimento de trabalhos forçados dentro das penitenciárias para presos (ainda que consideradas cláusulas pétreas na Constituição);
     > a manter o exame de ordem, da OAB, nas condições atuais;
     > a estabelecer ‘cotas raciais’, que estimulam o ódio racial entre brasileiros e que, em muitos casos, são injustas entre os próprios cotistas;
     > a levar adiante a famigerada ‘Comissão Nacional da (in) Verdade’, que glorifica terroristas, sequestradores e marginais que tentaram implantar, pela ação armada, a “ditadura do proletariado” em nosso país;
     > a desejar o ‘Marco Civil da Internet’, cuja regulamentação, por decreto, dá início à censura virtual;
     > a manter na ilegalidade civil o chamado "Foro de São Paulo", onde ditadores e marxistas simpatizantes de ditaduras se associam ao narcotráfico e ao terrorismo internacional e onde se acoitam para planejar uma hegemonia marxista na América Latina;
     > a liberar recursos públicos para o BNDES para construir Porto em Cuba, metrô na Venezuela, bem como “perdões de dívidas” de ditaduras africanas e outros atos considerados como traições e desserviços à pátria;
     > a manter as escolas com professores desprovidos de meios para exercerem sua autoridade e a ensinarem matérias desvirtuadas pelo chamado ‘marxismo cultural’;
     > a manter uma ‘ajuda financeira’ de mais de R$ 1 bilhão por ano à ditadura cubana, via contratação de mão de obra escrava pelo programa "mais médicos" e outros assemelhados;
     > a manter os programas "Bolsa Família" e assemelhados, como simples compra de votos, sem exigir qualquer contrapartida de seus beneficiários, mantidos assim em currais eleitorais, além do programa "Brasil Carinhoso", que estimula a paternidade irresponsável;
     > a manter o Ministério da Defesa chefiado por civis incompetentes, como se não houvesse um oficial-general de quatro estrelas qualificado e confiável para o cargo;
     > a defender o atual Código Penal, que não garante punições justas ou sequer adequadas para os criminosos em geral, máxime , aos chamados de “colarinho branco”;
     > a promover e financiar, por baixo dos panos, a invasão e ocupação de terras e prédios públicos e privados por hordas de desocupados profissionais chamadas de “movimentos sociais”, sem legislação eficaz que puna tais práticas abusivas e ilegais;
     > a estimular e financiar milícias, chamadas de “black blocs”, para desvirtuar manifestações pacíficas de rua por parte de cidadãos de bem, ao promoverem o quebra-quebra, o vandalismo, o saque, a depredação e a queima de ônibus por qualquer motivação;
     > a priorizar a ‘política de direitos humanos’ para beneficiar criminosos em detrimento de suas vítimas, direcionada principalmente aos policiais e aos cidadãos de bem;
     > a continuar e intensificar o aparelhamento político da administração pública, inclusive pelo exagero de nomeações a título de confiança e sem o devido concurso público.
            Creio que a minha candidatura ao cargo de presidente da República seria o "fiel da balança" para a garantia de um 2º turno, comigo ou entre outros candidatos.
            Não há preço que pague um possível debate meu com Dilma Rousseff, a pseudotorturada, cujo primeiro marido sequestrou um avião e rumou para Cuba com uma centena de reféns e o segundo (marido), que com ela passou a lua de mel assaltando caminhões na Baixada Fluminense. Afinal, seu passado não pode continuar sendo ocultado da população brasileira, bem como seu desserviço à democracia.
            Se um dia jurei dar minha vida pela Pátria, se preciso fosse, a perda do meu mandato de deputado federal é muito pouco para evitar a"cubanização" do Brasil, fato mais que provável de ocorrer, caso o PT vença mais uma eleição.
            Em 23 de abril passado protocolei Ofício junto ao Partido Progressista, colocando-me à disposição para concorrer ao cargo depresidente da República e para que meu nome fosse enviado para os institutos de pesquisa eleitorais, sendo o único candidato que, verdadeiramente, assume de peito aberto uma oposição às políticas doPT-PMDB e a chamada “base alugada”.
Por: francisco.vianna@terra.com.br [resistencia-democratica] 
 
31 de maio de 2014

JOAQUIM BARBOSA: POPULAR OU POPULISTA?

