"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

OS BILHÕES DO BNDES: OS EMPRÉSTIMOS SECRETOS A CUBA, VENEZUELA... MAGNO MALTA E A FÁBRICA DE HOMENS

A HISTÓRIA, O INÍCIO DA VIDA NA TERRA CONTADO PELOS PLEIADIANOS

QUEM SÃO OS SERES PLEIADIANOS

O SILÊNCIO LUSITANO

Cascais, Portugal – Tão em moda no inicio deste ano, arrefeceram-se por aqui as notícias do golpe, depois do impeachment da Dilma. Noticia-se mais hoje a prisão do staff de Lula – Palocci e Mantega –, estampada nos principais jornais daqui. Nota-se, entre os portugueses, um certo espanto com as notícias e já se percebe uma percepção deles com o que aconteceu no Brasil no governo do PT. Existe, porém, um certo ceticismo em relação ao Temer, uma ligeira desconfiança do que será o seu governo e o que ele vai produzir daqui para frente para tirar o país do caos econômico, atrair investimentos estrangeiros e colocar o Brasil nos trilhos novamente depois da terra arrasada petista.

Quando estive aqui em maio deste ano, discutia-se com fervor a legalidade ou não do impeachment da Dilma. Os portugueses mostravam-se influenciados pelo que liam e viam na televisão produzido por seus correspondentes no Brasil. Depois do impeachment, compreende-se melhor a legalidade constitucional do ato, chancelado pelo presidente do STF, e é evidente o desencanto de muitos com o PT depois da notícia da denúncia de Lula pelos crimes de corrupção e da prisão de seus dois ex-ministros da Fazenda, coisa até então inimaginável para o povo português.

A imprensa lusitana já não trata com tanto destaque a prisão dos petistas no Brasil. Acostumou-se ao noticiário da Lava Jato, as delações premiadas dos empresários e políticos e os escândalos de corrupção que se alastraram pelas empresas públicas com a partipação dos ex-ministro da Dilma e do próprio ex-presidente Lula. A Dilma, algumas vezes, tem sido contemplada com notas de rodapés dos jornais, nada mais do que isso. Sua versão de que fora arrastada do poder por um golpe de estado esvaziou-se. Aqui, como no Brasil, ela está indo para a história como uma presidente tonta e desequilibrada, que desgovernou o país atabalhoadamente durante os seis anos.

Como era de se esperar, a estrela entre os portugueses é o juiz Sérgio Moro. Para alguns jornalistas e políticos, o magistrado conseguiu inibir a corrupção no Brasil e mostrou, com ousadia, que a elite, que tanto beneficiou o PT com dinheiro roubado, também está sendo punida. Acreditam que o Lula não escapa das garras da justiça porque seus ex-ministros da Fazenda, pressionados pelas investigações que os apontam como intermediários do dinheiro sujo, devem fazer delação premiada. Não querem apodrecer na cadeia, a exemplo de Zé Dirceu e dos ex-tesoureiros do PT.

Muitos dos lusitanos não entendem como um prefeito do interior de São Paulo conseguiu movimentar uma fortuna na campanha. Antônio Palocci, que já respondeu a processos quando esteve à frente da prefeitura de Ribeirão Preto, foi denunciado pelo pessoal da Odebrecht como o homem que fazia as transações do dinheiro sujo para as campanhas do PT. Portanto, se resolver realmente abrir o bico tanto Lula como Dilma vão ter que esclarecer o caixa dois que rolou nas campanhas presidenciais. A indisponibilidade dos 30 milhões de reais, encontrados em sua conta pessoal, impossibilita Palocci de se movimentar e até gastar com seus advogados. Uma medida acertada.

A revelação de que os principais homens de Lula estão envolvidos em corrupção e no assalto aos cofres públicos tem esfriado por aqui os movimentos daqueles que ainda acreditavam na inocência de alguns petistas e de que o governo do PT estava sendo realmente injustiçado. Com as últimas prisões a ficha dos portugueses caiu. Agora eles sabem que o Brasil lava roupa suja diariamente manchada pelas falcatruas e as maracutaias da quadrilha petista que governou o país.

Mas para os portugueses o atual governo também está amordaçado. Não caminha com as próprias pernas porque ainda é refém de um amontoado de ideias desencontradas e de projetos duvidosos para tirar o país do caos. Não consegue inclusive se comunicar com eficiência sobre os seus feitos por absoluta incompetência. E no momento em que deveria falar também para o público externo, mandou desligar o sinal da TV Brasil que transmitia sua programação para Portugal tão usada pelos petistas para combater o impeachment e propagar o golpe.

Quanta trapalhada, meu Deus!

29 de setembro de 2016
Jorge Olivdeira

BUFÃO ACINTOSO

No clássico romance “Os Irmãos Karamazov”, Dostoievski nos fala de um personagem abjeto, Fiodor Pavlovitch, o Karamazov pai, sujeito que embute na alma corrompida a “volúpia de mentir”. 
O gigante russo, abarcando como nenhum outro os abismos da alma humana, considera, com agudo senso psicológico, que o sujeito que mente a si próprio e que mergulha na própria mentira, acaba por não poder mais discernir a verdade, nem em si mesmo, nem em torno de si, deixando, portanto, de respeitar a si próprio e aos outros.

