"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

PRESIDENCIÁVEIS PRIVILEGIAM O SUDESTE NO CUMPRIMENTO DE AGENDAS EM 2013

Prováveis candidatos ao Planalto viajaram mais para a região que concentra os maiores colégios eleitorais do País; 77% dos deslocamentos de Aécio tiveram esse destino; Campos se aproximou do empresariado paulista e Dilma visitou o Estado 18 vezes
 
 
Lilian Venturini e Isadora Peron - O Estado de S.Paulo
 
A região Sudeste foi o principal destino das viagens nacionais feitas em 2013 pelos três prováveis candidatos ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
Com motivações variadas, os deslocamentos para a região, que concentra os maiores colégios eleitorais do País, num total de 60,7 milhões de eleitores, refletem as diferentes estratégias políticas adotadas ao longo do ano e podem indicar os passos de 2014. O levantamento do Estado foi feito a partir das agendas oficiais e registros das assessorias dos três políticos.
Dos três presidenciáveis, Aécio foi o que mais privilegiou a região, apesar de ter sido o que menos viajou entre os prováveis candidatos. Das 45 viagens feitas em 2013, 35 foram para o Sudeste. Em nove dirigiu-se à capital paulista e em outras nove para cidades do interior do Estado - dominado há quase duas décadas pelos tucanos.
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O foco em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, tinha um objetivo claro: ganhar visibilidade entre o eleitorado e vencer a resistência de parte dos correligionários, que preferiam o nome do ex-governador José Serra. No mês passado, Serra anunciou no Facebook seu afastamento da corrida presidencial.
"Em 2013 Aécio precisava confirmar o que ele tinha pretensão de ser (candidato a presidente). Tinha que confirmar o apoio do partido", afirma o deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE). O senador também não descuidou do seu reduto eleitoral: foi 13 vezes a Minas, Estado que governou por duas vezes.
De maneira geral, os encontros com correligionários e lideranças de siglas aliadas dominaram a agenda e ficaram mais frequentes a partir de agosto, quando Aécio já era presidente nacional do PSDB. Em São Paulo, aproveitou também para se apresentar a empresários, ruralistas e ambientalistas. Estratégia parecida com a adotada no Sul, segunda região mais visitada por ele, com quatro viagens.
Mais viagens. Dilma também deu preferência para a região Sudeste, para onde fez 37 das 82 viagens. A presidente, aliás, fechou 2013 com o maior saldo de deslocamentos domésticos da sua gestão - em 2011, foram 69 viagens, ante 50 em 2012.
Só a São Paulo foram 18 visitas da petista: nove delas na capital e quatro em São Bernardo do Campo, cidade do ABC que é o berço político petista. O Estado, que costuma ser mais simpático ao PSDB nas urnas, está entre os que o governo Dilma tem menor aprovação, segundo a última pesquisa realizada pelo Ibope, em dezembro. Apesar de bem avaliada em Minas, Dilma viajou em oito ocasiões para o Estado, também governado pelo PSDB.
Nos últimos dias do ano, a presidente visitou o único Estado da região ao qual não havia ido em 2013, o Espírito Santo, onde sobrevoou áreas que foram atingidas pela chuva.
Em termos de quantidade, o Nordeste foi o segundo principal destino da presidente. Os Estados da região, onde Dilma costuma ser bem avaliada, foram palcos para 23 viagens. A presidente, no entanto, também voltou sua atenção para o Sul, região onde o PT conta com menos simpatia do eleitorado, e para onde Dilma viajou 19 vezes, bem acima das cinco visitas feitas em 2012.
Empresários. Os caminhos escolhidos por Campos lembram os de Dilma e também privilegiaram cidades do Sudeste e, em seguida, do Nordeste. Suas viagens tiveram um objetivo: tornar seu nome mais conhecido entre os eleitores e, principalmente, entre o empresariado. A maratona de 58 deslocamentos de Campos começou ainda nos primeiros meses de 2013 e manteve ritmo intenso durante todo o ano.
Em uma semana de abril, por exemplo, passou quatro dos cinco dias úteis longe de Pernambuco. Recentemente, numa terça-feira de novembro, teve quatro compromissos num mesmo dia na capital paulista. "Mais de 80% das viagens de Campos este ano tiveram como foco a apresentação dele e do sucesso que é o seu governo em Pernambuco", disse o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).
Nesses encontros, Campos costumava seguir o mesmo roteiro. Apontava as conquistas dos governos FHC e Lula, mas apresentava-se como uma nova opção, incorporando a figura do gestor capaz de retomar o crescimento econômico.
03 de janeiro de 2014
Lilian Venturini e Isadora Peron - O Estado de S.Paulo
 

MSL - O MOVIMENTO DOS SEM-LEI

 
A decisão que desrespeita a a letra da lei agride o regime democrático, ainda que sob o pretexto de aperfeiçoá-la
 
Na semana passada, comentei aqui uma declaração do ministro Luís Roberto Barroso, do STF. Ele entende que uma de suas funções é "empurrar a história", como Lênin. Não existe democracia sem um Poder Judiciário independente, mas essa independência tem balizas. A decisão que desrespeita ou ignora a letra da lei agride o regime democrático, ainda que sob o pretexto de aperfeiçoá-lo. Juízes também são produto da ordem legal que eventualmente transgridem.
Pergunta-se a Barroso: aquele que manda às favas uma decisão judicial porque está "empurrando a história" merece aplauso ou punição? Sempre se pode argumentar que há o jeito certo e o errado de dar esse empurrãozinho, mas isso é guerrilha ideológica, não Estado de Direito. Vamos ver.
 
