"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

ENVERGONHADOS, CANDIDATOS DO PT EM CAMPANHA FINGEM QUE SÃO DE OUTRO PARTIDO


Logotipo da campanha do prefeito Fernando Haddad à reeleição tinha estrela do PT sem destaque; novo logotipo trouxe estrela do PT maior
Haddad suprimiu a estrela do PT e foi forçado a recolocá-la

















Avassaladora em eleições passadas, a “onda vermelha” foi reduzida a marolinha na disputa municipal de 2016. Em todo o país, candidatos do PT substituíram o vermelho por lilás, amarelo, verde, azul. A tradicional estrela do partido deu lugar a corações e figuras multicoloridas. A decadência da estrela ficou visível na propaganda de rádio e TV. Em São Paulo, por exemplo, o H do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi trocado.
Em 2012, a marca da campanha era composta por um H, tendo no centro uma estrela. Na estreia do programa, na sexta (26), porém, a estrela foi suprimida e o “H” ganhou apenas um traço em diagonal. Em 2012, Haddad prometia não decepcionar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que ocupou um minuto da propaganda – nem a presidente Dilma Rousseff.
Na sexta-feira, os petistas não foram citados, nem o partido. A direção do PT protestou e Haddad teve de repor a estrela que carateriza a legenda.

Em Belo Horizonte, a estrela e o nome do PT sumiram, e até o vermelho já virou lilás

BELO HORIZONTE
 – A palidez da estrela não é exclusividade de Haddad. Em Belo Horizonte, a logomarca da candidatura de Reginaldo Lopes é composta por uma superposição de oito cores, em que predomina o lilás. Já o prefeito de São José dos Campos e candidato à reeleição, Carlinhos Almeida, optou pelo azul e amarelo como grife. No lugar da estrela, um coração.
Segundo Almeida – que não citou o PT em seu primeiro programa – as cores reproduzem a bandeira da cidade. Ele lembra que sua aliança é composta por dez partidos, incluindo PPS e Solidariedade – para justificar a escolha do coração. “Simboliza nossa união.”
NEM EDINHO SILVA… – Ex-ministro de Dilma, Edinho Silva não cita a presidente afastada ou Lula em seu programa. Com fundo azul e roxo nas redes sociais, omitiu o nome de Dilma ao descrever sua trajetória política. “Foi ministro da Presidência da República”, diz o locutor. Silva disputa a eleição em Araraquara, no interior de São Paulo.
Em Porto Alegre, o candidato do partido, Raul Pont, tem seu nome coberto de cores. No programa de estreia, o PT apareceu apenas numa cena em que um militante segurava um cartaz.
VERDE E ABÓBORA – O candidato do PT à Prefeitura de Santos Dumont (MG), Labenert Ribeiro, usa verde e abóbora na campanha. E o prefeito de Mauá (SP) e candidato à reeleição, Donisete Braga, exibe estrela disforme e colorida como logomarca. O candidato, que teve Dilma como cabo eleitoral em 2012, afirmou, via assessoria, que a estrela já era estilizada na campanha passada e que “é preciso sempre modernizar”.
O prefeito de Santo André, Carlos Grana, também usa superposição de cores como verde, amarelo e laranja. Embora não cite Dilma e Lula, o candidato em Campinas, Marcio Porchmann, registrou um “fora, Temer” no horário eleitoral.

29 de agosto de 2016
Catia Seabra
Folha

SANTANA E O MARKETING DO 'GOLPE'

Não há nenhum golpe. O Brasil é uma democracia, os senadores e deputados foram eleitos pelo povo e a Constituição permite destituir presidente.

A situação é surreal. A “presidenta” suspensa Dilma Rousseff vai livremente ao Senado se defender do risco quase certo de ser destituída, onde repetirá ser “vítima de um golpe!”. Os atores e o diretor do filme Aquarius denunciaram, em pleno Festival de Cannes com cartazes, estar havendo um “golpe” no Brasil. Um estudante brasileiro na Escola de Cinema de Havana declara diante do público, no Festival de Locarno, “não há mais democracia no Brasil, houve um golpe”!

Dilma não está presa, mas aguarda no Palácio do Alvorada, em Brasília, em plena liberdade, com funcionários e servidores pagos pela União, a decisão do Senado. Ao contrário do que acontecia depois do Golpe de 1964, os artistas denunciantes do “golpe” em Cannes e Locarno já retornaram ao Brasil, não sofreram nenhuma pressão no aeroporto e o diretor do filme Aquarius pode até aspirar ser seu o filme brasileiro indicado ao Oscar de filme estrangeiro.

Não há presos políticos no Brasil, os blogueiros podem prosseguir sem problema sua campanha “Fora Temer”, a imprensa grande ou nanica não tem censura, não há tanques nas praças e nem militares tomaram as ruas. Mas ressoam aqui e ali denúncias de ter havido um “golpe” no Brasil.

O que está acontecendo? Trata-se de uma tentativa de filmagem de um remake do Golpe de 1964 por artistas e intelectuais nostálgicos?

Em todo caso, os marqueteiros (talvez tenha sido ideia de Santana antes de ser preso pela Operação Lava Jato) tiveram sucesso com o lançamento dessa campanha de um “golpe” virtual, irreal ou surreal, sem necessidade de uma Cadeia da Legalidade da Rádio Farroupilha para formar a resistência. O objetivo é simples – convencer o povo de que a presidente Dilma não está sendo destituída do cargo por pedaladas, por incompetência, inabilidade política ou por cumplicidade na corrupção na Petrobras, mas por ser vítima de um “golpe”.

