"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

REPRESENTANDO DILMA, TEMER É VAIADO NA ABERTURA DA FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT

Temer é vaiado na abertura da Feira do Livro de Frankfurt.  Ele falou sobre o que chamou de sua 'ousadia literária', o livro de poemas Anônima Intimidade
 
O vice-presidente Michel Temer, representando a presidente Dilma Rousseff, foi vaiado após discurso na abertura da Feira do Livro de Frankfurt na tarde de hoje, final da manhã no Brasil.
Em uma fala longa e de teor político, ele fez comentários também sobre como se tornou um leitor - e tratou do que chamou de sua "ousadia literária", o livro de poemas Anônima Intimidade, "que tem muito da minha infância".

Vista do pavilhão do Brasil, país homenageado pela feira - Ralph Orlowski/Reuters
Ralph Orlowski/Reuters
Vista do pavilhão do Brasil, país homenageado pela feira
 
09 de outubro de 2013
Maria Fernanda Rodrigues / Enviada Especial - O Estado de S. Paulo

"O 'EMPATE DE MARINA"

 
Discípula de Chico Mendes, Marina Silva aprendeu com “o herói dos Povos da Floresta” uma tática de resistência pacífica empregada contra os desmatadores da Amazônia. Chamava-se “empate” e consistia em reunir mulheres e crianças para com elas formar uma barreira humana que era colocada entre os tratores, as motosserras e as árvores a serem abatidas, deixando o inimigo sem ação. Se não o vencia, pelo menos impedia o seu avanço. Em um desses confrontos, que se tornou lendário, cerca de cinquenta policiais armados tentavam garantir o desmatamento diante de cem seringueiros. De repente, estes começaram a cantar o Hino Nacional e os soldados se perfilaram em posição de sentido. Só restou ao comandante da operação suspender a derrubada.
 
Nessas histórias, que ouvi há mais de 20 anos no Acre, quando a conheci, aparecia sempre uma figura magra como um graveto que se destacava pela coragem e disposição, apesar de portadora de várias doenças da selva, inclusive uma contaminação por mercúrio. Lembrei-me disso ao ouvir esta semana relatos de quem acompanhou de perto a inesperada decisão de Marina de se filiar ao PSB, desarrumando o quadro político e desorientando o adversário, que, como se estivesse num “empate”, ainda está sem saber o que fazer. Foi assim que respondeu à discutível negação do registro de seu novo partido. Tida por alguns como indecisa e por outros como “caótica”, a Marina da madrugada de sexta-feira para sábado, quando se decidiu, foi outra muito diferente, na opinião dos que estavam com ela. Um deles, o deputado Miro Teixeira, que colaborou na criação da Rede, ficou impressionado com a “capacidade de liderança e a firmeza na decisão” da sua aliada. Segundo ele, foi ela quem teve a original ideia da aliança e quem tomou a iniciativa de propô-la ao governador Eduardo Campos.
 
Não se sabe o que vai ser desse casamento, tão comemorado, depois da lua de mel. De qualquer maneira, ele conseguiu abalar o esquema bipolar FHC x Lula e alterar um panorama que já era dado como definitivo. Foi a grande, inédita novidade política em meio ao marasmo destes últimos tempos.
 
Até quando será permitido que vândalos mascarados se infiltrem nas passeatas de protesto, promovendo quebra-quebra e saques de lojas? A Ordem dos Advogados do Brasil classificou os policiais como “jagunços” pelos excessos cometidos nas manifestações. Muito bem. Mas que classificação ela daria aos baderneiros que anteontem mais uma vez levaram o caos ao Centro da cidade depois da marcha pacífica dos professores?

09 de outubro de 2013
Zuenir Ventura, O Globo

"DISPUTA ABERTA"

 
 
O que a presidente Dilma classifica de “vingança” a ex-senadora Marina Silva chama de “legítima defesa”. Seja lá o que for, esse sentimento deve ter se aprofundado ontem, quando o Senado, dominado pelas forças governistas, aprovou rapidamente a legislação que tira dos novos partidos o direito a tempo de televisão e fundo partidário, projeto esse que Marina atribui diretamente ao Palácio do Planalto.

Quem acredita que a intenção não foi dar o troco à manobra política de Marina e Eduardo Campos, pode fazer tudo, menos política. Mais uma vez a Rede Sustentabilidade, o partido que Marina tenta criar, está bloqueado por um projeto da maioria congressual, o que caracteriza uma ação política truculenta própria de regimes autoritários como o “chavismo”, identificado por Marina como a origem desse comportamento que faz “o diabo” para manter o controle político do país.

Mais uma vez será preciso recorrer ao Supremo Tribunal Federal para evitar esse prejuízo aos novos partidos, entre eles a Rede, abrigado provisoriamente no PSB para um trabalho de guerrilha política de combate à polarização entre PT e PSDB.

Essa mágoa, que não é apenas de Marina, mas também de Eduardo Campos, que acusa o governo de bater abaixo da linha da cintura para tirá-lo da corrida presidencial, pode levar a uma ação mais direta contra a presidente Dilma na campanha eleitoral, o que reforçaria a área da oposição.

Teremos que ver como Eduardo Campos e Marina resolverão a questão das coligações regionais. O PSDB havia feito vários acordos com o PSB pelo país todo, como mantê-los agora? Veremos até que ponto eles são oposição ao PT, ou se quererão ficar em posição equidistante dos dois, para não ficarem marcados como meros antagonistas do PT. Eles têm muita preocupação com isto, pois vieram da base governista.

Desde 2010, Marina evita ser contra o PT, não usou na campanha nem mesmo as críticas que teria sobre a atuação da presidente Dilma no Gabinete Civil, que foi a razão de sua saída do governo depois de quase todo ele permanecer à frente do ministério do Meio Ambiente.

O desabafo sobre o “chavismo” do PT, feito de madrugada na sexta-feira para um pequeno grupo de seguidores, não foi reafirmado na entrevista coletiva para que não fosse, como está sendo, acusada de radicalização à direita.