Liminar concedida dia desses por uma juíza do Mato Grosso do Sul impedia que proprietários rurais realizassem um leilão de gado, grãos e equinos. O objetivo do evento era arrecadar recursos para mobilizar produtores contra a onda de invasões de terra promovida por índios, ONGs e padres.
Na liminar, depois cassada, a juíza alegava que sitiantes e fazendeiros pretendiam contratar segurança privada --essa era precisamente a acusação feita pelos invasores--, o que implicaria "substituir o Estado na solução do conflito existente entre a classe ruralista e os povos indígenas".
 
Quando os militantes invadem as propriedades, eles não estão tentando "substituir o Estado"? Então o coitado que tem esbulhado o seu direito deve ser proibido até de se defender? De resto, quem quer dinheiro para contratar milícias não realiza leilões à luz do dia.
 
Em outubro, um juiz negou liminar de reintegração de posse à reitoria da USP, invadida por delinquentes de extrema esquerda. O juiz que se negou a devolver o prédio a seus legítimos usuários escreveu, espancando o bom senso e a língua:
"Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal". Quando os criminosos deixaram o prédio, o saldo de destruição impressionava. "Transtorno"?
 
O meritíssimo pertence a uma Associação de Juízes que se denomina "Para a Democracia", algo notável porque nos faz supor que possa existir outra --no caso, "para a ditadura". Tal associação já produziu uma pérola, também na defesa de invasores. Escreveu:
"Não é verdade que ninguém está acima da lei (...): estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais e que, por isso, rompendo com o estereótipo da alienação, e alimentados de esperança, insistem em colocar o seu ousio e a sua juventude a serviço da alteridade, da democracia e do império dos direitos fundamentais".
 
O estilo brega mal esconde a concepção totalitária de direito. Ora, se há pessoas acima da lei, cesse o que o antigo Estado de Direito canta. Tudo lhes é permitido, muito especialmente o crime.
 
O ano começa com o STF prestes a jogar o sistema político na clandestinidade. Quatro ministros já acolheram a Ação Direta de Inconstitucionalidade que quer proibir a doação de empresas a campanhas eleitorais. Se acontecer, as contribuições hoje ilegais assim continuarão.
E boa parte das legais migrará para o crime. Esse mesmo tribunal, e não entro no mérito de cada decisão, "constitucionalizou", por exemplo, o casamento gay, o aborto de anencéfalos e a marcha da maconha. Legislou na contramão da vontade explícita do Congresso. No caso das cotas raciais, condescendeu com a agressão à Constituição promovida pelos dois outros Poderes. E sempre contra a escrita.
 
Se as leis não limitam as ações dos homens, quem disciplina os homens sem limites?
 
03 de janeiro de 2014
Reinaldo Azevedo, Folha de S. Paulo

DÁ-LHE DILMA! BRASIL TEM MENOR SALDO COMERCIAL EM 13 ANOS

Comércio externo tem pior ano desde 2000
 
Superavit cai 87%, a US$ 2,6 bi, mas resultado seria pior não fosse venda recorde de plataformas que não saíram do país
Governo defende cálculo de plataformas nas exportações e diz que resultado da balança deve ser comemorado
O país teve em 2013 o pior resultado no comércio externo em 13 anos, mesmo com as estatísticas oficiais mostrando exportações recorde de plataformas de petróleo que, na verdade, não deixaram o país por terem sido alugadas internamente.
 
O superavit de US$ 2,6 bilhões foi 87% inferior ao de 2012 e o menor desde 2000, quando houve deficit de US$ 731 milhões. Também foi a primeira vez desde 2002 que o superavit anual não atingiu o patamar de dois dígitos.
 
O desempenho no ano passado refletiu uma combinação de crise nas principais economias do mundo, que afetou a venda de produtos brasileiros, fraca produção nacional de petróleo e derivados e aumento da demanda interna por combustível.
 
O petróleo é um dos principais itens da pauta de exportação do Brasil. Com a baixa produção em 2013, o país não só deixou de vender, como também teve de importar mais para atender a uma maior demanda interna.
 
Com isso, em 2013, a balança comercial do petróleo apresentou o maior deficit da história: US$ 20,3 bilhões. Essa conta foi influenciada porque a compra feita em 2012 de US$ 4,6 bilhões em petróleo só entrou nos cálculos oficiais em 2013, contribuindo para o aumento do deficit.
 
No acumulado do ano, as exportações totais do Brasil caíram 1% em relação a 2012, enquanto as importações bateram recorde, subindo 6,5%.
 
Ainda assim, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Daniel Godinho, disse que há motivos para comemorar, já que a exportação se manteve "num patamar elevado" num ano considerado extremamente "difícil".
 
PLATAFORMAS
O retrato do comércio exterior em 2013 só não ficou pior porque o governo contabilizou como exportação o vaivém contábil envolvendo sete plataformas produzidas aqui, vendidas a subsidiárias da Petrobras e de outras petroleiras no exterior e alugadas a empresas no Brasil.
 
Essas operações, que são legais e geram vantagens tributárias para as empresas (as petroleiras não precisam pagar PIS, Cofins e IPI sobre as plataformas), somaram US$ 7,7 bilhões em 2013, valor recorde. Sem essas exportações, o comércio externo teria sido deficitário.
 
Godinho defendeu a sistemática. "Cada país tem seu modelo [de contabilização dessas transações]. Esse é o modelo brasileiro, que existe desde 1999", disse, rebatendo as críticas de que se trata de manobra para inflar artificialmente os dados oficiais.
 
"Quem produz são estaleiros nacionais, não é a Petrobras. O fabricante vende para um estrangeiro e há ingresso de moeda estrangeira no país. Não posso dar tratamento diferenciado das demais exportações."
 
Segundo ele, desde 2004, com exceção de 2006 e 2009, houve exportação de plataforma. Porém, o valor máximo apresentado foi de US$ 1,5 bilhão em 2008 e 2012.
 
