"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 5 de outubro de 2013

ERA TUDO QUE O PT NÃO QUERIA

CARTA ABERTA AO POVO BRASILEIRO, ANALFABETOS E LETRADOS

 

“É difícil educar as pessoas mais velhas. É um desafio importante. O Brasil tem o ‘Brasil Alfabetizado’. Desde o tempo do Mobral, é uma coisa difícil. É mais difícil quando a população pobre, analfabeta, começa a viver mais. Os pobres estão tendo um salto de anos de vida, de expectativa de vida. Antigamente, o analfabeto pobre morria mais cedo. Agora, vive mais. Fica ali pesando na estatística da taxa de analfabetismo”, Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri

Falar o quê sobre essa descabida justificativa?
Eu sugiro aos (ir)responsáveis que se deleitam em criar novos Ministérios, que deem a esse senhor a pasta do Ministério da Falta de Escrúpulos.

É bem certo que candidatos ao cargo não faltarão, visto que, dentro dessa máquina política, a disputa por quem produz mais aberração é algo imensurável.

Se de um lado temos os magníficos pesquisadores trabalhando por uma melhor qualidade de vida e, consequentemente, propiciando uma longevidade ao ser humano, do outro temos seres como o autor das palavras que iniciaram esse artigo, abusando da ignorância do próprio povo que os sustenta.

É sabido que não há o menor interesse dos ilustres políticos em criar uma sociedade pensante. Já escrevi muito sobre isso: seres pensantes vão questionar e a possibilidade de corruptos se manterem impunes. Já pensaram o trabalho que teriam?

Para começar, talvez se preocupassem com o que falam. Provavelmente se ocupariam mais, utilizando o tempo para pensar em novas estratégias de manipulação. Respostas como essa que esse senhor, muito atrevido e abusado, ousou dar diante da estagnação do índice de analfabetismo no MEU PAÍS, provavelmente lhe custariam o cargo.

Vejamos sua justificativa: “É difícil educar as pessoas mais velhas”. Concordo em parte, apenas e tão somente no caso dele e no de seus colegas: não aprenderam, ao longo da vida, valores importantes para gerenciar uma nação. Agora é tarde! Mas o mesmo não vale para os que envelhecem com dignidade, com princípios éticos como transparência e verdade. Para esses, a idade é uma vitória.
Um triunfo para a honra. Quando dormirem o sono eterno, serão lembrados pela decência, enquanto outros tantos deixarão um mar de lama saindo da própria cova.

O idoso aprende sim. E justo no dia do idoso, esse senhor faz essa declaração! Ai, estou com vergonha alheia pelas suas palavras. O idoso aprende quando ensina, quando relata sua trajetória, quando enxerga o que o jovem ainda não tem maturidade para ver.

“Desde o tempo do Mobral é uma coisa difícil”. Ele não tem a menor ideia do quão difícil é encarar o governo que nos fazem engolir. Se é difícil alfabetizar desde então, por que não se empenharam em alfabetizar as crianças? Por que insistem em manter adultos analfabetos? Ser alfabetizada me permite pensar e, no momento, pensar me mantém indignada pela cara de pau daqueles que deveriam ter a cara de cristal, límpida e transparente.

“É mais difícil quando a população pobre, analfabeta, começa a viver mais. Os pobres estão tendo um salto de anos de vida, de expectativa de vida. Antigamente, o analfabeto pobre morria mais cedo. Agora, vive mais. Fica ali pesando na estatística da taxa de analfabetismo”. Essas palavras lhe renderiam a prisão, se eu tivesse o poder para tanto! Isso é crime, Sr Ministro. É matar a honra de pessoas que, como eu, lutam para fingir que os senhores não falam tantas aberrações. É matar e degustar cada célula dos decentes.

O rico pode viver mais e o pobre não? É isso? Suas palavras me dão o direito de pensar isso. Quer dizer que a culpa é do pobre? Mas que país é esse?
Esse pobre que esse senhor culpa pelo alto índice de analfabetismo é aquele que vota. É tão somente por ele que esse governo corrupto se sustenta; é o toma-lá-da-cá: fique quietinho que lhe damos as bolsas-tudo, mas vote em nós!

Mas culpar o pobre pelo plano desse governo incompetente é crime! É matar a dignidade do povo.
Ah! Se eu encontrasse a lâmpada de Aladim hoje, meus pedidos seriam:
- paz mundial
- planeta alfabetizado e informatizado
- prisão perpétua para palavras e atos contra a dignidade humana

Como veem, se dependesse de mim, esse senhor estaria atrás das grades, junto com todos os outros que se safaram pela pobreza e pelos erros das nossas leis.
Sabem o que pesa na estatística do analfabetismo? O pouco caso que os políticos inisitem em manter com a população, com a Educação.
Vou procurar saber em qual escola se formaram, apenas para me juntar aos seus mestres que, provavelmente, de onde estiverem, estão com a mesma vergonha alheia que eu. Coitados. Esses senhores nem sonham o trabalho que nós, educadores, temos para formar pessoas. E muito menos imaginam o quanto dói perceber que alguns se desviaram. Trabalho perdido?
Lamento muito que esses corruptos não façam parte dos pobres que, segundo as “brilhantes” palavras do Sr Ministro, prejudicam a estatística. Talvez ao menos fossem humildes!

Até quando teremos de conviver com absurdos batendo na nossa cara? Está tão claro o por quê do Brasil estar sempre nos últimos lugares em ranking sobre Educação.
Precisamos cuidar das nossas crianças, oferecer-lhes escola, ensino, socialização, para que tenham a perspectiva de um futuro, para que possam sonhar com a possibilidade de uma vida adulta digna, sem que seja necessário ganhar alimentação em troca de votos. Isso não é dignidade.

Perguntem a um analfabeto se é bom sê-lo, se perdeu oportunidades na vida pela falta de estudo.
Não é o pobre que pesa na estatística. É a incompetência e o desrespeito de políticos que não se importam com o povo, apenas consigo mesmo.

05 de outubro de 2013
Lígia Fleury é psicopedagoga, palestrante, assessora pedagógica educacional, colunista em jornais de Santa Catarina e autora do blog

(DES) ILUSÕES

O apartheid na África do Sul terminou oficialmente em 1994. Miragem ? Um casal branco de classe média, Julian e Ena Hewitt, resolveu fazer uma experiência. Junto com seus filhos pequenos, mudaram-se para uma das muitas favelas horizontais que circundam Pretória.
Saíram de um apartamento confortável e passaram a dividir um barraco de nove metros quadrados, sem eletricidade nem água corrente. Disseram que queriam ter uma perspectiva realista de como vivem milhões de sul-africanos, negros em sua enorme maioria, jogados numa miséria que persiste apesar dos avanços políticos.
A elite branca continua controlando a economia, praticamente domina os espaços políticos e os principais meios de comunicação, possui os melhores imóveis, ocupa os melhores empregos. Os Hewitt passaram um mês tomando banho com baldes, compartilharam latrinas com vizinhos, usaram vans coletivas para se locomover.
 
