"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 6 de outubro de 2013

O PAPA, OS JOVENS E AS "DOENÇAS MENTAIS"


          Artigos - Cultura 
Queridos educadores, para que a disciplina adquira o selo da liberdade é necessário um docente que saiba ler a inquietação como linguagem, desde a busca que implica em movimento físico, o de nunca ficar quieto, passando pelo permanente perguntar, até a do adolescente que tudo questiona e replica, inquieto por outra resposta.
Cardeal Jorge Mario Bergoglio,  Arcebispo de Buenos Aires, em ‘Mensaje a las comunidades educativas’, 23 de abril de 2008.


Um diálogo entre dois jovens, ambos em torno dos 12-15 anos:

A – Quem é o teu psiquiatra?
B – Dr. X, e o teu?
A – Dr. Y, ele é um barato! Eu tomo Ritalina e você?
B - Sai desta, eu estou com Zoloft e Effexor, quando eu tomo me dá um barato incrível! Fico outro, cara!
A – Minha irmã toma Zoloft, mas já tomou Prozac.
B – O meu irmão também.
 

Este diálogo não se passou num livro de Aldous Huxley, mas entre estudantes de um colégio secundário de elite numa metrópole do que já se pode chamar de Brave New World. O professor que me relatou horrorizado disse ainda que isto é um fato comum nos colégios, até com crianças pequenas. Os medicamentos são do grupo chamado Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (Selective Serotonin Reuptake Inhibitors - SSRIs) ou do Metifenidato (Ritalina).

Tudo começou nos EUA com a invenção de novos diagnósticos cuja existência real é no mínimo dubitável, senão completamente falsas. Estão incluídos há quase vinte anos no Manual Estatístico de Perturbações Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders-lV (DSM-IV) da American Psychiatric Association, 1994).
Tais diagnósticos pertencem ao grupo chamado de comportamentos inadequados e falta de disciplina (Disruptive Behavior Disorders - DBDs) e incluem Distúrbio do Déficit de Atenção (ADD, Attention deficit disorder), geralmente acompanhado de hiperatividade: Distúrbio do Déficit de Atenção/hiperatividade (Attention Deficit Hiperactivity Disorder - ADHD). O DSM-IV distingue entre dois tipos de ADHD, o primeiro caracterizado principalmente por desatenção e o segundo por impulsividade-hiperatividade.

Aqueles que advogam a medicação para crianças geralmente vêm a ADHD como uma ‘doença mental’ específica de causa genética e bioquímica. Como Gerald Golden (1991) observou: “O comportamento é visto como perturbado e inaceitável para pais e professores e a criança fica socialmente incapacitada como resultado do próprio diagnóstico” (1). 
Na verdade, faz-se um diagnóstico ex post facto: por desobediência ou dificuldade momentânea de aprendizado é feito um diagnóstico de doença mental – que leva a um tratamento medicamentoso – e “drogas psicotrópicas prescritas para crianças em idade escolar causam comportamentos violentos”, como disse o psiquiatra britânico David Healy (2). E prossegue:  “Estamos dando às crianças drogas por estarem passando por estágios críticos de desenvolvimento e, como sociedade, estamos as submetendo a uma vasta experimentação e ninguém sabe realmente quais serão os resultados”.

O problema está exatamente aí: crianças perfeitamente normais, apenas menos atentas e/ou mais agitadas e bagunceiras do que as demais são levadas a tratamentos psiquiátricos por causas as mais diversas. Todas, no entanto, estão ligadas de uma ou outra forma a um conceito mutante de família no qual os filhos somente são vistos como benesse enquanto são totalmente dependentes dos pais.
A partir do momento em que tentam exercer certa independência, geralmente quando começam a caminhar, comer com suas próprias mãos e a falar, se tornam empecilho. É nesta fase dos primeiros anos que muitas vezes os pais se separam, mas mesmo que não o façam resistem enormemente aos passos da criança rumo à conquista de sua própria liberdade.

Pais e mães cada vez mais ocupados são pródigos em encher o dia da criança de atividades que as mantenham fora de casa até a exaustão. Não é de admirar que se tornem irrequietas, irritadiças e até agressivas, porém não em grau patológico. Mas a frase “você precisa se tratar” tornou-se uma panacéia generalizada e pior, “‘as companhias farmacêuticas fabricam estas drogas com a única intenção de ganhar dinheiro e existem inúmeros problemas quando decidem empregá-las em crianças.
Muito poucas têm sérios problemas que justifiquem o tratamento com pílulas como estas SSRI com os grandes riscos que elas ameaçam”. As drogas tornam as crianças agressivas e hostis. “Crianças usando SSRI são mais suscetíveis de machucar outras crianças na escola e podem se tornar suicidas”.

Mas não me limito a criticar a psiquiatria, mas também à busca atabalhoada de tratamentos psicológicos os mais variados. Como o tratamento psicoterápico de crianças é muito trabalhoso, geralmente são os recém-formados, sem nenhuma experiência, que se arriscam.
Como lhes faltam conhecimentos para avaliar com precisão a necessidade ou não de tratamento, topam qualquer parada. Uma psicanalista infantil de larga experiência com pós-graduação em Londres me disse certa vez que de todas as crianças que ela via em entrevistas diagnósticas, apenas uns 5% precisavam realmente de tratamento. Na maioria dos casos não havia necessidade alguma e em muito eram os pais que precisavam. Mas, infelizmente, a grande maioria ia para outros colegas que, por ganância ou incompetência, aceitavam “tratar” as crianças.
Seja medicamentoso, seja psicoterápico, um dos maiores riscos destes tratamentos é a iatrogenia (3).

Sei por experiência própria: fui destas crianças desatentas, agitadas, um adolescente confuso, rebelde – quase fui expulso dos colégios e tomei várias suspensões – o fim da adolescência e início da vida adulta não foi muito diferente: apenas a rebeldia tomou o rumo ideológico e tornei-me comunista, discutia com os adultos. Acabei preso, causando enormes angústias aos meus pais. Felizmente eles nunca me viram como um “doente mental”, mas apenas rebelde. Nasci na época certa, não existiam estes “diagnósticos”, criei meus filhos assim e faço o possível para que eles criem os seus da mesma forma.
Por isto, mesmo sendo da área psi, compreendo melhor – e me sinto mais compreendido - pelo Papa:

Na experiência pedagógica cotidiana constatamos que as “crianças são inquietas”. Esta expressão traz em si diversos significados. Em um plano mais superficial a assimilamos ao disciplinar: as crianças fazem confusão e então pensamos em medidas que reprimam a espontaneidade dos alunos. Deve-se pôr limites, todos estamos de acordo, mas que eles não sejam impedimento para o desenvolvimento daquela outra inquietação que põe no caminho, afogando a esperança.