03 de janeiro de 2014
SHEILA D'AMORIM - Folha S.Paulo
 

FRACASSO ECONÔMICO DE DILMA TORNA ELEIÇÃO "IMPREVISÍVEL" - DIZ THE ECONOMIST

A primeira edição do ano da The Economist traz uma reportagem em que afirma que o resultado das eleições presidenciais de 2014 no Brasil é "imprevisível". Ao comentar que estudos mostram que o eleitorado brasileiro quer mudanças, a revista diz que "o espírito dos protestos de junho ainda está vivo e uma parte do apoio a Dilma Rousseff poderia derreter se uma alternativa forte emergir". A publicação diz que a economia será um ponto frágil da atual presidente da República.
 
"A economia oferece uma linha de ataque para concorrentes. Desde que Rousseff tomou posse, em 2011, o crescimento tem sido anêmico. O desemprego é baixo e, até recentemente, a renda subia mais rápido do que a inflação. Mas a criação de empregos e o aumento de renda agora estão esfriando, enquanto os preços continuam subindo. As finanças públicas se deterioraram e isso não será consertado em um ano eleitoral", diz a revista.
 
Além dos temas econômicos, a The Economist diz que há o risco de que os protestos populares de 2013 voltem a acontecer durante a Copa do Mundo. Outra ameaça é a possibilidade de que pelo menos uma cidade-sede do torneio tenha de ser retirada do mapa pelos atrasos na construção dos estádios. "Isso seria um grande constrangimento", diz a Economist.
 
Apesar do quadro favorável aos concorrentes, a publicação nota que Dilma retomou parte da popularidade após os protestos. Além disso, os demais candidatos ainda não começaram efetivamente a fazer campanha ou ainda enfrentam problemas internos. "O PSDB de Aécio Neves foi atingido por indícios de corrupção e superfaturamento em contratos públicos em São Paulo", cita a revista. "Eduardo Campos segue preparando um programa com sua provável companheira de chapa Marina Silva".
 
(Estadão)

COM TODA JUSTIÇA, GENOÍNO BEIRA-MAR

 
 
Me dê... Advogado de José Genoino, Luiz Fernando Pacheco diz que Joaquim Barbosa comparou o petista ao "maior bandido do Brasil" ao negar, em decisão no fim do ano, sua transferência de Brasília, onde cumpre prisão domiciliar pelo mensalão, para São Paulo.
 
... motivo Segundo a defesa do petista, o presidente do Supremo Tribunal Federal cita como uma das razões para negar a transferência de Genoino um habeas corpus, também indeferido pela corte, em que a defesa de Fernandinho Beira-Mar pedia que o traficante fosse levado para o Rio de Janeiro.
 
CEP Pacheco diz que a Lei de Execução Penal determina que o preso deve cumprir pena próximo de seu domicílio, salvo em casos excepcionais.
 
03 de janeiro de 2014
in coroneLeaks

HÁ MARINAS QUE VEM PARA O BEM


 
 
Costuras políticas entre o PSDB e o PSB são razoáveis e consolidam apoios para o segundo turno, desde que aconteçam nas praças dos candidatos. PSDB junto com PSB em Pernambuco e em Minas Gerais? Razoável. Em São Paulo, praça que decidirá as eleições e tradicionalmente tucana, tal aliança fere o partido e  só serve a interesses de pequenos grupos. Marina Silva, desta vez, é um mal que vem para o bem. Abaixo, matéria da Folha de São Paulo.

Em São Paulo, o presidente estadual do PSB, deputado federal Márcio França, articula há meses uma aliança com o PSDB do governador Geraldo Alckmin. França já foi secretário de Turismo do Estado e sua ideia era compor a chapa do tucano, como vice na chapa. O pessebista conversou pessoalmente com o governador e com alguns de seus aliados e o acordo estava próximo a ser fechado já no final do ano passado.

No entanto, a ex-senadora Marina Silva, neoaliada do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, rechaça o apoio a Alckmin e a possibilidade de subir no palanque do tucano. Segundo interlocutores, Campos e Marina tiveram uma conversa em dezembro, na Bahia, e o pernambucano foi convencido a buscar uma alternativa longe do PSDB paulista. Pessebistas relatam que a aliança com Alckmin, antes considerada estratégica, hoje tem chance "próxima de zero" de ocorrer. Marina, em contrapartida, anteciparia o anúncio oficial de que será vice de Campos na chapa presidencial para 2014.

Marina defende candidatura própria do PSB-Rede em São Paulo. A deputada federal Luiza Erundina (PSB) é uma das principais apostas da ex-senadora, que fará novas investidas para tentar convencer a deputada a disputar o Palácio dos Bandeirantes. Segundo aliados de Marina, a decisão sobre São Paulo sairá em janeiro.

MDIC, O MINISTÉRIO DA POUCA VERGONHA


Na agenda do MDIC o destaque para a politicagem que fez com que a nossa Balança Comercial desabasse em 2013.
 
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) é um dos mais estratégicos para um país exportador como o Brasil. O ministro responsável é Fernando Pimentel (PT-MG), um amigo da presidente Dilma Rousseff.
 
Mais do que amigo. Pegaram em armas juntos, no passado. Pimentel ficou famoso por vender consultorias que nunca existiram para a indústria mineira. Mesmo assim continuou ministro. Hoje ele apresentou o balanço das suas atividades em 2013.
A Balança Comercial do país. Um fracasso. Um superávit maquiado de U$ 2,5 bilhões, que seria déficit se não houvesse a "exportação" de U$ 7,5 bilhões em plataformas de petróleo que nunca saíram do Brasil.
 