Tangenciaram, por breves trinta dias, os resultados do que é sobreviver com menos de US$ 10 por dia. Seriam turistas exóticos dentro de seu próprio país ? Humanistas solidários com a pobreza ? Idealistas que acreditam no poder multiplicador dos “bons exemplos” ? Oportunistas atrás de um potencial best-seller?
A verdade é que não há resposta única. A segregação racial ficou tão entranhada no ethos nacional sul-africano que os brancos empobrecidos criaram seus próprios bairros, separados das townships negras. Viver, mesmo que por um breve período, nas terríveis condições dos miseráveis, não dá acesso ao psiquismo da sobrevivência dessas pessoas. Menos ainda aponta saídas “amigáveis” para um problema que tem raízes na história, na política, em múltiplas desigualdades.

CARIDADE E SALVAÇÃO
A má consciência de setores da classe média confunde, não raro, caridade com salvação. Empurrados por um sentimento de culpa, alimentam a ilusão de que a soma de pequenos gestos resultará numa grande transformação. As andorinhas farão, juntas, um belo verão. Será?
 
No século XIX, fermentados por ideais revolucionários, os populistas russos resolveram despir-se de sua origem de classe e foram para as fábricas, trabalhar e viver como operários. Teriam não apenas uma visão por dentro da exploração, mas estariam, pensavam, em posição privilegiada para doutrinar os trabalhadores e acelerar as mudanças.
Não funcionou. Grupos da esquerda brasileira tomaram a mesma iniciativa durante a ditadura militar e igualmente fracassaram. Partiram de uma ilusão, o troca-troca da consciência de classe, e não chegaram a lugar algum.
 
Não faz muito tempo, o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore produziu um interessante documentário sobre aquecimento global e as ameaças climáticas para a vida na Terra. Uma verdade inconveniente mostra, com abundância de informações, os estragos que a ganância provoca no frágil equilíbrio ambiental do planeta.
É contundente na revelação dos vilões desta história, ou seja,  grandes corporações e governos lenientes, abraçados nessa marcha para a extinção anunciada.
 
No entanto, quando sugere o que fazer, cai a máscara do liberal iludido e ilusionista. Propõe que “cada um cumpra o seu papel”, que ninguém compre lâmpadas com baixa eficiência energética ou tome banhos prolongados. Que se cultive o lixo reciclável.
Palmas para ele, ora, mas nem uma palavrinha sobre os grandes poluidores e a rede legal que protege suas atividades e protela soluções radicais e duradouras ? Enfrentar os grandes interesses corporativos, como os da indústria automobilística, está fora da agenda do senhor Gore.
Sem mexer neles, retrocedemos para a geração paz-e-amor, bicho. Bonita, colorida, romântica e … ilusória.

POLÍTICA INTERNACIONAL

Quer fonte mais rica de ilusões do que o teatro, digo, jogo diplomático internacional ? Quantas vezes potências imperialistas entopem nossos olhos e ouvidos com arengas cínicas de intervenções por “razões humanitárias” ?
Sim, vamos matar, trucidar e esfolar a granel, mas, não se preocupem, é por uma boa causa …
Agora mesmo, o presidente Obama, que ativistas do movimento negro já começam a chamar de Bush negro, tenta convencer o mundo de que uma blitz “cirúrgica” contra a Síria seria justificável por conta de um não provado uso de armas químicas pelo governo Assad.
 
Também mostra as garras afiadas para o Irã, que estaria em vias de produzir um arsenal atômico. A empáfia imperial é seletiva e desmemoriada. Nenhum aliado dos Estados Unidos está sendo pressionado a aderir aos tratados internacionais que proíbem a utilização destes armamentos e exigem supervisão internacional. Os ianques, aliás, não se comprometeram a desativar seus próprios arsenais.
Por outro lado, é bom massagear os neurônios e ativar a memória. O único país do mundo que já fez uso de bombas atômicas foram os Estados Unidos. O genocídio de 250 mil civis em Hiroshima e Nagasaki foi um dos crimes mais sórdidos da história da humanidade. Eram cidades sem qualquer importância militar e as vítimas estavam completamente indefesas.
 
Guerra química em larga escala foi inaugurada por Tio Sam no Vietnã. Durante cerca de uma década, entre 1961 e 1971, o povo vietnamita foi castigado com bombardeios maciços de Agente Laranja, veneno altamente tóxico. Cerca de 80 milhões de litros deste produto foram despejados em áreas densamente cobertas por florestas no Vietnã do Sul. Quase 5 milhões de vietnamitas foram expostos ao veneno e três milhões sofreram as consequências diretas da agressão. Quem não morreu de imediato, sofreu graves mutilações. Os descendentes de quem sobreviveu nasceram deformados.

As empresas Dow Chemical e Monsanto, produtoras do Agente Laranja, estão protegidas por um exército de advogados, que embargam qualquer tentativa de julgá-las. Os Estados Unidos jamais se desculparam pelo que fizeram.
Não bastasse essa orgia tanática, documentos da CIA recentemente revelados indicam que os Estados Unidos não só sabiam que o iraquiano Saddam Hussein usaria o gás Sarin na guerra contra o Irã, nos anos 80, como repassaram para o então aliado dados essenciais para sua utilização.
 
Os mesmos documentos mostram que os norte-americanos avaliaram que a repercussão internacional do caso seria praticamente nula. Deu vontade de vomitar ? Não os recrimino. Não se trata de defender o uso indiscriminado de armas atômicas ou químicas. Um mínimo de decência e seriedade, no entanto, sugeriria que as restrições não deveriam limitar-se aos inimigos circunstanciais do Império.
O mundo não é uma Pasárgada, onde a vida é uma aventura inconsequente e o amigo do Rei tem todos os privilégios.
 
O Menino já alimentou um sonho ingênuo. Moleque, sua família tinha uma empregada. Negra, como era comum à época. Dedilhando as primeiras palavras em ídish, resolveu ensinar aquilo à Sebastiana, doce criatura.
Sem muito esforço, Sebastiana aprendia frases elementares, como se fora uma ashquenazita secular. Primeiros degraus, quem sabe, para voos mais altos. Deu em nada. Sebastiana já não existe, o Menino desaprendeu, o ídish está moribundo. A lembrança enternece, mas o golpe na ingenuidade foi definitivo.

CHORANDO PELA COVARDIA CONTRA OS PROFESSORES

                
Nos protestos dos professores em greve no Rio, uma das manifestantes despertava invulgar atenção. Enrolada na bandeira brasileira, sentada no meio-fio, a professora chorava.
A jornalista Ana Carolina Fernandes fotografou-a e conversou com ela. A professora se chama Iracema Dias de Carvalho, tem 58 anos e 15 de magistério. É professora primária em uma escola municipal de Marechal Hermes, na Zona Oeste do Rio.
Ana Carolina Fernandes perguntou a ela:
 
“Por que a Sra. estava chorando? “.
E a resposta:
“Eu choro pela covardia com os professores “.
 