A diferença é que hoje os dois, especialmente Marina, estão magoados com o governo, a quem atribuem as manobras para tentar impedi-los de participar da corrida presidencial.

O nível de tensão desencadeado pela ação política de Marina e Eduardo pode reforçá-los, mas pode também trazer uma disputa interna que, mesmo não desejada por nenhum dos dois, pode ser incentivada por fatores externos, que afetarão todos os demais competidores de maneiras variadas.

Afinal, como diz Aécio, a disputa está aberta.O que parece ser hoje o grid de largada para a corrida presidencial de 2014 pode não ser o mesmo em julho, quando os partidos farão suas convenções.

Marina pode continuar aparecendo à frente de Eduardo Campos nas pesquisas que vierem a ser feitas, a tal ponto que crie uma situação de constrangimento para o governador de Pernambuco, que, nessa hipótese, não teria outra escolha a não ser abrir mão da disputa em favor de sua nova correligionária.

O ex-governador José Serra certamente ficou inquieto com a decisão de Marina, que abriu uma brecha na disputa presidencial que ele se considera capaz de preencher. Se tivesse tempo, teria mudado de partido para estar em condições de participar da disputa, mas não esperou o último dia para se definir.

Se o senador Aécio Neves não der mostras de que tem condições de reagir nas pesquisas, ocupando o lugar que o PSDB sempre teve entre as duas principais forças políticas do país, é possível que Serra tente reviver seu sonho de disputar a presidência da República.

E, sobretudo, a presidente Dilma verá de volta Lula em seus calcanhares se a jogada de Eduardo Campos e Marina der certo. O movimento “volta Lula” ganhará corpo diante da nova configuração da campanha eleitoral, agora legitimado justamente pela mudança de cenário.


09 de outubro de 2013
Merval Pereira, O Globo

"UVAS VERDES"

Confira-se ao PT o desconto da surpresa. O partido, assim como todo o mundo político, ainda está aturdido com um movimento que estava fora do radar geral.
 
Natural, portanto, que as reações sejam desencontradas e em boa medida conflitantes entre si, quando não incongruentes. Enquanto rezavam no altar do governismo, Eduardo Campos e Marina Silva eram irrepreensíveis, mas no momento em que resolveram acumular forças para enfrentar o governo passaram a ser tidos como conservadores, incoerentes, retratos prontos e acabados do oportunismo eleitoral.
 
Uma lógica fundada no preceito do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
 
De uma hora para outra os petistas começaram mesmo a externar preocupação com o destino do PSDB, lamentando os prejuízos que a filiação de Marina ao PSB levará à candidatura de Aécio Neves. Como se os tucanos não fossem seus adversários tão tradicionais quanto preferenciais.
 
De um modo geral, as análises construídas no PT ainda sob o calor do fato novo enxergam riscos e problemas na aliança entre a ex-senadora e o governador de Pernambuco.
 
Os petistas reagem penalizados com a gama de obstáculos que veem no horizonte dessa aliança e avaliam que houve um ganho inequívoco para a campanha da presidente Dilma Rousseff. Nesta versão, a maior - senão a única - beneficiária da união de dois ex-aliados contra sua reeleição.
 
Ora, se as coisas são tão complicadas assim, se há mais dificuldades que facilidades à frente de Marina e Campos, por que se preocupa tanto o PT? Deveria festejar. Mas, ao que tudo indica, o sentimento real que transparece nessas reações é o receio do desconhecido.
 
Nesses anos de grande poderio os petistas se acostumaram com a simplificação da disputa com os tucanos, contra os quais têm roteiro pronto, repetido a cada eleição, e se desacostumaram com o enfrentamento. A regra agora mudou: foram desafiados por gente oriunda de seu campo que passa a formar um polo de oposição cujo maior trunfo é não se contrapor às qualidades, mas ter nascido e crescido em terreno semeado pelos defeitos do PT.
 
Nó a desatar. Uma questão se apresenta para as próximas pesquisas de opinião: o nome de Marina Silva continuará a ser incluído na lista dos candidatos à Presidência? Provavelmente sim, porque os institutos de pesquisas não estão submetidos às condicionantes dos partidos.
 
Nesta hipótese será difícil, para não dizer impossível, medir o efeito eleitoral da união da ex-senadora com o governador de Pernambuco, cujo nome consta no rol de opções apresentadas aos pesquisados e, assim, em tese um adversário e não um aliado de Marina.
 
De onde a decisão para a formação da chapa, se mantida a disposição dela de ocupar o lugar de vice, não poderá ter como parâmetro só a leitura numérica.
 
Calça curta. O senador Aécio Neves falava ao telefone em tom tranquilo, pesava e media palavras logo após a divulgação da aliança Campos-Marina que o alcançou em Nova York.
Até que não aguentou: "Eu chego aqui justamente no meio de um barulho desses!".
 
Além do limite. É uma armadilha da qual o poder público terá de encontrar um jeito de escapar: se a polícia reprime movimentos violentos, eles ganham adesão social e, em consequência, tornam-se mais ousados e violentos. Se não reprimem o vandalismo, os governos são omissos.
 
Talvez fosse o caso de figuras proeminentes do País e dos próprios manifestantes de causas legítimas levarem em conta uma evidência: o uso da força é prerrogativa do Estado e a observância da ordem um direito de todos.
Dora Kramer, O Estado de São Paulo
09 de outubro de 2013
 

"SOZINHO NA PARADA"

Não importam agora as razões pelas quais o Banco Central repentinamente entendeu que as despesas excessivas do governo deixassem de ser causa de inflação "em horizonte relevante para a política monetária". Importa agora o fato de que o Banco Central não espera,  mais contar com a colaboração da política fiscal (aumento de receitas e contenção de despesas) para atacar a inflação.
 
Se as palavras têm significado e consequência, como advertia nos anos 60 o senador gaúcho Brochado da Rocha, segue-se que, em caso de puxada da inflação, o único antídoto à disposição do Banco Central é o aumento dos juros básicos (Selic), mesmo que seja necessário perfurar o teto dos dois dígitos, tabu do governo Dilma.
 
