"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

POR QUE HÁ TANTA CORRUPÇÃO NO BRASIL?

Deolho-corrupt


                
A ingerência absurda do Estado na vida da sociedade brasileira está na raiz do problema, conforme afirmo neste artigo publicado na edição dominical (05/01/2014) do Jornal O Povo de Fortaleza:

Entram governos, saem governos, e uma variável insiste em persistir no cenário político brasileiro: a corrupção. A impressionante recorrência de escândalos envolvendo malversação de recursos públicos leva à questão: por que há tanta corrupção no Brasil?
Há, na certa, muitos fatores. Mas é importante entender, em primeiro lugar, que o brasileiro não nasce corrupto. A corrupção no Brasil é fruto das nossas instituições, moldadas por séculos de tradição ibérica, patrimonialista e cartorialista, onde o público se confunde desde as entranhas com o privado. Somos a república dos cartórios, dos alvarás, das concessões e, sem surpresa, do jeitinho. Criam-se dificuldades para, logo em seguida, oferecerem-se facilidades devidamente comissionadas ao agente público que presta o serviço, claro.
Adicionalmente, vemos em curso no país o desenvolvimento de um perigoso “capitalismo de compadres”. Torna-se cada vez mais rentável para uma empresa o investimento em “empreendedorismo político” e o atendimento às demandas de agentes públicos – em contraposição ao empreendedorismo de mercado, buscando a inovação e o atendimento às necessidades do consumidor. Quando tarefas tão prosaicas e, ao mesmo tempo, tão vitais ao crescimento e desenvolvimento do país, como a abertura de um negócio, a obtenção de uma licença ou o pagamento de tributos tornam-se tão complexas, é natural, e até instintivo, que os agentes busquem maneiras de contornar tais obstáculos. Acaba se tornando uma questão de sobrevivência em muitos casos. Some-se a isso a falta de uma cultura de transparência e prestação de contas por parte dos poderes públicos e um sistema penal leniente e temos um terreno fértil para a corrupção em suas diversas formas.
Sair desta lógica demanda a redução da participação estatal na sociedade. É necessário que o governo limite sua atuação a algumas poucas áreas (segurança, educação, saúde e infraestrutura básica), deixando o resto à iniciativa privada. Mundo afora, a correlação entre grau de intervenção do Estado na economia e os índices de corrupção é inequívoca. É também uma questão de bom senso: quanto maior a participação do Estado na economia e a autoridade conferida a seus agentes, maiores são as oportunidades de corrupção.
A iniciativa para uma mudança de tal profundidade não partirá de nossa classe política, zelosa em manter seus poderes e privilégios. Mas políticos também são indivíduos racionais que respondem a incentivos. Cabe, portanto, à sociedade brasileira dar-lhes o sinal por meio das instituições democráticas: queremos mais liberdade e menos Estado em nossas vidas. Somente assim nos livraremos da chaga da corrupção, que corrói diariamente nossas instituições e trava nosso desenvolvimento.
 
P.S.: Esse artigo é uma versão condensada deste outro: "Por que há tanta corrupção no Brasil?" (Fábio Ostermann)

08 de janeiro de 2014
in ordem livre

STF MANDA RECOLHER MELIANTE DO PT: JOÃO PAULO CUNHA VAI PARA A CADEIA



 
Enquanto o Ministro do STF Joaquim Barbosa, faz com que se cumpra a lei e determina que o Deturpado PTralha João Paulo Cunha vá fazer companhia aos outros condenados do Mensalão Zé Dirceu e Delúbio Soares no presídio da Papuda.

Uma "legião" de militontos PTralha se posta diante da sede da PF para protestar contra a prisão do MENSALEIRO CORRUPTO, como mostra a imagem acima.

Movidos pelo espírito de uma garrafa de 51 e um pão com ovo, os militontos farão vigilia em forma de protesto. 

Legal mesmo seria ver essa parelha de cretinos definharem até a morte por fazerem greve de fome em solidariedade ao meliante mensaleiro. O mundo ficaria livre de dois mediocres.

Cunha indo bater com o costado no xadrez será o segundo deturpado com mandato do PT a ir parar na cadeia por corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha.
Etc...etc...etc...

E pelo que parece o histérico deturpado afirma que não irá renunciar ao mandato e na pocilga federal que é o congresso, ninguém por lá terá peito para cassa-lo, e assim o Brasil vai se tornando uma aberração institucional diante do mundo.

Bem, vamos aproveitar o momento, já que em breve Barbosão deixa a presidência do STF e Lewandouiski assume, e certamente os mensaleiros sairão da cadeia através de alguma maracutaia jurídica imoral.
Mas...enquanto isso...
 
08 de janeiro de 2014
omascate

INFORME-SE ANTES DE COBRAR A OPOSIÇÃO


 
 
Existe, por parte de alguns militantes da oposição, uma vocação para o haraquiri. Falam mal de Aécio Neves porque ele não faz críticas e do PSDB porque não aproveita fatos que estão nas redes e no noticiário. Não lêem nem ao menos os materiais do partido, que estão disponíveis nos seus sites e redes sociais.
 
Vejam um comentário postado neste blog:
 

 
 
 
 
 
 
 
 
Ora, a notícia acima citada pelo comentarista anônimo foi produzida e postada pelo PSDB em seu site. Aí o mal informado a repercute criticando quem a produziu!  Clique aqui para ler.  
 
