"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

QUE DEBATE?


          Artigos - Governo do PT 
O único debate real que pode se realizar no Brasil é entre conservadores e progressistas.
Restaurar a linguagem é também fazer a contrarrevolução.

Fernando Gabeira publicou artigo no Estadão (2014 está rolando), no qual escreveu: “Independente de grandes manifestações, o Brasil merecia um grande debate, pois é uma eleição que potencialmente pode definir rumos. A maioria quer mudança. Mas isso não quer dizer nada, pois as eleições podem consagrar o mesmo bloco de partidos que está no poder. O desejo de mudança vai perseguir o próximo vencedor. Ele, naturalmente, pode resistir, argumentando que venceu”.


Quem acompanha o que Gabeira escreve sabe que, por “mudança”, entende ele o “avanço” da agenda revolucionária, sempre permanente e insaciável e que nunca é concluída. Mas há um anseio por outro debate, daqueles que querem mudar a nova tábua de valores implantada pelas esquerdas desde 1985. Aqui, a mudança significa retroagir, restabelecer o código de valores perdido, literalmente realizar a contrarrevolução gramsciana

Os grupos que se empenham por esse debate são numerosos e representativos. São os católicos, os evangélicos e os espíritas que agiram no Congresso para barrar as aberrações mais graves nos costumes. Pode-se ver que nesse grupo está contida a imensa maioria da população brasileira, cada vez mais enojada com os políticos revolucionários, mentirosos desde sempre, que agem na calada da noite contra os valores da nossa gente.

Um exemplo é a própria presidente Dilma Rousseff, que recebe as lideranças religiosas, posa de religiosa enquanto incentiva seus ministro a correrem com a agenda revolucionária. Não é mera hipocrisia, é tática.

O único debate real que pode se realizar no Brasil é entre conservadores e progressistas. Debate no seio da esquerda para saber quem é mais socialista e mais revolucionário é falso, pois os contentores concordam com as premissas e conclusões. Discordam apenas quanto à velocidade da realização das mudanças.

Na cabeça do Gabeira quem deve puxar o debate são os anarquistas revolucionários que incendiaram o Brasil em 2013, realizando incríveis e criminosos quebra-quebras. É a linha de frente revolucionária. Querem apenas apressar o parto da revolução meia boca que o PT tem realizado até aqui
 
Gabeira concluiu, querendo ser espirituoso: “O ano apenas começou a rolar. Ainda uso palavras do ano passado e, como diz o poeta T. S. Elliot, palavras do ano passado pertencem à linguagem do ano passado e as palavras de um novo ano esperam outra voz. Isso predispõe à abertura ao imprevisível. Mas um olhar mais largo aos acontecimentos que preocuparam no final do ano mostra que eram previsíveis”.
 
Gabeira aqui é inteiramente revolucionário. Quer palavras novas para novos gestos políticos, “novos” apenas em relação à nossa própria história, que o socialismo é velhíssimo, com um passado infausto e um futuro mais ainda. Precisamos das palavras velhas com seus velhos significados. Restaurar a linguagem é também fazer a contrarrevolução. É urgente e essencial.

03 de janeiro de 2013
Nivaldo Cordeiro

UM SÉCULO DE ISLAMISMO AFRICANO AMERICANO

           
          Artigos - Religião 
Nobre Drew Ali, fundador do Moorish Science Temple of America.
O ano de 2013 marcou o centenário da fundação divulgada do Templo Canaanita em Newark, Nova Jersey. Foi uma das primeiras formas nativas do islamismo africano americano, totalmente distinta do islamismo padrão, a religião de 1.400, fundada por Maomé na Arábia. Desse movimento veio Elijah Muhammad, Malcolm X e Louis Farrakhan.

O século pode ser dividido em dois grandes períodos: a invenção de uma nova religião (1913 a 1975) e a mobilização para a normatização do Islã (1975-2013).

Timothy Drew (1886-1929), americano afro-descendente, autodenominado Nobre Drew Ali, fundou o templo de Newark. Em 1925 fundou mais um, melhor organizado, com o nome de Moorish Science Temple of America. Suas ideias derivam de quatro fontes não muito plausíveis, pan-africanistas, Shriners, Muçulmanos Ahmadiyya e racistas brancos.

Ele se apropriou das noções do cristianismo de pan-africanistas como Edward Wilmot Blyden e Marcus Garvey, como religião dos brancos e o Islã como dos não brancos. Como shriner praticante, Nobre Drew Ali tomou para si traços dessa organização, como o uso do termo "Nobre" antes do nome, a necessidade dos homens usarem barretes cônicos e uma rede de alojamentos.
Dos ahmadis tomou os nomes em árabe, o tema do crescente e da estrela, a proibição de comer carne suína e a noção de Jesus ter ido à Índia.
Dos racistas brancos veio a ideia de que os já assentados afro-americanos não são sequer africanos e sim "mouros", "mouros-americanos" ou "asiáticos", um povo mítico do noroeste da África, moabitas, que migraram para a África subsaariana.

Livro sagrado do Nobre Drew Ali, O Sagrado Alcorão do Moorish Science Temple of America.
A partir dessa combinação única, o Nobre Drew Ali idealizou o livro sagrado de 64 páginas da sua religião, O Sagrado Alcorão do Moorish Science Temple of America (Chicago, 1927) que, apesar do nome, não tem quase nada a ver com o Alcorão islâmico, normativo, sendo amplamente plagiado com base em dois textos, um cristão oculto, o outro tibetano. O mais estranho é que o seu Alcorão se concentra, não na figura de Maomé, mas na de Jesus.

Nobre Drew Ali esperava que ao evitar a associação com a África, inventando uma nova identidade para os americanos afro-descendentes, insistindo para que sejam leais aos Estados Unidos, aparentariam ser novos imigrantes e como outros recém-chegados, passariam despercebidos evitando os estereótipos racistas arraigados e a segregação.

Mas não é o que iria acontecer. Segundo o historiador Richard Brent Turner, "Nobre Drew Ali não entendia que o caldo cultural não se estendia aos negros dos anos de 1920".