O disciplinar é um meio, um remédio necessário ao serviço da educação integral, porém não pode se converter em uma mutilação do desejo, assim como o entende Santo Agostinho, não como tendência à posse, senão como o que “ocupa espaço”. O desejo se contrapõe à necessidade. Esta cessa ao ser culminada a carência o desejo - ao contrário - é presença de um bem positivo e sempre se acrescenta, se instrumentaliza, põe em movimento a “mais”.
O desejo da verdade procede “de encontro em encontro”, o disciplinar não deve cortar as asas da imaginação, da fantasia saudável ou da criatividade. Estabeleço um problema: como integrar disciplina com inquietação interior? Como fazer para que a disciplina seja limite construtivo do caminho que uma criança tem que empreender e não um muro que a anule ou uma dimensão da educação que a castre? Queremos crianças “quietas” pode dizer um educador behaviorista... mas eu os quero inquietos em sua ânsia, em suas propostas, responderá um humanista. Uma criança “inquieta” neste último sentido é uma criança sensível aos estímulos do mundo e da sociedade, uma criança que se abre às crises às quais a vida a vai submetendo, uma que se rebela contra os limites mas, por outro lado, os reclama e os aceita (não sem dor) se são justos. Uma (criança) não conformista com os clichês culturais que a sociedade mundana lhe propõe, uma criança que quer aprender a discutir... e assim poderíamos continuar (4).

Os psicopedagogos teriam muito a aprender com o Papa, não fosse a psicopedagogia inventada pela “preocupação com a produtividade e com tudo o que atrapalhava a possibilidade de produzir, nos albores da era industrial”. Segundo Laura Monte Serrat Barbosa (5),

“As dificuldades de aprendizagem passaram a ser foco de atenção, e a Medicina começou a estudar a causa dos problemas e suas possíveis correções. A primeira guerra mundial, em andamento na época, oferecia a oportunidade de se descobrir, no cérebro dos guerreiros atingidos, a relação das áreas cerebrais danificadas com as funções que apareciam prejudicadas. (...)

No final do século XIX, educadores, psiquiatras e neuro-psiquiatras começaram a se preocupar com os aspectos que interferiam na aprendizagem e a organizar métodos para a educação infantil. (...)
O movimento europeu acabou por originar a Psicopedagogia, enquanto que o movimento americano proliferou a crença de que os problemas de aprendizagem possuíam causas orgânicas e precisavam de atendimento especializado, influenciando parte do movimento da Psicologia Escolar que, até bem pouco tempo, (...) determinou a forma de tratamento dada ao fracasso escolar”.

O alerta do Papa servirá para impedir que nos tornemos “uma nação sob terapia”, como denunciado por Christina Hoff Sommers & Sally Satel em One Nation under Therapy: How the Helping Culture is Eroding Self-Reliance? Ou pior ainda, seguiremos os passos do famigerado The UN Plan for Your Mental Health?
Voltarei a estes assuntos.

06 de outubro de 2013
Heitor De Paola              


Notas:
[1] Peter R. Breggin, M.D. & Ginger Ross Breggin, em The Hazards of Treating "Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder" with Methylphenidate (Ritalin)

[2] Medicamentos e sua relação com os massacres nos EUA, ver igualmente Fabricando pequenos assassinos e Antidepressivos e violência: uma investigação.

[3] Iatrogenia refere-se a um estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas por ou resultantes do tratamento médico. Embora seja usada geralmente para se referir às consequências de ações danosas dos médicos, pode igualmente ser resultado das acções de outros profissionais médicos, tais como psicólogos, terapeutas, enfermeiros, dentistas, etc. Além disso, doença ou morte iatrogénica não se restringe à medicina: psudo-medicinas alternativas principalmente as orientais, também podem ser uma fonte de iatrogenia.

[4] Trechos selecionados da Mensaje a las comunidades educativas, de 23 de abril de 2008 pelo então Arcebispo de Buenos Aires, Cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje S.S. Papa Francisco. Tradução: Graça Salgueiro
[5] www.uesc.br/cpa/artigos/historia_psicopedagogia.rtf‎

SÓ RINDO...



Casa dos Horrores 24, Episódio de “Os Simpsons”, que vai ao ar domingo, nos EUA: Parece o Brasil do PT? Ou a nossa realidade é ainda pior?
 
Dona Dilma em mais um discurso político sujo, recentemente vomitado no estado do Rio Grande do Norte, e demonstrando um tremendo mau caráter, volta a agredir os médicos brasileiros com as seguintes citações.
 
“Uma pessoa me disse: ‘O médico não me toca’. Ela queria que o médico tocasse nela. Ela queria que o médico lhe tocasse, aquilo que a gente, pelo menos eu, meu médico sempre me apalpou, olhou o coração, olhou a garganta.”
 
E como se não bastasse, continuou seu proselitismo. "Os brasileiros não precisam nem de hospitais nem de postos de saúde, mas de cubanos que possam apalpá-los." 
Já que os brasileiros não precisam de hospitais nem de postos de saúde, a "presidenta" está confundindo consulta médica com sessão de sexo.
Na sequência, resta saber se as zonas erógenas das brasileiras (o ponto G - ponto de Gräfenberg), a serem palpadas pelos "médicos" cubanos, são as mesmas entre as caribenhas.
 
Vamos rir para não chorar.
 
06 de outubro de 2013
Humberto de Luna Freire Filho é Médico – mas como é neurologista, só pode ser acusado pela petralhada de assediar os neurônios

AINDA NÃO COMPREENDERAM


 
O que está acontecendo no Rio de Janeiro por ocasião da greve dos professores do município revela um lado inflexível do Prefeito Eduardo Paes, configurado pela sua falta de vontade ou incapacidade de ouvir à exaustão os grupos interessados. 
 
Mesmo considerando que há um resíduo de oportunismo político no movimento, seria dever do executivo municipal esgotar todos os recursos de argumentação ligados ao plano de carreira rejeitado pela classe. 
 
É o que recomenda a boa prática democrática, baseada na autoridade e não no autoritarismo. 
 
Um pouco mais de serenidade ao longo das negociações certamente evitaria a destruição que veio a reboque das reivindicações justas de uma categoria que não se cansa de ser desrespeitada. 
 
O viés intransigente do Alcaide já se manifestara em outras situações, como na demolição, aparentemente sustentada por critérios tão somente estéticos, da Av. Perimetral, decidida sem consulta prévia às comunidades atingidas e sem dar atenção a relatórios técnicos emitidos por instituições de respeito e assinados por profissionais competentes que questionaram a relação custo benefício do projeto.
 
Provavelmente, se a obra estivesse com início programado para os dias atuais e não quando ocorreu, assistiríamos a protestos semelhantes aos que estão eclodindo em todo o país. 
 
