"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 18 de março de 2014

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO (Vale reler)


O Bispo Edir Macedo Bezerra, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, estaria interessado em se desfazer de sua participação na Rede Record de Televisão ou, na pior hipótese, negociar os 30 por cento de controle acionário que a legislação permite.

Macedo só não aceita fazer negócio com empresários brasileiros ou seus “laranjas”. O Bispo já rejeita, antecipadamente, pressões de petistas para uma parceria. Macedo sabe que amigos de Luiz Inácio Lula da Silva desejam investir na aquisição de um grande grupo de comunicação.

 
O grupo transnacional interessado na rede Record é o mexicano Televisa, que pertence ao bilionário Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel. Slim quer se expandir para cá depois que o Instituto Federal de Telecomunicações do México ameaça impor sanções mais duras contra o que considera “agentes econômicos hegemônicos no mercado de radiodifusão e de telecomunicações”. Nos bastidores, um grande empresário de comunicação considera viável que Macedo faça o negócio, porque não considera mais que a Record seja estratégica para a IURD. Além disso, a emissora tem consumido mais recursos da igreja que o necessário.

A Record interessaria ao PT, mas tal negócio não sai. Por isso, o principal alvo dos petistas é o jornal O Estado de São Paulo. Os petistas já fazem pressão sobre bancos que controlam o grande jornal paulista, para que facilite sua venda para empresários aliados do governo – e parceiros de negócios de Lula. Quem pode viabilizar o negócio para os petistas, cuidando das negociações, é Henrique Meirelles – ex-presidente do Banco Central e atual presidente do Conselho de Administração do grupo JBS – que comanda a marca Friboi.

As Organizações Globo teriam a preferência para adquirir o controle do Estadão. Mas a família do falecido Roberto Marinho teme sofrer “deslealdades do governo”, caso tente fechar o negócio. O Bradesco pode ser o maior obstáculo para que o Estadão acabe nas mãos de empresários ligados ao PT. As negociações estão quentes, mas podem esfriar de repente...

Voz dos oficiais subalternos


Suboficial da Marinha, Peter Costa, defende a “intervenção militar constitucional”.

Dias contados

O alemão Heinz Dieterich – o esquerdista que foi o principal ideólogo do falecido ex-presidente Hugo Chávez – diz que o governo em Caracas está com os dias contados.

Para Dieterich, diante da incapacidade de resolver os problemas do país, o governo de Maduro não dura mais do que algumas semanas.

Doido para tomar o lugar dele está o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello – que já articula um golpe interno com militares...

Socorro urgente


Prisioneiro de luxo


Selfie do Zé?


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
18 de março de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

Escândalo que moveu R$ 10 bilhões com lavagem de roubo em fundos de pensão apavora a petralhada


Uma movimentação ilegal de R$ 10 bilhões – o mais recente escândalo investigado pela Polícia Federal na República Sindicalista do Brasil – assusta a petralhada e comprova que o mensalão julgado pelo Supremo Tribunal Federal teve a dimensão de um roubo de galinha. Não por coincidência, um ilustre condenado a penas alternativas na Ação Penal 470 agora figura entre as 24 pessoas agora suspeitas de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, e formação de quadrilha.

Nos meios policiais e no submundo da politicagem, comenta-se que o novo escândalo é uma pronta resposta à absolvição por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro no STF. A petralhada ficou particularmente apavorada com a prisão de Enivaldo Quadrado, ex-sócio da corretora Bônus-Banval. A operação “Lava Jato”, que é um desdobramento da Operação Miqueias, comprovou que existe ainda muita coisa podre por trás do esquema de desvios de dinheiro dos fundos de pensão de servidores públicos municipais e estaduais.

O escândalo bate na portinha do Palácio do Planalto. Até porque, em 20 de setembro de 2013, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República se viu forçada a exonerar um assessor da subchefia de Assuntos Federativos (SAF), investigado pela Polícia Federal na operação que apurou o desvio de R$ 50 milhões de fundos de pensão de prefeituras e governos estaduais. Idaílson José Vilas Boas Macedo foi suspeito de ser lobista do esquema e teria feito negociações no Palácio do Planalto. Acusado de tráfico de influência e formação de quadrilha, Idaílson trabalhava na SRI desde março de 2012 e recebia R$ 9.682,03, conforme dados do Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU).

O STF será acionado a decidir se abre ou não inquérito para aprofundar apuração sobre o braço político da organização, a partir de parecer do Ministério Público. Isto porque gravações telefônicas legais lançaram suspeitas sobre três parlamentares. Os deputados Waldir Maranhão (PP-MA), Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Eduardo Gomes (PSDB-TO) foram apontados pela PF por terem ligações com a organização do doleiro Fayed Traboulsi. Um senador – cujo nome é mantido em sigilo – também teria relação com o esquema. O grupo do doleiro é suspeito também de movimentar pelo menos R$ 300 milhões nos últimos anos, em lavagem de dinheiro de origem criminosa.

O caso mexeu com o Congresso – em plena crise do PMDB com o governo petista. O presidente do Senado, Renan Calheiros, foi forçado a demitir ontem uma servidora nomeada em ato secreto do então presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em 17 março de 2009. Flávia Peralta de Carvalho, que ocupava cargo comissionado de assistente parlamentar de imprensa.