Criou-se uma lenda, alimentada pelo PT e pela esquerda, de que o PSDB não faz oposição. Faz e muito. Não existe propaganda semanal na TV. Existem dois programas anuais que geram o mesmo tempo em comerciais avulsos. São dois espaços de 10 minutos e, depois, a cada semestre, 20 comerciais de 30 segundos. Esse é o espaço. Como ele é mínimo diante do massacre midiático do governo ( quantos pronunciamentos Dilma fez em 2013?), os temas a serem tratados devem ser: saúde, educação, segurança, transporte, inflação, juros, que interessam a todos. Mais da metade dos eleitores não sabe onde fica Cuba. E este problema dos portos não se explica em 30 segundos.
 
Portanto, um conselho aos críticos apressados: antes de ajudar o PT com bobagens contra o PSDB, informem-se! Ou peçam ajuda. O blog está à disposição.
 
08 de janeiro de 2014
in coroneLeaks

MARIA DO ROSÁRIO: VOCÊ TEM CARÁTER?

Maria do Rosário é Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
No Maranhão, os presos estão sendo DECAPITADOS!!!
Sim, você leu direito: existem imagens de presos esquartejados e decapitados.
Sabe o que a ministra Maria do Rosario disse a respeito?????
NADA... NADA... NADA.... afinal ela está de férias.

Maria do Rosario é aquela mesma senhora que
disse no twitter que o boato sobre o fim do bolsa família deveria ter partido da oposição...

Maria do Rosario, a senhora é a Ministra que, no papel pelo menos, deveria zelar pelo cumprimento dos direitos humanos no Brasil. A senhora não tem vergonha na cara???? A senhora tem caráter??? O que esta esperando para suspender suas férias e ir imediatamente ao Maranhão?????

Presidente Dilma, o que a senhora tem a dizer sobre o comportamento da ministra?

Chega um momento em que a indignação toma conta das pessoas de bem.

Se você ainda não esta indignado com esse governo, então sugiro escrever uma carta de apoio a ministra dos Direitos Humanos.... esta na hora de colocarmos as cartas na mesa: você apoia a barbárie ou defende a civilização?
08 de janeiro de 2014
in Adolfo Sachsida

O CONGRESSO ESTÁ MUITO LONGE...


 
 
 

PSB CHAMA PT DE SEITA FUNDAMENTALISTA


(adaptação)

Sobre nota publicada no perfil oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) no Facebook, intitulada “A Balada de Eduardo Campos”, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) considera que:

1. Fica evidente o desespero da direção do Partido dos Trabalhadores frente à discussão democrática do PSB em ter candidato próprio à Presidência da República em 2014. Tal desespero só demonstra a força das ideias e do debate que o PSB está propondo, sendo a real alternativa para que o Brasil avance nas mudanças que o povo brasileiro clama e precisa;

2. É impossível negar os avanços que o Governo de Pernambuco obteve nos últimos sete anos, sob o comando do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Alegar que o sucesso do Governo de Pernambuco deveu-se a ajuda federal é, no mínimo, ingênuo, pois tal ajuda se fez presente a todos os Estados, inclusive aqueles dirigidos pelo PT, que não tiveram a mesma capacidade de formulação de projetos, planejamento e execução que o Governador Eduardo Campos, o mais bem avaliado e aprovado do país, reeleito com a maior votação da história do seu Estado.

3. Além do ataque covarde e despolitizado ao Governador Eduardo Campos, a nota ainda usa termos chulos para tratar a ex-senadora Marina Silva, líder da Rede Sustentabilidade e filiada do PSB, uma ativista reconhecida internacionalmente pela sua defesa do desenvolvimento sustentável e figura de postura ímpar na política brasileira.

4. A nota revela que a parcela que hoje domina o PT perdeu completamente seu espírito republicano, abandonou seu norte politico e transformou-se numa seita fundamentalista que ataca qualquer um, mesmo sendo um importante ator do campo das esquerdas, que discorde em qualquer medida da atual condução política e econômica do país e das velhas práticas políticas que se assiste em Brasília;

5. O PSB manter-se-á firme na propositura de mudanças profundas na forma de se fazer política no Brasil, resgatando a dignidade dos partidos e agentes politicos, tão desgastados pela descompostura daqueles que hoje formam a aliança que dirige Brasília.

6. Por fim, o PSB clama à sociedade brasileira que rechace a forma desrespeitosa, patética e desqualificada com a qual o Partido dos Trabalhadores está tentando conduzir o debate pré-eleitoral de 2014.
 
O Brasil merece respeito.

08 de janeiro de 2014
Beto Albuquerque
Líder do PSB na Câmara dos Deputados

OS DECAPITADOS E O SILÊNCIO VERGONHOSO DE MARIA DO ROSÁRIO, JOSÉ EDUARDO CARDOZO E... DILMA

Os decapitados de Roseana também são os decapitados do PT.


Os decapitados da governadora Roseana Sarney também são os decapitados do PT, o que explica o silêncio vergonhoso de Maria do Rosário, ministra dos Direitos Humanos, e José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, a quem está subordinado o sistema penitenciário nacional.
 
Pouco destaque se dá ao fato, mas o PT elegeu o vice-governador na chapa encabeçada por Roseana. A composição foi uma imposição de Luiz Inácio Apedeuta da Silva. O petista Washington Luiz era o vice-governador até novembro do ano passado. Renunciou para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Deu-se bem: arrumou um emprego permanente até os 70 anos…
 
No Maranhão das decapitações, o PT é poder, o que explica o silêncio dos companheiros, inclusive da companheira Dilma Rousseff. Por muito menos, essa gente já falou pelos cotovelos. Lembremo-nos da gritaria quando se deu a tal desocupação do Pinheirinho, em São Paulo. A Polícia Militar cumpria uma decisão judicial. Os extremistas de esquerda infiltrados entre os moradores incitaram o confronto com a polícia. Um assessor do ministro Gilberto Carvalho estava na turma.
Maria do Rosário falou.
José Eduardo Cardozo falou.Gilberto Carvalho falou.
Dilma falou — achou a desocupação uma “barbárie”.
 