 
Por força da parábola “A tábua e os pregos” se sabe que uma ferida verbal (uma ofensa) é tão maligna para a alma como uma agressão física. Quando você ofende alguém, ficam as marcas. Você pode enfiar uma faca em alguém e depois retirá-la. Não importa quantas vezes você peça desculpas, a cicatriz ainda continuará lá. Joaquim Barbosa, que disse que vai deixar em breve a magistratura, foi um juiz independente e corajoso, mas deixa cicatrizes profundas nas almas de todas as pessoas que foram vítimas das suas temperamentais ofensas.
Muitos vão comemorar sua saída; outros irão lamentar profundamente. Para alguns ele já vai tarde; para muitos ele fará muita falta na desprestigiada magistratura brasileira. De qualquer modo, para quem nunca acreditou na punição dos poderosos no Brasil, JB se mostrou, especialmente no julgamento do mensalão do PT, um exemplo de juiz autônomo e idealista.

Precisamente porque fugiu do figurino demarcado pelo exercício do poder no Brasil, JB se tornou o mais popular julgador do país (de todos os tempos). Jamais um juiz da Suprema Corte foi tão adorado, mas, ao mesmo tempo, tão odiado, inclusive pelos seus colegas de tribunal, pelo seu irascível temperamento, pela sua incapacidade de dialogar, de buscar consensos.
Penso que a melhor comparação para se definir JB é com Ayres Britto. A personalidade de ambos encaixa-se na demarcação esquadrinhada por Nietzsche, no final do século XIX, que distinguia duas morais: a nobre (aristocrática) e a plebeia (rancorosa). São duas escalas de valores completamente opostas: guerras nobres, aventuras, a dança, os jogos, os exercícios físicos, a poesia, o diálogo, a busca de consenso, as atividades robustas, livres, alegres: isso tudo faz parte da moral nobre, que não tem nada a ver a moral rancorosa, ressentida, odiosa, vingativa, impotente etc.

JB se mostrou independente porque não compactuava com os grandes conchavos entre os donos do poder (elites econômicas e políticas), terrivelmente perniciosos para os interesses da nação. Mas ao mesmo tempo maltratava os advogados assim como seus pares, mostrando-se muitas vezes (como diz a mídia compartilhada) um imbatível “barraqueiro”, identificando-se nessas horas com o pensamento ressentido das massas rebeladas. Daí, aliás, seu prestígio grandioso perante as massas de todas as classes sociais.
Respeitando-as, sabiamente decidiu não ingressar na política partidária, que não é mesmo a sua praia (como disse FHC).
A política não é o locus adequado para quem gosta de tomar decisões sozinho, sem apego, muitas vezes, às formas e solenidades (como fez no mensalão, ao não separar o julgamento dos que não tinham foro privilegiado, negando-lhes o duplo grau de jurisdição, assegurado pelo sistema interamericano de direitos humanos).

JB, que mandou para a cadeia quem violou as bases sagradas da democracia, comprando votos de parlamentares venais e corruptos, se tornou extremamente popular justamente porque conta com perfil populista. Nunca titubeou, mesmo como magistrado ou presidente da Corte, em performar para as massas, usando inclusive gestos e linguagem inteligíveis por elas.
 
Nessa arte mostrou-se insuperável. Proferiu votos importantes (quando aprovou o aborto anencefálico, por exemplo), mas nunca deixou de se mostrar agressivo, autoritário e deselegante em suas manifestações. Ficará para a memória do tempo como um juiz controvertido, sem meio termo: tanto quanto todos os populistas da história (Getúlio, Jânio, Peron etc.), sempre será amado por alguns e odiado por outros (sobretudo pelos que ainda não curaram as cicatrizes nas suas almas dilaceradas pelas ofensas barbosianas).
 
