"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 6 de dezembro de 2015

NATAL SEM DILMA OU CARNAVAL DO IMPEACHMENT



Madame vai sair fantasiada de D. Maria, a Louca














Três bobagens, três derrotas. Fala-se das tentativas do PT, do PCdoB e de deputados governistas de obter do Supremo Tribunal Federal a anulação do processo de impeachment da presidente Dilma, iniciado pelo presidente da Câmara. Qualquer observador de bom senso desestimularia esse tipo de ação, não só pela falta de embasamento jurídico quanto pelo estímulo da interferência entre os poderes da União. Queriam a mais alta corte nacional de justiça atropelando a Câmara dos Deputados numa decisão exclusiva dos representantes da população.
O resultado só poderia ter sido a rejeição, exarada em termos duros e necessários, pelos ministros Celso Mello, Gilmar Mendes e, sem a menor dúvida, por todos os demais integrantes do STF. Desmoralizaram-se os autores dos pedidos, mas, acima de tudo, ajudaram a desmoralizar o governo. Forneceram mais uma prova da confusão verificada em torno da presidente Dilma, que se foi consultada previamente e autorizou, fica muito mal. Mas se não foi, pior ainda.
Apesar das sucessivas reuniões ministeriais promovidas por Madame, continua o bate cabeça no Palácio do Planalto e adjacências. A novidade, ontem, foi a disposição do governo de apressar o julgamento. O argumento anunciado como exigência da presidente baseou-se no raciocínio de que se agora está feio, com o passar dos meses ficará horrível, tendo em vista o agravamento da crise econômica. Quer dizer, em vez de demonstrar disposição para debelar o desemprego, o aumento de impostos e as dificuldades crescentes na vida nacional, os detentores do poder preferem antecipar o confronto.
Imaginam dispor de mais apoio, ou de menos abandono, antes que a situação se deteriore. É reconhecer a incapacidade de recuperar a economia. Em especial quando concluem melhor submeter-se agora ao pedido de afastamento, quando dizem dispor de 258 votos, do que daqui a dois ou três meses, quando faltará a certeza de que contarão com 172, o número mínimo para salvar o pescoço da rainha. Mais uma prova de fraqueza. Por isso sustentam os governistas a suspensão do recesso parlamentar, com o funcionamento normal do Congresso em janeiro. Dificilmente conseguirão outra evidência de haverem perdido o controle do processo político.
Enquanto isso, prossegue a baixa tertúlia entre Dilma e seus ministros, de um lado, e Eduardo Cunha, de outro, acusando-se de mentirosos e chantagistas. Um lamentável espetáculo que não deveria ser encenado. Afinal, os dois grupos desdobraram-se em simulacros de entendimento e agressões ostensivas. Ninguém controla ninguém. O governo, com medo das ruas, prevendo que crescerão as manifestações ditas contra o impeachment, mas na realidade de indignação frente ao caos econômico. As oposições, cada vez mais ávidas de aproximar-se do vice Michel Temer, para o que der e vier.
Por enquanto, faltam votos no plenário da Câmara para a condenação da presidente. Em fevereiro, ignora-se, tendo em vista o perigo real e imediato da desagregação econômica prestes a transformar-se em crise social. Entre exortações para a antecipação do embate parlamentar, a pergunta fica é sobre o que fará mais mal ao país: o Natal sem Dilma ou o Carnaval do impeachment.