Felizmente, ao contrário do que alardearam petistas e afins, não morreu ninguém na operação. Denúncias de maus-tratos e espancamentos vieram a se provar falsas. Em Pedrinhas, no entanto, é tudo verdade. Os petistas não disseram um “a”. Dilma não deve achar aquilo… barbárie!
 
O governo do Maranhão comentou, sim, o vídeo que exibe as decapitações. Por incrível que pareça, numa nota que espanca o bom senso e a língua, preferiu criticar a divulgação das imagens. Numa nota, disparou o seguinte:

“Divulgar esse tipo de gravação é repudiante, pois só corrobora com uma ação no mínimo criminosa, com apelo sensacionalista e que fere todos os preceitos dos direitos humanos e as leis de proteção ao cidadão e à família [dos detentos mortos], que se vê novamente diante de uma exposição brutal”.
 
Repudiante? O valente que redigiu esse troço pode ter querido dizer “repugnante”.
O Maranhão desafia a lógica e o bom senso.
Há estiagens, sim, no estado — neste ano 81 municípios sofrem com a falta de chuvas. Mas não há a seca propriamente.
 
Não obstante, como demonstrou reportagem da VEJA.com, está em penúltimo lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano. Só ganha de Alagoas. E tem, atenção!, a menor renda per capita do país: apenas R$ 348 reais. Só 4,5% dos 217 municípios do estado contam com rede de esgoto. Segundo o IBGE, 20,8% dos maranhenses são analfabetos.
 
Por que evocar esses dados num texto que trata da decapitação de detentos? Porque tanto esse show de horrores como os dados sociais do estado remetem a uma mesma questão: a verdadeira tragédia do Maranhão não está na geografia; a verdadeira tragédia do Maranhão não está no clima; a verdadeira tragédia do Maranhão não está na natureza.
O mal do Maranhão muda de prenome, mas não muda de sobrenome. Chama-se Sarney.
 
O homem está no poder, no estado, pessoalmente ou por intermédio de prepostos, desde 1966. Só a ditadura dos Irmãos Castro, em Cuba, é mais longeva, Sarney também construiu a sua ilha de atraso. Nestes 48 anos em que o estado está sob a gestão da família, sucessivos governos se encarregaram de transformar a vida da população numa rotina de pobreza e desesperança.
 
Mas vocês não precisam acreditar em mim. Acreditem na voz do patriarca. Em dezembro, ele concedeu uma entrevista à Rádio Mirante, que pertence à sua família. Em um ano, 59 detentos já haviam sido assassinados. O homem disse esta preciosidade:
 
“Aqui no Maranhão, nós conseguimos que a violência não saísse dos presídios para a rua”.
 
Graaande pensador! Como se nota, ele conseguia ver algo de positivo naquelas ocorrências trágicas. Os detentos devem ter ouvido a sua ladainha macabra e ordenaram aos “companheiros” que estavam nas ruas que botassem o terror na população.
A menina Ana Clara Santos Souza, de 6 anos, morreu às 6h45 de segunda-feira no Hospital Estadual Infantil Juvêncio Matos, em São Luís. Ela teve 95% do corpo queimado em um ataque a um ônibus ocorrido no dia 3.
A ordem para atacar os ônibus saiu… dos presídios para as ruas.
 
Não creio que Dilma tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Maria do Rosário tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que José Eduardo Cardozo tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Gilberto Carvalho tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
 
Os petistas só são defensores fanáticos dos direitos humanos no quintal dos adversários
 
08 de janeiro de 2014
Reinaldo Azevedo

A HORA DO BRASIL É AGORA

 

O início do ano é tradicionalmente um período de otimismo e esperança. É quando os planos se renovam e há força de vontade o bastante para novos impulsos e movimentos. Eu acredito que 2014 será um grande ano para o Brasil. E acho que você, leitor, tem bons motivos para acreditar nisso.

Apesar do linguajar presidencial cada vez mais sombrio (pessimismo, nervosismo, guerra psicológica etc), 2014 tem todos os ingredientes para ser memorável.
Será intenso e dramático, com grandes encontros coletivos e acaloradas decisões. O sentimento pode se manifestar de um jeito ou do avesso. Não dá para prever.

Independentemente do que vier, essa capacidade que as decisões nacionais têm de nos mobilizar (e de nos emocionar) nada tem a ver com essas imagens sinistras de ruptura e de inconciliação. Somos um república jovem, solar e impetuosa. Ninguém vai abrir mão de pensar e de agir por causa dessas assombrações autoritárias.

Um governo velho e retrógrado precisa, necessariamente, encarnar este sentimento de repulsa à mudança. Para quem celebrava a vitória da esperança contra o medo, é no mínimo bizarro observar a reconstrução desse discurso obscurantista. Maior o monstro, melhor se justifica a manutenção das coisas como estão.


Mas dá para esconder a obra grandiosa do atual governo? Na economia, um monte de besteiras. A marca será o menor PIB desde Collor.

As privatizações, quem diria, salvaram o ano -- embora tão malfeitas que o Galeão valeu mais do que o Pré-sal. Nos serviços públicos, avanço zero. A miséria acabou (mas por decreto).

A história é fortuita e aleatória. 2014 pode virar o que ninguém esperava. Ou melhor, tornar-se, enfim, o que todos desejam.

O linguajar soturno do Palácio do Planalto prenuncia o estado de espírito desse governo diante da possibilidade (incontornável) que os brasileiros têm de mudar.

Esta vivacidade democrática do Brasil é forte como uma correnteza. Contra ela não há marqueteiros ou trambiques com números do governo que resistam.

