"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

CRACOLÂNDIA VEIO PARA FICAR

Moro em um bairro nobre de São Paulo, Higienópolis. A quinze minutos a pé daqui, em pleno centro da cidade, ergueu-se uma favela, na Alameda Dino Bueno e rua Helvétia. É a cracolândia, onde pobres diabos, alguns quase moribundos, fumam crack em plena luz do dia e com a conivência – melhor diria, a proteção da polícia. As tentativas de limpeza da área foram todas enviadas para o lixo, seja por ação dos grupos de Direitos Humanos ou leniência do Judiciário e dos governos, tanto o estadual como o municipal.

Ano novo, vida nova, bons propósitos. Leio na Folha de São Paulo de hoje:
Moradores do centro de SP se unem para exigir o fim da cracolândia

"Não saio de casa sozinha depois das 18h." A vida sitiada da aposentada Dalva Lopes, 63, é a regra para os poucos moradores que ainda vivem nos prédios da cracolândia, no centro paulistano. Acuados e inconformados com a situação, eles começam a se mobilizar para exigir que a prefeitura e o governo estadual acabem com a cracolândia - cogitam até recorrer à Justiça.

A postura mais incisiva ocorre porque os moradores defendem que a situação da região, problemática há anos, piorou com o surgimento de uma "favelinha" na alameda Dino Bueno e rua Helvétia.

No local, barracos improvisados foram erguidos há alguns meses na calçada do terreno da antiga rodoviária. No início de dezembro, o Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) local protocolou ofícios em secretarias das gestões Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) no qual reivindica a "imediata desocupação do passeio público" e do largo Coração de Jesus, onde fica a maioria dos usuários de crack.

"Premia-se o craqueiro, mas o morador da região fica desamparado", diz Fábio Fortes, presidente do Conseg. Os moradores do bairro organizam ainda um abaixo-assinado que pretendem encaminhar para órgãos públicos e a criação de uma associação de moradores da região.

Na primeira reunião, no fim do ano passado, foram recolhidas assinaturas de 60 pessoas que resistem à degradação da área.

"Não tem mais condições de morar aqui, eu tenho vergonha deste lugar", diz Maria Aparecida Berci Luiz, 58. "Moro aqui há 35 anos e estou sendo desalojada por pessoas com mais direito do que eu, que pago impostos", diz.
Agora vai! – me escreve um entusiasmado leitor, otimista incorrigível. Não vai nada. Desde que o uso da droga foi liberado no Brasil, e depois que os igrejeiros elevaram à condição de direito inalienável do homem o direito de morar na rua, a cracolândia tem vida eterna assegurada.

No Discurso da Desigualdade, disse o pai dos utopistas desvairados dos dias de hoje: "O primeiro homem que cercou um pedaço de terra e disse que era sua propriedade e encontrou pessoas que acreditaram nele foi o fundador da sociedade civil. Daí vieram muitos crimes, muitas guerras, horrores e assassinatos que poderiam ter sido evitados se alguém tivesse arrancado as cercas e alertado para que ninguém aceitasse este impostor. Não podemos esquecer que os frutos da terra pertencem a todos nós e a terra a ninguém" .

Parafraseando Rousseau: O primeiro homem que deitou na calçada e disse ser isto um direito seu e encontrou pessoas que acreditaram nele foi o fundador da desordem urbana. Daí vieram muitos assaltos e roubos, insegurança social e lixo humano, que poderiam ter sido evitados se alguém tivesse arrancado fora os colchões e papéis que lhes servem de cama e alertado para que ninguém aceitasse este impostor. Não podemos esquecer que as ruas pertencem a todos nós e a cidade também.

Os padres católicos brasileiros conseguiram vender à imprensa um conceito muito safado, a de "povos da rua". Ou moradores da rua. Vendido o conceito, vende-se também a idéia de que morar na rua é um direito de todo cidadão. Certa vez, tive de dar um chute num mendigo que se escarrapachou justo em frente ao portão de meu prédio. Atravessado junto ao portão, para provocar. Instruído por alguma assistente social, ele reagiu furioso:

- Que é isso? A Constituição não garante o direito de ir e vir?
- Garante. O que a Constituição não garante é o direito de deitar.

Confuso, ele pegou seus molambos e foi deitar em algum outro lugar, onde colasse sua conversa de direitos constitucionais.

Uma das coisas que mais fere o paulistano é ver mendigos deitados e até mesmo barracos instalados nas ruas, sem que autoridade alguma faça algo para removê-los. Queixar-se à polícia é inútil. Aos serviços da Prefeitura, idem. E se alguma autoridade isolada resolve tomar uma atitude e remover estes cidadãos que se julgam proprietários das ruas, logo surge o padre Júlio Lancellotti para protestar contra os desmandos do poder.

Se fosse apenas o padre Lancellotti, seria inteligível. Os setores mais vivos da Igreja Católica desde há muito descobriram que mendigos deitados nas ruas são uma poderosa fonte de captação de dólares e euros de entidades católicas da Europa. O pior é ver um jornal como a Folha de São Paulo protestar aos berros aos berros qualquer tentativa de resolver este problema urbano. Se é construído um prédio sem marquises, a Folha logo denuncia a "arquitetura antimendigos". Se a Prefeitura põe nas praças bancos com braços que impossibilitem que mendigos neles deitem, a Folha denuncia os "bancos antimendigos".

Cágado não sobe em árvore. Quando um mendigo brande a Constituição, veja atrás dele um padre, um assistente social ou um dos tais de defensores dos direitos humanos. Quando alguma autoridade inventa de retirar os mendigos da rua, lá vêm as igrejeiras: "quem tirou daqui nossos mendigos? Queremos nossos mendigos de volta". Não estou usando de retórica. Esta frase eu a li no Ceciliano, boletim da paróquia de Santa Cecília, aqui ao lado de onde moro. Quando foram retirados os mendigos do largo que entorna a Igreja, os padres chiaram: queremos nossos mendigos de volta. No mesmo largo Santa Cecília, quando os caminhões da prefeitura vinham limpar com jatos de água a praça – que fedia a fezes e urina –, os “direitos humanos” deitavam-se no chão para impedir o deslocamento do “povo de rua”.

A cracolândia veio para ficar. Incomodados que se retirem. Mesmo que paguem IPTU para residir.


