"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

MULTICULTURALISMO E ESTUPIDEZ CRIMINOSA


 Media Watch - O Estado de São Paulo
Hoje em dia, contra os cristãos, vemos no mundo inteiro: discriminação social, institucional, corporativa, legal, supressão da atividade missionária, imposição de conversão forçada a outras religiões e supressão da adoração pública.

O filósofo alemão Eric Voegelin nos diz que ninguém tem o direito de ser estúpido.

A estupidez, quando praticada, é algo que pode nos trazer infortúnios. Segundo ele, não há qualquer direito básico ou liberdade na letra da constituição nos garantindo o direito de criar problemas para nós mesmos, apesar de não ser necessariamente um crime ser um inveterado praticante da estupidez individual. Todavia, quando o sujeito começa a ser estúpido ao ponto de causar danos a muitas pessoas (especialmente se tratando dos milhares, ou mais), passa-se então a falar da estupidez criminosa.

Falando nisso, o jornalista e homem da direita multicultural-liberal (sic), Gustavo Chacra, disse de modo retumbante que tudo o que foi dito sobre o martírio de cristãos é uma sórdida mentira. A fonte dele é nada menos que a BBC, a rede cujo anticristianismo só não é óbvio a quem nunca ouviu falar em BBC. Embora somente o fato de o jornalista ter usado autofagicamente a BBC para falar sobre tal assunto já nos habilitasse a chamá-lo de um autêntico estúpido de intensidade criminosa, temos alguns outros agravantes:

(1) Chacra chama de “islamofobia” estudar o assunto e constatar que a maioria dos martírios de cristãos são perpetrados por islâmicos;

(2) Ele e a articulista da BBC consideram apenas os dados do Center for the Study of Global Christianity (CSGC), portanto, se o CSGC errou, o campo inteiro de estudos sobre o martírio de cristãos está, de modo subentendido, condenado;

(3) Ele diz que o problema no islamismo é quase o mesmo, pois islâmicos estão matando islâmicos;

(4) Chacra acha que ao mudar ― ou refutar ― um número, o problema da perseguição aos cristãos está resolvido ou, na melhor das hipóteses, passa a ser um problema secundário indigno de séria atenção.

Todos que visitam este site de media watch sabem do que se trata o tal multiculturalismo que Guga e as classes política, intelectual e midiática do Ocidente tanto amam. Olavo de Carvalho, que é o fundador do site, já nos disse incontáveis vezes o quão baixo é esse empreendimento que, em última instância, pretende varrer o cristianismo da face da Terra e todos os valores que ele traz consigo. Vale tudo para chegar a isso.

Talvez infectado pelo dito multiculturalismo, Gustavo Chacra ou não sabe ou oculta a razão correta desses números (ignorância NÃO é circunstância atenuante quando se trata da estupidez criminosa a qual fala Voegelin). O Sr. Chacra não explica que esses números dizem respeito a assassinatos in odium fidei [“em [explícito] ódio da fé”], ou seja, assassinar alguém especialmente por causa da fé que essa pessoa professa ou por causa dos atos que ela comete por possuir uma determinada fé [1]. Ele não explica que os dados sobre martírios não devem ser comparados com dados de assassinatos comuns, e que a refutação séria desses mesmos dados sobre martírios exigiria um outro estudo sério e trabalhoso por se tratar de um fenômeno social diferente do assassinato dito comum. É algo que vai além de olhar entrelinhas de relatórios e denunciar erros de nota de rodapé naquele tom olímpico de quem salvou o mundo de uma impostura.

Além de minimizar o fenômeno com base em apenas uma única fonte, ao falar de "islamofobia", Chacra esquece que, no final das contas, são ainda assim os cristãos que fazem parte do grupo mais perseguido do planeta, e não os islâmicos. Só no século XX, mais de 45 milhões perderam suas vidas nos termos de assassinatos in odium fidei, isto é, martirizados. Já no século XXI, se considerarmos números mais comedidos, temos mais de 100.000 martírios até o momento; Se considerarmos os dados do GSGC refutados pela jornalista da BBC, ultrapassaríamos facilmente a marca de 1 milhão de martírios. 

E não só de martírios vive o anticristianismo. Hoje em dia vemos no mundo inteiro contra os cristãos: discriminação social, discriminação institucional, discriminação corporativa, discriminação legal, supressão da atividade missionária, supressão de atividades que visam a conversão, conversão forçada a outras religiões impostas aos cristãos e supressão da adoração pública [2]. Todas essas práticas já atingem centenas de milhões de pessoas do mundo e as consequências são enormes. 

Perseguir cristãos é uma coisa a qual os cristãos de todas as denominações devem esperar. O próprio Cristo e seus apóstolos não deixaram margem para dúvidas quando disseram que os cristãos seriam perseguidos desde o seu próprio fundador até literalmente o fim dos tempos. Entretanto, constatar a inevitabilidade dessa perseguição não deve ser impedimento para constatar que Gustavo Chacra usa e abusa da estupidez criminosa sem dar margem para qualquer circunstância atenuante. Estamos diante de mais um exemplar (dentre milhares) da escória jornalística e cultural que merece a reprovação até da lata do lixo da história: preguiçosa, maliciosa e insistentemente estúpida.

Notas:


[1] Um exemplo: um padre morrer num latrocínio não caracteriza martírio. Entretanto, se um padre que vive de espalhar a fé cristã e a conversão dos pecadores for assassinado justamente por fazer isso, então aí sim caracteriza-se o martírio.

[2] v. o livro The Global War on Christians - Dispatches from the Front Lines of Anti-Christian Persecution do jornalista John L. Allen Jr. Na obra ele considera, sem qualquer triunfalismo, os dados que chegam aos 7.300 martírios por ano por não adotarem, por exemplo, o conceito mais elástico de martírio que foi adotado pelo Center for the Study of Global Christianity. Contudo, ele também leva em conta outra dezena de fontes, inclusive o próprio CSGC, que estima algo entre 100.000 e 150.000 martírios na média da primeira década do século XXI. Enfim, não se trata de considerar apenas uma fonte e dar ali o problema como resolvido, mas sim fazer uma articulação entre todas elas. É o mínimo que devia se esperar de alguém que vai tocar em um assunto tão delicado.

19 de maio de 2014
Leonildo Trombela Junior é jornalista e tradutor.

EU HEIN!!!

1504008 698190223558159 115455886 n Hashtag #PTmentindoNaTV fica em primeiro lugar mundial no Twitter durante programa do partido

QUEM É QUE FALOU PASADENA AÍ?!
LARGA D`EU SÔ! 