Num estalar de dedos e a maré vira. O que era claro e certo acaba rejeitado e varrido. Apesar do caldeirão borbulhante do governo, 2014 tem tudo para ser um grande ano.

08 de janeiro de 2014
José Aníbal é economista, deputado federal licenciado e ex-presidente do PSDB.

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

Vaquinha de petistas para pagar multas de mensaleiros vira piada nas redes sociais
 
 

 
Dirigentes do PT começam a discutir hoje, em caráter supostamente pessoal e pretensamente não partidário, se é viável “fazer uma vaquinha” para ajudar no pagamento das multas impostas pelo Supremo Tribunal Federal aos filiados do partido condenados na Ação Penal 470. O caso mais urgente é o socorro financeiro ao deputado aposentado José Genoíno, cuja família alega não ter como pagar os R$ 468 mil no prazo fatal de 10 dias.
 
A vaquinha petista terá de funcionar depressa. Se o preso domiciliar Genoíno não pagar a multa, no prazo determinado pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, entrará para a lista negra do Cadastro da Dívida Ativa da União. Assim, seu santo nome será negativado como inadimplente na Serasa Experian. A ajuda a Genoíno, claro, virou piada nas redes sociais. O mais engraçado será os fanáticos militantes petistas dando seu dinheirinho para ajudar seus dirigentes em apuros.
 
José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha também terão que pagar multas, mas os valores exatos ainda não foram calculados pela Justiça. O líder da vaquinha petista, Emídio de Souza, presidente do Diretório Estadual do PT de São Paulo, alega que Genoíno e João Paulo não têm condições de pagar as multas – embora recebam proventos de deputados federais. Já Delúbio e José Dirceu, ele não garante. Outra dúvida cruel: será que Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido por ser "mão de vaca", vai ajudar seus companheiros na vaquinha? Só o Boi pode saber...
 
Genoíno sofre desgaste porque ficou eternizada no imaginário popular a imagem de um assessor do irmão dele flagrado com US$ 100 mil escondidos na cueca – e mais R$ 209 mil em uma maleta de mão -, no Aeroporto de Congonhas, em julho de 2005. Milagrosamente, o deputado cearense José Nobre Guimarães se livrou da acusação de envolvimento no episódio. Mesmo sabendo que a grana vinha do esquema de Marcos Valério, o Superior Tribunal de Justiça jogou toda a culpa no aspone José Adalberto Vieira, e PT saudações.
 
O irmão do pobre Genoíno se salvou e virou deputado federal... Desde 2013, é líder do PT na Câmara Federal. Mas o passado ainda lhe causa danos à imagem. Em novembro de 2012, teve seu nome citado em gravações telefônicas legais de uma investigação da Polícia e do Ministério Público cearense na ação que investigava empresários suspeitos de corrupção e fraudes em licitações de prestadoras de serviços a companhias de água e esgoto de municípios de quatro estados. Nas escutas, foi citado até o apelido “Capitão Cueca”..., Mas Guimarães se livrou das acusações...
 
Nessa campanha da vaquinha petista para ajudar os mensaleiros, o mais interessante é o argumento usado pelo dirigente Emídio de Souza, alegando que os condenados não enriqueceram com o Mensalão:         “Eles não acumularam patrimônio. Isso é uma das coisas que me indigna nesse processo”.
 
Pobreza de argumentos

 
Produzindo nosso mascote


Mascote da Copa de 2014 é produzido em fábrica chinesa por operária muito bem paga - (http://goo.gl/sMJYc7)

Mudança providencial


Rainha da Copa


Novo uniforme da Papuda e do Congresso?


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

08 de janeiro de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

MARANHÃO DO CLÃ SARNEY: RETRATO DA BARBÁRIE. VOCÊ QUE ELEGEU O PT, CONCORDA? MAS OS PETRALHAS APOIAM A FAMIGLIA

Colapso nas cadeias do Maranhão reflete décadas de gestão da família Sarney que os petralhas apoiam

 


A sequência de horror registrada nos últimos vinte dias no Maranhão chocou até mesmo uma sociedade já acostumada ao noticiário de crimes brutais.
O banho de sangue, com imagens de presos decapitados e esquartejados na penitenciária de Pedrinhas, na Grande São Luís, já deixou 62 detentos mortos no período de um ano.

O retrato da barbárie nas cadeias maranhenses inclui ainda estupros de familiares de presidiários nos dias de visitas íntimas. Na última sexta-feira, a selvageria ultrapassou os muros do presídio: ataques a ônibus e delegacias espalharam terror nas ruas de São Luís. Uma criança de 6 anos morreu queimada. O criminoso obedecia a uma ordem de dentro do presídio de Pedrinhas.

Políticos costumam culpar os antecessores pelos problemas crônicos enfrentados por suas gestões. Mas a governadora Roseana Sarney (PMDB), no quarto mandato no Maranhão, não poderá fazê-lo: com exceção de um período de dois anos, o Estado é governado desde 1966 pelos integrantes do clã político de José Sarney.
O único revés do grupo ocorreu em 2006, quando Jackson Lago (PDT) derrotou Roseana nas urnas. Mas ele só resistiu até o começo de 2009, dois anos depois da posse: a Justiça Eleitoral tirou o cargo do pedetista sob a acusação de compra de votos. Roseana herdou o mandato, e venceu também as eleições de 2010.

Sarney nunca fez oposição a um presidente da República: apoiou a ditadura militar enquanto lhe interessou e foi pulando de barco até firmar a improvável aliança com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Dos dois, recebe deferências — e o poder de nomear afilhados em órgãos importantes da administração federal. Enquanto isso, os maranhenses convivem com um cenário desolador: segundo dados do Atlas do Desenvolvimento, o Estado tem o penúltimo lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), à frente apenas de Alagoas.

