"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

RECESSO PARLAMENTAR NÃO SIGNIFICA SOLUÇÃO DA CRISE QUE ENVOLVE O GOVERNO

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Charge do Latuff (sul21.com.br)
O início do recesso parlamentar, na última sexta-feira, não significou que a crise política entrou de férias. Longe disso. Ao longo das próximas duas semanas até que o Congresso retome os trabalhos, governistas e oposicionistas seguirão trabalhando nas bases para conquistar votos contra ou a favor do processo envolvendo o presidente Michel Temer.
Novas delações do ex-deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro devem ser oficializadas. Quando retornar de uma missão oficial aos estados, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar novas denúncias, por obstrução de justiça e formação de quadrilha.
A CRISE CONTINUA – “Quando foi o último recesso que serviu para amenizar as crises?”, questionou o cientista político e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Carlos Melo. Ele lembra que, em janeiro de 2016, após a decisão do Supremo Tribunal Federal de definir o rito de tramitação do impeachment de Dilma, a impressão era de que a então presidente escaparia da cassação. Quando o Congresso retornou aos trabalhos, em fevereiro, bastaram três meses para que a petista fosse afastada do cargo.
Para Melo, após o êxito do governo na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), onde conseguiu — à custa da troca de deputados e da liberação de emendas parlamentares — aprovar, por 41 a 24, um relatório favorável ao presidente, os interessados em afastar o peemedebista buscarão novas alternativas.
 FATOS NOVOS – “Podemos prever que fatos novos — se existirem — apareçam na última semana de julho, mais próximo do retorno dos trabalhos parlamentares”, completou Melo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou para o dia 2 de agosto a sessão plenária para votar o relatório apresentado pelo deputado Paulo Abi-Ackel, após a base conseguir derrubar o texto adverso apresentado pelo deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). O próprio Planalto já trabalha com novos atrasos provocados por falta de quorum em agosto, levando o processo para setembro.
A ideia inicial do Planalto era resolver tudo antes do recesso. Agora, a estratégia é empurrar com a barriga. “Esse governo já sobreviveu a tantos escândalos e tem tantos ministros envolvidos em denúncias que fica difícil precisar o que é necessário para que ele seja derrubado”, reconheceu o professor de ciência política do Ibmec-MG, Adriano Gianturco. É com isso que o Planalto conta.
DEIXA ESTAR… – Para um integrante da cúpula do Planalto, quanto mais o processo demorar, mais a classe política e os agentes econômicos chegarão à conclusão de que é melhor deixar Temer até o fim do mandato e delegar ao povo a escolha do novo presidente por eleições diretas em outubro de 2018.
Um fiel escudeiro do presidente Michel Temer garante que dá para relaxar nas próximas duas semanas. Carlos Marun (PMDB-MS) diz que a vitória na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dá a segurança de que o governo precisa nos próximos dias. “Essa denúncia já está liquidada. É um sinal de tranquilidade, mas não de desconcentração. E de felicidade, porque conseguimos provar a fragilidade da denúncia. Depois dessa, duvido que venham outras denúncias. Caem por terra todas as outras acusações”, defende Marun.
SEM CHANCE – Para o deputado federal Daniel Coelho (PSDB-PE), não há possibilidade de um recesso tranquilo pela frente, pois a crise política existe independentemente de parar o Congresso ou não. Em relação ao encaminhamento da denúncia em plenário, Coelho diz que não faz diferença o governo conseguir derrubar a denúncia. “O placar dos votos é que será determinante. A chance de a base governista vencer é enorme, mas um governo que tem 270, 280 votos contra ele não tem condições de governar”, acredita.
Há também quem acredite que o contato dos deputados com o eleitorado nos estados pode ser prejudicial para o governo, pois sentiriam o termômetro da influência que um voto pró-Temer poderia causar nas próximas eleições, em outubro de 2018. “Todas as pesquisas indicam que o Temer tem de sair. Os deputados ficarão constrangidos e isso arrastará um número importante de votos”, acredita o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O problema só continua porque o Planalto esqueceu de baixar uma Medida Provisória estabelecendo que a Procuradoria-Geral da Justiça e a Polícia Federal também entrem em recesso. Hoje em dia está em moda fazer Medidas Provisórias a todo momento. (C.N.)

17 de julho de 2017
Natália Lambert e Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

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