A greve dos professores está mostrando que o Prefeito e muitos outros governantes Brasil afora, ainda não compreenderam que a atmosfera reivindicatória do país mudou de lá para cá e está a exigir deles muito mais traquejo político e transparência.
 
06 de outubro de 2013
Paulo Roberto Gotaç é Capitão-de-Mar-e-Guerra, Reformado.

O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA NÃO SER UM IDIOTA


          Artigos - Cultura 
mínimoO idiota ao qual Olavo se refere é aquele sujeito que nada enxerga além dele mesmo e que julga tudo pela sua própria pequenez.

Na década de 90, o então desconhecido Olavo de Carvalho indignou vastos setores da intelectualidade nacional com a publicação de "O Imbecil Coletivo - Atualidades Inculturais Brasileiras", um finíssimo exercício de análise do que era publicado na grande imprensa pelas vozes dominantes do que seria a nossa "alta cultura".

Naquela oportunidade, Olavo já demonstrava, à farta, que a qualidade do debate público em Banânia havia despencado e que a variável determinante para explicar esse cenário era a ascensão de uma intelectualidade de esquerda que substituiu a reflexão sobre a realidade pela pura e simples propaganda ideológica.

Nesse sentido, não se tratava mais de analisar e tentar mudar a estrutura da realidade como sempre fizeram os esquerdistas em redor do mundo, mas de apenas eleger "oprimidos", produzir suas demandas e divulgá-las, como se verdades fossem, nas escolas, jornais, igrejas, tudo como manda o figurino elaborado por Antonio Gramsci, revisionista criativo e profundo da tradição marxista.
Os agentes fundamentais dessa estratégia, pelo menos no Brasil, têm sido os professores universitários, seja porque a nossa vida "intelectual" foi comprimida aos campi, seja porque é ali mesmo que se formam todas as categorias do mundo do trabalho. Nesses espaços, quase ninguém mais ousa falar em verdades, mas em narrativas, como se estas se equiparassem. Da velha e tensa relação entre ciência e ideologia, não sobrou sequer aquele honesto e desagradável mal-estar epistemológico que as "zonas cinzentas" dessa polaridade traziam.
Para quem duvidar dessa descrição do nosso cenário acadêmico, basta visitar qualquer congresso científico no Brasil, sobretudo nas assim chamadas ciências humanas, e observará de forma cristalina que se trata não de uma reunião de pesquisadores em busca de verdades de natureza científica, mas de um mega lobby em favor daqueles que foram escolhidos como as vítimas da sociedade, principalmente daquela que gostam de chamar de capitalismo.
Entre os oprimidos, desfilam negros, gays, mulheres, índios, quilombolas, trabalhadores rurais e urbanos, crentes minoritários no campo religioso, jovens, idosos, enfim, uma procissão de vítimas metodicamente construídas por um discurso supostamente científico. Assim, evidencia-se que a negação das dimensões objetivas da realidade em troca da obsessão, demasiadamente gnóstica, de refundar o mundo é hoje o baluarte da nossa elite acadêmica.
O livro "O mínimo que você precisa para não ser um idiota" é mais um esforço, afiadíssimo, de Olavo de Carvalho para dissecar essas patologias do espírito moderno e as suas manifestações concretas no debate cultural. O responsável pela seleção de artigos e organização da obra, que já nasce antológica, foi Felipe Moura Brasil, um dos seus alunos mais destacados.
Quem tomar a iniciativa de percorrer as dezenas de artigos que ali se encontram observará um texto impecável, em estilo claro e acessível, sem a perda da profundidade possível em formatos como aquele. Os artigos foram divididos em temas - conhecimento, juventude, cultura, religião, ciência, petismo, entre outros.
Apesar de apresentar uma unidade inquestionável, o conjunto dos artigos selecionados encontra o seu ápice, segundo entendo, nas inúmeras sugestões de como contornar a imbecilidade coletiva que engloba o ambiente intelectual brasileiro. Nesse sentido, Olavo nos chama a atenção para a árdua tarefa que será recompor (ou seria compor?) nossa cultura.
Não é por outro motivo que ele chama a atenção dos jovens para a necessidade de um longo e tortuoso caminho de estudos, antes de ocuparem as ruas se arvorando de solucionadores dos problemas de um mundo que eles desconhecem por completo. Nesse aspecto, o título é bastante provocativo, pois o idiota ao qual Olavo se refere é aquele sujeito que nada enxerga além dele mesmo e que julga tudo pela sua própria pequenez.
Nas 600 páginas do livro, encontra-se um mapa para nos localizarmos num campo de batalha onde as ideias são a munição essencial. Aproveite a oportunidade para não exercer o papel do cego no tiroteio.


Artigo originalmente publicado na edição 1588 (16 a 22/08) do Cinform de Aracaju.
06 de outubro de 2013
Rodorval Ramalho é sociólogo e professor da Universidade Federal de Sergipe.

O PREVISÍVEL TRIUNFO DA VONTADE PETRALHA



 
“Dilma Rousseff vence a eleição presidencial de 2014 logo no primeiro turno”. O marketeiro João Santana proclamou e a revista Época reproduziu esta incômoda tendência reeleitoral. Todo o carnaval político-midiático em torno do destino de Marina Silva era apenas mais encenação do teatrinho do João Minhoca. O páreo já está decidido em favor da burrice ideológica, graças aos votos da maioria de mulas sem cabeça.
A maldição colonial de Bruzundanga parece não ter fim. Continuaremos governados pelos marionetes da Oligarquia Financeira Transnacional, com o verniz Socialista Fabiano que consolida nosso Capimunismo dependente. Dilma, Eduardo (agora com Marina de vice) e Aécio são farinhas ideocráticas do mesmo saco! Divergem, entre eles, por vaidades ideológicas. No poder, respondem feitos cachorrinhos de madame aos mesmos donos do globalitarismo.
A “disputa” de 2014 representa uma farsa. Pura competição no Cassino Reeleitoral do Al Capone. Não importa quem vença, perde o Brasil, pois quem ganha (e muito) é algum candidato do poder real mundial. O Triunfo da Vontade Petralha é previsível. Mas, se algo der errado, no fim acaba tudo certo para o globalitarismo. Em termos de projeto para o País, variando do menor para um maior grau de corrupção explícita, é quase nenhuma a diferença entre os candidatos. Repetir é preciso: são todos da matriz socialista Fabiana.