A renda per capita, de 348 reais, é a menor do país. Apenas 4,5% dos municípios do estado têm rede de esgoto.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20,8% dos maranhenses eram analfabetos em 2012. Pior: o número significa um aumento em relação a 2009, quando 19,1% da população não sabiam ler e escrever. Ou seja, durante o governo de Roseana, a situação se agravou — o Maranhão foi o único Estado do Nordeste que regrediu no período.

Um dos poucos índices nos quais o Maranhão não se destacava negativamente no plano nacional era a violência. Mas, como mostra o episódio de Pedrinhas, isto também é passado: entre 2000 e 2010, a taxa de mortes por armas de fogo no Estado subiu 282%.

O surgimento de facções criminosas tornou mais evidente o fracasso do governo nessa questão. O governo do Estado falhou ao evitar o conflito sangrento entre criminosos encarcerados e novamente depois, ao tentar debelá-lo. Por fim, receberá ajuda do governo federal para resolver a situação, com a transferência de detentos para outras unidades prisionais do país.

O Maranhão já era pobre quando Sarney assumiu o poder. E sabe-se que não é fácil resolver o problema do subdesenvolvimento crônico. Mas, em 2014, isso já não pode ser usado como desculpa.

08 de janeiro de 2014
Veja online
 

REDE COCA


 
 
Entrou no ar a Rede Coca, grupo de emissoras de rádio dos produtores bolivianos de folha de coca. Criada pelo Estado, foi inaugurada na semana passada por Evo Morales, que há sete anos acumula a Presidência da República com o comando da federação dos cocaleros.
 
A Bolívia, sob Morales, virou o terceiro maior produtor mundial de coca e cocaína — a liderança é disputada entre Peru e Colômbia. O país cultiva 27 mil hectares de folha e exporta para o Brasil quase toda a produção de cocaína.
 
Hoje, em Nova York, o presidente boliviano vai à ONU defender a legalização da coca. Morales é do tipo que se supera cada vez que fala: “Sinto que a folha de coca vai enterrar o capitalismo”, disse ao entregar a terceira emissora da Rede Coca, em Yungas, arredores de La Paz. É um caudilho à maneira de Manuel Melgarejo, o ditador (entre 1864 e 1871) que se via como instrumento de Deus “para realização de seus misteriosos desígnios, relacionados com o destino da nobre porção da humanidade que povoa a Bolívia”.
 
Alcoólatra, Melgarejo considerava Napoleão “superior a Bonaparte” e abria reuniões ministeriais com um grito: “Silêncio, canalhas!” Numa crise financeira, ordenou a invasão do vizinho Peru para “levantar fundos com empréstimos forçados”. Recuou depois da ressaca.
 
Sóbrio, Morales se vê como uma espécie de missionário da coca. Acha mais importante “defender os direitos da Mãe Terra que defender os direitos humanos”. Mantém uma visão peculiar sobre o papel feminino na sociedade: “Quando vou às vilas, todas a mulheres ficam grávidas e em suas barrigas escrevem: 'Evo Cumpre!'”
É candidato à reeleição, em outubro, com apoio do governo Dilma Rousseff. Pouco afeita à política externa, a presidente abraçou Morales e se meteu em um atoleiro político do qual não consegue sair há 19 meses.
 
Numa tarde de segunda-feira, 28 de maio de 2012, o líder da oposição boliviana, que denunciava o crescimento do poder do narcotráfico no governo Morales, entrou na embaixada em La Paz e pediu abrigo. Dilma relevou os temores do Itamaraty, e deu instruções autorizando o asilo, conforme a tradição e a boa prática política.
 
Não se sabe o motivo, mas em seguida o governo resolveu deixar o senador Roger Pinto Molina trancado num quarto improvisado da embaixada. Passaram-se 452 dias. Em junho de 2013, cansado do silêncio sorridente de Brasília, o diplomata Eduardo Saboia achou que o senador boliviano estava em perigo e o conduziu a Corumbá, em carro da embaixada.
 
Dilma não gostou e trocou de chanceler. Enviou Antonio Patriota a uma estadia paradisíaca na ONU, com direito a mordomias como residência no Upper East Side, em Nova York, entre Madonna e Woody Allen. Mandou para o limbo os diplomatas de escalão inferior (Eduardo Saboia, Manuel Montenegro e Marcel Biato, ex-embaixador), deixando-os sem funções e sob processos sigilosos — até hoje inconclusos.
 
Por fim, submeteu o senador boliviano a um novo tipo de humilhação: o inferno burocrático administrado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Há quatro meses ele promete uma decisão rápida sobre aquilo que a presidente decidiu 19 meses atrás: conceder asilo a um político ameaçado por denunciar o avanço do narcotráfico no governo Morales. Se e quando acontecer, talvez seja notícia na Rede Coca.
 
08 de janeiro de 2014
José Casado é jornalista. Originalmente publicado em O Globo em 7 de Janeiro de 2014.

A REVOLTA CONTRA O SILÍCIO


Os Estados Unidos pós-crise elegeram a plutocracia como alvo de um ódio comungado por todos, dos homeless à classe média hipotecada. Jovens armaram barracas em Wall Street em protesto contra o 1% de endinheirados com a ajuda de smartphones, Twitters e Facebooks.
 
Nenhuma contradição no fato de essa parafernália ser responsável por uma inédita concentração de milionários no outro lado do país, uma vez que ela tornou possível o recente levante árabe. O Vale do Silício seguia blindado da fúria contra o capital. Mas a combinação de ofertas de ação extravagantes, arrogância, esbanjamento e um escândalo de espionagem começa a cobrar seu preço aos geeks.
 