06 de dezembro de 2015
Carlos Chagas

CAIA QUEM CAIA, A RECESSÃO É BRUTAL



Charge de Jota A (reprodução Portal O Dia)





















A aceitação do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff veio um dia depois de conhecermos a brutal recessão que o país atravessa. Recessão com inflação de 10% ao ano. Dilma se mantinha há meses em situação de impasse político no Congresso, refém de um presidente da Câmara inadequado para o cargo e também ameaçado. A situação e o jogo jogado no Congresso eram deprimentes e ajudaram a acabar com que sobrava da reputação da presidente e do PT. Dos parlamentares, já se esperava o pior.
Fora as chantagens políticas, nada de relevante foi aprovado no Congresso neste ano. E a falta de medidas para reequilibrar as contas públicas foi arruinando o país rapidamente.
A presidente agora sob ameaça é considerada razão para muitos empresários e consumidores pisarem no freio. Derrubando o PIB de forma inédita.
OS MAIS POBRES SOFREM
Mas esse é só um pedaço da história, dos que têm onde cortar. Entre os mais pobres, o governo Dilma 2 se revelou um verdadeiro pesadelo cujo fim pode chegar apenas em 2018 ou além.
Quase 40% dos brasileiros vivem com menos de R$ 15,60 ao dia, segundo estratificação do Datafolha. Numa pobreza tão grande a ponto de mais de 50 milhões estarem em famílias que recebem o Bolsa Família.
O peso da atual recessão com forte inflação sobre eles é gigantesco, afeta o prato e é onde o desemprego mais faz vítimas.
O IBGE mostrou que a queda no consumo das famílias vem se aprofundando em ritmo chocante. Do trimestre findo em dez. 2014 ao que terminou em set. 2015, elas consumiram 5,7% menos, o maior tombo desde 1996.
O processo de impeachment não resolve nada disso, ao menos no curto e médio prazos.
Mas, levando ou não à destituição de Dilma, funcionará como uma espécie de “reset”. Com um arranjo posterior diferente deste que nos envenenou em 2015.

06 de dezembro de 2015
Fernando Canzian
Folha

PROCESSO DE CASSAÇÃO DE DELCÍDIO JÁ COMEÇOU A TRAMITAR



Ilustração Sadco
Charge de Sad Co (reprodução Jornal da Manhã)















Os senadores da Rede e do PPS apresentaram, nesta terça-feira (1º), uma representação ao Conselho de Ética do Senado para pedir a investigação por quebra de decoro parlamentar pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso desde a semana passada pela Operação Lava Jato. Por uma questão regimental, o PSDB e o DEM apenas assinaram uma carta de apoio à representação.
A continuidade do processo no colegiado cabe agora ao presidente do conselho, o senador João Alberto Souza (PMDB-MA), que terá cinco dias úteis para decidir sobre a admissibilidade da representação. Aliado do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), Souza ditará o ritmo de investigação contra Delcídio, o que poderá levar à cassação do seu mandato parlamentar.
Delcídio foi preso na última quarta-feira (1º) sob a acusação de estar obstruindo as investigações da Operação Lava Jato. Ele foi flagrado em uma gravação, feita por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, preso por corrupção na estatal. Segundo a conversa, Delcídio teria oferecido um plano de fuga a Cerveró e uma mesada de R$ 50 mil para a família do ex-diretor para que ele não o citasse em uma eventual delação premiada.