Pelo menos na aparência da política atual, não existe oposição aos socialistas fabianos que devem conquistar mais uma temporada no trono de nossa república absolutista. Para não se cometer uma injustiça analítica, pode até se admitir que tal oposição exista. Mas a Elite Moral é minoria, infelizmente. O problema é que não tem hegemonia política para fazer valer um projeto de Brasil alternativo ao capimunismo em vigor. Eis o nosso drama: o gramscismo ganha de goleada, e seus patrocinadores ficam com o ouro (da nação).
Os petistas no poder adotam sempre o discurso da vitória antecipada. Precisam sempre de altas doses de autoenganação. E também sabem que seu discurso intimida os frágeis adversários de mentirinha. Os petralhas chegaram a borras as calças com a espionagem do Tio Sam. Ficaram com medo das consequências políticas e institucionais do julgamento do Mensalão, até neutralizarem, intestinamente, o Supremo Tribunal Federal. Também enredaram Marina Silva - um DNA idêntico, que poderia incomodar com seu messianismo ambiental. Agora, os companheiros rubros do cramulhão sabem que só uma tragédia pode tirá-los do poder. Viva o Inferno!
Acidentes históricos acontecem. Mas os petralhas e seus parceiros peemedebostas nunca estiveram tão confiantes em mais um triunfo de sua vontade em Bruzundanga. Dilma tem e reeleição como fava contada. O Presidentro Lula tem tudo para ampliar sua blindagem. E muito além da impunidade parlamentar assegurada por um mandato de senador por São Paulo. De quebra, $talinácio ainda pode eleger o Alexandre Padilha Governador, e a Rosemary, deputada...

A gritaria nas ruas deve ter um novo repique. Mas a tendência é que vigore a máxima do João Saldanha: “Quem reclama já perdeu!”. Eis o cenário para o carnaval de 2014 – a não ser que algum grande percalço histórico aconteça...
Nas atuais condições de tempo e temperatura em Bruzundanga, consolida-se o projeto capimunista de um País de Tolos. A próxima etapa de poder petralha é roubar o governo do Inferno. Quem sabe até fazendo um acordo para o Diabo se mudar definitivamente para Brasília.
Aliás, se Deus é Brasileiro, e o Papa é Argentino, por que um petralha não pode tomar o cargo do Satanás pela via divina das urnas eletrônicas?

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
06 de outubro de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

O OVO DO MALUCO


          Artigos - Cultura 
rjrRenato Janine Ribeiro, em matéria de marxismo, não passou do pré-primário.

Outro dia, um estudante, todo assustado, foi contar ao prof. Renato Janine Ribeiro que um colega de classe, marxista de impecável formação uspiana e quase militante, dera de ler os meus escritos e – oh, horror! – começara a me dar razão. Na intenção piedosa de trazer de volta ao rebanho a ovelha desgarrada, o rapaz passou-lhe um velho artigo do próprio Janine, mas não adiantou.
Nem vejo como poderia ter adiantado. Esse artigo é um exemplo perfeito da inépcia acadêmica ante a qual o ex-futuro-militante, decepcionado, resolvera procurar algum ensinamento mais substantivo nos escritos deste abominável reacionário.
Décadas de esforço coletivo no sentido de isentar Lênin das culpas de Stálin só deram como resultado provar que o pior do estalinismo já estava contido em germe nas propostas de Lênin, o qual teve apenas a amabilidade de morrer de sífilis antes de poder realizá-las. Diante de tamanho desastre historiográfico, algumas almas devotas passaram ao Plano B: limpar Marx das culpas de Lênin. O prof. Janine é uma dessas belas almas, e o artigo mencionado é a prova da sua devoção.
Segundo ele, os líderes comunistas, a começar por Lênin, não entenderam Marx e por isso criaram um Estado-monstro, repressor e opressor. “Marx não defende o Estado máximo... O que ele defende é o Estado nenhum. A supressão do Estado é um princípio fundamental para ele, que aí se aproxima dos anarquistas.”
O estudante assustado dissera ao colega que para conhecer Marx é preciso ler Marx, não o que o Olavo de Carvalho diz a respeito. Muito justo. Mas não parece que o próprio Janine tenha tentado compreender Marx lendo Marx, e sim inventando-o. Se lesse pelo menos o Manifesto Comunista, encontraria lá o seguinte parágrafo:
"O proletariado servir-se-á da sua dominação política para arrancar progressivamente todo o capital da burguesia, para centralizar todos os meios de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado.”
Qualquer semelhança entre isso e o anarquismo é mero delírio de interpretação. O proletariado organizado, isto é, o Partido, não é uma alternativa ao Estado: ele é o próprio Estado. E Marx não concebe a autodissolução do Estado como substituição dele por alguma outra coisa, à maneira anarquista, e sim como uma auto-superação dialética, uma Aufhebunghegeliana ou, como diria Mao, um “salto qualitativo” -- o processo pelo qual uma coisa muda de forma sem mudar de substância: quando o Estado houver dominado toda a sociedade, ele automaticamente cessará de existir como entidade distinta, pois será idêntico à sociedade mesma. A extinção do Estado coincide com a apoteose da dominação estatal, que, por onipresença, desaparece.
Há tempos escrevi que esse projeto é uma curiosa inversão da regra biológica de que quando o coelho come alface não é o coelho que vira alface, mas a alface que vira coelho. Se o Estado engole a sociedade, não é o Estado que desaparece: é a sociedade. A “autodissolução do Estado”, tal como Marx a concebia, é um exemplo típico da inversão revolucionária de sujeito e objeto.
O prof. Janine fica todo feliz ao pensar que o Estado comunista só socializará os meios de produção, sem tocar na pequena propriedade particular. Mas ele não pode querer isso e a “extinção do Estado” ao mesmo tempo: se resta alguma fronteira entre propriedade particular e propriedade pública, a diferença entre Estado e sociedade permanece intacta. Marx entendia que nenhum comunismo seria possível sem mudar até mesmo a natureza humana. Que “pequena propriedade” pode ficar fora disso?
Janine também se derrete ao pensar que Marx queria estatizar a economia sem controlar a conduta dos cidadãos, a vida privada. É idéia de criança. Como reeducar as pessoas para a economia comunista sem mudar seus hábitos diários, seus sentimentos, suas reações pessoais, sua vida familiar? E como mudar tudo isso sem intromissão estatal nesses domínios? Marx chamaria isso de idealismo burguês. A simples presunção de definir o pensamento de Marx por um ideal abstrato, separado da práxis que o incorpora e que não pode realizá-lo sem transformá-lo no seu contrário, é antimarxista no mais alto grau. Janine, em matéria de marxismo, não passou do pré-primário. No cérebro dele, o divórcio burguês entre o ideal e o real, que arrancava de Marx gargalhadas de sarcasmo, chega ao cúmulo de proclamar:  “Não fossem a 1.ª Guerra Mundial e a queda do czarismo, o socialismo marxista poderia estar associado hoje a uma opção democrática.” Não é lindo? Se não acontecesse o que aconteceu, não teria acontecido. A culpa de tudo é da maldita História: ela não é mais o reino da práxis onde o marxismo se realiza por meio das contradições: é a perversa destruidora do ideal marxista. Que comédia!
“Não podemos deixar Marx refém do comunismo histórico”, diz ele, propondo um “Marx sem Lênin”. O comunismo é, de fato, o único movimento que quer ter o privilégio de ser ao mesmo tempo uma força histórica organizada e unificada, capaz de ação planejada e contínua ao longo das épocas, e uma coleção de “pensadores” isolados e inconexos, sem nenhuma responsabilidade de conjunto. É óbvio que, como qualquer outra corrente político-ideológica, ele pode ser estudado sob esses dois ângulos. Mas imaginar que eles existam separadamente como entidades substantivas e, pior ainda, que só o segundo deles seja dotado de realidade, é confundir a ratio cognoscendi com a ratio essendi, é tomar o método pelo objeto, a visão pela coisa vista, como um maluco que desenhasse um ovo e depois fritasse o desenho para comê-lo. Esse maluco existe: chama-se Renato Janine Ribeiro.