Uma exportação Avon, mais uma da necessaire da Dilma e do seu ministério de fancaria. Pimentel está ministro apenas para usar a máquina pública para tentar se eleger governador de Minas Gerais. A máquina pública representada por caminhões, patrolas e escavadeiras que ele entregou, durante o ano, para 323 prefeituras mineiras.
 
Houve um tempo em que ministros como Pratini de Moraes e outros saíam pelo mundo para vender produtos brasileiros. Fernando Pimentel faz doações de máquinas a prefeituras, algo tão distante das suas funções que deveria ser um caso de representação na Comissão de Ética Pública, se ética pública existisse no governo do PT.
 
03 de janeiro de 2014
in coroneLeaks

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

EM MAQUIAGEM DE U$ 7,3 BILHÕES, DILMA "EXPORTA" PLATAFORMA DE PETRÓLEO PARA A PRÓPRIA PETROBRAS, MAS ELAS NÃO SAEM DO BRASIL


Dilma fazendo magia com as plataformas da Petrobras
 
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Daniel Godinho, defendeu nesta quinta-feira (2) as operações envolvendo plataformas de petróleo nas quais as unidades não deixam o país, mas que são computadas como exportações. Em 2013, a venda de sete plataformas somou US$ 7,7 bilhões, segundo o Jornal do Brasil.
 
O secretário de Comércio Exterior reafirmou a legalidade do registro das operações como exportações. “Existem registros de exportações de plataformas desde 2004. Com exceção de 2006 e 2009, essas operações aconteceram todos os anos. É algo que faz parte do comércio exterior brasileiro. O nome dessa operação, de acordo com todos os critérios internacionais, é troca de titularidade entre vendedor nacional e comprador estrangeiros. Para todos os efeitos fiscais e contábeis é uma exportação”, declarou.
 
Na prática, as plataformas são repassadas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, posteriormente, alugadas para operar no Brasil sem jamais deixar o território nacional. Dessa forma, a empresa brasileira pode se beneficiar do Regime Aduaneiro de Exportação e Impostação de Bens Destinados à Produção e à Exploração de Petróleo e Gás (Repetro).
 
De acordo com Godinho, em alguns casos a aquisição no exterior se deu por subsidiárias da própria Petrobras e, em outros, por um comprador distinto. Segundo o secretário de Comércio Exterior, a entrada em operação das sete novas plataformas está entre os fatores que contribuirão para uma elevação na produção nacional de petróleo este ano.
 
Resta saber se os compradores consideram esta transação como um importação. É óbvio que não. É óbvio que é mais uma maquiagem da Dilma.
 
02 de janeiro de 2013
in coroneLeaks

REVOLUCIONÁRIO OU APENAS MAIS UM


Francisco ganhou a batalha pela opinião pública. Com espírito desarmado, sorriso no rosto e ação conciliadora, em apenas nove meses, o papa recobrou a simpatia que a Igreja Católica perdeu nos anos de Bento XVI.
Adotou tom de maior tolerância com quem a doutrina vê como desviados e de mais respeito com outras religiões, além de promover reformas administrativas na Cúria Romana. Mas as mudanças anunciadas até agora são de forma, não de conteúdo. Nem de longe é possível considerar seu pontificado revolucionário, como analistas vêm fazendo apressadamente.

Não se trata de minimizar o que Francisco tem dito e feito, mas de dar o devido peso a suas palavras e seus atos. Bento XVI, seu antecessor, costumava apontar o dedo inquisitorial para identificar desvios de conduta, especialmente em outras confissões religiosas e no comportamento de homossexuais e divorciados ou em qualquer coisa que fugisse à ortodoxia católica. Francisco estendeu a mão ao outro, sob o argumento de que somos todos "pecadores". Para quem está do lado de cá dos portais das catedrais, certamente é melhor ser tratado de forma amena do que encarado como inimigo.

"Quem sou eu para julgar?", perguntou Francisco, e todos se encantaram com a demonstração de humildade. Nada de fundo se alterou, porém. Jorge Mario Bergoglio é tão conservador quanto Joseph Ratzinger em relação à doutrina, mas consegue embrulhá-la num papel mais suave.
O papa argentino, tal qual o alemão, acredita que manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo contraria as leis divinas e que, por isso, quem comete esse "pecado" e não se arrepende está condenado à danação eterna. Ambos concordam que mulheres são indignas de ordenação, que sacerdotes não podem ter vida sexual e que métodos contraceptivos devem ser proscritos.

O deslumbramento com o primeiro papa jesuíta e latino-americano é tamanho, não só no Brasil, que muitos nem se deram conta: a fórmula "quem sou eu para julgar" é pura condescendência, no pior sentido do termo. A recusa em sentenciar se dá de uma posição pretensamente superior, de quem acredita estar certo, mas trata quem discorda de maneira paternalista, passando-lhe a mão na cabeça.
Essa piedade papal dificilmente pode redundar em avanços na luta por direitos básicos de homossexuais, como o de casar, adotar crianças ou andar nas ruas sem temer ser alvo de violência gratuita.

Muitos dirão que a Igreja Católica nunca se modernizará, pois, se o fizer, deixará de ser uma referência sólida. Que mal faria modificar uma ideologia que exclui e marginaliza?
Se instituições e pessoas não evoluíssem, ainda seríamos caçadores nômades que conquistam mulheres pela força do porrete. As colunas da Basílica de São Pedro não se moveriam nem um milímetro caso o papa resolvesse anunciar que nada há de errado no amor entre duas pessoas do mesmo sexo ou numa relação que se segue a um matrimônio malsucedido. Tanto num quanto noutra, há apenas a busca da felicidade.