Flávia foi orientada a contratar advogado para processar quem fizer denúncias infundadas contra ela. O nome dela aparece no contrato social das empresas SCIA Comércio e Atacadista, Varejista, Exportação de Vidros, Espelhos, Vitrais e Molduras, Silo Sistemas Construtora e Incorporadora e Investimentos Imobiliários, Arte Verde Cerimonial e Ambientação e Acácia Cerimonial e Ambientação. Flávia seria sócia do pai, Flávio Júnior Carvalho, o Crente, apontado pelos promotores do caso como um dos principais cúmplices do doleiro Fayed e do policial Marcelo Toledo.

O chefe de comunicação da Polícia Federal no Paraná, delegado Paulo Gomes da Silva, revelou o tamanho da quadrilha e sua dimensão nas entranhas dos podres poderes do Capimunismo Tupiniquim: “Esse grupo de pessoas investigadas, além de envolver alguns dos principais personagens do mercado clandestino de câmbio do Brasil, é responsável também pela movimentação financeira e lavagem de ativos de pessoas físicas e jurídicas envolvidas com diversos crimes, como tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, contrabando de pedras preciosas, desvio de recursos públicos, entre outros que serão agora objeto de investigação”.

Agentes da Polícia Federal apreenderam ontem R$ 5 milhões em dinheiro, 25 carros, avaliados em mais de R$ 100 mil cada, joias e obras de arte. Segundo o delegado Gomes da Silva, o grupo tinha ramificações entre o poder de estado e empresarial: “São pessoas que, por meio da compra e venda de grandes quantias em dólares, faziam a lavagem desse dinheiro de diversas maneiras, inclusive criando empresas fictícias no Brasil e no exterior, fazendo compras fictícias e encaminhando esse dinheiro para fora do país”.

Dudu da Prece

Um dos principais alvos das investigações é o economista Carlos Eduardo Lemos, um dos três proprietários da empresa Invista Investimentos acusada de promover negócios fraudulentos envolvendo fundos de pensão de servidores de prefeituras e governos estaduais.

Em maio passado, a Polícia Federal prendeu dois emissários do economista que tentavam embarcar no aeroporto de Brasília com R$ 465 mil escondidos em meias, cuecas e mochilas.

Conhecido como Dudu, foi funcionário do fundo de pensão Prece, dos empregados da companhia de águas e esgotos do Estado do Rio de Janeiro – a Cedae.

Beleza de negócio

Com 1,75 metro de altura, olhos verdes e 33 anos de idade, a bela modelo Luciane Lauzimar Hoepers confirmou, em depoimento à delegada Andréia Pinho Albuquerque, da Polícia Federal que oferecia propina a prefeitos em troca de investirem, em títulos podres, o dinheiro de fundos de pensão municipais dos servidores.

Mulheres bonitas – chamadas pelo código de “Pastinhas” - eram usadas pela organização de Fayed para convencer prefeitos a aplicar recursos de fundos de pensão de servidores em títulos podres.

As “pastinhas” indicavam os investimentos de alto risco para os prefeitos e, nos mesmos encontros, ofereceriam propinas como contrapartida, caso os negócios se concretizassem.

Abrindo portas

Ao longo de 18 meses de investigação, o grupo movimentou pelo menos R$ 300 milhões.

Em entrevista publicada no site Fluir, do portal Terra, antes de a Operação Miqueias da PF ser deflagrada, Luciane, ou Lu, listou os vários trabalhos como modelo de que já participou: "assistente de palco do programa 'Brothers', na Rede TV, Mulher Bombeiro, 'Casa Bonita', no Multishow, participações no 'Zorra Total' e 'Faustão', da Globo, e ensaios para revistas masculinas e outras".

Na entrevista, ela reconheceu que ser bonita ajuda, "porque abre portas"...

Calça curta?

O bilionário Eike Fuhrken Batista corre o risco de ter seus bens bloqueados.

A desembargadora Denise Levy Tredler, da 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, vai relatar hoje, a partir das 10h 30min, o Agravo de Instrumento contra a decisão que indeferiu o pedido de bloqueio de bens do Eike.

Como o caso se arrasta desde julho de 2013, nem os fiéis credores do Papai Noel acreditam que Eike ainda consiga ter algum prejuízo financeiro com a medida, além da mera aporrinhação judicial...

Bananada


Algo a declarar?


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

18 de março de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

A RAZÃO MENOR



Proponho aqui chamar de “positiva” esse tipo de razão e os convido agora a imaginar uma inversão: acreditar, por um momento, que todos os valores, todos os conceitos de certo e errado pudessem, por um momento, partir da ideia de um mundo que não existe..de algo por vir a ser construído e, imediatamente, lembro que trataríamos aqui de um paraíso na própria terra...da felicidade a ser conquistada nessa vida; não depois da morte – caso esse em que eu chamaria de “transcendental” o tipo de razão que tem como objeto a investigação metafísica.

O que eu tentei fazer nesse primeiro parágrafo foi sugerir ao leitor que considero como “positiva” ou como “transcendental” toda razão que se pretende sadia...todo ordenamento interno da consciência que supõe ser externo ou transcendente aquilo que ele mesmo, “ordenamento”, entende como sendo objeto de sua investigação.

Quando apelo ao conceito de razão “positiva” ou razão “transcendental” eu o faço na tentativa de distinção daquilo que vou chamar aqui de razão “negativa”... de uma capacidade de julgar fiel à ideia do movimento revolucionário que entende a possibilidade de um paraíso aqui e agora... nesse nosso próprio mundo em que nos encontramos. Do conflito surgido entre a percepção de uma realidade em movimento e a ideia de um paraíso nela mesma nasce a patologia do pensamento revolucionário que, ao decretar a morte da metafísica e da razão transcendental... ao zombar de um “Deus que não sabe dançar” e da “vontade dos fracos no cristianismo” reduz às cinzas toda possibilidade de ordenamento moral na História.