06 de outubro de 2013
Olavo de Carvalho
Publicado no Diário do Comércio.

CAPELETTI GAY

           
          Artigos - Movimento Revolucionário 
A mim, pouco importa o que pensa o padeiro, contanto que ele saia da cama às quatro da manhã e me entregue o pão. Quero pão fresco e sem ideologias.

ANTIGAMENTE, em toda família que se prezasse havia um gay e ninguém morria disso. Se não fosse o filho, seria o neto. Se escapasse o neto, seria o primo. Ou o sobrinho. Ou o filho do primo.
Não havia reunião familiar – entendendo-se por familiares todos aqueles mais próximos, de convivência diária ou quase, somados à horda de desconhecidos que invadem os velórios e os casamentos – sem que aparecesse algum infante com trejeitos e posturas excêntricas, e inflexões vocais suspeitíssimas.
 

Os parentes – que até então se desconheciam com rigor – arrumavam logo interesse comum, e comentavam: “Esse não é o Fulano, filho de Beltrana? Nossa, como ele está... mudado”. “É, também achei. Parece que fez faculdade de design, mas agora mexe com teatro”. Esta era a vida, nos tempos bons em que a homossexualidade não era outra coisa senão homossexualidade. Uma coisa que existia.

Os tempos são outros e os gays, admita-se logo, não se contentam. As estripulias de Maio de 68 pretendiam libertar o erotismo dos rígidos padrões morais da sociedade burguesa e cristã (que, àquela altura, já nem eram tão rígidos, nem tão cristãos). Ao que parece, o objetivo foi atendido. Mas isso – é evidente – não basta. Agora os gays querem o contrário do que então queriam: querem casa, querem comida, querem roupa lavada. Querem aliança, filhos e seguro-saúde. Querem discutir relação e, quem sabe, sonhar com dias melhores e mais livres. De novo. Gays são reacionários. Vejam só.

Era uma vez, Guido Barilla, dono da fabricante de massas Barilla. Ao programa de rádio La Zanzara, ele comete a imprudência inaceitável de dizer o que pensa. Ninguém pode dizer o que pensa, salvo se disser que pensa o que pensam todos. Ele disse que “nunca faria um comercial com uma família homossexual... se os gays não gostarem, eles podem procurar outras marcas para comer".

Súbito: guerra mundial marcada para a próxima parada, choro, comoção, boicote, carnaval fora de época na Bahia. Os gays não comem mais as massas fabricadas pela Barilla. Os gays não comem mais as massas italianas. Os gays não comem mais os italianos, ponto.

Os jornais mancheteiam: “Declaração homofóbica de...”. “Gays se revoltam...”. “Associações homossexuais boicotam o talharim...”. A organização Arcigay declara seus princípios: “Todos somos do mesmo macarrão!”. Comovente. Tudo dentro do figurino. E tudo porque o dono de uma empresa achou por bem dizer os seus valores e, não bastasse, contra toda etiqueta mercadológica – o que já seria de se respeitar pela coragem –, deixar claro: “Quem não gostar, não compre meus produtos”. Isso é civilizado, e quem se escandaliza deveria ter a prudência de considerar umas palavrinhas. Liberdade. De. Escolha.

Os consumidores têm opções bastante razoáveis. A primeira delas seria ignorar os tais valores familiares do empresário e continuar a consumir os (ótimos) produtos da marca. Não me consta que lasanha tenha sexo. E não faço idéia se o produtor de café que eu bebo, ou se o criador de porcos dos quais eu como o bacon são cristãos, conservadores e virtuosos. Custa acreditar que o CEO da Coca-Cola, roedores à parte, leia os mesmos livros que eu leio e vá à Missa aos Domingos (vai saber se não é judeu).

A mim, pouco importa o que pensa o padeiro, contanto que ele saia da cama às quatro da manhã e me entregue o pão. Quero pão fresco e sem ideologias. A graça do livre mercado é essa: funciona, a despeito das boas intenções. O dono da venda pode detestar os clientes, mas ele precisa dos clientes mais do que os clientes precisam dele. Há outras vendas num raio de cinco quilômetros.

Nós temos ainda uma segunda razoável opção: deixar mesmo de consumir a pasta do senhor Barilla. Sem grandes desesperos. Compre-se de outra marca. Isso também é civilizado. E civilizado é entender que um empresário – e um açougueiro, e um bispo, e um contador – tem seus valores e que não há nada de ruim, nisso. E não há nada de especialmente ruim em torná-los públicos.

Mas a civilização é pouco para os ativistas. Eles não querem comer o penne do senhor Barilla e desprezar suas opiniões. Eles não querem deixar de comer o penne e igualmente desprezar suas opiniões. Eles querem o fim do penne do senhor Barilla, querem que o senhor Barilla seja socialmente execrado por pensar o que pensa e dizer o que diz, com penne ou sem penne. E funciona. Dois dias se passam e lá está o fabricante de massas a se retratar, e a dizer que não disse o que disse, e a dizer que não pensa o que de fato pensa.

Não defendo a liberdade do senhor Barilla apenas porque seus valores, em parte, coincidem com os meus. Tivesse eu uma fábrica de macarrão e meus comerciais seriam, sim, à moda da casa: papai, mamãe, filhinhos. Todos felizes. Venderia menos, mas ficaria mais satisfeito com a minha consciência.

Defendo a liberdade do italiano como defendo a liberdade de quem quer que seja dizer o que pensa e arcar com as conseqüências respectivas. E falar de conseqüências não é falar de processos judiciais. Falo de uma liberdade radical, contanto que seja radical para todos, e não para alguns. Gays adoram dizer o que pensam, mas detestam ouvir o que pensam aqueles que não pensam como eles. Gays são reacionários. Se há uma causa gay, a causa é uma só: gay.

06 de outubro de 2013
Gustavo Nogy  


Publicado no site Ad Hominem

VENDO O GRITO


 
 
A classe política passa a impressão de que viu, mas não ouviu, os gritos do povo. Eles provocaram um pequeno ativismo, como para dar satisfação com atos legislativos, mas sem gestos e leis que permitissem uma revolução que o povo deseja.
 