O desconforto virou notícia no início de novembro de 2013, quando 150 pessoas protestaram em frente à sede do Twitter, em São Francisco. Naquele dia, a rede social estreava na Bolsa levantando US$ 2,1 bilhões e dando à luz 1,6 mil milionários. Por causa de empresas como aquela, denunciavam os manifestantes, a cidade que já foi morada de hippies e artistas tem hoje o metro quadrado mais caro do país. Apenas 10% dos imóveis cabem no orçamento de quem ganha o salário médio, e despejos se tornaram uma constante.
 
- Nem mesmo a Corrida do Ouro, no século XIX, produziu tanto lucro na região - lembra Kevin Starr, professor da University of Southern California. - Nenhuma economia do planeta suporta os efeitos negativos desse tsunami de riqueza instantânea. Para o bem ou para o mal, São Francisco desbrava um paradigma econômico nos EUA que refletirá em outros países em seu descasamento de salários e na diminuição da prosperidade da classe trabalhadora.
 
Nada simboliza tanto o conflito quanto os ônibus da Google, que levam funcionários de São Francisco à sede da empresa, em Mountain View, com direito a wi-fi e ar-condicionado. Há algumas semanas, um dos veículos foi bloqueado durante meia hora por manifestantes que acusavam a frota de usar indevidamente os pontos da cidade e de privar o sistema de transportes de receita importante.
 
Em fevereiro, Rebecca Solnit escreveu no “London Review of Books” que os ônibus são a prova de que, “diferentemente de mega-empregadores em outros tempos e lugares, as corporações do Vale não estão muito interessadas em melhorar o transporte público.”
 
Essa é uma face do dogma libertário que reina no Vale, aquele que, segundo críticos, está no cerne de uma ideologia corrompida. Para Evgeny Morozov, que deu aulas em Stanford, o que ele chama de “solucionismo” faz start-ups acreditarem que seus apps e gadgets, não governos, podem resolver os problemas do mundo.
“Eles pensam que tudo o que ajuda a contornar instituições lhes dá, por definição, poder e liberdade. Você pode não conseguir pagar seu plano de saúde, mas se um app alerta para o fato de que você precisa de exercícios, eles acham que estão resolvendo um problema”, contou Morozov à revista “New Yorker”.
 
Em novembro, Morozov publicou o ensaio “Por que temos permissão para odiar o Vale do Silício”, em que advoga a necessidade de combater a “linguagem banal mas eficiente” de empresas como Google e Facebook e reexaminar sua “história furada”.
Ele argumenta que é urgente “reinjetar política e economia no debate”, pois sua ausência permite às corporações refutar como luditas e retrógrados todos os que se opõem aos rumos da “tecnologia” e da “internet”. O próprio vernáculo “digital” esvaziaria a discussão escondendo os reais interesses em jogo: seduzir nossas ansiedade e privacidade com produtos “gratuitos”, engendrados agora em um modelo de negócios monolítico baseado em anúncios.
 
“Por que tudo o que pode ‘destruir a internet’ também arrisca quebrar a Google? Coincidência?”, escreveu. “Permitir à Google organizar toda a informação do mundo faz tanto sentido quanto deixar a petrolífera Halliburton organizar todo o petróleo do mundo.”
 
Morozov é um crítico contumaz, mas mesmo a liberal “The Economist” previu que 2014 será o ano em que “a elite tecnológica se juntará a banqueiros e petroleiros na demonologia pública.” Um dos motivos é a colaboração de gigantes da tecnologia com a Agência de Segurança Nacional (NSA) na espionagem de internautas. Outro está nas manobras de firmas como Apple para deixar de pagar bilhões em impostos nos EUA. Há ainda o esbanjamento de milhões em ocasiões como o casamento de Sean Parker, ex-Facebook, que contratou a figurinista de “O Senhor dos Anéis” e Sting.
 
“Os geeks se transformaram nos capitalistas mais impiedosos. A nova economia já foi uma fronteira aberta. Hoje ela é dominada por um punhado restrito de oligopólios”, observou a revista.
 
O gosto pelo controle se manifesta em muitas formas. O maior investidor da Exxon Mobil controla 0,04% das ações, mas 29,3% do Facebook estão nas mãos de Mark Zuckerberg. Apps, considerados jardins murados por tecnólogos, estão substituindo a web aberta. Coincidência ou não, as principais empresas do setor estão entre as mais secretas que já existiram: a Apple organiza eventos para a imprensa onde é proibido fazer perguntas.
 
Para Alex Soojung-Kim Pang, consultor na Strategic Business Insights, a transição de uma economia baseada em fabricação de hardware para outra de negócios de internet acelerou a acumulação de riquezas a uma velocidade inédita, alterando o DNA do Vale:
 
- Testemunhei a mudança quando ensinei em Stanford, em 2000. Os alunos desenvolviam atitude do tipo “Por que tenho que ler suas baboseiras se ganharei US$ 50 milhões no ano que vem?”.
 
Para Pang, o Vale se tornou um culto à “disrupção”, cuja meta não é apenas o sucesso, mas a destruição de modelos estabelecidos:
 
- O sofrimento de velhos modelos se tornou a métrica do sucesso. Quanto mais os outros perderem, mais eu ganho. Se desenvolvo software de educação, não é o bastante chegar às crianças na África. Preciso que professores sejam demitidos nos EUA.
 
08 de janeiro de 2014
Rennan Setti é Jornalista. Originalmente publicado no caderno Prosa&Verso, de O Globo, em  4 de Janeiro de 2014.