RESPEITO AO MANDATO
“Os senadores devem cumprir regras de respeito ao mandato, não podem descumprir as regras do decoro parlamentar. No nosso entendimento, os notórios acontecimentos envolvendo o senador Delcídio do Amaral, que foram diagnosticados e denunciados pela Procuradoria-Geral da República e foram resultado da sua prisão por parte do Supremo Tribunal Federal, constituem flagrantemente o descumprimento do código de ética e decoro parlamentar”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Por questões regimentais, o PSDB e o DEM assinaram uma carta de apoio à representação. De acordo com as regras do Conselho de Ética, integrantes de um partido autor de um processo no colegiado não podem ser escolhidos como relatores. A estratégia foi adotada para que algum senador da oposição possa ser escolhido. A escolha, no entanto, é feita por sorteio.
ABUSOU DAS PRERROGATIVAS
Na representação, os partidos alegam que Delcídio abusou de “prerrogativas”, “na medida em que se valeu do seu cargo público, sua envergadura institucional e sua influência e trânsito sobre as estruturas de Estado para favorecer-se, obstar a sua própria responsabilização criminal e a de terceiros. A torpeza da conduta salta aos olhos e merece condenação mesmo diante do mais frouxo parâmetro de probidade que se tenha em conta”.
“Assim, caberá a este Senado Federal demonstrar sua repulsa às contrarepublicanas e criminosas práticas do representado, rechaçando publicamente seu comportamento e apenando-o com a cassação do mandato e consequente suspensão dos direitos políticos ou, de outra sorte, referendar seu comportamento inescrupuloso, encarando o escrutínio público dessa perigosa decisão, que pode por em cheque a própria legitimidade institucional desta Casa”, diz o documento.
PROCESSO LONGO
O processo para analisar a cassação de Delcídio será longo. De acordo com o regimento, se o presidente do conselho optar por arquivar a representação, os partidos autores da proposta podem recorrer ao plenário da Casa. No caso de ele aceitar, o colegiado irá notificar Delcídio, que terá dez dias para apresentar a sua defesa prévia. Nesta etapa, ele pode arrolar cinco testemunhas de defesa.
Em seguida, o conselho terá até três dias para sortear um relator, que não poderá ser do partido que representou contra Delcídio e nem do PT, partido do senador que será investigado. O relator escolhido terá então, cinco dias para apresentar um relatório preliminar. O conselho tem mais cinco dias para fazer a análise inicial do mérito da representação em que examinarão se há indícios de prática de ato que possa sujeitar o senador à perda do mandato ou a outra penalidade. A votação neste caso é nominal e aberta.
Seguem-se outras fases do processo até a votação. Se a maioria do colegiado optar pela cassação, o processo seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa e ainda deverá ser analisado pelo plenário da Casa.