O MSTA entrou em declínio após a morte de Nobre Drew Ali em julho de 1929. A organização ainda existe com cerca de mil devotos. Um dos membros, Clement Rodney Hampton-El, foi condenado pela participação no atentado do World Trade Center em 1993, sentenciado a 35 anos de prisão. Outro membro, Narseal Batiste, foi condenado a treze anos e seis meses por planejar explodir a Sears Tower em Chicago.

O Templo teve um papel decisivo como precursor da Nation of Islam (Nação do Islã  - NoI), fundada em julho de 1930. O MSTA deu início a dupla tradição, subsequentemente apossado pela NoI, apropriando-se da imagística do Islã normativo despido de seu conteúdo, usando essa religião popular como veículo para se livrar do racismo branco. Ambos dedicavam-se acima de tudo aos americanos afro-descendentes não praticantes servindo como ponte para que se convertessem ao Islã normativo.

Muitas características do MSTA, o termo "nação", a identidade "asiática", a rejeição do negro e da África, a identificação do Islã com "pessoas de pele escura", a previsão de que todos os brancos seriam destruídos e a pretensão de profetizar e às vezes até de divindade, sobreviveu na NoI.

Clement Rodney Hampton-El, terrorista condenado pelo atentado ao World Trade Center.
Muitos dos primeiros membros da NoI pertenciam ao MSTA e era comum verem a Nação como sucessora do Templo. Elijah Muhammad, efetivo fundador da NoI, elogiava o precursor MSTA e às vezes retratava modestamente o movimento como "tentativa de terminar o que os antecessores começaram".

Desde 1975, a força motriz estava longe do MSTA enquanto a NoI favorecia o Islã normativo, com mais de um bilhão de seguidores. Nem o MSTA nem a NoI tem condições de competir com a profundidade, peso e recursos dessa fé mundial.
A NoI tem perdido membros para o Islã normativo, a ponto de continuar, graças principalmente à importância dos membros mais antigos e ao já doente Farrakhan (nascido em 1933).
Quando ele sair de cena, a NoI irá provavelmente seguir os passos do MSTA, ou seja, rápido declínio, seguindo a adoção do Islã normativo pela maioria esmagadora dos muçulmanos americanos afro-descendentes.

Apesar de seu futuro insignificante, o MSTA e a NoI preservam sua importância, porque praticamente todos os 750 mil muçulmanos americanos afro-descendentes de hoje, e uma comunidade potencialmente bem maior nos anos vindouros, remontam suas raízes ao Templo Canaanita do século passado, em Newark.

Publicado no The Washington Times
Original em inglês: A Century of African-American Islam
Tradução: Joseph Skilnik

O EFEITO SADE, O PORTA DOS FUNDOS E A BARBÁRIE

Artigos - Cultura        

Conhecidas são as conseqüências e os graves efeitos de dano social quando o humor é utilizado com arma de perversão sexual e afronta à moral religiosa.


Nas vésperas do Natal, na noite santa de 24 de dezembro, solicitaram-me ver e denunciar o filme "Especial de Natal", do grupo "Porta dos Fundos". Impactado, percebi de imediato a gravidade da situação. Blasfemo e sacrílego, o ateu declarado Fábio Porchat, roteirista do filme, infringiu o artigo 208 do Código Penal:

"Dos Crimes contra o sentimento religioso: Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo. Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa..."

Escárnio do sentimento religioso, vilipêndio, zombaria. A intencionalidade do escárnio e, portanto, da provocação deliberada aos cristãos, se comprova na data escolhida para a exibição do filme, na festa celebrada em todo o mundo, do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O ateísmo militante do "Porta dos Fundos", desponta como uma força a mais na somatória de hostilidades ao cristianismo, que desde a Renascença tais agressões vem se articulando, e obtiveram o poder político depois da Revolução Francesa, e hoje agem como força globalista a intensificar cada vez mais seu ódio ao cristianismo, utilizando-se de todos os meios para isso, e mirando cada vez mais na doutrina católica. 

Hoje, com alto poder tecnológico e financeiro, o ateísmo militante (na soma dessas forças) se sente preparado para agir com quase inteiro destemor, para corroer ainda mais a tessitura civilizacional, e estender a barbárie por toda a parte, inclusive o surrealismo e o anarquismo sexual (como explicitado na esquete "Sobre a Mesa", do mesmo grupo).
Neste contexto, "só o Deus moral é refutado", como queria Nietzsche, "e o reino dos céus encontra-se imediatamente ao nosso alcance" (Camus), dando mais força ao mais forte, que poderá então saciar todas as volúpias, violentando o mais fraco, de todas as formas. É o que pede a personagem mulher de "Sobre a Mesa", quando responde ao marido que o que deseja mesmo é ser violentada sexualmente, por tudo e por todos, e de todas as maneiras, até a extenuação total. E para isso acontecer, é preciso extinguir todo limite moral, para que os fortes (os mais fortes) possam gozar de todas as delícias epidérmicas, esmagando os fracos, na pior lógica do darwinismo social. 

É evidente a violência travestida de sátira nas esquetes do "Porta dos Fundos". O riso não é condenável, em si, mas quando utilizado como arma de perversão sexual e afronta religiosa, torna-se abominável.  Ainda bem antes da hegemonia da televisão nos meios de comunicação, Frederick Wertham advertiu sobre os graves efeitos da violência contida nas histórias em quadrinhos, especialmente no comportamento de crianças e adolescentes, como lembra Roger Shattuck, em "Conhecimento Proibido" (Companhia das Letras, 1998).

E que também conta que para Bruno Bettelheim, as estórias de contos de fadas, "ensinam as crianças não a imitar a crueldade e a destruição, mas a vencê-las". O fato é que fez parte do projeto revolucionário banir toda e qualquer restrição à criatividade literária, para justamente fomentar a perversão e seus inevitáveis efeitos de crueldade e destruição de valores humanos (daqueles valores que efetivamente humanizam), consolidados pelo cristianismo, e por causa de tais valores foi possível o esplendor da civilização ocidental. 