19 de maio de 2014
 
 


CHAPELEIRO "MALUCO" VIAJA PELO BRASIL COM FURGÃO E MÁQUINA DE COSTURA

Chapéus criados pelo artesão são vendidos para garantir renda.
País é cheio de belezas, mas problemas sociais assustam, conta o viajante.


Furgão carrega os nomes das cidades por onde o chapeleiro passou (Foto: Monique Almeida/G1)
Furgão carrega os nomes das cidades por onde o chapeleiro
passou (Foto: Monique Almeida/G1)
 
Ele não é um maluco qualquer. É chapeleiro por opção e amor pelo que faz. Durval Sampaio, ou apenas Du, de 32 anos, viaja há mais de um ano pelo Brasil dentro de um furgão verde, ano 1952, e se declara um apaixonado pelo país. Natural de São Paulo, ele chegou ao Tocantins há cerca de quatro dias, vindo do sul do Maranhão, e se instalou no distrito de Taquaruçu, a 40 km de Palmas.

Du conta que não se considera um chapeleiro maluco, mas que acabou recebendo esse apelido das pessoas que conhece por onde passa. "Não me inspirei em ninguém, tenho a própria vida como inspiração para o que faço", explica. Ele diz que o plano é viajar durante três anos e conhecer cada canto do nosso país.

Chapéus feitos pelo artesão custam em média R$ 98 (Foto: Divulgação/Du E-Holic)
Chapéus feitos pelo artesão custam em média R$ 98
(Foto: Divulgação/Du E-Holic)

 
O chapeleiro é um amante de música, de todos os tipos, mas revela um apreço especial pelas músicas de Tom Zé, que é considerado até hoje como um músico de vanguarda. "Gosto de tanta coisa que nem sei dizer. Só que Tom Zé é o nome que me vêm a mente agora. Acho bem bacana as composições dele", observa.

Para viajar durante o período planejado, Du explica que guardou umas economias, mas que vive da venda dos chapéus que fabrica dentro do furgão, usando uma máquina de costura e a criatividade. Os chapéus vendidos por ele custam em média R$ 98. É com a venda desses acessórios que ele se mantêm. "Conheço tanta gente e acho maravilhoso. Algumas me oferecem um lugar para ficar e consigo fazer os chapéus lá, com mais tranquilidade", conta.

O artesão diz que passou por tantas cidades que já perdeu as contas. A maioria ele conseguiu registrar no furgão. "O Brasil é um país tão rico e bonito. Só que tem o lado feio também. Eu já vi crianças trabalhando como se fossem adultos. Os corpos delas nem chegam a se desenvolver direito por causa do trabalho. Tem também muita prostituição infantil que é muito triste porque todo mundo vê aquilo, mas ninguém faz nada", critica.

Artesão vende chapéus para garantir a renda e continuar viagem pelo Brasil (Foto: Monique Almeida/G1)
Artesão vende chapéus para garantir a renda e
continuar viagem pelo Brasil
(Foto: Monique Almeida/G1)

 
Outro problema apontado pelo chapeleiro é o consumo de crack que, segundo ele, está se tornando um dos maiores problemas enfrentados pelo país. "Em todas as cidades por onde passei existe esse problema. Claro que é fácil se encantar com a beleza peculiar desses locais e, no entanto, é difícil não olhar para isso", completou.

Du conta que vive no furgão e que passou apuros com furtos. Uma vez, ele explica, em uma visita a São Luís (MA) arrombaram o veículo e levaram todo o material que tinha dentro. "Foi complicado. Consegui recuperar algumas coisas, mas a maioria foi levada."

Sobre os planos para o futuro Du fala que não tem nada programado. "Por isso tento não me apaixonar por ninguém. Não sei o que será depois dessa viagem. Conheci mulheres interessantes e até me relacionei com algumas e é complicado porque uma hora eu tenho que colocar o pé na estrada."
A saudade da família e a solidão da estrada não impedem o artesão de seguir o objetivo dele. "Converso com minha mãe sempre. Estou indo para Goiânia buscar minha irmã. Depois disso continuo no meu caminho, sem fazer muitos planos, apenas seguindo em frente", finalizou.

Chapeleiro foi recebido por artistas de circo em Taquaruçu, distrito de Palmas (Foto: Monique Almeida/G1)

Chapeleiro foi recebido por artistas de circo em Taquaruçu,
distrito de Palmas (Foto: Monique Almeida/G1)
 
 
19 de maio de 2013
Monique Almeida Do G1 TO
 

MAIS FÁCIL MANIPULAR POVO INCULTO

Me escreve Jorge Lobo:

- Na opinião do articulista não existe nenhum grande escritor brasileiro? Será que se Machado de Assis tivesse nascido na França não seria um dos grandes?”

Quando cito meus autores diletos, meu caro, jamais citei um francês. Não que a França não tenha grandes escritores. Apenas não estão entre os meus preferidos. Estes são russos, suecos, espanhóis, irlandeses, ingleses e argentinos Não preciso sair de minha terra natal para citar uma grande obra. Martín Fierro é o poema que mais leio e releio, cito e recito, e que sempre me acompanhou em viagens mais longas. Hernández é argentino, mas seu poema começou a ser escrito em Santana do Livramento.

- Querido Janer – escreve-me Cris Fontana – se "em um universo em que existem Cervantes, Swift, Dostoievski,Kuprin, Orwell, Koestler, Huxley, Machado faz feia figura." No universo , ou melhor no inferno dantesco dos bestsellers paradidáticos que são enfiados compulsoriamente goela abaixo das crianças, Machado de Assis e José de Alencar são maravilhosos! Não entro nem no mérito do argumento , mas pelo menos tem bom português, boa gramática, linha condutora e estilo.

- Sabe qual é o universo subliterário das crianças e adolescentes de hoje?! É Lygia Bojunga e o horrível Bolsa Amarela. São as famigeradas Ana e Maria Clara Machado com seus enfadonhos Bisa Bia, Bisa Bel e o chatíssimo fantasminha Pluft. Uma lástima chamada Até mais verde, da sofrível escritora Julieta "de" Godoy. Um arrítmico Pedro Bandeira e seus livrecos insossos! Neste universo de escrevinhadores paupérrimos de tudo, mas bons ADA (amigos dos amigos), Machado de Assis é maravilhoso. José de Alencar é fantástico. E sim, pra quem lê um livro em bom português,inglês, alemão ou francês, o "pai dos burros" continua sendo o melhor e inseparável amigo!

Sem dúvida nenhuma, Cris. Jamais afirmei que Machado escreva mal. Apenas o julgo escritor menor e que nada tem a dizer aos leitores de hoje. Muito menos aos de sua época, que já tinham um acervo excelente de boa literatura. Que mania é essa de endeusar a literatura nacional? Cultive-se a grande literatura e o resto que fique na famosa lata de lixo da história. Não que deseje este destino para Machado, mas o fato é que seria autor esquecido não fosse sua literatura imposta nas escolas.