06 de dezembro de 2015
Deu na Folha

O PORRETE E O VIRA-LATA



No momento em que se levantam, novamente, as vozes do neoliberalismo tupiniquim, exigindo uma rápida abertura comercial do Brasil para o exterior, e o PMDB inclui, em seu documento Uma Ponte para o Futuro, a necessidade do Brasil estabelecer acordos comerciais com a Europa e os EUA, lembrando a iminência e a imposição “histórica” do Acordo Transpacífico, e em que mídia tradicional segue com sua insistência em defender como modelo a ridícula Aliança do Pacífico, a União Européia – depois de enrolar, durante anos, nas negociações com o Mercosul – parece que vai simplesmente “congelar” as negociações entre os dois blocos.
A razão é clara. Por mais que se esforcem os vira-latas tupiniquins, fazendo tudo que os gringos querem, oferecendo quase 90% de liberação de produtos, os protecionistas europeus simplesmente se recusam a concorrer com o Mercosul na área agrícola – justamente onde somos mais competitivos.
E, além disso, como se não bastasse, a UE como um todo, para dificultar, hipocritamente, ainda mais o fechamento de um acordo, exige o equivalente a uma rendição total da nossa parte: a liberação de quase 100% dos produtos e livre acesso, para suas empresas, como se nacionais fossem, a setores como serviços de engenharia e advocacia e ao gigantesco mercado de compras governamentais brasileiro, de dezenas de bilhões de dólares.
O RECADO É ÓBVIO:
Não adianta ficar ganindo e mendigando com olhar pidão, para ter atenção ou uma migalha, porque não vamos ceder um centímetro, e, mesmo que vocês façam tudo, tudo o que queremos, poderão não ganhar nada em troca, está claro?
Como lembramos outro dia, grandes potências impõem acordos comerciais, e os pequenos países os assinam.
Nações que não tem uma indústria tão desenvolvida como a nossa, como a Argentina, ou outras, que, com salários miseráveis, se transformaram em mera linha de maquila, tendo prejuízos no comércio exterior, apesar de trabalharem como burros de carga montando produtos destinados a terceiros mercados, como o México (vide “O México e a América do Sul”), não têm outra saída a não ser se associar a outros países (esse é o projeto do Brasil para a América do Sul, por meio do Mercosul e da Unasul) ou assinar acordos comerciais desvantajosos, para se integrar, subalternamente, à economia mundial.
FECHAR A ECONOMIA
Países maiores, com grandes mercados consumidores reais ou potenciais, como a China, preferem fechar suas economias durante anos, dedicando-se a desenvolver seu mercado interno, a indústria e a tecnologia, abrindo seletivamente seu território a empresas estrangeiras e cobrando um alto preço para quem quisesse ter acesso a ele, para depois se impor, comercialmente, ao mundo.
A pergunta é a seguinte: vamos nos atrelar, como um mero vagão de commodities, ao trem puxado pela Europa e os Estados Unidos, onde sempre seremos tratados, apesar de nossos eventuais progressos, como um povo de segunda classe, ou, em nossa condição de oitava economia do planeta, vamos tentar estabelecer um projeto próprio e soberano, de longo prazo, como fazem outras potências intermediárias do nosso tipo, como a China, a Rússia e a Índia, que, aliás, não têm – nenhuma delas – acordos de livre comércio com a Europa ou os EUA?
Tentar emular, abjetamente os outros, e lamber o sapato alheio é fácil. Difícil é trabalhar para erguer no quinto maior território do mundo – assumindo a missão e o sacrifício –uma nação justa, forte, e independente, e legá-la, como fizeram em outros países que muitos no Brasil admiram e “copiam”, como um estandarte de honra e de prosperidade, para os nossos filhos.