Não será o único fator a pressionar os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião que teve ontem sua primeira parte e que terminará hoje, com o objetivo de rever os juros.
 
Desde sábado, o ingrediente político do bolo de rolo monetário ficou mais importante com a adesão da ex-senadora Marina Silva à pré-candidatura de oposição à Presidência da República do atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
 
Se um recado relevante foi passado à presidente Dilma pelos protestos de junho, foi o de que seu governo fora complacente demais com a inflação. Deixou que a alta de preços esmerilhasse o poder aquisitivo do trabalhador a ponto de um reajuste de 20 centavos na tarifa de transporte coletivo urbano (no caso de São Paulo) fizesse diferença no orçamento e o levasse à mobilização. Ou seja, se antes da organização da oposição à candidatura Dilma a um segundo mandato, o combate à inflação exigia mais empenho, mais ainda exigirá agora. Será corrosivo potencialmente forte para a candidatura Dilma se esse flanco exposto for explorado com eficiência pela oposição.
 
Embora variáveis eleitorais não sejam formalmente discutidas no Copom, o Banco Central sabe agora que está sozinho na parada do contra-ataque à inflação. Mais, que será mais especialmente cobrado a partir de agora.
 
Embora seus documentos de gerenciamento de expectativas venham dizendo que a inflação continua espalhada e resistente, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem repetido que não espera estocadas que exijam redução do volume de moeda na economia maior do que a já encomendada. A principal ameaça ele não controla. Provém da falta de colaboração da política fiscal, como ficou dito acima. Foi este, também, um dos fatores que levaram na semana passada a agência Moody's de avaliação de risco a justificar a ameaça de rebaixamento da dívida pública brasileira.
 
Por enquanto não se espera nenhuma surpresa dos juros básicos. O Copom deverá puxá-los hoje em mais meio ponto porcentual, para 9,5% ao ano. Continua no ar a pergunta sobre até que ponto, na última reunião do ano, em 26 de novembro, o Copom estará disposto a limitar o aumento dos juros a 0,25 ponto porcentual, apenas para evitar os juros de dois dígitos (a partir de 10% ao ano). O risco é o de que, se faltar neste ano, o resto do corretivo tenha de ser aplicado em hora imprópria, às vésperas das eleições.

09 de outubro de 2013
Celso Ming,
O Estado de São Paulo

EDUARDO CAMPOS: "CHEGOU A HORA DE APOSENTAR UM BOCADO DE RAPOSAS"

 
Governador classificou a política brasileira como ‘mofada, cansada e atrasada’
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse nesta terça-feira que a política brasileira precisa da aposentadoria de um “um bocado de raposas”. Falando como candidato à Presidência da República, Campos deu entrevista a uma rádio de Salvador, e mandou um recado ao PT e ao PSDB.

— Chegou a hora de a gente aposentar um bocado de raposas que já está enchendo a paciência do povo brasileiro. (Elas) têm que ir para casa para o Brasil seguir e continuar mudando — declarou, em conversa por telefone, conduzida pelo radialista Mário Kertész, da Rádio Metrópole de Salvador.
 
O presidente nacional do PSB, no entanto, afirmou ter consideração e amizade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB), provável adversário em 2014. Ele indicou que seu palanque agora é diferente do montado por ambos.
 
— (O intuito foi) construir um caminho para animar a vida pública brasileira e permitir que a população participe da eleição para não ficar com aquele negócio chato de um que diz sim e outro não.
 
— O PT e o PSDB deveriam estar achando até bom (a aliança), pois são dois partidos que surgiram até buscando exatamente quebrar esse tipo de polarização que nos impôs a ditadura: era MDB e Arena. Acho que ganha o debate, o cidadão.
 
Campos disse que o “movimento não é contra ninguém”, pois “reconhece o que aconteceu no Brasil nos últimos anos”.
 
— (Mas a aliança) reconhece que é preciso mudar a política, se não a gente não faz as mudanças para continuar construindo dias melhores para a vida da população.
 
Em relação ao fatiamento de governos motivado pelas alianças partidárias, o pré-candidato do PSB à Presidência da República disse que essa prática estaria “vencida”.
 
— A sociedade precisa de serviços públicos que funcionem melhor, nós não podemos permitir essa apropriação de pedaços de estado por forças política para alimentar reeleições de a, b ou c. A gente precisa racionalizar o gasto público, melhorar a qualidade do serviço público. Não é nenhum preconceito com a política (atual). Já vi o mar encher e o mar secar. Você só tem sustentação parlamentar se você tem sustentação nas ruas. E para você ter sustentação nas ruas no Brasil do futuro ou você entrega (serviços) ou ninguém aguenta mais conversa fiada.
 
Campos disse que os governos precisam entregar escolas funcionando, formando as crianças e jovens. Afirmou ainda que a situação da saúde é caótica.
 
— A prática tem que mudar para uma prática que ganhe o povo e ganhe a nova política.
 
Ele classificou a política brasileira como “mofada, cansada e atrasada”.
 
— As figurinhas são as mesmas, as mesmas cabeças, só pensam nas casquinhas, nos políticos debaixo do braço para empregar alguém que não arruma emprego na iniciativa privada para atrasar a vida do povo. O povo está pagando imposto caro, está passando três horas para ir e vir ao trabalho, tá querendo eficiência, mudança, essa política é analógica e a população está na era digital, não aguenta mais conversa não, quer velocidade.
 
Campos contou ter ficado emocionado no sábado, ao receber um telefonema do senador Pedro Simon (PMDB-RS).
 