As manifestações foram sentidas com a emoção de quem vê o quadro do pintor norueguês Edvard Munch, representando uma pessoa gritando, em cima de uma ponte. O observador pode até sentir o grito que sai daquele rosto transtornado, mas não ouve porque o quadro está em outra dimensão, é uma representação, não é a realidade do grito. Da mesma forma, por indiferença de uns e incompetência de outros, os gritos não foram ouvidos.
 
Diversos fatos têm mostrado esta insensibilidade.
 
O povo foi às ruas querendo uma reforma radical, uma revolução na maneira como se faz política no Brasil. Em vez disso, propusemos uma minirreforma política, e nem ela foi concluída.
 
Nesta semana, quase 50 parlamentares mudaram de partido, não por discordâncias ideológicas, mas para tirar vantagens dos novos, em troca de oferecer tempo de televisão e dinheiro público do fundo partidário.
 
Ouvir as vozes, em vez de apenas ver a cara dos que estão nas ruas, exigiria, entre outras coisas, proibir coligações no primeiro turno; eliminar os fundos partidários com recursos públicos; proibir financiamento de campanha por pessoas jurídicas e limitar o valor das doações particulares; permitir apenas uma reeleição para todos os cargos eletivos; redefinir a forma de escolha de ministros do STF e do TCU; criação de mecanismos para cassação de mandatos pelo eleitor; possibilidade de candidaturas independentes sem filiação partidária; eleição por voto distrital de vereadores; limitar o horário eleitoral apenas às falas dos candidatos; fim do voto secreto e do voto de liderança, com votação aberta e nominal em todos os casos; adoção de consultas populares por meio de modernas tecnologias de comunicação; perda de mandato do parlamentar nomeado para cargos de ministro e de secretário; fim do recesso parlamentar e instituição de férias de 30 dias para os eleitos; registro dos compromissos de campanha; limitação de benefícios específicos da classe política; considerar falta de decoro o uso de serviços públicos por detentores de mandato; malha fina automática para ocupante de cargo público; e eliminação do foro especial.
 
Estas e outras propostas estão no Senado ou na Câmara de Deputados em forma de Projetos de Lei ou Propostas de Emenda à Constituição, mas não foram consideradas, porque os gritos foram vistos, mas não ouvidos.
 
Nos últimos 90 dias, centenas de pequenas manifestações foram realizadas, mas estas nem ao menos estão sendo vistas, como se não formassem uma ainda maior do que a de junho, sobretudo, pela lógica de que são organizadas como parte de uma imensa guerrilha cibernética do povo na rua, mobilizado pelos métodos que a internet permite.
 
06 de outubro de 2013
Cristovam Buarque é senador (PDT-DF). Originalmente publicado em O Globo em 5 de outubro de 2013.

"CIUDADANOS DE SEGUNDA"

           
          Artigos - Governo do PT 
Escrevo este artigo porque acabo de receber mensagem de um cubano exilado no Brasil que confirma tudo que venho dizendo.
Meu correspondente, o periodista de Cuba Libre Digital Jorge Hernández Fonseca, afirma que o Brasil está substituindo a Venezuela como financiadora da ditadura cubana enquanto Cuba favorece o projeto petista de reeleição em 2014.

Quando foi anunciada a importação de médicos cubanos pelo Brasil eu escrevi um artigo antecipando as condições do negócio. Fui prontamente contestado por jornalistas e leitores palpiteiros que me recomendavam a leitura esclarecedora da Medida Provisória que instituiu o programa Mais Médicos (MP do MM). Como se eu não a tivesse lido! No entanto, toda pessoa bem informada sobre como se passam as coisas por lá sabe que os irmãos Castro impõem aos nativos a condição de "ciudadanos de segunda", como eles mesmos se lamentam. Portanto, os cubanos seriam os únicos aos quais não teriam validade as disposições relativas a remuneração e benefícios.

A vinda dos médicos serviu para mostrar, então, a inteira malignidade do sistema aplicado em Cuba. E evidenciou o quanto é intelectualmente desonesta aquela parcela da esquerda brasileira que, aconteça o que acontecer, se apresenta sempre disposta a defender a involução cubana (involução, sim, porque nada restou de revolucionário no cotidiano do povo, exceto a mão grande e o braço pesado do Estado).
 
Tratados como cidadãos de segunda, os cubanos não podem trazer suas famílias. Alegoricamente, a MP do MM permite a vinda de cônjuges e filhos dos médicos que aderem ao programa. É o que todos farão, se quiserem. Mas os cubanos não o farão mesmo que queiram porque os Castro não deixam. Os demais conservarão consigo os próprios passaportes. Os cubanos certamente só os tiveram em mãos para passar nos guichês da imigração, e permanecerão reclusos nos locais onde foram designados, submetidos a uma chefia própria, não oficial, mas com enorme poder de constrangimento. Todos os demais receberão seus R$ 10 mil mensais e deles disporão como bem entenderem. Mas o valor relativo aos cubanos irá para a tesouraria dos Castro. Os infelizes ficarão com cerca de 10% porque esse é o valor adotado pelo patrão comunista em suas locações de recursos humanos. Noventa por cento para os donos! É uma partilha tão gananciosa que as autoridades brasileiras, indagadas sobre quanto os cubanos efetivamente iriam receber, mesmo cientes de estarem mentindo, tentavam esconder o próprio constrangimento e falavam em algo entre 25% e 40% dos tais R$ 10 mil. Só o fato de não saberem já é caso de polícia. Que raio de negócio é esse, excelentíssimas autoridades da República?
 
Escrevo este artigo porque acabo de receber mensagem de um cubano exilado no Brasil que confirma tudo que venho dizendo. Em Cuba, esses médicos receberiam o equivalente a US$ 30 por mês. No Brasil, receberão US$ 300 para suas despesas pessoais. Dessas contas, meu correspondente conclui que o governo brasileiro ganha muito com o efeito eleitoral da medida. E o governo cubano lucra muito, em espécie, para financiar a repressão sobre a Ilha com dinheiro tomado dos médicos. Vítimas e vigaristas perfeitamente identificados. Caso de polícia.
 
Meu correspondente, o periodista de Cuba Libre Digital Jorge Hernández Fonseca, afirma que o Brasil está substituindo a Venezuela como financiadora da ditadura cubana enquanto Cuba favorece o projeto petista de reeleição em 2014 com o envio de seus médicos para locais desassistidos do território brasileiro. É tudo política e geopolítica. Se fosse zelo para com a saúde pública esse programa deveria ter nascido 10 anos antes. E o governo teria estimulado o surgimento de escolas de Medicina há muito mais tempo.