05 de outubro de 2013
Carlos Newton

UM BURACO NO GÊNESIS


Ela é uma menina africana. Eu diria que tem entre 12 ou 14 anos pelo tamanho dos seios. Ela olha diretamente para a câmera fotográfica, sem medo, sem pose. Talvez esteja acostumada a ser fotografada. Talvez seja todo o conhecimento do fotógrafo de tratar com seres, com os humanos, com os animais; com a Terra.
 
A menina está ali, e seu olhar é fixo no meu. Olhar forte mas não desafiador. Não sorri nem faz cara feia. Apenas olha. Sua testa é grande, pois parte dos seus cabelos foram raspados até o seu meio. Nas orelhas, grandes alargadores. Um simples colar ao pescoço, mas os braços exibem várias pulseiras de metal, e algumas sobem para o antebraço. Essas pulseiras mostram sua alta posição na pequena sociedade Mursi, no Omo River Valley, sul da Etiópia, África.

A menina está vestida com um tecido cujas pontas são amarradas sobre o ombro esquerdo. Um exemplo magnífico da simplicidade do vestir para a proteção do corpo. Seria só isso se o tecido não me capturasse a atenção: ele alterna faixas de listras com partes lisas. As listras são visivelmente pintadas, pois suavemente afastam-se da linha reta, como é normal numa pintura à mão, para depois retornarem ao seu caminho original. Nas laterais do tecido que descem do nó sobre o ombro, pequenos bordados de contas bordeiam e finalizam o traje.

SEBASTIÃO SALGADO

O título deste texto já pode indicar que estou escrevendo sobre a exposição do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que vem percorrendo com sucesso os quatro cantos do mundo. Uma exibição especialíssima foi feita no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde as enormes fotografias em preto e branco contrastavam com o intenso verde das cercanias. Embora o trabalho de Salgado tenha outras imagens de maior impacto, a menina Mursi se mostrou especial para mim. E explico o porquê:

Essa menina, jovem e compenetrada, vestida com trajes que simbolizam seu estatus, apresenta bem no meio da sua túnica um buraco, cuidadosamente, embora visivelmente, cerzido. E daí? A túnica não perdeu seu valor simbólico ou funcional por causa desse pequeno incidente. Ela é a mesma de sempre que, ou a acompanha há muito tempo, ou é presente de um parente por ocasião de algum rito de passage. A sua puberdade, talvez?

Esse pequeno buraco, cerzido, me trouxe de volta ao Ocidente, às filas nas lojas de departamento para a aquisição de alguma peça de uma coleção cápsula de algum designer famoso. Recordou-me o último filme de Sophia Coppola, “Bling Ring”, e o relato da gang de jovens wannabes que roubavam roupas, sapatos, joias de celebridades.

INDÚSTRIA DA MODA

Me fez lamentar o exagero no qual se lançou o mundo – ou melhor, a indústria – da moda, que não se contenta mais com as coleções tradicionais de outono-inverno e primavera-verão, que lança coleções intermediárias, resorts, cápsulas, ou seja lá o nome inventado para outras tantas novidades. Chegaremos brevemente ao tempo de uma nova coleção a cada mês, ao non-stop fashion comentado por Constanza Pascolato.

E aquele buraco cerzido da fotografia de Sebastião Salgado me deixou triste e feliz. Triste porque não precisaria existir motivo humano ou social que necessite do constante troca-troca de peles que a moda oferece. E o buraco me deixou feliz, em seu rasgo, em seu cerzido, por pensar que exemplos e modelos de maior integridade pessoal, maior segurança na essência da existência do ser ainda estão espalhados pelo mundo à fora, sobrevivendo à realidade costumeiramente rasa da internet e das redes sociais. Feliz por saber que volta e meia esses exemplos hão de surgir para nos mostrar que há mais alegria e sucesso na vida ao exibirmos, orgulhosos e displicentes, nossos buracos cerzidos.

(transcrito de O Tempo)
Mariana Rodrigues

EM TEMPOS DE MUDANÇA, O CENÁRIO MAIS PROVÁVEL É A REELEIÇÃO DE DILMA

   
 
Quando Lula conseguiu eleger Dilma Rousseff como presidente da República, abriu-se a possibilidade de que o lulismo se projetasse como força política dominante por mais oito anos e, até mesmo, de que se renovasse adiante por mais um ou dois mandatos.

O lulismo tinha seus alicerces fundados em um sólido apoio partidário, sindical e empresarial, apoio do sistema financeiro e dos movimentos sociais, além de imensa popularidade. Três anos de gestão Dilma destruíram esse apoio.

Os sindicatos estão rachados. Pelo menos duas centrais sindicais devem ter projetos autônomos em relação a Dilma: a União Geral dos Trabalhadores (UGT), que apoiará o PSD, e a Força Sindical.
Os movimentos sociais estão divididos e desestimulados. Já não demonstram o mesmo apoio.

O empresariado está decepcionado com o andamento da economia, com as idas e vindas intervencionistas, entre outras questões.

O mercado financeiro, que se convenceu de que Lula era um bom negócio, perdeu o encanto com o governo e, diretamente, pune a economia real com doses de desconfiança.

Paradoxalmente, Dilma Rousseff continua favorita para ganhar as eleições à Presidência em 2014, apesar de ter tido a sua popularidade demolida pelas manifestações de rua em junho. Agora, aos poucos, vai recuperando essa popularidade, mas nada será como antes. Dificilmente, com a economia funcionando devagar, ela voltará aos 70% de aprovação.

A mais recente pesquisa CNI/Ibope sobre a avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff apontou que a aprovação (ótimo/bom) subiu seis pontos percentuais (de 31% para 37%) no período entre julho e setembro. A avaliação regular oscilou positivamente dois pontos (de 37% para 39%), enquanto a avaliação negativa (ruim/péssimo) caiu nove (de 31% para 22%).

O Ibope também apontou uma ampliação da vantagem da presidente Dilma Rousseff (PT) em relação aos seus principais adversários, o que representa um aumento do seu favoritismo na busca pela reeleição. A mídia eletrônica, que não gosta de Dilma, tenderá a ser mais agressiva na pré-campanha.

Em especial, se os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB) mostrarem real viabilidade. Marina Silva (Rede Sustentabilidade) ainda é uma incógnita.

DOIS CENÁRIOS

O que temos pela frente são três cenários básicos. O primeiro é a reeleição de Dilma. Dele se desdobram dois subcenários: um novo mandato forte a partir da reeleição e com um ambiente econômico mais ativo, ou um mandato fraco com a base ainda mais dividida e desconfiada.