Dostoievski tem o velho Karamazov, assassinado pelo próprio filho (Smerdiakov), na conta de um debochado contumaz e lança suas luzes sobre o tipo: 
“Os embusteiros calejados, que passam a vida inteira mentindo, têm momentos que tomam o seu papel tão a sério que chegam a chorar e a tremer de emoção, embora nesse mesmo instante (ou um segundo depois) possam dizer a si próprios: - Mentes, velho sem-vergonha; não passas de um palhaço, apesar de toda tua ‘santa’ ira e do teu ‘santo’ minuto de cólera”.

Tudo bem medido e pesado, não há diferença básica entre o tragicômico personagem do romancista russo e a figura farsesca de Lula. 
No caso do vosso velho sindicalista, o exercício diuturno da mentira, para além de manifesta degeneração de caráter, revela uma forma voluptuosa de prazer: no frigir dos ovos, Lula da Silva goza mentindo – e eis a explicação pertinente encontrada pelo escritor russo, que, ademais, no romance, associa o vício incontrolável de mentir à histeria compulsiva do Karamazov pai.

Muito bem. Desde o episódio em que o Ministério Público Federal, baseado em fatos, denunciou o líder do PT como “comandante máximo” do esquema de corrupção montado para saquear a nação, armou-se, em pífia resposta, a encenação de lastimável ópera-bufa. 
Nela, como émulo do Karamazov pai, saracoteia a figura de Lula da Silva, a um só tempo, patética e burlesca.

Com efeito, sem argumentos válidos para contestar a denúncia sobre os milhões subtraídos dos cofres públicos, o milionário do ABC, no centro do picadeiro habitual, depois de beijar a camisa vermelha, chorar, bufar, esganiçar e se comparar a Getúlio Vargas, JK, Jango e ainda, num ato de estúpida bravata, ao próprio Jesus Cristo - terminou por jurar que, uma vez comprovada sua culpa, “ia a pé”, de São Bernardo a Curitiba, “para ser preso” .

Pior: mais tarde – mesmo sabendo que a mulher de Guido Mantega fazia simples exame de colonoscopia, considerado procedimento de rotina pela filha do ex-ministro preso – Lula vociferou, roufenho de tanto mentir, que a prisão do encalacrado petista era uma falta de “humanitarismo” da PF, silenciando, no entanto, quanto ao achaque de Mantega ao trêfego Eike Batista, o empresário “forte” do governo petista cevado na grana manipulável do BNDES.

Como todos sabem, os comunistas vivem da e para a mentira. Fidel Castro, o Vampiro do Caribe, por exemplo, se jactava de mentir em discursos enfadonhos nos quais castigava o povo cubano (a ouvi-lo de pé) por mais de 12 horas; Stalin, genocida por vocação, mentia sem pestanejar, em especial quando promovia jantares para homenagear camaradas do PC que mandava fuzilar no dia seguinte; por sua vez Lenin, carniceiro-mor, mentia de forma consciente quando iludia o povo com promessas de fortuna igualitária nunca estabelecida na malfada Rússia dos Sovietes; e Mao, o grande pedófilo, sacrificou literalmente 75 milhões de chineses com a campanha do “Grande Salto Para Frente”, mentindo que iria melhorar a vida da população em tempo recorde.

E Lula? Bem, este mente por convicção. Certa vez escrevi que Lula mente até quando diz a verdade – se isto é possível. Mário Morel, autor da biografia “Lula, o Metalúrgico”, narra episódio em que um jovem aprendiz de torneiro mecânico pede ao patrão para fazer hora extra, aos sábados, pois precisa de dinheiro. O dono da fábrica de autopeças resiste, depois cede e avança algum dinheiro ao aprendiz, que não cumpre o trabalho. Cobrado pela falta, Lula, em resposta, diz que estava mentindo e, no deboche, pelas costas, manda o patrão “tomar no cu”.


O “Comandante máximo”, que se acha um sujeito “safo” na sua eterna permissividade, é um péssimo exemplo que nos leva à desídia e à dissolução. Nunca se matou tanto, nunca se roubou tanto, nunca se mentiu tanto no Brasil.

Chegou a hora de trancafiá-lo.



29 de setembro de 2016
Ipojuca Pontes

O REALINHAMENTO INTERNACIONAL DO BRASIL

A realidade brasileira anda tão conturbada que não há espaço para tratar das transformações estratégicas necessárias para o país retomar os trilhos do crescimento. A crise política e o estrangulamento fiscal sorvem todas as energias.

Mas uma das questões essenciais na agenda nacional é uma guinada profunda em nossas relações com o mundo. A tradição brasileira é de uma ação qualificada e reconhecida nos quatro cantos, por seu compromisso com o multilateralismo, a paz e o diálogo. O Itamaraty sempre foi uma das ilhas de excelência do Estado brasileiro. Um nicho de competência e profissionalismo, depositário de uma política pública permanente.

Infelizmente, nos últimos 13 anos, os governos do PT fizeram uma mudança radical, quebrando as boas tradições da diplomacia brasileira. Em vez da histórica postura serena e construtiva, bravatas e retórica vazia de um protagonismo inexistente. Em vez do pragmatismo em defesa do interesse nacional, baboseiras ideológicas em nome de um “bolivarianismo” estéril. As manobras desastradas visando a um assento no Conselho de Segurança da ONU beiraram o ridículo. A hostilidade explícita ou sutil aos Estados Unidos e à União Europeia queimou oportunidades importantes.


A possibilidade de uma inflexão radical em nossa política externa pode se converter em um dos grandes legados do governo Michel Temer. Num mundo globalizado, boa parte das respostas que procuramos não será achada dentro de nossas fronteiras. 
A transferência do setor de comércio exterior para o Itamaraty sinaliza bem as novas diretrizes que orientarão o Brasil em sua relação com os outros países. 
O discurso do presidente Temer na abertura da Assembleia Geral da ONU aponta nessa direção.