03 de janeiro de 2013
janer cristaldo

O PT QUER UMA REFORMA POLÍTICA. ISSO SIGNIFICA QUE A REFORMA POLÍTICA É PÉSSIMA.

O PT quer proibir doações privadas em campanhas eleitorais. Todas as campanhas terão um campeão de verbas a partir de então: o próprio PT.

 
reforma política lula1 505x338 O PT quer uma reforma política. Isso significa que a reforma política é péssima.
 
A visão moderna de democracia (que começa no Iluminismo) tem como tripé fundamental a idéia da “separação de poderes”. Muito antes da democracia, o poder quase sempre foi dividido. É por isso que se fala em poder econômico, poder político, poder produtivo, poder eclesiástico etc: cada um tem o seu papel, são todos interdependentes e podem imiscuir-se uns nos outros ou não (o que a democracia moderna foi 200% incapaz de evitar).
 
É possível evitar o poder político escorando-se no poder econômico ou na agitação das classes baixas com cada vez mais facilidade (também temos o poder comunicativo hoje, numa era informacional). Muito mais facilmente do que podemos tentar encontrar alguma espécie de checks and balances entre Executivo centralizado, Legislativo comprado e aparelhado e Judiciário ativista e indicado pelo Executivo.
Começa-se a votar agora a reforma política que pretende proibir doações de empresas para campanhas políticas. Até o momento, já tem 4 votos a favor no STF.
É algo parecido com as discussões sobre drogas (na verdade, troca-se a categoria da droga): fala-se em “acabar com o tráfico”, que é venda ilegal, legalizando as vendas. Uma discussão atrás do próprio rabo ad nauseam.
O projeto é imensamente imoral: o meu, o seu, o nosso dinheiro vai financiar partidos fazerem política para nós mesmos. Partidos os quais não quero sequer que existam, que dirá que recebam o meu dinheiro para fazer propaganda para mim.
 
Com a eterna ladainha contra o “poderio econômico”, como se ele fosse a nossa grande Nêmesis, e como se Eike Batista, Abílio Diniz, Nizan Guanaes e jornalistas que vão de Bárbara Gancia a José Luiz Datena não fossem todos apoiadores do PT, busca-se concentrar todo o equilíbrio das vontades apenas no poder político à propósito de uma “democratização” . Claro, quem está no poder será o campeão do montante de verbas para propaganda, arrancada dos próprios “compradores”.
 
Assim, a democracia se torna um bom modo de tomar o poder e de governar “legitimamente”, e revela o caráter do antigo termo “democracia” (de Platão até antes do Iluminismo): a tirania da maioria, onde qualquer coisa é aceita, desde que tenha 51% dos votos.
 
Se o PT hoje está no poder, vai querer mesmo estatizar todo o dinheiro e ficar com a maioria. Muito melhor do que o modelo cubano, pode deixar umas migalhas para uma coisa que alguns chamam de “oposição”, que nunca é capaz de legislar nem executar leis (muito menos chegar perto do Judiciário), com uma aparência de forças em disputa, mas que é hegemônica e homogênea, além de hiperconcentrada.
 
Se Noam Chomsky crê, de forma parecida com Michel Foucault, que a sociedade não tem liberdade no capitalismo por causa da força da imprensa e das agências de publicidade em fomentar e dirigir vontades para os mesmos objetivos, sua “saída” é de uma inteligência cavalar: concentrar poder contra os “poderosos”, os “mandarins”, e ao invés de deixar um pingo de liberdade para as pessoas escolherem entre automatismos comportamentais, obrigá-las a votar e aceitar o poder dos políticos, que vão forçá-las a serem livres de suas vontades corrompidas.
 
Com isso sendo discutido e aceito pelo STF, chegaremos facilmente a um novo estágio da “democracia”, ou na verdade seu velho sentido platônico: toma-se o poder com a maioria, e depois apenas manda-se a minoria a obedecê-la – afinal, a maioria é legítima e a minoria tem de aprender a viver sempre de migalhas.
 
Todas as campanhas terão um campeão de verbas a partir de então: o próprio PT. Afinal, um partido viciado em oclocracia como o PT não agiria diferentemente – ou alguém acredita que o PT está interessando em uma reforma para compartilhar o poder, para dar mais espaço para qualquer coisa fora do Estado, contra o Estado dominado por ele? Ele quer o bolo para si.
 
E a conta para nós, que estaremos felizes, “livres do poder econômico”, dando nosso próprio dinheiro não para quem queremos, mas para o PT e quem é a “maioria”.
Como esperar ter alguma mudança social com uma maioria eternamente sendo a mesma maioria?
 
A democracia é linda como uma forma de tomar o poder, mas o PT sempre confirma as previsões dos adoradores da res publica em oposição à ditadura da maioria: assim que o poder é tomado, é apenas concentrado e torna-se discussão bizantina entre os burocratas que legislam toda a nossa vida.
 
03 de janeiro de 2013
Flávio Morgenstern

A GUERRA DO GENTIO

No dia de Natal, nada aconteceu. A noite seguinte teve fogo e depredação: em Humaitá, às margens do Rio Madeira e da Transamazônica, 3 mil pessoas incendiaram a sede da Funai e da Casa do Índio, num introito para ações de um grupo mais exaltado que seguiu em frente, destruindo barcos oficiais e postos ilegais de pedágio, antes de invadir a Terra Indígena Tenharim.
 
O núcleo urbano amazônico, surgido de uma missão jesuítica e elevado ao estatuto de município no ciclo da borracha, converte-se agora em símbolo do triunfo da política indígena do lulismo, que semeia o rancor e a violência. O general Ubiratan Poty, comandante da brigada de Porto Velho, recusou-se a classificar os eventos como um conflito étnico. Infelizmente, ele está errado.

Sede da Funai em Humaitá (AM)
 
Os antecedentes da explosão merecem exame. Segundo registros policiais, um acidente de moto na Transamazônica matou o cacique Ivan Tenharim. Porém, na versão dos índios, o líder sofreu uma emboscada de moradores revoltados com a cobrança de pedágio pelo direito de tráfego na terra indígena.
 
Na sequência, o desaparecimento na rodovia de um técnico da Eletrobrás, um professor e um comerciante foi interpretado pelos moradores como sequestro por vingança. O copo de cólera transbordou logo depois, quando se avistaram 140 índios circulando na cidade.
 