A situação além de surreal é ridícula, porque os contrários ao presidente interino Temer, querem nos fazer crer estar no poder um governo totalmente diferente do governo Dilma suspenso em maio. Esquecem ter sido Dilma quem deu o golpe nos seus eleitores (alguns dizem um golpe no próprio PT), o chamado calote eleitoral, por ter decidido governar à direita no segundo mandato, com banqueiros, desmatadores, posseiros, representantes dos agrotóxicos e dos cereais geneticamente modificados. E se agora, os blogs petistas falam em reformas de Temer inclusive na previdência social, isso fazia igualmente parte do programa de Dilma.

Ninguém quer mais se lembrar da arrogante Dilma que desobedecia e enfrentava o seu próprio criador, o Pigmalião Lula. Qual a diferença de um Meirelles no governo Temer ou no governo de Lula, sabendo-se que Lula preferia Meirelles, rejeitado pela turrona Dilma, no lugar de Levy?

Ah, mas Dilma era um governo de inclusão social, vai me repetir um petista ou dilmista fiel como um religioso, sem capacidade de raciocinar, comparar ou divergir. O programa de inclusão social começou devagar nos governos de Lula, mas não chegou a ser estruturado, razão pela qual logo poderá ser desmontado. Vamos falar a verdade: as bolsas família incentivaram o consumismo e não havia crise econômica mundial. Isso nem pode ser considerado seriamente como um simples traço num governo de esquerda, mesmo porque na Europa os programas de assistência social vão bem mais longe. Porém, mesmo incipiente, não evoluiu no governo de Dilma. Basta se ouvir as lideranças negras e indígenas. Em termos de sustentabilidade, o desenvolvimentismo de Dilma era zero, além de apoiar a predação da natureza.

E a corrupção? Para a base, a ordem é continuar dizendo ser invenção da Globo e do juiz Sérgio Moro. Ou se usa como justificativa ter sido igualmente utilizada a corrupção pelos governos anteriores (!). Quanto a Dilma, seus defensores juram ser honesta, mesmo se reconhecem ser um tanto mentirosa. Para a imprensa internacional, sabedora dos bloqueamentos de contas de diretores da Petrobras e das denúncias dos bancos suíços, desejosos de mudar suas imagens, a inocência de Dilma é difícil de engolir. Como uma ministra das Minas e Energia, ex-presidente do Conselho da Petrobras e chefe da Casa Civil poderia ignorar o movimento das propinas com o dinheiro da Petrobras? O caráter forte e independente de Dilma elimina a hipótese de uma inocente útil, utilizada como marionete. A versão mais crível é a de ter feito vista grossa.

De todo esse caos que paralisou e desestabiliza o Brasil, resta algo incompreensível: como o PT não colocou Lula como candidato em 2014 e cedeu à exigência da incontrolável Dilma? Desconhecia que isso, mesmo sem os atuais problemas, poderia complicar a eleição de Lula em 2018? Amadorismo, falta de visão, medo de um retorno do câncer, incompetência da direção do PT ou tentativa indireta de descartar Lula do PT? Por que o PT ao sentir a pressão da Justiça no mensalão não mudou de tática anulando o programa de propinas via Petrobras, que financiavam o Partido mas enriqueciam seus dirigentes?

Em todo caso, a história de golpe é puro marketing para desviar os incautos de outras questões importantes. A principal é a de que Dilma sempre foi um problema mesmo para o PT. Sua arrogância, sua falta de diplomacia, sua mania de sempre ter a razão criou problemas de relações humanas com seus ministros, com parlamentares da situação e da oposição, com juízes, com secretários e com seus subalternos. Se Lula puder ser candidato, a saída de Dilma lhe permitirá tentar recuperar a credibilidade perdida.

Em suma, embora continue a alardear essa história de “golpe” para diminuir o impacto de sua perda do poder causada por sua própria culpa, o PT sabe muito bem que o impeachment de Dilma só lhe poderá ser benéfico. Mas por ter traído os ideais de sua fundação será punido por seus ex-eleitores. O resto é conversa mole para enganar ingênuos.

O Brasil é um democracia, seu Parlamento foi eleito democraticamente e a Constituição permite destituição de presidente. Medida normalmente difícil de ser aplicada por exigir 2/3 do total de deputados e senadores, mas reconhecida pelo PT que votou contra Collor no passado. Dilma conseguiu reunir esse quorum impossível contra si. Mesmo se, como dizem os petistas, os parlamentares são corruptos (e muitos são) ocupam cargos legítimos, pois foram eleitos. E o paradoxo é total: para defender Dilma, os petistas atacam o Congresso Nacional e a Justiça, o que equivale a um apelo ao golpe.


29 de agosto de 2016
Rui Martins, jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura.

HUMBERTO COSTA CRÊ EM MUDANÇA DE VOTOS APÓS FALAS DE DILMA. E O BRASIL ESPERA QUE NÃO...

EX-LÍDER DO GOVERNO DILMA ESPERA QUE INDECISOS APOIEM DILMA


EX-LÍDER DO GOVERNO DILMA ESPERA QUE INDECISOS APOIEM DILMA. FOTO: MARCOS OLIVEIRA/SENADO



PUBLICIDADEO senador Humberto Costa (PT-PE) externou há pouco a esperança de que os senadores considerados indecisos podem decidir votar contra o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. "Quem estiver indeciso deve estar acumulando informações", afirmou.