TIRANOSSAURO DO TOM


 

 
Ao fechar do ano, o governo federal puxou para 6,38% o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de quem gasta no exterior com cartões de débito, faz saques com o cartão do banco ou compra traveller checks. Para cartões de crédito, o nível já era esse. Mas para estas novas modalidades de pagamento, a taxa anterior era de 0,38%. 
 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou ao GLOBO que o IOF é regulatório. Seu objetivo é fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de comprar, só isso. “Os gastos dos turistas brasileiros estavam muito elevados,” disse. Tem analista que acha outra coisa. Regulatório nada, querem mesmo é fazer caixa. O aumento é gigante mas, no bolso do consumidor, R$ 5 a mais não fará ninguém deixar de comprar o tênis bacana. De tostão em tostão, o governo faz seu quinhão. Nada disso, porém, é importante. Importante mesmo é o tiranossauro do Tomás.
 
Tom tem três anos, vai fazer quatro. Já é, como faz questão de frisar, um menino “enorme”. (Diz isso estendendo o Ó com vontade: enoooorme.) É também um naturalista. Tudo que é ou foi vivo lhe interessa. Bichos grandes ou pequenos, gosta de pegar insetos, não sai à rua sem catar um galho aqui, uma flor ali. Coleciona sementes bonitas. Gosta de dinossauros. Certo dia viu na loja um que era fora de série. O T-Rex alemão. De plástico, porém pesado. Não enorme, médio. Mas que detalhes. Cada escama da pele, a cor dos olhos, a cara feroz. Bicho feio. Pediu um ao Papai Noel. No Brasil, afinal, o brinquedo custa R$ 163.
 
Composição de preço não é arte para os fracos. É feito na China, mas não só a manufatura barata deve ser levada em conta. Por trás de qualquer brinquedo sofisticado há um designer. Não lhe basta fazer o molde. É preciso viajar à fábrica, escolher os materiais. Selecionar as tintas por usar — sua qualidade e suas cores. Indica como pintar com as máquinas para que o amarelo e o verde se encontrem em tais pontos, com tal efeito. Neste T-Rex, a mandíbula é móvel. Como funciona o encaixe, o que lhe dá resistência, tudo é uma decisão, um teste. Há que ter controle de qualidade. Os alemães o têm. É um brinquedo bonito, dá prazer de ver. Tem custo real para fazer. Na Amazon americana sai por US$ 18. Seria quase R$ 43 aqui.
 
O importador brasileiro precisa de um corretor que sirva de intermediário. O navio da China para o Brasil ou para os EUA não sai tão mais caro assim. Mas as lojas de brinquedo não estão com margens de lucro tão altas que lhes permitam luxos. Os impostos pesam. O que quer o governo?
 
Não está claro o que quer. O ministro da Fazenda deseja que o brasileiro gaste menos com importados. O mercado acha que deseja fazer caixa. Não deve ter combinado com os russos, porque os cortes de gastos na alfândega, segundo informou o GLOBO ontem, deve aumentar o contrabando em 50%. Número do governo. A política para os importados, afinal, qual é?
 
O T-Rex do Tom é um luxo, dirão alguns. Mas não é. Ele é um padrão. A R$ 50, mais crianças poderiam ter um brinquedo de qualidade. Se uma camisa polo Ralph Loren custa num outlet vagabundo de Miami os mesmos R$ 50 é porque ela pode custar isso. Se um jeans GAP chega a R$ 40 na ponta de estoque, a gente paga tão mais por coisa de pior qualidade por quê? No mundo do comércio eletrônico global, o imposto brasileiro não pune a classe média alta. Pune a classe C. São eles os excluídos. São eles que são obrigados a pagar mais do que podem por produtos piores.
 
Um tablet Galaxy Tab 3 de 7 polegadas sai por R$ 700 no Brasil e R$ 400 lá. Na aritmética federal, e isso não era diferente antes de o PT chegar ao Planalto, o imposto alto coíbe em parte as importações e isso devolve uma balança comercial mais generosa. Coíbe também o desenvolvimento da indústria nacional, que não precisa concorrer.
 
Quem acha que o T-Rex do Tom é um luxo não entendeu o mundo. A política inibe acesso a produtos de qualidade e a tecnologia de ponta. É um mercado menor e menor arrecadação de impostos aqui. Pior é o futuro: quando só a elite tem tecnologia de ponta, só a elite terá os empregos de ponta. O que querem os governos não se sabe. Mas sabemos como termina
 
08 de janeiro de 2014
Pedro Dória é Jornalista. Originalmente publicado em o Globo em 7 de Janeiro de 2014.

REPENSANDO O IMEDIATISMO


 
 
 
Viver o momento, aproveitar a vida como se não houvesse amanhã. O passado pesa, o futuro influi, mas o presente decide, é ele que manda. Porque do presente se fará lembrança e ao presente caberá o peso, quando passado, de realizar ou frustrar o futuro sonhado. Há de se convir, justificativas para carpe diem não faltam. Aliás, elas estão enraizadas inclusive em várias religiões, nas quais o futuro e o passado são tratados como ilusões. Bom, em algumas até mesmo o presente seria ilusório. Só que, na prática, e atendo-se à percepção mundana da vida, o futuro acaba chegando, de uma forma ou de outra.
 
Para Bill George, a obsessão dos mercados com a performance no curto prazo prejudica, em última instância, investidores, companhias, executivos e consumidores. Em outras palavras, a ênfase absoluta que se coloca atualmente no imediatismo, com as empresas alterando estratégias de três em três meses, visando sempre a próxima divulgação do resultado trimestral, afetaria negativamente a criação de valor no longo prazo.
 
O acadêmico credita boa parte da ênfase em prazos menores à pressão exercida por investidores ativistas (activist investors), e ressalta que o sucesso das companhias depende, acima de tudo, da criação de valor para os consumidores, o que, no fim das contas, determinará o retorno dos acionistas. Esse tipo de investidor, ativista, é o que comumente se apossa de uma porção significativa de ações da empresa, consegue assento no conselho administrativo e tenta impor diretrizes que se enquadrem nas suas ambições de realização de lucros no curtíssimo prazo, nos mercados de capitais.
 