Mas a libido scendi (libido pelo conhecimento) não contem o afã da barbárie. Goethe que o diga, com "Fausto"! Mesmo assim, o furor da hybris, tão temido pelos gregos antigos, avançou com os libertinos do séc. XVII e XVIII, até encontrar em Sade sua expressão mais tenebrosa. E agindo como demolidores constantes do cristianismo, tiveram força suficiente no final do século XX para reabilitarem Sade, incluindo-o na plêiade francesa, tido hoje como um ícone dos que se sentem fortes para desferir mais golpes contra a moral cristã. Querem vingar Sade pelos anos que passou preso na Bastilha. 
Entre as acusações contra Sade, relata Shattuck,

"estavam a sodomia homossexual e heterossexual (...) vários espancamentos com chicote e possíveis ferimentos à faca em prostitutas, a masturbação sobre um crucifixo, corrupção de adolescentes, ameaças de morte e outros excessos". "De temperamento sexual vulcânico, Sade tinha dificuldade em atingir o orgasmo. Duas práticas o auxiliavam: a dor, causada ou sofrida, e a sodomia passiva, simulada na prisão com pênis artificiais que a mulher encomendava especialmente para ele".

Mas hoje Sade está na plêiade, em edições de luxo, enaltecidos por Camille Paglia, entre outros, inspirando o humor cáustico e sórdido a ser mais intenso na corrosão da moral cristã, pois desejam é reduzir a pó o edifício cristão. Para aí sim, fazer prevalecer a República de Saló, em escala global.


O que o "Porta dos Fundos" está disposto a fazer é escancarar a porta para a República de Saló, onde os mais fortes sempre terão todas as vantagens, à custa dos padecimentos de quem puderem se aproveitar para seus fins de poder, sem nenhuma piedade nem humanidade.
Quando a personagem mulher da esquete "Sobre a Mesa" diz ao marido querer mesmo é ser violentada sexualmente por muitos e de todas as formas, faz empalidecer Sade, em seu afã de perversidade.
O pior é que na mentalidade dos defensores de Sade, como Jean Paulhan, a perversão sexual não é crime, mas direito a felicidade.

Os excessos do sadismo, não são vistos como crime, mas como expressão extrema do egoísmo utilitarista, apenas isso. Mas quem tiver força e puder fazê-lo, qual o problema? Que cada um saiba como se defender disso. "Seja, pois um forte". Nessa lógica, o mais terrível efeito dos excessos decorrentes da liberdade total, é que o forte só poderá exercer sua força de volúpia total, impondo a dor aos demais, tendo prazer inclusive na dor de seus subjugados. E é isso justamente que a moral cristã visa conter e deter, e tendo feito isso, foi capaz de civilizar. Com o "Porta dos Fundos", a porta se escancara ainda mais para a extensão da barbárie, com os seus já bem conhecidos danos sociais. 

03 de janeiro de 2014
Hermes Rodrigues Nery é autor do romance "O Dilema de Páris" (Edicon, 1996) e "Presença de Rachel - conversas informais com a escritora Rachel de Queiros, FUNPEC, 2002).

MACHISMO E MISOGINIA EM PAULO GHIRALDELLI

          Uma aula de filosofia rortyana      
Não, Ghiraldelli, Rachel Sheherazade não precisa ouvir suas aulas rortyanas, e não precisa aceitar desculpas esfarrapadas sem provas.

Paulo Ghiraldelli começou 2014 em desespero claro e absoluto. Eu até teria pena dele não estivesse diante de um sujeito que falsifica a realidade como o mais frio dos psicopatas. Por isso, não o tratarei com dó, mas com a assertividade com que tratamos pessoas com comportamento antissocial.

O comportamento de Ghiraldelli nos lembra o do psicopata preso à mesa, visto na cena abaixo do seriado Dexter – alias, é uma das cenas que mais representam a mania esquerdista de mentir em debates. Repare:

Basicamente, ele salta de um embuste para outro, enquanto tentar arrumar desculpas esfarrapadas, após ter incitado estupro contra Rachel Sheherazade. O excelente post investigativo de Felipe Moura Brasil trouxe coisas muito interessantes.
Lembremos:


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Ou seja, acima temos o jogo de dizer “só fiz para brincar com a direita política”. O discurso é “eu fiz, mas não era a sério”.
Como o discurso não colou, o post acima sumiu e veio a negação…


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Enfim, uma negação explícita, que, obviamente, não bate com a explicação anterior. Segundo ele, foi tudo culpa de um hacker. Claro que a explicação beira a piada, pois que hacker é esse que nem troca a senha da conta dele?

Depois dessa explicação ter sido ridicularizada (e com razão) na Internet, veio outra explicação. Ghiraldelli não era mais Ghiraldelli, mas sim uma “legião”:


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Agora, o “filósofo” tem uma EQUIPE para administrar a página dele. Engraçado ele não ter revelado o nome dessa equipe…

Ao passo que já parecia conformado com o processo, Ghiraldelli começou a tentar táticas de redução de dano, como podemos ver na matéria Filósofo rebate Rachel Sheherazade e fala sobre processo: “É uma bobagem”

Não há nenhuma agressão minha contra Sherazade. Ela incitou pessoas contra mim, num post que não tem a ver comigo, e que fala de um nome que é SHERAZEDO. Por que seria ela?
Espere. As coisas não batem. Se antes ele não concordava com o post (que teria sido de um “hacker”), agora ele resolveu virar advogado de defesa do hacker, usando um truque de jardim de infância? O truque é simples: “Ela não chama Sherazedo, então não a ofendi”.
Só que essa imagem mostra a fúria dele contra Sheherazade:


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Quer dizer, o tal “bacanal do inferno” traz todas pessoas que tem sido um empecilho ao governo petista. Ou será que ele resolveu citar pessoas conhecidas e uma tal Sherazedo que não existe? Como se nota, ele vai tentando um truque atrás do outro, e, quando o truque não pega bem, ele pula para outro, sem o menor peso na consciência e nenhum embaraço, assim como o personagem do vídeo que trouxe neste post.