- As crianças de hoje lêem gibi, e olhe lá – continua Cris – . As provas, muitas delas, no primário são de interpretação de FIGURAS e exercício imaginativo, interpretação do texto passa a léguas de distância das carteiras escolares. A tal ponto dos jovens nem saberem o que é e como se faz uma interpretação de texto .É só exercício opinativo e imaginativo, interpretativo de acordo com o texto lido, que é bom, nadica de nada!

Vivo longe do universo das escolas e desconhecia esta barbaridade. Escritores escrevem para serem lidos, não para terem seus textos traduzidos em desenhos. Desenho é uma coisa, atende aos olhos. Palavras é outra completamente distinta. Palavras apelam à imaginação.

Foi em 2006 que o governo federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), comprou e distribuiu para a rede pública, pela primeira vez, literatura em quadrinhos. "Com o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), as editoras puderam tirar os quadrinhos do underground e direcioná-los para um público maior", afirmou na ocasião Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM Editora.

Vê-se um esforço deliberado do governo em eliminar o que de bom um dia a escola teve, de nivelar por baixo a educação, em suma, de analfabetizar a juventude atual. Talvez este esforço não seja consciente. Mas instintivamente as autoridades do ensino sentem que povo inculto é povo manipulável.

- O gibi – acrescenta Cris – para as crianças/adolescentes /adultos que já consolidaram o processo de alfabetização, que já sabem ler, não tem problema se for uma leitura esporádica. Mas o que vejo HOJE é gibi como leitura exclusiva para leitores que são leitores de figuras não de textos. E muitos clássicos "gibizados" para facilitar a "leitura" dos inábeis letrados pelo construtivismo. Isso é ruim , mau e apocalíptico!

E analfabetizador, acrescentaria eu. Ilustrações podem facilitar a leitura, mas desestimulam o conceito, o pensamento abstrato. Fui leitor voraz de quadrinhos em minha adolescência. Eram os “livros” aos quais tinha acess. Não sei como, os gibis chegavam até os rincões onde nasci. Quando fui para a cidade, fiz a festa. Nas matinês de sábado, após algum seriado do Capitão Marvel ou de Hopalong Cassidy, havia um farto mercado onde trocávamos revistinhas. Era leitura garantida para a semana toda.

Às vezes, quando encontro alguém de minha idade, fazemos um torneio de erudição. Qual a identidade secreta do Capitão Marvel? Billy Batson, é claro. E a eterna namorada do Mandrake? Narda. E como era mesmo o nome do negrão aquele que parecia ter um caso com o mágico? Lothar. Como se chamava o cavalo do Zorro? Silver.

E o cachorro do Fantasma que Anda? Capeto. Em verdade, não era um cão. Mas um lobo. E sua noiva? Diana Palmer. Foi um dos noivados mais longos da história. Durou 40 anos antes que o Fantasma tomasse uma decisão. Morava na Caverna da Caveira e era imortal, graças a um truque: a cada geração, o filho retomava a identidade do pai. tom de respeito e seguindo uma longa tradição, a Caverna da Caveira conta com uma cripta, na qual estão os 20 antepassados da linhagem, aos quais ele apresenta sua esposa e, posteriormente, seus filhos. Sua marca registrada era o anel da caveira, que deixava sua impressão no rosto dos bandidos que derrotava.

Mas há obviamente tempo de ler quadrinhos e ler bom livros. Adulto, curti duas revistinhas – e ainda curto – as de Mafalda e as de Asterix. Mas aí não é mais quadrinho e sim boa literatura.

Em suma, Cris, a situação está osca, como dizíamos lá no campo. Conheço não poucas pessoas adultas – e ocupando cargos importantes na administração - que não conseguem ler um texto do tamanho desta crônica. Ler para quê, se um analfabeto conseguiu eleger-se presidente? Quando fatos como este demonstram que leitura não é necessária para o que se chama de sucesso, o caminho está amplamente aberto para o analfabetismo funcional.

Mas não desespere, Cris. A filha de uma sobrinha minha, com quatro anos, está aprendendo inglês e mandarim. E não é só ela. Aqui em São Paulo há muitas crianças aprendendo mais duas línguas além do português. O esquecido Nestor de Hollanda, em A Ignorância ao Alcance de Todos, dizia que as hostes dos alfabetizados avançavam, já havia até mesmo alguns infiltrados no Exército. Ainda há um núcleo diminuto – diminuto mas teimoso – que insiste, contra ventos e marés, em alfabetizar-se.


19 de maio de 2014
janer cristaldo

A PROPÓSITO DA "COPA DAS COPAS"

Resposta do Figueiredo para o então presidente da FIFA, João Havelange, sobre a possibilidade da realização da Copa do Mundo de 1986 no Brasil. Comente...

Curta TV Revolta


Resposta do Figueiredo para o então presidente da FIFA, João Havelange,
sobre a possibilidade da realização da Copa do Mundo de 1986 no Brasil.

19 de maio de 2014

RECORDAR É VIVER

 

«A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira (3) que o trem-bala ligando Campinas ao Rio de Janeiro ficará pronto para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, que acontecerá no Brasil, pelo menos no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Ela reafirmou que o governo não pretende gastar recursos em estádios e que o foco dos investimentos públicos será em mobilidade urbana nas cidades escolhidas para sediar o evento, definidas no domingo passado (31/05).»
Artigo de Eduardo Bresciani, publicado no site do jornal O Globo, em 3 junho 2009.
Quem acreditou se estrepou.
 
19 de maio de 2014
José Horta Manzano

DECISÃO DO STF PASSA O RODO NA LAVA-JATO E MANDA SOLTAR PAULO ROBERTO, O DOLEIRO YOUSSEFF E OUTROS BICHOS


https://www.youtube.com/watch?v=ua2ye7GxSyU&feature=player_embedded

Noel Rosa, em 1933, já indagava, com maldade: Onde está a Honestidade?

Em mais uma prova de que o Brasil é mesmo o País da Impunidade e da Injustiça, uma decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal passou o rodo em todo o bom trabalho feito pela 13ª Vara Federal de Curitiba, pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. O ministro Teori Zavascki avocou para si os outro processos do caso e mandou soltar todo mundo. Desde o doleiro Alberto Youssef, passando pelo ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, até chegar a Rene Luiz Pereira, suspeito de envolvimento com tráfico internacional de drogas.