31 de maio de 2014
visão panorâmica

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Um juiz controvertido, porque não se alinhou àqueles que agiram mais ideologicamente, do que legalmente?
Porque tomou decisões que contrariavam a quadrilha escudada pelos podres poderes vigentes e comprometidos?
Popular, porque procurou tornar acessível aos que participaram como espectadores da mídia televisiva, fato inédito, em se tratando do julgamento de uma quadrilha que assombrou o país e as pessoas honestas?
Populista porque se fez inteligível àqueles que acompanharam os seus pronunciamentos?
Releva-se a intolerância da honestidade com o cinismo dos que destilaram sibilinamente as ordens do poder, mas não se faz notar a independência impaciente com a procrastinação e a má fé dos que presuntivamente torcem pelo "happy end" de bandidos que agiram certos da impunidade, porque próximos do poder?
O que a sua arte mostrou, e que ficou bem claro aos olhos da nação, foi a linha "maginot" dos que buscaram a punição exemplar de criminosos.
O ministro Joaquim Barbosa é impar entre os seus pares.
m.americo
 

INDIGENTE

Em seu blogue, o jornalista Fernão Lara Mesquita externou sua visão sobre um decreto publicado esta semana no Diário Oficial da União. A nova norma legal, de aspecto anódino mas de conteúdo tenebroso, assesta um golpe de graça na democracia brasileira. Se vingar, o caminho estará aberto e pavimentado para a implantação de um regime de corporações.

Dou-lhes abaixo amplos trechos do artigo do jornalista. Ao pé da página, vai o link para quem quiser ler o texto integral.
 
Democracia brasileira é enterrada como indigente
 
(Excertos)
 
A democracia brasileira morreu no dia 23 de maio próximo passado e quase ninguém percebeu.
Poderá eventualmente ressuscitar com tratamento de choque e injeções de adrenalina constitucional no coração que parou de bater, mas a decisão de aplicar ou não esse tratamento está, agora, nas mãos do doutor Ricardo Lewandowski e do que mais sobrou dentro do STF depois da saída do ministro Joaquim Barbosa.
 
Sem nenhuma «participação social» e sem perguntar nada a ninguém na sua solitária decisão, a presidente Dilma assinou naquela data o Decreto n° 8.243, publicado no Diário Oficial de 26 de maio. Institui a «Política Nacional de Participação Social». Determina que, doravante, «todos os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta estejam obrigados a usar a participação social para a execução das suas políticas».
 
Pedro Pontual, diretor de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência, explica que esse expediente vai «transformar os instrumentos criados para este fim em um método de governo, oficializando suas relações com os novos setores organizados e as redes sociais».
 
De ministérios a agências reguladoras, portanto, tudo estará de agora em diante submetido a esses «novos setores organizados». A «relação oficial» com eles se dará mediante convocações dirigidas aos nove conselhos que a augusta presidenta houve por bem criar. Suas rotinas de trabalho (não remunerado) e o método de escolha de seus integrantes serão definidos por meras portarias editadas pela Secretaria-Geral da Presidência da República, do ministro Gilberto Carvalho.
 
Pelo decreto de Sua Augusta Majestade, os nove “conselhos” serão os seguintes:
 
1) conselho de políticas públicas
2) comissão de políticas públicas (sic)
3) conferência nacional (sic)
4) ouvidoria pública federal
5) mesa de diálogo (sic)
6) fórum interconselhos (sic)
7) audiência pública
8) consulta pública
9) ambiente virtual de participação social
 
O decreto não explica o que será feito do Poder Legislativo eleito por todos nós para cumprir exatamente essa função, nem tampouco do Poder Judiciário e de seus órgãos auxiliares tais como tribunais de contas e agências setoriais. Mantida essa aberração como está, é fácil inferir.
 
A lógica da coisa, mesmo vazada na linguagem quase sempre incompreensível de dona Dilma e seus auxiliares, é absolutamente transparente e evidente. Se depender deles, ninguém reclamará o corpo: a democracia brasileira será enterrada como indigente.
 
