Porra, Silvio!! Cumé que você faz um negócio desses, cara?? Sem mais nem menos, vira as costas pra gente, e sai de mansinho, como quem não quer nada, como quem não deve nada a ninguém! Mas você está enganado! Você deve, sim! E muito!! Isso não se faz...
Se você pensava que podia decidir sozinho sair de cena, sem pedir licença, estava muito enganado! Isso não se faz com os amigos (mesmo que sejam anônimos!), que estão sempre na mesma mesa, aguardando o seu jeitão de contar algumas coisas, sempre curiosas e interessantes, e sobretudo, inteligentes! Pequenos retratos da existência, desfiados distraidamente, como quem desconhece o lado oculto do que está declarando; o lado que exige coragem para olha-lo de frente, como você olhava, disfaçadamente...
Agora, nessa escapada que você aprontou, ficamos, fiquei, um pouco mais só, mãos abanando, sem saber direito, como encantar o espírito nas tardes nubladas, ameaçando chuva.
Tudo bem... Você escolheu, porque tem suas razões e o direito de decidir o amanhã, apenas esqueceu-se de que o seu amanhã está resolvido, e o nosso, o meu? Ficamos, fiquei, herdeiro de um amanhã que já não traz mais a luz do sol, já não irradia a sensibilidade do calor, do afeto, da admiração de nascer todos os dias...
Ah! Silvio, isso realmente não se faz... Quando encontra-lo, vamos ter uma conversinha de pé-de-orelha... E você vai explicar-me por que saiu de mansinho, sem pedir licença...
Ando cansado dessas perdas, que sempre me pegam de supetão! Estou tranquilamente posto em sossego, como a Inês do Camões, e vem você, sem nem ao menos cutucar minhas costelas e dizer: oi! tou indo! Te vejo depois!
Porra, Silvio, isso não se faz com os amigos, mesmo que sejam anônimos!!
Ficou me devendo... Anote no seu caderninho... é, aquele mesmo onde anotava suas ideias colhidas no cotidiano, para elaborar a sua poesia... Uma poesia crônica... uma poesia marcada pela breve travesia da jornada da vida.
Resta-me pelo menos, anonimamente, deixar o meu abraço de saudades... e repetir: isso não se faz com os amigos!!
16 de abril de 2026
prof. mario moura

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