A narrativa forma uma aula completa sobre a pedagogia do multiculturalismo: índios e não índios aprenderam a se identificar por oposição uns aos outros, demarcaram nitidamente seus territórios e deflagraram uma guerra de guerrilha.
 
Humaitá é o pico emerso de uma guerra fragmentária de dimensões assustadoras. No início de novembro, três índios foram emboscados e mortos no sul da Bahia, em meio a desavenças sobre a delimitação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença.
 
Os assassinatos seguiram-se a invasões, pelos índios, de mais de duas centenas de propriedades rurais na região. “É um trauma muito grande”, diagnosticou o governador Jaques Wagner, aproveitando para desfazer uma lenda recorrente: “Ali não se trata de grandes latifundiários; são várias famílias que estão na terra há até 80 anos, plantando e sobrevivendo.”
 
Na pequena Buerarema, em protestos contra a eventual homologação da terra indígena, populares incendiaram veículos e depredaram prédios públicos. Em Ilhéus, professores do Instituto Federal da Bahia que militam pela homologação converteram-se em alvos de agressões.
 
Os conflitos fundiários ligados à demarcação de terras indígenas transbordaram há muito o âmbito local. Enquanto as violências se espalhavam pelo sul da Bahia, Lula foi recebido no Mato Grosso do Sul com protestos de produtores rurais cujas fazendas sofreram invasões.
 
O presidente de facto prometeu reunir-se com a presidente de direito “para dizer que o governo tem que resolver isso antes que aconteça uma desgraça”. Lula usou a palavra “guerra”: “Não esperar a guerra acontecer para resolver.”
 
Nos próximos dias, finalmente, será divulgada a avaliação do valor de indenização das propriedades abrangidas pela Terra Indígena Buriti. Paralelamente, porém, posseiros e trabalhadores rurais voltaram a invadir áreas da Terra Indígena Marãiwatsede, de onde haviam sido retirados por forças federais.
 
“Muita terra para pouco índio”, diz uma sabedoria popular cada vez mais difundida, mesmo se equivocada. As sementes da violência não se encontram na extensão das terras demarcadas, mas na férrea lógica da separação étnica que orienta a política indígena e se expressa no termo oficial “desintrusão”.
 
A palavra, usada para descrever a remoção de todos os não índios das terras homologadas, concentra a noção multiculturalista de que posseiros e produtores rurais estabelecidos previamente em terras definidas como indígenas são “intrusos”. O conflito étnico espreita atrás dessa ideia, cultivada por missionários e ONGs internacionais — e irresponsavelmente adotada pelo lulismo.
 
O modelo de terras indígenas exclusivas, hermeticamente lacradas, tem sentido para os casos de grupos isolados que conservam modos de vida tradicionais. Mas a sua aplicação generalizada reflete apenas a utopia multiculturalista da restauração de “povos originais” e, na prática, serve unicamente aos interesses das ONGs e das entidades religiosas que conseguiram capturar a política indígena oficial.
 
O cacique motoqueiro dos Tenharim, as aldeias indígenas que vivem de rendas de pedágios clandestinos, os índios terena e guarani que cultivam melancias em “terras sagradas” para vendê-las no mercado não são “povos da floresta”, mas brasileiros pobres de origem indígena. Eles certamente precisam de terras — mas, sobretudo, necessitam de postos de saúde e escolas públicas. A política da segregação étnica é, de fato, uma forma cruel de negação de direitos sociais básicos.
 
O lulismo não inventou a terceirização da política indígena para as ONGs multiculturalistas e os missionários pós-modernos, mas a conduziu até suas consequências extremas. Hoje, no Brasil profundo, colhem-se os frutos dessa modalidade sui generis de privatização das políticas públicas.
 
Depoimentos de habitantes de Humaitá evidenciam uma ruptura crucial. Marlene Sousa, servidora pública, disse o seguinte: “Temos índio aqui que é professor, a gente os respeita como seres humanos, mas como podemos confiar neles depois do que aconteceu? Revoltada, a população é capaz de tudo”.
 
Edvan Fritz, almoxarife, deu um passo conceitual adiante: “Eles vêm à cidade, enchem a cara, fazem baderna e fica por isso. Índio é protegido pelo governo que nem bicho, então tem de ficar no mato, não tem que viver em dois mundos, no nosso e no deles”.
 
O “nosso mundo” e o “mundo deles”: os fanáticos do multiculturalismo nunca conseguirão reinventar os “povos da floresta”, mas reacendem a mentalidade do colono desbravador entre os não índios rotulados como “intrusos”. O perigo está aí.

03 de janeiro de 2014
Demétrio Magnoli é sociólogo. O Globo

A VIDA EM CÍRCULOS

O senador Renan Calheiros parece convencido de que suas palavras não precisam corresponder aos fatos, o importante, algum marqueteiro deve tê-lo convencido disso, é falar o que o povo quer ouvir, sem que seja necessário acompanhar com ações.
 
Só isso explica que tenha ido à televisão nos últimos dias do ano passado para falar em “transparência” e “controle social” no momento em que o noticiário denunciava que mais uma vez ele usou um avião da FAB para uso pessoal bizarro: fazer um implante de cabelo em Recife.
 
É claro que ele gravou a declaração de fim de ano com antecedência, e não poderia imaginar que seria apanhado mais uma vez com a boca na botija antes mesmo de seu pronunciamento ir ao ar. Se desse tempo, poderia ter aproveitado o pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para pedir mais uma vez desculpas ao povo brasileiro.
 
 
Renan Calheiros, presidente do Senado. Foto: Pedro França / Agência Senado
 
Renan parece estar sempre às voltas com incongruências quando se tratam de palavras e ações e mesmo quando cita supostas medidas corretivas ditadas “pelas vozes das ruas”, revela defeitos de nossos congressistas que são consertados apenas quando denunciados pela grande imprensa, como o fim dos 14º e 15º salários dos parlamentares e o fim do voto secreto em casos de cassação de mandato e vetos presidenciais.
 
Para a fala oficial do presidente do Senado, esses são exemplos de que “a transparência e o controle social ajudam a corrigir erros, eliminar vícios e distorções”. Ele falava como se fosse o boneco do ventríloquo, o marqueteiro Elsinho Mouco, o preferido do PMDB segundo os bastidores de Brasília, enquanto fora de seu mundo virtual as denúncias de sua viagem pelas asas da FAB para o implante capilar corriam soltas.
 