A primeira diretriz é o realinhamento do Brasil no mundo. A associação com países autoritários e bolivarianos em nome de valores ideológicos frágeis e questionáveis será substituída pela ação pragmática na defesa dos interesses nacionais, tirando o atraso e construindo acordos comerciais vantajosos com os países desenvolvidos, com os Brics e com a América Latina.

A eficácia e a agilidade já foram demonstradas na ratificação-relâmpago do Tratado de Paris. Apenas 27 países o tinham feito. O Brasil sempre teve papel destacado na defesa do desenvolvimento sustentável. 
O compromisso de redução da emissão de gases que impactam o efeito estufa e as mudanças climáticas foi um marco já conquistado pelo governo Temer.

Também a firmeza demonstrada no âmbito do Mercosul, inviabilizando a Presidência da Venezuela, por descumprimento de compromissos essenciais com a democracia e os direitos humanos, e a perspectiva de fechamento acelerado do acordo do bloco com a União Europeia mostram as importantes mudanças que vêm ocorrendo no front externo.

A nova política externa implementada pelo governo Temer certamente concorrerá para restabelecer a credibilidade do país e a confiança externa nas instituições e nas políticas públicas brasileiras.

Ou seja, menos fraseologia terceiro-mundista, mais eficiência na defesa dos interesses nacionais.


29 de setembro de 2016
Marcus Pestana é deputado federal pelo PSDB-MG.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. JANOT QUER FATIAMENTO DO MAIOR INQUÉRITO DA LAVA JATO NO STF

O INQUÉRITO NO SUPREMO ENVOLVE 39 INVESTIGADOS

JANOT PRETENDE INVESTIGAR SEPARADAMENTE INTEGRANTES DO PP, PT E DO PMDB DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO. (FOTO: LULA MARQUES)


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ontem (28) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o fatiamento do principal inquérito da Operação Lava Jato que tramita na Corte. Janot pretende investigar separadamente integrantes do PP, PT e do PMDB da Câmara dos Deputados e do Senado pelo crime de organização criminosa. O inquérito envolve 39 investigados.

De acordo com o procurador, integrantes das legendas dividiram entre si diretorias da Petrobras e indicaram "postos chaves" para desviar recursos da estatal.

“Há necessidade de esclarecimento de fatos e dos papéis desempenhados por alguns integrantes dessa organização, de corroboração dos fatos apresentados em acordos de colaboração e de robustecimento dos elementos relacionados a outros atores da trama criminosa", diz Janot.

A decisão sobre o fatiamento caberá ao ministro Teori Zavascki, relator das investigações da Lava Jato no Supremo. (ABr)



29 de setembro de 2016
diário do poder

BRASIL SE DESCULPA AO VIETNÃ POR GROSSERIA DE DILMA

GOVERNO TEMER SEPULTA IMPASSE DIPLOMÁTICO PROVOCADO POR DILMA

MINISTRO BLAIRO MAGGI PEDIU DESCULPAS E ACABOU HOMENAGEADO POR NONG MANH, SUCESSOR DE NGUYEN PHU TRONG. (FOTO: GOVERNO DO VIETNÃ)


Por orientação do presidente Michel Temer, o ministro Blairo Maggi (Agricultura) sepultou um impasse diplomático com o governo do Vietnã, que se arrastava desde 2013, provocado por uma grosseria da ex-presidente Dilma: ela cancelou de última hora uma audiência para receber Nguyen Phu Trong, herói do Vietnã e líder máximo do Partido Comunista, que veio ao Brasil sob a garantia de que seria recebido. A informação é da coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O episódio em Brasília representou grande humilhação para Nguyen Phu Trong e o Vietnã, que o tem como uma espécie de “semideus”.

O Itamaraty divulgou a lorota de que o ex-chanceler Antonio Patriota foi a Hanoi pedir desculpas. Mas, se ele fez isso mesmo, de nada adiantou.

Em visita real a Hanói, Blairo Maggi pediu desculpas e acabou homenageado por Nong Manh, sucessor de Nguyen Phu Trong.


29 de setembro de 2016
diário do poder

LAVA JATO INVESTIGA MOVIMENTO DE R$ 52,3 MILHÕES NA EMPRESA DE LULA

CADA PALESTRA, DIZ LULA, CUSTA R$722 MIL; A MAIS CARA DO PLANETA

FORAM R$ 27 MILHÕES RECEBIDOS, A MAIOR PARTE DE EMPREITEIRAS E GRANDES EMPRESAS, E R$ 25,2 MILHÕES EM DÉBITOS (FOTO: ANDRÉ DUSEK/ AE)


A Operação Lava Jato rastreia os valores movimentados pelo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua empresa de palestras, a LILS Palestras, Eventos e Publicações. 

Em 2014, ano de deflagração da fase ostensiva das investigações de cartel e corrupção na Petrobrás, foi registrado a distribuição de R$ 5,3 milhões em lucros ao petista dos R$ 7,5 milhões em dividendos retirados da empresa desde que ela foi aberta em 2011, após deixar a Presidência da República.

Réu desde a semana passada por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo Petrobrás, Lula é acusado de receber R$ 3,7 milhões em propinas em reformas e benfeitorias no triplex do Edifício Solaris, no Guarujá (SP) – parte dos R$ 87 milhões pagos pela OAS por três contratos na estatal.