Os alicerces da civilização ocidental continuariam os mesmos se, porventura, o bispo de Roma afirmasse que filhos são muito bem-vindos, mas devem ser adiados até que os pais tenham condições psicológicas e materiais de os orientar.
Nenhum fiel se imolaria na Capela Sistina caso mulheres pudessem ser ordenadas, exercendo a vocação pastoral de forma plena, e se a padres e solteiros fosse permitido usufruir da dádiva do desejo. Abraçando as diferenças de forma sincera, não como quem lida com incapazes, a Igreja cresceria moralmente, pois estaria concretizando o mandamento do amor.

Quem usar o propalado discernimento jesuíta concluirá que Deus, retrato da suprema sabedoria e da infinita bondade, se existir, não estará preocupado com assuntos comportamentais como os condenados pela Igreja. É desnecessário estudar teologia para intuir isso. Basta consultar a própria consciência, na qual o certo e o errado estão gravados, e empregar o senso de proporção. Insistir numa postura que desconhece a complexidade dos seres humanos é mais do que lhes dar as costas, é deixar de reconhecer neles a centelha da divindade.

Francisco contribui para reduzir a tensão entre a Igreja e as pessoas que ainda lhe dão importância. Insistindo na volta à simplicidade, no conforto espiritual e na ajuda aos pobres, ele retorna à missão indevidamente abandonada. Pela via administrativa, combate a corrupção na Santa Sé e reduz os jogos de poder que minam a atuação pastoral.
O papa representou, até agora, novo estilo, mas não pode ser qualificado como progressista - muito menos como revolucionário. Sem tentar, ainda que de maneira gradual, viabilizar reformas substanciais e de fundo doutrinário, a personalidade do ano da revista Time será apenas mais um a ocupar o trono de Pedro.

02 de janeiro de 2013
Ricardo Medeiros, Correio Braziliense

VIGÍLIA PARA O ANO NOVO

A maioria dos turistas são apenas compradores; eles só tem uma experiência: a de comprar

O edifício principal da biblioteca pública de Nova York está na Quinta Avenida, entre as ruas 40 e 42.

É uma construção imponente, no estilo Beaux-Arts, como a Grand Central Station, e a sala de leitura é majestosa, como o átrio de Grand Central: o Beaux-Arts gosta de espaços enormes, altos e sem colunas de sustentação.

Não é um estilo pelo qual eu tenha uma paixão. Sempre achei um pouco pomposo, como tudo o que foi concebido e feito na época de Napoleão 3º e, logo depois, na Terceira República da França --a começar pela Ópera de Paris, que sempre me pareceu imitar um bolo de noiva.

Enfim, o fato é que os turistas, onipresentes em Nova York nestes dias, sobem a escada externa, tiram uma foto de lembrança com aqueles dois leões de mármore, que aparecem em tantos filmes, e penetram no edifício. Eles param para outra foto no átrio (onde se ergue uma grande árvore de Natal) e continuam pela escada interna; quando chegam ao segundo andar, atravessam a sala dos computadores públicos e encontram o espaço que lhes é reservado na entrada da sala de consulta ao catálogo.

Quanto ao acesso à sala de leitura, ele é protegido: os turistas ficam na porta, olhando, e um cartaz avisa que é bom manter o silêncio.

Estou em Nova York para ler algumas (ao menos) fontes primárias (do século 15, 16 e 17) sobre possessão diabólica --isso porque Carlo Antonini, protagonista de minhas ficções, encontrará um exorcista e um endemoninhado num futuro próximo. Restabeleci minha carta de leitor (que não usava há tempos) e minha autorização de acesso à divisão dos livros raros, a sala 328, que é um lugar fechado (é preciso bater à porta), pouco frequentado (sobretudo durante as férias) e com regras estritas: por exemplo, não se entra com sobretudo, pasta ou caneta (a sala fornece papel e lápis).

Estou lendo o relato do exorcismo de Nicole Obry (publicado pouco tempo depois dos fatos, em 1578), o "Flagellum Daemonum" (o flagelo dos demônios), de Gerônimo Menghe, que é um manual de exorcismo bem conhecido na época (1599), e "A Candle in the Dark" (uma vela no escuro), de Thomas Ady, que é um compendio das opiniões (já numerosas na época --1659) dos que acreditavam que não havia possessos, mas apenas enfermos.

Voltarei a escrever sobre exorcistas e endemoninhados. Hoje, o que me importa é a estranha experiência de ler na divisão dos livros raros da biblioteca pública de Nova York, neste fim de 2013.

A sala 328 se situa no fim da grande sala de leitura, longe dos turistas, mas, inevitavelmente, eu os cruzo quando chego e quando volto à sala do catálogo.

Turista sempre foi um termo pejorativo. Chamava-se assim quem viajava por diversão e, inevitavelmente, conseguia uma experiência superficial e chocha do lugar visitado. Hoje, aqui em Nova York, isso parece ser o de menos. A maioria dos turistas são apenas "shoppers", compradores; eles só tem uma experiência: a de comprar. Os que visitam a biblioteca pública entre uma loja e outra devem ser a nata da categoria; mesmo assim, adultos e crianças, quase escondidos atrás das sacolas que carregam, eles olham para mim como se eu habitasse uma outra dimensão. Talvez, eles encarem a biblioteca como um aquário, onde é possível observar uma espécie em via de extinção.

Não resisto à tentação de comparar os "shoppers" aos autores que estou lendo, para quem o mundo era um lugar complexo e interessantíssimo, em que cada opção comportava um risco radical, para a alma e para o corpo.

Sinto tristeza --pelo mundo transformado em bazar, pela miséria da experiência do "shopper" (para quem nem os objetos adquiridos tem relevância, só a estupidez do comprar) e por uma perda que afetará gerações, compradores produzindo compradores.

Entre 1 e 2 de janeiro, começarei o ano na vigília de poesia que acontece a cada ano, na igreja de Saint Mark. Pessoas ficarão na fila noite adentro, com uma temperatura prevista de 15 negativos, para conseguir um assento e passar a noite escutando 140 poetas.