Na verdade, os mercados financeiros, que são a essencial engrenagem do sistema capitalista atual, estão completamente dominados pelas operações de curtíssimo prazo, onde predominam as ordens de compra e venda executadas por robôs. A abundante liquidez, mantida pelos principais bancos centrais do planeta, vem acirrando ainda mais essa característica. Se bem que, quando os estímulos monetários começarem a ser reduzidos, nada mudará quanto a isso, ou seja, as transações ultrarrápidas continuarão prevalecendo.
 
De concreto, as estratégias empresariais de longo prazo vão se tornando irrelevantes e aquele conceito primordial, de o investidor se tornar sócio da companhia na qual ele acredita, a fim de participar do seu crescimento em horizontes estendidos de tempo, vai soando cada vez mais estrambólico.
 
A consequência é o aumento da volatilidade nos preços, o que é bom para especuladores, e a pressão sobre empresas para que foquem em apresentar continuamente resultados impactantes, os quais devem elevar as expectativas do mercado em relação à companhia, impulsionando os preços de seus ativos. Ou seja, a prática especulativa vem se afastando do conceito original de investimento, o que não é de hoje, diga-se de passagem.
 
Na esfera política também não tem sido diferente, com o imediatismo dominando totalmente a cena em praticamente todo o mundo. O modelo de democracia ocidental parece ter sido desenhado para atender ao carpe diem. Com isso, os planejamentos de longo prazo vão sendo negligenciados ou mesmo contrariados por políticas econômicas adaptativas, que visam, via de regra, melhorar a situação presente. Os mandatos relativamente curtos dos representantes do povo induzem a que se atenham a implementar medidas que repercutam antes da próxima eleição.  
O grande problema, tanto no nível empresarial, quanto no político ou no individual, é que para atender a demandas de agora, costuma-se roubar do futuro. Essa gatunice fica mais explícita no comportamento das pessoas, que se endividam, muitas vezes acima de suas possibilidades, não apenas dispensando poupanças, como também gastando sua renda futura, que ainda é incerta.  Provavelmente por conta da importância vital do consumo para as economias capitalistas, tal padrão seja efusivamente estimulado. Aliás, o endividamento exacerbado de famílias, empresas e governos está no âmago da crise que se abateu sobre o sistema após 2007.
 
No âmbito político, as atuais dificuldades das democracias ocidentais, no que tange ao planejamento de longo prazo, fica mais evidente quando comparadas a economias com regimes mais fechados, ou menos democráticos, como a China, tida hoje como exemplo de planificação.  É interessante observar também que, no gigante asiático, o nível de poupança da população é bastante elevado,  com a taxa atingindo 50% do Produto Interno Bruto (PIB), contra uma média mundial de 20%. Já o governo chinês é o maior poupador do planeta, com reservas que caminham para US$ 4 trilhões, graças ao modelo calcado em superávits comerciais, responsável pelo milagre econômico das últimas décadas.
 
Não deixa de causar estranheza que, do alto de tamanho sucesso, o partido único conduza a economia no sentido de uma maior inserção do país no sistema capitalista de mercado global. Quanto mais capitalismo, mais capitalismo se faz necessário, diriam os entusiastas. Ocorre que o dinheiro acumulado tem sido utilizado majoritariamente em investimentos, que não deixa de ser uma maneira de manter o foco no futuro, em detrimento do presente.
 
O perfil poupador demonstra que se trata de um povo que, em décadas recentes, vem priorizando o amanhã. Em vista das severas dificuldades experimentadas num passado nem tão longínquo assim, o medo de voltar a encará-las faz com que, na primeira oportunidade em que sobra algum dinheiro, pense-se, acima de tudo, em tentar se resguardar contra a repetição desses apuros.
 
Mais curioso ainda é que essa maior inserção capitalista coincida com a necessidade premente de empreender uma guinada para um modelo mais consumista e menos poupador, o que já está em curso, planejadamente. Ou seja, busca-se a inversão da prioridade absoluta do futuro sobre o presente. Seria plausível concluir, portanto, que mais capitalismo, dentro dos padrões vigentes, significa mais presente.
 
Voltando às empresas, Bill George salienta que é impossível colocar-se em prática uma estratégia séria hoje em dia, seja na indústria que for, com um horizonte menor do que sete a dez anos em mente. “Particularmente em companhias passando por transformações culturais, leva-se aproximadamente dez anos para ser feito. A pergunta é se os acionistas concederão esse tempo aos gestores. E o meu ponto é que não se deve permitir que os acionistas assumam as rédeas, pelo contrário, os gestores é que devem guia-los.”
 
Na visão do acadêmico, o mercado acionário torna as empresas reféns de um jogo de expectativas no qual, não importa o quão grandes elas sejam (as expectativas), exige-se que continuem aumentando ilimitadamente. Isso faz com que muitos administradores percam o chão e coloquem a firma em rota destrutiva.
 
Dizem os admiradores do sistema fundamentado na mão invisível do mercado que a sua maior beleza reside no fato de que os seus instrumentos, quando preservados, buscam sempre o equilíbrio, corrigindo os seus próprios excessos. Se assim for, tudo indica que, justamente naquelas partes do planeta onde o capitalismo vem evoluindo por mais tempo, o futuro se revoltou e anda cobrando maior prioridade.
 
08 de janeiro de 2014Paulo Guimarães é Jornalista. Originalmente publicado no Jornal do Commércio do Rio de Janeiro, em 16 de Dezembro de 2013.