Necessário é agora afirmar que nasceu do marxismo e da psicanálise a força necessária para desconstrução de uma razão que pudesse elevar-se além da realidade material e da morte física. Partindo da ideia de que a história é uma luta de classes e que sua gênese pode ser compreendida pela economia política, funda-se a possibilidade do paraíso terrestre; explicando a crença em Deus como solução para o medo da morte, rotula-se como doença toda investigação metafísica.

Nasce assim uma razão revolucionária..um pensamento capaz de “formatar” o andamento da história conforme lhe convenha e onde não há espaço algum para própria moralidade. Daí a necessidade constante de lembrar àqueles que criticam o movimento revolucionário pela sua “imoralidade” e (por exemplo, nas Marchas das Vadias, da Maconha, ou do Aborto) que é infrutífera...que é vã e até mesmo perigosa a ideia de aceitar essa discussão com seus adeptos.

Quando mais nada puder ser lembrado como legado deixado por Nietzsche, filósofo que foi responsável pelo nascimento daquilo que chamei de “desconstrução”, ainda vai ser necessário recordar que lhe devemos esse certo “olhar clínico”...essa típica classificação etiológica capaz de nos remeter a uma origem comum entre Filosofia e Medicina e que foi, ela mesma, desgraçadamente, uma das fontes do pensamento revolucionário e do nascimento de uma razão doentia...de uma razão que vou chamar de “negativa”....de uma Razão Menor.

Em memória do amigo e professor, Dr. Celso Blacher
 
18 de março de 2014
Milton Simon Pires é Médico.

DEMOCRACIA E COMUNISMO


 
Existem muitas diferenças entre a democracia e o comunismo. Entretanto, fugindo das filosóficas alegações ideológicas, talvez a mais gritante seja a de que nas nações democráticas as possibilidades de desenvolvimento serão maiores do que nas que adotam o regime comunista.
Outra, pouco explorada é que na democracia, embora por linhas nem sempre corretas, os candidatos que disputam as eleições saem ou podem sair do povo.
Entretanto, no comunismo, aqueles representantes sairão de apaniguados de uma cúpula, que, assim, mediante um rodízio de interesses buscará se perpetuar no poder.
É evidente que muitos “espertos” neo-comuno-socialistas procuram adentrar na alta cúpula ou proximidades para usufruírem da permanência de seus chefes no poder, o que poderá render - lhes, cargos e funções privilegiadas.
No Brasil, comprovamos que o poder significa a glória, pois aqui o Poder do Executivo é imbatível, sem contar que em inúmeras vezes ultrapassa a sua capacidade legal, sem que haja qualquer instrumento ou oposição para sustá-lo.
Muitos afirmam que os empréstimos e o perdão de dívidas de outros países são da lavra tirânica, boçal e imbecil de um Executivo sem freios. É a prova cabal de sua diuturna extrapolação.
Quando imaginamos o poder concedido ao desgoverno por manusear os recursos públicos ao seu bel prazer, não pode surpreender - nos o quanto seja despendido em autopropaganda e elaboração de índices favoráveis, gastos que demandam cifras astronômicas.
Vemos que além da capacidade imensurável para manusear em seu benefício recursos fabulosos, a possibilidade de cooptação de partidos políticos, mesmo de oposição, e parlamentares sempre sequiosos de reeleição ou de galgar novos postos na vida política, que não pensam duas vezes antes de aceitarem a sua adesão, mediante a liberação de uma emenda ou de um favor de seu interesse.
Contudo, apesar do óbvio ululante, basta olhar a desditosa Cuba e seu abominável guru, o Fidel, para vermos o abismo econômico e moral a que foi conduzida a sua débil sociedade.
Vemos a miséria na Coréia do Norte, já vimos à débâcle da antiga União Soviética, lembremos da antiga Albânia, um dos ícones dos subversivos nacionais de antanho, quando desnudada, era o mais miserável país da Europa Oriental.
Ao analisarmos a Venezuela, a cambaleante Argentina, e outros de menor dimensão, podemos afirmar que o Brasil caminha a passos largos para a miséria econômica e moral, que são as grandiosas heranças do comunismo.
Contudo, lembrem - se de que por mais que o povo mergulhe na miséria, a alta cúpula e os seus mais proeminentes cupinchas, sempre estarão em situação privilegiada.
Para eles, locupletar - se no poder significa confabular em gabinetes suntuosos, desfrutar de moradias luxuosas, hospedar - se nos hotéis de cinco estrelas, usufruir de transportes de primeira linha, gozar de mordomias sem fim, amealhar fortunas questionáveis e inflar o ego com os permanentes elogios de um bando de eternos puxa - sacos.
Para eles, viva o comunismo, pois eles venceram na vida, o resto que se exploda.
É simples assim, sentenciará um lúcido e escolado conhecedor da malandragem marxista-lulopetista-sindicalista.  
18 de março de 2014
Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada Reformado.

DESESTATIZAÇÃO

Escândalo que moveu R$ 10 bilhões com lavagem de roubo em fundos de pensão apavora a petralhada


Uma movimentação ilegal de R$ 10 bilhões – o mais recente escândalo investigado pela Polícia Federal na República Sindicalista do Brasil – assusta a petralhada e comprova que o mensalão julgado pelo Supremo Tribunal Federal teve a dimensão de um roubo de galinha. Não por coincidência, um ilustre condenado a penas alternativas na Ação Penal 470 agora figura entre as 24 pessoas agora suspeitas de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, e formação de quadrilha.

