"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MANTEGA DIZ QUE CRISE DE EIKE AFETOU IMAGEM DO PAÍS. E A CRISE DE DILMA?

 
  • Valter Campanato/ABr
A crise nas empresas de Eike Batista afetou a imagem da economia do país. A opinião é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que participa de evento em São Paulo nesta segunda-feira (30).
O ministro afirmou que a queda das ações da petroleira OGX "já causou problemas para a imagem do país". Ele disse esperar que a situação da empresa melhore o mais rápido possível.
As empresas do bilionário enfrentam uma séria crise de confiança no mercado e grandes perdas na Bolsa de Valores. Somente neste ano, a OGX perdeu R$ 13,3 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria Economatica.
Na semana passada, Mantega tinha dito que a solução para a OGX não é problema do governo. "É um grupo privado. Não tem uma ligação com o governo e, portanto, a solução da OGX é de mercado. É o mercado quem tem de dizer quando o grupo vai ser saneado e quando vai deixar de causar problemas para o mercado de capitais."
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Veja frases de Eike Batista antes e depois da crise20 fotos

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O empresário Eike Batista, que já foi o 7º mais rico do mundo, passa por uma grande crise em seus negócios. Veja a seguir frases do empresário antes e depois do colapso que atingiu suas empresas Arte/UOL

Economia melhora gradualmente, diz ministro

Mantega lembrou que a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 do Ministério da Fazenda também foi reduzida de 3% para 2,5%, em linha com a estimativa divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira.
Como, no entanto, a economia brasileira avançou acima do previsto no segundo trimestre, ao registrar alta de 1,5% sobre o primeiro, feito o ajuste sazonal, é possível que o PIB cresça acima do previsto este ano, afirmou.
"Estou tendo indicações de que a economia está melhorando gradualmente, nada excepcional", afirmou.
Ainda de acordo com o ministro, o governo segue empenhado em controlar a inflação. Enquanto a tarefa do BC, nesse caso, seria aumentar os juros, a Fazenda pode reduzir custos da economia para esse propósito, afirmou.
Mesmo assim, ele ressaltou que o controle dos preços não depende só do governo.
"Torcemos para que não haja outro choque de oferta sobre inflação. Trabalhamos para reduzir a inflação, dentro das possibilidades", disse.
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Conheça o Pink Fleet, iate de Eike que vai virar sucata30 fotos

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O empresário Eike Batista resolveu enxugar custos, em meio à crise pela qual passam suas empresas. O corte atingiu o Pink Fleet, seu navio cinco estrelas que era alugado para eventos sociais e corporativos na baía de Guanabara, no Rio. Clique na foto para ver mais Divulgação/Grupo EBX
 
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Veja fatos e curiosidades da trajetória de Eike Batista78 fotos

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Confira, a seguir, fatos e curiosidades que marcaram a vida do empresário Eike BatistaArte/UOL
 30 de setembro de 2013
UOL, (Com Reuters e Valor)
 
 

PRESIDENTE DO PT É O DEPUTADO QUE MAIS FALTA NA ASSEMBLÉIA DE SÃO PAULO

Levantamento mostra que Rui Falcão compareceu a pelo menos 187 das 584 sessões em plenário e conseguiu abonar ausências mesmo tendo participado de eventos partidários fora do estado; petista alega que estava no exercício da atividade parlamentar 
 
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, é o deputado que mais faltou a sessões na atual legislatura da Assembleia Legislativa de São Paulo. Até o mês de julho deste ano ele deixou de comparecer a pelo menos 187 das 584 sessões em plenário do legislativo paulista, segundo levantamento feito pelo Estado com base em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. É a primeira vez que a Casa abre os registros de frequência dos parlamentares.
 
Além do presidente do PT, completam o grupo dos dez mais faltosos os deputados Milton Leite Filho (DEM), Roque Barbiere (PTB), Feliciano Filho (PEN), João Caramez (PSDB), Roberto Engler (PSDB), Vanessa Damo (PMDB), Rogério Nogueira (PDT), Pedro Tobias (PSDB) e Gilson Souza (DEM) - todos também com mais de 100 faltas na atual legislatura.
 
Na prática, o número de ausências é provavelmente ainda maior, pois o regimento interno da Assembleia prevê que, quando não há votação em plenário ou pedido de verificação de presença, uma sessão é aberta com o mínimo de 12 deputados na Casa. Neste caso, todos os 94 deputados ganham presença, mesmo que não estejam no legislativo.
 
Para evitar muitos descontos no salário, os deputados costumam se valer de um dispositivo do regimento interno que permite o abono de até quatro faltas mensais. Desde 2011, Rui Falcão teve abonadas 72 faltas com base no artigo 90 do regimento.
 
Contudo, esse mesmo artigo determina que "considera-se presente a deputada ou deputado" que "faltar a 4 sessões ordinárias, no máximo, por mês, a serviço do mandato que exerce". O Estado encontrou diversos casos em que Rui Falcão foi abonado por ausência, mas estava fora do Estado de São Paulo cuidando de assuntos da organização interna do PT ou das eleições de 2012. Isso ocorreu, por exemplo, nos dias 14 e 15 de agosto do ano passado - terça e quarta-feira. O site do próprio deputado registrou que nesses dois dias ele participou de "atividades da campanha eleitoral em várias cidades". Cumpriu agenda em Itabuna, Ilhéus e Vitória da Conquista, todas na Bahia, além de São Luís (MA) e Teresina (PI).
 
Em 1.º e 2 de junho de 2011 ele também foi abonado pelas duas faltas, mas na quarta-feira (dia 1.º) participou de reunião do Conselho Político do governo federal com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília. Na quinta (dia 2), também na capital federal, presidiu a reunião da Executiva Nacional do PT. O site do deputado registrou nessa data: "Rui Falcão discutirá Eleições 2012 e Reforma Política com presidentes estaduais do PT". Essa mesma nota informava que, nos dias anteriores, ele viajara a Goiás, Rondônia e Acre.
 
Uma semana antes, no dia 26 de agosto de 2011, uma quinta-feira, o site do deputado também registrou a viagem que ele fez a Goiânia, durante o dia todo. Uma reportagem intitulada "Rui Falcão inicia viagens pelo País para discutir Eleições 2012 e Reforma Política" dava conta, em seu final, de uma extensa programação, que começaria com a chegada ao aeroporto às 12h30 e terminaria às 21h30. Nesse dia, em que houve sessão na Assembleia, ele nem precisou abonar a falta: teve presença computada.
 
Para efeito de comparação, ele registrou 16 ausências - pelas quais não recebeu salário -, ante as 72 faltas abonadas. Todas as ausências foram computadas em meses em que ele já chegara no limite de quatro faltas abonadas. As demais ausências do petista ocorreram em sessões extraordinárias, que não são levadas em conta para o cálculo da remuneração mensal, mas são consideradas para o cômputo do 13.º salário.
 