06 de dezembro de 2015
Mauro Santayana
Jornal do Brasil

DEVOLVER A VIDA DEVE SER A OBRIGAÇÃO DA VALE (DO EX-RIO DOCE)



Na trajetória predatória da Cia. Vale, tudo fica sem vida

















O Rio Doce tem sua história ligada aos primórdios de Minas. Os primeiros navegantes portugueses, no século XVI, se aventuraram na região central do Brasil usando seu leito para subir de Linhares até o encontro com o ribeirão do Carmo. Chegavam, assim, a Mariana e, mais precisamente, à “Passagem de Mariana”. Atraídos pelo ouro, fundaram a cidade de Ouro Preto. Os navios ficavam em Linhares, no Espírito Santo, em seguida rumavam para o Nordeste, alcançando a foz do São Francisco. As caravanas costumavam voltar com pedras e minerais preciosos em poucas semanas. Outras subiam as canoas em lombos de burros para “passar de Mariana” para o rio das Velhas, afluente do São Francisco. Por aí desciam e se reencontravam com os navios portugueses na foz do São Francisco, acima de Aracaju, para retornar todos juntos a Lisboa.
Nos 3.000 quilômetros de navegação fluvial, recolhiam pedras e especialmente couro de alta qualidade, produzido por colonos às margens do rio. Itacarambi e Januária eram paradas obrigatórias, São João das Missões, Mocambinhos e outras cidades nasceram nesse ciclo.
A região de Minas inicialmente era conhecida como Bahia, mas as riquezas minerais e a abundância e variedade não tardaram a dar-lhe o nome apropriado.
O RIO DOS MINERAIS
O Doce do rio se deve em parte às frutas tropicais encontradas a suas margens e ainda à tranquila navegação que dispensava. Pelo rio Doce desceu o mineral que fez de Lisboa uma das cidades opulentas da Europa nos séculos XVII e XVIII.
Chegamos aos nossos dias e até a decisão de figuras eméritas que direcionam os destinos da Vale, até riscar de sua razão social o Rio Doce; certamente não imaginavam que depois de apenas alguns anos suas operações extrativas conseguiriam riscar do mapa socioeconômico do Brasil o rio por inteiro. De Doce ficou vermelho de vergonha e morreu coberto de lama imprestável.
O conselho da Vale, cancelando o nome de Rio Doce, tirava de si a última razão de manter centros mais sérios de decisões em Minas. Onde nasceu e se fez gigante.
A empresa voltou ao status de colônia distante, passou a representar a preocupação com números e balanços, sem maior afetividade e laços com o seu berço.
A VALE QUE JÁ FOI DOCE
A Vale notadamente não participa da vida cultural, social, artística de Minas. Nem adianta procurá-la. Refratária e distante aos apelos da comunidade.
Em Itabira, onde possui a sua mais rica mina depois daquela de Marina – dividida estrategicamente com o maior concorrente mundial, a australiana BHP –, se estabeleceu o maior número de suicídios do Estado nas últimas décadas.
Por que razão? Disse-me um vidente que de lá saem milhares de vagões de minério semanalmente com destino ao resto do mundo. Sabe-se que junto com o minério, altamente magnético, esvai-se o magnetismo do local. Trata-se de uma sangria de energia fluídica.
Talvez não seja bem isso, mas quem passa por cidades como Mariana e Itabira respira o abandono, a degradação urbanística, o cheiro da vampirizarão. Antigamente as afortunadas pessoas que exploravam as riquezas da região retribuíam com obras de arte, cuidava-se do aspecto exterior, bem disso o patrimônio mantém empregos no turismo.
SEM COMPENSAÇÕES
Nas últimas décadas, com Minas reduzida a número frio, poucas foram as medidas compensatórias, nem tanto no aporte de recursos, mas na qualidade, no apreço com a população, com a história e seu meio ambiente. Apenas preocupação de extrair num ritmo frenético milhões de toneladas a cada ano. E deixar para trás um ambiente lunar.
Os grandes extrativistas, como os xeiques dos Emirados Árabes, disputam em obras colossais a forma de aproveitar do momento de fartura. Superam-se em investimentos urbanísticos e artísticos, até excessivos, de qualquer forma investem expressivamente no local de onde retiram suas fortunas. Quer dizer, preocupação, retribuição, sensibilidade que faltam à Vale.
Poderia, depois de tantos anos de lucro, mas nada foi atraído na região para transformar, fomentar e desenvolver um ambiente tecnológico de oportunidades.
FALTA DE APREÇO AO LOCAL
Provavelmente, por essa falta de apreço com o local, deu-se o erro terrível. Subestimar os riscos.
Neste momento não se trata de aplicar multas que engordarão oportunistas que ainda devem prestar contas das centenas de milhões já recebidas, que evaporaram aos seus cuidados. A proposta também não pode ser a de fechar as portas da Samarco. Precisa voltar a operar e garantir os empregos e ter uma contenção compatível com o risco e os lucros da operação.
Ser obrigada para os próximos dez anos, ou 20 anos, a destinar grande parcela dos lucros das minas de Mariana para um fundo que devolva a vida onde, por causa dela, acabou.