Nos meios policiais e no submundo da politicagem, comenta-se que o novo escândalo é uma pronta resposta à absolvição por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro no STF. A petralhada ficou particularmente apavorada com a prisão de Enivaldo Quadrado, ex-sócio da corretora Bônus-Banval. A operação “Lava Jato”, que é um desdobramento da Operação Miqueias, comprovou que existe ainda muita coisa podre por trás do esquema de desvios de dinheiro dos fundos de pensão de servidores públicos municipais e estaduais.

O escândalo bate na portinha do Palácio do Planalto. Até porque, em 20 de setembro de 2013, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República se viu forçada a exonerar um assessor da subchefia de Assuntos Federativos (SAF), investigado pela Polícia Federal na operação que apurou o desvio de R$ 50 milhões de fundos de pensão de prefeituras e governos estaduais. Idaílson José Vilas Boas Macedo foi suspeito de ser lobista do esquema e teria feito negociações no Palácio do Planalto. Acusado de tráfico de influência e formação de quadrilha, Idaílson trabalhava na SRI desde março de 2012 e recebia R$ 9.682,03, conforme dados do Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU).

O STF será acionado a decidir se abre ou não inquérito para aprofundar apuração sobre o braço político da organização, a partir de parecer do Ministério Público. Isto porque gravações telefônicas legais lançaram suspeitas sobre três parlamentares. Os deputados Waldir Maranhão (PP-MA), Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Eduardo Gomes (PSDB-TO) foram apontados pela PF por terem ligações com a organização do doleiro Fayed Traboulsi. Um senador – cujo nome é mantido em sigilo – também teria relação com o esquema. O grupo do doleiro é suspeito também de movimentar pelo menos R$ 300 milhões nos últimos anos, em lavagem de dinheiro de origem criminosa.

O caso mexeu com o Congresso – em plena crise do PMDB com o governo petista. O presidente do Senado, Renan Calheiros, foi forçado a demitir ontem uma servidora nomeada em ato secreto do então presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em 17 março de 2009. Flávia Peralta de Carvalho, que ocupava cargo comissionado de assistente parlamentar de imprensa.

Flávia foi orientada a contratar advogado para processar quem fizer denúncias infundadas contra ela. O nome dela aparece no contrato social das empresas SCIA Comércio e Atacadista, Varejista, Exportação de Vidros, Espelhos, Vitrais e Molduras, Silo Sistemas Construtora e Incorporadora e Investimentos Imobiliários, Arte Verde Cerimonial e Ambientação e Acácia Cerimonial e Ambientação. Flávia seria sócia do pai, Flávio Júnior Carvalho, o Crente, apontado pelos promotores do caso como um dos principais cúmplices do doleiro Fayed e do policial Marcelo Toledo.

O chefe de comunicação da Polícia Federal no Paraná, delegado Paulo Gomes da Silva, revelou o tamanho da quadrilha e sua dimensão nas entranhas dos podres poderes do Capimunismo Tupiniquim: “Esse grupo de pessoas investigadas, além de envolver alguns dos principais personagens do mercado clandestino de câmbio do Brasil, é responsável também pela movimentação financeira e lavagem de ativos de pessoas físicas e jurídicas envolvidas com diversos crimes, como tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, contrabando de pedras preciosas, desvio de recursos públicos, entre outros que serão agora objeto de investigação”.

Agentes da Polícia Federal apreenderam ontem R$ 5 milhões em dinheiro, 25 carros, avaliados em mais de R$ 100 mil cada, joias e obras de arte. Segundo o delegado Gomes da Silva, o grupo tinha ramificações entre o poder de estado e empresarial: “São pessoas que, por meio da compra e venda de grandes quantias em dólares, faziam a lavagem desse dinheiro de diversas maneiras, inclusive criando empresas fictícias no Brasil e no exterior, fazendo compras fictícias e encaminhando esse dinheiro para fora do país”.

Dudu da Prece

Um dos principais alvos das investigações é o economista Carlos Eduardo Lemos, um dos três proprietários da empresa Invista Investimentos acusada de promover negócios fraudulentos envolvendo fundos de pensão de servidores de prefeituras e governos estaduais.

Em maio passado, a Polícia Federal prendeu dois emissários do economista que tentavam embarcar no aeroporto de Brasília com R$ 465 mil escondidos em meias, cuecas e mochilas.

Conhecido como Dudu, foi funcionário do fundo de pensão Prece, dos empregados da companhia de águas e esgotos do Estado do Rio de Janeiro – a Cedae.

Beleza de negócio

Com 1,75 metro de altura, olhos verdes e 33 anos de idade, a bela modelo Luciane Lauzimar Hoepers confirmou, em depoimento à delegada Andréia Pinho Albuquerque, da Polícia Federal que oferecia propina a prefeitos em troca de investirem, em títulos podres, o dinheiro de fundos de pensão municipais dos servidores.

Mulheres bonitas – chamadas pelo código de “Pastinhas” - eram usadas pela organização de Fayed para convencer prefeitos a aplicar recursos de fundos de pensão de servidores em títulos podres.

As “pastinhas” indicavam os investimentos de alto risco para os prefeitos e, nos mesmos encontros, ofereceriam propinas como contrapartida, caso os negócios se concretizassem.

Abrindo portas

Ao longo de 18 meses de investigação, o grupo movimentou pelo menos R$ 300 milhões.