De acordo com o petista, a oposição buscou neste primeiro tempo dos depoimentos um caminho mais técnico para questionar a presidente e afirmou que Dilma, com isso, precisa responder mais objetivamente. "Agora vamos trazer os temas políticos e que ela reafirme o que foi colocado no discurso inicial", disse.

Humberto Costa rebateu também o questionamento de alguns senadores que se manifestaram contra o uso da palavra "golpe". "Se eles querem impedir que a palavra golpe seja dita, vão precisar calar a imprensa internacional, calar parte da imprensa local, calar manifestantes, calar boa parte dos brasileiros", afirmou.

Costa disse ainda que é estranho que o processo da presidente Dilma esteja sendo julgado quando o do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem chamou de "bandido renomado", esteja parado.

Relator

O senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), que foi relator na Comissão Especial do impeachment, e o quinto senador a questionar Dilma, disse que suas perguntas foram de ordem técnica e coerentes com seu trabalho como relator.

Anastasia disse ainda que a Dilma erra ao falar em contingenciamento, pois não é este o objeto da discussão. "O que está se questionando é a abertura de crédito", afirmou. (AE)


29 de agosto de 2016
diário do poder

VOTOS NÃO DEVEM MUDAR

GOVERNISTAS DIZEM QUE DILMA NÃO ESTÁ SENDO CONVINCENTE NA SUA DEFESA
O LÍDER DO PMDB DIZ QUE VOTO DOS SENADORES NÃO DEVE MUDAR


SENADORES DIZEM QUE DILMA NÃO ESTÁ SENDO CONVINCENTE EM SEUS ARGUMENTOS PARA DESMONTAR A TESE DA ACUSAÇÃO (FOTO: MARCOS OLIVEIRA/ AG SENADO)


No intervalo da sessão em que a presidenta afastada Dilma Rousseff apresenta sua defesa no julgamento do impeachment, o líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), afirmou que, apesar das críticas dela ao governo Temer e a parlamentares governistas, o voto dos senadores não deve mudar. "Pode comover alguns lá fora, aqui dentro não", afirmou.

Senadores favoráveis ao afastamento definitivo de Dilma dizem que ela tem dado respostas muito técnicas e que, até então, não está sendo convincente em seus argumentos para desmontar a tese da acusação de que cometeu crime de responsabilidade.

O presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), que será o primeiro a fazer perguntas após o intervalo, acha que faltou tom emocional ao discurso. Além dele, pelo menos, mais 38 senadores devem fazer perguntas ainda hoje à presidenta afastada. Como cada um tem cinco minutos para inquiri-la e ela não tem limitação de tempo para responder, a expectativa é que esta fase invada a madrugada.

Embora reconheçam que Dilma Rousseff dificilmente sairá vitoriosa do processo, senadores contrários ao impeachment, como Randolfe Rodrigues (Rede–AP) destacam que a presidenta afastada fez nesta segunda-feira (29) um discurso histórico.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) ressaltou que o discurso de Dilma foi “sereno repsitoso, mas condutente e forte, sem deixar de dizer que esse processo é uma farsa”.

Antes de interromper a sessão para o almoço, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que comanda a sessão no Senado, elogiou a "objetividade das perguntas" e o respeito no tratamento entre os senadores e a presidente afastada. Segundo o magistrado isso " garantiu o alto nível" da sessão”.

Ausências

Diferentemente dos últimos dias, hoje, o plenário do Senado está lotado de parlamentares, convidados, jornalistas e assessores. Dois senadores estão ausentes: Wellington Fagundes (PR-MT), que está internado em um hospital particular na capital federal desde a noite de sábado (27), quando sentiu-se mal durante a sessão. Já o senador João Alberto Souza (PMDB-MA) está no Maranhão, mas, segundo a assessoria de seu gabinete, chega ainda nesta tarde a Brasília.

Câmara


A expectativa é que na parte da tarde, pela primeira vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acompanhe a sessão do plenário do Senado. A assessoria do parlamentar no entanto, não confirma a informação. (ABr)



29 de agosto de 2016
diário do poder

INCOERÊNCIA: GOLPE COM DIREITO DE DEFESA...

ANA AMÉLIA DIZ QUE IDA DE DILMA AO SENADO COMPROVA QUE NÃO HÁ GOLPE
SENADORA REAFIRMA: HOUVE CRIMES FISCAIS QUE TÊM AS DIGITAIS DE DILMA


SEGUNDO A SENADORA, A PRESIDENTE AFASTADA FOI AUTORA DO "DESCONTROLE FISCAL". (FOTO: AGÊNCIA SENADO)

Após a defesa de Dilma Rousseff, a primeira a falar a favor do impeachment foi a senadora Ana Amélia (PP-RS). Ela disse que, por mais dolorosa que seja, a função de julgamento irá cumprir sua obrigação e criticou a classificação feita por petistas de que o processo é um golpe. Segundo ela, foram praticados crimes fiscais que têm as digitais de Dilma e a intenção eleitoral.

Segundo a senadora do Rio Grande do Sul, que já esteve na base aliada do governo durante o primeiro mandato de Dilma, a presidente afastada foi autora do "descontrole fiscal" vivido pelo país. Ela ainda afirmou que todos os direitos de defesa foram assegurados a Dilma pela Justiça e que sua presença no Senado legitima o fato de não se tratar de um golpe.

Ao rebater as observações, a presidente afastada falou da diferença daquilo que classifica golpe hoje para o golpe militar de 1964. "Não podemos achar que a mesma análise que se faz para o golpe de Estado, baseado na intervenção militar, é a mesma para o que toda a literatura política chama de golpe de Estado parlamentar. No golpe militar, é como se derrubássemos uma árvore, derrubando o governo e o regime democrático", afirmou.