O truque abaixo, ainda na reportagem do NaTelinha, já é daqueles que me faz exercitar o ceticismo político:
Além do mais, sou defensor de direitos de minorias e batalhador em favor de causas femininas. Quem ler um dos meus últimos livros, ‘Filosofia política para educadores’ poderá ver minhas ideais sobre o assunto. Essa coisa de eu desejar que alguém seja estuprado é uma bobagem tremenda! Sou contra qualquer tipo de violência: contra fetos, animais, mulheres, gays etc. Qualquer violência contra minorias tem meu repúdio completo.

O truque acima é bem simples e facilmente desmascarável. O sujeito usa uma auto-declaração sobre si próprio como uma alegada evidência de que não cometeu um crime. Se seguirmos pela “lógica” de Ghiraldelli, basta alguém escrever um diário dizendo “defendo uma vida sem crimes”, que, ao ser preso por assassinato poderá dizer: “Eu sou um defensor de uma vida sem crimes, portanto não posso ter cometido crime”. Ê lelê…
Vamos aos fatos: Ghiraldelli apenas DIZ que defende minorias, mas todo o discurso dele nesse sentido é mais falso que propaganda de pasta de dente.

No dia 30 de dezembro, Rachel Sheherazade entrou com o processo: “Missão cumprida: esta manhã fui à delegacia competente representar penalmente contra meu agressor ou quem se faz passar por ele, @ghiraldelli.
Agora, é só aguardar as providências legais e a providência divina. tenho a certeza de que cumpri meu papel de cidadã”.
Foi quando ele pirou de vez:

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Ele começa, bravinho, dizendo: “Quer guerra?”. Mas quem entende a postura de figuras assim, sabe que é só truque de intimidação. Quem será que ele quer enganar com isso?


Em seguida, Ghiraldelli cai em contradição em relação ao “saber” filosófico que alega possuir: “Tem gente que não sabe o que é guerrear contra um filósofo mais velho. Mas aprenderá.”. Aqui ele se entregou, pois tratou aquilo que ele faz não de filosofia, mas do uso de truques e artimanhas para enganar os outros.
Em suma, pura “filosofia” rortyana. Como eu já li dois livros de Ghiraldelli, sei que ele não é filósofo nem aqui nem na China. É um seguidor de Richard Rorty e Paulo Freire. Preciso dizer mais alguma coisa?

Depois, diz que ela “odeia o feminismo (e minorias)”. E cadê as provas nesse sentido? Além do mais, uma mulher não precisa “do feminismo” para denunciar um sujeito que incita violência contra ela.

Momento mais grotesco: Ele diz que fez B.O. contra Rachel. Motivo: ela teria incitado linchamento público de Ghiraldelli e se recusado a aceitar as desculpas dele. Eis o machismo evidente de Ghiraldelli, chegando às raias da misoginia. Ele simplesmente se revoltou com o fato de ter tomado um “toco” humilhante de Rachel, como vemos abaixo:

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Quer dizer, Rachel Sheherazade apontou os fatos, e ainda teve a gentileza de abrir um processo com uma gentileza e educação que não existe no mundo de Ghiraldelli. Relembremos que ela diz “[o processo foi aberto] contra meu agressor ou quem se faz passar por ele, @ghiraldelli”.

Assim, se o tal delegado riu do B.O. aberto por Ghiraldelli, não é um bom sinal… para o rortyano. O sujeito teve tê-lo tratado do mesmo jeito que trataria qualquer chiliquento que entrasse na delegacia. E registrar B.O. não implica em ter uma razão para fazê-lo. Se Rachel foi violentamente agredida, ao menos psicologicamente, Ghiraldelli só podia alegar que a repórter ofendida não quis falar com ele. Ha ha ha…

No mundo machista e tribal de Ghiraldelli, as mulheres devem estar a disposição dele para ouvir suas conversinhas para boi dormir. Não, Ghiraldelli, Rachel não precisa ouvir suas aulas rortyanas, e não precisa aceitar desculpas esfarrapadas sem provas. Não adianta forçar uma mulher a ouvir o choro de uma hipócrita, como se ele dissesse a ela: “Ei, mulher, você vai me ouvir sim!”. Quando tomou um “BLOCK!”, ficou com o orgulho ferido.

Mas, pensando bem, realmente não é um bom jogo para Rachel entrar em guerra contra Ghiraldelli. A não ser que ela conheça a “filosofia” de Rorty. Pois bem, para Rorty, a linguagem não precisa representar o real, mas recursos para obter resultados. Toda a filosofia dele não passa de racionalizações neste sentido. Em suma, um rortyano aprende a mentir após ter racionalizações (disfarçadas de filosofia) para que consiga convencer seus pares de que a mentira justifica sua causa.

Para derrotar um rortyano, o ideal  é um investigador de fraudes intelectuais pronto a debater com alguém que faz empilhamentos de rotinas fraudulentas uma atrás da outra.

03 de janeiro de 2014
Luciano Ayan

CRACOLÂNDIA VEIO PARA FICAR

Moro em um bairro nobre de São Paulo, Higienópolis. A quinze minutos a pé daqui, em pleno centro da cidade, ergueu-se uma favela, na Alameda Dino Bueno e rua Helvétia. É a cracolândia, onde pobres diabos, alguns quase moribundos, fumam crack em plena luz do dia e com a conivência – melhor diria, a proteção da polícia. As tentativas de limpeza da área foram todas enviadas para o lixo, seja por ação dos grupos de Direitos Humanos ou leniência do Judiciário e dos governos, tanto o estadual como o municipal.

Ano novo, vida nova, bons propósitos. Leio na Folha de São Paulo de hoje:
Moradores do centro de SP se unem para exigir o fim da cracolândia

"Não saio de casa sozinha depois das 18h." A vida sitiada da aposentada Dalva Lopes, 63, é a regra para os poucos moradores que ainda vivem nos prédios da cracolândia, no centro paulistano. Acuados e inconformados com a situação, eles começam a se mobilizar para exigir que a prefeitura e o governo estadual acabem com a cracolândia - cogitam até recorrer à Justiça.

A postura mais incisiva ocorre porque os moradores defendem que a situação da região, problemática há anos, piorou com o surgimento de uma "favelinha" na alameda Dino Bueno e rua Helvétia.