O presidente do PT afirma que tem sido um dos deputados mais atuantes.
 
Presença rara. Incumbido da tarefa de comandar o PT nacionalmente, Rui Falcão fica muito na sede do partido em São Paulo, viaja pelo Brasil e pouco aparece na Assembleia. Ele deixou de comparecer a um número maior de sessões do que deputados que tiveram diversas licenças médicas por doenças ou acidentes. Também faltou mais do que parlamentares licenciados por longos períodos entre julho e outubro de 2012 para disputar as eleições municipais.
 
Entre março de 2011 e março de 2013, não abriu mão do cargo de primeiro secretário da Assembleia, responsável por departamentos como o de Finanças e Recursos Humanos. Em 14 de agosto, em um dos dias mais movimentados da Assembleia no ano, quando ocorriam uma manifestação contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a votação de uma importante PEC, a reportagem do Estado flagrou um deputado petista comentando com outro: "Hoje até o Rui veio!" 

30 de setembro de 2013
Fernando Gallo e Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo
COLABOROU VALMAR HUPSEL FILHO

"INCHAÇO DA MÁQUINA ESTATAL SOB O GOVERNO DO PT!



O editorial do Estadão hoje mostra como o PT voltou a inchar o quadro de pessoal do governo. Vejam:
 
Todo o severo ajuste no quadro do pessoal ativo do governo federal realizado durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) foi desfeito nos dez anos do governo petista. No fim do ano passado, o número de funcionários públicos federais em atividade já era superior ao que havia no fim de 1994 e continuou a aumentar em 2013.
 
Mas o desempenho do governo não acompanhou a evolução de sua folha, como mostram as manifestações por melhores serviços de saúde, educação e segurança ocorridas há pouco, as dificuldades do governo do PT para ampliar ou melhorar os serviços públicos e os obstáculos administrativos e técnicos à execução dos grandes projetos de infraestrutura, entre outros fatos. O contribuinte paga cada vez mais para manter um funcionalismo que se mostra incapaz de devolver aos cidadãos, na forma de serviços, o que o Fisco lhes toma como tributo.
 
Em dezembro de 1994, o quadro de funcionários ativos do Executivo era formado por 964.032 servidores. Na busca de maior eficiência da máquina administrativa, ao mesmo tempo que procurava reduzir seu custo, como parte do ajuste fiscal indispensável ao êxito do plano de estabilização então em curso – o Plano Real, de julho de 1994 -, o governo tucano promoveu uma gradual redução da folha de pessoal. Em dezembro de 2002, no fim do segundo mandato de FHC, o quadro tinha sido reduzido para 809.075. Esses dados são do Boletim Estatístico de Pessoal publicado pela Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento.
 
No governo do PT, no entanto, a tendência se inverteu. Em dezembro de 2010, por exemplo, no fim do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Executivo tinha em sua folha 970.605 funcionários ativos, ou 20% mais do que no início da administração petista. O número continuou a crescer no governo Dilma, tendo alcançado 997.661 servidores ativos em dezembro do ano passado. Isso significa que, nos dez anos da gestão do PT, o quadro de pessoal do Executivo cresceu 23,3%. Hoje deve ser ainda maior (o último dado divulgado pelo governo refere-se a dezembro de 2012), pois o Orçamento da União em execução previu a contratação de 61.682 novos servidores públicos federais, a maior parte dos quais para o Executivo.
 
Uma parte do aumento do quadro de servidores foi explicada pelo governo petista como necessária para a recomposição da estrutura de pessoal de áreas essenciais para a atividade pública e para fortalecer as atividades típicas do Estado. Embora tenha havido aumentos gerais para o funcionalismo, a política de pessoal do PT foi marcada durante vários anos por benefícios específicos para determinadas carreiras, o que acabou gerando distorções e fomentando reivindicações de servidores de outras carreiras com base no princípio da isonomia.
 
Os relatórios sobre gastos com pessoal utilizam valores correntes, isto é, não descontam a inflação que houve desde o início da série histórica até agora. Para ter uma ideia da evolução dos gastos com pessoal, cite-se, apenas a título de exemplo, que, entre 2004 e 2011, enquanto a inflação acumulada ficou em 52,7%, o custo médio do servidor do Executivo aumentou mais de 120%. Isso significa aumento real de cerca de 46% do vencimento médio do funcionário do governo.
 
O aumento dos gastos com pessoal ocorreu também nos quadros do Legislativo e do Judiciário, e em velocidade maior do que a observada no Executivo. Em 1995, os servidores do Legislativo e do Judiciário representavam 8,9% do total e absorviam 10% dos pagamentos totais. Em 2012, eram 11,6% do total e receberam 17,7% dos pagamentos totais. O aumento mais rápido de sua fatia no bolo total pago aos servidores indica que, na média, eles ganham mais do que os servidores do Executivo.
 
Outra distorção no quadro do pessoal do Executivo está na sua distribuição geográfica. Embora tenha deixado de ser a capital do País há mais de meio século, o Rio de Janeiro, onde vivem 8,4% dos brasileiros, concentra 19% do total de servidores. São Paulo, com 21,6% da população, tem apenas 7,7% dos servidores federais.
 
Agora o leitor entende porque minha querida “cidade maravilhosa” é a capital nacional do fenômeno esquerda caviar, sempre votando mal, defendendo a esquerda mais radical, apoiada por artistas e “intelectuais” e muitos, muitos funcionários públicos, enquanto São Paulo é o estado mais rico do país, carregando nas costas muitos outros, e há anos governado pelo PSDB.
 
O pais precisa de um programa de redução da máquina estatal. Seu escopo deve ser bem mais limitado. Os funcionários devem ter um plano de carreira decente, mas devem ser bem menos funcionários. Chega dessa cultura de concurso público no Brasil. Os hospedeiros não aguentam mais tantos parasitas!

30 de setembro de 2013
Rodrigo Constantino

"PAGAMOS MAIS POR MENOS"

Todo o severo ajuste no quadro do pessoal ativo do governo federal realizado durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) foi desfeito nos dez anos do governo petista. No fim do ano passado, o número de funcionários públicos federais em atividade já era superior ao que havia no fim de 1994 e continuou a aumentar em 2013.
 
 
Mas o desempenho do governo não acompanhou a evolução de sua folha, como mostram as manifestações por melhores serviços de saúde, educação e segurança ocorridas há pouco, as dificuldades do governo do PT para ampliar ou melhorar os serviços públicos e os obstáculos administrativos e técnicos à execução dos grandes projetos de infraestrutura, entre outros fatos. O contribuinte paga cada vez mais para manter um funcionalismo que se mostra incapaz de devolver aos cidadãos, na forma de serviços, o que o Fisco lhes toma como tributo.
 