Pois não passa de um “vício” essa sua mania de andar de avião sem pagar, só o fazendo depois de apanhado em flagrante. E mesmo assim ele e outros colegas seus inauguraram uma nova maneira de enganar o distinto público: pagar o preço de uma passagem comercial pelo “aluguel” de um jatinho exclusivo, o que evidentemente é muito mais caro. Mas quem se atreve a cobrar o devido ao presidente do Congresso?
 
03 de janeiro de 2014
Merval Pereira, O Globo

A EMBUSTEIRA QUE DE GERENTONA NÃO TEM NADA SEGUE "MUDANDO" O BRASIL

Análise: Mundo está encolhendo para produtos fabricados no Brasil

 


A queda de 87% no saldo positivo do comércio brasileiro com o exterior não reflete apenas os problemas no câmbio e de competitividade do país, mas também é um sinal de como o mundo está cada vez menor para os produtos fabricados por aqui.
O superavit no ano passado de meros US$ 2,6 bilhões é um dos preços que se paga quando se tem a economia que menos celebra acordos de investimento entre os países do G20 (grupo das grandes potências globais). O reflexo é que no ano passado o país perdeu espaço no comércio com grandes parceiros. Foi o caso dos EUA, por exemplo, onde nossa fatia caiu de 1,45% das importações americanas, em 2012, para 1,24%, em 2013.
O mesmo cenário se repetiu na Alemanha: 0,58%, em 2012, para 0,39%, no ano passado. E mesmo na vizinha Argentina a participação ficou 0,1 ponto percentual menor em relação a 2012.
Mas não são apenas nos mercados que tradicionalmente compram os produtos industrializados brasileiros em que houve perda de espaço. O mesmo cenário se repetiu nos grandes compradores de matérias-primas.
Na China, principal mercado para nossas exportações, a participação do país nas compras da segunda maior economia global foi reduzida para 2,81%, 0,11 ponto percentual menos que em 2012.
No caso do Japão (segundo maior mercado para o minério de ferro brasileiro), a queda foi ainda mais forte: 
de 1,54% para 1,20% em 2013.

A perda percentual nesses mercados pode parecer pequena, mas representam muitas vezes centenas de milhões de dólares. E o mercado global deve ficar ainda menor nos próximos anos para o país, quando os EUA e a União Europeia devem fechar o seu tratado de livre-comércio.
Até por isso, o governo brasileiro agora tenta apressar um acordo comercial com os europeus, cujas negociações iniciaram em 1999 e estavam em banho-maria, mas que agora são vistas como tábua de salvação para evitar o isolamento comercial do país. 

ÁLVARO FAGUNDES
EDITOR-ADJUNTO DE "MERCADO"  
Folha
03 de janeiro de 2014

2014: TUDO COMO DANTES NO QUARTEL DE ABRANTES

NO JEITO PETRALHA E EMBUSTEIRO DE "GUVERNÁ"...
Ministério nega uso de artifício para elevar balança comercial/Balança comercial brasileira fecha 2013 com pior resultado em 13 anos.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Daniel Godinho, defendeu nesta quinta-feira (2) as operações envolvendo plataformas de petróleo nas quais as unidades não deixam o país, mas que são computadas como exportações. Em 2013, a venda de sete plataformas somou US$ 7,7 bilhões, montante superior ao apurado com transações semelhantes em 2012, que foi US$ 1,5 bilhão. 

Segundo Godinho, o aumento das operações reflete o desenvolvimento da indústria naval brasileira e não constitui um artifício para elevar o saldo da balança comercial.

O secretário de Comércio Exterior reafirmou a legalidade do registro das operações como exportações. “Existem registros de exportações de plataformas desde 2004. Com exceção de 2006 e 2009, essas operações aconteceram todos os anos. É algo que faz parte do comércio exterior brasileiro. O nome dessa operação, de acordo com todos os critérios internacionais, é troca de titularidade entre vendedor nacional e comprador estrangeiros. Para todos os efeitos fiscais e contábeis é uma exportação”, declarou.
As operações envolvendo plataformas são exportações fictas, nome dado à prática comercial que produz os efeitos cambiais e fiscais de uma exportação, sem que o produto deixe o país. Na prática, as plataformas são repassadas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, posteriormente, alugadas para operar no Brasil sem jamais deixar o território nacional. Dessa forma, a empresa brasileira pode se beneficiar do Regime Aduaneiro de Exportação e Impostação de Bens Destinados à Produção e à Exploração de Petróleo e Gás (Repetro).
De acordo com Godinho, em alguns casos a aquisição no exterior se deu por subsidiárias da própria Petrobras e, em outros, por um comprador distinto. Segundo o secretário de Comércio Exterior, a entrada em operação das sete novas plataformas está entre os fatores que contribuirão para uma elevação na produção nacional de petróleo este ano.

Balança comercial brasileira fecha 2013 com pior resultado em 13 anos

O saldo da balança comercial brasileira (diferença entre exportações e importações) de 2013 ficou positivo em US$ 2,561 bilhões, uma queda de 86,8% em relação a 2012. O resultado é o pior desde 2000, quando a balança apresentou déficit de US$ 731 milhões. As informações foram divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Midc) neste primeiro dia útil do ano.
De janeiro a dezembro, o total de exportações foi de US$ 242 bilhões, uma redução de apenas 1% em relação ao ano anterior. As importações, no entanto, subiram 6,5%, para US$ 239 bilhões.

No mês de dezembro, as exportações alcançaram US$ 20,846 bilhões, a segunda melhor média diária para meses de dezembro de US$ 992,7 milhões, superada apenas por dezembro de 2011 (US$ 1,006 bilhão). Sobre dezembro de 2012, as exportações registraram crescimento de 0,5%, e retração de 4,8% em relação a novembro de 2013, pela média diária.