Dilma destacou que no golpe parlamentar - do qual ela diz ser alvo - um presidente eleito pelo voto direto é retirado do cargo por razões frágeis. "É como se a árvore não fosse derrubada, mas sofresse intenso ataque de fungos, por exemplo", disse Dilma.

A presidente afastada afirmou que a única forma de combater um "golpe parlamentar" é abrir um diálogo. "Porque eu quero que a democracia no meu país saia ilesa desse processo", respondeu Dilma. "Não basta o rito correto. Há que se ter um conteúdo justo. Não basta a forma, senadora." "Aqueles que não gostam que o nome seja golpe querem encobrir um fato", criticou.



29 de agosto de 2016
diário do poder

LONGE DO VERMELHO... ESSA GENTE PENSA QUE PARA CONTINUAR LUDIBRIANDO O PAÍS, BASTA MUDAR A COR...

JANDIRA FEGHALI “ESQUECE” O VERMELHO: PCDOB AGORA É ROXO
CANDIDATA A PREFEITA, JANDIRA SOME COM VERMELHO DE SUA CAMPANHA

JANDIRA À ESQUERDA, EM 2014, COBERTA DE VERMELHO; E EM 2016, À DIREITA, SÓ DE ROXO. FOTO: DIÁRIO DO PODER

A candidata do Partido Comunista do Brasil à Prefeitura do Rio de Janeiro, deputada federal Jandira Feghali, mudou de cor. O tradicional vermelho dos partidos da esquerda brasileira, marcado pelo “vermelho PT”, foi esquecido pela campanha da deputada. Veja acima, nas fotos que comparam 2014 (à esquerda) a 2016 (à direita).

Em 2014, quando Jandira foi candidata à Câmara dos Deputados, as cores da identidade visual da campanha do PCdoB no Rio de Janeiro eram vermelho e amarelo, como tradicionalmente são candidaturas do PCdoB em todo o país, em todas as campanhas.

De acordo com a assessoria de Jandira Feghali na Câmara, a mudança do vermelho para o roxo foi “planejada há muito tempo”, mas ainda não deu detalhes do funcionamento da alteração visual, tampouco da estratégia de marketing da candidata comunista à prefeitura do Rio.

O diretório nacional do PCdoB diz que os candidatos são livres para escolher as cores que quiserem para suas campanhas, só não estão autorizados a alterarem a logomarca comunista da foice e do martelo. Mas o PCdoB não precisa se preocupar, Jandira Feghali nem chegou a utilizar a logo do partido em suas peças publicitárias.

Segundo o partido comunista, o roxo é usado com frequência por movimentos feministas, mas não explicou os motivos que levaram uma de suas principais lideranças nacionais a alterar toda identidade visual de sua campanha. Jandira aparece em quarto colocado na pesquisa de intenção eleitoral mais recente.

Campanha

Apesar de todos os esforços para sumir com a identidade visual do PCdoB e dos partidos da esquerda brasileira, pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (26) colocou a candidata comunista apenas em quarto colocado, atrás até do filho do deputado federal Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro. Ficou assim:

- Marcelo Crivella (PRB) - 28%

- Marcelo Freixo (PSOL) - 11%

- Flávio Bolsonaro (PSC) - 9%

- Jandira Feghali (PC do B) - 7%

- Pedro Paulo (PMDB) - 5%

- Índio da Costa (PSD) - 4%

- Carlos Osório (PSDB) - 3%

- Alessandro Molon (Rede) - 2%

- Cyro Garcia (PSTU) –

1%- Carmen Migueles (Novo) - 0%

- Branco/nulo: 20%

- Não sabe/não respondeu: 9%



29 de agosto de 2016
Tiago de Vasconcelos, Diário do Poder

CHICO BUARQUE DEVERÁ ACOMPANHAR A COMPANHEIRA DILMA NA SESSÃO DO SENADO


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Charge do Henrique, reprodução do Arquivo Google






















Militante contra o impeachment, o cantor e compositor Chico Buarque deverá estar presente na sessão de segunda-feira no Senado para ouvir a presidente afastada, Dilma Rousseff, apresentar pessoalmente sua defesa. Dilma tem direito a trazer 35 convidados para acompanhar sua defesa. Entre convidados como o ex-presidente Lula, ex-ministros, assessores e aliados, Chico Buarque entrou na lista neste sábado, mas ainda não confirmou à Mesa Diretora do Senado se estará presente à sessão.
Caso compareça, ele deve ficar na tribuna do Senado no local reservado aos convidados da defesa. Separados por um “muro” humano, composto por profissionais da imprensa, estarão os convidados da acusação, que serão os representantes de movimentos sociais favoráveis ao impeachment.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tudo na vida, é preciso haver limites. É muito triste ver pessoas brilhantes, como Chico Buarque, apenas por uma questão de ideologia, a tentar defender o que simplesmente é indefensável.Todo cidadão tem direito ao livre arbítrio, mas as ideologias são excludentes e sufocantes. Não podem ser adotadas de forma intransigente, é preciso abrir sempre espaço para discutir o que é certo e o que é errado. Quando a gente se declara comunista, isso não significa defender Josef Stalin, Pol Pot nem Fidel Castro, que, aliás, nunca foram comunistas. Podemos estar apenas fazendo justiça a Karl Marx e Friedrich Engels, que eram dois humanistas, defendiam a liberdade de imprensa, jamais mandariam matar qualquer pessoa. Pelo contrário, apenas sonhavam com um mundo melhor. E podemos também estar apenas defendendo Lao Tse, Buda ou Jesus Cristo. Pense sobre isso. É interessante e instigante. Quanto a Chico Buarque, deve ser considerado genial como artista e uma besta quadrada como militante político. (C.N.)