31 de maio de 2014
Fernão Lara Mesquita é jornalista.

SABE COM QUEM CÊ TÁ FALANDO?

                 

a1

 
Você pode nem se ter dado conta. Mas entre a quarta-feira e o sábado passados rolou na quase surdina que é o dado que mais terminantemente define a profundidade do drama que o Brasil está apenas começando a viver, uma dessas histórias que explicam como e porque este país mergulhou tão profundamente no estado de anomia e prostração moral em que parece estar condenado a purgar seus pecados sabe-se lá por quantos anos pela frente ainda.
 
76 ônibus incendiados depois, alguns deles com gente dentro, inclusive crianças, São Paulo e outras 16 cidades da insana mancha urbana em que esta megalópole se transformou viveram, naqueles dias, os maiores congestionamentos de trânsito de toda a sua história com mais de 2 milhões de trabalhadores forçados a voltar para suas casas a pé, em longas marchas sob a chuva, enquanto pipocavam nos jornais, em sequência aparentemente absurda, as notícias dando conta de acordos salariais firmados entre sindicatos e empresas de ônibus seguidos de “greves” e depredações dos carros dessas mesmas companhias.
a1Da esquerda para a direita, Luiz e Senival Moura e "Pad": "Parabéns a você"
Foi no meio desse tiroteio, com o prefeito Fernando Haddad acusando a polícia do governador Alkmin de não agir contra os depredadores, que a imprensa “teve acesso” a um documento bombástico: o Boletim de Ocorrência (BO) de 17 de março passado lavrado pela 6a Delegacia de Polícia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro dando conta do flagrante dado no deputado estadual Luiz Moura, do PT de São Paulo, umbilicalmente ligado ao Secretário Municipal de Transportes Jilmar Tatto, numa reunião para “ajuste de condutas” com 13 membros do PCC a facção que comanda o crime organizado em todo o Brasil a partir de presídios paulistas, e mais 26 indivíduos ligados aos sindicatos e “movimentos sociais” envolvidos com o transporte público em São Paulo na sede da Cooperativa Transcooper, de “perueiros” e afins, comandada pelo ilustre deputado.
 
Irmão do vereador Senival Moura, também do PT, que é fundador e presidente do Sindilotação e presidente da Comissão de Trânsito e Transporte, Lazer e Gastronomia (!!) da Câmara Municipal de São Paulo, Luiz Moura vem a ser um ex-presidiário recolhido a uma penitenciária do Paraná em 1990 por flagrantes de assalto à mão armada – nada que a presidente Dilma também não tenha feito nos bons tempos – para cumprir a pena de 12 anos e meio de prisão a que fora condenado.
 
a12

 
Menos de um ano e meio depois, porém, Luiz Moura fugiu da prisão e passou os 10 anos seguintes na clandestinidade como foragido da polícia – nada, outra vez, que gente como o ex-ministro da casa Civil de Lula, José Dirceu, não tenha feito também.
Nesse período começou a trabalhar como “perueiro” e a construir, junto com o irmão, o que viria a ser um futuro brilhante.
 
Tudo começou quando Marta Suplicy se tornou prefeita de São Paulo na eleição de 2000. O primeiro “abacaxi” que ela teve de descascar foi o problema dos “perueiros” clandestinos que competiam deslealmente com os concessionários de transporte licitados pela Prefeitura e que viviam fazendo acampamentos e malcheirosas “sardinhadas” na porta do Palácio das Indústrias, de onde, na época, madame “prefeiturava”.
 
A “culpa” por tudo, claro, era da “política econômica de desemprego do governo Fernando Henrique” o que levou a prefeita Marta Suplicy a cooptar os “perueiros” e, assim, animá-los a se transformar num problema crônico.
 
a11

 
Foi dentro desse contexto que o então foragido da penitenciária, Luiz Moura, apresentado à prefeita por Jilmar Tatto, fez por merecer tornar-se o homem de confiança de sua excelência para “resolver” a crise.
 