— Eu queria estar aí (em Brasília para o anúncio da aliança), mas parabéns. Eu imagino como doutor (Miguel) Arraes (avô de Campos) estaria feliz em ver você e a Marina conseguindo uma alternativa que faz com que a gente volte a ter emoção na política brasileira — teria dito Simon

09 de outubro de 2013
Biaggio Talento, Agência A Tarde - O Globo
 

"É PRECISO DAR NOME ÀS COISAS"

Há muito que as manifestações - iniciadas em junho e que se vêm repetindo periodicamente em várias cidades do País - escaparam ao controle da maioria que sai às ruas para protestar pacificamente. Mas os atos de violência que marcaram os protestos realizados segunda-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro mostram que a situação chegou a um ponto em que, se as forças policiais não reagirem com firmeza proporcional ao desafio que lhes está sendo lançado - o que até agora as autoridades hesitam em fazer -, é muito grande o risco de que a desordem tome conta das grandes cidades, com todas as consequências facilmente imagináveis.
 
Nas duas cidades, os acontecimentos seguiram mais ou menos o mesmo roteiro. À grande maioria dos que protestavam contra a proposta de plano de cargos e salários dos professores municipais do Rio - em São Paulo a manifestação foi em apoio a eles - juntaram-se grupos aguerridos que se aproveitam da situação para promover vandalismo. A partir de certo momento, como sempre acontece, estes últimos assumiram o comando das ações e as manifestações degeneraram em violência pura e simples.
 
Tudo isso já é conhecido. O que há de novo e ficou patente tanto em São Paulo como no Rio é que a ousadia desses grupos cresceu a ponto de não conhecer mais qualquer limite. Os atos de vandalismo deixaram de ser isolados, produto do calor da hora e de elementos mais exaltados, para se tornarem uma constante do mais organizado dos grupos que os praticam - o Black Bloc, que se autoproclama anarquista. Como de seus integrantes não se conhecem ideias políticas e militância condizentes com a história desse movimento, deve-se concluir que dele tomaram apenas a prática da violência e do terrorismo como fins em si mesmos.
 
São, portanto, bandidos. Podem não roubar e matar, embora seus atos ponham vidas em grave perigo, mas é isso que são. E mascarados, como convém a marginais que evidentemente não querem ser identificados. É preciso chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome. Não admira que o Black Bloc atraia criminosos comuns - traficantes e outros - para quem também a destruição, seguida de saques eventuais, basta.
 
Em São Paulo, quando a maioria dos manifestantes se dispersou, os vândalos fizeram o de sempre, na Praça da República e na Avenida Paulista e em suas imediações - destruição de equipamentos públicos, como placas de trânsito e lixeiras, e depredação de agências bancárias e lojas. Mas agora foram mais longe - jogaram coquetéis molotov contra policiais militares (PMs) que formavam um cordão de proteção em frente ao prédio da Secretaria Estadual da Educação na Praça da República. Não por acaso, quatro dos sete feridos nas manifestações eram PMs.
 
No Rio, onde o número tanto de manifestantes propriamente ditos como de vândalos foi maior, a situação foi ainda mais grave. Diante de uma força policial que só interveio meia hora depois de eles terem começado a agir, os integrantes do Black Bloc se entregaram à destruição no centro da cidade, principalmente nas imediações da Câmara Municipal e na Avenida Rio Branco - depredaram prédios públicos, apedrejaram o Consulado dos Estados Unidos e o Clube Militar e, como de hábito, atacaram também agências bancárias.
 
O mais grave aconteceu na Câmara Municipal, contra a qual - a exemplo do que foi feito com o cordão de PMs em São Paulo - foram também lançados vários coquetéis molotov. Essas bombas incendiárias não são coisa de manifestante pacífico nem mesmo de vândalo amador e ocasional. São coisa de profissional, que está muito mais para terrorista puro e simples do que para baderneiro. Elas são uma arma letal, não um cartaz. Mais uma vez é preciso dar o nome certo às coisas.
 
É imperioso e urgente separar os manifestantes dos bandidos e terroristas que deles se aproveitam e precisam disso ser alertados. E é igualmente imperioso que os governantes abram os olhos para essa realidade gritante - que é o risco de se perder o controle da situação nas grandes cidades - e reprimam com a dureza necessária a ação desses grupos criminosos.

09 de outubro de 2013
Editorial do Estadão

"GOLPE DE MESTRES, MESTRES DE GOLPE"

 
 Como Dilma, Aécio e os "mestres da política" do PSB-Rede vão dizer ao povo que o dinheiro acabou?
 
O BRASIL "FORMADOR de opinião" ainda anda embevecido ou preocupado com o "golpe de mestre", com a "aula de política" e outras trivialidades enviesadas do comentarismo político a respeito do minueto de Marina Silva e Eduardo Campos.
 
Mais importante seria perguntar aos candidatos, de maneira apropriada e indireta, decerto, como vão mentir na eleição de 2014. Mentir à larga, provavelmente. Terão de ser mestres é de golpe eleitoral.
 
Os "programadores" (autores de planos) dos candidatos maiores da oposição (Aécio Neves e o ser Marina-Campos), economistas em particular, acreditam que é preciso dar um tempo nas duas décadas de aumento de gasto muito acima do ritmo do PIB.
 
Aliás, isso estava escrito de maneira radical no programa de Marina em 2010, embora ela mesmo talvez nem tivesse percebido. Dizia-se lá que o gasto público corrente deveria crescer à metade da velocidade do PIB. Isto significa cortar para um quarto ou menos o ritmo de aumento das despesas com benefícios sociais (assistenciais, INSS, educação, saúde). Os economistas próximos de Aécio não pensam de maneira muito diferente.
 
De Campos, não sabemos quase nada a respeito, pois por ora ele trata dos lírios do campo (que vivem da bondade de Deus, não do Orçamento), de "semear a esperança" e reler o socialismo com os óculos de Marina, "sustentáveis", nas pausas de seus encontros com empresários.
 
Mesmo parte do pessoal de Dilma Rousseff mais preocupado com o fiasco de 2011-2013 e mais amigo dos livros de macroeconomia imagina como dizer à chefe que o dinheiro, por ora, acabou. O gasto social vai ser um dos problemões de 2015-2018. Algum controle, forte, terá de haver, quase todo mundo sabe. Improvável que algum candidato o diga. Como vão mentir, ou dourar a pílula, é que são elas.
 
Cidadãos prestantes e interessados na coisa pública deveriam desde já amolar os candidatos a esse respeito.
 