29 de agosto de 2016
Júnia Gama e Catarina Alencastro
O Globo

PEDALADAS EM QUESTÃO

A presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), conhecerá seu destino político nos próximos dias. A julgar pelo clima no Congresso, mais de 70% dos senadores votarão por seu impeachment pela violação de normas que disciplinam o uso dos recursos públicos.

Após longo período de debates na Câmara e no Senado, as acusações são mais que conhecidas. Afirma-se que a administração de Dilma, ao praticar as agora notórias pedaladas fiscais em volumes inéditos, tomou empréstimos de bancos públicos –iniciativa proibida pela Constituição e pela lei dos crimes de responsabilidade.

Além disso, sustenta-se que Dilma autorizou seu governo a incorrer em despesas extras (a chamada abertura de crédito suplementar) sem antes obter o aval legalmente necessário do Congresso.

De um ponto de vista factual, não restam dúvidas sobre o acertado das imputações. A partir de 2014, quando a economia brasileira começou a ruir, a gestão petista efetivamente lançou mão de gambiarras para esconder o estado calamitoso de suas finanças. Decerto esperava, com isso, aumentar as chances de reeleição de Dilma.

Da perspectiva do impeachment, contudo, a situação é menos pacífica. Como esta Folha sempre afirmou, a deposição constitucional de um presidente da República não pode ser considerada questão corriqueira. Está em jogo, afinal, o cargo mais elevado do sistema democrático brasileiro.

A abreviação do mandato presidencial, por contrariar o desejo expresso pelos eleitores, deveria ocorrer somente em circunstâncias excepcionais, quando o detentor houvesse perdido todas as condições de seguir governando e estivesse comprovado de maneira cabal o envolvimento direto do chefe do Executivo nas irregularidades.

A defesa de Dilma alega que as decisões sobre pedaladas e créditos suplementares foram tomadas por técnicos, e não pela petista, e que tais expedientes já eram usuais na administração pública. Se a atribuição de crime de responsabilidade a ela tem algo de questionável, sobressai o descompasso entre a conduta que se pretende punir e a sanção extrema que será imposta.

Ainda assim, 367 dos 513 deputados votaram pelo impeachment; calcula-se que em torno de 60 senadores farão o mesmo. Supera-se com folga o mínimo de dois terços exigido na Constituição, requisito alto o suficiente para garantir que só presidentes já incapazes de governar se arriscam a perder o cargo.

Dilma Rousseff está prestes a perder o seu. Após extenso processo supervisionado pelo Supremo Tribunal Federal, o Senado definirá o destino da petista —e não haverá motivo para recusar o veredicto.



29 de agosto de 2016
Editorial Folha de SP

OS IMORAIS

'É com esse script, reescrito para as circunstâncias, mas muito bem ensaiado, que os senadores petistas pretendem constranger o Congresso perante as câmeras'

O julgamento da presidente Dilma Rousseff já não tem a menor importância, em si, para os petistas que a defendem no Senado. Por se tratar de um processo essencialmente político, as favas já estão para lá de contadas. Portanto, os senadores do PT estão ali com o único objetivo de encenar a “paixão de Dilma”: diante das câmeras de documentaristas simpáticos à causa lulopetista, encarregados de registrar os estertores de Dilma na Presidência, esses histriões querem converter o julgamento em um dramalhão épico, numa tentativa de ditar a história deste triste período.

Pode-se imaginar que o roteiro cinematográfico do “martírio” de Dilma preveja como clímax a presença da presidente no Senado para se defender, amanhã. Consta que a petista trará uma comitiva de três dezenas de pessoas, entre as quais vários correligionários que foram seus ministros, que certamente se comportarão, diante das câmeras, como devotados apóstolos. E há ainda uma chance de ver Lula da Silva, a prima-dona da companhia, que planeja aparecer no Senado para testemunhar o calvário de sua criatura. Como Lula jamais será coadjuvante, em especial quando contracena com a inexpressiva Dilma, pode-se deduzir que sua intenção seja roubar a cena – é ele, afinal, quem julga ter um legado e uma história a defender, ao passo que Dilma, todos sabem, é apenas um pedaço de sua costela.

Todos esses atores, portanto, estão a desempenhar o papel que não lhes cabe: o de vítimas. Como Lula e grande elenco jamais admitiram responsabilidade pelos grosseiros erros dos governos petistas, muito menos pela corrupção sistêmica que carcomeu o Congresso e a administração pública nos últimos dez anos, qualquer acusação de roubalheira ou de irresponsabilidade só pode ser interpretada como campanha anti-PT.

Se o documentário sobre o impeachment de Dilma fizer uso da técnica do flashback, poderá lembrar que, quando estourou o escândalo do mensalão, Lula tratou de negar tudo. Confrontado com evidências acachapantes do esquema de corrupção, Lula chegou a pedir desculpas ao País – para salvar a pele, como sempre, o chefão petista não titubeou em jogar vários de seus homens ao mar. Mais tarde, porém, diante do crescente desgaste de seu partido, Lula tratou de mudar o discurso mais uma vez, dizendo que o PT não era mais corrupto do que os outros partidos e que seus principais dirigentes estavam sendo alvo de processos graças a uma perseguição deliberada contra os petistas em geral. Tudo isso para salvar a pele dos corruptos de outros partidos e aniquilar o “governo popular” do PT.