Em dezembro de 1994, o quadro de funcionários ativos do Executivo era formado por 964.032 servidores. Na busca de maior eficiência da máquina administrativa, ao mesmo tempo que procurava reduzir seu custo, como parte do ajuste fiscal indispensável ao êxito do plano de estabilização então em curso - o Plano Real, de julho de 1994 -, o governo tucano promoveu uma gradual redução da folha de pessoal. Em dezembro de 2002, no fim do segundo mandato de FHC, o quadro tinha sido reduzido para 809.075. Esses dados são do Boletim Estatístico de Pessoal publicado pela Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento.
 
No governo do PT, no entanto, a tendência se inverteu. Em dezembro de 2010, por exemplo, no fim do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Executivo tinha em sua folha 970.605 funcionários ativos, ou 20% mais do que no início da administração petista. O número continuou a crescer no governo Dilma, tendo alcançado 997.661 servidores ativos em dezembro do ano passado. Isso significa que, nos dez anos da gestão do PT, o quadro de pessoal do Executivo cresceu 23,3%. Hoje deve ser ainda maior (o último dado divulgado pelo governo refere-se a dezembro de 2012), pois o Orçamento da União em execução previu a contratação de 61.682 novos servidores públicos federais, a maior parte dos quais para o Executivo.
 
Uma parte do aumento do quadro de servidores foi explicada pelo governo petista como necessária para a recomposição da estrutura de pessoal de áreas essenciais para a atividade pública e para fortalecer as atividades típicas do Estado. Embora tenha havido aumentos gerais para o funcionalismo, a política de pessoal do PT foi marcada durante vários anos por benefícios específicos para determinadas carreiras, o que acabou gerando distorções e fomentando reivindicações de servidores de outras carreiras com base no princípio da isonomia.
 
Os relatórios sobre gastos com pessoal utilizam valores correntes, isto é, não descontam a inflação que houve desde o início da série histórica até agora. Para ter uma ideia da evolução dos gastos com pessoal, cite-se, apenas a título de exemplo, que, entre 2004 e 2011, enquanto a inflação acumulada ficou em 52,7%, o custo médio do servidor do Executivo aumentou mais de 120%. Isso significa aumento real de cerca de 46% do vencimento médio do funcionário do governo.
 
O aumento dos gastos com pessoal ocorreu também nos quadros do Legislativo e do Judiciário, e em velocidade maior do que a observada no Executivo. Em 1995, os servidores do Legislativo e do Judiciário representavam 8,9% do total e absorviam 10% dos pagamentos totais. Em 2012, eram 11,6% do total e receberam 17,7% dos pagamentos totais. O aumento mais rápido de sua fatia no bolo total pago aos servidores indica que, na média, eles ganham mais do que os servidores do Executivo.
 
Outra distorção no quadro do pessoal do Executivo está na sua distribuição geográfica. Embora tenha deixado de ser a capital do País há mais de meio século, o Rio de Janeiro, onde vivem 8,4% dos brasileiros, concentra 19% do total de servidores. São Paulo, com 21,6% da população, tem apenas 7,7% dos servidores federais.

30 de setembro de 2013
Editorial do Estadão

JOAQUIM BARBOSA DIZ QUE JUSTIÇA BRASILEIRA É A MAIS LENTA E UMA "MONSTRUOSIDADE"

Em palestra, Barbosa afirma que não há Justiça tão lenta quanto a brasileira  

 
Em palestra realizada nesta segunda-feira (30) em São Paulo, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, qualificou o sistema legal brasileiro como uma "monstruosidade" e disse que não há no mundo Justiça tão lenta quanto a brasileira.
 
O presidente da Corte ainda fez críticas ao "bacharelismo pomposo", à "multiplicidade de recursos" cabíveis na Justiça e ao que considera inchaço da máquina judiciária. O magistrado apontou que estes elementos provocam morosidade na Justiça e são entraves ao desenvolvimento econômico do país. "A morosidade da Justiça causa graves entraves à economia. Os processos que se atrasam e a multiplicidade de recursos para aqueles que desejam procrastinar o processo (...) não trazem benefícios para a população", afirmou Barbosa.
 
Ele disse que esses entraves são "expressões vivas de um bacharelismo decadente, palavroso, mas vazio, e, sobretudo, descompromissado com a eficiência".
 
"O bacharelismo serve para criar soluções para problemas inexistentes ou para cantar glórias de batalhas não travadas", afirmou Barbosa, que criticou também o que chamou de "apego ao academicismo histérico e pomposo". "Em alguns meios, um título acadêmico serve de mera plataforma para soberba ou funciona como marca de ostentação nobiliárquica."

Indicação política

Ao responder uma pergunta da plateia, Barbosa afirmou que a indicação política faz com que juízes não tenham independência na hora de tomar decisões. O presidente da Corte disse que "é preciso deixar o juiz em paz."
 
"Um dos fenômenos --que eu chamo de mais pernicioso-- é a indicação política. Não há mecanismos que criem automatismo, que, passado um determinado tempo, um juiz seja promovido sem que tenha que sair com o pires na mão. É isso que eu digo, deixe o juiz em paz, permita que ele evolua na sua carreira, na carreira que abraçou, de maneira natural, sem que políticos tenham que se intrometer, sem que tenha que pedir apoios. Esta é uma das razões do porquê os juízes não decidem", afirmou.
 
O magistrado afirmou que só não aplica a lei o juiz que é "medroso, comprometido ou é politicamente engajado em alguma coisa e isso o distrai, o impede moralmente de cumprir sua missão."
 
Para Barbosa, historicamente o Brasil adotou o aumento da máquina judiciária para tentar resolver a lentidão dos processos no judiciário. "A solução fácil de aumento da máquina judiciária é apenas momentaneamente paliativa e não resolve a origem do problema, que está na vetustez barroca da nossa organização de todo sistema judiciário."

Recado para o próximo presidente

Questionado pelo jornalista Ricardo Boechat, mediador do debate, sobre qual recado gostaria de dar ao próximo presidente da República, Barbosa disse que o orientaria a se reunir com os presidentes da Câmara e do Senado e do próprio STF e que pedisse três coisas: "simplicidade, objetividade e eficiência."
 
Outra solução apontada por Barbosa é valorizar e dar prioridade à primeira instância da Justiça e "reduzir o número excessivo de recursos que atualmente permite que se passe uma década sem que haja solução definitiva do litígio.