No entanto, não é essa a conversa. Petistas e, especialmente, antipetistas, na política ou no comentarismo, dedicam-se a uma aritmética eleitoral especulativa, protesto.
 
Quase tão importante, debate-se quando Marina e Campos chegarão às vias de fato na dança das cadeiras da chapa presidencial, quando a música da pré-campanha parar de tocar em meados do ano que vem.
 
Note-se de passagem que tal conversa tem tudo para parecer absurda, pois a comédia ou novela da eleição está ainda tão distante que o público ainda confunde as personagens. Lula tem mais voto de pesquisa que Dilma, José Serra tem tantos ou mais votos que Aécio Neves, Marina dá de lavada em Camps. Logo, ninguém sabe nada de nada.
 
A seguir, discutem-se os "palanques" (quais adeptos do campismo não vão se bicar com tais e quais marinistas etc.). Tem alguma relevância, mas marginal.
 
No que diz respeito a eleições, "formadores de opinião" costumam formar a opinião uns dos outros. Quando o povo comum forma sua opinião, os formadores de opinião não raro têm de mudar a sua. O povo, nós, não sabemos o que queremos até começar o show da eleição.
 
Portanto, o cálculo das probabilidades é uma pilhéria.
 
09 de outubro de 2013
Vinicius Torres Freire, Folha de São Paulo

CAMPOS SOBE TOM DE CRÍTICAS AO GOVERNO



 
Mais confiante após conquistar o apoio da ex-senadora Marina Silva (PSB), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), está deixando de lado a cautela e já começa a falar abertamente como candidato a presidente da República. Ontem, ele subiu o tom das críticas às ações do governo federal na área econômica. Disse que a atual crise de expectativas é resultados de mudanças equivocadas nas regras do jogo e mencionou o "pibinho".
Em entrevista ao radialista e ex-prefeito de Salvador Mário Kertész, o governador acenou ao setor empresarial, ao dizer que sua aliança com Marina é a primeira resposta para a reversão das expectativas negativas na economia. Também atacou a política de concessões do governo, descartou aliança com o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e disse que é chegada a hora de "aposentar as raposas que estão gastando a paciência do povo".
De acordo com Campos, o governo federal demorou muito para iniciar a concessão de projetos de infraestrutura à iniciativa privada e, quando o fez, foi ingênuo ao tentar barrar a lucratividade dos empresários. "Quando decidiu fazer [as concessões], disse: 'vou fazer com raiva, não vou deixar ganhar muito'. A iniciativa privada não vai fazer filantropia. Isso é ingenuidade", afirmou o governador.
O baixo crescimento da economia nos últimos anos, segundo ele, é resultado de uma reação dos investidores às mudanças implementadas pelo governo em áreas como energia elétrica, portos e petróleo. "Isso tudo criou um ambiente em que a economia começou a andar de lado. Esse ato com a Marina é primeira resposta à reversão dessa expectativa. Responde a quem quer investir e a quem foi para a rua [nas manifestações de junho]", disse.
Campos voltou a dizer que seu projeto presidencial vai reconhecer avanços como a estabilidade econômica e a inclusão social, porém foi duro ao defender a necessidade de mudanças na prática política, que nas suas palavras está "mofada e atrasada". Questionado sobre sua relação com Aécio, o pernambucano disse que é boa, mas ressaltou que suas convicções políticas não são as mesmas. "Às vezes as pessoas confundem relacionamento pessoal com coisa política", respondeu.
Antes de encerrar a entrevista, Kertész - que no ano passado disputou e perdeu a Prefeitura de Salvador pelo PMDB -, disse que muitos ouvintes estariam animados com a terceira via representada por Campos e Marina. O pernambucano rebateu: "Terceira via por enquanto".
09 de outubro de 2013
Murillo Camarotto - Valor
 

E SE APARECER A BANDA "FORA PT" ?

 


O comissariado pedirá aos eleitores algo que nenhum partido brasileiro teve: 16 anos de poder efetivo
 

Marina Silva está no PSB. Está? Disputará a vice (mas pode não disputar) de Eduardo Campos, que até o mês passado estava na base de apoio do governo. Marina tomou uma decisão imperial e fechou o acordo com o senhor do PSB em menos de 24 horas. Disse que fez uma "aliança pragmática", mas logo corrigiu-se: "programática". Em torno do quê, não se sabe. Se disso resultar apenas uma chapa, tem tudo para ser nova parolagem. Se dessa aliança nascer uma tentativa de frente antipetista, o caminho e a conversa serão outros.
 
Em matéria de chapa esquisita, ninguém superará a de Tancredo-Sarney. No entanto, aquilo era uma frente contra o que a rua chamava de "isso que está aí", e Tancredo foi eleito (indiretamente) sem ter apresentado programa. Precisava?
 
Mário Covas, Ulysses Guimarães e Leonel Brizola não podiam imaginar que o segundo turno da eleição de 1989 seria disputado por Lula e Fernando Collor. Eram dois candidatos contra aquilo que estava ali.
 
Quem foi para a rua em junho saberá nos próximos meses que o Supremo está pronto para diluir as sentenças do mensalão. Aquilo que Marina Silva exageradamente classificou de "chavismo" é apenas um aspecto do jogo bruto do comissariado petista. Ele foi sentido nos tribunais, nos bancos oficiais, na porta giratória das agências reguladoras e na monumental trapalhada da proposta de Constituinte exclusiva. Isso para não se falar nos grandes circos com padrão Fifa.
 
A aliança dos dois ex-ministros do governo de Lula tanto pode acabar numa pirueta movida a palavrório como em algo maior. Sinal de seu anacronismo é a notícia de que Fernando Bezerra Coelho harmonizará a aliança "pragmática", ou "programática". Até outro dia era ministro da doutora Dilma. Faz parte do clã que controla Petrolina há meio século. O PT respondeu às ameaças mais encorpadas com a voz das urnas e prevaleceu porque o eleitorado preferiu "o que está aí".
 