É com esse script, reescrito para as circunstâncias, mas muito bem ensaiado, que os senadores petistas pretendem constranger o Congresso perante as câmeras. “Qual é a moral deste Senado para julgar a presidenta da República?”, perguntou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), conspurcando a Casa para a qual ela mesma foi eleita. O evidente desrespeito à democracia não passou despercebido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que, na condição de presidente da sessão, admoestou a senadora quando ela insistiu, numa segunda ocasião, em colocar todos os senadores no mesmo saco da imoralidade petista. “Não vou admitir esse tipo de frase num julgamento como esse. Não volte a mencionar essa expressão”, disse Lewandowski. Mas Gleisi, que afinal não estava preocupada com nenhum julgamento, e sim com a construção da “narrativa” para a história, disse que “esta Casa conspirou contra a presidenta Dilma”.

Eis então que representantes do partido que protagonizou o mensalão e o petrolão, que tem três tesoureiros enrolados na Justiça, que teve vários de seus principais dirigentes processados e presos e cujo grande líder, Lula, acaba de ser indiciado pela Polícia Federal sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica julgam-se à vontade para questionar a moral dos demais parlamentares.

Tudo tem um propósito claro: se todos são imorais, então ninguém é – e se apenas os petistas são condenados, então isso só pode ser “golpe”. É muito bom que tudo isso esteja sendo registrado em filme – que servirá como precioso documento da incansável vocação dos petistas para fraudar a realidade.


29 de agosto de 2016
Editorial Estadão

RADICALISMO DA LAVA JATO OFENDE QUEM PREZA O RESPEITO À CONSTITUIÇÃO


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Charge do Tacho, reprodução do Jornal NH

















O procurador-geral Rodrigo Janot tem uma curiosidade. Bom sinal, nestes tempos em que temos sabido de inquisidores sem curiosidade, só receptivos a determinadas respostas. A crítica do ministro Gilmar Mendes aos “vazamentos” de delação na Lava Jato suscitou a reação de Rodrigo Janot registrada por Bernardo Mello Franco: “A Lava Jato está incomodando tanto? A quem e por quê?”.
É uma honra, e quase um prazer, aplacar um pouco a curiosidade que a esta altura acomete ainda o procurador-geral, talvez forçando-o a alguma passividade ou omissão.
Não escapa à sua percepção o quanto a Lava Jato incomoda aos que envolve com sua malha, tenha ou não motivo real para tanto. Mas existe outra classe de incomodados, muito mais numerosos do que os anteriores e atingidos por inquietação diferente. O procurador-geral não terá dificuldade em reconhecê-los.
RESPEITO À LEI – É uma gente teimosa e inconformada. São os que prezam o respeito à Constituição, mesmo que não a admirem toda, e às leis, mesmo que imperfeitas. E entendem, entre outras coisas, que isso depende não só dos governos e políticos em geral, mas, sobretudo, dos que integram o sistema dito de Justiça. Ou seja, o Judiciário, o Ministério Público, as polícias.
Perseguições escancaradamente políticas, prisões desnecessárias ou injustificáveis, permanências excessivas em cadeias, “vazamentos” seletivos — tudo isso, de que se tem hoje em dia inúmeros casos, incomoda muita gente. Porque, além de covardes, são práticas que implicam abuso de autoridade e múltipla ilegalidade. E sua prepotência é tipicamente fascistóide.
Mas os incomodados com isso não se mudam e não mudam. Querem o fim da corrupção e de todas as outras bandalheiras, sem, no entanto, o uso de resquícios do passado repugnante.
ATINGINDO DILMA – Mais uma vez, às vésperas de uma decisão em procedimentos destinados ao impeachment, a Lava Jato cria uma pretensa evidência, na linha do escandaloso, que atinja Dilma Rousseff ainda que indiretamente.
Desta vez, estando os seus procuradores sob suspeita do crime de “vazamento” de matéria sigilosa, a Lava Jato passou a tarefa ao seu braço policial: o já conhecido delegado Márcio Anselmo, da Polícia Federal, indicia Lula, Marisa e Paulo Okamotto.
Os procuradores da Lava Jato pediram 90 dias para fazer a denúncia dos indiciados. Três meses? Um inquérito com as peças que justifiquem o indiciamento não precisa de tanto prazo para a denúncia.
A dedução é inevitável: o indiciamento foi precipitado, com o mesmo propósito político dos anteriores atos gritantes, e os longos três meses são para tentar obter o que até agora não foi encontrado.
CRÉDITO AO BRASIL – O governo da China ofereceu ao Brasil, em junho de 2015, crédito em torno de US$ 50 bilhões para obras de infra-estrutura. A Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, no governo Dilma, e os chineses formaram uma comissão que, por sua vez, decidiu pela criação de um fundo de investimento de US$ 20 bilhões, composto por US$ 15 bilhões da China e completado pelo Brasil. Um outro fundo elevará o financiamento ao montante proposto no ano passado.
O governo de Michel Temer reteve a formalização do acordo, e o início do primeiro fundo, para apresentá-lo como realização sua. No dia 2 de setembro, data escolhida em princípio.
CORPORATIVISMO? – A crítica de Gilmar Mendes aos procuradores da Lava Jato foi atribuída por muitos, nos últimos dias, ao corporativismo sensibilizado pelo “vazamento” injustificado contra o ministro Dias Toffoli.
O que houve, porém, foi a repetição, em parte até com as mesmas palavras, das críticas feitas por Gilmar Mendes em pelo menos duas ocasiões. Inclusive tratando como crimes os “vazamentos” de delações sigilosas. Os quais, na verdade, não são vazamentos, ou informações passadas a jornalistas: são jogadas com fins políticos.
A definição como crime, aliás, é motivo bastante para que a tal investigação do “vazamento” contra Toffoli, ou nem comece, ou termine em nada a declarar.