“A LILS Palestras, Eventos e Publicações distribuiu a Lula, a título de lucro, R$ 7.589.936,14, ou seja, 36% do total auferido pela entidade no período (destacando-se que a maior retirada, de R$ 5.670.270,72 aconteceu em 2014, ano da deflagração da fase ostensiva da ‘Operação Lava Jato’)”, registram os procuradores da Lava Jato, na primeira denúncia que levou Lula ao banco dos réus, em Curitiba, na terça-feira, 20.

As informações são de um documento produzido em março pela Lava Jato, inicialmente anexado ao pedido de condução coercitiva de Lula, quando foi alvo da Operação Aletheia. As movimentações financeiras da LILS e do Instituto Lula são alvo de um inquérito ainda aberto na Polícia Federal, que deve resultar em nova denúncia criminal da Procuradoria contra o ex-presidente, ainda esse ano.

Criada para que o ex-presidente pudesse dar palestras, a LILS movimentou entre 2011 e 2015 um total de R$ 52,3 milhões. Foram R$ 27 milhões recebidos, a maior parte de empreiteiras e grandes empresas, e R$ 25,2 milhões em débitos.

A Lava Jato passou a investigar a LILS depois que identificaram que R$ 9,9 milhões recebidos pela empresa tiveram como origem seis empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Petrobrás.

As empreiteiras investigadas por pagamentos de palestras de Lula são a Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e UTC. Executivos das três últimas fizeram delação premiada e confessaram pagar propinas – nenhum confessou, nos termos tornados públicos até aqui, corrupção no dinheiro de palestras de Lula. Os executivos da Odebrecht ainda negociam um acordo.

As suspeitas da Lava Jato são que os pagamentos por palestras realizadas por Lula a partir de 2011 podem ter ocultado propinas do esquema de cartel e desvios nos contratos da estatal. Além da empresa de palestra, estão sob investigação as doações e contribuições feitas para o Instituto Lula.

“Lula manteve relação próxima com diversos executivos dessas companhias. Além da proximidade, identificou-se que o Instituto Luiz Inácio Lula da Silva e a L.I.L.S., entidades em que Lula é a figura máxima, receberam aportes multimilionários das empreiteiras participantes da organização criminosa.”

Coaf


Relatório do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, mostra que a LILS aplicou R$ 35,17 milhões em fundos de investimento, entre abril de 2011 e maio de 2015. Os valores foram investidos via BB Gestão de Recursos – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

Os técnicos alertam sobre possível ocorrência de “operações cujos valores se afiguram objetivamente incompatíveis com a ocupação profissional, os rendimentos e/ou a situação patrimonial/financeira de qualquer das partes envolvidas”.


No documento da Lava Jato anexado à denúncia, a força-tarefa registra que “não obstante sua estrutura bastante limitada, mormente para a prestação de serviços de ‘organização de feiras, congressos, exposições e festas’, foi possível verificar no curso das investigações da Lava Jato que a LILS foi destinatária, nos últimos anos, de vultosos recursos”.

O Coaf registrou também que no período de 2011 e 2015 a LILS aplicou R$ 5 milhões no Brasilprev. O documento registra que a LILS tem como sócios Lula, com 98%, e o presidente do Instituto Lula, Paulo Tarciso Okamotto – também réu no processo contra o ex-presidente na Lava Jato em Curitiba.

“Ex-presidente da República, atualmente cadastrado como empresário, com renda mensal no valor de R$ 3.753,36”, registra o Coaf.

O ex-presidente apresentou documentos para comprovar que realizou as palestras para qual foi contratado. Segundo o Instituto Lula, que registrou publicamente todos os serviços, foram 72 palestras, ao custo de US$ 200 mil cada.

Não há irregularidades em se dar palestras, registram os investigadores, porém os pagamentos das empreiteiras do cartel chamam a atenção.


“Os altos valores repassados a LILS Palestras nos últimos anos, somados à circunstância de que no âmbito das investigações da Operação Lava Jato têm sido identificadas diversas operações de lavagem de dinheiro mediante a celebração de contratos de prestação de serviços e/ou consultoria com empresas sem estrutura física e pessoal relevante, algumas inclusive constituídas por ex-agentes públicos e políticos de destaque no governo federal, indica a necessidade de melhor averiguar tais transações.”

Pagadores e recebedores


O Coaf listou quem foram os principais pagadores da LILS e como foram efetuados esses créditos na conta da empresa do Banco do Brasil, entre 2011 e 2015. A Odebrecht é a que mais paga: R$ 3 milhões.


O presidente afastado do Grupo Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e executivos da empresa negociam desde o início do ano um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) e Ministério Público Federal, em Curitiba.

O ex-presidente Lula e Okamotto são os dois que mais receberam da LILS, mostra relatório do Coaf. O ex-presidente, segundo o documento do Coaf, recebeu R$ 1,51 milhão entre 2011 e 2015. Okamotto, R$ R$ 1,10 milhão. A terceira maior destinatária é a filha de Lula Lurian Cordeiro Lula da Silva, que recebeu R$ 365 mil. Há pagamentos ainda para outros filhos, Luis Cláudio Lula da Silva, R$ 209 mil e Sandro Luis Lula da Silva, e para a campanha de vereador do filho Marcos Claudio Lula da Silva, R$ 50 mil.


Propinas

Os dados de documentos anexados à primeira denúncia formal contra Lula, em Curitiba, estão sendo cruzados com informações registradas por Lula e seus familiares, amigos e sócios. 

As suspeitas são que as movimentações financeiras da LILS e do Instituto Lula serviram para ocultar propinas.