O comissariado buscará em 2014 a extensão do seu mandato até 2018. Serão 16 anos corridos. Jamais na história brasileira um partido conseguiu essa marca dentro de um só regime constitucional. Os conservadores do Império tiveram 14 anos (1848-1862). Getúlio Vargas teve 15 (1930-1945), com três regimes e uma ditadura. Os militares tiveram 21, com quatro ordens constitucionais. No 16º ano de vida, seu partido, a Arena, estava estilhaçado.
 
Já o PT, vai bem, obrigado, sonhando com uma reforma política que criaria o financiamento público das campanhas (dinheiro na mão do comissariado) e a instituição do voto de lista (o mesmo comissariado alinha os candidatos). Não se tratará apenas de uma tentativa espichar o tempo de mando. O que há na mesa é um projeto explícito. Jogo jogado.
 
Para os costumes brasileiros, a longevidade petista seria uma novidade. Contudo, nas quatro maiores democracias do mundo (Estados Unidos, Alemanha, França e Inglaterra), a sociedade deu o poder a blocos de poder longevos que fizeram grandes reformas.
 
O marqueteiro João Santana acha que Dilma Rousseff será reeleita graças a uma oposição viciada pela "antropofagia de anões". Marina Silva com Eduardo Campos tanto podem representar isso, devorando o tucanato, como podem formar uma banda tocando "Fora PT". Os eleitores decidirão quem dança.

09 de outubro de 2013
Elio Gaspari, O Globo

DILMA TRAVA BOA PARTE DO PACOTE DE PRIVATIZAÇÕES EM INFRAESTRUTURA

Estilo Dilma trava boa parte do pacote de concessões em infraestrutura
 
Um ano após ser lançado com alarde para resolver gargalos na infraestrutura do país, o ambicioso programa de concessões do governo federal mudou a visão do mercado sobre a presidente Dilma Rousseff devido a revisões contínuas das regras e atrasos nos investimentos.
 
Investimento do Brasil em infraestrutura se reduz
 
Levantamento feito pela Folha nos cinco setores em que houve mudança regulatória -aeroportos, portos, rodovias, ferrovias e setor elétrico- indica que o estilo da administração petista acabou travando boa parte do pacote de concessões.
 
Em todos os casos houve correções de rumo após o anúncio dos modelos, previstos para começar a rodar, com algum fôlego, já em 2013. Na prática, os investimentos só vão começar no ano que vem.
 
O setor privado alegou falta de diálogo, erros de avaliações técnicas e taxas de retorno baixas. O governo afirma que houve conversas, mas nem todos os interesses foram contemplados. "Muitas vezes não é que não foi ouvido. 'Não fui ouvido' deve ser entendido como 'não fui atendido'", disse a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil).
 
Até agosto de 2012, quando os objetivos gerais do PIL (Plano de Investimentos em Logística) foram divulgados em megaevento no Palácio do Planalto, não havia críticas expressivas ao estilo da presidente nem a seus principais auxiliares. Tampouco a capacidade de gestão da presidente era questionada.
 
 
O quadro, porém, começou a mudar a partir de setembro de 2012, quando o Executivo apresentou novas regras de concessão no setor elétrico. Ali, o mercado de energia alegou ter ficado sabendo de muitas mudanças por meio do "Diário Oficial". Empresas questionaram cálculos das novas tarifas e das indenizações e muitas perderam valor de mercado. O governo até resistiu por um tempo, mas foi obrigado a ceder.
 
A partir daí, cria-se o conceito da "concessão dirigida" como marca da administração dilmista. O estilo resulta em três características comuns: tarifas mais baixas para o usuário, exigência de investimentos maiores e mais rápidos dos concessionários e problemas na comunicação com empresários.
 
Para a ministra, as revisões promovidas nas concessões não podem ser consideradas como um "vai e volta" porque fazem parte do processo de ouvir todos os envolvidos e conciliar interesses, muitas vezes conflitantes. "Reclamações e críticas sempre vamos ter porque temos que mediar para convergir para um bom resultado para quem investe e para quem vai usar", disse.

 Editoria de Arte/Folhapress 
 Editoria de Arte/Folhapress 


09 de outubro de 2013
NATUZA NERY e  DIMMI AMORA - Folha de São Paulo

O TIRANETE E O IATE DE LUXUOSO

MADURO, O TIRANETE DA VENEZUELA, ADQUIRE IATE LUXUOSO PARA COMEMORAR "LA REVOLUCIÓN"
 
Nicolás Maduro, o filhote do finado caudilho Hugo Chávez, que pleiteia poderes especiais de uma tal "lei habilitante", para legislar por meio de decreto, fato que o transforma num ditador, acaba de adquirir um iate de alto luxo, segundo denunciou o líder oposicionista Henrique Capriles.

Conforme de se ver nesta foto publicada pelo site venezuelano Dolar Today, o tiranete bolivariano gosta de luxo e riqueza, enquanto defende a implantação de uma ditadura de estilo cubano para o povo da Venezuela.

Como todos os comunistas, socialistas, ecologistas e assemelhados, Nicolás Maduro é um cínico além de destacado integrante do Foro de São Paulo, a organização comunista fundada por Lula e Fidel Castro, em 1990 na capital paulista. O Foro de São Paulo coordena as ações comunistas em todo o território latino-americano.

No entanto, Maduro e seus sequazes, além de ter o apoio do Lula e da Dilma e seus cupinchas do PT e da base aliada mensaleira, conta com o silêncio até mesmo das tradicionais democracias a começar pelo governo de Hussein Obama. 

Fala-se na Venezuela que Maduro promoverá uma festa em seu novo iate logo que a Assembléia Nacional, dominada pelos chavistas, o consagre como o mais novo ditador cucaracha.

O mundo está podre.
 
09 de outubro de 2013
in aluizio amorim

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

Governo dá uma aliviada nas dívidas de transnacionais, de olho nas contribuições de campanha para 2014
 
Dilma Rousseff dará hoje uma canetada na Medida Provisória 615, forçando a Receita Federal a abrir mão de quase R$ 50 bilhões em dívidas fiscais de empresas transnacionais “brasileiras”. Como de costume, a governança petralha facilita sempre a vida dos controladores da Oligarquia Financeira Transnacional que mandam no Brasil e comandam empresas que parecem ser nacionais, mas já não o são há muito tempo.
 