30 de setembro de 2013
Guilherme Balza
Do UOL

SETOR PÚBLICO TEM DÉFICIT DE R$ 432 MILHÕES EM AGOSTO, O MAIOR EM 12 ANOS

Brasil registra déficit fiscal pela primeira vez desde 2001
 
Trata-se do primeiro resultado negativo para o esforço fiscal necessário para o pagamento da dívida desde que a série histórica foi criada, há doze anos


Produção de cédulas de notas de 50 reais na Casa da Moeda no Rio de Janeiro
Deterioração fiscal: setor público não consegue fazer superávit
em agosto (Marcelo Sayão/EFE)

O Brasil registrou em agosto seu primeiro déficit primário desde o início da série histórica, em 2001. O déficit de 432 milhões de reais acumulado em agosto significa que o governo não conseguiu economizar recursos para engordar o montante necessário para pagar os juros da dívida em 2013. Segundo o Banco Central, que divulgou a nota, o déficit foi causado pelos maiores gastos com a Previdência. Contudo, pesou também a queda da arrecadação de impostos.
 
O resultado foi bem pior que o esperado por analistas, cuja mediana apontava para saldo positivo de 1,85 bilhão de reais. Em julho, o país havia registrado superávit primário de 2,287 bilhões de reais. Em 12 meses até agosto, a economia feita para pagamento de juros foi equivalente a 1,82% do Produto Interno Bruto (PIB), longe da meta do governo para o ano, de 2,3%. No acumulado dos primeiros oito meses, o esforço fiscal está em 1,72% do PIB.
 
Curiosamente, nesta segunda-feira, o BC e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, emitiram declarações afirmando que o cumprimento da meta de superávit não é necessário para reduzir o endividamento público. Segundo Mantega, o governo tem sido capaz de reduzir o endividamento sem cumprir a meta cheia. O ministro fez tal afirmação em evento organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Já o BC declarou que um superávit "amplo" não é necessário no Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta segunda.
 
O déficit primário em agosto foi causado pelo resultado negativo de 55 milhões de reais do governo central, formado pelo governo federal, BC e Previdência Social. Em agosto, as contas públicas foram afetadas pelo início do pagamento do 13º salário a aposentados e pensionistas, aumentando o rombo da Previdência que, segundo o BC, ficou em 5,733 bilhões de reais. O resultado apurado pelo BC é bem pior do que o divulgado pelo Tesouro Nacional na sexta-feira, que mostrava um superávit primário de 87 milhões de reais do governo central — valor considerado baixo, porém, ainda no campo positivo.
 
Ainda segundo o BC, os estados e municípios tiveram déficit de 174 milhões de reais no mês passado, enquanto que as empresas estatais tiveram saldo negativo 203 milhões de reais.
 
O BC informou ainda que o déficit nominal - receitas menos despesas do governo, incluindo pagamento de juros - ficou em 22,303 bilhões de reais no mês passado, enquanto a dívida pública representou 33,8% do PIB, ante 34,1% em julho, e chegou a 1,573 trilhão de reais. Em dezembro de 2012, a dívida estava em 35,2% do PIB.
 
No acumulado do ano, o superávit primário soma 54,013 bilhões de reais, sendo 37,441 bilhões de reais feitos pelo governo central e 16,774 bilhões de reais economizados por Estados e municípios. A meta cheia de superávit primário para este ano era de 155,9 bilhões de reais, ou cerca de 3,1% do PIB, mas o governo já reduziu a meta a 2,3%, ou 111 bilhões de reais. Isso significa que, para cumprir a meta, o governo terá de economizar em apenas quatro meses o mesmo valor economizado ao longo de todo o ano.
 
Os resultados fracos até agosto também foram resultado do baixo dinamismo da receita, afetada pelo mau desempenho da atividade econômica do país, e altos gastos com custeio da máquina pública.

Veja
(Com Reuters)
30 de setembro de 2013
 

GOVERNO DILMA AUMENTA LAVAGEM DE DINHEIRO: MAIS 2 MIL CUBANOS CHEGAM AO BRASIL

 
Mais Médicos: 2 mil cubanos chegam ao Brasil esta semana.  Os primeiros 135 profissionais da 2ª etapa do programa desembarcam hoje em Vitória
 
 
 Até o final desta semana, desembarcam no país mais 2 mil médicos cubanos selecionados para a segunda etapa do programa Mais Médicos. O Ministério da Saúde informou que nesta segunda-feira 135 médicos cubanos chegam em Vitória, no Espírito Santo. O restante dos profissionais chegará no Brasil aos poucos, ao longo desta semana.
 
Na segunda-feira, dia 7, os médicos formados no exterior iniciam as três semanas de curso de formação e posterior avaliação, quando terão aulas sobre saúde pública e Língua Portuguesa. Depois eles seguem para os municípios onde vão atuar.
 
Além dos 2 mil cubanos, os 149 médicos com diploma do exterior que foram selecionados para a segunda fase do Mais Médicos iniciam o módulo de avaliação também no dia 7. As aulas ocorrerão no Distrito Federal, em Fortaleza, Vitória e Belo Horizonte.
 
 
 
Assim como os médicos com diploma do exterior que se inscreveram individualmente, os cubanos que vêm pelo acordo com a Opas não precisam passar pelo Revalida (Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior) e, por isso, terão registro provisório por três anos para atuar somente na atenção básica e com validade restrita ao local para onde forem designados.

30 de setembro de 2013
O Globo com Agência Brasil

GOVERNO DILMA AUMENTA LAVAGEM DE DINHEIRO: MAIS 2 MIL CUBANOS CHEGAM AO BRASIL

 
Mais Médicos: 2 mil cubanos chegam ao Brasil esta semana.  Os primeiros 135 profissionais da 2ª etapa do programa desembarcam hoje em Vitória
 
 
 Até o final desta semana, desembarcam no país mais 2 mil médicos cubanos selecionados para a segunda etapa do programa Mais Médicos. O Ministério da Saúde informou que nesta segunda-feira 135 médicos cubanos chegam em Vitória, no Espírito Santo. O restante dos profissionais chegará no Brasil aos poucos, ao longo desta semana.
 
Na segunda-feira, dia 7, os médicos formados no exterior iniciam as três semanas de curso de formação e posterior avaliação, quando terão aulas sobre saúde pública e Língua Portuguesa. Depois eles seguem para os municípios onde vão atuar.
 
Além dos 2 mil cubanos, os 149 médicos com diploma do exterior que foram selecionados para a segunda fase do Mais Médicos iniciam o módulo de avaliação também no dia 7. As aulas ocorrerão no Distrito Federal, em Fortaleza, Vitória e Belo Horizonte.
 
 
 
Assim como os médicos com diploma do exterior que se inscreveram individualmente, os cubanos que vêm pelo acordo com a Opas não precisam passar pelo Revalida (Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior) e, por isso, terão registro provisório por três anos para atuar somente na atenção básica e com validade restrita ao local para onde forem designados.