No material produzido pela PF, os peritos comparam as datas de recebimentos pela LILS por palestras com o período em que as empreiteiras pagaram propinas a dois ex-diretores da Petrobrás: Paulo Roberto Costa, ex-Abastecimento e primeiro delator da Lava Jato, e Renato Duque, ex-Serviços. Esse último, cota do PT no esquema de fatiamento político da estatal entre PT, PMDB e PP.

“Insta destacar, inclusive, que os períodos nos quais as empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão efetuaram pagamentos de propinas à Paulo Roberto Costa, via Costa Global, coincidem com o período em que efetuaram pagamentos a LILS Palestras, Eventos e Publicações por serviços pretensamente prestados.”

Costa foi o primeiro delator da Lava Jato a confessar o esquema Petrobrás. Ele apontou em 2014 ao juiz federal Sergio Moro que a corrupção era sistêmica no governo federal, abrangendo além da área de petróleo e gás, energia, rodovias, ferrovias e aeroportos.

Pela Costa Global ele recebeu “propinas atrasadas das empreiteiras: a Camargo Corrêa, no valor de R$ 3 milhões, Queiroz Galvão, R$ 600 mil, Iesa Óleo & Gás, R$ 1,2 milhão e Engevix, R$ 665 mil.. Dessas, as duas primeiras efetuaram pagamentos a LILS.

O MPF destaca que Costa, que foi diretor de Abastecimento da Petrobrás entre maio de 2004 e abril de 2012,
e Renato Duque, que ocupou a Diretoria de Serviços da estatal de janeiro de 2003 a abril de 2013, terem aberto empresas de consultoria – respectivamente, as empresas Costa Global e D3TM – para continuarem “a receber valores de propina sob a forma de contratos falsos de prestação de serviços”.

No processo criminal aberto pelo juiz federal Sérgio Moro na terça-feira, 20, Lula é acusado pelo envolvimento com R$ 87 milhões de propinas pagas pela OAS, por três contratos da Petrobrás. A acusação aceita aponta que R$ 3,7 milhões desse montante foram pagos ao ex-presidente de forma oculta no triplex 164-A do Edifício Solaris no Guarujá (SP) e no custeio do armazenamento de bens pessoais do petista ente 2011 e 2016.

Além do inquérito aberto sobre a LILS e Instituto Lula, o ex-presidente ainda é alvo de um inquérito por corrupção e lavagem de dinheiro na compra e reforma do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), que a Lava Jato diz ser dele – o petista nega – e de investigações por associação à organização criminosa e obstrução às investigações do escândalo Petrobrás, em Brasília – no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Justiça Federal do Distrito Federal.


"72 palestras"


Em publicação divulgada pelo Instituto Lula, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informa que “de 2011 a 2015, Lula deu 72 palestras empresariais pagas, para 45 empresas contratantes no Brasil e em todas as partes do mundo”.

“Lula discursou em reuniões de diretoria, seminários para dirigentes de empresas, encontros com clientes e confraternizações dos mais diversos setores – financeiro, alimentício, construção, bebidas, comércio, comunicações e outros.”

Segundo informa o documento, “todas as receitas e despesas da empresa LILS foram devidamente contabilizadas e seus rendimentos registrados nas declarações de Imposto de Renda dos dois sócios”.

“A LILS estabeleceu um contrato padrão para ser utilizado em cada palestra e tomou como referência o valor em reais equivalente a 200 mil dólares, de acordo com a taxa de câmbio da época da palestra, semelhante ao cobrado por outros ex-presidentes de projeção internacional.”


29 de setembro de 2016
diário do poder

LAVA JATO DESCOBRIU QUE O MINISTRO PALOCCI OPERAVA COM A ODEBRECHT DESDE 2004

Charge do Elvis, reprodução do Humor Político


Um conjunto de mensagens de e-mail reunidas pela Polícia Federal no pedido de prisão do ex-ministro Antonio Palocci, alvo central da 35ª fase da operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira (26) indicam o “relacionamento” de Marcelo Bahia Odebrecht com “Italiano” – codinome usado para identificar o petista na empreiteira – desde 2004, quando ele era titular do Ministério da Fazenda, no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Italiano possui relacionamento com Marcelo Bahia Odebrecht pelo menos desde 2004″, informa Relatório da Polícia Fedearl 124/2016, anexado aos ao pedido de prisão de Palocci. Batizada de operação Omertà, a 35ª fase aponta o ex-ministro como responsável pelo recebimento de pelo menos R$ 128 milhões em propinas para o esquema do PT na Petrobrás e em outras áreas.

“Tal indivíduo (‘Italiano, ou Palocci’) possuia elevado grau de penetração política, o que significa, como também será demonstrado, que detinha cargos de relevo no Executivo e Legislativo e capacidade e efetividade para alteração de quadros políticos em relação a contratação na esfera federal”, registra o documento.

GOVERNADORES, TAMBÉM – Palocci foi preso temporariamente ontem, por ordem do juiz federal Sérgio Moro. Uma mensagem reunida pela PF, encaminhada pelo usuário da conta “pleao@br.odebrecht.com”, em 3 de maio de 2004, a João Pacífico Ferreira, diretor da Odebrecht, “há menção de atuação junto a governadores de estados”.

O assunto é relacionado à “recuperação da ferrovia que liga Bauru (SP) à Corumbá (MS), ao que parece, a partir de arranjo prévio de tal indivíduo com Marcelo Bahia Odebrecht.”