Em entrevista publicada no site Fluir, do portal Terra, antes de a Operação Miqueias da PF ser deflagrada, Luciane, ou Lu, listou os vários trabalhos como modelo de que já participou: "assistente de palco do programa 'Brothers', na Rede TV, Mulher Bombeiro, 'Casa Bonita', no Multishow, participações no 'Zorra Total' e 'Faustão', da Globo, e ensaios para revistas masculinas e outras".

Na entrevista, ela reconheceu que ser bonita ajuda, "porque abre portas"...

Calça curta?

O bilionário Eike Fuhrken Batista corre o risco de ter seus bens bloqueados.

A desembargadora Denise Levy Tredler, da 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, vai relatar hoje, a partir das 10h 30min, o Agravo de Instrumento contra a decisão que indeferiu o pedido de bloqueio de bens do Eike.

Como o caso se arrasta desde julho de 2013, nem os fiéis credores do Papai Noel acreditam que Eike ainda consiga ter algum prejuízo financeiro com a medida, além da mera aporrinhação judicial...

Bananada


Algo a declarar?


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

18 de março de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

Quando Nietzsche deu a entender que toda razão ocidental estava doente, ele o fez atribuindo à moral cristã a causa disso. Penso não estar errado quando afirmo, já no início desse artigo, ser possível definir a razão como minha capacidade de julgar e, seguindo a mais kantiana das tradições aceito, para efeito de discussão, que a verdade é a concordância da razão com seu objeto. O que não parece claro, a mim mesmo, nesse início é o fato de que percebo como sendo externo...como sendo algo dado à minha consciência, como posto perante ela e passível de ser percebido, isso que chamei de “objeto” sobre o qual minha razão se detém.

Proponho aqui chamar de “positiva” esse tipo de razão e os convido agora a imaginar uma inversão: acreditar, por um momento, que todos os valores, todos os conceitos de certo e errado pudessem, por um momento, partir da ideia de um mundo que não existe..de algo por vir a ser construído e, imediatamente, lembro que trataríamos aqui de um paraíso na própria terra...da felicidade a ser conquistada nessa vida; não depois da morte – caso esse em que eu chamaria de “transcendental” o tipo de razão que tem como objeto a investigação metafísica.

O que eu tentei fazer nesse primeiro parágrafo foi sugerir ao leitor que considero como “positiva” ou como “transcendental” toda razão que se pretende sadia...todo ordenamento interno da consciência que supõe ser externo ou transcendente aquilo que ele mesmo, “ordenamento”, entende como sendo objeto de sua investigação.

Quando apelo ao conceito de razão “positiva” ou razão “transcendental” eu o faço na tentativa de distinção daquilo que vou chamar aqui de razão “negativa”... de uma capacidade de julgar fiel à ideia do movimento revolucionário que entende a possibilidade de um paraíso aqui e agora... nesse nosso próprio mundo em que nos encontramos. Do conflito surgido entre a percepção de uma realidade em movimento e a ideia de um paraíso nela mesma nasce a patologia do pensamento revolucionário que, ao decretar a morte da metafísica e da razão transcendental... ao zombar de um “Deus que não sabe dançar” e da “vontade dos fracos no cristianismo” reduz às cinzas toda possibilidade de ordenamento moral na História.

Necessário é agora afirmar que nasceu do marxismo e da psicanálise a força necessária para desconstrução de uma razão que pudesse elevar-se além da realidade material e da morte física. Partindo da ideia de que a história é uma luta de classes e que sua gênese pode ser compreendida pela economia política, funda-se a possibilidade do paraíso terrestre; explicando a crença em Deus como solução para o medo da morte, rotula-se como doença toda investigação metafísica.

Nasce assim uma razão revolucionária..um pensamento capaz de “formatar” o andamento da história conforme lhe convenha e onde não há espaço algum para própria moralidade. Daí a necessidade constante de lembrar àqueles que criticam o movimento revolucionário pela sua “imoralidade” e (por exemplo, nas Marchas das Vadias, da Maconha, ou do Aborto) que é infrutífera...que é vã e até mesmo perigosa a ideia de aceitar essa discussão com seus adeptos.

Quando mais nada puder ser lembrado como legado deixado por Nietzsche, filósofo que foi responsável pelo nascimento daquilo que chamei de “desconstrução”, ainda vai ser necessário recordar que lhe devemos esse certo “olhar clínico”...essa típica classificação etiológica capaz de nos remeter a uma origem comum entre Filosofia e Medicina e que foi, ela mesma, desgraçadamente, uma das fontes do pensamento revolucionário e do nascimento de uma razão doentia...de uma razão que vou chamar de “negativa”....de uma Razão Menor.

Em memória do amigo e professor, Dr. Celso Blacher
 
18 de março de 2014
Milton Simon Pires é Médico.
 