30 de setembro de 2013
O Globo com Agência Brasil

ROSEMARY EM CÓDIGO


O engraçadinho Gilberto Carvalho, Secretário da Presidência da República, depois de várias negativas, enfim liberou para a Justiça e para o Ministério Público o CD com os e-mails dos computadores usados por Rosemary Noronha. O problema é que o arquivo com as mensagens foi formatado em um programa desconhecido pelos técnicos do MP.
 
Que cara de pau desse sujeitinho asqueroso!
 
30 de setembro de 2013

PARA VENCER A ESQUERDA É PRECISO ENVELHECER

           
          Artigos - Cultura 
Enquanto a esquerda pensa na próxima geração, seus adversários pensam no máximo na próxima eleição, e por isso estão perdendo todas.

A política é cada vez mais um terreno para profissionais.
 
Em 27 de julho de 2004, alguns dos grandes estrategistas da esquerda americana foram mobilizados para plantar uma semente: a eleição do primeiro presidente negro dos EUA. O palco era a convenção nacional do Partido Democrata em Boston e a cena política americana nunca mais foi a mesma depois desse dia.
 
O breve discurso daquele desconhecido político de Illinois, que acabou se tornando a estrela da festa, não tinha uma única palavra fora do lugar. Cada frase do texto escrito por ele com a ajuda da dupla David Axelrod e Robert Gibbs, seus principais assessores políticos até hoje, transformaram um professor universitário, ativista de movimentos de esquerda, senador estadual e candidato ao senado federal, em alguém que a imprensa passou a tratar instantaneamente como um novo Martin Luther King Jr.
 
As frases utilizadas eram basicamente uma compilação cuidadosa dos seus discursos de campanha ao senado federal naquele ano, testados nos meses anteriores nas mais diversas plateias e ambientes. Há poucas dúvidas de que, não fosse este discurso na DNC em Boston, não haveria um presidente Obama quatro anos depois. Em apenas 17 minutos, aquele obscuro político de Chicago assumia para o país a face da renovação da política americana, iniciando a corrida para tomar a vaga de Hillary Clinton e se tornar o 44º presidente americano.
 
Neste histórico dia de 2004, Obama defendeu tudo que hoje, como presidente, nega: o sonho americano, a economia de livre mercado e a sociedade pós-racial. Com o país hipnotizado em frente à TV, ele disse a frase que marcaria sua carreira política para sempre: “there’s not a black America and white America and Latino America and Asian America; there’s the United States of America.”
 
Ao se apresentar pela primeira vez em cadeia nacional, Barack Obama criou as bases para a construção do mito. Ele abre o discurso dizendo a todos que vinha do mesmo estado que Abraham Lincoln, colando sua imagem no venerado presidente que aboliu à escravidão. Foi seu cartão de visita e sua principal mensagem naquele dia: eu sou o filho legítimo da luta pelos direitos civis dos anos 60, eu sou a prova de que vencemos o racismo, eu sou o novo Lincoln. Não sou um político, sou um símbolo.
 
Na eleição presidencial anterior, em 2000, o Partido Democrata já havia feito um teste. O carismático deputado Harold Ford, Jr., com apenas 30 anos na época e também de ascendência negra, foi o keynote speaker da convenção do partido. Seu discurso foi muito bem recebido pela plateia, mas como Ford não venceu a eleição daquele ano ao senado, seu nome perdeu força para vôos mais altos. Sua aparição, mesmo assim, serviu como um valioso balão de ensaio.
 
Em 2001, a série de TV mais popular dos EUA, “24 horas”, teve como protagonista um presidente negro. O personagem David Palmer, como Obama, era também um senador do Partido Democrata que chegava à presidência, vendido ao telespectador como um político próximo da perfeição. Até seu maior escândalo, a revelação pública de um assassinato cometido por seu filho, era moralmente justificável, já que tinha sido motivado pelo estupro da sua filha por um branco.
 
Tudo na trama reforçava a imagem de David Palmer como um presidente com uma estatura moral fora do comum, um homem-santo e incorruptível, pós-racial e acima do bem e do mal, e mesmo quando se rendia ao varejo da política era sempre em nome de um bem maior. Foram quase 200 episódios em oito temporadas, de 2001 a 2010, e não há qualquer dúvida de que David Palmer também ajudou a preparar, mesmo que inadvertidamente, o terreno para o surgimento de Barack Obama.
 
O endosso mais relevante e decisivo para popularizar Obama de vez foi, claro, de Oprah Winfrey. A mais importante e influente apresentadora da TV americana abraçou sem cerimônia o candidato no seu programa e fora dele, participando de comícios em todo país e mergulhando de corpo e alma na sua campanha eleitoral, quebrando decisivamente eventuais resistências ao seu nome nas famílias americanas. O apoio apaixonado e militante de Oprah foi talvez o fator isolado mais importante para a consolidação do nome de Barack Obama como um candidato viável à presidência da república.
 
Barack Obama é entendido por muitos desavisados como uma obra do acaso ou produto da crise econômica de 2008 e não fruto deste árduo, corajoso, criativo, competente, regiamente financiado, ousado e perseverante trabalho de estratégia política da esquerda americana, aquela herdeira da geração dos revolucionários de 1968.
 
Assim que os votos foram contados em 2004 e George W. Bush reeleito, alguns analistas davam a esquerda americana como morta, mas ela estava, como sempre esteve, trabalhando e com olhos já voltados para 2008. Hoje os engenheiros de obra pronta acreditam que viabilizar a candidatura de um negro com sobrenome Hussein em meio à reeleição de Bush era quase inevitável, um “momento histórico”, pela incapacidade de entender que esse tal “momento histórico” foi fruto de uma estratégia muito bem planejada e executada.
 
Hoje é o Partido Republicano que está dividido e nas cordas, apanhando de forma sistemática e diária na imprensa. Na última semana, o senador texano Ted Cruz, ligado ao Tea Party, ficou durante 21 horas seguidas defendendo a retirada de fundos orçamentários para a implementação do sistema de saúde socialista nos EUA, que certamente completará a promessa de Barack Obama de “transformar para sempre os EUA” causando danos irreparáveis à economia do país. O senador republicano tomou conta do noticiário, francamente desfavorável a ele como era de se esperar, mas encantou parte do eleitorado por sua ousadia e firmeza de caráter contra o impopular Obamacare. Só que isso já não é mais suficiente.
 
Ted Cruz, 43 anos, é uma figura ímpar. De origem hispânica, foi um advogado brilhante com credenciais acadêmicas inquestionáveis. Formado em Harvard, tornou-se depois uma estrela radiante em Princeton, um debatedor admirado e respeitado, além de um orador hábil e persuasivo. Há quem diga que o ódio que desperta no establishment político de Washington é exatamente por ser “um deles”, um intelectual da Ivy League que, ao contrário do que se espera dos membros da elite acadêmica do país, é um expoente do conservadorismo, sem concessões ao pragmatismo das velhas ratazanas da capital.
 