29 de agosto de 2016
Janio de Freitas
Folha

RONALDO CAIADO ENQUADRA E FAZ DILMA ROUSSEFF GAGUEJAR E SE IRRITAR COM OS PONTOS LEVANTADOS

Ronaldo Caiado ENQUADRA e faz Dilma Rousseff gaguejar e se irritar com os pontos levantados

  • 30 minutos atrás
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29 de agosto de 2016
postado por m.americo

DILMA ESTEVE DIRETAMENTE ENVOLVIDA EM TODAS DECISÕES QUE NOS JOGARAM NO ATOLEIRO


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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

















Tudo indica que o Senado está prestes a dar por encerrado o mandato da presidente Dilma. Confirmada a decisão, é preciso que o país saiba ir além dos termos estreitos em que, há meses, vem sendo travado o debate sobre o impeachment, e consiga ter perspectiva clara da trajetória de Dilma Rousseff em Brasília, desde que ali aportou, vinda de Porto Alegre, há cerca de 14 anos.
DESCAMINHO – Em boa medida, essa trajetória demarca o descaminho dos governos petistas e o roteiro do desastre a que o país foi arrastado. De uma forma ou de outra, Dilma esteve direta e estreitamente envolvida em cada uma das mudanças equivocadas de rumo que nos trouxeram ao colossal atoleiro em que estamos metidos.
Quem quer que tivesse prestado atenção em seu desempenho como ministra de Minas e Energia, no primeiro governo Lula, já teria razões de sobra para ficar alarmado ao vê-la alçada a ministra-chefe da Casa Civil, em 2005, na esteira do descabeçamento do PT provocado pelo mensalão. Poucos meses depois, Dilma ganharia proeminência ainda maior no governo, quando, com assentimento do presidente Lula, liderou o torpedeamento da proposta de contenção da expansão do gasto público do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
NA CASA CIVIL – O afastamento de Palocci, em março de 2006, e sua substituição por uma figura inexpressiva, que seria confirmada no cargo no segundo mandato de Lula, abriria espaço para inédita preponderância da Casa Civil na condução da política econômica.
O que se seguiu é por demais conhecido. A reorientação da política econômica, mais discreta de início, logo se tornou mais ostensiva, quando o agravamento da crise mundial trouxe o pretexto que faltava. As diretrizes que nortearam a política econômica do primeiro mandato foram rapidamente abandonadas. O rumo passou a ser dado pela “nova matriz econômica”, irresponsável pajelança voluntarista, desfraldada no segundo mandato de Lula, cujas consequências desastrosas podem ser hoje observadas com deprimente riqueza de detalhes.
Desde o início do primeiro governo Lula, Dilma manteve-se umbilicalmente ligada à Petrobras. “Eu estive presente em todos os momentos”, foi o que declarou em meados de 2014, ao se referir aos feitos da estatal nos dez anos anteriores. (“Folha de S. Paulo”, 2/7/2014). Como ministra de Minas e Energia, foi logo nomeada presidente do Conselho de Administração da empresa. E nesse cargo permaneceu até março de 2010, mesmo depois de ter passado a ser ministra chefe da Casa Civil, quando se tornou, a um só tempo, a figura-chave dos dois lados da complexa interface do Planalto com a Petrobras.
CENTRALIZADORA – Foi no longo período que lhe coube zelar pelos melhores interesses dos acionistas da empresa, que nela foi montado o gigantesco esquema cleptocrático que viria a ser conhecido como petrolão. Centralizadora como era, Dilma jamais detectou a existência de qualquer irregularidade que pudesse levantar a mais leve suspeita de que havia um esquema daquelas dimensões em operação. Nada viu, nada notou. Nem na Petrobras, nem no Planalto.
A descoberta do pré-sal tornaria o envolvimento de Dilma com a Petrobras ainda mais intenso. Sobretudo depois de 2008, quando, preocupado com a inexperiência eleitoral de Dilma, Lula decidiu transformar o pré-sal em inconsequente e espalhafatosa plataforma de lançamento de sua candidatura a presidente.
CONTRA OS AMIGOS – Em longa entrevista publicada em 2013, Lula se permitiu um relato franco das dificuldades que enfrentou para convencer a cúpula do PT a lançar Dilma como candidata a presidente, em 2010. Vale a pena ler de novo: “Eu sei o que eu aguentei de amigos meus, amigos mesmo, não eram adversários, dizendo: Lula, mas não dá. Ela não tem experiência, ela não é do ramo. Lula, pelo amor de Deus” (ver em http://zip.net/bntrGq).
Passados seis anos, Lula parece, afinal, plenamente convencido de que seus amigos estavam cobertos de razão. Cometeu um erro trágico, com consequências devastadoras, que custarão ao país muitos anos de reconstrução.
                    (Artigo enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas)

29 de agosto de 2016
Rogério Furquim Werneck
O Globo

O HUMOR DO SPONHOLZ...