Existem muitas diferenças entre a democracia e o comunismo. Entretanto, fugindo das filosóficas alegações ideológicas, talvez a mais gritante seja a de que nas nações democráticas as possibilidades de desenvolvimento serão maiores do que nas que adotam o regime comunista.
Outra, pouco explorada é que na democracia, embora por linhas nem sempre corretas, os candidatos que disputam as eleições saem ou podem sair do povo.
Entretanto, no comunismo, aqueles representantes sairão de apaniguados de uma cúpula, que, assim, mediante um rodízio de interesses buscará se perpetuar no poder.
É evidente que muitos “espertos” neo-comuno-socialistas procuram adentrar na alta cúpula ou proximidades para usufruírem da permanência de seus chefes no poder, o que poderá render - lhes, cargos e funções privilegiadas.
No Brasil, comprovamos que o poder significa a glória, pois aqui o Poder do Executivo é imbatível, sem contar que em inúmeras vezes ultrapassa a sua capacidade legal, sem que haja qualquer instrumento ou oposição para sustá-lo.
Muitos afirmam que os empréstimos e o perdão de dívidas de outros países são da lavra tirânica, boçal e imbecil de um Executivo sem freios. É a prova cabal de sua diuturna extrapolação.
Quando imaginamos o poder concedido ao desgoverno por manusear os recursos públicos ao seu bel prazer, não pode surpreender - nos o quanto seja despendido em autopropaganda e elaboração de índices favoráveis, gastos que demandam cifras astronômicas.
Vemos que além da capacidade imensurável para manusear em seu benefício recursos fabulosos, a possibilidade de cooptação de partidos políticos, mesmo de oposição, e parlamentares sempre sequiosos de reeleição ou de galgar novos postos na vida política, que não pensam duas vezes antes de aceitarem a sua adesão, mediante a liberação de uma emenda ou de um favor de seu interesse.
Contudo, apesar do óbvio ululante, basta olhar a desditosa Cuba e seu abominável guru, o Fidel, para vermos o abismo econômico e moral a que foi conduzida a sua débil sociedade.
Vemos a miséria na Coréia do Norte, já vimos à débâcle da antiga União Soviética, lembremos da antiga Albânia, um dos ícones dos subversivos nacionais de antanho, quando desnudada, era o mais miserável país da Europa Oriental.
Ao analisarmos a Venezuela, a cambaleante Argentina, e outros de menor dimensão, podemos afirmar que o Brasil caminha a passos largos para a miséria econômica e moral, que são as grandiosas heranças do comunismo.
Contudo, lembrem - se de que por mais que o povo mergulhe na miséria, a alta cúpula e os seus mais proeminentes cupinchas, sempre estarão em situação privilegiada.
Para eles, locupletar - se no poder significa confabular em gabinetes suntuosos, desfrutar de moradias luxuosas, hospedar - se nos hotéis de cinco estrelas, usufruir de transportes de primeira linha, gozar de mordomias sem fim, amealhar fortunas questionáveis e inflar o ego com os permanentes elogios de um bando de eternos puxa - sacos.
Para eles, viva o comunismo, pois eles venceram na vida, o resto que se exploda.
É simples assim, sentenciará um lúcido e escolado conhecedor da malandragem marxista-lulopetista-sindicalista.  
18 de março de 2014
Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada Reformado.

Certamente a desestatização que está ocorrendo no Brasil é involuntária, não corresponde aos desejos de nossos governantes. A Eletrobrás sofreu uma perda na bolsa de 19 Bi (Estadão 16/3-B1), mudou a sede para lugar mais barato e está vendendo empresas subsidiárias, desestatizando, para melhorar o caixa.  Foi vítima de uma política errônea da presidente Dilma relativa a renovação das concessões atingindo várias empresas. As que não aderiram ao programa estão muito bem financeiramente.

Igualmente ruim foi com a Petrobras prejudicada nos governos Lula e Dilma com inchaço de pessoal, maus projetos dos quais muitos foram paralisados, desvios de recursos , maus negócios inclusive a compra de refinaria em Pasadena onde suspeita-se, houve um desvio de cerca de US$ 1 Bi. Petrobras está também vendendo subsidiárias e negócios para tentar melhorar o caixa, pois sua dívida atual é de impressionantes US$ 241 Bi.

A operação do Pre-sal foi objeto de uma estranha negociação, não completamente divulgada, com empresas estrangeiras que provavelmente a financiaram, já que Petrobras tem falta caixa. Suas bacias atualmente em operação estão reduzindo a produção por falta de manutenção, consequência da carência de recursos. O pior é que Dilma congelou o preço dos combustíveis, para ajuda-la na campanha eleitoral, o que produz enormes prejuizos à estatal. Vende combustível a preço inferior ao da compra.

A política de petróleo prejudicou também nossa indústria de álcool que está em ruínas, com prejuízos imensos, usinas paradas e à venda. O resultado dessas políticas irresponsáveis são imensas perdas ao país, que não só tira a confiança de investidores no governo como, desestatiza os setores de energia e torna nossas maiores empresas inadimplentes.
 
18 de março de 2014
Fábio Figueiredo é Cidadão.

O AFETO QUE SE ENCERRA...



O Brasil não tem administradores públicos. Os que estão à frente do Estado, na maioria, procuram apenas se locupletar, fazer o pé-de-meia e correr para casa com a aposentadoria garantida assim que as tetas começam a se exaurir por múltiplas razões. Sempre foi assim. O problema, agora, é que a internet é dada a exibir o despreparo brutal da maioria dos ladrões que nos governam, causando incômodo.

Não foi à toa que Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais, criador e pai do mensalão gerido pelo empresário Marcos Valério, tentou censurar a internet por todos os meios, até renunciar ao mandato de deputado federal, no último dia 19/02. O PT desenvolveu a ideia de Azeredo, com maestria, e desviou milhões e milhões de reais dos cofres públicos, até ver a cúpula partidária condenada em interminável julgamento.

Hoje, o PT se dedica a mais esta tarefa inglória: tentar censurar a internet para que os seus integrantes continuem tranquilos a desviar recursos financeiros que deveriam ser destinados à Saúde, Educação e outros que tais. PT e PSDB e a maioria das siglas partidárias que aí se encontram estão alojadas no mesmo saco! Basta chegar ao poder para mostrar a que vieram. Nossas instituições são fracas e desmoralizadas.