O segundo cenário é o de Dilma fora da competição, abrindo lugar para Lula. É um cenário improvável, mas não impossível. Lula poderá concorrer para salvar o lulismo. No entanto, não é uma opção fácil; exige uma pilotagem muito precisa para dar certo.
O terceiro cenário é o da vitória de um dos candidatos de oposição.

O cenário mais provável, no momento, é o da reeleição de Dilma, seguindo-se um novo mandato com fragilidades políticas maiores. Isso porque, primeiro, o governo Dilma não tem credibilidade no meio político. Sua palavra pouco vale, o que gera retaliações e dificuldades nas negociações políticas.

O segundo aspecto reside no fato de que a capacidade de fazer mágicas na economia parece limitada. Não chegaremos a comprometer os fundamentos, mas tampouco teremos uma gestão de excelência.

O terceiro aspecto é que o lulismo carece de um sucessor para Dilma. Assim, a partir do primeiro dia de uma nova gestão Dilma, se abrirá uma surda disputa fratricida pelo posto de candidato do lulismo.
A salvação do segundo mandato de Dilma e do lulismo está no ambiente econômico. Porém, até agora, os sinais não são estimulantes.

REITORES DE UNIVERSIDADES FEDERAIS DO RIO CRITICAM VIOLÊNCIA CONTRA PROFESSORES MUNICIPAIS




Rio de Janeiro – Os reitores das universidades federais do Rio assinaram nota na qual repudiam e expressam preocupação com os atos violentos cometidos contra os professores da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, que decidiram manter a greve.

“Como representantes de instituições formadoras de um número expressivo de professores que atuam na rede pública, somos instados a nos posicionar, repudiando atos que colocam em risco a integridade física e emocional de profissionais que são responsáveis pela formação de crianças e jovens que representam o futuro de nosso estado e do país”, diz a nota.

Os reitores também pedem aos poderes constituídos do estado, sobretudo a Câmara de Vereadores, que se sensibilizem com as demandas apresentadas pelos professores e abram canais efetivos de negociação. “De forma a que um legítimo plano de carreira represente os anseios do conjunto dos trabalhadores da educação e permitam o retorno à normalidade das atividades, garantindo que o processo educativo, tão necessário e primordial, se efetive e possamos oferecer à sociedade o ensino de qualidade pelo qual tanto lutamos e almejamos”, concluiu a nota.

Assinam o documento os reitores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Ana Maria Dantas Soares; da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Antônio Levi da Conceição; da UniRio, Luis Pedro San Gil Jutuca; e da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto de Souza Salles, além do diretor-geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet- RJ), Carlos Henrique Figueiredo Alves.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDuas coisas inaceitáveis: a violência da PM contra os professores municipais do Rio e a participação de vândalos do grupo Black Bloc nas manifestações dos grevistas. A situação chegou a um tal ponto no Rio de Janeiro que as agências bancárias nas áreas onde há manifestações não tem mais vidraças. Todas estão cobertas por um compensado vermelho, ordinário e barato, chamado Madeirit, e não funcionam mais 24 horas com as caixas eletrônicas. Ao invés de prender os Black Blocs, a PM ataca os professores. Aonde vamos parar? (C.N.) 

05 de outubro de 2013
Cristina Índio do Brasil
 Agência Brasil

LULA ESQUECE QUE FOI ELE QUEM DEMITIU DIRCEU DA CASA CIVIL


Numa  entrevista ao Correio Braziliense, reproduzida segunda-feira passada pelo O Globo e Folha de São Paulo, o ex-presidente Lula afirmou que se tivesse, hoje, que nomear ministros para o Supremo Tribunal Federal, usaria de mais critério. Diante das informações que possuo agora – acentuou – faria opções diferentes. Dos atuais onze ministros, recorda a FSP, Luís Inácio da Silva indicou Joaquim Barbosa, Dias Toffoli, Carmen Lúcia e Ricardo Levandowski. E assinalou: a história vai mostrar que, mais do que um julgamento, o que nós tivemos foi um linchamento por parte da imprensa brasileira. 
O ex-presidente da República, sem dúvida, concentrou seu pensamento na situação de José Dirceu, inclusive porque a expressão linchamento vem sendo usada por diversas pessoas próximas àquele acusado. Lula, entretanto, não tem razão. Pois foi ele quem demitiu José Dirceu da chefia da Casa Civil de seu primeiro governo, embora antes o tenha chamado de capitão do time. Dirceu era praticamente o primeiro-ministro de sua administração. Assim, apesar da preferência e da precedência, Lula encontrou Ruiz suficientes para afastá-lo do ministério. E não é só; não intercedeu por ele no episódio que culminou com a cassação do mandato de deputado pela maioria absoluta da Câmara Federal. 
A lógica indica, com base no raciocínio desenvolvido pelo próprio Lula, que, se houve linchamento por parte do STF, linchamento maior em relação a José Dirceu foi praticado exatamente por ele, Lula. Sendo que, na Corte Suprema, Dirceu pode se defender, o que não houve no caso de sua demissão. Ou houve, mas nela Lula não acreditou, tanto que o exonerou. Isso de um lado. De outro, a qual ministro ou quais ministros o ex-presidente se referiu a ponto de alterar as indicações que fez? 

 Dias Toffoli e Levandowski votaram favoravelmente a Dirceu, absolvendo-o do crime de formação de quadrilha. E aceitando os embargos infringentes como recurso legítimo dos condenados que alcançaram pelo menos quatro votos para se livrarem de punição. Lula, no fundo, só pode  estar se referindo a Joaquim Barbosa e Carmen Lúcia, embora esta tenha votado contrariamente à prisão imediata de condenados cujas sentenças tenham transitado em julgado. Caso de Dirceu, relativamente à pena por crime de corrupção ativa, contra a qual não recorreu. Seu recurso volta-se exclusivamente para a pena por formação de quadrilha. Mas quem foi, afinal, a principal figura do mensalão?

Na entrevista ao Correio Braziliense, Lula falou também sobre temas políticos, entre os quais a dúvida se Marina Silva conseguirá ou não criar seu próprio partido, o Rede Sustentável. No caso de não obtendo êxito junto ao TSE, importante é saber, destacou, para quem  irão os seus votos nas urnas de 2014. A resposta à pergunta é simples, digo eu: para Dilma Rousseff. Tanto assim que na recente pesquisa do Ibope a descida de 6 pontos na posição de Marina Silva (de 22 para 16%) corresponde a um avanço de Dilma Rousseff na escala de 8 pontos.