Imaginar um Ted Cruz candidato a presidente americano hoje é algo tão improvável e bizarro como Barack Obama em 2004, mas se Cruz contasse com a máquina eleitoral democrata, que inclui a imprensa, as universidades, as celebridades e Hollywood, seria imbatível em 2016.
 
Hoje não basta mais um desconhecido, mesmo que brilhante, para se fazer um candidato vencedor à presidência dos EUA e, sem contar com os recursos que Obama contou, Ted Cruz não tem chance alguma, a despeito de suas inegáveis qualidades pessoais e sua determinação ideológica admirável.
 
Aquele Barack Obama apresentado ao mundo na convenção democrata de 2004 foi escolhido depois de anos de doutrinação política que contou com mentores como Frank Marshall Davis e Bill Ayers, além de muita experiência no ativismo político e na política do seu estado. Sua carreira, cuidadosamente planejada nos mínimos detalhes, é uma prova de como é complexo o marketing político atual, que agora mergulha também no Big Data e na revolução tecnológica das redes sociais.
 
A máquina que elegeu Obama em 2008 e reelegeu em 2012 começa a especular, timidamente ainda, o nome do advogado e ambientalista Van Jones para 2016, outro negro com aparência de galã de Hollywood, figura fácil nos talk shows da TV americana e ativista político com todas as credenciais ideológicas marxistas exigidas para suceder o atual presidente. Se os patrocinadores da campanha de Barack Obama abraçarem o nome de Van Jones, Hillary Clinton não dará nem para o começo e será novamente atropelada nas primárias. O tempo dirá.
 
No Brasil, os profissionais estão trabalhando dia e noite para reeleger Dilma Rousseff. No final de junho deste ano, em meio às manifestações que tomaram conta do país, Franklin Martins foi reincorporado por Lula ao time dos principais de estrategistas do PT para liderar o front de batalha da comunicação, junto com João Santana e Rui Falcão.
 
Em poucas semanas, os resultados falam por si. A imprensa passou a defender abertamente a importação dos cubanos de jaleco e demonizar os médicos brasileiros como “coxinhas” reacionários e corporativistas. As organizações Globo, que hoje exibem às seis da tarde na TV uma novela que é uma espécie de telecurso segundo grau de doutrinação comunista, pediu formalmente desculpas pelo seu apoio à revolução de 1964 e seu noticiário está mais favorável do que nunca ao petismo.
 
O mais impressionante dos trabalhos recentes dos estrategistas de comunicação de Dilma Rousseff foi a invenção desse factóide chamado “espionagem americana”, a partir de fragmentos de informação vazados pelo neo-russo Edward Snowden e o ativista antiamericano, dublê de jornalista do The Guardian, Glenn Greenwald. A pantomima, por mais ridícula que possa parecer a qualquer bípede minimamente letrado, já virou tema de discurso da Dilma na ONU para captação de imagens para o programa eleitoral e revitalização da militância, um pouco combalida pelo mensalão mas que com a reedição do velho antiamericanismo já está de novo pintada para a guerra. Militante não precisa de argumentos racionais, inimigos externos, bodes expiatórios e palavras de ordem bastam para partirem pra rua, como os populistas sabem desde sempre.
 
Os prováveis competidores de Dilma na eleição do ano que vem, Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves, foram praticamente banidos do noticiário, não merecendo mais do que citações pontuais e normalmente neutras ou negativas. Marina Silva e Eduardo Campos, satélites do petismo, não representam alternativas no campo ideológico, e o provinciano Aécio Neves, com suas inserções publicitárias constrangedoras e surpreendentemente amadoras até para os padrões tucanos, não mostra cacife eleitoral para sequer chegar ao segundo turno. O PSDB continua sendo a oposição que o PT pediria a Deus se acreditasse Nele.
 
No dia em que Aécio Neves começar a incomodar, se é que esse dia chegará, faço uma previsão: o noticiário brasileiro será invadido subitamente pelo “mensalão mineiro”, não se falará de outra coisa, e Aécio irá para a defensiva e sua candidatura perderá o gás. Se nada surpreendente acontecer até o ano que vem, a reeleição de Dilma é líquida e certa.
 
Se o resultado eleitoral de 2014 é mais que provável, a reeleição de George W. Bush, no campo ideológico oposto, era também certa em 2004 e nem por isso a esquerda americana deixou de trabalhar e plantar a semente para a eleição do seu candidato em 2008. Na falta de chances reais de vitória em 2004, os estrategistas do partido democrata aproveitaram o momento para ao menos apresentar ao eleitorado um candidato ideológico e carismático para a próxima eleição e deu certo. Mas quem está fazendo trabalho semelhante no Brasil de hoje?
 
A própria esquerda, claro, com Marina Silva e Eduardo Campos, dois políticos que investem na acumulação de cacife eleitoral para 2018, com Dilma fora da cédula e um Lula que, sem especular sobre seu estado saúde, pode não ser mais ativo no processo até lá.
 
A eleição de 2014 no Brasil deveria ser aproveitada pelas forças políticas fora do petismo e da esquerda, se é que existem, para iniciar o mesmo movimento feito por Obama em 2004, Marina em 2010 ou que Campos fará ano que vem. É a hora de mirar em 2018, já que cinco anos são mais do que suficientes para a viabilização de uma estratégia eleitoral consistente e que realmente consiga emplacar o próximo presidente.
 
É claro que o campo de batalha não é só esse. A ocupação de espaços e a luta em todas frentes,
especialmente a cultural, é uma luta ainda mais importante e que Olavo de Carvalho sempre nos lembra, mas a apresentação de um nome para o eleitorado nacional ano que vem pode ser uma boa oportunidade para uma candidatura vencedora em 2018. Para isso alguém deveria estar disposto a trabalhar diligentemente cinco anos para viabilizar a candidatura ou ao menos abrir uma alternativa política fora da esquerda. Quem tem estômago e resiliência para perseverar durante tanto tempo num projeto político no Brasil?
 
Enquanto a esquerda pensa na próxima geração, seus adversários pensam no máximo na próxima eleição, e por isso estão perdendo todas. A cada eleição perdida, a tarefa de tirar o petismo do poder vai ficando mais difícil. O PT já está no terceiro mandato presidencial consecutivo, tem quase 80% do Congresso na base aliada e recentemente mostrou sua força avassaladora até no judiciário. O aparelhamento da máquina pública levará décadas para ser desfeito.
 
A política é cada vez mais um terreno para profissionais. Numa entrevista poucos meses antes de morrer, pediram à Nelson Rodrigues uma mensagem ao jovens e ele respondeu: “por favor, envelheçam”. Meu conselho aos adversários do petismo: sigam o que disse o anjo pornográfico e ganhem alguns cabelos brancos. Não há mais lugar para amadores.