Mas cessa exatamente aí a hipótese de ausência de dolo na relação que, a partir de então, estabeleceu-se entre este senhor e o PT. Que Marta não conhecesse suas relações com o PCC e nem sua ficha na policia e tivesse aceitado essa “ajuda” num momento de desespero para serenar um conflito que se estendeu por mais de dois anos de seu governo, vá lá.
Mas não foi isso que aconteceu.
 
Encarregado pela prefeitura, Luiz Moura, com os métodos que hoje tomaram as ruas de todo o país literalmente de assalto, passou a “organizar” os perueiros independentes – que, naquele momento eram realmente desempregados a procura de um “bico” – em “cooperativas”.
 
Na verdade esses independentes eram – e continuam sendo até hoje, segundo investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público – forçados a “aderir” às cooperativas que ficam donas de seus carros e das quais se tornam empregados, na maioria das vezes em transações que sequer envolvem papéis. Quem descumpre o que lhe foi imposto ou fala no assunto aparece invariavelmente trucidado a tiros, o que dificulta ainda mais as investigações.
 
a8

 
Desde então todo o segmento de transporte público das capitais brasileiras – por onde corre dinheiro muito grosso e é fácil desviar fundos para campanhas eleitorais – vem sendo tomado pelo crime organizado. A disputa pelos sindicatos do setor em São Paulo é conhecida pela truculência. 16 candidatos já foram assassinados. 18 diretores do Sindicato de Funcionários de Ônibus foram detidos por enriquecimento ilícito e formação de quadrilha, entre eles os dois que disputaram a última eleição, Isao Hosogi e José Valdevan de Jesus, o vencedor.
 
Em 2006, quarto ano do PT no poder federal, final do primeiro mandato de Lula e véspera da disputa presidencial entre ele e Geraldo Alkmin, com Cláudio Lembo recém chegado ao Palácio dos Bandeirantes para substituir o candidato do PSDB e Marta Suplicy pré-candidata ao governo de São Paulo, comandos do PCC começaram, do nada, a assassinar policiais por toda a cidade com requintes revoltantes de violência e acinte contra suas famílias e os poderes constituídos até conseguirem instalar uma guerra aberta que colocou a maior cidade do país em virtual estado de sítio.
 
Coincidentemente, na época, o maior trunfo eleitoral do governador Alkmin eram os números da segurança pública. Ele tinha conseguido baixar em 80% o numero de assassinatos em São Paulo, fato que foi cuidadosamente sonegado à opinião pública brasileira pela imprensa até se tornar finalmente mais “badalado” quando, ha menos de dois anos, o feito foi saudado e recebeu um prêmio especial da ONU.
 
a6

 
Nesse mesmo ano de 2006, a vida de Luiz Moura começou a mudar. Orientado por bons e poderosos amigos ele assinou, em 2005, um “atestado de pobreza” para comprovar que não tinha vivido do produto dos assaltos que praticou (declarou uma renda anual de R$ 15.859,00), e conseguiu “reabilitação na Justiça por bom comportamento tanto público como privado” (aferido nas ruas?!!), com apagamento de toda a sua ficha pregressa e dos anos de prisão não cumpridos. Os pormenores desse processo que resume bem no que se transformou o Brasil podem ser encontrados neste link
 
 
De lá para cá a Transcooper, a sua cooperativa pessoal com sede em Itaquera tornou-se detentora de concessões para a exploração de transporte público em três áreas da Zona Leste da cidade que lhe renderam, só nos últimos três anos, um faturamento de R$ 1,8 bilhão.
 
Em 2010, quando candidatou-se a deputado estadual pelo PT, a vida de Luiz Moura já tinha virado outra. Ele declarou ao Tribunal de Contas a posse de 11 propriedades e participações em empresas de transporte público e redes de postos de gasolina num valor total de R$ 5.125.587,00!
 