Sem Marina no páreo, o panorama melhora para a atual presidente da República. Com Marina, a tendência é haver segundo turno. Sem Marina, Dilma obtém a maioria absoluta no primeiro domingo de outubro de 2014 e será reeleita sem maior dificuldade. Aliás como a pesquisa do Ibope sinaliza se o pleito fosse hoje.
05 de outubro de 2013
Pedro do Coutto

A PROFESSORINHA E O VÂNDALOS DA POLÍCIA MILITAR DO (DES) GOVERNADOR 'GUARDANAPO CABRAL'


Esta foto mereceria ser capa da antiga revista Life ou de qualquer uma das nossas revistas semanais ( Veja, Época, Istoé, até mesmo da governista CartaCapital) : a professorinha só, ante a turba de vândalos da Polícia Militar do Rio de Janeiro!
Francamente, bater em professores primários em greve! A que ponto chegamos… E pensar que este Sérgio Cabral é filho de ex-comunista, e ele mesmo foi comunista na juventude… Hoje, aliado principal de Lula e Dilma no Rio de Janeiro, trata assim, “no pau”‘, as professorinhas e jovens professores em greve.
 
Há dois “causos mineiros” que são famosos na politica mineira e nacional. Certa vez, os professores mineiros das escolas primárias em greve, o Beltrame da época sugeriu ao então governador Milton Campos (da UDN, mas uma espécie de figura acima do bem e do mal dos anos 50):

- Governador, mandamos um batalhão de choque para dissolver os manifestantes?
 
A resposta antológica do Milton Campos :

- O melhor é mandar o trem pagador…
Naquela época, o salário dos funcionários era pago em um trem pagador que saía pelas cidades do interior.
Que falta faz um Milton Campos para dizer para o Beltrame e a Cláudia Costin que é melhor mandar um trem pagador do que jogar gás de pimenta nas professorinhas…

TANCREDO OU ALCKMIN?
O outro caso aconteceu com o Tancredo Neves ( ou foi com o José Maria Alckmin ?, outro político da velha escola política mineira – como nos faz falta a velha escola política mineira…).
Também em uma situação de greve de professoras primárias, o Tancredo dizia que não se deve brigar em hipótese nenhuma com as professorinhas :
-Elas dão aulas para nossos filhos, o poder de irradiação da influência das professorinhas é imenso ! Cada professorinha tem contato com dezenas de famílias…
Brigar com elas é perder a eleição na certa. Tinham razão o Milton Campos e o Tancredo (ou seria o José Maria Alckmin?). Não se deve brigar com as professorinhas… Brigar com elas é perder a eleição na certa!

(artigo enviado por Mário Assis)
05 de outubro de 2013
Maurício Dias David

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Que as professorinhas duplamente oprimidas (pela truculência da PM e pelo miseráveis salários) tenham a consciência de levar para as urnas a violência de que foram vítimas.
Elas sabem que o resultado da aviltante educação de nossas crianças, das precárias - para não dizer paupérrimas instalações dos grupos e colégios públicos - resulta do voto errado, nos políticos errados, nos partidos errados...
Elas sabem que numa democracia, o valor do voto é de suma importância, para descartar a canalha oportunista que que se agarra ao poder para exercê-lo em causa própria, surrupiando o dinheiro que se destina a saúde, a educação, a segurança, ao saneamento e a infraestrutura, descaradamente com a certeza da impunidade.
Os corruptos estão por toda a parte, fazendo o seu papel cínico de 'bom moço', engando o desprevenido eleitor com o seu balaio de boas intenções e promessas, de que o inferno está cheio.
Atenção, professorinhas! Façam valer o seu título de eleitor! Não se deixem ludibriar por essa cambada na hora do voto!
Basta de levar porrada!!!
m.americo

UMA JANELA PARA A HISTÓRIA RECENTE

Asilados, exilados, refugiados. Pânico e pavor dos ditadores, pela ordem: guerrilheiros, Arraes, Brizola, Jango. Por que tantos foram torturados, assassinados, desaparecidos?






Muitos me escrevem, me telefonam, perguntam as diferenças entre as palavras e a explicação. Na verdade, a culpa é dos que pretendem informar à opinião pública e acabam provocando confusão maior. As palavras asilados e exilados são continuamente usadas por jornalistas, como se tivessem sentidos semelhantes ou até iguais.

Os primeiros asilados da República em 1889 foram os membros da família real. Todos foram expulsos e mandados viver no exterior. Pode até parecer cruel, não havia como mantê-los aqui.
(Quando a Rússia se transformou em União Soviética, com a vitória da Revolução em 17 de outubro de 1917, toda a família real foi assassinada. Menos crueldade e mais insegurança. Como os Romanoffs estavam no poder há 300 anos, e os soviéticos não conseguiam dominar um país daquele tamanho e totalmente dividido, optaram por essa forma).

No Brasil, além da família real, só houve um asilado: o primeiro-ministro Visconde de Ouro Preto, mas sem base política. O ex-primeiro-ministro e o marechal Floriano, poderoso vice-presidente e ministro da Guerra, estavam apaixonados pela mesma mulher, lindíssima.

O marechal asilou o Visconde, mas ela desprezou o Poder e foi para o exterior com o derrotado. Desespero duplo para o marechal. Não ganhou a mulher e perdeu a autoestima, que era fulgurante.

NOVO ASILO SÓ EM 1930

41 anos depois, o recurso foi utilizado, de forma surpreendente. Houve a eleição (da forma que havia na época, Vargas perdeu para o governador de São Paulo, Julio Prestes (de nenhum parentesco com o próprio). Não se pensou mais em revolução, até o assassinato do governador da Paraíba, João Pessoa, sobrinho do ex-presidente Epitacio Pessoa, que derrotara Rui Barbosa em 1919.

A vitória da Revolução foi fácil em 3 de outubro. Vargas, que seria chefe do governo provisório, não pôde sair do Rio Grande do Sul, teve que ser nomeada uma “Junta Militar”‘. (Dois generais, Leite de Castro e Tasso Fragoso, um almirante, Silvio Noronha. Não havia brigadeiro, o Ministério da Aeronáutica só seria criado em 1941, com um civil, Salgado Filho. Que depois, candidato ao governo do Rio Grande, morreria num desastre de avião).
 
Getúlio chegou ao Distrito Federal no dia 24, e no mesmo dia assinou decreto asilando nos EUA o já ex-presidente Washington Luiz, fora do Poder. Asilou também um único ministro, Otavio Mangabeira, chanceler. O ex-presidente ficou nos EUA até 1945, Mangabeira veio antes, até se elegeu governador da Bahia. (Embora o grande Mangabeira tenha sido o irmão João, deputado socialista em 1945).
 
Sofrendo de problemas na garganta, superou tudo, se transformou num orador admirável e admirado. Joel Silveira, um dos maiores jornalistas, chegou da FEB (correspondente dos Diários Associados), foi dirigir a revista “O Mundo Ilustrado”, do Diário de Notícias. Fez entrevista com João Mangabeira e Domingos Velasco, também deputado. Como os dois confessaram que eram socialistas e católicos, Joel colocou no título: “Na esquerda, com Deus”. Notável.
 