30 de setembro de 2013

Alexandre Borges é diretor do Instituto Liberal.

PARA VENCER A ESQUERDA É PRECISO ENVELHECER

           
          Artigos - Cultura 
Enquanto a esquerda pensa na próxima geração, seus adversários pensam no máximo na próxima eleição, e por isso estão perdendo todas.

A política é cada vez mais um terreno para profissionais.
 
Em 27 de julho de 2004, alguns dos grandes estrategistas da esquerda americana foram mobilizados para plantar uma semente: a eleição do primeiro presidente negro dos EUA. O palco era a convenção nacional do Partido Democrata em Boston e a cena política americana nunca mais foi a mesma depois desse dia.
 
O breve discurso daquele desconhecido político de Illinois, que acabou se tornando a estrela da festa, não tinha uma única palavra fora do lugar. Cada frase do texto escrito por ele com a ajuda da dupla David Axelrod e Robert Gibbs, seus principais assessores políticos até hoje, transformaram um professor universitário, ativista de movimentos de esquerda, senador estadual e candidato ao senado federal, em alguém que a imprensa passou a tratar instantaneamente como um novo Martin Luther King Jr.
 
As frases utilizadas eram basicamente uma compilação cuidadosa dos seus discursos de campanha ao senado federal naquele ano, testados nos meses anteriores nas mais diversas plateias e ambientes. Há poucas dúvidas de que, não fosse este discurso na DNC em Boston, não haveria um presidente Obama quatro anos depois. Em apenas 17 minutos, aquele obscuro político de Chicago assumia para o país a face da renovação da política americana, iniciando a corrida para tomar a vaga de Hillary Clinton e se tornar o 44º presidente americano.
 
Neste histórico dia de 2004, Obama defendeu tudo que hoje, como presidente, nega: o sonho americano, a economia de livre mercado e a sociedade pós-racial. Com o país hipnotizado em frente à TV, ele disse a frase que marcaria sua carreira política para sempre: “there’s not a black America and white America and Latino America and Asian America; there’s the United States of America.”
 
Ao se apresentar pela primeira vez em cadeia nacional, Barack Obama criou as bases para a construção do mito. Ele abre o discurso dizendo a todos que vinha do mesmo estado que Abraham Lincoln, colando sua imagem no venerado presidente que aboliu à escravidão. Foi seu cartão de visita e sua principal mensagem naquele dia: eu sou o filho legítimo da luta pelos direitos civis dos anos 60, eu sou a prova de que vencemos o racismo, eu sou o novo Lincoln. Não sou um político, sou um símbolo.
 
Na eleição presidencial anterior, em 2000, o Partido Democrata já havia feito um teste. O carismático deputado Harold Ford, Jr., com apenas 30 anos na época e também de ascendência negra, foi o keynote speaker da convenção do partido. Seu discurso foi muito bem recebido pela plateia, mas como Ford não venceu a eleição daquele ano ao senado, seu nome perdeu força para vôos mais altos. Sua aparição, mesmo assim, serviu como um valioso balão de ensaio.
 
Em 2001, a série de TV mais popular dos EUA, “24 horas”, teve como protagonista um presidente negro. O personagem David Palmer, como Obama, era também um senador do Partido Democrata que chegava à presidência, vendido ao telespectador como um político próximo da perfeição. Até seu maior escândalo, a revelação pública de um assassinato cometido por seu filho, era moralmente justificável, já que tinha sido motivado pelo estupro da sua filha por um branco.
 
Tudo na trama reforçava a imagem de David Palmer como um presidente com uma estatura moral fora do comum, um homem-santo e incorruptível, pós-racial e acima do bem e do mal, e mesmo quando se rendia ao varejo da política era sempre em nome de um bem maior. Foram quase 200 episódios em oito temporadas, de 2001 a 2010, e não há qualquer dúvida de que David Palmer também ajudou a preparar, mesmo que inadvertidamente, o terreno para o surgimento de Barack Obama.
 
O endosso mais relevante e decisivo para popularizar Obama de vez foi, claro, de Oprah Winfrey. A mais importante e influente apresentadora da TV americana abraçou sem cerimônia o candidato no seu programa e fora dele, participando de comícios em todo país e mergulhando de corpo e alma na sua campanha eleitoral, quebrando decisivamente eventuais resistências ao seu nome nas famílias americanas. O apoio apaixonado e militante de Oprah foi talvez o fator isolado mais importante para a consolidação do nome de Barack Obama como um candidato viável à presidência da república.
 
Barack Obama é entendido por muitos desavisados como uma obra do acaso ou produto da crise econômica de 2008 e não fruto deste árduo, corajoso, criativo, competente, regiamente financiado, ousado e perseverante trabalho de estratégia política da esquerda americana, aquela herdeira da geração dos revolucionários de 1968.
 
Assim que os votos foram contados em 2004 e George W. Bush reeleito, alguns analistas davam a esquerda americana como morta, mas ela estava, como sempre esteve, trabalhando e com olhos já voltados para 2008. Hoje os engenheiros de obra pronta acreditam que viabilizar a candidatura de um negro com sobrenome Hussein em meio à reeleição de Bush era quase inevitável, um “momento histórico”, pela incapacidade de entender que esse tal “momento histórico” foi fruto de uma estratégia muito bem planejada e executada.
 
Hoje é o Partido Republicano que está dividido e nas cordas, apanhando de forma sistemática e diária na imprensa. Na última semana, o senador texano Ted Cruz, ligado ao Tea Party, ficou durante 21 horas seguidas defendendo a retirada de fundos orçamentários para a implementação do sistema de saúde socialista nos EUA, que certamente completará a promessa de Barack Obama de “transformar para sempre os EUA” causando danos irreparáveis à economia do país. O senador republicano tomou conta do noticiário, francamente desfavorável a ele como era de se esperar, mas encantou parte do eleitorado por sua ousadia e firmeza de caráter contra o impopular Obamacare. Só que isso já não é mais suficiente.
 
Ted Cruz, 43 anos, é uma figura ímpar. De origem hispânica, foi um advogado brilhante com credenciais acadêmicas inquestionáveis. Formado em Harvard, tornou-se depois uma estrela radiante em Princeton, um debatedor admirado e respeitado, além de um orador hábil e persuasivo. Há quem diga que o ódio que desperta no establishment político de Washington é exatamente por ser “um deles”, um intelectual da Ivy League que, ao contrário do que se espera dos membros da elite acadêmica do país, é um expoente do conservadorismo, sem concessões ao pragmatismo das velhas ratazanas da capital.
 