29 de agosto de 2016

DERROTADOS PELO VOTO, RESSUSCITADOS PELO GOLPE


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Charge do Edra (chargesdoedra.blogspot.com


















As ameaças ainda não se concretizaram. Ignoramos se Michel Temer quer apenas agradar os grupos que conseguiram afastar Dilma Rousseff, deixando de  atender suas reivindicações, ou se está pronto para o maior dos retrocesso nacionais, de extinguir as conquistas sociais estabelecidas desde Getúlio Vargas.
Penalizar os aposentados e demolir a Previdência Social; implantar a reforma trabalhista e revogar direitos de quem vive de salário; privatizar serviços públicos, presídios, hospitais, escolas e creches; aumentar impostos e proibir correções salariais; suprimir programas sociais e ampliar os privilégios do capital em detrimento do trabalho – essas e outras mudanças nas estruturas do país estão a um passo de ser anunciadas.
São tais objetivos que serviram de estímulo e até motivo para o afastamento de Madame da presidência da República. Por mais que ela tenha demonstrado incompetência e arrogância, acima e além de seu governo ter mergulhado na corrupção, está sendo deposta pelos que ansiavam a  volta aos privilégios agora   sustentados por  Michel Temer e sua quadrilha. Não foi posta para fora pela sede de justiça demonstrada pela população, pois os que a estão depondo são, em maioria, os  mesmos que se locupletavam do  assalto à coisa pública. Apenas como cortina de fumaça referem-se à lambança, aliás promovida pelo PT e sucedâneos. A causa real do retrocesso em vias de concretizar-se está na conspiração dos derrotados pelo voto e agora ressuscitados pelo golpe. Porque não há sucedâneo para a verdade: é golpe mesmo, afirmação comprovada pela revelação dos planos de Michel Temer…

29 de agosto de 2016
Carlos Chagas

PEC DOS PARTIDOS AJUDARÁ NA RENOVAÇÃO DA POLÍTICA

Emenda à Carta que exige votos para partido ter representação plena e acaba com as coligações em pleitos proporcionais é essencial para sanear o Legislativo

Em um ambiente político tenso, cuja voltagem passou a subir mais uma vez, encerrado o período de relaxamento da Rio-2016, a fase final do pedido de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, está de novo em andamento, e tudo indica deverá ter um desfecho esta semana.

Depois, temas-chave da agenda do Congresso passarão a ganhar mais visibilidade, independentemente de quem estiver no Planalto. Um dos assuntos é a reforma na legislação político-eleitoral, feita por proposta de emenda à Constituição de autoria do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES).

Um dos aspectos positivos da PEC é ser minimalista. Não faz qualquer revolução na legislação — até porque não é preciso mesmo nada revolucionário —, nem amplas alterações, para se atacar o ponto nevrálgico da baixa representatividade de partidos e políticos, com todas as consequências malignas do problema.

No pano de fundo da perda de prestígio do Legislativo, trágica para a democracia representativa, está uma desbragada proliferação de legendas nanicas, quase sempre criadas para permitir negociatas. Por exemplo, na comercialização de tempo no horário dito gratuito. E para ganhar o dinheiro fácil do Fundo Partidário, bancado pelo contribuinte. Mesmo sem qualquer parlamentar, partidos repartem 5% do fundo, hoje em R$ 800 milhões.

A PEC de Ferraço cria mecanismo conhecido em democracias fortes e longevas: a cláusula de desempenho, um mínimo de eleitores que a legenda tem de atrair para conseguir acesso pleno ao fundo, participar do programa eleitoral e ser representado, com todos os direitos, no Legislativo. E ainda acaba com a coligação em eleições proporcionais, pela qual votos elegem deputados sem o conhecimento do eleitor, um absurdo.

Aprovada a proposta, partido para ter representação plena necessitará de pelo menos 2% dos votos dados a todos os deputados federais, e atingir este índice no mínimo em 14 estados. Nas eleições de 2022, o índice subirá para 3%.

No pleito de 2006, entraria em vigor uma cláusula idêntica à da Alemanha, com a exigência de 5% dos votos nacionais. Partidos pequenos recorreram ao STF e sustaram a medida. Por um conceito até ingênuo de representatividade — pois ela não existe sem votos —, chegou-se à situação atual: 38 partidos oficializados, muitos ainda na fila para serem criados, e, no Congresso, 28 legendas. A maioria cevada também em outro mecanismo de distorção, a coligação em eleições proporcionais.

No atual Supremo, é bastante provável que aquela reclamação de legendas menores não fosse aceita, tamanhas as distorções que se acumulam no quadro partidário à frente de todos.

Como ficou mais difícil negociar alianças de forma séria nesta pulverização partidária, o PT partiu para o caminho fácil da corrupção via o toma lá dá cá do fisiologismo. A prisão de líderes e Lula e Dilma sob investigação resumem o drama do partido pelo erro cometido.

Uma prova da grave perda de importância dos partidos está em estatísticas publicadas pelo GLOBO sobre filiações partidárias, distribuídas por faixas etárias, de 2008 até hoje. Quanto mais jovem a parcela da população, menor a adesão a partidos. Que cai ano a ano neste período. Entre 18 e 24 anos, retrocede de 5,13% para 2,62%. A tendência é a mesma até a faixa de 35 a 44 anos. E o envelhecimento da população não explica toda esta queda. Os partidos não se renovam, tendem a ficar nas mãos de espertalhões, e assim a política e a democracia perdem substância. A PEC de Ferraço é uma resposta a esta hecatombe.



29 de agosto de 2016
Editorial O Globo