No local, barracos improvisados foram erguidos há alguns meses na calçada do terreno da antiga rodoviária. No início de dezembro, o Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) local protocolou ofícios em secretarias das gestões Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) no qual reivindica a "imediata desocupação do passeio público" e do largo Coração de Jesus, onde fica a maioria dos usuários de crack.

"Premia-se o craqueiro, mas o morador da região fica desamparado", diz Fábio Fortes, presidente do Conseg. Os moradores do bairro organizam ainda um abaixo-assinado que pretendem encaminhar para órgãos públicos e a criação de uma associação de moradores da região.

Na primeira reunião, no fim do ano passado, foram recolhidas assinaturas de 60 pessoas que resistem à degradação da área.

"Não tem mais condições de morar aqui, eu tenho vergonha deste lugar", diz Maria Aparecida Berci Luiz, 58. "Moro aqui há 35 anos e estou sendo desalojada por pessoas com mais direito do que eu, que pago impostos", diz.
Agora vai! – me escreve um entusiasmado leitor, otimista incorrigível. Não vai nada. Desde que o uso da droga foi liberado no Brasil, e depois que os igrejeiros elevaram à condição de direito inalienável do homem o direito de morar na rua, a cracolândia tem vida eterna assegurada.

No Discurso da Desigualdade, disse o pai dos utopistas desvairados dos dias de hoje: "O primeiro homem que cercou um pedaço de terra e disse que era sua propriedade e encontrou pessoas que acreditaram nele foi o fundador da sociedade civil. Daí vieram muitos crimes, muitas guerras, horrores e assassinatos que poderiam ter sido evitados se alguém tivesse arrancado as cercas e alertado para que ninguém aceitasse este impostor. Não podemos esquecer que os frutos da terra pertencem a todos nós e a terra a ninguém" .

Parafraseando Rousseau: O primeiro homem que deitou na calçada e disse ser isto um direito seu e encontrou pessoas que acreditaram nele foi o fundador da desordem urbana. Daí vieram muitos assaltos e roubos, insegurança social e lixo humano, que poderiam ter sido evitados se alguém tivesse arrancado fora os colchões e papéis que lhes servem de cama e alertado para que ninguém aceitasse este impostor. Não podemos esquecer que as ruas pertencem a todos nós e a cidade também.

Os padres católicos brasileiros conseguiram vender à imprensa um conceito muito safado, a de "povos da rua". Ou moradores da rua. Vendido o conceito, vende-se também a idéia de que morar na rua é um direito de todo cidadão. Certa vez, tive de dar um chute num mendigo que se escarrapachou justo em frente ao portão de meu prédio. Atravessado junto ao portão, para provocar. Instruído por alguma assistente social, ele reagiu furioso:

- Que é isso? A Constituição não garante o direito de ir e vir?
- Garante. O que a Constituição não garante é o direito de deitar.

Confuso, ele pegou seus molambos e foi deitar em algum outro lugar, onde colasse sua conversa de direitos constitucionais.

Uma das coisas que mais fere o paulistano é ver mendigos deitados e até mesmo barracos instalados nas ruas, sem que autoridade alguma faça algo para removê-los. Queixar-se à polícia é inútil. Aos serviços da Prefeitura, idem. E se alguma autoridade isolada resolve tomar uma atitude e remover estes cidadãos que se julgam proprietários das ruas, logo surge o padre Júlio Lancellotti para protestar contra os desmandos do poder.

Se fosse apenas o padre Lancellotti, seria inteligível. Os setores mais vivos da Igreja Católica desde há muito descobriram que mendigos deitados nas ruas são uma poderosa fonte de captação de dólares e euros de entidades católicas da Europa. O pior é ver um jornal como a Folha de São Paulo protestar aos berros aos berros qualquer tentativa de resolver este problema urbano. Se é construído um prédio sem marquises, a Folha logo denuncia a "arquitetura antimendigos". Se a Prefeitura põe nas praças bancos com braços que impossibilitem que mendigos neles deitem, a Folha denuncia os "bancos antimendigos".

Cágado não sobe em árvore. Quando um mendigo brande a Constituição, veja atrás dele um padre, um assistente social ou um dos tais de defensores dos direitos humanos. Quando alguma autoridade inventa de retirar os mendigos da rua, lá vêm as igrejeiras: "quem tirou daqui nossos mendigos? Queremos nossos mendigos de volta". Não estou usando de retórica. Esta frase eu a li no Ceciliano, boletim da paróquia de Santa Cecília, aqui ao lado de onde moro. Quando foram retirados os mendigos do largo que entorna a Igreja, os padres chiaram: queremos nossos mendigos de volta. No mesmo largo Santa Cecília, quando os caminhões da prefeitura vinham limpar com jatos de água a praça – que fedia a fezes e urina –, os “direitos humanos” deitavam-se no chão para impedir o deslocamento do “povo de rua”.

A cracolândia veio para ficar. Incomodados que se retirem. Mesmo que paguem IPTU para residir.


03 de janeiro de 2013
janer cristaldo

O PT QUER UMA REFORMA POLÍTICA. ISSO SIGNIFICA QUE A REFORMA POLÍTICA É PÉSSIMA.

O PT quer proibir doações privadas em campanhas eleitorais. Todas as campanhas terão um campeão de verbas a partir de então: o próprio PT.

 
reforma política lula1 505x338 O PT quer uma reforma política. Isso significa que a reforma política é péssima.
 
A visão moderna de democracia (que começa no Iluminismo) tem como tripé fundamental a idéia da “separação de poderes”. Muito antes da democracia, o poder quase sempre foi dividido. É por isso que se fala em poder econômico, poder político, poder produtivo, poder eclesiástico etc: cada um tem o seu papel, são todos interdependentes e podem imiscuir-se uns nos outros ou não (o que a democracia moderna foi 200% incapaz de evitar).
 