Veja-se o julgamento do mensalão: não fosse a presença decidida do ministro Joaquim Barbosa e os larápios envolvidos não teriam sido condenados. Foi a relatoria de Barbosa que pôs a nu os esquemas, vínculos e ligações. Mas, no final, quando se pretendeu bater o martelo final, eis que dois ministros se aposentam, obedecendo ao ditame da compulsória (70 anos), sendo substituídos por duas figuras que terminaram por frustrar todo o processo.

Mas antes de Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso apresentarem o ar de suas graças no STF, houve um momento decisivo em que o processo sofreu grande revés: foi quando o louvado decano da Casa, Celso de Mello, apadrinhado do ex-ministro da Justiça Saulo Ramos (governo Sarney), decidiu com seu voto a admissão dos chamados “embargos infringentes”.

Não fosse Celso de Mello (a quem o mesmo Saulo Ramos classifica como “juiz de merda”, no livro Código da Vida), o julgamento do mensalão teria findado já há um bom tempo e nem se iria discutir mais a manutenção na prisão ou não daquela significativa parcela de assaltantes dos cofres nacionais. Os nossos homens públicos são assim: quando chamados a decidir questões cruciais, perdem-se em firulas capazes de dar nó na língua e nos mecanismos de recepção auditiva.

Pois bem: suas excelências não conseguem avaliar quão difícil é a situação do país bem como o que ora acontece no plano ambiental mundial (boa parte insiste ser culpa do homem), nem possível e desastrosos desdobramentos de todo o funesto quadro. O racionamento de energia do país, por exemplo, já deveria ter sido discutido lá atrás, mas todos ficam esperando a boa vontade dos céus, com chuvas que não virão. Os fatores que determinam a atual situação lhes são também desconhecidos.

O Brasil não dispõe da menor condição de recepcionar uma Copa Mundial de Futebol, que tem apenas visível apelo eleitoreiro, nas bravatas de um ex-presidente amoral sem preocupação nem noção da realidade que nos cerca. As mudanças climáticas que ora se observam acontecem a cada 11 mil e 500 anos e se chama “Era Glacial”. Ainda tem muita coisa ruim a caminho, inclusive apagão elétrico que se fortifica na ineptidão dos diversos setores governamentais.

De resto, estará feliz quem não for confundido com a maioria dos governantes e dirigentes que aí se encontram. Parecer com essa gente será motivo de gravíssimos estorvos quando vier a cobrança nas ruas. E esta virá logo, não vai demorar a chegar.
 
18 de março de 2014
Márcio Accioly é Jornalista.

ATÉ TU, MARINA?



Gosto de dar minha opinião através de textos singelos sobre temas que me interessam particularmente, como política energética, fontes renováveis de energia, (in)justiça social, meio ambiente, política universitária. E não deixo de escrever quando determinado assunto me deixa indignado. Particularmente, quando existe o interesse notório de iludir, enganar, ludibriar a boa vontade das pessoas.

Daí escrever este breve comentário sobre o relacionamento político de uma das pessoas públicas brasileiras de grande reconhecimento e de enorme respeitabilidade, a ex ministra Marina Silva.

No portal oficial dessa ilustre personalidade destaca-se: “ganhou reconhecimento dentro e fora do país pela defesa da ética, da valorização dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável”.

Sem dúvida requisitos louváveis para alguém que se dedica há 30 anos à vida pública, conquistando o respeito dos que querem e lutam por um mundo melhor, no presente e para as gerações futuras. A posição combativa e corajosa da cidadã Marina fez com que ela conquistasse as mentes e corações de uma parcela importante do povo brasileiro (e do mundo afora). Na sua candidatura ao cargo público mais importante, nas eleições presidenciais de 2009, conquistou mais de 20 milhões de votos.

Todavia, recentemente, o “jogo político” levou-a a se aliar com um ex-colega de ministério (1ª gestão do governo Lula), que ocupou o cargo de ministro de Ciência e Tecnologia, o atual governador de Pernambuco e pré-candidato a presidente da Republica nas eleições de 2014.

Portanto, Marina conhece seu aliado da hora, inclusive com posições antagônicas às suas quando participaram do mesmo Ministério na questão dos transgênicos, da reativação do Programa Nuclear Brasileiro e mesmo do entendimento que cada um tinha, e continua a ter, sobre desenvolvimento sustentável, tema tão caro à ex-ministra.

As diferenças entre ambos, atuais carne e unha, são abismais. Inclusive para os marqueteiros, e os que fazem a propaganda dos candidatos, a dificuldade de justificar a aliança de ambos levou-os a trazer a tona na biografia de cada um os seus tutores políticos (ambos falecidos): o ambientalista acreano Chico Mendes, e Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco e avô de Eduardo Campos. A intenção é de convencer o eleitor de que os dois têm tudo a ver, complementam-se. Como se fosse possível misturar água e óleo.

De antemão, não será uma tarefa fácil, visto que o eleitor um pouco mais informado e esclarecido vai comparar o que de fato aconteceu e acontece em Pernambuco na administração do pré-candidato presidencial, que se propõe a disseminar em todo Brasil a “nova política (?)”, sua “gestão inovadora (?)”, “competente (?)” e deixar para trás as “raposas políticas (?)”.