As importações totalizaram US$ 18,192 bilhões. Sobre igual período anterior, as importações registraram retração de 1,0%, e de 9,4% sobre novembro de 2013, pela média diária. No período, a corrente de comércio alcançou valor de US$ 39,038 bilhões. Sobre igual período do ano anterior apresentou queda de 0,2%, pela média diária.
O saldo comercial do mês registrou superávit de US$ 2,654 bilhões, valor 18,3% superior ao mesmo período de 2012, de US$ 2,243 bilhões.
No mês, as exportações de produtos manufaturados (US$ 8,889 bilhões) registraram cifra recorde para meses de dezembro; já os básicos e os semimanufaturados alcançaram valores de US$ 8,797 bilhões e US$ 2,741 bilhões, respectivamente.
Por outro lado, cresceram as importações de combustíveis e lubrificantes (+13,8%) e bens de capital (+2,7%), enquanto decresceram as compras de matérias-primas e intermediários (-6,2%) e bens de consumo (-5,0%).

AGÊNCIA BRASIL/JB
03 de janeiro de 2014

PRESIDENCIÁVEIS PRIVILEGIAM O SUDESTE NO CUMPRIMENTO DE AGENDAS EM 2013

Prováveis candidatos ao Planalto viajaram mais para a região que concentra os maiores colégios eleitorais do País; 77% dos deslocamentos de Aécio tiveram esse destino; Campos se aproximou do empresariado paulista e Dilma visitou o Estado 18 vezes
 
 
Lilian Venturini e Isadora Peron - O Estado de S.Paulo
 
A região Sudeste foi o principal destino das viagens nacionais feitas em 2013 pelos três prováveis candidatos ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
Com motivações variadas, os deslocamentos para a região, que concentra os maiores colégios eleitorais do País, num total de 60,7 milhões de eleitores, refletem as diferentes estratégias políticas adotadas ao longo do ano e podem indicar os passos de 2014. O levantamento do Estado foi feito a partir das agendas oficiais e registros das assessorias dos três políticos.
Dos três presidenciáveis, Aécio foi o que mais privilegiou a região, apesar de ter sido o que menos viajou entre os prováveis candidatos. Das 45 viagens feitas em 2013, 35 foram para o Sudeste. Em nove dirigiu-se à capital paulista e em outras nove para cidades do interior do Estado - dominado há quase duas décadas pelos tucanos.
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O foco em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, tinha um objetivo claro: ganhar visibilidade entre o eleitorado e vencer a resistência de parte dos correligionários, que preferiam o nome do ex-governador José Serra. No mês passado, Serra anunciou no Facebook seu afastamento da corrida presidencial.
"Em 2013 Aécio precisava confirmar o que ele tinha pretensão de ser (candidato a presidente). Tinha que confirmar o apoio do partido", afirma o deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE). O senador também não descuidou do seu reduto eleitoral: foi 13 vezes a Minas, Estado que governou por duas vezes.
De maneira geral, os encontros com correligionários e lideranças de siglas aliadas dominaram a agenda e ficaram mais frequentes a partir de agosto, quando Aécio já era presidente nacional do PSDB. Em São Paulo, aproveitou também para se apresentar a empresários, ruralistas e ambientalistas. Estratégia parecida com a adotada no Sul, segunda região mais visitada por ele, com quatro viagens.
Mais viagens. Dilma também deu preferência para a região Sudeste, para onde fez 37 das 82 viagens. A presidente, aliás, fechou 2013 com o maior saldo de deslocamentos domésticos da sua gestão - em 2011, foram 69 viagens, ante 50 em 2012.
Só a São Paulo foram 18 visitas da petista: nove delas na capital e quatro em São Bernardo do Campo, cidade do ABC que é o berço político petista. O Estado, que costuma ser mais simpático ao PSDB nas urnas, está entre os que o governo Dilma tem menor aprovação, segundo a última pesquisa realizada pelo Ibope, em dezembro. Apesar de bem avaliada em Minas, Dilma viajou em oito ocasiões para o Estado, também governado pelo PSDB.
Nos últimos dias do ano, a presidente visitou o único Estado da região ao qual não havia ido em 2013, o Espírito Santo, onde sobrevoou áreas que foram atingidas pela chuva.
Em termos de quantidade, o Nordeste foi o segundo principal destino da presidente. Os Estados da região, onde Dilma costuma ser bem avaliada, foram palcos para 23 viagens. A presidente, no entanto, também voltou sua atenção para o Sul, região onde o PT conta com menos simpatia do eleitorado, e para onde Dilma viajou 19 vezes, bem acima das cinco visitas feitas em 2012.
Empresários. Os caminhos escolhidos por Campos lembram os de Dilma e também privilegiaram cidades do Sudeste e, em seguida, do Nordeste. Suas viagens tiveram um objetivo: tornar seu nome mais conhecido entre os eleitores e, principalmente, entre o empresariado. A maratona de 58 deslocamentos de Campos começou ainda nos primeiros meses de 2013 e manteve ritmo intenso durante todo o ano.
Em uma semana de abril, por exemplo, passou quatro dos cinco dias úteis longe de Pernambuco. Recentemente, numa terça-feira de novembro, teve quatro compromissos num mesmo dia na capital paulista. "Mais de 80% das viagens de Campos este ano tiveram como foco a apresentação dele e do sucesso que é o seu governo em Pernambuco", disse o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).
Nesses encontros, Campos costumava seguir o mesmo roteiro. Apontava as conquistas dos governos FHC e Lula, mas apresentava-se como uma nova opção, incorporando a figura do gestor capaz de retomar o crescimento econômico.
03 de janeiro de 2014
Lilian Venturini e Isadora Peron - O Estado de S.Paulo
 

MSL - O MOVIMENTO DOS SEM-LEI

 
A decisão que desrespeita a a letra da lei agride o regime democrático, ainda que sob o pretexto de aperfeiçoá-la
 
Na semana passada, comentei aqui uma declaração do ministro Luís Roberto Barroso, do STF. Ele entende que uma de suas funções é "empurrar a história", como Lênin. Não existe democracia sem um Poder Judiciário independente, mas essa independência tem balizas. A decisão que desrespeita ou ignora a letra da lei agride o regime democrático, ainda que sob o pretexto de aperfeiçoá-lo. Juízes também são produto da ordem legal que eventualmente transgridem.
Pergunta-se a Barroso: aquele que manda às favas uma decisão judicial porque está "empurrando a história" merece aplauso ou punição? Sempre se pode argumentar que há o jeito certo e o errado de dar esse empurrãozinho, mas isso é guerrilha ideológica, não Estado de Direito. Vamos ver.
 