Por fim, creio indispensável abordar outra questão a respeito da qual, até agora, não se tratou. Todos os cubanos que estão entrando no Brasil são médicos e vêm para o programa Mais Médicos? Não tenho como provar, mas o simples uso da razão aplicado ao que sei sobre a realidade cubana me permite perguntar se são realmente médicos todos os que nesses dias passam pela imigração como participantes do MM. Não haverá, entre eles, pagos por nós, agentes cubanos enviados com outras finalidades? Uma como feitores (para usar a palavra adequada), incumbidos de controlar a atividade profissional e a conduta dos infelizes e discriminados cubanos? E outra como agentes políticos, para colocar os médicos a serviço das pautas do Foro de São Paulo em nosso país?
 
06 de outubro de 2013
Percival Puggina
 

A FÓRMULA DO EQUILÍBRIO


 

Quando o número de habitantes da Terra atingiu 2 bilhões (teria sido no início do século XX?), a entidade internacional que congregava os países civilizados (A ONU surgiu em 1945) deveria ter ligado o alerta amarelo no sentido de orientar cada povo quanto aos riscos que tal crescimento descontrolado poderia causar ao planeta e aos seus habitantes dentro de 80 ou 90 anos. A saturação está prevista para 14 BI. Faltam menos de 100 anos.
 
Não temos registros se tal alerta foi divulgado. Caso tenha sido, provavelmente os dirigentes de cada nação devem tê-lo escondido, pois para eles, quanto mais gente estúpida existir pagando impostos sem reclamar, mais fácil tentar imortalizar suas diretrizes e obter “reeleições” sucessivas através de engodos que servem como paliativos aos problemas que afligem povos que crescem sem estrutura adequada.
 
Mal comparando, Imaginem um restaurante com 150 lugares que se torna famoso por uma iguaria qualquer e na semana seguinte, está lotado (com mais mesas) e com mais de 300 na fila ansiosos por entrar. Com certeza não darão um bom atendimento a nenhum deles e acabarão perdendo os clientes iniciais que valorizavam o conf orto, além do bom refogado.
 
Enquanto não descobrirmos no espaço uma nova fonte de recursos para nos mantermos vivos e com algum conforto, temos o dever, pela necessidade de sobrevivência, de usar e reciclar em tempo correto os recursos que não são infinitos. Prática que não vem sendo executada corretamente pelos responsáveis pelas devastações das fontes de energia do planeta.
 
Se na época citada acima, existisse a honesta preocupação com o bem estar de todos, teria sido aplicada uma fórmula (sob forma de Lei) no sentido de se efetuar um planejamento familiar com o qual teríamos intimidade após comprovar sua eficácia após 5 anos de uso. Tudo é uma questão de adaptação.
 
Em relação à fórmula do equilíbrio da natalidade (a ser oficializada pela ONU), se Matemáticos forem desafiados, em 5 minutos surgirão dezenas de equações válidas. Como estou levantando a bola para criar a polêmica, explano a minha em 1ª. mão. Até quem está cursando a 3ª. série do 1º. grau vai entende-la.
Ou obedecemos às normas pelo bem de todos sem vaidade nem esperteza ou nos acostumamos (sem reclamar) com a baixa qualidade de vida à nossa volta.
 
ND = F + F . TX . PIB
 
Convenções:
 
ND = Número de nascimentos desejados para o próximo ano.
F = Número de falecimentos do ano anterior.
TX = índice a ser definido pela ONU a cada copa do mundo de futebol. Valor máximo de 9.
PIB = PIB do país no ano anterior.
 
Para melhor convencer meus leitores, passo um exemplo hipotético, imaginando que tal fórmula estivesse vigorando com seriedade em nosso planeta a partir de 2013.
 
Quantas crianças seria adequado nascer em 2014 No Brasil?
 
F em 2012 = 400.000
TX da ONU (até 2016) = 5
PIB de 2012 = 0,9
 
ND para 2014 (no Brasil) = 400.000 + 18.000 = 418.000
 
Com esta prática, hoje não estaríamos com quase 7 BI de habitantes se amontoando em centros urbanos que não possuem meios (espaço e tempo, mesmo tendo dinheiro) para absorver um crescimento exponencial de pessoas.
 
Se existem filas para transplante de corações, rins e fígados e compra da casa própria, também pode existir fila para procriação. Inclusive, com um controle de natalidade adequado, as filas anteriores tenderiam a zero. Claro que no Brasil, através do suborno, muita gente tentaria furá-la.
 
O país que superasse tal valor (causando prejuízo aos demais) seria sancionado economicamente.
 
Alguém pode estar imaginando implantar esta fórmula (ou similar) no planeta já no próximo ano. Pode perder as esperanças. Nem na próxima década. Nossa cultura popular não está orientada para isto. Ainda mais, para chegarmos ao equilíbrio desejado, seria necessária uma pequena mudança na fórmula durante os primeiros 10 anos. Seria a troca do sinal “ + “ pelo “  -  “.
 
Você topa participar do processo acima para evitar aquele risco da distribuição gratuita de alimentos em pó contaminados? Aguarde este artigo para breve.
 
Por enquanto “eles” (a turma do Bilderberg) vão controlando o número de habitantes através das “guerrinhas” localizadas que são criadas para baixar os estoques de armas letais.
 
06 de outubro de 2013
Haroldo P. Barboza é Professor e Escritor – autor de Brinque e seja feliz e Sinuca de bico na cuca.

CRIANÇAS NO ALTAR DO DEUS SEXO

           
          Artigos - Globalismo 
Para os que acham que a situação não pode piorar, afirmo: falta-lhes criatividade.
No ano de 2010, a OMS (Organização Mundial de Saúde), juntamente com o governo alemão, elaborou uma cartilha de educação sexual infantil que já se encontra espalhada pela Europa. "Coisa leve": com indicações para crianças... RECÉM-NASCIDAS!!! em diante, até os quinze anos. 
 
Para os que acham que exagero, vejam a página 53 da Standarts for Sexuality Education in Europe e leiam algumas das informações a serem transmitidas para a faixa etária de zero a quatro anos:
 
"el goce y el placer cuando tocamos nuestro propio cuerpo: la masturbación de la primera infancia; el descubrimiento del propio cuerpo y de los genitales; el hecho de que el placer físico es una experiencia propia (cercana) y normal de vida; la ternura y la cercanía física (contacto) como una expresión del amor y el afecto."
Não é de admirar que somente agora, três anos após a elaboração e chancela da União Européia, o povo do Velho Continente esteja percebendo o que está acontecendo, afinal as ideologias revolucionárias, que possuem o domínio do linguajar politicamente correto e estabeleceram o monopolólio da virtude, há décadas transformaram a Europa em seu parque de diversões. Assim, não por acaso, os europeus, e talvez somente alguns poucos deles, deram-se conta, um pouco tarde demais, sobre o fato de as organizações internacionais (OMS, ONU, UNESCO...) quererem, literalmente, ferrar com as crianças. 
Atualmente, uma das iniciativas adotadas pelas famílias européias que não aceitam as "sugestões" da OMS em prol do "desenvolvimento sexual" de suas crianças é uma petição virtual que solicita o recolhimento de tal material e a não intervenção governamental nestes assuntos.
Não se enganem: o lixo europeu em breve chegará por aqui (a cartilha recomenda sua disseminação mundial). E não serão poucos os que aceitarão tais discursos e práticas, dando vazão, sob a asquerosa aparência de benefício à saúde, de abordagem "positiva e holística" da questão, às mais sombrias e devastadoras violências contra as crianças.