É possível evitar o poder político escorando-se no poder econômico ou na agitação das classes baixas com cada vez mais facilidade (também temos o poder comunicativo hoje, numa era informacional). Muito mais facilmente do que podemos tentar encontrar alguma espécie de checks and balances entre Executivo centralizado, Legislativo comprado e aparelhado e Judiciário ativista e indicado pelo Executivo.
Começa-se a votar agora a reforma política que pretende proibir doações de empresas para campanhas políticas. Até o momento, já tem 4 votos a favor no STF.
É algo parecido com as discussões sobre drogas (na verdade, troca-se a categoria da droga): fala-se em “acabar com o tráfico”, que é venda ilegal, legalizando as vendas. Uma discussão atrás do próprio rabo ad nauseam.
O projeto é imensamente imoral: o meu, o seu, o nosso dinheiro vai financiar partidos fazerem política para nós mesmos. Partidos os quais não quero sequer que existam, que dirá que recebam o meu dinheiro para fazer propaganda para mim.
 
Com a eterna ladainha contra o “poderio econômico”, como se ele fosse a nossa grande Nêmesis, e como se Eike Batista, Abílio Diniz, Nizan Guanaes e jornalistas que vão de Bárbara Gancia a José Luiz Datena não fossem todos apoiadores do PT, busca-se concentrar todo o equilíbrio das vontades apenas no poder político à propósito de uma “democratização” . Claro, quem está no poder será o campeão do montante de verbas para propaganda, arrancada dos próprios “compradores”.
 
Assim, a democracia se torna um bom modo de tomar o poder e de governar “legitimamente”, e revela o caráter do antigo termo “democracia” (de Platão até antes do Iluminismo): a tirania da maioria, onde qualquer coisa é aceita, desde que tenha 51% dos votos.
 
Se o PT hoje está no poder, vai querer mesmo estatizar todo o dinheiro e ficar com a maioria. Muito melhor do que o modelo cubano, pode deixar umas migalhas para uma coisa que alguns chamam de “oposição”, que nunca é capaz de legislar nem executar leis (muito menos chegar perto do Judiciário), com uma aparência de forças em disputa, mas que é hegemônica e homogênea, além de hiperconcentrada.
 
Se Noam Chomsky crê, de forma parecida com Michel Foucault, que a sociedade não tem liberdade no capitalismo por causa da força da imprensa e das agências de publicidade em fomentar e dirigir vontades para os mesmos objetivos, sua “saída” é de uma inteligência cavalar: concentrar poder contra os “poderosos”, os “mandarins”, e ao invés de deixar um pingo de liberdade para as pessoas escolherem entre automatismos comportamentais, obrigá-las a votar e aceitar o poder dos políticos, que vão forçá-las a serem livres de suas vontades corrompidas.
 
Com isso sendo discutido e aceito pelo STF, chegaremos facilmente a um novo estágio da “democracia”, ou na verdade seu velho sentido platônico: toma-se o poder com a maioria, e depois apenas manda-se a minoria a obedecê-la – afinal, a maioria é legítima e a minoria tem de aprender a viver sempre de migalhas.
 
Todas as campanhas terão um campeão de verbas a partir de então: o próprio PT. Afinal, um partido viciado em oclocracia como o PT não agiria diferentemente – ou alguém acredita que o PT está interessando em uma reforma para compartilhar o poder, para dar mais espaço para qualquer coisa fora do Estado, contra o Estado dominado por ele? Ele quer o bolo para si.
 
E a conta para nós, que estaremos felizes, “livres do poder econômico”, dando nosso próprio dinheiro não para quem queremos, mas para o PT e quem é a “maioria”.
Como esperar ter alguma mudança social com uma maioria eternamente sendo a mesma maioria?
 
A democracia é linda como uma forma de tomar o poder, mas o PT sempre confirma as previsões dos adoradores da res publica em oposição à ditadura da maioria: assim que o poder é tomado, é apenas concentrado e torna-se discussão bizantina entre os burocratas que legislam toda a nossa vida.
 
03 de janeiro de 2013
Flávio Morgenstern

A GUERRA DO GENTIO

No dia de Natal, nada aconteceu. A noite seguinte teve fogo e depredação: em Humaitá, às margens do Rio Madeira e da Transamazônica, 3 mil pessoas incendiaram a sede da Funai e da Casa do Índio, num introito para ações de um grupo mais exaltado que seguiu em frente, destruindo barcos oficiais e postos ilegais de pedágio, antes de invadir a Terra Indígena Tenharim.
 
O núcleo urbano amazônico, surgido de uma missão jesuítica e elevado ao estatuto de município no ciclo da borracha, converte-se agora em símbolo do triunfo da política indígena do lulismo, que semeia o rancor e a violência. O general Ubiratan Poty, comandante da brigada de Porto Velho, recusou-se a classificar os eventos como um conflito étnico. Infelizmente, ele está errado.

Sede da Funai em Humaitá (AM)
 
Os antecedentes da explosão merecem exame. Segundo registros policiais, um acidente de moto na Transamazônica matou o cacique Ivan Tenharim. Porém, na versão dos índios, o líder sofreu uma emboscada de moradores revoltados com a cobrança de pedágio pelo direito de tráfego na terra indígena.
 
Na sequência, o desaparecimento na rodovia de um técnico da Eletrobrás, um professor e um comerciante foi interpretado pelos moradores como sequestro por vingança. O copo de cólera transbordou logo depois, quando se avistaram 140 índios circulando na cidade.
 
A narrativa forma uma aula completa sobre a pedagogia do multiculturalismo: índios e não índios aprenderam a se identificar por oposição uns aos outros, demarcaram nitidamente seus territórios e deflagraram uma guerra de guerrilha.
 
Humaitá é o pico emerso de uma guerra fragmentária de dimensões assustadoras. No início de novembro, três índios foram emboscados e mortos no sul da Bahia, em meio a desavenças sobre a delimitação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença.
 
Os assassinatos seguiram-se a invasões, pelos índios, de mais de duas centenas de propriedades rurais na região. “É um trauma muito grande”, diagnosticou o governador Jaques Wagner, aproveitando para desfazer uma lenda recorrente: “Ali não se trata de grandes latifundiários; são várias famílias que estão na terra há até 80 anos, plantando e sobrevivendo.”
 
Na pequena Buerarema, em protestos contra a eventual homologação da terra indígena, populares incendiaram veículos e depredaram prédios públicos. Em Ilhéus, professores do Instituto Federal da Bahia que militam pela homologação converteram-se em alvos de agressões.
 