No passado, na hora das catástrofes que ameaçavam a sobrevivência de uma comunidade (peste, invasões, fome), as pessoas se instalavam nas igrejas, em vigília, e pediam a ajuda de Deus contra a barbárie que estava às portas. A noite de poesia de St Mark é meu equivalente laico daquelas vigílias.

É A MÃE!

Chegou o ano da Copa e das eleições. Oba, regozijam os malcriados. É um bom pretexto para eles xingarem mais ainda

Chegou o ano da Copa e das eleições. Oba, regozijam os malcriados. É um bom pretexto para eles xingarem mais ainda. O técnico do time, o candidato, o adversário, o comentarista, o juiz e o colunista entrarão num corredor polonês verbal. Os delicados acham o vagalhão de impropérios um mau sinal: os argumentos soçobram, o discurso público afunda, a boçalidade se alastra como óleo no mar. Talvez estejam errados.

O insulto está em alta. Atribui-se a responsabilidade à internet. Mas a rede mundial apenas propiciou que mais e mais gente partisse para cima dos outros, lançando adjetivos em vez de mísseis. Como palavras machucam menos do que drones, a agressão retórica é melhor que a real. Raros têm coragem de ofender alguém, face a face e friamente, a propósito de generalidades que não lhes dizem respeito de maneira direta. Correm o risco de levar uma bordoada de verdade.

É possível não ser contaminado pelo pandemônio virtual. Ninguém é obrigado a frequentar blogs raivosos, a ler as eructações da área de comentários, e mesmo a acompanhar mesas-redondas e debates eleitorais. O computador pode ser desligado. A página de ultraje não é de leitura obrigatória. A conversa civilizada e a quietude são preferíveis aos apupos.

A contaminação, no entanto, existe. Há pouco tempo, considerava-se que o injuriador anônimo era moralmente inferior ao indivíduo que assinava embaixo o vitupério. O primeiro era tido por covarde e o outro, por corajoso. Não mais. Os pusilânimes venceram quando organizações respeitadas, mormente jornalísticas, passaram a aceitar o anonimato.

Não adianta considerar os seus donos e chefes como responsáveis pelas ofensas inominadas: agora, quem assume os ataques refocila na baixaria. Como a Justiça não funciona, fica-se por isso mesmo. Ainda há, contudo, quem resista ao vale-tudo.

Eles aparentam ser poucos porque quem berra, rubro de raiva, é mais escutado do que aquele que pondera racionalmente. O título “É a mãe!” atrai mais leitores do que “Considerações acerca da retórica da cólera”, ou coisa que o valha. Inicia-se assim a dinâmica do grito. Fala-se cada vez mais alto para angariar atenção.
Da interjeição genérica (“É uma ladroeira!”) se passa à acusação (“Ladrão!”) e daí ao incitamento (“Pega ladrão!”) e ao linchamento (“Mata!”). Isso é feito sem que se analise no que consistiu o roubo. Ou se houve mesmo crime. Ou se não haveria outras injustiças a serem coibidas antes. E não se esqueça de que o bramido começou porque um pobre diabo quis aumentar a audiência. Como a obteve, agora ele é um rico diabo, seguido por pobres diabos que lhe fazem coro.

A oratória da ofensa vem então para o primeiro plano. Essa operação tem cabimento em determinadas ocasiões. Num estádio, cabe esgoelar barbaridades. O futebol existe para divertir. Já a política tem como substância a melhoria da vida de pessoas, estamentos e classes. Como há interesses opostos entre elas, a polarização é benfazeja.

Mas mesmo no enfrentamento de forças reais, a afronta escrita é acessória. Na revolução francesa, Maria Antonieta, austríaca, foi chamada num sem-número de panfletos de putain autrichienne.
As palavras serviam para incitar o ataque à monarquia. Reduzir a revolução ao calão, ou mesmo atribuir-lhe importância, é ingenuidade — o que contava era a guilhotina, a energia da gente que cortava cabeças. No Brasil de hoje, a desimportância do xingatório é evidente. A plateia pouco influi no resultado dos jogos. O palavrório ofensivo na rede não granjeia novos adeptos, só convence os convertidos.

Seria o caso, pois, de caprichar nos impropérios, espelhar-se em Shakespeare. Em “Ricardo III”, a rainha Margaret, destronada, amaldiçoa o Duque de Gloucester. Xinga-o cara a cara, antes que ele vire rei, em versos contundentes, traduzidos a seguir.

“Aguenta aí, cão, e me escuta bem.

Se o céu tem pragas mais abjetas

Do que as que te rogo, que ele aguarde

Até que os teus pecados apodreçam,

Para então te vomitar ainda mais ódio,

Algoz da paz do pobre mundo!

Que o verme do remorso te roa a alma,

Que penses que os teus amigos te traem

E os troque por traidores vis de verdade.

Que o sono só te cerre os olhos funestos

Para tombares num nefando pesadelo

Onde uma legião de demônios te trucide.

Tu, turvo espírito da treva, porco, aborto,

Tu, filho do inferno, entrevado de nascença!

Tu, fruto podre do ventre de tua mãe,

Tu, obra atroz do esperma de teu pai!”
 
02 de janeiro de 2014
Mario Sérgio Conti, O Globo

2014 EM DIANTE E OUTRAS PERTINÊNCIAS

2014 em diante

No estado de Washington se calcula que o preço do baseado legal pode ir a 12 dólares, por causa da pesada taxação. O que estimula, digamos, a cobiça de governos atrapalhados com suas contas


No Uruguai e nos estados americanos de Colorado e Washington, entrou em vigor neste 1º de janeiro a legalização de produção, processamento e venda de maconha. São regulamentações diferentes, estatizantes no Uruguai, mais liberais nos EUA, mas todas com o mesmo objetivo: tirar o espaço do tráfico ilegal e, pois, eliminar ou reduzir bastante os esforços e custos de combater uma guerra considerada perdida.