Quando a revista saiu, foram almoçar no Hotel Serrador, em frente ao Palácio Monroe (Senado, criminosamente derrubado pelo general Geisel, que acreditava que era mesmo presidente). Gostaram da fidelidade da revista, mas riram muito do título. Bons tempos aqueles, jornalistas e políticos almoçavam juntos, e tranquilamente dividiam a conta.
 
O 9 DE JULHO DE 1932 EM SÃO PAULO
 
Em 1929, com a queda de Wall Street, São Paulo sofreu terrivelmente. Plantando e colhendo 92 por cento de todo o café bebido no mundo (outros dois por cento pelo Estado do Rio e mais dois pelo Espírito Santo), São Paulo entrou em crise. Em 1932, incentivado, insuflado e instigado pelo jornal “Estado de S. Paulo”, dirigido pelo doutor Julio de Mesquita Filha, fizeram o que entrou na História como a “Revolução Constitucionalista”.
 
As tropas “legalistas” liquidaram a “revolução” rapidamente. Vargas não esqueceu que se julgava “maquiavélico”, e agiu como se fosse. Nomeou interventor de São Paulo Armando Sales, genro do doutor Julio. Aceitaram como se não tivesse acontecido nada, mas Vargas não esqueceu.
 
O ESTADO NOVO DE 37 E A VINGANÇA DE VARGAS
 
No dia 10 de novembro, implantou o que chamou de Estado Novo (e o Barão de Itararé definiu, “o estado novo é o estado a que chegamos”), não esperou muito. No mesmo dia, mandou para o asilo em Portugal o próprio dono do “Estado de S. Paulo”. Ele não esquecia mesmo.
 
Com este decreto, asilou também em Portugal o ex-presidente Artur Bernardes. Ninguém entendeu e muito menos este repórter. Bernardes era extraordinário nacionalista. Como governador de Minas e depois presidente, fez tremenda campanha contra a Hana Minning, que tinha o monopólio do minério de Minas e do Brasil.
 
O presidente Bernardes voltou em 1945, com 80 anos, se elegeu deputado, para que o filho, também asilado, pudesse ser senador. Este repórter, praticamente com um quarto da idade dele, ficamos amicíssimos, conversávamos diariamente nos quase 8 meses da Constituinte.
 
Idem, idem, com Pedro Aleixo. Num de seus aniversários, que passou na Casa de Saúde São Vicente, só a mulher, o filho padre, a filha diretora da Biblioteca Nacional e eu. Depois se elegeu vice de Costa e Silva, este “incapacitado”, não pôde governar. Veio nova “Junta Militar”.
 
O FIM DA DITADURA DE 45 E A CURIOSA ELEIÇÃO, 33 DIAS DEPOIS
 
Esses dois fatos são rigorosamente históricos. Todos aqueles que ficaram 15 anos no Poder se candidataram. Não houve cassação nem inelegibilidade. E a legislação da época permitia que qualquer cidadão se candidatasse simultaneamente a deputado por seis estados, e a senador por um.
Vargas e Prestes fizeram a festa.
Eleitos deputados e senadores (Prestes, no então Distrito Federal, se elegeu ao mesmo tempo deputado e senador), tinham que optar, lógico escolheram o Senado.
 
Os comunistas, que elegeram 14 deputados, ficaram só até 1948. O Partido Comunista teve a legenda cassada, mas todos já estavam longe, ou aqui mesmo, no que eram mestres: a clandestinidade.
 
Vargas foi apenas duas vezes ao Senado, em 1950 se elegeu presidente. Uma gestão tumultuada, que terminou com seu historicamente genial suicídio. Nesse período só houve um exílio, o de Carlos Lacerda. Aconselhado por Afonso Arinos e Adauto Cardoso, se exilou na Embaixada de Cuba, numa casinha despretensiosa, na Avenida Copacabana.
 
O embaixador era admirador de Lacerda, a embaixatriz tinha ódio. Lacerda viajou para a Europa, voltaria no final do ano, retomaria o mandato de deputado.
 
ASILADOS E EXILADOS DO GOLPE DE 64, SURGIRAM OS REFUGIADOS
 
Como os golpistas começaram prendendo, torturando, matando e “desaparecendo”, alguns não tiveram tempo para nada, às vezes conseguiam atravessar a fronteira. Foi o caso de Jango e Brizola, que não podiam ficar no Brasil. Foram para o Uruguai.
 
Jango conseguiu ficar em Montevidéu. Brizola ficou algum tempo em Montevidéu, deu entrevista a um jornal, o governo dos generais exigiu a sua internação. Foi mandado então para uma cidadezinha a 60 km da capital, onde ficou até 1979, quando os generais-ditadores implantaram a “anistia”, que só servia a eles. E que o Supremo reconheceu e ratificou 20 anos depois.
 
O ACORDO COM ARRAES
 
Foi o primeiro a ser preso, no próprio dia 1º de abril. Com ele, Seixas Doria, também governador, de Sergipe. Foram mandados imediatamente para Fernando de Noronha. Que fora prisão política (com mais de 100 presos, alguns famosos), depois penitenciária. Nunca ninguém fugiu de lá, não havia embarcação, Natal e Recife, duas cidades muito distantes.
 
No início de junho apareceu um coronel (fardado), vindo num avião militar. Foi conversar com Arraes. O coronel não perdeu tempo, fez a proposta: “Eu tenho poder total para decidir. Se o senhor aceitar, sai daqui comigo agora, eu o deixo no Recife, o senhor tem uma semana para ir para onde quiser ou escolher, no exterior”.
 
Arraes aceitou na hora, lógico, nenhuma hesitação. No prazo marcado, sozinho, viajou para Paris. Mas não era seu destino. Já estava tudo acertado. Iria para a Argélia, dominada por um governo comunista, chefiado pelo “camarada” Boumediene. Em 1978, ele morreu de uma doença sanguínea, com suspeita de envenenamento. Arraes ficou até 1979, voltou e foi novamente governador, não deu para ser presidente.
 
MATARAM MUITOS, ASILARA POUCOS. SÓ EM 1968, EXILADOS.
 
Os que não se sentiam bem no Brasil iam embora, era só comprar a passagem e viajar. Os que eram da UNE da resistência (não a de hoje, governista) foram para o Chile, estavam ameaçados mesmo. Ficaram até 1973, houve o golpe também lá, tiveram que sair. Alguns já estavam nos EUA ou na Europa, fazendo cursos.
 
O regime foi endurecendo, veio o AI-5, ameaça geral. Existiam muitos presos, fizeram o sequestro genial do embaixador americano, os mesmos americanos que patrocinaram o golpe não tiveram dúvidas: deram ordens para os generais atenderem a tudo, imediatamente. Começando por ler na televisão o que os sequestradores mandaram. 19 foram soltos, sequestram o embaixador da Alemanha, liberdade para mais 39.
 
Diversos deputados foram cercados, perseguidos, ameaçados. Dois eram jornalistas, Marcio Moreira Alves e Hermano Alves, nenhum parentesco. Marcio levou mais de um mês procurando um lugar para sair do Brasil, as fronteiras, vigiadíssimas. Contou tudo, depois, num livro admirável.
 