O Ministério da Fazenda resolveu passar por cima da Super Receita Federal e perdoar multas e juros das empresas que pagarem sua dívida à vista. A equipe de Guido Mantega também permitirá o malabarismo contra o Leão, autorizando que as transnacionais tupiniquins usem os prejuízos fiscais acumulados em seus balanços como um “jeitinho” para pagar a dívida com a União.
 
O Congresso Nacional foi conivente com a operação. A MP 615 prevê um desconto de 100% nas multas e juros para quem pagar à vista e um abatimento final de 20% para quem resolver pagar o débito à prestação. O Governo teria de receber uns R$ 70 bilhões em dívidas. Com a flexibilização, deve se contentar com uns R$ 25 bilhões. A diferença perdoada a petralhada espera que ajude as empresas a lembrarem que, ano que vem, é hora de investir nas doações eleitorais...
Asim funciona o Capimunismo Petralha: aos amigos tudo; aos inimigos, nem a lei...
 
Cegos por Justiça

 
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

09 de outubro de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

A RESPEITÁVEL MAÇONARIA


 
A Maçonaria é uma Associação de caráter universal. Por aqui, não a vemos,  nem no bojo nem na periferia de escândalos, de maracutaias ou de politicagens. Bom sinal. Dá - se ao respeito.

Não somos maçons. Temos amigos, de reconhecido valor, que o são. De longe, aprendemos a respeitá-la. Não sabemos, exatamente, as razões desta deferência.

Seria função do mutismo grave e impenetrável da Associação?

Talvez em razão da névoa de mistério que envolve as suas atividades e as restrições para o ingresso naquela reservada e seletiva Associação? Como se faz? Como se ingressa?

Sabemos, por ouvir falar, de seus regulamentos, cerimoniais, hierarquias e trajes que denotam antes seriedade do que pompa, antes compromissos e juramentos, do que acordos e acertos entre mal - intencionados.

Propositadamente, quase às escondidas, os maçons primam pelo anonimato, entendamos: não por agirem à sorrelfa ou à margem da lei e das convenções, mas por hábito, pela força de suas tradições. De pronto, num contexto em que a maioria das pessoas disputa a tapas seus quinze minutos de glória, até pela autoria das maiores barbaridades, eles merecem, pelo seu comedimento nas atitudes e pensamentos, no mínimo, a nossa atenção.

Olimpicamente, mas em surdina, cumprem eles suas missões. Sem alarde, dedicam-se ao que fazem através dos séculos, pois seus membros cultivam a filantropia, a justiça social, o aclassismo, a humanidade, os princípios da liberdade, da democracia e da igualdade, o aperfeiçoamento intelectual e a fraternidade, é, assim, uma associação iniciática, filosófica, filantrópica e educativa.

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autônomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais conhecidas e corretamente designadas) Lojas, "todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si", abrigando empresários, profissionais liberais, militares,... cidadãos.

Contudo, ultimamente, para o nosso gáudio e renovada esperança, mesmo sabedores da independência de suas células, temos recebido contundentes manifestos de algumas Lojas, que literalmente, e com clareza, demonstram e externam um repúdio e um desconforto com os rumos  da nossa desgovernança.

Tal foi a mega-reunião ocorrida em Brasília, em 30 de março último, em que a Arte Real homenageou as Forças Armadas e firmou com elas, uma indissolúvel aliança, em prol do Brasil! Tal foi a cruzada em defesa da Amazônia brasileira, cobiçada internacionalmente, desde sempre, que vem sendo desenvolvida por todos os maçons, em âmbito nacional, já faz dois anos!

Nada mais natural, conforme reza o bom senso, que prestemos atenção quando a Maçonaria se pronuncia. Podemos entender que, condenando os rompantes e inverdades que fazem parte do dia - a - dia de alguns líderes nacionais, ao pronunciar - se, prime sua palavras pelo siso e pela irrestrita obediência à verdade.

Comprovamos, pela veemência de seus Manifestos e Campanhas, como nós, seus membros acreditam que estamos mergulhando às cegas no caos. Denunciam que ao cabresto de aventureiros e inconsequentes rumamos para um regime social - sindicalista, e que não estamos construindo uma grande nação, e sim, somos cobaias de um abjeto projeto de poder. Acreditam que a construção de uma sociedade que mereça tal denominação, não pode ser edificada sob alicerces forjados na manipulação e no engodo.

Ressaltando uma unidade de pensamento e uma dignidade incomuns na plagas nativas, repelem com vigor o caminho, que com esmolas e às tontas, segue a nação brasileira.

Não somos, e certamente os maçons também não, a consciência nacional, entretanto, ficaremos roucos de tanto denunciar e vaticinar que o despreocupado povo brasileiro não ficará impune às suas inconsequentes escolhas.

Aos maçons, convidamos, não para o banquete da vitória, mas para a árdua luta de despertar uma sociedade alienada e amorfa. Uma missão quase impossível.

Que o nosso desconforto, nosso alerta, pouco a pouco conscientize os cidadãos de bem, aos indivíduos responsáveis e que eles despertem de seu marasmo, e não se limitem à cômoda posição de meros espectadores do descalabro, das ignomínias, das corrupções e da falta total de pudor e de vergonha que assolam à Nação.

Conclamamos para a adoção de uma posição proativa, não pela força, mas pela denúncia, pela indignação, pela perseverança, pelo esclarecimento, pela pressão, pelo alerta constante, esperando que o clamor de 16% seja tão ensurdecedor, que mesmo o patife mais surdo, não possa deixar de ouvir.

Fujamos da aquiescência e do comodismo que embotam as mentes, e tenhamos a convicção de que o errado, o ilícito, a mentira e a trapaça não podem ser aceitos, mesmo que praticados, apregoadas e admitidos como naturais pelas mais cretinas autoridades.