Há muitas outras iniciativas desse tipo em andamento pelo mundo afora — e devem se acentuar neste ano. A Nova Zelândia dará um passo ousado: a produção e distribuição legal de drogas sintéticas — o barato sintético. A atividade será controlada como se controla o setor de medicamentos. A empresa química interessada pede o registro do produto ao governo, e deve instruir o processo com testes diversos que provem sua, digamos, eficiência, sem efeitos colaterais, digamos, exageradamente ofensivos à saúde. Em resumo: qualidade e segurança.

Pois é, a ver como funcionam essas experiências.

A indústria química e farmacêutica está com os laboratórios e caixas prontos. Não se sabe ao certo quantas pessoas são usuários das drogas ilegais no mundo, mas uma estimativa comumente aceita indica algo perto de 300 milhões de pessoas, uns 4% da população mundial.

Imaginem que 4% dos 3,5 milhões de uruguaios sejam usuários da marijuana. O governo acredita que 40 baseados/mês são uma média razoável (com o que concordam usuários). A um dólar por cigarro de um grama, bem barato, dá um negócio de US$ 70 milhões/ano. Por esse padrão, o mercado brasileiro chegaria perto de US$ 3,7 bilhões.

No estado de Washington, muito mais rico, se calcula que o preço do baseado legal pode ir a 12 dólares, por causa da pesada taxação. O que estimula, digamos, a cobiça de governos atrapalhados com suas contas.

APOSENTADOS SEM DINHEIRO

E, por falar nisso, em 2014 ficará ainda mais evidente que não há no mundo poupança suficiente para financiar as aposentadorias de pessoas que vivem cada vez mais.

Também falta dinheiro para financiar os custos crescentes com saúde e com uma medicina tão eficiente quanto cara.

Já pensaram que barato? Legalizar e taxar as drogas para financiar saúde e aposentadorias? E proporcionar aos idosos uns momentos de.... bom, vamos ficar por aqui.

COMO DEUS

Devem aparecer cada vez mais pesquisas com o propósito de recriar espécies extintas. Já não se fazem clones? Pois então: se encontrarem uns genes sobreviventes de animais já desaparecidos.... E, se bem conhecida a estrutura genética, por que não criar uns genes sintéticos?

TORNEIO DE PREVISÕES

Está rolando um torneio mundial de previsões, a sério, promovido pela Intelligence Advanced Research Projects Activity. Basicamente sobre economia, política, cenário internacional.

Você pode tentar uma inscrição no site www.goodjudgementproject.com. São perguntas para este ano e 2015. Por exemplo: EUA e União Europeia fecharão o acordo de livre comércio?

De nossa parte, lançamos duas perguntas brasileiras, óbvias: O Brasil vai ganhar a Copa? Quem se elegerá presidente?

SINAIS DOS TEMPOS

Ao término deste ano, haverá no mundo mais de 7 bilhões de linhas de celulares. Mais do que o número de habitantes. Isso deve significar alguma coisa.

CAPITALISMOS

Por toda parte se discute a privacidade neste mundo da internet e das redes sociais. Mas há um outro debate na direção inversa: a criação de regras para que as pessoas possam vender seus dados para empresas.

Alibaba, a Amazon da China, vai vender ações na Bolsa de Nova York.

NOVAÇÕES

Em setembro deste ano, será realizado em Beijing o primeiro Grande Prêmio da Fórmula E — E de elétrico. A promoção é da mesma entidade que comanda a Fórmula 1, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

Já não há mais dúvida: o carro elétrico vem aí, assim que resolverem o problema da bateria (preço e tempo de carga). Justamente a pesquisa que pretendem estimular com a Fórmula E.

Ter petróleo e etanol continua sendo uma vantagem. Mas há concorrentes na praça.

E a venda de carros particulares voltará a crescer neste ano.

IDAS E VINDAS

O Euro completou 15 anos neste 1º de janeiro — e muita gente, na França e na Itália, por exemplo, considera a moeda comum como a principal causa de seus infortúnios. Já os 2 e tanto milhões de habitantes da Latvia estão comemorando justamente sua entrada no Euro. Agora são 13 países com a mesma moeda.

DESEJO

Final da Copa, Brasil e Argentina.

Atuação magistral e três gols espetaculares de Messi.

Atuação magistral e quatro gols sensacionais de Neymar — o quarto no segundo tempo da prorrogação.


02 de janeiro de 2013

Carlos Alberto Sardenberg

NÃO HÁ RAZÕES PARA OTIMISMO

Natal e ano-novo, ao menos formalmente, são momentos em que se reafirmam esperanças. No Brasil, talvez seja preferível reservar a ocasião para reflexões.

A conjuntura, infelizmente, não é favorável: inflação estabilizada em patamar alto, crescimento econômico pífio, flagrante desequilíbrio fiscal, setor externo instável. Mais grave é que as perspectivas também não são animadoras. Há entraves estruturais seriíssimos, como os que, a seguir, destaco.

As disfunções institucionais. Celebramos 25 anos de democracia, como evidência de estabilidade institucional. Tal marca contrasta com uma verdadeira ciranda das instituições: o Executivo legisla abertamente, mediante uso abusivo das medidas provisórias; o Legislativo interfere levianamente nas políticas públicas pelas indicações de apaniguados para os cargos públicos (no limite, o aparelhamento) e pela chantagem das emendas ao Orçamento; e o Judiciário envereda pelo temeroso caminho do ativismo legiferante.