Hermano, notável jornalista, viveu os últimos 20 anos em Portugal, onde morreu em 2010. Saiu da seguinte maneira. O senador Afonso Arinos, como chanceler, ficou muito amigo do então chanceler do México, naquele momento embaixador no Brasil.
 
Arinos ligou para ele, perguntou, “me convida para almoçar”. A resposta era sim. Arinos botou Hermano na mala do carro, seguiu para Botafogo, sede da embaixada, que estava cercada, como todas. Mas parar um carro oficial?
 
O embaixador foi esperar o senador na porta, dentro da embaixada. Arinos contou o que estava fazendo, o embaixador disse, “o senhor não podia fazer isso”. Chamou se motorista, falou, “guarde o carro do senador, dirija você mesmo”. Não demorou, os três estavam almoçando, Hermano uma semana depois viajando para a Europa.
 
Waldir Pires, Darcy Ribeiro e outros que trabalharam com Jango, entraram na embaixada da Iugoslávia, o governo não criou problemas, foram todos para a Europa. Samuel Wayner estava na embaixada do Chile (36 pessoas num quarto e sala), conseguiu sair depois de dois meses. Foi para Paris.
 
EXPLICAÇÕES FINAIS SOBRE ARRAES, JANGO, BRIZOLA, LACERDA

Arraes – Não tiveram complacência com ele. Tentaram apenas resolver um problema. Preso, não tinham certeza de mantê-lo vivo.
Solto, se transformaria em mártir ou ídolo. Separados pela distância, ficaram tranquilos.

Jango – Nenhuma preocupação. Lembravam do Jango ministro do Trabalho, derrubado por alguns desses generais (então coronéis) em 1952, porque dobrou o salário mínimo. Saiu, não protestou, não reagiu. Achavam que teria o mesmo comportamento. Acertaram.

Brizola – Era a grande preocupação, aqui ou no exterior. Foi vigiadíssimo durante 15 anos, sabiam que com ele não haveria diálogo possível. Nem tentaram.

Lacerda – Ficaram felizes por estar do lado deles. Só que o ex-governador não apoiou o golpe e sim a própria candidatura presidencial, obsessão dele e de Brizola. Em 1965, antes da “Frente Ampla”, insistiram que fosse embaixador na ONU. Queriam se livrar dele. Nem conversou.

LACERDA, UM PÉSSIMO ANALISTA

Depois da “Frente Ampla”, foi abandonado por todos, principalmente os militares que o adoravam, agora desprezavam. No AI-5 foi preso no dia 13, cassado e asilado no dia 30. No dia 2 de janeiro, viajou para a Europa, teve a consideração de ir se despedir de mim e de Mario Lago, ficamos muito mais tempo.

Lacerda era um péssimo analista. Quando queria deslindar um problema, era a mim que recorria. Quando sabia o que eu ia dizer, era de mim que ele fugia. Sofreu muito. Jamais imaginou que ficaria tão sozinho e abandonado. Antes de viajar, escreveu artigo extraordinário, com o título: “Carta a um ex-amigo fardado”.

Desesperado, apaixonado, até surpreendido, tentou um encontro de contas com ele mesmo e com os ex-amigos. Não conseguiu. Ficou quatro ou cinco nos na Europa, voltou, se refugiou na Nova Fronteira, editora que adorava. Mas não abandonou a obsessão da Presidência.

Escrevi várias vezes, “gostaria de ver Lacerda ou Brizola na presidência”. Dialoguei com os dois nesse sentido, não tive o menor sucesso. Brizola ainda foi candidato, Lacerda nem isso.

João Goulart acabou com o futuro dos dois e o presente dele mesmo. Jango, discípulo e protegido sempre por Vargas, estaria glorificado para todo o sempre, se tivesse tido o fim do mestre.

Jango praticou o maior erro de todos: suicídio político, se mantendo vivo. Jogou o país na tragédia ditatorial de 21 anos. E ele mesmo, naufragou no ostracismo, sem direito a reabilitação, até mesmo histórica.

05 de outubro de 2013
Hélio Fernandes

A INCOMPETÊNCIA QUE NÃO SE PODE PÔR DEFEITO...

Tarso Genro é incompetente a ponto de transformar a filha em adversária política figadal

Nó familiar – Se em Porto Alegre a família Genro pensava em se reunir no final de semana, o programa tem tudo para ser cancelado por causa da rebelião que se instalou no clã do peremptório Tarso Genro (PT), governador do belo e importante Rio Grande do Sul.

Na última terça-feira (1), a polícia gaúcha cumpriu determinação da Justiça local e apreendeu computadores, documentos e livros nas casas de integrantes do PSOL e do PSTU, acusados de integrarem o “Bloco de Luta”, grupo que defende o passe livre no transporte público no estado.

Militante do PSTU, o estudante Matheus Gomes afirmou que a polícia levou seu computador e documentos políticos. A residência do ativista Lucas Maróstica (PSOL) também foi revistada pelos policiais. Na verdade, o que a polícia apreendeu foram, além dos computadores, livros sobre comunismo.

Em nota, o PSTU classificou ação da polícia como “postura repressiva do governo”. Por outro lado, o governador rebateu a acusação. “Quero ressalvar que o governo não tomou qualquer atitude que pode ser entendida, de forma equivocada, como ação de repressão aos movimentos sociais.
Não compactuamos com qualquer tipo de sindicância ou perseguição. Na nossa opinião, os atos criminosos não foram realizados por militantes políticos”, disse Tarso.

Acusações e negativas à parte, para quem combateu a ditadura militar e diz ter sido obrigado a fugir para o Uruguai durante a era plúmbea o governador Tarso Genro está se revelando, pois ações como a desta semana são típicas de regimes totalitaristas.

As animosidades na família Genro cresceram porque a filha do governador, Luciana Genro, filiada ao PSOL, anunciou que na Justiça defenderá o companheiro Lucas Maróstica. É fato que Tarso tentou, sem sucesso, consertar o estrago, mas a lambança foi tamanha que é difícil prever a reação dos investigados, que, sabe-se, lideram os movimentos de esquerda do Rio Grande do Sul.

Com isso, Tarso Genro perde mais terreno em sua empreitada para continuar no Palácio Piratini, sede do governo estadual, por mais quatro anos. Como se não bastassem suas trapalhadas, Tarso arrumou a filha estridente como adversária.

05 de outubro de 2013
ucho.info

REDE SUSTENTABILIDADE. ENFIM NÃO SE SUSTENTOU!


E começou com um Tupiniquismo absurdo a tentativa de lançar um novo partido da egressa do pt, Marina Silva, aquela política que tem cara de assistido por bolsa família que perdeu o cartão.
 
Ou de doméstica que perdeu o busão...Que me perdoem as domésticas, mas a comparação é inevitável.