06 de dezembro de 2015
Vittorio Medioli
O Tempo

A PRESIDENTE ESTÁ BRABA



Dilma se diz indignada. E nós?
A presidente Dilma veio às falas e se declarou indignada. Ela, indignada. E nós, o quê? Nós, constrangidos a conviver com recessão, inflação e corrupção. Nós, sentenciados a acatar aumentos de impostos, solução indicada por quem sequer entendeu a natureza do problema. Somos notificados, nós, pela televisão, de que a presidente está braba…
Ora, leitores, o Brasil cansou de Dilma, do seu partido, das enrolações, das mentiras e das mistificações que mantêm o PT no poder.
Na tarde desta quinta-feira (3), assisti a leitura do pedido de impeachment ao plenário da Câmara dos Deputados. Estarrecedora a lista de crimes de responsabilidade fiscal praticados pelo governo! Na origem de cada um deles a mesma motivação: ocultação da realidade, dissimulação dos fatos, enganação. A tais práticas, lembremo-nos, era dado o nome de “contabilidade criativa”. Valha-nos Deus!
A presidente espera enfrentar a crise acusando a oposição de conspirar contra o interesse público. Mas quem agiu prolongada e determinadamente contra a nação, olhos postos apenas no interesse próprio e nas parcerias ideológicas? Quem fez o diabo e todos os diabinhos possíveis para vencer a eleição gerando o caos subsequente, jogando o país em mais uma década perdida?
UNIÃO NACIONAL
O Brasil precisa de união nacional para enfrentar a crise. A presidente não perdeu apenas 70% dos votos que fez no ano passado. Por não respeitar o interesse público, por valorizar mais a reeleição do que o bem do país, ela perdeu o respeito do país. E não há, tampouco, como seu partido unificar qualquer coisa politicamente consistente. Enquanto o governo jogava o país na valeta da estrada por onde outros avançam, o partido governante entesourava e tratava de dedicar o Estado, o governo e a administração à tarefa de construir conflitos e impor suas pautas.
A unidade, em torno de Dilma Rousseff, só pode ser na tarefa de nos enganarmos uns aos outros para que, ao final, estejamos todos vivendo o mesmo delírio. E a unidade, em torno do PT, é a guerra de todos contra todos, é a simultaneidade dos ódios provocados e a explosão de todos os conflitos existentes, inventados e ainda por inventar.
O impeachment no qual o país depositou suas esperanças neste ano que chega ao fim foi posto em marcha. Ao longo das próximas décadas estaremos falando destes dias, destas semanas, e saberemos que, em 2015, o povo brasileiro mobilizou-se para que se cumprisse a Constituição e fossem afastados do poder aqueles que se uniram na mentira e nela se abastaram.
Tanto semearam divisão que acabaram unindo o país contra si.

06 de dezembro de 2015
Percival Puggina

NOTAS PERTINENTES DO IMPLICANTE

Perspectiva de impeachment melhora indicadores da economia

Como já era de se esperar, começam a pipocar “análises” sobre os riscos do processo de impeachment para a economia. O problema é que tais “especialistas” acabaram atropelados pelos fatos e números reais. Pois é. Com o anúncio da abertura do processo, a bolsa disparou e o dólar caiu. Foi uma notícia excelentepara o mercado, portanto.
Mas não faltarão colunas e opiniões alertando para os “riscos”. Tudo bobagem. O maior risco para a economia brasileira é Dilma continuar no poder. Foi ela e seu partido quem meteram o país no buraco. A mera perspectiva do risco de saída já alegra o mercado e aquece a economia.
Foto: Wilson Dias/ABr
Dilma | Foto: Wilson Dias/ABr
Imagina quando sair.

Além de Dilma, apenas Collor e Getúlio

Dilma não está sozinha. Ter um pedido de Impeachment contra si em tramitação oficial na Câmara dos Deputados é honraria com a qual somente outros dois estadistas brasileiros já foram agraciados.



primeiro foi Getúlio Vargas, o ditador fascista, que retornou à presidência na década de 1950 abraçado pela esquerda e até pelo próprio Luis Carlos Prestes (mesmo após ter enviado aos nazistas sua esposa judia e grávida de sete meses, Olga Benário, que morreu num campo de concentração). Em 1954, a Câmara julgou seu pedido de impeachment (e o plenário não o acolheu).
Depois foi Color, em 1992, que teve seu pedido de impeachment aceito pela presidência da Casa e votado pelos deputados, mas acabou renunciando antes da apreciação pelo Senado – tentando assim salvar seus direitos políticos. Ele voltou ao poder nacional como senador e, agora, é investigado pela Lava Jato.
Getulio-Vargas---Collor---D
Agora, Dilma Rousseff. Que trinca!

Os deputados da base abandonaram Dilma (e Lula)?