A decisão de Teori é um alívio para o governo. Paulo Roberto Costa comprovou que tem muito mais poder do que realmente parecia. Mesmo indiciado por lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e tentativa de destruição de documentos, o ex-dirigente da Petrobras e ex-conselheiro da Brasken (subsidiária do grupo Odebrecht) conseguiu se livrar da incômoda cadeia – que lhe impedia movimentos defensivos. Como o parceiro dele, o doleiro Alberto Yousseff, também ganhou liberdade, muitas provas podem desaparecer, como mágica, depois que forem soltos – segundo temor de membros da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

A mais importante bomba a ser desarmada é a que relaciona os personagens da Lava Jato com operações de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e prováveis mensalões a políticos e suas campanhas. A decisão individual de um ministro do STF – indicado para o cargo pelo Palácio do Planalto – é apenas a sinalização de que o PT consegue, mais uma vez, desmontar armadilhas da Justiça.

A CPI da Petrobras, que já nasceu praticamente morta, perderá totalmente a força, com a paralisia mental gerada pela Copa do Mundo. A secada na Lava Jato é uma demonstração de que o esquema petralha continua mais hegemônico que nunca – com alto risco de perpetuação no poder, a não ser que ocorra uma improvável virada de mesa. É por isso que o povo, cantando a música do imortal Noel Rosa, já pergunta com maldade: “Onde está a Honestidade? Onde está a Honestidade?”.


“Onde está a Honestidade?” – com Beth Carvalho
 
19 de maio de 2014
 Jorge Serrão

PEC 51: ABRINDO O CAMINHO PARA O GOLPE COMUNO-FASCISTA. ASSISTA O VÍDEO

AS URNAS HELVÉTICAS

 

Mês passado, eu lhes tinha adiantado que os cidadãos suíços se preparavam para se pronunciar sobre vários assuntos de importância. Entre eles, estava um plebiscito sobre a instituição de um salário mínimo nacional e um referendo sobre a compra de aviões de caça para o exército.
 
O voto foi ontem, domingo. Talvez alguns de meus distintos leitores já tenham tido notícia do resultado. Mais provavelmente, a enxurrada de eletrizantes acontecimentos brasileiros há de ter roubado a cena e ofuscado todo o resto. Vou contar como ficou.
 
Salário mínimo

Estes últimos dias, a meio caminho entre a zombaria e a inveja, toda a mídia europeia vinha falando no assunto do piso salarial suíço. Todos ressaltaram o montante: disseram que, se o povo aceitasse a proposta, o país passaria a ter o salário mínimo mais elevado do planeta. É verdade que 4000 francos suíços (algo em torno de dez mil reais) impressiona.
 
Já na cabeça do eleitor suíço, a questão era outra. Ninguém se impressionou com o montante. O voto era sobre o princípio: um piso salarial nacional deve, sim ou não, ser fixado?
 
Voto sobre o salário mínimo Resultado de cada cantão

Voto sobre o salário mínimo
Resultado de cada cantão

Visto o custo de vida no país, quatro mil francos (brutos) dão justinho para uma pessoa sozinha. Vida pra lá de modesta, sem fantasias e sem luxo. Para um casal, a coisa aperta um bocado. Vai ser difícil chegar ao fim do mês sem abrir o bico.
 
O resultado foi inapelável: os suíços botaram pra correr o salário mínimo. Uma maioria de 76% dos votantes desaprovou a ideia. O sim não venceu em nenhum dos cantões. O país vai continuar sem piso salarial legal.
 
Interligne 28a

Aviões de combate

O voto deste 18 de maio incluía um referendo sobre a compra de 22 caças Gripen ― de mesmo tipo que os que nosso exército decidiu adquirir. O montante total seria de mais de 3 bilhões de francos suíços, algo entre 7 e 8 bilhões de reais.
 
O resultado da votação foi mais apertado que o do salário mínimo. Assim mesmo, mais de 53% dos votantes rejeitaram a decisão. As negociações foram arquivadas. Por uns dez anos, no mínimo, nenhum avião de caça será adquirido.
 
Voto sobre os caças Gripen Resultado de cada cantão

Voto sobre os caças Gripen
Resultado de cada cantão

Num país onde as forças aéreas somente estão disponíveis no horário comercial, faz sentido. Se você não entendeu, leia meu artigo de 18 fevereiro passado. Clique aqui.
 
Fico a me perguntar se, numa tresloucada hipótese, o governo brasileiro decidisse submeter ao povo a decisão de adquirir os caças Gripen, qual seria o resultado?
 
Um dia, talvez, cheguemos lá. Por enquanto, vamos desfrutando de nossas novíssimas e portentosas «arenas».

19 de maio de 2014
José Horta Manzano

MINISTRO DO STF SUSPENDE INQUÉRITO E CONCEDE LIBERDADE A TODOS OS PRESOS DA LAVA-JATO

"CHEGADO NUM PARTICULAR" E "Tem rabo de gato. Focinho de gato. Olhos de gato. Pelo de gato. Mia como um gato."

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira, em decisão liminar, a liberdade do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.
Zavascki também suspendeu todos os inquéritos relacionados à operação policial e às ações penais abertas na Justiça Federal do Paraná contra os investigados, entre eles o doleiro Alberto Youssef, pivô do megaesquema de lavagem de dinheiro.
Além de interromper os inquéritos relacionados à operação Lava-Jato, a liminar ordena a suspensão de todos os mandados de prisão já expedidos no curso das investigações e determina a remessa imediata dos autos para o Supremo Tribunal Federal.
 
 
Para a defesa de Paulo Roberto Costa, o processo todo deveria ter sido enviado de imediato à mais alta Corte do país por conta das suspeitas de participação de parlamentares, que têm direito a foro privilegiado, no esquema investigado pelas autoridades policiais. “Antes mesmo da realização das buscas e apreensões, os autos já forneciam elementos concretos que apontavam para o suposto envolvimento de membros do Congresso Nacional”, argumentaram os advogados do ex-diretor da Petrobras no pedido analisado por Zavascki.
 

Deputados – No curso das investigações, interceptações telefônicas atingiram os deputados federais André Vargas (PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA). Ambos já respondem a processo no Conselho de Ética da Câmara e podem perder os mandatos pela estreita relação que mantinham com Youssef.
 
 

Além de Costa e Youssef, a liminar de Zavascki garante liberdade aos doleiros Nelma Kodama, Raul Srour e Carlos Habib Chater. Também deverá ser beneficiado René Luiz Pereira, um dos envolvidos no esquema que tinha sido preso por tráfico internacional de drogas. Até o momento, 42 pessoas tinham sido denunciadas pelo Ministério Público Federal por envolvimento com o esquema de lavagem de 10 bilhões de reais investigado pela Polícia Federal. 
 

Mesmo com a determinação de soltura de todos os presos, Zavascki fez uma ressalva: para não atrapalhar as investigações, eles não podem se ausentar das cidades onde residem e devem entregar seus passaportes no prazo de 24 horas. O ministro ordenou, ainda, o envio por fax da decisão para as autoridades encarregadas do caso – PF e Ministério Público –, para cumprimento imediato das decisões.
 