Não interessam aos indivíduos de bem, a desvirtuação dos costumes, a deterioração do caráter, práticas que tornaram - se a bandeira para o desmantelamento da sociedade brasileira, e que são praticados acintosa e explicitamente pelo desgoverno, que sem oponentes, dominará os corações e as mentes dos acomodados.

Nos manifestos maçons temos encontrado idêntico desprezo às praticas antiéticas adotadas para a tomada total do poder e, por isso, saudamos com vigor e admiração a coragem e a determinação das Lojas desta respeitável Associação.

Ao que bradamos! Felizmente, não estamos sós.
 
09 de outubro de 2013
Valmir Fonseca de Azevedo Pereira, Presidente do Ternuma, é General de Brigada Reformado.

POR UM PROJETO MAIS BARATO


 
 
Ontem, jesuítas. Por duzentos e dez anos ocuparam a terra. O pulso frouxo de Portugal, dócil ao poder espiritual, foi a deixa para idealizarem o Império Teocrático. Os índios foram as pedras do grande tabuleiro nas jogadas políticas da Igreja para atingir o alvo. Por trás, sempre um governo submisso!
 
Hoje, piratas do CIMI e das ONG, aos montes. Todos a serviço dos corsários internacionais. Todos dominando não ingênuos silvícolas, mas um bando fantasiado de autóctones, cocares de plástico e tangas fashions, aculturados no estrangeiro, de muito valor agregado pela preciosidade do solo amazônico onde pisam, já espoliado pela gatunagem estrangeira. O alvo: sempre eles, os índios!
 
Caricaturas da população indígena de outrora, conduzidos por grupos mafiosos, tornaram-se lastimáveis e corrompidas peças de manipulação política, nacional e internacional, inescrupulosa e imoral, acobertada por autoridades, políticos e juristas brasileiros.
 
Mentalmente, distancio-me do Brasil. No afastamento necessário à visão integral de povo e território, chego à triste realidade. Escorreram pela sarjeta da estagnação, quinhentos e treze anos de existência. São mais de cinco séculos de completo desapreço pelo conhecimento, pelo estudo, pela vontade de progresso. São mais de quinhentos anos de parasitismo social, de negligência, de paralisia mental, de espera pelas terras celestiais, herança das promessas dos batinas, ainda na Colônia, em vez de enterrar as mãos na terra terrena e fazer prosperar o paraíso que lhe foi dado, sem merecimento, é certo, por ser um povo indigno de nele pisar.
 
Mas desígnios são desígnios. Como já disse algumas vezes, se não são explícitas as razões dos fatos, se os desígnios não são decodificados, tenho o direito de expor as minhas próprias interpretações.
 
O Brasil é um caldeirão de criaturas e não de pessoas, onde um monturo de interesses individuais tem em comum a obediência à lei de Murici, “cada um por si”, à qual acrescentaram “e Deus por mim”. O Brasil é um vazadouro de ignorantes, exigentes nos seus direitos, refratários a quaisquer deveres. Traz em seu bojo uma tropa de renegados que aqui nasceu para focinhar vantagens, daí a lista de políticos bandidos que infestam os Poderes, eleitos por seus iguais.
 
O Brasil se transformou no sorvedouro da imundície moral. É o asilo que recolhe os indesejados, foragidos, venais, corruptos, guerrilheiros desta e de outras plagas.
 
Vejo o povo com desprezo, justamente por ele relegar o crescimento interior e manter-se na infância do desenvolvimento espiritual, satisfeito com o frívolo epíteto de ‘cordial’, mal-interpretado para benefício próprio.
 
Sinto pelos políticos, asco. Dedico ao esquerdismo, ponto abissal da decomposição integral do indivíduo, repugnância. E ainda achamos que somos privilegiados por termos “um país de dimensões continentais”, chavão de marqueteiros pops. País enorme, povinho pequeno.
 
Negativismo? Não, apenas uma análise sem eufemismo da nossa triste, pobre e atrasada realidade sobre esta população inútil que, pela bolsa-filho, já atingiu a casa de mais de cento e noventa milhões de almas. Almas? Não é à toa que ‘alma’ e ‘lama’ são anagramas.
 
Como não há quem preencha os requisitos necessários para trazer de volta o respeito às normas constitucionais, à disciplina e à hierarquia, penso que somente algo como a erupção do Vesúvio possa dar jeito neste país de saqueadores de dentro e de fora.
 
09 de outubro de 2013
Aileda de Mattos Oliveira é Dr.ª em Língua Portuguesa. 
 
Embora tenham surgido argumentações provenientes de Instituições de respeito na área de mobilidade urbana, assinadas por profissionais técnicos competentes, o Prefeito Eduardo Paes nunca se dispôs a debater seriamente com a sociedade e com as comunidades afetadas, o problema da demolição da Av. Perimetral. 
 
Levando-se em consideração o delicado momento de protestos, infelizmente acompanhados às vezes por vandalismos impunes, exigindo, entre outros pleitos importantes, mais investimentos na qualidade da educação, seria de todo aconselhável que a administração municipal, numa corajosa contramão na via de arrogância que caracteriza nossos governantes, revisse suas prioridades de gastos públicos. 
 
Se a recusa para esta atitude se basear, como é provável, na limitação de tempo de mandato, fica demonstrado o fato evidente mas lamentável, que o foco não são os investimentos que deveriam ser contínuos, visando ao interesse público, mas os ganhos políticos, o que demonstra o baixo grau de maturidade da nossa classe política, na medida em que direciona seus esforços às ascensões individuais. 
 
Se a remoção da importante via é justificada pela prefeitura com base em considerações estéticas, que tal mobilizar sua eficiente equipe de arquitetos e urbanistas a fim de formular um projeto mais barato e suficientemente debatido, que aperfeiçoe seu funcionamento e torne a região mais bela e funcional, mesmo que a execução atravesse vários mandatos, como acontece com as metrópoles do primeiro mundo?

09 de outubro de 2013
Paulo Roberto Gotaç é Capitão-de-Mar-e-Guerra, reformado.