Outro e-mail de 10 de maio de 2004 Odebrecht “encaminha para sua secretária notas direcionadas a Emilio Alves Odebrecht (EAO) e Pedro Novis (PN) para temas que deveriam ser tratados por eles com Italiano, envolvendo obras, liberação de recursos do OGU (Orçamento Geral da União) e programas de saneamento relacionados provavelmente relativos a liberação de recursos via Caixa Econômica Federal”.

EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS – “Além disso, Pedro Novis deveria tratar com Italiano sobre o tema de exportação de serviços”. Cita ainda “nota entregue ao guerrilheiro, quando de visita recente do comando do PT a China”.

Há também mensagens que indicam a origem da identificação de que “Italiano” era Palocci e da discussão para atuação do ex-ministro em favor da Odebrecht em negócios na África. A Omertá sustenta que o petista teria atuado em favor do grupo na liberação de financiamentos do BNDES para Angola, onde eles executariam obras. Ele ainda é acusado de defender interesses em contratos de construção de navios-sondas para exploração de petróleo em alto mar, para edição de uma medida provisório em benefício do grupo econômico e no bilionário projeto de construção de submarinos para as Forças Armadas.

PT E PMDB – Os negócios da Petrobrás em Angola são alvos da Lava Jato por terem supostamente beneficiado PT e PMDB. Nos e-mails reunidos pela Omertà, há indicativos de que desde 2005 Palocci teria mantido contatos com executivos da Odebrecht para beneficiar o grupo em obras na África.

“Tal mensagem é de importância por demonstrar: (i) o início das relações entre o Governo Brasileiro e o Governo de Angola, no que atine a exportação de serviços, (ii) o começo do processo de identificação de Italiano e (iii) o nascimento das relações de Marcelo Bahia Odebrecht com tal indivíduo, as quais, pelo que se viu, ainda não eram consolidadas”.



29 de setembro de 2016
Deu em O Tempo
(Agência Estado)

FALTA O TORPEDO FINAL PARA DESTRUIR O PT





Charge do PW (pwdesenhos.com.br)


Cada vez que a Operação Lava Jato manda prender um dos marechais do PT, quantos companheiros desistem e se desligam da legenda, formal ou informalmente? Centenas ou milhares? A degola de Antônio Palocci constitui-se numa explosão de profundas consequências para o partido, menos porque o ex-ministro será condenado à prisão por longo período, mais porque, depois dele, só resta mesmo disparar o torpedo final sobre o Lula. Nessa hora, estará acabado o PT. Esse golpe de graça ou petardo definitivo, porém, exige tornar o ex-presidente inelegível por via judicial.

Por enquanto, a sobrevivência do PT liga-se à sorte do Lula. Procuradores, Polícia Federal, Ministério Público e Receita atuam para levar o combate às últimas consequências, ou seja, ao afastamento do Lula da vida política. É o embate derradeiro, ainda de resultado inconcluso.

ACUSAÇÕES – Afinal, as acusações contra o primeiro-companheiro, por enquanto costeando o alambrado, restringem-se a um apartamento triplex cuja propriedade ele nega, e ao armazenamento de presentes recebidos durante seus dois mandatos na presidência da República. Crimes, é claro, mas nada parecido com os praticados por Antônio Palocci, orçados em mais de uma centena de milhões carreados para seu bolso e para o partido. Daí para trás, até chegar a José Dirceu, há munição capaz de implodir o Partido dos Trabalhadores, desde que disparado o último torpedo.

Os petistas aferram-se à possibilidade de blindar seu chefe maior para levá-lo até a próxima sucessão presidencial. Difícil é, mas impossível, não será.



29 de setembro de 2016
Carlos Chagas

O HUMOR DO DUKE...,

Charge O Tempo 27/09/2016

29 de setembro de 2016

AGORA É POSSÍVEL ENTENDER POR QUE A DELAÇÃO DA ODEBRECHT NÃO FOI APROVADA

Charge do Oliveira, reprodução do Humor Político


Estava difícil entender por que está demorando tanto a ser aprovado o pedido de delação premiada do megaempresário Marcelo Bahia Odebrecht, que presidia uma das maiores corporações do país e está preso em Curitiba desde 19 de junho de 2015. Aparentemente, tudo parecia correr bem nas negociações entre a força-tarefa da Lava Jato e os dirigentes e executivos do grupo empresarial, já tendo havido grande número de depoimentos. Porém, na realidade a Odebrecht continua escondendo o jogo, sem revelar inteiramente como se processava seu relacionamento com o governo e os políticos no esquema de corrupção.

O fato concreto é que, desde o início, Marcelo Odebrecht acreditava que logo seria solto por seus advogados, aproveitando as famosas brechas da lei ou até mediante manobras verdadeiramente criminosas, como o suborno a policiais federais, conforme foi tentado infrutiferamente, inclusive com a colocação de uma falsa escuta na cela do doleiro Alberto Youssef, em Curitiba, para causar a anulação das provas.

ARROGÂNCIA – A arrogância do empresário era tamanha que ele chegava a jactar-se publicamente de sua “postura ética”. Dois meses e meio depois de ter sido preso, foi depor na CPI da Petrobras e fez questão de criticar os diretores da Petrobras que haviam pedido o benefício da delação premiada.

“Entre o meu legado, eu acho que tem valores, inclusive morais, dos quais eu nunca abrirei mão. Eu diria que entre esses valores, eu, desde criança, quando lá em casa as minhas meninas tinham discussão e tinham uma briga, eu dizia: ‘olha quem fez isso?’. Eu diria o seguinte: eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o fato”, disse Odebrecht ao deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), ao justificar por que não faria delação: “Primeiro, para alguém dedurar, ele precisa ter o que dedurar. Esse é o primeiro fato. Isso eu acho que não ocorre aqui. Segundo, tem a questão do valor moral”.