Bem, eu aqui nunca acreditei nessa senhora, na verdade ela, para quem pensa um pouco, é o contraponto da oposição, ou seja, ela sai candidata por alguma legenda de aluguel qualquer, e acaba dividindo os votos dos que não votam no pt nem para salvar a própria mãe.

Dona Marina saiu em uma aventura rocambolesca partidaria eleitoreira e sapecou a criação do tal Rede Sustentabilidade...
Deu no que deu, a "justiça" eleitoral acabou torpedeando o sonho bizarro do 33º partido político na Pocilga.

MAS....Parem para pensar...Deu uma puta zebra nas assinaturas da criação da "Rede". Pelo que se lê na imprensa, parece que a imensa maioria, ou parte das assinaturas colhidas para a criação do novo partido foram fraudadas....FRAU-DA-DAS!!! 

E acabou que faltaram 50 mil assinaturas para a criação de mais um partido para ganhar dinheiro do fundo partidário, alugar a legenda e receber uns por fora na hora de apoiar este ou aquele feladapota que chegar ao segundo turno.

Imaginem o que aconteceria se o partido fosse criado e Marina conseguisse a eleição, como é que poderíamos acreditar em uma "política" que se diz diferenciada e ética que já nos primeiros cinco minutos de jogo foi expulsa de campo por conta dessa manobra trampolineira e safada?

A candidatura dessa senhora só seria boa para o pt, pois,  a divisão dos votos alavancariam os eternos 30% de votos que os ratos vermelhos sempre recebem dos desavisados e panacas de plantão.Agora que a Rede Sustentabilidade não se sustentou, veremos os desdobramento dessa novela, quem será que a candidata dos "politicamente corretos de plantão" irá apoiar?

Façam suas apostas, eu aqui tenho a mais absoluta certeza de que ela vai de pt, afinal, mesmo com essa cara de morta de fome, Marina é uma loba em pele de crente.
E no mais, espero que o Brasil um dia se torne um país sério, mas com os políticos que temos e um povo sem noção... É impossível!!!!
 
05 de outubro de 2013
omascate

SE O ESTADO É LAICO, POR QUE ENSINAM MARXISMO NAS ESCOLAS?

 

Education-Indoctrination-Center

Há tempos atrás li a história de um aluno neo-ateu que decidiu processar a escola por que a professora exigia que ele rezasse o Pai Nosso em sala de aula.
 
Nas redes sociais, ele se tornou um ícone dos neo-ateus. Nos Estados Unidos, uma neo-ateísta, Jessica Ahlquist, processou sua escola por que havia um quadro com uma prece na parede.

Entre os conservadores cristãos, muitos se indignaram com as duas figuras, quando na verdade poderiam agradecê-los pelo precedente aberto. 
 
Em nome do estado laico, pode-se, enfim, exigir que tanto doutrinação marxista como doutrinação positivista sejam expulsas de sala de aula.

Infelizmente, hoje temos muitas pessoas mal informadas a respeito do que de fato significa estado laico. Absurdamente, muitos acham que as regras do estado laico se aplicam somente a religiosos tradicionais, criando uma terra sem lei para anti-religiosos ou não-religiosos.

Diante desse erro grosseiro de entendimento, os conservadores cristãos vêem-se na obrigação de ficar na defensiva, enquanto a esquerda capitaliza com essa “brecha” lógica de maneira extremamente fácil. Mas na verdade, estado laico significa um estado oficialmente neutro em relação às questões religiosas. Todas elas.

Por questões religiosas, entendemos coisas como “O cristianismo é melhor que o islamismo?” ou “As religiões tradicionais devem ser banidas?”. Ambas são questões religiosas, pois a tomada de posição de acordo com suas respostas pode privilegiar pessoas e grupos de acordo com sua postura em relação a essas questões.

Sendo assim, tanto a afirmação “só o cristianismo é válido” como “nenhuma religião tradicional é válida”, se feitas em escolas estaduais, violam o princípio do estado laico.
Repetindo: se a primeira afirmação viola o princípio do estado laico, a segunda viola da mesma forma, e essa é uma constatação lógica da qual não podemos fugir, a não ser que você tenha caído no truque da esquerda de achar que estado laico é uma regra proibindo a manifestação do cristianismo, ao mesmo tempo em que cria uma terra sem lei para outras religiões minoritárias, especialmente inimigos da religião tradicional e, ainda mais, os inimigos do cristianismo.

O problema é que a definição macaqueada de estado laico não tem nada a ver com o que esse conceito significa. Na verdade, aquilo que os esquerdistas defendem é violação do estado laico, enquanto fingem defendê-lo. Nada mais previsível para ideólogos que se inspiram em gente como Trotsky e Lenin, que defendem o uso da mentira como método de guerra política....cont. aqui:
 
http://lucianoayan.com/2013/10/05/se-o-estado-e-laico-nao-podemos-aceitar-doutrinacao-marxista-e-nem-positivista-em-sala-de-aula/

COMENTÁRIO DO SICÁRIO

UM COMENTARIO DEZ DO MEU AMIGO SICARIO

Amigo Sicario, quanto tempo, hein? Feliz em te-lo como colaborador mais uma vez. Tomo a liberdade de postar o seu comentario que e de grande valia para mim.

Teresa...


Por mais que não goste, sou obrigado a admitir que Lula tem razão. Onde, senão na latrina do mundo, um índio cocalero, um metalúrgico que nunca trabalhou ( viveu parasitando um sindicato e continua parasitando um país), uma viúva negra alegre, um bispo que sofre de priapismo, um imbecil que vê Chavez no corpo de um pássaro e outros tantos seriam capazes de eleger-se?
Onde, senão na latrina do mundo, tantos idiotas seguiriam as diretrizes de uma múmia que se adonou de uma ilha???
Com certeza, na Europa não!!!!!

Ao sugerir a Obama que este deveria olhar a América do Sul, latrina do mundo socialista, Lula alertou os EUA sobre a enorme quantidade de cretinos morais, intelectuais e ideológicos que infestam o sul do continente.
Talvez tendo seguido o conselho do acéfalo Obama, através de suas agências, tenha se convencido o quão importante é ficar observando o cone sul e a proliferação de tiranetes populistas e sua política externa distorcida e perniciosa.

Lula, mais do que ninguém, é capaz de pensar e dar voz ao pensamento de que as FARC, grupelho criminoso, composto por traficantes a terroristas, é capaz de assumir o governo colombiano.

Ele somente não lembrou que seus amigos Dirceu, Dilma, Genoínos etc... são ladrõezinhos, batedores de carteira perto do que é e representam as FARC.

Abs.

Sicário


Muito obrigada, caro amigo Sicario.
 
05 de outubro de 2013
in política sem medo

PALESTRA DE RODRIGO CONSTANTINO: MANUAL PARA A DESTRUIÇÃO DO BRASIL