Imaginar um Ted Cruz candidato a presidente americano hoje é algo tão improvável e bizarro como Barack Obama em 2004, mas se Cruz contasse com a máquina eleitoral democrata, que inclui a imprensa, as universidades, as celebridades e Hollywood, seria imbatível em 2016.
 
Hoje não basta mais um desconhecido, mesmo que brilhante, para se fazer um candidato vencedor à presidência dos EUA e, sem contar com os recursos que Obama contou, Ted Cruz não tem chance alguma, a despeito de suas inegáveis qualidades pessoais e sua determinação ideológica admirável.
 
Aquele Barack Obama apresentado ao mundo na convenção democrata de 2004 foi escolhido depois de anos de doutrinação política que contou com mentores como Frank Marshall Davis e Bill Ayers, além de muita experiência no ativismo político e na política do seu estado. Sua carreira, cuidadosamente planejada nos mínimos detalhes, é uma prova de como é complexo o marketing político atual, que agora mergulha também no Big Data e na revolução tecnológica das redes sociais.
 
A máquina que elegeu Obama em 2008 e reelegeu em 2012 começa a especular, timidamente ainda, o nome do advogado e ambientalista Van Jones para 2016, outro negro com aparência de galã de Hollywood, figura fácil nos talk shows da TV americana e ativista político com todas as credenciais ideológicas marxistas exigidas para suceder o atual presidente. Se os patrocinadores da campanha de Barack Obama abraçarem o nome de Van Jones, Hillary Clinton não dará nem para o começo e será novamente atropelada nas primárias. O tempo dirá.
 
No Brasil, os profissionais estão trabalhando dia e noite para reeleger Dilma Rousseff. No final de junho deste ano, em meio às manifestações que tomaram conta do país, Franklin Martins foi reincorporado por Lula ao time dos principais de estrategistas do PT para liderar o front de batalha da comunicação, junto com João Santana e Rui Falcão.
 
Em poucas semanas, os resultados falam por si. A imprensa passou a defender abertamente a importação dos cubanos de jaleco e demonizar os médicos brasileiros como “coxinhas” reacionários e corporativistas. As organizações Globo, que hoje exibem às seis da tarde na TV uma novela que é uma espécie de telecurso segundo grau de doutrinação comunista, pediu formalmente desculpas pelo seu apoio à revolução de 1964 e seu noticiário está mais favorável do que nunca ao petismo.
 
O mais impressionante dos trabalhos recentes dos estrategistas de comunicação de Dilma Rousseff foi a invenção desse factóide chamado “espionagem americana”, a partir de fragmentos de informação vazados pelo neo-russo Edward Snowden e o ativista antiamericano, dublê de jornalista do The Guardian, Glenn Greenwald. A pantomima, por mais ridícula que possa parecer a qualquer bípede minimamente letrado, já virou tema de discurso da Dilma na ONU para captação de imagens para o programa eleitoral e revitalização da militância, um pouco combalida pelo mensalão mas que com a reedição do velho antiamericanismo já está de novo pintada para a guerra. Militante não precisa de argumentos racionais, inimigos externos, bodes expiatórios e palavras de ordem bastam para partirem pra rua, como os populistas sabem desde sempre.
 
Os prováveis competidores de Dilma na eleição do ano que vem, Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves, foram praticamente banidos do noticiário, não merecendo mais do que citações pontuais e normalmente neutras ou negativas. Marina Silva e Eduardo Campos, satélites do petismo, não representam alternativas no campo ideológico, e o provinciano Aécio Neves, com suas inserções publicitárias constrangedoras e surpreendentemente amadoras até para os padrões tucanos, não mostra cacife eleitoral para sequer chegar ao segundo turno. O PSDB continua sendo a oposição que o PT pediria a Deus se acreditasse Nele.
 
No dia em que Aécio Neves começar a incomodar, se é que esse dia chegará, faço uma previsão: o noticiário brasileiro será invadido subitamente pelo “mensalão mineiro”, não se falará de outra coisa, e Aécio irá para a defensiva e sua candidatura perderá o gás. Se nada surpreendente acontecer até o ano que vem, a reeleição de Dilma é líquida e certa.
 
Se o resultado eleitoral de 2014 é mais que provável, a reeleição de George W. Bush, no campo ideológico oposto, era também certa em 2004 e nem por isso a esquerda americana deixou de trabalhar e plantar a semente para a eleição do seu candidato em 2008. Na falta de chances reais de vitória em 2004, os estrategistas do partido democrata aproveitaram o momento para ao menos apresentar ao eleitorado um candidato ideológico e carismático para a próxima eleição e deu certo. Mas quem está fazendo trabalho semelhante no Brasil de hoje?
 
A própria esquerda, claro, com Marina Silva e Eduardo Campos, dois políticos que investem na acumulação de cacife eleitoral para 2018, com Dilma fora da cédula e um Lula que, sem especular sobre seu estado saúde, pode não ser mais ativo no processo até lá.
 
A eleição de 2014 no Brasil deveria ser aproveitada pelas forças políticas fora do petismo e da esquerda, se é que existem, para iniciar o mesmo movimento feito por Obama em 2004, Marina em 2010 ou que Campos fará ano que vem. É a hora de mirar em 2018, já que cinco anos são mais do que suficientes para a viabilização de uma estratégia eleitoral consistente e que realmente consiga emplacar o próximo presidente.
 
É claro que o campo de batalha não é só esse. A ocupação de espaços e a luta em todas frentes,
especialmente a cultural, é uma luta ainda mais importante e que Olavo de Carvalho sempre nos lembra, mas a apresentação de um nome para o eleitorado nacional ano que vem pode ser uma boa oportunidade para uma candidatura vencedora em 2018. Para isso alguém deveria estar disposto a trabalhar diligentemente cinco anos para viabilizar a candidatura ou ao menos abrir uma alternativa política fora da esquerda. Quem tem estômago e resiliência para perseverar durante tanto tempo num projeto político no Brasil?
 
Enquanto a esquerda pensa na próxima geração, seus adversários pensam no máximo na próxima eleição, e por isso estão perdendo todas. A cada eleição perdida, a tarefa de tirar o petismo do poder vai ficando mais difícil. O PT já está no terceiro mandato presidencial consecutivo, tem quase 80% do Congresso na base aliada e recentemente mostrou sua força avassaladora até no judiciário. O aparelhamento da máquina pública levará décadas para ser desfeito.
 
A política é cada vez mais um terreno para profissionais. Numa entrevista poucos meses antes de morrer, pediram à Nelson Rodrigues uma mensagem ao jovens e ele respondeu: “por favor, envelheçam”. Meu conselho aos adversários do petismo: sigam o que disse o anjo pornográfico e ganhem alguns cabelos brancos. Não há mais lugar para amadores.

30 de setembro de 2013

Alexandre Borges é diretor do Instituto Liberal.