Liminar concedida dia desses por uma juíza do Mato Grosso do Sul impedia que proprietários rurais realizassem um leilão de gado, grãos e equinos. O objetivo do evento era arrecadar recursos para mobilizar produtores contra a onda de invasões de terra promovida por índios, ONGs e padres.
Na liminar, depois cassada, a juíza alegava que sitiantes e fazendeiros pretendiam contratar segurança privada --essa era precisamente a acusação feita pelos invasores--, o que implicaria "substituir o Estado na solução do conflito existente entre a classe ruralista e os povos indígenas".
 
Quando os militantes invadem as propriedades, eles não estão tentando "substituir o Estado"? Então o coitado que tem esbulhado o seu direito deve ser proibido até de se defender? De resto, quem quer dinheiro para contratar milícias não realiza leilões à luz do dia.
 
Em outubro, um juiz negou liminar de reintegração de posse à reitoria da USP, invadida por delinquentes de extrema esquerda. O juiz que se negou a devolver o prédio a seus legítimos usuários escreveu, espancando o bom senso e a língua:
"Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem força de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal". Quando os criminosos deixaram o prédio, o saldo de destruição impressionava. "Transtorno"?
 
O meritíssimo pertence a uma Associação de Juízes que se denomina "Para a Democracia", algo notável porque nos faz supor que possa existir outra --no caso, "para a ditadura". Tal associação já produziu uma pérola, também na defesa de invasores. Escreveu:
"Não é verdade que ninguém está acima da lei (...): estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais e que, por isso, rompendo com o estereótipo da alienação, e alimentados de esperança, insistem em colocar o seu ousio e a sua juventude a serviço da alteridade, da democracia e do império dos direitos fundamentais".
 
O estilo brega mal esconde a concepção totalitária de direito. Ora, se há pessoas acima da lei, cesse o que o antigo Estado de Direito canta. Tudo lhes é permitido, muito especialmente o crime.
 
O ano começa com o STF prestes a jogar o sistema político na clandestinidade. Quatro ministros já acolheram a Ação Direta de Inconstitucionalidade que quer proibir a doação de empresas a campanhas eleitorais. Se acontecer, as contribuições hoje ilegais assim continuarão.
E boa parte das legais migrará para o crime. Esse mesmo tribunal, e não entro no mérito de cada decisão, "constitucionalizou", por exemplo, o casamento gay, o aborto de anencéfalos e a marcha da maconha. Legislou na contramão da vontade explícita do Congresso. No caso das cotas raciais, condescendeu com a agressão à Constituição promovida pelos dois outros Poderes. E sempre contra a escrita.
 
Se as leis não limitam as ações dos homens, quem disciplina os homens sem limites?
 
03 de janeiro de 2014
Reinaldo Azevedo, Folha de S. Paulo

DÁ-LHE DILMA! BRASIL TEM MENOR SALDO COMERCIAL EM 13 ANOS

Comércio externo tem pior ano desde 2000
 
Superavit cai 87%, a US$ 2,6 bi, mas resultado seria pior não fosse venda recorde de plataformas que não saíram do país
Governo defende cálculo de plataformas nas exportações e diz que resultado da balança deve ser comemorado
O país teve em 2013 o pior resultado no comércio externo em 13 anos, mesmo com as estatísticas oficiais mostrando exportações recorde de plataformas de petróleo que, na verdade, não deixaram o país por terem sido alugadas internamente.
 
O superavit de US$ 2,6 bilhões foi 87% inferior ao de 2012 e o menor desde 2000, quando houve deficit de US$ 731 milhões. Também foi a primeira vez desde 2002 que o superavit anual não atingiu o patamar de dois dígitos.
 
O desempenho no ano passado refletiu uma combinação de crise nas principais economias do mundo, que afetou a venda de produtos brasileiros, fraca produção nacional de petróleo e derivados e aumento da demanda interna por combustível.
 
O petróleo é um dos principais itens da pauta de exportação do Brasil. Com a baixa produção em 2013, o país não só deixou de vender, como também teve de importar mais para atender a uma maior demanda interna.
 
Com isso, em 2013, a balança comercial do petróleo apresentou o maior deficit da história: US$ 20,3 bilhões. Essa conta foi influenciada porque a compra feita em 2012 de US$ 4,6 bilhões em petróleo só entrou nos cálculos oficiais em 2013, contribuindo para o aumento do deficit.
 
No acumulado do ano, as exportações totais do Brasil caíram 1% em relação a 2012, enquanto as importações bateram recorde, subindo 6,5%.
 
Ainda assim, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Daniel Godinho, disse que há motivos para comemorar, já que a exportação se manteve "num patamar elevado" num ano considerado extremamente "difícil".
 
PLATAFORMAS
O retrato do comércio exterior em 2013 só não ficou pior porque o governo contabilizou como exportação o vaivém contábil envolvendo sete plataformas produzidas aqui, vendidas a subsidiárias da Petrobras e de outras petroleiras no exterior e alugadas a empresas no Brasil.
 
Essas operações, que são legais e geram vantagens tributárias para as empresas (as petroleiras não precisam pagar PIS, Cofins e IPI sobre as plataformas), somaram US$ 7,7 bilhões em 2013, valor recorde. Sem essas exportações, o comércio externo teria sido deficitário.
 
Godinho defendeu a sistemática. "Cada país tem seu modelo [de contabilização dessas transações]. Esse é o modelo brasileiro, que existe desde 1999", disse, rebatendo as críticas de que se trata de manobra para inflar artificialmente os dados oficiais.
 
"Quem produz são estaleiros nacionais, não é a Petrobras. O fabricante vende para um estrangeiro e há ingresso de moeda estrangeira no país. Não posso dar tratamento diferenciado das demais exportações."
 
Segundo ele, desde 2004, com exceção de 2006 e 2009, houve exportação de plataforma. Porém, o valor máximo apresentado foi de US$ 1,5 bilhão em 2008 e 2012.
 
03 de janeiro de 2014
SHEILA D'AMORIM - Folha S.Paulo
 

FRACASSO ECONÔMICO DE DILMA TORNA ELEIÇÃO "IMPREVISÍVEL" - DIZ THE ECONOMIST

A primeira edição do ano da The Economist traz uma reportagem em que afirma que o resultado das eleições presidenciais de 2014 no Brasil é "imprevisível". Ao comentar que estudos mostram que o eleitorado brasileiro quer mudanças, a revista diz que "o espírito dos protestos de junho ainda está vivo e uma parte do apoio a Dilma Rousseff poderia derreter se uma alternativa forte emergir". A publicação diz que a economia será um ponto frágil da atual presidente da República.
 