Cliquem aqui, vejam e assinem a petição. Na mesma página vocês encontrarão um link, ao final, para download da cartilha, aos que tiverem estômago forte.


06 de outubro de 2013

Camila Hochmüller Abadie é mãe, esposa e mestre em filosofia.

VOCÊS PENSAM QUE É MOLEZA?


 

Assim como pimenta no uropígio do próximo é refresco (alieno culo piper refrigerium, no sábio dizer de Terêncio, ou Sêneca, ou Juvenal, ou alguém assim - ninguém vai checar), o trabalho alheio parece sempre mais fácil que o nosso. Há muitos e muitos anos, o famoso cronista José Carlos Oliveira, talvez o mais lido do seu tempo, de vez em quando levava a máquina de escrever para o bar. Lá pedia seu drinque e escrevia sua crônica. Um dia, um visitante deslumbrado foi apresentado a ele e comentou, emocionado:
- Se eu escrevesse assim como o senhor, nunca mais trabalhava!
Pois é. Não é trabalho. Nada do que o escritor faz é trabalho, notadamente miudezas, como frases. Todo dia alguém pede uma frasezinha ao escritor. É somente uma frasezinha de duas ou três linhas, coisa para no máximo uns cinco minutos, entre bolar a frase, escrevê-la e enviá-la por e-mail a quem a pediu. Na verdade, como sabe todo aquele que moureja no teclado, a frasezinha é muito mais difícil do que um texto longo. Tanto assim que o camarada que bola um slogan, ou seja, uma frasezinha, costuma ser muito bem pago e com justiça, porque é um trabalho penoso e estressante, em que pouca gente tem sucesso. Mas escritor escreve frases ótimas, inclusive slogans, à menor solicitação e, se o freguês não gostar, ainda o acusa de má vontade, incompetência ou ambas. E cobrar pela frasezinha, nem pensar. Fico imaginando o diálogo entre um escritor e um diretor de criação de uma grande agência.
- Quanto já deve ter rendido aquele slogan ótimo que você criou para a Brazilian Monkey Business Development Corporation? - pergunta o escritor. - É um conglomerado muito grande, deve ter sido uma baba.
- A esta altura, não dá para calcular, deve estar em vários milhões de dólares.
- Vários milhões? Interessante.
- Interessante por quê?
- É que eu também crio frases. Praticamente todo dia eu crio uma frase, a demanda é muito maior do que você pensa.
- E quanto costumam pagar?
- Em dinheiro ou em símbolos?
- Como assim, símbolos?
- É que quase não há pagamento em dinheiro, costuma ser simbólico. Uma vez eu me queixei de que o supermercado não aceitava símbolos como pagamento e morreram de rir, acharam uma grande frase, mais uma grande frase minha. E me fizeram um pagamento simbólico, é claro.
- É sempre assim?
- Geralmente. Uma vez ou outra, é mais substancial. No sábado mesmo, um camarada veio aqui ao boteco, agradecer pela frase que eu fiz para ele, e estava tão satisfeito que me pagou dois chopes. E acho que pagaria até mais, mas, naquela hora, tinha um compromisso com os patrocinadores do evento. Com minha frase, o dinheiro do patrocínio agora ia sair, me agradeceu muito por ajudar a cultura. São essas coisas que fazem o sujeito amar sua profissão.
Antigamente, quando dava alguma sorte, o escritor ganhava uns trocados de direitos autorais. Ainda ganha, mas está ficando difícil, não apenas porque há um movimento para acabar com essa excrescência de direito autoral, como, por exemplo, todos os meus livros estão disponíveis para serem baixados da internet, em dezenas ou centenas de sites de tudo quanto é canto, em todo tipo de versão, inclusive de áudio, com resumos, sinopses, material para quem quer saber sobre o livro sem ter que o ler e assim por diante. Para esses casos, não sou consultado ou comunicado e muito menos sou pago, nem mesmo em símbolos. Chope, então, esqueçam, sai muito caro.
Há quem se condoa dessas tristes vicissitudes e proponha saídas para a sobrevivência do escritor. Como já tive oportunidade de comentar aqui, uma das propostas mais em evidência é a adaptação do escritor aos novos tempos, através de capacitação profissional em áreas do entretenimento, da cultura e do lazer. Tocar um instrumento musical, cantar de forma pelo menos aceitável, dançar, declamar, assoviar, sapatear, cozinhar e dar receitas, guiar turnês em locais históricos, servir de escort para senhoras que apreciem as belas letras e assim por diante. Há toda uma gama de habilidades que podem ser adquiridas e que se tornam cada vez mais indispensáveis ao escritor, é preciso manter um olho na modernidade e na pós-modernidade, o que lá seja isso.
Tenho pensado em cantar, porque me permite pedir a colaboração da baianada. Peço a Ivete Sangallo e a Daniela Mercury para ajudarem o conterrâneo menos favorecido e tenho certeza de que elas me darão a mão, enquanto eu abro uma noite de autógrafos interpretando músicas de Caetano e Gil, sem que eles recebam um vintém de direitos autorais, pois também têm que se modernizar. A sapatear a idade não ajuda, mas toquei tarol no saudoso Bloco do Jacu em Salvador e posso animar uma batucada, sei marchinhas de cor e acho que posso oferecer meus dotes de puxador a outro bloco de carnaval, em troca da venda de meus livros aos participantes, a preços de ocasião.
Nas próximas semanas, escrever-lhes-ei da Alemanha. Vou à feira do livro de Frankfurt, que desta vez homenageia o nosso País. Depois vou a Berlim, acho que só volto no fim do mês. Prometo fazer o melhor possível para não envergonhar o Brasil e para aprender técnicas de última geração, que ajudem na manutenção de nossa literatura. Sonhar todos podem e quem sabe se não serei o primeiro escritor a mercadejar seus livros no Municipal, enquanto entoa uma ária de Wagner?
06 de outubro de 2013
João Ubaldo Ribeiro é Jornalista, Escritor e Acadêmico.

A COVARDIA DO JORNAL O GLOBO

UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA

TE CUIDA, DILMA!

Te cuida Dilma!

06 de outubro de 2013
in mario fortes