A narrativa oficial seria a seguinte: o governo não poderia ficar mais tempo “refém” de Cunha e, por isso, resolveu enfrentá-lo. É assim que a história é contada e até mesmo reproduzida por alguns analistas. Mas isso não é correto.
Não foi O GOVERNO que enfrentou Cunha. Nada disso. Aliás, foi o exato oposto. Até a undécima hora, emissários governistas lutavam com unhas e dentes para MANTER A PAZ com o Presidente da Câmara. A articulação do governo, comandada pelo ministro da Casa-Civil, Jacques Wagner, era ecoada pelo deputado José Geraldo (PT/PA) até ontem.
O que de fato aconteceu? Os deputados petistas NÃO SEGUIRAM a orientação do governo. Sim, isso mesmo, foi uma espécie de rebelião, justamente por contrariar as ordens palacianas. E também contrariaram Lula, o que sepulta de vez a tese de que a ruptura teria sido iniciada pelo Planalto ou pelo líder máximo do petismo.
Lula e Dilma
Foi esse o contexto do estopim da guerra que agora acompanhamos. Depois, é claro, a narrativa oficial tentou fazer uma adequação aos fatos e passou a ser repercutida como se fosse verdadeira. Mas não é.

Eleições Municipais

Um dos motivos especulados para tal “motim” é o fato de que muitos deputados dependem crucialmente das eleições do ano que vem, já que fazem parte de grupos políticos fincados também nas estruturas municipais. Em suma: ajudar o governo seria enterrar suas próprias carreiras e seus próprios planos. Aí, ninguém topa.

A falácia da “chantagem”

Governistas de todo tipo também passaram a usar a palavra “chantagem” para adequar a narrativa. E isso é falacioso, claro. Afinal, os governos executivos de TODAS as instâncias baseiam a tal “governabilidade” na relação de cargos e favores. Não dá para, em caso de enfrentamento (e derrota), dizer que foi chantageado.
De mais a mais, esse tipo de “chantagem” no poder público, especialmente quando atendida, atenuada e negociada, só existe quando a parte ameaçada está mesmo devendo algo. Claro que a palavra tem apelo popular e populista, mas é um daqueles casos em que o peixe pode morrer pela boca.
Afinal, e se o pessoal começar a se fazer a pergunta óbvia: “ok, mas por que o governo aceitou por tantos meses a tal chantagem?”

Erros estratégicos crassos (e até meio bobos)

Independentemente do motim, há e houve acima de tudo MUITA trapalhada estratégica. Lá no seu início, ainda longe do poder, o Partido dos Trabalhadores era campeão nesse tipo de coisa. Depois, com a sabedoria do tempo (e outros fatores, claro), passou a ser o partido mais estrategista do país. Erros dessa monta seriam inimagináveis.
Mas 2015 chegou chegando, não é? Tudo começou quando resolveram confrontar a candidatura de Cunha à Presidência da Câmara – e não por ideologia ou coisa do tipo, mas sim pelo poder puro e simples (afinal, trata-se de um aliado eleitoral, do partido do Vice-Presidente).
O PT e o governo foram derrotados, ganhou com isso o brinde totalmente grátis: um inimigo poderoso. Em seguida, partiu para o enfrentamento e as derrotas se sucederam. Foram muitas, foram fortes e foram fragorosas. A militância tentava passar a imagem de embate ideológico, mas obviamente era uma luta pelo poder. E o PT perdia todas as batalhas dessa guerra.
Depois de muitas trocas no comando da articulação com o Congresso, Jacques Wagner assumiu a Casa-Civil e, todos imaginavam, as coisas voltariam ao nível profissional de outrora – até mesmo por tratar-se de um aliado próximo de Lula.
Ledo engano.