"A economia oferece uma linha de ataque para concorrentes. Desde que Rousseff tomou posse, em 2011, o crescimento tem sido anêmico. O desemprego é baixo e, até recentemente, a renda subia mais rápido do que a inflação. Mas a criação de empregos e o aumento de renda agora estão esfriando, enquanto os preços continuam subindo. As finanças públicas se deterioraram e isso não será consertado em um ano eleitoral", diz a revista.
 
Além dos temas econômicos, a The Economist diz que há o risco de que os protestos populares de 2013 voltem a acontecer durante a Copa do Mundo. Outra ameaça é a possibilidade de que pelo menos uma cidade-sede do torneio tenha de ser retirada do mapa pelos atrasos na construção dos estádios. "Isso seria um grande constrangimento", diz a Economist.
 
Apesar do quadro favorável aos concorrentes, a publicação nota que Dilma retomou parte da popularidade após os protestos. Além disso, os demais candidatos ainda não começaram efetivamente a fazer campanha ou ainda enfrentam problemas internos. "O PSDB de Aécio Neves foi atingido por indícios de corrupção e superfaturamento em contratos públicos em São Paulo", cita a revista. "Eduardo Campos segue preparando um programa com sua provável companheira de chapa Marina Silva".
 
(Estadão)

COM TODA JUSTIÇA, GENOÍNO BEIRA-MAR

 
 
Me dê... Advogado de José Genoino, Luiz Fernando Pacheco diz que Joaquim Barbosa comparou o petista ao "maior bandido do Brasil" ao negar, em decisão no fim do ano, sua transferência de Brasília, onde cumpre prisão domiciliar pelo mensalão, para São Paulo.
 
... motivo Segundo a defesa do petista, o presidente do Supremo Tribunal Federal cita como uma das razões para negar a transferência de Genoino um habeas corpus, também indeferido pela corte, em que a defesa de Fernandinho Beira-Mar pedia que o traficante fosse levado para o Rio de Janeiro.
 
CEP Pacheco diz que a Lei de Execução Penal determina que o preso deve cumprir pena próximo de seu domicílio, salvo em casos excepcionais.
 
03 de janeiro de 2014
in coroneLeaks

HÁ MARINAS QUE VEM PARA O BEM


 
 
Costuras políticas entre o PSDB e o PSB são razoáveis e consolidam apoios para o segundo turno, desde que aconteçam nas praças dos candidatos. PSDB junto com PSB em Pernambuco e em Minas Gerais? Razoável. Em São Paulo, praça que decidirá as eleições e tradicionalmente tucana, tal aliança fere o partido e  só serve a interesses de pequenos grupos. Marina Silva, desta vez, é um mal que vem para o bem. Abaixo, matéria da Folha de São Paulo.

Em São Paulo, o presidente estadual do PSB, deputado federal Márcio França, articula há meses uma aliança com o PSDB do governador Geraldo Alckmin. França já foi secretário de Turismo do Estado e sua ideia era compor a chapa do tucano, como vice na chapa. O pessebista conversou pessoalmente com o governador e com alguns de seus aliados e o acordo estava próximo a ser fechado já no final do ano passado.

No entanto, a ex-senadora Marina Silva, neoaliada do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, rechaça o apoio a Alckmin e a possibilidade de subir no palanque do tucano. Segundo interlocutores, Campos e Marina tiveram uma conversa em dezembro, na Bahia, e o pernambucano foi convencido a buscar uma alternativa longe do PSDB paulista. Pessebistas relatam que a aliança com Alckmin, antes considerada estratégica, hoje tem chance "próxima de zero" de ocorrer. Marina, em contrapartida, anteciparia o anúncio oficial de que será vice de Campos na chapa presidencial para 2014.

Marina defende candidatura própria do PSB-Rede em São Paulo. A deputada federal Luiza Erundina (PSB) é uma das principais apostas da ex-senadora, que fará novas investidas para tentar convencer a deputada a disputar o Palácio dos Bandeirantes. Segundo aliados de Marina, a decisão sobre São Paulo sairá em janeiro.

MDIC, O MINISTÉRIO DA POUCA VERGONHA


Na agenda do MDIC o destaque para a politicagem que fez com que a nossa Balança Comercial desabasse em 2013.
 
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) é um dos mais estratégicos para um país exportador como o Brasil. O ministro responsável é Fernando Pimentel (PT-MG), um amigo da presidente Dilma Rousseff.
 
Mais do que amigo. Pegaram em armas juntos, no passado. Pimentel ficou famoso por vender consultorias que nunca existiram para a indústria mineira. Mesmo assim continuou ministro. Hoje ele apresentou o balanço das suas atividades em 2013.
A Balança Comercial do país. Um fracasso. Um superávit maquiado de U$ 2,5 bilhões, que seria déficit se não houvesse a "exportação" de U$ 7,5 bilhões em plataformas de petróleo que nunca saíram do Brasil.
 
Uma exportação Avon, mais uma da necessaire da Dilma e do seu ministério de fancaria. Pimentel está ministro apenas para usar a máquina pública para tentar se eleger governador de Minas Gerais. A máquina pública representada por caminhões, patrolas e escavadeiras que ele entregou, durante o ano, para 323 prefeituras mineiras.
 
Houve um tempo em que ministros como Pratini de Moraes e outros saíam pelo mundo para vender produtos brasileiros. Fernando Pimentel faz doações de máquinas a prefeituras, algo tão distante das suas funções que deveria ser um caso de representação na Comissão de Ética Pública, se ética pública existisse no governo do PT.
 
03 de janeiro de 2014
in coroneLeaks

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

EM MAQUIAGEM DE U$ 7,3 BILHÕES, DILMA "EXPORTA" PLATAFORMA DE PETRÓLEO PARA A PRÓPRIA PETROBRAS, MAS ELAS NÃO SAEM DO BRASIL


Dilma fazendo magia com as plataformas da Petrobras
 
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Daniel Godinho, defendeu nesta quinta-feira (2) as operações envolvendo plataformas de petróleo nas quais as unidades não deixam o país, mas que são computadas como exportações. Em 2013, a venda de sete plataformas somou US$ 7,7 bilhões, segundo o Jornal do Brasil.
 