Sua ação predatória em relação ao meio ambiente, nos 8 anos de governo, é visível a olho nu em Pernambuco. Só não enxerga quem não quer ver. Ao estimular a vinda de indústrias sujas, como termoelétricas a combustíveis fósseis (quem não se lembra da “maior termoelétrica do mundo” defendida pelo governador e rechaçada pela sociedade), sua defesa da vinda da uma usina nuclear para o interior do Estado (basta ler as noticias nos jornais da época), a atração por estaleiros que sem dó nem piedade expulsou pescadores e narisqueiras e diminuiu sensivelmente a pesca artesanal em Pernambuco. Além do desmatamento, como nunca visto em um período tão pequeno de tempo, na região de Suape, onde o mangue, a mata Atlântica e a restinga desapareceram em nome do tal “desenvolvimento”. A vinda da refinaria e da indústria petroquímica para o Estado, importando para o território o maior vilão do aquecimento global e consequentemente das mudanças climáticas, o petróleo, e todas as mazelas que aporta ao meio ambiente e à saúde das pessoas.

Sem dúvidas as questões sociais, de expulsão das pessoas de suas moradias, a propalada geração de emprego e renda (mais de 40 mil empregos serão perdidos entre 2014 e 2016 em Pernambuco), educação sofrível, os péssimos serviços públicos de água, energia e esgoto/saneamento, o tratamento oferecido da “idade da pedra” aos jovens e adolescentes infratores. Além da forma monocrática de gestão do poder (chamada por alguns de "neocoronelismo”), com o evidente subjugo dos outros poderes constituídos (legislativo e judiciário). Sem falar da posição de atrelamento da mídia empresarial do Estado, que se tornou uma extensão do Diário Oficial, e que colaborou efetivamente para a criação da “ilha da fantasia” em que se transformou Pernambuco.

Enfim, nestas poucas linhas é impossível elencar os pontos tão divergentes nos discursos e práticas de ambos personagens políticos que hoje mostram uma “simbiose” incomum, motivados muito mais pelos interesses pragmáticos do que programáticos, em conquistar o poder.

Portanto, é importante nesta eleição a valorização do voto, analisar, conhecer mais a historia dos candidatos, suas alianças. Ter muita clareza em relação ao quadro real, que se impõe sobre o virtual, o propagandístico. Lamentavelmente para o povo brasileiro que ira escolher, as opções não são nada alvissareiras. Mas que pelo menos vote conscientemente e não deixe ser enganado ou ludibriado por falsas promessas e discursos vazios que não refletem a pratica de quem fala.
 
18 de março de 2014
Heitor Scalambrini Costa é Professor da Universidade Federal de Pernambuco.

RODÍZIO ELEITOREIRO

 

Desde que veículos automóveis proliferaram, as grandes aglomerações passaram a sofrer forte poluição atmosférica. Quando chove ou venta, o problema diminui. Já quando fica aquela pasmaceira, sem chuva nem vento, as partículas finas não se dispersam. Respirar essa sopa química é fonte de males diversos.
 
Cada metrópole tem lidado com o problema a seu modo. Há as que não fazem nada ― a maioria. Deixam como está para ver no que dá.
Algumas adotam sistema permanente de rodízio de veículos, como é o caso da cidade de São Paulo. Com isso, as autoridades conseguem retirar da circulação 20% da frota. Não é muito, mas sempre ajuda.
 
Estocolmo: pedágio urbano
Estocolmo: pedágio urbano
 
Outras, como Londres e Estocolmo, optaram pelo pedágio urbano. É medida mais vigorosa. Transpor os limites estabelecidos custa caro e faz que automobilistas pensem duas vezes antes de fazê-lo.
 
Paris não impõe, em princípio, nenhuma medida destinada a refrear o volume de tráfego. A abundante oferta de ônibus e de metrô, aliada à raridade de vagas de estacionamento, se encarrega de convencer a população a utilizar transporte público.
 
No entanto, depois de quase duas semanas sem chuva e sem vento, o ar parisiense ficou estes dias saturado de porcariada. Os habitantes, especialmente os mais frágeis ― idosos e crianças pequenas, começaram a apresentar problemas respiratórios.
 
O nó da questão é que, na França também, este é ano eleitoral. Cada um dos mais de 36 mil municípios do país deverá escolher prefeito. Medidas que atrapalham o tráfego são, por natureza, impopulares. Mas… com eleição ou não, cairia muito mal se o governo mostrasse despreocupação com a saúde do povo. Que fazer?
 
Resolveram cortar a maçã ao meio ― nem muito pra lá, nem muito pra cá. Esperaram até que os serviços de meteorologia predissessem o fim da calmaria atmosférica. Quando, enfim, vento e chuva estavam para chegar, o primeiro-ministro decidiu instaurar um rodízio pra lá de restritivo.
 
Paris: rodízio urbano Crédito: François Guillot, AFP
Paris: rodízio urbano
Crédito: François Guillot, AFP
 
O revezamento, baseado no algarismo final de cada placa, exclui da circulação metade da frota. Em dia par, circulam aqueles cuja placa tem número par. Em dia ímpar, vice-versa.
 
O sistema começou na segunda-feira, 17 de março, e se aplicou ao município de Paris e aos municípios vizinhos. Os congestionamentos habituais diminuíram 60%, um espetáculo! Em compensação, o descontentamento dos que não puderam sair de casa quase gerou uma nova Revolução Francesa.
 
A experiência durou apenas um dia. Já foi suspensa. Terá servido para acalmar alguns e para enervar outros. Não se pode agradar a gregos e a troianos. Será que a população gostou? Daqui a algumas semanas, as urnas vão tirar as dúvidas.
 
18 de março de 2014 
José Horta Manzano