Sacou primeiro e não atirou

A rebelião dos deputados petistas mostrou a um só tempo a fraqueza do governo com sua própria base partidária e também a total falta de estratégia desse grupo amotinado. Foi algo tão ingênuo que chega a ser impossível não pensar em medida deliberada.
Isso porque a bancada petista anunciou que votaria contra Cunha, mas não votou. Só avisou, mesmo. Ou seja: na prática, sacaram a pistola, apontaram ao inimigo, mas… não atiraram! Só avisaram que iriam atirar.
O que esse inimigo fez? Atirou primeiro, ora! E, assim, por mais que se tente refazer a narrativa, não tem jeito: ele atirou primeiro.

Jabazinho do bem

Saindo um pouco de temas políticos, aproveito para divulgar de novo meu livro (tá baratinho na Amazon, só dez reais!).

06 de dezembro de 2015
implicante

PMDB COMEÇA A DEIXAR O GOVERNO E PADILHA É O PRIMEIRO A SAIR



Dilma se recusou a receber Padilha e ele protocolou a demissão



















Um dos principais aliados do vice-presidente Michel Temer, o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil) vai deixar o governo. O peemedebista tentou entregar sua carta de demissão ao ministro Jaques Wagner (Casa Civil) na noite de quinta-feira (3), mas, segundo aliados, Padilha não foi nem mesmo recebido pelo braço direito da presidente Dilma Rousseff. Segundo a Folha apurou, Padilha então protocolou a carta de demissão no Palácio do Planalto – amigos do ministro dizem que a decisão é irrevogável.
De acordo com aliados do ministro da Aviação Civil, o motivo oficial para a demissão foi uma nomeação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Padilha queria indicar um aliado mas, depois de fazê-lo, viu a Casa Civil revogar a nomeação após reclamações.
Segundo a Folha apurou, Padilha teria se irritado com a rejeição de três nomes que indicou para o governo, dois deles no Rio Grande do Sul. Aliados do ministro dizem que o governo rejeitou a nomeação de um de seus indicados para o Ministério da Saúde, hoje sob o comando do PMDB. O cargo cobiçado por Padilha está ocupado por um petista ligado ao ministro Miguel Rossetto.
No Rio Grande do Sul, PT e PMDB são adversários históricos.
DILMA NÃO O RECEBEU
Amigos do ministro contam ainda que ele ficou incomodado porque tentou falar com a presidente sobre a situação, mas foi recebido pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Irritado, Padilha anunciou sua exoneração.
Padilha é o primeiro aliado de Temer a deixar o governo após a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff.
A ala pró-impeachment do PMDB, ligada ao vice-presidente, trabalha agora para convencer o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a deixar o governo.
Na avaliação dessa ala da legenda, a saída de Henrique Alves seria um movimento coerente com a ligação pessoal que o ministro e o vice-presidente têm há anos.
Essa articulação ganhou força após o anúncio da saída de Padilha.
O ministro não está em Brasília. Embarcou logo cedo para Natal.
Outros ministros peemedebistas no governo são Marcelo Castro (Saúde), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Helder Barbalho (Portos), Eduardo Braga (Minas e Energia) e Kátia Abreu (Agricultura) – esta, na cota pessoal de Dilma.
REAÇÃO NEGATIVA
O presidente do PT de São Paulo, Emidio de Souza, afirmou que a saída do ministro “não é um bom sinal” para o governo Dilma.
Na avaliação de petistas, Padilha sai para articular em favor do impeachment para que o vice-presidente, Michel Temer, assuma o cargo. Seu papel seria negociar com partidos cargos num eventual governo de Temer.
O assunto caiu como uma bomba, nesta sexta, numa reunião da maior corrente política do PT: a CNB. Durante a reunião foram feitos informes com notícias discrepantes. Houve quem dissesse que a saída de Padilha não está confirmada.
“Não é um bom sinal. Mas é o que temos para o almoço”, disse Emidio, ao deixar a reunião.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O último peemedebista a sair, por favor, apague a luz. (C.N.)

06 de dezembro de 2015
Valdo Cruz, Marina Dias, Cátia Seabra e Daniela Lima
Folha