ARMAÇÃO NO STJ – E Marcelo Odebrecht continuou pensando que iria escapar da Justiça. O próximo passo errado foi armar com a presidente Dilma Rousseff e o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Francisco Falcão, a nomeação de Navarro Dantas para o STJ, com a incumbência de libertar os empresários na Lava Jato. O golpe deu errado, o relatório do estreante Navarro Dantas foi recusado por unanimidade dos outros ministros, virou escândalo nacional e está sendo investigado no Supremo.

O patriarca Emilio Odebrecht se desesperou e a família inteira passou a pressionar Marcelo para que fizesse delação. Até que ele aparentemente aceitou. Publicamos a notícia aqui na “Tribuna da Internet”, com absoluta exclusividade, e no dia seguinte a empresa emitiu nota oficial confirmando nossa informação. Logo em seguida, passou a haver uma enxurrada de depoimentos, tudo indicava que a delação seria aceita.

SONEGANDO INFORMAÇÕES – Com as prisões de Guido Mantega e Antonio Palocci, a verdade enfim veio à tona. Marcelo e os dirigentes e executivos da Odebrecht continuavam sonegando informações, não revelaram os políticos envolvidos no chamado Setor de Propinas da corporação, supervisionado diretamente por Marcelo Odebrecht, e a força-tarefa teve de descobrir tudo sozinha.

Com essa manobra suicida, o megaempresário se arriscava a passar praticamente o resto da vida na cadeia. Já cumpriu um ano e quase quatro meses, ainda faltam e 28 anos e oito meses para fechar os 30 anos da pena máxima que inevitavelmente receberá.

“MAIS TRÊS CELAS” – O patriarca Emilio Odebrecht está desesperado, não sabe mais o que fazer para convencer o filho a contar tudo. Quando Marcelo foi preso, seu pai fez um desabafo brutal, ao afirmar: “Vão ter de construir mais três celas: para mim, para Lula e para Dilma!”, disse Emilio, que recentemente se ofereceu à força-tarefa para revelar tudo, mas não adianta, porque ele não está sendo acusado de nada, não tem como fazer delação.

O filho Marcelo é um cabeça dura bestial, mas pode ser que agora a ficha enfim caia e ele decida revelar como funcionava o Setor de Propinas da Odebrecht, que atendia pelo codinome de Departamento de Operações Estruturadas.

O ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, está na mesma situação. Quer fazer delação, mas revelando apenas o mínimo. Justamente por isso, perdeu no dia 5 deste mês o direito à prisão domiciliar e está novamente recolhido à cadeia em Curitiba, por determinação do juiz Sérgio Moro. Desse jeito, Pinheiro também se arrisca a apodrecer na cadeia. E la nave va…



29 de setembro de 2016
Carlos Newton

MICHEL TEMER É O CANDIDATO NATURAL DO PMDB ÀS ELEIÇÕES DE 2018

Charge do Paixão, reproduzida da Gazeta do Povo


O título sintetiza uma realidade com base na reportagem de Carolina Linhares, Folha de São Paulo, edição de segunda-feira, na qual destaca o empenho do presidente Michel Temer de não ser atingido pelo obstáculo da inelegibilidade, mesmo por questões incluídas no rol das simplicidades. Simplicidade como a que atingiria, não fosse uma decisão judicial, Juliano Gasparini, candidato a prefeito da cidade paulista de Loureiro, acusado de no pleito municipal de 2012 ter feito doações a três candidatos, acima do limite legal.

O CASO DE TEMER – O mesmo caso do então vice-presidente da República, que, na sucessão de 2014, avançou o sinal e teve que pagar multa de 80 mil reais. A preocupação de Michel Temer não é com a multa, mas com a hipótese de ser enquadrado na lei da Ficha Limpa. Tal preocupação, claro, não procede.

Mas o episódio ilumina a perspectiva de voltar a ser candidato que envolve o chefe do Executivo. Afinal de conta, no elenco do PMDB qual seria o nome capaz de dividir com ele a preferência da legenda? Hoje nenhum. E no passado recente, em 2015, quando iniciou seu afastamento de Dilma Rousseff, Temer afirmou que o PMDB disputaria a sucessão com um candidato próprio na cabeça de chapa. Portanto, a preocupação de se tornar inelegível não deve surpreender ninguém.

PSDB REAGE – As restrições a tal postura só podem vir do PSDB que pelo menos os fatos revelam, deseja colocar um candidato de seus quadros acima da escolha do partido do governo. Mas qual dos três se apresentaria? Geraldo Alckmin? José Serra? Ou Aécio Neves? O PMDB não apresenta igual tríplice escolha. Eis a diferença.

Isso no quadro de hoje. Na estrada para 2018 o panorama pode mudar. Dois anos no espaço político são uma eternidade. Basta examinar acontecimentos que a história moderna do Brasil apresenta. E se dois anos são uma eternidade, esse pensamento vale tanto para o PMDB, quanto para o PSDB. Isso porque a aliança entre as duas legendas não parece estável.

É preciso levar em conta que projetos como a reforma da Previdência Social e da CLT são temas de natural rejeição popular. São projetos inclusive que miram efeitos de longo prazo. E o povo não quer saber de prazos longos. Já bastam as promessas impossíveis que são exibidaS por candidatos nos horários de propaganda eleitoral.