Rodrigo Rangel, Larissa Borges
Veja.com

 

 

 

 
Camuflados memória :

setembro 24, 2012

Tem rabo de gato. Focinho de gato. Olhos de gato. Pelo de gato. Mia como um gato. MIAU!MIAU!MIAU! ????????

"Sou inocente e não cometi nenhum crime. Fui só presidente do PT"
José Genoino 

Tem rabo de gato.
Focinho de gato.
Olhos de gato.
Pelo de gato.
Mia como um gato.
 
Mas está longe de ser um gato, segundo a malta dos que nada veem demais na escolha em tempo recorde do ministro Teori Zavascki para a vaga do ministro Cesar Peluzo no Supremo Tribunal Federal (STF).
 
E também na pressa com que estão sendo tomadas as providências para que ele assuma o cargo o mais rapidamente possível.
 
Porta-vozes de Dilma juram que ela quer distância do julgamento do processo do mensalão. Trata- se de herança pesada deixada pelo governo anterior.
 Logo... Logo, por que ela se envolveria com a manobra esperta de indicar um ministro para influir no resultado das votações do processo?
Ou pior:
para tentar adiar o julgamento, como sempre foi desejo expresso de Lula?
Mas a escolha foi relâmpago (Miau!).
Dois dias após anunciada, Teori começou a bater perna no Senado atrás de votos (Miau! Miau!).
Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu para relatar a indicação de Teori
(Miau! Miau! Miau!).
Esvaziado pela eleição, o Senado foi convocado para aprovar o novo Código Florestal.
De quebra, aprovará o nome da predileção de Dilma para o STF
(Miau! Miau! Miau! Miau!).
 
Teori tem fama de homem sério.
Por sério não se prestaria a ser peão de jogada política.
Sua seriedade, porém, o impediria de retardar o exame do seu nome pelo Senado.
 
Uma vez no STF, deixaria de ser considerado sério só por estar disposto a exercer de imediato a função de juiz?
Que juiz sério e responsável votaria sem antes estudar detidamente o que tivesse de votar?
 
Para estudar, só pedindo vistas (Miau! Miau! Miau! Miau! Miau!).
 
Sentado numa daquelas cadeiras do plenário do STF, um ministro só deve satisfações à sua consciência.
 
Cada um à sua maneira, é assim que procedem, por exemplo, os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Graças a Lula ambos ganharam assento no STF. Lula está furioso com a independência de Joaquim e satisfeito com o bom comportamento de Lewandowski.
 
Não cobrem de Lula apego férreo ao princípio da separação dos poderes.
 
Lula concorda com todos os princípios que balizam o sistema democrático desde que possa ignorá-los sempre que lhe convier.
O mensalão atingiu em cheio a soberania do Legislativo.
Lula foi contra o suborno de deputados?
Marcos Valério deu a entender que Lula só não caiu porque ele, José Dirceu e Delúbio jamais contaram o que sabem.
 
Acusação tão grave ficou sem resposta de Lula.
O que ele teme?
Que Valério faça novas revelações?
E que elas acabem forçando a Justiça a processá-lo?
O PT e partidos aliados acusaram "setores conservadores" da sociedade de pressionarem o STF para que faça do julgamento do mensalão um meio de "golpear a democracia" Santo Deus! Como se o STF fosse formado por um bando de tontos.
Sandices! Sandices à farta que aos ignorantes impressiona, e somente a eles.
Digam lá:
em que parte do mundo civilizado já se ouviu falar de ameaça de golpe contra um ex-presidente? Golpeia-se presidentes; ex, não. O PT denuncia a iminência de um golpe contra Lula! Ahahahahah!
 
O PT está no poder há dez anos. Oito dos atuais dez ministros do STF devem o emprego a Lula e a Dilma.
 
E, contudo...
Há um golpe em marcha contra Lula! Ouve-se ao longe o barulho produzido pelo atrito com o asfalto das esteiras dos tanques a caminho de São Bernardo. 
No país da jabuticaba, golpe contra ex-presidente é coisa nossa! Quanto a golpe a favor... Miau! Miau!


O Globo 


CAMUFLADOS MEMÓRIA:

novembro 28, 2012

"CHEGADO" NUM "PARTICULAR" ? Tem rabo de gato. Focinho de gato. Olhos de gato. Pelo de gato. Mia como um gato.II : Teori acha que julgamento ao vivo na TV desgasta STF 


 
O ministro Teori Zavascki, que assume cargo amanhã no STF, considera que a Corte ficou muito exposta com a transmissão ao vivo do julgamento do mensalão. Para ele, o excesso de exposição às vezes não colabora para um julgamento tranquilo. 

"Para o meu gosto, acho que se poderia repensar isso", disse. O ministro Joaquim Barbosa presidiu sua primeira sessão no CNJ e disse ser a favor de investigações sobre o patrimônio de magistrados. Ele também criticou a Justiça Militar.
Novo ministro defende "meio caminho" entre transmissão pela TV e publicação de decisões e diz que juiz, às vezes, toma medida impopular

Às vésperas de tomar posse, aos 64 anos, como ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki disse ontem que a Corte ficou muito exposta com a transmissão ao vivo do julgamento do mensalão. Sem fazer avaliações sobre as votações do caso em si, Zavascki disse que no passado redigiu artigo no qual sustentou que a discussão sobre perda de mandato de parlamentares condenados cabe ao Legislativo, e não ao Judiciário.

Três deputados - João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) - foram condenados pelo Supremo no processo do mensalão. Teori descartou sua participação no atual julgamento, mas disse que deve participar da apreciação dos prováveis recursos dos réus condenados.

O ministro abordou outros temas do Judiciário, em entrevista coletiva no Superior Tribunal de Justiça (STJ), como a defesa do direito de parentes de magistrados advogarem até em tribunais onde seus familiares são juízes. A seguir, os principais tópicos.


Participação no julgamento do mensalão

A regra de participação do juiz em um julgamento que está em andamento é a do regimento interno (do tribunal). Minha interpretação é que não cabe mais minha participação. Nessa fase de fixação de penas, participam só os ministros que proferiram juízo condenatório. Eu não vou participar do julgamento do mensalão. (...) Eu vou participar provavelmente se houver recurso futuro.
Perda de mandato dos deputados condenados

Na década de 90, quando atuava como juiz do TRE, escrevi artigo doutrinário, como doutrinador. Entendi que a perda do mandato parlamentar - no caso de deputado e senador - depende da respectiva casa legislativa. É diferente a posição do doutrinador e a do juiz. A formação da decisão judicial tem de ter o argumento das duas partes. Lá atrás eu defendi isso.
Repercussão do julgamento

Não acredito que a relação do Judiciário com a sociedade vá mudar profundamente. A visibilidade do STF se deu em função principalmente da exposição que as transmissões por TV propiciam. As relações entre Judiciário e sociedade hoje são de uma visibilidade que às vezes vai além da publicidade.