Os conflitos fundiários ligados à demarcação de terras indígenas transbordaram há muito o âmbito local. Enquanto as violências se espalhavam pelo sul da Bahia, Lula foi recebido no Mato Grosso do Sul com protestos de produtores rurais cujas fazendas sofreram invasões.
 
O presidente de facto prometeu reunir-se com a presidente de direito “para dizer que o governo tem que resolver isso antes que aconteça uma desgraça”. Lula usou a palavra “guerra”: “Não esperar a guerra acontecer para resolver.”
 
Nos próximos dias, finalmente, será divulgada a avaliação do valor de indenização das propriedades abrangidas pela Terra Indígena Buriti. Paralelamente, porém, posseiros e trabalhadores rurais voltaram a invadir áreas da Terra Indígena Marãiwatsede, de onde haviam sido retirados por forças federais.
 
“Muita terra para pouco índio”, diz uma sabedoria popular cada vez mais difundida, mesmo se equivocada. As sementes da violência não se encontram na extensão das terras demarcadas, mas na férrea lógica da separação étnica que orienta a política indígena e se expressa no termo oficial “desintrusão”.
 
A palavra, usada para descrever a remoção de todos os não índios das terras homologadas, concentra a noção multiculturalista de que posseiros e produtores rurais estabelecidos previamente em terras definidas como indígenas são “intrusos”. O conflito étnico espreita atrás dessa ideia, cultivada por missionários e ONGs internacionais — e irresponsavelmente adotada pelo lulismo.
 
O modelo de terras indígenas exclusivas, hermeticamente lacradas, tem sentido para os casos de grupos isolados que conservam modos de vida tradicionais. Mas a sua aplicação generalizada reflete apenas a utopia multiculturalista da restauração de “povos originais” e, na prática, serve unicamente aos interesses das ONGs e das entidades religiosas que conseguiram capturar a política indígena oficial.
 
O cacique motoqueiro dos Tenharim, as aldeias indígenas que vivem de rendas de pedágios clandestinos, os índios terena e guarani que cultivam melancias em “terras sagradas” para vendê-las no mercado não são “povos da floresta”, mas brasileiros pobres de origem indígena. Eles certamente precisam de terras — mas, sobretudo, necessitam de postos de saúde e escolas públicas. A política da segregação étnica é, de fato, uma forma cruel de negação de direitos sociais básicos.
 
O lulismo não inventou a terceirização da política indígena para as ONGs multiculturalistas e os missionários pós-modernos, mas a conduziu até suas consequências extremas. Hoje, no Brasil profundo, colhem-se os frutos dessa modalidade sui generis de privatização das políticas públicas.
 
Depoimentos de habitantes de Humaitá evidenciam uma ruptura crucial. Marlene Sousa, servidora pública, disse o seguinte: “Temos índio aqui que é professor, a gente os respeita como seres humanos, mas como podemos confiar neles depois do que aconteceu? Revoltada, a população é capaz de tudo”.
 
Edvan Fritz, almoxarife, deu um passo conceitual adiante: “Eles vêm à cidade, enchem a cara, fazem baderna e fica por isso. Índio é protegido pelo governo que nem bicho, então tem de ficar no mato, não tem que viver em dois mundos, no nosso e no deles”.
 
O “nosso mundo” e o “mundo deles”: os fanáticos do multiculturalismo nunca conseguirão reinventar os “povos da floresta”, mas reacendem a mentalidade do colono desbravador entre os não índios rotulados como “intrusos”. O perigo está aí.

03 de janeiro de 2014
Demétrio Magnoli é sociólogo. O Globo

A VIDA EM CÍRCULOS

O senador Renan Calheiros parece convencido de que suas palavras não precisam corresponder aos fatos, o importante, algum marqueteiro deve tê-lo convencido disso, é falar o que o povo quer ouvir, sem que seja necessário acompanhar com ações.
 
Só isso explica que tenha ido à televisão nos últimos dias do ano passado para falar em “transparência” e “controle social” no momento em que o noticiário denunciava que mais uma vez ele usou um avião da FAB para uso pessoal bizarro: fazer um implante de cabelo em Recife.
 
É claro que ele gravou a declaração de fim de ano com antecedência, e não poderia imaginar que seria apanhado mais uma vez com a boca na botija antes mesmo de seu pronunciamento ir ao ar. Se desse tempo, poderia ter aproveitado o pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para pedir mais uma vez desculpas ao povo brasileiro.
 
 
Renan Calheiros, presidente do Senado. Foto: Pedro França / Agência Senado
 
Renan parece estar sempre às voltas com incongruências quando se tratam de palavras e ações e mesmo quando cita supostas medidas corretivas ditadas “pelas vozes das ruas”, revela defeitos de nossos congressistas que são consertados apenas quando denunciados pela grande imprensa, como o fim dos 14º e 15º salários dos parlamentares e o fim do voto secreto em casos de cassação de mandato e vetos presidenciais.
 
Para a fala oficial do presidente do Senado, esses são exemplos de que “a transparência e o controle social ajudam a corrigir erros, eliminar vícios e distorções”. Ele falava como se fosse o boneco do ventríloquo, o marqueteiro Elsinho Mouco, o preferido do PMDB segundo os bastidores de Brasília, enquanto fora de seu mundo virtual as denúncias de sua viagem pelas asas da FAB para o implante capilar corriam soltas.
 
Pois não passa de um “vício” essa sua mania de andar de avião sem pagar, só o fazendo depois de apanhado em flagrante. E mesmo assim ele e outros colegas seus inauguraram uma nova maneira de enganar o distinto público: pagar o preço de uma passagem comercial pelo “aluguel” de um jatinho exclusivo, o que evidentemente é muito mais caro. Mas quem se atreve a cobrar o devido ao presidente do Congresso?
 