Rápido como um raio e sem medo do famigerado computador da Receita Federal, igual ao da Nasa, capaz de detectar qualquer centavo “suspeito” em circulação no Brasil.
 
a3

 
Mesmo com todo esse dinheiro no bolso, o atual secretário de Transportes, Jilmar Tatto, cuja família se fez na “política” incentivando invasões nas margens de Guarapiranga e trocando por votos as posteriores regularizações das áreas invadidas, fez questão de se apresentar como o maior doador individual da campanha eleitoral de Luiz Moura, com R4 201 mil. Outra que fez doações foi Marta Suplicy, com R$ 35 mil.
 
Hoje, segundo o Gaeco, há provas conclusivas de que quatro das nove cooperativas de transporte em operação em São Paulo pertencem ao PCC. Sobre as outras cinco só ha indícios. Senival Moura, irmão de Luiz, tornou-se o vereador mais votado do PT e a “Bancada do PCC” na Câmara Municipal de São Paulo inclui pelo menos quatro, possivelmente cinco membros perfazendo 10% do total.
 
Em março deste ano, finalmente, Luiz Moura, cujo sítio de internet abre-se sob o dístico "2014, Ano de Muita Paz" foi flagrado “ajustando condutas” com nada menos que 13 membros da cúpula do PCC, entre os quais o famigerado assaltante do Banco Central no Ceará (R$ 164,8 milhões), Carlos Roberto Maia, o Carlinhos Alfaiate, foragido da Justiça. Dois dos membros do PCC capturados nessa ocasião mantinham vínculos formais com cooperativas e empresas de transportes públicos. Os outros 11 não. Estavam lá apenas e tão somente na condição de membros graduados da organização criminosa.
 
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Foi em função desse “ajuste de condutas” que a organização padronizou o esquema que tem paralisado o país. Como o controle dos sindicatos e cooperativas do setor é o que está em jogo a ação se dá na sequência dos acordos salariais celebrados entre eles e as empresas visadas. Uma moto com um carona encosta na janela do motorista do ônibus, aponta-lhe uma arma, eventualmente manda os passageiros descerem, e a dupla incendeia o ônibus (possivelmente os dos concorrentes que mais lhes resistem) ou simplesmente, com mais brandura, retalha os pneus a faca depois de atravessar o veículo na rua para fechar a passagem, forçando assim as “greves” que nem os trabalhadores nem os sindicatos desejam e de que tanto o prefeito do PT quanto o governador do PSDB ficam loucos para se livrar.
 
Poucos dias depois do flagrante da polícia na Transcooper cabe registrar, Luiz Moura fez aniversário comemorado numa festança comandada por ninguém menos que o ex-ministro da Saúde e candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, aquele que era carinhosamente chamado de “Pad” nos telefonemas gravados pela polícia federal entre o “líder” André Vargas, do PT e o doleiro Youssef para tramar o roubo de dinheiro da saúde dos pobres. Conversas captadas, diga-se de passagem, nos mesmos “grampos” que registraram as falcatruas dos ladrões da Petrobras que o ministro amestrado de dona Dilma no STF mandou soltar da prisão.
 
a18

 
Quem ainda não sabe com quem está falando quando fala com o PT no Brasil, portanto, não sabe rigorosamente porque não quer.
A violência, a corrupção e o crime sempre foram o caldo de cultura no qual se criou a escória do peleguismo sindical que é o que sobrou do partido que hoje governa o Brasil conforme a receita prescrita por Getulio Vargas apud Juan Domingo Perón e Benito Mussolini. Os sindicatos são criados do nada para mamar na teta do imposto sindical e as “eleições” por aclamação pela posse desses sacos sem fundo sempre foram disputadas pelos mesmos métodos com que o PCC disputa o controle de celas e penitenciárias, agora usados em escala nacional para a disputa do “território” privativo que o PT parece ter concedido ao aliado PCC – o dos transportes públicos – como fez com o resto das fatias em que picou o Brasil e distribuiu para outros criminosos de métodos um pouco menos primitivos.
 
As relações do partido que inaugurou a jornada nacional da sua marcha para solapar o regime republicano no Brasil com o assassinato de Celso Daniel com o crime organizado não são propriamente novidade.
 