O secretário de Comércio Exterior reafirmou a legalidade do registro das operações como exportações. “Existem registros de exportações de plataformas desde 2004. Com exceção de 2006 e 2009, essas operações aconteceram todos os anos. É algo que faz parte do comércio exterior brasileiro. O nome dessa operação, de acordo com todos os critérios internacionais, é troca de titularidade entre vendedor nacional e comprador estrangeiros. Para todos os efeitos fiscais e contábeis é uma exportação”, declarou.
 
Na prática, as plataformas são repassadas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, posteriormente, alugadas para operar no Brasil sem jamais deixar o território nacional. Dessa forma, a empresa brasileira pode se beneficiar do Regime Aduaneiro de Exportação e Impostação de Bens Destinados à Produção e à Exploração de Petróleo e Gás (Repetro).
 
De acordo com Godinho, em alguns casos a aquisição no exterior se deu por subsidiárias da própria Petrobras e, em outros, por um comprador distinto. Segundo o secretário de Comércio Exterior, a entrada em operação das sete novas plataformas está entre os fatores que contribuirão para uma elevação na produção nacional de petróleo este ano.
 
Resta saber se os compradores consideram esta transação como um importação. É óbvio que não. É óbvio que é mais uma maquiagem da Dilma.
 
02 de janeiro de 2013
in coroneLeaks

REVOLUCIONÁRIO OU APENAS MAIS UM


Francisco ganhou a batalha pela opinião pública. Com espírito desarmado, sorriso no rosto e ação conciliadora, em apenas nove meses, o papa recobrou a simpatia que a Igreja Católica perdeu nos anos de Bento XVI.
Adotou tom de maior tolerância com quem a doutrina vê como desviados e de mais respeito com outras religiões, além de promover reformas administrativas na Cúria Romana. Mas as mudanças anunciadas até agora são de forma, não de conteúdo. Nem de longe é possível considerar seu pontificado revolucionário, como analistas vêm fazendo apressadamente.

Não se trata de minimizar o que Francisco tem dito e feito, mas de dar o devido peso a suas palavras e seus atos. Bento XVI, seu antecessor, costumava apontar o dedo inquisitorial para identificar desvios de conduta, especialmente em outras confissões religiosas e no comportamento de homossexuais e divorciados ou em qualquer coisa que fugisse à ortodoxia católica. Francisco estendeu a mão ao outro, sob o argumento de que somos todos "pecadores". Para quem está do lado de cá dos portais das catedrais, certamente é melhor ser tratado de forma amena do que encarado como inimigo.

"Quem sou eu para julgar?", perguntou Francisco, e todos se encantaram com a demonstração de humildade. Nada de fundo se alterou, porém. Jorge Mario Bergoglio é tão conservador quanto Joseph Ratzinger em relação à doutrina, mas consegue embrulhá-la num papel mais suave.
O papa argentino, tal qual o alemão, acredita que manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo contraria as leis divinas e que, por isso, quem comete esse "pecado" e não se arrepende está condenado à danação eterna. Ambos concordam que mulheres são indignas de ordenação, que sacerdotes não podem ter vida sexual e que métodos contraceptivos devem ser proscritos.

O deslumbramento com o primeiro papa jesuíta e latino-americano é tamanho, não só no Brasil, que muitos nem se deram conta: a fórmula "quem sou eu para julgar" é pura condescendência, no pior sentido do termo. A recusa em sentenciar se dá de uma posição pretensamente superior, de quem acredita estar certo, mas trata quem discorda de maneira paternalista, passando-lhe a mão na cabeça.
Essa piedade papal dificilmente pode redundar em avanços na luta por direitos básicos de homossexuais, como o de casar, adotar crianças ou andar nas ruas sem temer ser alvo de violência gratuita.

Muitos dirão que a Igreja Católica nunca se modernizará, pois, se o fizer, deixará de ser uma referência sólida. Que mal faria modificar uma ideologia que exclui e marginaliza?
Se instituições e pessoas não evoluíssem, ainda seríamos caçadores nômades que conquistam mulheres pela força do porrete. As colunas da Basílica de São Pedro não se moveriam nem um milímetro caso o papa resolvesse anunciar que nada há de errado no amor entre duas pessoas do mesmo sexo ou numa relação que se segue a um matrimônio malsucedido. Tanto num quanto noutra, há apenas a busca da felicidade.

Os alicerces da civilização ocidental continuariam os mesmos se, porventura, o bispo de Roma afirmasse que filhos são muito bem-vindos, mas devem ser adiados até que os pais tenham condições psicológicas e materiais de os orientar.
Nenhum fiel se imolaria na Capela Sistina caso mulheres pudessem ser ordenadas, exercendo a vocação pastoral de forma plena, e se a padres e solteiros fosse permitido usufruir da dádiva do desejo. Abraçando as diferenças de forma sincera, não como quem lida com incapazes, a Igreja cresceria moralmente, pois estaria concretizando o mandamento do amor.

Quem usar o propalado discernimento jesuíta concluirá que Deus, retrato da suprema sabedoria e da infinita bondade, se existir, não estará preocupado com assuntos comportamentais como os condenados pela Igreja. É desnecessário estudar teologia para intuir isso. Basta consultar a própria consciência, na qual o certo e o errado estão gravados, e empregar o senso de proporção. Insistir numa postura que desconhece a complexidade dos seres humanos é mais do que lhes dar as costas, é deixar de reconhecer neles a centelha da divindade.

Francisco contribui para reduzir a tensão entre a Igreja e as pessoas que ainda lhe dão importância. Insistindo na volta à simplicidade, no conforto espiritual e na ajuda aos pobres, ele retorna à missão indevidamente abandonada. Pela via administrativa, combate a corrupção na Santa Sé e reduz os jogos de poder que minam a atuação pastoral.
O papa representou, até agora, novo estilo, mas não pode ser qualificado como progressista - muito menos como revolucionário. Sem tentar, ainda que de maneira gradual, viabilizar reformas substanciais e de fundo doutrinário, a personalidade do ano da revista Time será apenas mais um a ocupar o trono de Pedro.

02 de janeiro de 2013
Ricardo Medeiros, Correio Braziliense