A corrupção. As avaliações de agências internacionais são pouco lisonjeiras. O índice de percepção da corrupção da Transparência Internacional, que agrega informações do Banco Mundial, do Fórum Econômico Mundial e outras organizações, em 2013 pôs o Brasil em 72.º lugar num universo de 177 países. As causas da corrupção são conhecidas: as relações patrimonialistas entre o Estado e a sociedade, como já apontara Raymundo Faoro (Os Donos do Poder), em que se destaca a corrupção eleitoral em larga escala, seja pelo financiamento comprometido das empresas, seja por governos que abusam da publicidade e distribuem privilégios, sob a forma de verbas, incentivos fiscais e subsídios creditícios; a impunidade para a qual conspiram as ineficiências da polícia, do Ministério Público e do Judiciário; e, mais recentemente, a atitude condescendente das autoridades em face dessa prática, a exemplo da alegação de caixa 2 no escândalo do mensalão e da nomeação de políticos desqualificados para a função pública, em nome da "governabilidade".

O Leviatã tropical. O Estado não para de crescer e traz consigo aumento da carga tributária: bolsas à mão cheia, que por prescindirem de saída transformam a inclusão social em assistencialismo; a cada dia se cria um novo ministério ou secretaria, que em nada aproveita ao interesse público. Institucionalizamos a profissão de "concurseiro", porque se sabe que é ilimitada a disposição de aumentar o tamanho da folha de pessoal. Os investimentos, pressionados pela expansão dos gastos correntes, nem sequer se resolvem pela via da privatização, pelo receio de que se perceba que sua demonização foi mero expediente eleitoreiro. A burocracia é uma hidra indomável: ora são as extravagantes exigências para inscrição e baixa de empresas, ora é a estranha imposição de uma tomada elétrica sem similar no resto do mundo.

O caos urbano. A urbanização sem planejamento converteu as cidades brasileiras em verdadeiras pradarias urbanas. Os incentivos aos automóveis e a desatenção com o transporte público universalizaram o engarrafamento. A inusitada ideia de converter o município em ente federativo promoveu uma descentralização anárquica. As Câmaras Municipais tornaram-se relevante e vergonhoso item da despesa pública. A violência fez das cidades territórios sem lei, sob o olhar complacente de uma polícia sem força e sem preparo, não raro também corrupta. É a época do medo e dos cidadãos murados.

A educação de má qualidade. Alcançamos a proeza de universalização do ensino fundamental de má qualidade. Para corroborar as avaliações pouco generosas dos alunos brasileiros em competições internacionais basta um simples diálogo com um atendente de call centers ou uma breve leitura de comentários em blogs. Não há possibilidade de ultrapassagem da barreira da baixa produtividade sem elevar os padrões de qualidade da educação. A tudo isso se soma a perda de identidade cultural de uma juventude massacrada por música e outros produtos culturais de péssimo gosto.

 
02 de janeiro de 2013
Everardo Maciel, O Estado de S. Paulo

SUASSUNA IMORTALIZANDO O AMOR

 



O escritor e poeta paraibano Ariano Suassuna, no poema “A Mulher e o Reino”,
exalta a amada, revolta-se contra a razão e imortaliza o amor.

A MULHER E O REINO
Ariano Suassuna

Oh! Romã do pomar, relva esmeralda
Olhos de ouro e azul, minha alazã
Ária em forma de sol, fruto de prata
Meu chão, meu anel , cor do amanhã

Oh! Meu sangue, meu sono e dor, coragem
Meu candeeiro aceso da miragem
Meu mito e meu poder, minha mulher

Dizem que tudo passa e o tempo duro
tudo esfarela. O sangue há de morrer

Mas quando a luz me diz que esse ouro puro
se acaba pôr finar e corromper
Meu sangue ferve contra a vã razão
E há de pulsar o amor na escuridão
 
          
 
(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)
 
02 de janeiro de 2014
 

"ÍNDIOS ESTÃO PRESOS AO DISCURSO DAS ONGS" - DIZ ANTROPÓLOGO

 



Ao comentar o recente conflito indígena na Terra Indígena Tenharim e na cidade de Humaitá, o antropólogo Mércio Pereira Gomes criticou a política do governo para a questão indígena e a ação das organizações não governamentais (ONGs). Mércio foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) no governo do presidente Luiz Inácio Lula da da Silva, entre 2003 e 2007.

Em seu blog na internet, ele disse que desde os anos da ditadura militar os índios não se viam diante de uma conjuntura tão difícil quanto a que vivem no governo da presidente Dilma Rousseff. Para o antropólogo, umas das explicações para o quadro atual é a ação das ONGs indígenas, marcada por um “radicalismo infantil e pernicioso”.

“Os índios estão presos no discurso das ONGs”. disse o ex-presidente da Funai. De acordo com seu texto, várias dessas organizações são “amalucadas, ambiciosas e desrespeitosas das tradições indígenas”.

O antropólogo também criticou a política indigenista do governo da presidente Dilma Rousseff: “A Funai patina, sem rumo, refém de um governo sem qualidade indigenista”.
Ao avaliar as perspectivas para o próximo ano, desenhou um cenário ainda pior: “2014 será ano de eleição presidencial, de reforço de forças políticas reacionárias ao nosso processo histórico. As sementes dos conflitos crescerão.”

Em outubro, em depoimento ao jornalista Felipe Milanez, transcrito em seu blog, Mércio havia criticado o governo por adotar o ponto de vista dos empresários do agronegócio – que estariam “em guerra” contra os índios.
“Diante de seu peso no PIB, os fazendeiros se dão panca de serem os novos senhores de engenho, um poder rural absolutista e com pretensões políticas nacionais”, afirmou.

(transcrito do Estadão)

02 de janeiro de 2014