Transmissão de julgamentos


Tem pontos positivos e negativos. Um ponto negativo é o excesso de exposição que às vezes não colabora para um julgamento tranquilo, sereno. Para o meu gosto, acho que se poderia repensar isso. Não sou contra a publicidade dos atos, que são públicos por imposição constitucional. Mas entre publicidade e transmissão ao vivo tem um meio caminho. Mas é uma situação de fato que temos hoje e que dificilmente será revertida.
Justiça e clamor popular


O juiz tem de levar em conta as normas. Se fôssemos hoje, em determinadas circunstâncias, julgar não conforme a lei, mas segundo a vontade popular, não teríamos condição de aplicar muitas leis, por exemplo, em matéria penal. Aplicaríamos penas mais severas. Eu diria até que, se fôssemos levar em conta a vontade popular, teríamos implantado a pena de morte no Brasil há muito tempo. O juiz tem um papel difícil na sociedade que é, às vezes, tomar decisões impopulares. Às vezes, para aplicar a lei, não se escapa da impopularidade. Quem tem de aferir a vontade do povo são os Poderes eleitos pelo povo, com essa missão de fazer leis. O juiz tem de aplicar as leis legítimas.
Foro privilegiado

É
uma questão polêmica. A prerrogativa de foro existe desde a Constituição do Império. A ideia é (garantir) um julgamento justo e imparcial. Talvez se devesse reduzir a quantidade de autoridades com prerrogativa de foro. Em muitos casos, não é nenhum privilégio. As pessoas que são julgadas originariamente por juiz de primeiro grau acabam tendo acesso ao STF. Em tese, do ponto de vista de demora de julgamento, o caminho a ser percorrido no caso de julgamento originariamente em primeira instância é muito mais comprido do que os julgados diretamente por um tribunal. Temos visto muita gente querendo não ter a prerrogativa de foro. O fato de pessoas não quererem ter esse privilégio é um sinal de que não é bem assim.

PEC da Bengala, que prevê aumento da idade para aposentadoria compulsória
Deve ser vista em um conjunto, não só em relação aos tribunais superiores. Seria casuístico aprovar uma emenda que fosse contemplar só ministros de tribunais superiores. Talvez devesse repensar a conveniência para o Estado de pagar aposentadorias a servidores não só do Judiciário, mas a servidores públicos de modo geral, quando completam 70 anos.
Judicialização da política


A diferença entre a atividade do juiz e a atividade do legislador é que o juiz atua sobre situações concretas. O legislador atua para situações futuras, por intuição. Quando um problema novo vem para o juiz e a respeito dele não há uma prévia atuação legislativa, o juiz não pode se eximir de julgar. O sistema dá orientação para o juiz. Ele vai trabalhar com analogia, com princípios e com costumes. Parente de magistrado advogar no tribunal do familiar As regras existem. Evidentemente que, nem no próprio tribunal nem em outro tribunal, é possível que um juiz atue em processo que tenha atuado determinado advogado ou pessoa com grau de parentesco. O inverso também é verdadeiro. Se um processo está com um juiz, o parente não pode atuar (como advogado). Mas não se pode proibir um parente de advogar porque é parente de juiz.

MARIÂNGELA GALLUCCI O
Estado de S. Paulo

 

NO REINO DO CHAPELEIRO MALUCO


 
19 de maio de 2014



 

AS ARAPUCAS PÓS-2015

Os indicadores econômicos dos últimos três anos evidenciam as arapucas diante das quais a economia brasileira se encontra, dado que o cenário é marcado por baixo crescimento, alta inflação, pleno-emprego e alto déficit em conta corrente. Esse quadro é resultado da Nova "velha" Matriz Econômica ou, ainda, do abandono do tripé macroeconômico adotado no final do governo Fernando Henrique e primeiro mandato de Lula.

É difícil de quantificar todos os passivos gerados por essas políticas macro e microeconômicas irresponsáveis, mas é possível ter uma ideia pelos números fiscais. O custo fiscal dos incentivos tributários e previdenciários atingiu R$ 78 bilhões só em 2013. Isso sem levar em conta os créditos subsidiados através dos bancos oficiais, fornecidos a empresas "eleitas". Se somarmos os custos da redução dos preços de energia, do controle das tarifas de transporte público e dos preços de combustíveis, esse último arcado pela Petrobrás, as cifras ficam ainda mais astronômicas.

Se a tentativa de baixar juros, desvalorizar câmbio, fechar a economia e ampliar gastos públicos por decreto tivesse sido bem-sucedida, poderíamos afirmar, em uma metáfora, que a Lei da Gravidade teria sido revogada. Os dados de crescimento, investimento, inflação, contas públicas e conta corrente evidenciam o fracasso da estratégia.

Especificamente com relação à taxa de câmbio, fator não menos relevante, as mudanças nas "regras do jogo" foram sepultando definitivamente o regime de câmbio flutuante e trazendo de volta as incertezas e a vulnerabilidade dos tempos do câmbio administrado.

Quando vítima dos "excessos" de influxo de dólares e da consequente apreciação cambial no início de 2012, o Banco Central (BC) atuou com maciça compra de reservas e a Fazenda adicionou 6% de IOF sobre a entrada de capitais externos. A partir de março de 2013 as regras do jogo no campo cambial mudaram novamente. Com a "escassez" de dólares para o País devido ao reposicionamento dos mercados - diante dos sinais de que o Fed reduziria gradualmente os estímulos monetários -, o governo voltou atrás na cobrança de IOF e em algumas barreiras tarifárias.

Como persistiu a trajetória de desvalorização da moeda e para conter pressões inflacionárias, o Banco Central deu início às intervenções diárias, a partir de agosto, ofertando swaps cambias e linhas de créditos. O estoque de swaps já é de US$ 85 bilhões, quantia similar ao total das intervenções na crise de 2008.

A retomada dos trilhos do crescimento passa, necessariamente, pelo desmonte dessas distorções criadas nos âmbitos macro e microeconômicos. No âmbito macroeconômico, uma das contas que o BC terá de pagar é o desmonte dessa posição de US$ 85 bilhões em hedge cambial.

Junta-se a isso a necessidade de lidar com a dificuldade de atrair capital externo quando os treasuries começarem a precificar mais significativamente a alta dos fed funds, esperada para meados de 2015. Um tipo de fluxo que tem ajudado a explicar a recente apreciação do real é o de curto prazo, reflexo das operações de carry-trade. Investimentos em renda fixa aumentaram cerca de US$ 22 bilhões em 12 meses e os créditos intercompany já somam US$ 20,6 bilhões dos US$ 65 bilhões de IED neste mesmo período.