DIVIDIR O BOLO – Longo prazo lembra inevitavelmente a expressão usada pelo ministro Delfim Neto durante os governos militares. PrimeIro tem que fazer o bolo crescer para depois dividI-lo. Mas o problema não está na divisão em si, mas na divisão em parte menos desiguais. A palavra divisão conduz a uma utópica visão de igualdade. Mas não é isso que exprime. Pois alguém pode dividir um total por 10 e atribuir a si 9,5 frações. Está dividindo, não se pode matematicamente negar. Porém dividindo à base da lei do mais forte. É fundamental – como definia meu amigo Antônio Houaiss – diferenciar o significado do significante, da mesma separar o substantivo do adjetivo.

Michel Temer, com a preocupação que expôs, deixou no ar com nitidez que se considera um candidato natural à própria sucessão. E é verdade. No momento, seu grande adversário é o PSDB. Política é assim. Ele próprio foi aliado da ex-presidente Dilma Rousseff em duas eleições presidenciais. E depois…



29 de setembro de 2016
Pedro do Coutto

ODEBRECHT PAGOU PROPINAS EM GRANDES OBRAS NO RIO E EM OUTROS ESTADOS





Charge do Genildo (genildoronchi.blogspot.com)


Um relatório da Polícia Federal, que associou codinomes, valores e obras públicas identificadas em planilhas apreendidas no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht relaciona várias obras públicas feitas pelo grupo no Rio de Janeiro, para o governo estadual e a prefeitura. Segundo os técnicos da PF, é indubitável que as obras relacionadas motivaram pagamento de propina a “agentes ainda não identificados”. O Grupo Odebrecht informou que não vai se manifestar.

A lista inclui obras do Metrô feitas pela Odebrecht, como a expansão da Estação General Osório, em Ipanema; e a Linha 4 do Metro do Rio, construída pelo Consórcio Construtor Rio Barra, no qual a Odebrecht atuou associada à Queiroz Galvão, Carioca, Cowan e Servix. Também foram identificadas nas planilhas da empreiteira as obras do Arco Rodoviário, de reabilitação da Praia de Sepetiba, dos teleféricos do Complexo do Alemão e do Morro da Providência e do Túnel da Grota Funda, por exemplo. Da lista, a única obra que já havia sido identificada anteriormente pela PF foi a reforma do Maracanã, que integrou o pacote para a Copa do Mundo.

SEM COMENTÁRIOS – A Secretaria de Transportes do Rio de Janeiro, responsável pelas obras do metrô e dos teleféricos do Complexo do Alemão, informou que não vai se manifestar. A Secretaria de Ambiente, por sua vez, afirmou que o projeto de reabilitação ambiental da Praia de Sepetiba foi iniciado e concluído na gestão anterior e, portanto, não fará comentários.

Procurada, a Secretaria de Obras do estado, responsável pelo Arco Metropolitano, PAC Alemão e a reforma do Maracanã, não se manifestou.

Já a Prefeitura do Rio informou em nota que “não admite ou tolera qualquer tipo de irregularidade ou prática ilícita na administração pública” e que os órgãos de controle e as auditorias internas da Procuradoria Geral e da Controladoria Geral do Município não identificaram irregularidades nas obras do Túnel da Grota Funda e do Teleférico do Morro da Providência. Informou ainda que está à disposição da Justiça e do Ministério Público para prestar esclarecimentos.

BUSCA E APREENSÃO – Na última segunda-feira, a Polícia Federal fez buscas em dois endereços do Rio de Janeiro onde, segundo documentos apreendidos, teria ocorrido entrega de dinheiro em espécie: na sede da empresa Apto Ponto Com Comunicações, na Avenida das Américas, e na DB Audio Equipamentos e Assessoria, que fica na Rua das Laranjeiras. Duas pessoas foram levadas a depor coercitivamente, Pedro Guidoreni e Lygia Maria de Araújo Borges.

O relatório da Polícia Federal aponta ainda que a Odebrecht pagou propinas por obras espalhadas por vários estados do país. No total, foram listadas 30 obras no Brasil, além de projetos na Argentina e Angola. Entre elas estão obras de expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo; a Estação de Tratamento de Esgotos Dom Nivaldo Monte (ETE do Baldo), em Natal (RN); a construção da Barragem do Arroio Taquarembó (RS); e um trecho do Sistema Adutor Castanhão, no Ceará, onde a empreiteira atuou em consórcio com a Andrade Gutierrez e com a Queiroz Galvão.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo informou em nota que a relação com fornecedores “é baseada nos princípios legais” e as contas são aprovadas pelos órgãos competentes. “O Metrô desconhece qualquer irregularidade em suas obras. A empresa, contudo, está à disposição para colaborar com a Força Tarefa da Lava Jato e esclarecer toda e qualquer informação”, diz a nota.

NO RIO DE JANEIRO – Veja as obras no Rio que, segundo a PF, houve pagamento de propina:

1) Metrô Barra/Gávea – Linha 4 (Consórcio Construtor Rio Barra); 2) Estação General Osório, em Ipanema (extensão da Linha 1 do metrô do Rio de Janeiro);3) Arco Rodoviário, projeto do Consórcio Arco Metropolitano, feito com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); 4) Construção de moradias no Complexo do Alemão, com recursos do PAC Favelas, do governo federal; 5)Teleféricos do Complexo do Alemão e do Morro da Providência, no Rio de Janeiro;6) Projeto de Reabilitação Ambiental da Praia de Sepetiba; 7) Construção do Túnel da Grota Funda; 8) Reforma do Maracanã.



29 de setembro de 2016
Cleide Carvalho e Dimitrius Dantas

O Globo