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13 tiros no rosto, furando antes as mãos que Celso Daniel estendeu na direção de seus executores foi o primeiro sinal do que viria, mas isso era coisa desde sempre previsível à qual o Brasil resistiu por quatro disputas presidenciais seguidas. Afinal, o PCC é o último desenvolvimento da organização do crime no Brasil que começou, como se sabe, com as “aulas” ministradas a criminosos comuns perigosos por terroristas da “luta armada” dos anos 70, alguns dos quais hoje governam o Brasil, nos mesmos presídios e celas em que foram ambos encerrados pelo regime militar.
 
As notórias relações do partido com as FARC, a guerrilha colombiana que se apossou do grosso da produção e do tráfico de cocaína em toda a América Latina e dela para o mundo, assim como os ingentes esforços do partido para impedir ações afirmativas internacionais e dar tempo a todo e qualquer genocida em ação no mundo para completar suas obras de extermínio físico de toda e qualquer oposição são a face internacional dessa fronteira sempre difusa entre o lulopetismo e o crime.
 
Os fatos que o indicam têm se sucedido com tanta regularidade que qualquer sujeito que não tenha sido lobotomizado já considerou a altíssima probabilidade de que tão impressionante série de coincidências entre as ações do PCC e outras organizações criminosas e os interesses do PT e seus aliados internacionais possam não ser fruto de mero acaso.
 
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Que dirá o profissional da desconfiança que deve ser o jornalista digno desse nome!
E no entanto, embora todos os jornais e TVs brasileiras mantenham plantonistas e informantes dentro das principais delegacias de polícia, ou comuniquem-se diariamente com os palácios de governo, inclusive o dos Bandeirantes, obviamente interessado em que essa informação chegasse ao público, foi preciso que o secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo, Marcio Aith, dissesse ao vivo, no programa do Datena, da Rede Bandeirantes, durante uma altercação com Jilmar Tatto o que constava do Boletim de Ocorrências que registrou as intimidades do deputado Luiz Moura com os chefões do PCC em plena guerra dos ônibus para que o assunto viesse finalmente a público.
 
Mesmo assim, os únicos órgãos da imprensa paulista a darem sequência ao caso no dia seguinte com o merecido destaque foram a Folha de São Paulo e o segmento eletrônico da coluna de Reinaldo Azevedo na Veja. O Estado de S. Paulo e as Organizações Globo como um todo fingiram que não sabiam de nada.
 
A Globo continua fingindo que não sabe de nada até hoje. A direção de redação do Estado acabou por registrar laconicamente os acontecimentos só no sábado, mas tomando o cuidado de fabricar mais uma manchete com o famigerado “caso Alstom”, para fazer-lhe a devida sombra.
E desde então esse assunto tão pouco jornalístico saiu da pauta de todos.
 
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O Brasil chega, portanto, às vésperas de uma eleição que pode ser a última, posto que o PT vem ostensivamente desmontando instituição democrática por instituição democrática do país e colocando títeres notórios pela sua falta de qualificação no comando de cada instrumento de controle do Poder Executivo certamente não porque queira prolongar a vida da democracia brasileira, muito mais graças à irresponsabilidade dos donos de redes de televisão e empresas jornalísticas que não têm nenhuma familiaridade com a profissão e vêm a imprescindível função institucional da imprensa nas democracias, ou como um empecilho, ou como uma ferramenta para se locupletarem, do que por uma real competência do PT na arte de enganar a todos o tempo todo.
 
O PT é o que é. Quem está lesando a pátria é quem tem, por ação ou por omissão, insistido em manter-se conivente, ou com sujeitos disfarçados de editores que dão provas diárias de que não passam de falsificadores de fatos, ou com idiotas ineptos ocupando postos críticos do sistema imunológico da democracia brasileira no momento em que ela passa pela mais grave ameaça de sua curta história de ser tomada por um microrganismo mortífero.
A alternativa é irelevante. Nenhuma das duas atitudes é desculpável.
 
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31 de maio de 2014
by fernasl