Adicionalmente, há a necessidade de ajustes das contas públicas com o objetivo de gerar déficits fiscais menores, além de acabar com a contabilidade criativa. Do lado dos preços, resolver o quiproquó dos preços "segurados" na marra pelo governo, que, por sua vez, têm gerado distorções relevantes na economia.

O ponto é que o desmonte de todas essas distorções terá um custo elevado, que, em alguma medida, poderá ser mensurável. Entretanto, há algo mais difícil de medir: a oportunidade perdida de implementar uma agenda de reformas para alavancar os pilares do crescimento econômico.

Nunca é tarde para repetir a frase do presidente americano Abraham Lincoln, de 1860: "Você pode enganar a uma pessoa por muito tempo, algumas por algum tempo, mas não consegue enganar a todas por todo o tempo". Quem quer que vença as eleições terá de minimamente arrumar a casa. O cidadão brasileiro pagará a conta mais claramente a partir de 2015.

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19 de maio de 2014
Nathan Blanche, O Estadão

O GATO QUE CAÇA O RATO

Na crise de 2008, a China não teve problemas de crédito como muitos países. Seu problema, gravíssimo, foi comercial. O motor da economia chinesa eram as exportações para os EUA e para a Europa ocidental, e sua redução levou Pequim a embarcar num projeto contracíclico de investimentos maciços em infraestrutura e de expansão do crédito, particularmente o imobiliário.

A China vive hoje a ressaca desse projeto. Ironicamente, o país que entrou na crise sem problema de crédito passou a tê-lo por causa da expansão exagerada dos financiamentos e criação de bolha imobiliária, como foi o problema americano, num contexto diferente.

Além disso, a ação contracíclica causou grande distorção na alocação de recursos, produzindo projetos ineficientes e excesso de capacidade nos setores imobiliário, industrial e de infraestrutura.

Há um consenso hoje em Pequim de que não se deve persistir naquela estratégia para enfrentar a atual desaceleração econômica. O país é rigoroso no ajuste do mercado de crédito e na transição do modelo exportador --primeiro para o modelo de investimento em infraestrutura e agora para o modelo de desenvolvimento do mercado de consumo doméstico. Um quadro agravado pelo problema agudo da poluição, que pode fechar indústrias no médio prazo.

Esse enfrentamento vigoroso dos problemas é comum na história da China. Ela passou de confucionista --onde a tradição pesava mais do que a ciência e o futuro, congelando o país na Idade Média-- a um país comunista, com o líder Mao Tse-tung impondo processo de destruição sistemática dos valores e da tradicional estrutura política e social, chegando ao extremo de, no conceito de revolução permanente, destruir a estrutura administrativa que ele próprio havia criado. A Revolução Cultural maoista buscou a ciência ideológica, submetendo cada ato e cada passo, não só político, mas também científico e econômico, à matriz ideológica.

Uma vantagem dessa experiência radical foi que chegou aos limites da ideologização da política, da economia e da ciência, levando à desorganização econômica.

Com a ascensão de Deng Xiaoping, em 1978, houve a grande inflexão da economia, simbolizada pela sua frase: "Não me interessa a cor do gato desde que ele cace o rato".

A China passou do extremo ideológico para o pragmatismo, buscando na economia, na ciência e na administração pública as soluções mais eficazes para cada situação específica.

É uma lição para todos, principalmente na América Latina, ainda contaminada, em graus diferentes, por pensamentos ideológicos onde eles não são aplicáveis. O exemplo chinês mostra que o foco na eficiência e no resultado é o melhor caminho para a sociedade.

 
19 de maio de 2014
Henrique Meirelles, Folha de SP

POR UMA NOVA POLÍTICA ECONÔMICA

O governo Dilma fracassou nas suas várias iniciativas para a condução da economia do País. Há consenso nas várias análises de que ocorreu piora geral nos fundamentos macroeconômicos, e o que chama a atenção é a falta de reconhecimento deste governo pelo fracasso.

Além de amargar um crescimento de 2% ao ano, freando o crescimento que vinha ocorrendo na gestão anterior, as políticas adotadas aprofundaram os rombos fiscais e externos, além de afundar as duas principais estatais brasileiras.

A marca, se é que isso seja marca, é a política de varejo ao sabor dos acontecimentos sempre com atraso e procurando apagar o fogo após se alastrar.

Teve a oportunidade de reduzir as taxas de juros e fracassou diante das primeiras reações do sistema financeiro viciado nas taxas de juros de agiotagem.

Mas o que me parece ser a falha mais gritante deste governo é o dano irreparável causado à Petrobrás e à Eletrobrás. O populismo tarifário e de preços dos combustíveis causou graves prejuízos a essas importantes empresas e as expôs a toda sorte de críticas.

As perdas causadas à Petrobrás pela aventura de Pasadena e da refinaria Abreu Lima são pequenas diante do dano causado pelo uso delas como biombo da inflação.

Carece de sentido o ataque da presidente à oposição, afirmando que querem destruir a Petrobrás. Quem a está destruindo é a incompetência e falta de visão estratégica de quem impõe a política suicida de subsidiar à custa da Petrobrás a gasolina e o diesel. Se o governo quer subsidiar, que o faça pelo Tesouro Nacional. A Petrobrás não pode ser usada para isso. Além disso, ao artificializar o preço da gasolina, ajuda a entupir mais ainda as cidades de automóveis, piorando a já sacrificada mobilidade urbana.

É interessante observar que, depois de todos os escândalos e críticas a que foi submetida, as ações da Petrobrás dispararam a crescer e a razão é a queda nas pesquisas de intenção de voto em Dilma Rousseff, com perspectiva crescente de ocorrência do segundo turno.

No setor público, quando um administrador causa dano ao erário, é responsabilizado pelo dano causado e deve ressarcir o montante equivalente ao dano. Nesse caso da Petrobrás não há dúvida nem dificuldade técnica em caracterizar o montante de prejuízo causado pelo governo. Em vez de fortalecer suas empresas esse governo as enfraquece e frustra o papel estratégico que devem exercer.

Esse prejuízo causado à Petrobrás tem de ser reparado. Não pode ser obscurecido por Pasadena, nem por Abreu e Lima nem pelo uso político que culminou na prisão de um de seus diretores pela ação competente da Polícia Federal. Com a palavra, o Tribunal de Contas da União.

O fracasso da política econômica colide com os interesses do governo em conquistar novo mandato como o fizeram FHC e Lula. Há urgente necessidade de alterar radicalmente a condução da economia, e isso passa pela troca da equipe econômica e/ou do primeiro mandatário do País.