03 de janeiro de 2014
Merval Pereira, O Globo

A EMBUSTEIRA QUE DE GERENTONA NÃO TEM NADA SEGUE "MUDANDO" O BRASIL

Análise: Mundo está encolhendo para produtos fabricados no Brasil

 


A queda de 87% no saldo positivo do comércio brasileiro com o exterior não reflete apenas os problemas no câmbio e de competitividade do país, mas também é um sinal de como o mundo está cada vez menor para os produtos fabricados por aqui.
O superavit no ano passado de meros US$ 2,6 bilhões é um dos preços que se paga quando se tem a economia que menos celebra acordos de investimento entre os países do G20 (grupo das grandes potências globais). O reflexo é que no ano passado o país perdeu espaço no comércio com grandes parceiros. Foi o caso dos EUA, por exemplo, onde nossa fatia caiu de 1,45% das importações americanas, em 2012, para 1,24%, em 2013.
O mesmo cenário se repetiu na Alemanha: 0,58%, em 2012, para 0,39%, no ano passado. E mesmo na vizinha Argentina a participação ficou 0,1 ponto percentual menor em relação a 2012.
Mas não são apenas nos mercados que tradicionalmente compram os produtos industrializados brasileiros em que houve perda de espaço. O mesmo cenário se repetiu nos grandes compradores de matérias-primas.
Na China, principal mercado para nossas exportações, a participação do país nas compras da segunda maior economia global foi reduzida para 2,81%, 0,11 ponto percentual menos que em 2012.
No caso do Japão (segundo maior mercado para o minério de ferro brasileiro), a queda foi ainda mais forte: 
de 1,54% para 1,20% em 2013.

A perda percentual nesses mercados pode parecer pequena, mas representam muitas vezes centenas de milhões de dólares. E o mercado global deve ficar ainda menor nos próximos anos para o país, quando os EUA e a União Europeia devem fechar o seu tratado de livre-comércio.
Até por isso, o governo brasileiro agora tenta apressar um acordo comercial com os europeus, cujas negociações iniciaram em 1999 e estavam em banho-maria, mas que agora são vistas como tábua de salvação para evitar o isolamento comercial do país. 

ÁLVARO FAGUNDES
EDITOR-ADJUNTO DE "MERCADO"  
Folha
03 de janeiro de 2014

2014: TUDO COMO DANTES NO QUARTEL DE ABRANTES

NO JEITO PETRALHA E EMBUSTEIRO DE "GUVERNÁ"...
Ministério nega uso de artifício para elevar balança comercial/Balança comercial brasileira fecha 2013 com pior resultado em 13 anos.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Daniel Godinho, defendeu nesta quinta-feira (2) as operações envolvendo plataformas de petróleo nas quais as unidades não deixam o país, mas que são computadas como exportações. Em 2013, a venda de sete plataformas somou US$ 7,7 bilhões, montante superior ao apurado com transações semelhantes em 2012, que foi US$ 1,5 bilhão. 

Segundo Godinho, o aumento das operações reflete o desenvolvimento da indústria naval brasileira e não constitui um artifício para elevar o saldo da balança comercial.

O secretário de Comércio Exterior reafirmou a legalidade do registro das operações como exportações. “Existem registros de exportações de plataformas desde 2004. Com exceção de 2006 e 2009, essas operações aconteceram todos os anos. É algo que faz parte do comércio exterior brasileiro. O nome dessa operação, de acordo com todos os critérios internacionais, é troca de titularidade entre vendedor nacional e comprador estrangeiros. Para todos os efeitos fiscais e contábeis é uma exportação”, declarou.
As operações envolvendo plataformas são exportações fictas, nome dado à prática comercial que produz os efeitos cambiais e fiscais de uma exportação, sem que o produto deixe o país. Na prática, as plataformas são repassadas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, posteriormente, alugadas para operar no Brasil sem jamais deixar o território nacional. Dessa forma, a empresa brasileira pode se beneficiar do Regime Aduaneiro de Exportação e Impostação de Bens Destinados à Produção e à Exploração de Petróleo e Gás (Repetro).
De acordo com Godinho, em alguns casos a aquisição no exterior se deu por subsidiárias da própria Petrobras e, em outros, por um comprador distinto. Segundo o secretário de Comércio Exterior, a entrada em operação das sete novas plataformas está entre os fatores que contribuirão para uma elevação na produção nacional de petróleo este ano.

Balança comercial brasileira fecha 2013 com pior resultado em 13 anos

O saldo da balança comercial brasileira (diferença entre exportações e importações) de 2013 ficou positivo em US$ 2,561 bilhões, uma queda de 86,8% em relação a 2012. O resultado é o pior desde 2000, quando a balança apresentou déficit de US$ 731 milhões. As informações foram divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Midc) neste primeiro dia útil do ano.
De janeiro a dezembro, o total de exportações foi de US$ 242 bilhões, uma redução de apenas 1% em relação ao ano anterior. As importações, no entanto, subiram 6,5%, para US$ 239 bilhões.

No mês de dezembro, as exportações alcançaram US$ 20,846 bilhões, a segunda melhor média diária para meses de dezembro de US$ 992,7 milhões, superada apenas por dezembro de 2011 (US$ 1,006 bilhão). Sobre dezembro de 2012, as exportações registraram crescimento de 0,5%, e retração de 4,8% em relação a novembro de 2013, pela média diária.

As importações totalizaram US$ 18,192 bilhões. Sobre igual período anterior, as importações registraram retração de 1,0%, e de 9,4% sobre novembro de 2013, pela média diária. No período, a corrente de comércio alcançou valor de US$ 39,038 bilhões. Sobre igual período do ano anterior apresentou queda de 0,2%, pela média diária.
O saldo comercial do mês registrou superávit de US$ 2,654 bilhões, valor 18,3% superior ao mesmo período de 2012, de US$ 2,243 bilhões.
No mês, as exportações de produtos manufaturados (US$ 8,889 bilhões) registraram cifra recorde para meses de dezembro; já os básicos e os semimanufaturados alcançaram valores de US$ 8,797 bilhões e US$ 2,741 bilhões, respectivamente.
Por outro lado, cresceram as importações de combustíveis e lubrificantes (+13,8%) e bens de capital (+2,7%), enquanto decresceram as compras de matérias-primas e intermediários (-6,2%) e bens de consumo (-5,0%).

AGÊNCIA BRASIL/JB
03 de janeiro de 2014