Nova política. A nova política pressupõe a existência de um plano estratégico de longo prazo (10 a 20 anos) no qual se procure balizar os pontos fortes e fracos do País dentro do cenário internacional.

Entre esses pontos ressalto o potencial de consumo que pode ser mais bem aproveitado com políticas firmes de renda e redução das taxas de juros praticadas pelo sistema financeiro. Uma nação para se desenvolver deve ter um mercado interno forte como base necessária para se lançar na dura disputa comercial internacional.

Felizmente, o País tem os atributos necessários, com parque industrial diversificado, com bens naturais e clima favorecido para o relançamento de sua economia, com verdadeira inclusão social, caso vá muito além dos recursos que usa para essa finalidade. Para isso, é fundamental crescer não apenas 3% ao ano, que é a média mundial, mas sim no mínimo 5%, que é o nível médio dos países emergentes.

Ao crescer, as finanças públicas tornam-se saudáveis, pois aumentam naturalmente os tributos, reduz-se a inadimplência e, abrem-se novas perspectivas de ações na área social e no fim dos gargalos da infraestrutura.

A meta é o crescimento e secundariamente a inflação. Exatamente o inverso do que ocorreu sob FHC e sob Dilma. Lula escapou, pois contou com cenário externo favorável, especialmente por parte da fome chinesa por commodities.

Um segundo ponto diz respeito ao câmbio, que está totalmente fora de lugar para atender ao objetivo de manter artificialmente baixos os preços dos bens importados. O câmbio deve passar a flutuar, longe da ação nefasta do Banco Central, que propala que ele flutua, mas que na realidade é usado como âncora cambial.

Ao manter o câmbio apreciado joga-se fora o crescimento, pois vaza para o exterior a demanda em expansão pelo consumo das famílias. As empresas do exterior agradecem o presente dado pelo governo. É o desenvolvimento às avessas!

Ao permitir a livre flutuação cambial, a tendência é o dólar caminhar para as proximidades de R$ 3 e, com isso, contribuir para o equilíbrio das contas externas.

Como ingrediente necessário dentro dessa nova política, a redução da taxa Selic ao nível da inflação como ocorre nos países emergentes. Isso estimula o investimento produtivo e reduz as despesas com juros do governo federal, abrindo mais espaço fiscal.

Quanto à inflação, creio que o melhor antídoto a ela é a própria inflação, pois reduz o poder aquisitivo, reequilibrando preços que subiram e que produziram redução do consumo. Em auxílio importante ao combate inflacionário, a melhor estratégia é política forte de abastecimento por estoques reguladores e por estímulo à aproximação entre produtores e consumidores, reduzindo a intermediação onerosa de atravessadores. Diversas experiências exitosas em âmbito municipal poderiam ser estimuladas a se propagarem. Afinal os alimentos têm sido o vilão da inflação nos últimos anos.

Resta ver se o governo se livra da armadilha econômica em que se meteu. Vale ter esperança.

 
19 de maio de 2014
Amir Khair, O Estadão

EDUCAÇÃO DOS LIBERTOS


Em 19 de abril de 1889, uma Comissão dos Libertos escreve a Rui Barbosa. Comissionados pelos nossos companheiros libertos de várias fazendas próximas a estação de Paty, município de Vassouras, para obtermos do governo Imperial educação e instrução para os nossos filhos, dirigimo-nos à Vossa Excelência... E pediam ajuda para conseguir o cumprimento da lei de 1871.

A Lei do Ventre Livre havia estabelecido que os filhos de escravos nasceriam livres e seriam educados. Não foi cumprida a parte da educação. Nossos filhos foram imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los pela instrução . Isso dizia a carta ao jurista, definido como verdadeiro defensor do povo .

Esse é um dos documentos que a Casa de Rui Barbosa exibe na exposição Abolição e seus registros na vida privada . É o terceiro ano que a Casa exibe cartas, documentos dele e de outros acervos familiares sobre essa fase da história. Nos dois primeiros, os textos focavam a escravidão. Nesse, se deslocam para o período abolicionista. E mostra como a abolição foi um processo. Compreendemos perfeitamente que a libertação partiu do povo que forçou a Coroa e o Parlamento a decretá-la , diz a Comissão dos Libertos.

Há lá a carta de alforria carimbada, registrada em cartório e assinada por Rui dando liberdade à escrava Lia, que herdara. No belo casarão de Botafogo, onde fica o seu acervo, não havia escravos, só libertos.

A exposição mostra as conspirações pela abolição. Numa carta, amigos paulistas informam que estão fundando um jornal para defender a causa . Noutro documento, Rui é consultado sobre uma campanha para libertar as meninas escravas de membros da Loja Maçônica. Há várias versões da Lei do Sexagenário, o Projeto Dantas. Ele era assessor parlamentar e escreve num papelzinho azul: Esse é o meu projeto . O texto foi todo modificado e, como diz Ana Pessoa, Diretora do Centro de Memória, recebeu a pressão conservadora para reduzir os direitos dos escravos de 60 anos.

Em 24 de maio de 1888, Maria Leonor Barbosa de Oliveira escreveu à prima Francisca. Tenho estado bem maçada por causa da tal lei 13 de maio por saber que o priminho perdeu muito com isso; essa gente do poder quer fazer as coisas, mas não sabem fazer; fazem com o prejuízo de muitos. Acho isso mau. Eu faria cá de modo que não prejudicasse; porque as pessoas que tinham escravos, compraram.

Depois que veio a República, os ex-donos pressionaram pela criação de um banco que os indenizasse. E na exposição está um pedaço da minuta do então ministro da Fazenda Rui Barbosa, de 11 de novembro de 1890, negando: Mais justo seria e melhor se consultaria o sentimento nacional se se pudesse meio de indenizar os ex-escravos não onerando o Tesouro.

- A ideia da exposição é trazer esses arquivos pessoais para mostrar como isso foi vivido no âmbito da vida privada - diz Lucia Veloso, chefe do arquivo.

Em outro documento, um cidadão se culpa por ter sido um palerma ao não ter vendido os escravos antes da abolição.

O presidente da Casa de Rui Barbosa, Manolo Florentino, lembrou a dimensão do tráfico no país:

- O Brasil faz parte, na sua origem, do maior movimento migratório compulsório da História humana antes do século XIX, que foi o tráfico de escravos para as Américas. São 11 milhões de pessoas que chegaram vivas e cinco milhões vieram para o Brasil. Desses, quatro milhões entraram no século XVIII e XIX, portanto, não há na América país com uma raiz tão afro, nem que a face africana seja tão recente.

19 de abril de 2014
Miriam Leitão, O Globo